quarta-feira, 30 de setembro de 2026



No dia 1º. de setembro de 1886 nascia, em Capivari (SP), Tarsila do Amaral, pintora e desenhista, uma das figuras centrais do começo do movimento modernista brasileiro.





Abaporu




Seu quadro Abaporu, de 1928, deu início ao movimento antropofágico nas artes plásticas.




A tela foi pintada em óleo sobre tela, em janeiro de 1928, como presente de aniversário ao escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. O nome da obra foi conferido por ele e pelo poeta Raul Bopp, que indagou a Oswald ao ver o quadro: "Vamos fazer um movimento em torno desse quadro?" Os dois escritores escolheram um nome para a obra, que veio a ser Abaporu, que vem dos termos em tupi aba (homem), pora (gente) e ú (comer), significando "homem que come gente". E também é uma referência para a criação da Antropofagia modernista brasileira, ou Movimento Antropofágico, que se propunha a deglutir a cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil.


A obra se encontra hoje no Museu de Arte Latino-americana em Buenos Aires, Argentina, e tem seu valor estimado em US 40 milhões de dólares.




Nascida em uma família rica de fazendeiros, ela estudou em um colégio de freiras em São Paulo e depois completou seus estudos em Barcelona.


Tarsila do Amaral


Tarsila se casou em 1906 com um médico, mas o marido queria que ela ficasse apenas em casa, como era o pensamento da época. Tarsila não aceitou isso e se separou um ano depois. Da relação, ela teve uma filha, Dulce, com quem se mudou para a fazenda dos pais assim que se separou.


Distância - 1928





A partir de 1917, Tarsila começou a aprender pintura e, em 1920, viajou para Paris, onde foi estudar arte. Tarsila aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922, quando foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, com quem formaria o Grupo dos Cinco.


Tarsilia e Oswald de Andrade




Em 1923, Tarsila iniciou seu relacionamento com Oswald de Andrade, e o casal viajou por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas. Em 1924, Tarsila iniciou sua fase artística "Pau Brasil". Em 1929, Tarsila expôs suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro.





Neste mesmo ano, porém, sua família perdeu a fortuna com a Crise de 1929, e Oswald de Andrade se separou dela, pois se apaixonou pela revolucionária Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Para superar o momento difícil, ela decidiu colocar todas as suas forças no trabalho. Em 1933, a partir do quadro "Operários", a artista inicia uma fase de temática mais social.






Os operários




O quadro "Operários" se encontra exposto no Palácio Boa Vista em Campos do Jordão, São Paulo.


Em meados dos anos 30, o escritor Luiz Martins, 20 anos mais jovem que Tarsila, torna-se seu companheiro, com quem viveu até os anos 50. Em 1965, já separada de Luís e vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurgia de coluna e, por conta de um erro médico, ficou paralítica.




Tarsilia e sua filha Dulce


No ano seguinte, em 1966, Tarsila perdeu sua única filha, Dulce, vítima de um ataque de diabetes. Nesses tempos difíceis, Tarsila se aproxima do espiritismo e doa parte da venda dos seus quadros à instituição de Chico Xavier, de quem se torna amiga. Em 17 de janeiro de 1973, Tarsila morreu vítima de depressão em São Paulo. Após sua morte, foi homenageada pela União Astronômica Internacional, em 20 de novembro de 2008, que deu o nome "Amaral" a uma cratera do planeta Mercúrio.




Fontes:
seuhistory.com
google.com
wikipedia.org
artofit.org
enciclopedia.itaucultural.org.br


terça-feira, 29 de setembro de 2026



Um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro morria no dia 22 de outubro de 1954. Neste dia, falecia em São Paulo o escritor Oswald de Andrade, um dos promotores da semana de Arte Moderna de 1922, na capital paulista.




Ele foi autor do Manisfesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropófago, um dos marcos do modernismo. Também publicou o primeiro livro de poemas do modernismo brasileiro, chamado Pau-Brasil. Na sua busca por uma identidade da arte brasileira, Oswald de Andrade se interessava pelas formas de expressão ingênuas e primitivas.










Para ele, toda a multiplicidade cultural do Brasil representava uma vantagem para a renovação artística do país, até então influenciada por modelos tradicionais de arte europeia. Oswald de Andrade também propôs uma língua nacional diferente do português. A ideia era um idioma brasileiro, formado por um vocabulário popular, explorando alguns desvios da fala, imitando o "erro criativo". Contudo, uma das suas ideias mais conhecidas é a da antropofagia, que explora o papel simbólico do canibalismo nas sociedades tribais/tradicionais, já que o canibal não come o ser humano pela alimentação, mas para adquirir as qualidades do inimigo ou de alguém.





Oswald com a esposa Maria Antonieta e os filhos Marília e Paulo Marcos






Com isso, Oswald pretendia expressar que a cultura brasileira é mais forte; foi colonizada pelo europeu, mas digere o europeu e assim torna-se superior a ele. Com suas ideias, Oswald foi um vanguardista, e teria sido o primeiro brasileiro, cronologicamente, a influenciar o movimento literário brasileiro de maior repercussão internacional, o concretismo. Mais tarde, influenciou outros movimentos como o tropicalismo (música) e grupos como Teatro Oficina e Cia. Antropofágica.


Oswald e Patricia Galvão (Pagú)


Oswald teve quatro filhos. Nonê (com a francesa Kamiá), Rudá (com Pagu) e Marília e Paulo Marcos (com Maria Antonieta). Única viva, Marília, 65, é apontada pela curadoria da Flip como fundamental na concepção e organização da homenagem que a festa literária fará ao modernista.


Oswald e Tarsília do Amaral






Fontes:
seuhistory.com
wiipedia.org
google.com
domacedo.blogspot.com

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

 Pagu


Pagu



Vamos falar hoje de Patrícia Rehder Galvão, conhecida como Pagu, (São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910 - Santos, 12 de dezembro de 1962) foi uma escritora, poetisa, encenadora, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante comunista. Teve expressivo destaque no movimento modernista iniciado em 1922, embora não tivesse participado da Semana de Arte Moderna, tendo na época apenas doze anos de idade. Militante comunista, foi presa por motivações políticas.





Patrícia virou Pagu, Pagu virou Patrícia e essa dualidade acho que sempre esteve presente em suas muitas vidas.

Ela não parou de se revelar e se reinventar por toda sua vida. Era uma mulher do século passado que hoje seria moderna, pós-moderna. Seus ideais continuam atuais, mais atuais do que nunca.

Ela procurava, freneticamente, o que lhe faltava: a completude que todos perdemos e pela qual ansiamos. Afinal, enquanto uma parte de nós busca a liberdade de ser um indivíduo pleno, a outra parte está sempre à procura de alguém, alguma causa à qual entregar a própria liberdade.

Patrícia Galvão tem uma biografia extraordinária. Entregou-se de corpo e alma em várias frentes culturais e políticas, movida por ideais como a justiça social e a transformação da pessoa por meio da cultura. Ainda lutamos por isso, não acham?

De musa modernista, amor de Oswald de Andrade, até seus últimos anos em  Santos, Pagu passou por sofrimentos em presídios políticos, pela militância comunista, e depois dissidência por essa mesma política, por muitas viagens e inúmeras tentativas de ser feliz com seus sonhos.

Um dos períodos de maior intensidade foi justamente sua militância cultural. Quando se casou com o jornalista Geraldo Ferraz e veio para Santos, na década de 50, manteve intensa atividade como cronista e crítica literária, além de se envolver cada vez mais com teatro amador, sua paixão.




Um peixe

Um pedaço de trapo que fosse

Atirado numa estrada

Em que todos pisam

Um pouco de brisa

Uma gota de chuva

Uma lágrima

Um pedaço de livro

Uma letra ou um número

Um nada, pelo menos

Desesperadamente nada.

- Patrícia Galvão (Pagu)


Muitas dores físicas e mentais acompanharam sua trajetória. A mulher libertária e suas buscas talvez pareçam ilusórias para quem acredita na ditadura do imperativo do gozo, individualista e hedonista.

Ela ainda tem muito a nos dizer. Uma fala que busca raízes no terreno incerto e perigoso dos atos, das práticas, da existência, sempre como síntese imperfeita. E, assim, nos faz companhia na luta, crença, valores, paixão, desejo e emoção.


Pagu acreditava na vida que flui, na arte que permanece. Eu também. Entre o que passa e o que fica, os homens traçam a sua grandeza e a sua dignidade. Falar de Pagu, mais uma vez, é evocar, nessa paisagem cinzenta em que vivemos, a esperança, a bondade, o amor, o esforço generoso que nunca buscou recompensa.



Com 15 anos de idade, Pagu já colaborava com o Brás Jornal, com o pseudônimo de Patsy. Em 1928, com dezoito anos, concluiu o curso de professora na Escola Normal de São Paulo. Nesse mesmo ano, conheceu o casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que haviam fundado o Movimento Antropófago e se integrou a esse Movimento.

Tarsila do Amaral



Em 1930 causou um escândalo na sociedade conservadora da época, quando Oswald de Andrade se separou de Tarsila e passou a viver com Pagu, grávida de seu primeiro filho. No mesmo ano nasceu Rudá de Andrade.

Oswald de Andrade



Três meses após o parto, Pagu viajou pra Buenos Aires para um festival de poesia. Lá conheceu Luís Carlos Prestes e voltou entusiasmada com as ideias marxistas. Logo depois, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, junto com Oswald de Andrade.

O apelido de “Pagu” a escritora recebeu do poeta Raul Bopp, que por engano pensou que seu nome fosse Patrícia Goulart, e para ela escreveu o poema “Coco de Pagu”. Em 1931 intensificaram-se suas atividades no Partido Comunista. Junto com Oswald fundou o jornal “O Homem do Povo”, que apoiava o grupo da esquerda revolucionária. Ao participar de uma greve de estivadores em Santos, Pagu foi presa pela polícia do governo de Getúlio Vargas.



Em 1933, Pagu publicou “Parque Industrial”, sob o pseudônimo de Mara Lobo. A obra é uma narrativa urbana sobre a vida das operárias da cidade de São Paulo. Nesse mesmo ano, iniciou uma viagem pelo mundo, como correspondente de vários jornais, deixando Oswald e o filho. Visitou os Estados Unidos, o Japão, a China e a União Soviética.

Em 1935, filiou-se ao partido comunista da França. Foi presa em Paris como comunista estrangeira. Com identidade falsa voltou ao Brasil. Separou-se do marido e ao retornar às suas atividades jornalísticas foi novamente presa e torturada pelas forças da ditadura, passando cinco anos na cadeia.

Em 1940, ao sair da prisão, Pagu tentou o suicídio, rompeu com o Partido Comunista e passou a defender o socialismo. Logo depois, ingressou na redação do jornal “A Vanguarda Socialista”. Em 1945 casou-se com o jornalista Geraldo Ferraz e dessa união nasceu seu segundo filho Geraldo Galvão Ferraz.



Em 1946 passou a colaborar com diversos jornais, entre eles A Manhã, O Jornal, A Noite e o Diário de São Paulo. Com o pseudônimo de “King Shelter” escreveu contos de suspense para a revista “Detetive”, dirigida por Nelson Rodrigues.

O casal se mudou para a cidade de Santos, onde Geraldo foi redator do jornal A Tribuna de Santos. Nas eleições de 1950, Pagu tentou sem sucesso uma vaga para deputada estadual. Em 1952 passou a frequentar a Escola de Arte Dramática de São Paulo.









Pagu dedicou-se especialmente no incentivo a grupos amadores de teatro e levou seus espetáculos para Santos. Liderou a campanha para a construção do Teatro Municipal, além de fundar a Associação dos Jornalistas Profissionais. Criou também a União do Teatro Amador de Santos.
Doença e morte

Em 1962, Pagu voltou à Paris para o tratamento de um câncer. Sem êxito, tentou novamente o suicídio. Já muito doente, publicou no jornal “A Tribuna”, o poema Nothing:


Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um para brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipoias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel’s check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.


A escritora e jornalista Pagu é um símbolo de independência feminina na cultura brasileira. Sem necessariamente levantar uma bandeira pela igualdade de gênero, ela tinha uma atitude que não era comum para as mulheres burguesas do início do século XX. Portanto, é lembrada pelo seu comportamento livre, o qual escandalizava a sociedade da época.


Pagu faleceu em Santos, São Paulo, no dia 12 de dezembro de 1962.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
ebiografia.com
pagu.com.br
marjolobo.blogspot.com

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Quando usar Há (verbo haver) e A preposição.





Entendendo o “há” (verbo)

1.1 “Há” com sentido de tempo passado

Pode ser substituído por “faz”.

Exemplos:

Estudo português há dois anos (Estudo português faz dois anos.)

Ela saiu há cinco minutos.

Dica prática: Se puder trocar por “faz”, usa-se há.

1.2 “Há” com sentido de existir

Exemplos:

Há muitas dúvidas na sala.

Há um livro na mesa.

Nesse caso, não pode ser substituído por “faz”, mas por “existe” / “existem”.

 biblioteca.

4) Ele saiu Há duas horas.

2ª Etapa: Entendendo o “a” (preposição)

2.1 “A” indicando tempo futuro

Normalmente aparece na expressão:

daqui a + tempo

Exemplos:

O filme começará daqui a dez minutos.

Viajarei daqui a dois meses.

Não pode substituir por “faz”.

2.2 “A” indicando distância

Exemplos:

A escola fica a dois quilômetros daqui.

Estou a poucos passos de você.


Comecei o curso há dois meses. (passado)

Terminarei o curso daqui a dois meses. (futuro)


\”Há\” e \”a\” são termos frequentemente utilizados, mas a confusão entre eles pode levar a erros de interpretação.

Portanto, vamos mergulhar nesse tópico para entender quando e como aplicar cada uma dessas palavras de maneira correta.


O Significado e Uso de \”Há\”

\”Há\” é uma forma conjugada do verbo \”haver\” e é frequentemente usado para indicar a existência, passagem de tempo ou ocorrência de eventos.

 Por exemplo:

Existência: Há muitas estrelas no céu.

Passagem de Tempo:

 Ela mora aqui há cinco anos.

Ocorrência de Eventos:

Há discussões sobre o assunto.

O Significado e Uso de \”A\”

Por outro lado, \”a\” é uma preposição que tem várias funções, como indicar tempo, direção, modo, entre outras.

Alguns exemplos incluem:


Tempo:  Vou à escola a pé.

Direção:  Ele foi à praia.

Modo:  Eles resolveram o problema a seu modo.

Diferenciação em Contexto



A distinção entre \”há\” e \”a\” fica mais clara quando aplicada em diferentes contextos.

É importante notar que \”há\” é utilizado apenas quando há a ideia de passagem de tempo ou existência, enquanto \”a\” é utilizado em diversas situações prepositivas.
Evitando Erros Comuns:

A confusão entre essas duas palavras pode levar a erros gramaticais. Para evitar equívocos, é recomendado prestar atenção ao contexto em que as palavras são empregadas e considerar suas funções específicas.

Para Concluir

Dominar a diferença entre \”há\” (verbo haver) e \”a\” (preposição) é essencial para uma comunicação eficaz em português.

Ao compreender as funções específicas de cada termo e praticar seu uso, você estará mais apto a expressar suas ideias de maneira clara e precisa.






Fontes:

brasileducando.com
institutoclaro.org.br
google.com

terça-feira, 22 de setembro de 2026

 Amanhã 23 e setembro começa a primavera.




A palavra primavera tem origem no latim Primus - primeiro(a)

e Vera - estação.

No princípio, o ano era dividido em apenas duas estações básicas: ver, veris, o bom tempo, a estação da floração e da frutificação, e hiems(ou hibernus tempus), o mau tempo, a estação da chuva e do frio. Aos poucos, o grande período englobado pelo nome "ver" começou a ser subdividido em três: (1) o princípio da boa estação, denominado de primo vere (mais tarde prima vera); (2) a segunda parte do "ver" , o veranum tempus, de onde resultou o nosso vocábulo verão: e (3) a última parte do "ver", o aestivum, de onde veio o nosso vocábulo estio. Com relação às nossas estações atuais, estas três divisões do "ver" tinham a seguinte correspondência cronológica : (1) o período denominado de prima vera correspondia aos dois primeiros terços da actual primavera; (2) o veranum tempus correspondia ao final da nossa primavera e ao início do nosso verão; (3) o aestivum correspondia ao final do verão atual.


A primavera no Hemisfério Sul, inicia-se em setembro e vai até dezembro, quando começa o verão.

É portanto o primeiro verão, época que do florescimento do renascimento, do fim do inverno.

Outra origem da palavra primavera vem no Século XIII — do latim vulgar 'parietina', derivado de 'paries' (parede), referindo-se a plantas que crescem em muros. Evoluiu para 'prima vera' (primeira estação), associada à ideia de 'primeira' e 'verdade' ou 'verde'.




A data de início da primavera é marcada pela passagem do Sol cruza o Equador (Equinócio) e vai até o Solstício em 21 de dezembro.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
etymonline.net
iformaraprendersaber.blogspot.com
calendarr.com
brasilescola.uol.com.br

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Hoje vamos falar do grande escritor norte-americano, Edgar Allan Poe.






Ele nasceu em Massachusetts, Boston em 19 de janeiro de 1809. Abandonado pelo pai e com a morte de sua mãe, ele foi morar com uma família no estado da Virginia.


Saiu de casa para se alistar o exército, e em 1827 começa a escrever poemas "Tamerlane and Other Poems".


Casou-se com a prima, que dois anos mais tarde morreu de tuberculose. Nessa época já tinha publicado um de seus maiores sucessos; "O corvo" (The raven).






O poema "O corvo" nos leva a enveredar através de suas rimas com equilíbrio perfeito com a sonoridade, a um frenesi de um terror angustiante. É um poema esteticamente muito requintado, nos aspectos da mais bela literatura.



Foi uma vez: Eu refletia, à meia-noite erma e sombria,
A ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,
E, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,
Tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar.
“É alguém, fiquei a murmurar, que bate à porta, devagar;
Sim, é só isso e nada mais.”


Ah! claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro
E o fogo, agônico, animava o chão de sombras fantasmais.
Ansiando ver a noite finda, em vão, a ler, buscava ainda
Algum remédio à amarga, infinda, atroz saudade de Lenora
Essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora
E nome aqui já não tem mais.


(Tradução Milton Amado)



¨O Corvo¨ foi publicado em 1845, durante o movimento« literário do romantismo nos Estados Unidos. Edgar Allan Poe foi um dos escritores proeminentes deste período e é considerado um mestre do gênero do terror e da literatura gótica. A obra de Edgar Allan Poe é caracterizada por seu estilo sombrio e melancólico, e "O Corvo" é um de seus poemas mais reconhecidos e populares.




Poe foi integrante do movimento romântico americano. Após a publicação de sua primeira obra de poemas, o escritor trabalhou em jornais e revistas como crítico literário, e começou a escrever também em prosa.


Dentro do romantismo, Edgar Allan Poe é mais conhecido com a parte sombria, pois trabalhou com temas como a morte, o mistério, o terror. Alguns de seus biógrafos apontam que a escolha dos temas em parte vinham mais pelo gosto do público do que do próprio escritor, por isso ele também escreveu sobre pseudociência, frenologia e fisiognomia. A primeira, frenologia, estuda a mente; e é uma técnica usada nas investigações criminais, a outra estuda os traços do rosto, as feições.


Por volta de 1849, Poe planejava criar o seu próprio jornal, mas veio a falecer neste mesmo ano, de causas desconhecidas, aos 40 anos.


O primeiro detetive da ficção:


Muito antes de ouvirmos falar de Sherlock Holmes, Poe criou C. Auguste Dupin – o detetive de “Os Assassinatos da Rua Morgue”. Com esse personagem, Poe deu base para futuras histórias do gênero, já que Dupin usou a arte da dedução, com um apurado raciocínio lógico, em suas investigações para solucionar os crimes nas histórias.




Durante um dia inteiro de outono, escuro, sombrio, silencioso, em que as nuvens pairavam, baixas e opressoras (...) finalmente me encontrei diante da melancólica Casa de Usher. (Poe, 1981, p.7).


Esse conto, (The fall os the house of Usher) escrito em 1839, nos mostra a visão sombria do autor, e sua fascinação pelo mistério envoltos em penumbras perturbadoras que caminham do suspense ao terror. O conto faz parte do livro "Histórias extraordinárias".





A queda da casa de Usher






The Alan Parsons Project (A queda da casa de Usher)






Podemos destacar também : "O assassinato da Rua Morgue", "O barril do amontilado" e "A morte da máscara escarlate", dentre as suas principais produções.


Ele foi enterrado no Cemitério de Westminster, em Baltimore. Desde 1949, um admirador misterioso deixava 3 rosas vermelhas e meia garrafa de conhaque no túmulo do escritor na noite de seu aniversário, no dia 19 de janeiro. O estranho era conhecido apenas como “Poe Toaster” (“aquele que brinda a Poe”). Desde 2009, ele não aparece por lá, o que indica que a tradição de 60 anos se encerrou.


O time de futebol de Baltimore adotou o nome de "The ravens" "O corvo" em homenagem ao autor.







A obra de Poe é instigante e complexa do ponto de vista psicológico, mas de fácil leitura e compreensão.




Fontes:


wikipedia.org
blog.poemese.com
netmundi.org/
passeiweb.com
google.com
infolivros.org

quinta-feira, 17 de setembro de 2026




Charles Baudelaire nasceu no ano de 1821 e faleceu em 31 de agosto de 1867. Foi um poeta e crítico francês, com quem se abriu caminho para a poesia moderna. Considerado hoje como um dos maiores poetas da literatura francesa, Baudelaire possuía um sentido clássico da forma, uma extraordinária habilidade para encontrar a palavra perfeita e um grande talento musical; escreveu alguns dos poemas mais lindos e incisivos da literatura francesa.












Flores do mal


Em 1857 no dia 25 de Junho, são publicadas As Flores do Mal. O livro foi logo violentamente atacado pelo Le Figaro e recolhido poucos dias depois sob acusação de insulto aos bons costumes. Baudelaire foi condenado a uma multa de 300 francos (reduzida depois para 50) e o editor a uma multa de 100 francos e, mais grave, seis poemas tiveram de ser suprimidos da publicação, condição sem a qual a obra não poderia voltar a circular. Em 1860 sai a segunda edição de As Flores do Mal. Foi organizada em cinco secções segregadas tematicamente:



ENIVREZ-VOUS

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c’est

l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible
fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous
penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.



Mais de quoi?
De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.


Et si quelquefois, sur les marches d’un palais,
sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude
morne de votre chambre, vous vous réveillez,
l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez
au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à
l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit,
à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout
ce qui parle, demandez quelle heure il est;
et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront: “Il est l’heure de s’enivrer!



Pour n’être pas les esclaves martyrisés du
Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse!
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.






EMBRIAGUEM-SE


É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.


Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.


E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se!


Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.




Sua originalidade, que causava tanto assombro quanto mal-estar, o fez merecedor de um lugar à margem das escolas literárias dominantes em sua época. Sua poesia é para alguns, a síntese definitiva do romanticismo, para outros a precursora do simbolismo e para outros, finalmente, a primeira expressão das técnicas modernas da poesia. Baudelaire foi um homem dividido, atraído com igual força pelo divino e pelo diabólico. Seus poemas falam do eterno conflito entre o ideal e o sensual. Neles, descrevem-se todas as experiências humanas, desde as mais sublimes até as mais sórdidas. Entre suas obras destacam-se: Pequenos Poemas em Prosa, seus Diários Íntimos e Meu Coração Desnudo. Todas elas publicadas após a morte do autor.




Les yeux de Berthe


Vous pouvez mépriser les yeux les plus célèbres,
Beaux yeux de mon enfant, par où filtre et s’enfuit
Je ne sais quoi de bon, de doux comme la Nuit!
Beaux yeux, versez sur moi vos charmantes ténèbres!


Grands yeux de mon enfant, arcanes adorés,
Vous ressemblez beaucoup à ces grottes magiques
Où, derrière l’amas des ombres léthargiques,
Scintillent vaguement des trésors ignorés!


Mon enfant a des yeux obscurs, profonds et vastes,
Comme toi, Nuit immense, éclairés comme toi!
Leurs feux sont ces pensers d’Amour, mêlés de Foi,


Qui pétillent au fond, voluptueux ou chastes.












Os olhos de Berta


Podeis bem desprezar os olhos mais famosos,
Olhos de meu amor, dos quais foge e se eleva
Não sei o quê de bom, de doce como a treva!
Vertei vosso fascínio obscuro, olhos graciosos!


Olhos de meu amor, arcanos adorados,
Fazei-me recordar essas mágicas furnas
Em que, por trás de imóveis sombras taciturnas,
Cintilam vagamente escrínios ignorados!


Tem meu amor olhos tão negros quanto vastos,
Como os teus, Noite imensa,e , como os teus, preclaros!
Sonhos de Amor e Fé são seus lampejos raros,
Que fulguram ao fundo, orgiásticos ou castos







Fontes:
algumapoesia.com.br
seuhistory.com
google.com
revistaprosaversoearte.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...