terça-feira, 20 de novembro de 2018

Até os ataques de 11 de setembro, a maior tragédia envolvendo ações deliberadas contra civis americanos teve lugar em meio à floresta amazônica, no território da Guiana - há exatamente 40 anos. Em 18 de novembro de 1978, 918 pessoas morreram em um misto de suicídio coletivo e assassinatos em Jonestown, uma comuna fundada por Jim Jones, pastor e fundador do Templo Popular, uma seita pentecostal cristã de orientação socialista.

Apesar de promover curas "milagrosas" fraudulentas, Jones promoveu ideais igualitários, como impor vestuário modesto para os frequentadores de cultos, distribuição de comida gratuita e mesmo o fornecimento de carvão para famílias mais pobres no inverno, o que atraiu um imenso contingente de fiéis de perfis raciais mais diversos.

Embora algumas pessoas tenham sido mortas a tiros e facadas, a grande maioria pereceu ao beber, sob as ordens do pastor, veneno misturado a um ponche de frutas. Foi um fim trágico para um projeto utópico iniciado em 1956, no Estado americano de Indiana.

Jim Jones pregava um cristianismo de cunho socialista

                                                             Tim Jones


Poucas horas antes, alguns membros do culto tinham assassinado com armas automáticas o deputado norte-americano Leo Ryan, que fora investigar as suspeitas de violências cometidas no “templo”; tinham matado os jornalistas e o cinegrafista que estavam ali para visitar e filmar o “paraíso na terra, cheio de palmeiras, tâmaras e mel” que o reverendo Jones prometera a seus fiéis seguidores.



Em 1978, alertado pela preocupação de parentes de integrantes da comuna, o deputado federal Leo Ryan viajou à Guiana com uma delegação de 18 pessoas para visitar Jonestown.


Depois de negociar entrada no local, a visita ocorreu em 17 de novembro. No dia seguinte, Ryan e mais quatro pessoas morreram a tiros em uma pista de pouso próxima ao assentamento. Poucas horas depois ocorreu o suicídio coletivo, considerado o maior da história.


Leo Ryan (deputado)

Um jovem jornalista sobreviveu: Ron Javers, enviado pelo jornal San Francisco Examiner. Anos depois, Javers ainda recordava o medo, a desorientação, uma corrida doida selva adentro, a dor e as horas de solidão passadas na floresta, enquanto perdia sangue do ombro perfurado por uma bala. Ele se lembra de ter anotado no caderninho a expressão “falso profeta”, depois de ter conversado, um dia antes, com Jim Jones.



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                             Massacre em Jonestown


“Como se faz para compreender a tempo se um pastor cativante, que usa um tom paternal ao falar, é um falso profeta? Ele lembrava um pai até quando adotava certos comportamentos despóticos. Ou assim pensavam os seus crentes”, ponderou Javers.

Quando autoridades da Guiana chegaram a Jonestown, o pastor foi encontrado morto com um tiro na cabeça, em uma posição que sugeriu suicídio. Dos habitantes que estavam em Jonestown naquele dia, apenas 35 sobreviveram. Mas também são considerados sobreviventes pessoas como Laura Johnston Kohl, que naquele dia estava na capital guianesa, Georgetown, comprando mantimentos para a comuna.


Laura Kohl escreveu um livro para contar experiências — Foto: BBC
                                              Laura Kohl



"Nós éramos visionários que deixaram para trás os confortos da vida urbana e se mudaram para o meio da floresta para criar um modelo de comunidade para o resto do mundo. Jim Jones era articulado para mascarar as partes dele que eram corruptas ou doentes", explica Kohl, autora de um livro em que relatou suas experiências no culto.


Quatro décadas depois da tragédia, Jonestown ainda provoca polêmica na Guiana. O terreno da comuna foi "reconquistado" pela floresta, mas há no país quem queira ver o local explorado como ponto turístico, assim como acontece nos antigos campos de concentração nazistas na Europa, por exemplo. Mas o governo do país tem se recusado a considerar a possibilidade.

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                                            Jim Jones



Fontes:
noticiais.uol.com.br
revistaplaneta.com.br
bbc.com
g1.globo.com

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