quarta-feira, 25 de março de 2026

Dando sequência nos relatos do folclore brasileiro hoje vamos falar do Boitatá.





O primeiro registro da lenda do Boitatá data do ano de 1560, na época da colonização. Se trata de um texto do padre jesuíta José de Anchieta, no qual ele classificava esse animal imaginário - uma cobra com olhos de fogo - como sendo fruto de uma lenda indígena. Na língua indígena tupi, "mboi" quer dizer cobra e "tata" significa fogo.





Os padres evangelizadores ouviram dos índios que o Boitatá era uma cobra gigantesca, cujo corpo era coberto por fogo. Seus olhos eram como dois grandes faróis, seu couro era transparente, e sua cor cintilante podia ser vista durante a noite enquanto ele deslizava nas campinas e na beira dos rios.

Segundo a lenda que foi popularizada na época da colonização, o Boitatá tem o poder de se transformar em um tronco de fogo para enganar e atrair os lenhadores e pessoas que queimam as matas ou maltratam os animais.

Quem olhar diretamente para os olhos da cobra não sai impune: pode ficar cego, louco, ou até morrer. Por isso, recomenda-se que quem se deparar com o Boitatá não deve correr. Deve ficar parado, fechar os olhos e prender a respiração até que ele se afaste.



Luís Câmara Cascudo, estudioso do folclore brasileiro, trouxe em seu livro, Dicionário do folclore brasileiro, um trecho do relato do religioso sobre a lenda do boitatá:






“Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer coisa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra coisa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza.”

A lenda do boitatá pode ser usada para explicar o fogo-fátuo, uma pequena chama que surge durante a decomposição de matéria orgânica. Cascudo segue essa linha de pensamento ao afirmar que o fogo-fátuo era interpretado como o movimento de uma cobra e, por isso, o boitatá teria esse formato.

Outra versão da lenda diz que, há muito tempo atrás, uma noite se prorrogou muito parecendo que nunca mais haveria luz do dia. Era uma noite muito escura, sem estrelas, sem vento, e sem barulho algum dos bichos da floresta, era um grande silêncio.

Os homens viveram dentro de casa e estavam passando fome e frio. Não havia como cortar lenha para os braseiros que mantinham as pessoas aquecidas, nem como caçar naquela escuridão. Era uma noite sem fim. Os dias foram passando e a chuva começou, choveu muito, esta chuva inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo. Uma grande cobra que vivia em repouso num imenso tronco despertou faminta e começou a comer os olhos de animais mortos que brilhavam boiando nas águas. 

Na história existem relatos do grande inverno de 536, onde por dois anos a luz do Sol ficou escondida, prejudicando as lavouras e os animais levando à fome no mundo. Esse fenômeno ocorreu devido a três erupções vulcânicas.



Fontes:

mundoeducacao.uol.com.br
sohistoria.com.br
hipercultura.com
google.com
wikipedia.org






“O rio Tamanduateí corria ao lado da via, abaixo do Mosteiro de São Bento, e tinha em seu percurso sete voltas. No final da sétima volta ficava o Porto Geral, onde eram desembarcados os produtos importados que vinham do porto de Santos. O nome do Porto foi dado à conhecida Ladeira Porto Geral, uma das travessas da 25 de Março. Em janeiro de 1850, os moradores do local enfrentaram uma enchente histórica, que destruiu dezenas de casas. No final do século XIX, o rio Tamanduateí foi drenado, e a região passou a se chamar rua de baixo, conhecida atualmente como o baixo de São Bento. Somente em novembro de 1865 o nome da rua foi alterado para 25 de Março.” ( Livro - Mascates e sacoleiros - Lineu Francisco de Oliveira)




Considerado o maior centro comercial da América Latina, a Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo. Recentemente, o livro Mascates e Sacoleiros (Scortecci Editora, 158 páginas), de Lineu Francisco de Oliveira, publicado em 2010, afirma que o primeiro ofício de registro do local é de 1865, em substituição à Rua de Baixo. O novo nome foi escolhido em uma homenagem da Câmara Municipal e do Poder Executivo ao dia em que foi redigida a primeira Constituição brasileira de 25 de março de 1824, outorgada pelo imperador D. Pedro I.







A história da rua também é marcada pela forte presença de imigrantes, especialmente sírios, libaneses e chineses.


Atualmente, a região, que passou por uma modernização, recebe um misto de consumidores, deste a sacoleira até a madame. Ali, encontram todo o tipo de produto: caro, barato, sofisticado, simples, nacional e importado, no varejo e atacado. Às vésperas de feriados importantes, o comércio da 25 de Março chega a receber 1 milhão de pessoas.











Enquanto muitos consumidores e comerciantes celebram as boas compras e vendas, por outro lado a 25 de Março sofre com alguns problemas desde seus primórdios. Um deles são as enchentes, um obstáculo registrado pela primeira vez em 1850 e que assola a região até os dias atuais. Também, desde os tempos mais antigos, a segurança do local não é das melhores e quem passa por ali sabe que tem que ficar de olhos bem atentos aos seus pertences.







Rua XXV de Março - 1973.






Nos dias atuais, o comércio local é conhecido pelo alto volume de barracas de camelôs que disputam espaço com as lojas comerciais, shoppings e galerias. Esses estabelecimentos ofertam os mais diversos produtos tanto nacionais quanto importados. Embora a região seja de extrema importância econômica, social e cultural para a sociedade, casos de irregularidades com mercadoria, baixa segurança pública e outros crimes também fazem parte da história da rua 25 de Março.






Fontes:


history.uol.com.br
google.com
diariodotransporte.com.br
wikipedia.org

terça-feira, 24 de março de 2026

Vamos falar de algumas das lendas mais populares do folclore brasileiro. Iniciaremos com  Iara, a mãe d`água.





De acordo com a narrativa, ela era filha de um pajé e possuía grandes habilidades como guerreira. Essas habilidades eram motivo de inveja para os irmãos dela, que decidiram se reunir para matá-la em certa ocasião, mas ela resistiu, lutou e matou todos eles.


Temerosa da reação do seu pai, ela fugiu, mas foi encontrada, e seu pai decidiu lançá-la entre os rios Negro e Solimões. Ela teria sido salva pelos peixes e se transformado em Iara durante uma noite de lua cheia. 




Iara ou Yara, do indígena Iuara, significa “aquela que mora nas águas”. É uma sereia (metade mulher, metade peixe) que vive nas águas dos rios amazônicos como o Mearim, por exemplo. Muitas vezes, a figura de Iara é confundida com o orixá africano Iemanjá, a rainha do mar. Não tem nada a ver entre as duas personagens.


Com longos cabelos pretos e olhos castanhos, a sereia Iara, a Mãe D’água, emite uma melodia que atrai os homens, os quais ficam rendidos e hipnotizados com seu canto e sua voz doce. E são levados para o fundo do rio. Dependendo da região brasileira, a representação da índia pode diferir, por exemplo, na cor dos olhos e dos seus cabelos, que ora são escuros, ora são claros.




As histórias envolvendo a Mãe D’água são muito comentadas entre os pescadores, principalmente. Tanto os pescadores quanto as crianças desacompanhadas, perambulando pela beira do rio, podem ser surpreendidos e enfeitiçados por ela. Durante o dia, a Mãe D’água costuma sair das profundezas do Mearim, onde mora, para tomar banho de sol e carregar alguma criança ou outro banhista desavisado para o fundo do rio, através do seu encanto e beleza perturbadora. Quando avistada por um ser humano precavido, mergulha rapidamente e foge. Iara pode ser boa ou má, dependendo do comportamento das pessoas para com ela. Contudo, tem preferência por crianças teimosas e desobedientes que banham no rio, escondidas de seus pais.

Segundo o grande escritor do folclore brasileiro, Luís Câmara Cascudo, a lenda de Iara é uma junção da lenda indígena com características com lendas europeias, especialmente portuguesa. O Mito de Iemanjá da cultura afro-brasileira



Fontes:

brasilescola.uol.com.br
wikipedia.org
google.com
ararizando.org



segunda-feira, 23 de março de 2026

Seis escritores latino-americanos ganharam o Prêmio Nobel de Literatura concedido anualmente pela Academia Sueca por relevantes contribuições no âmbito das letras: Gabriela Mistral, Miguel Ángel Asturias, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Octavio Paz e Mario Vargas Llosa.


América latina




A chilena Gabriela Mistral (1889-1957), agraciada em 1945, foi a primeira mulher americana a receber a distinção. A poeta, diplomata, feminista e pedagoga, autora de "Tala" e "Desolación", foi premiada por sua poesia lírica.


Gabriela Mistral - chilena




O guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1899-1974) recebeu o Nobel em 1967, em especial por suas obras literárias arraigadas nos povos indígenas da América Latina, segundo a Academia. O escritor, jornalista, diplomata, poeta e romancista é conhecido por seus livros "O senhor presidente" e "Hombres de maíz".



Miguel Ángel Asturias - guatemalteco




Um segundo chileno foi premiado com o Nobel em 1971. Pablo Neruda, autor de uma poesia que "dá vida ao destino e aos sonhos de um continente", justificou a Academia Sueca. Neruda (1904-1973), também político e diplomata, produziu uma vasta obra, com destaque para "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" e sua autobiografia "Confesso que vivi", entre outros trabalhos.






Pablo Neruda - chileno




Premiado em 1982, o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) foi um dos principais nomes da literatura latino-americana. O autor de "Cem anos de solidão", romance considerado um clássico da literatura em espanhol pela Real Academia Espanhola, recebeu o Nobel "por seus romances e contos, nos quais o fantástico e o real se combinam em um mundo ricamente composto de imaginação".


Gabriel Garcia Marques - colombiano






O quinto ibero-americano agraciado foi o mexicano Octavio Paz (1914-1998), em 1990. Esse poeta, ensaísta e diplomata, de grande influência na literatura do século XX, é famoso por suas obras "Salamadra", "Vuelta" e "O labirinto da solidão".




Octavio Paz - mexicano






O peruano Mario Vargas Llosa (1936) foi o último escritor da América Latina a ganhar o Nobel. Ele foi premiado em 2010. Intelectual e jornalista que também enveredou pela política, é autor de "A casa verde", "Conversa na catedral", "Pantaleão e as visitadoras" e "A festa do bode", entre outros títulos de uma ampla produção que inclui romances, contos, ensaios, autobiografia e teatro.




Mario Vargas Lhosa - peruano






O Prêmio Nobel de Literatura é concedido em Estocolmo desde 1901, à exceção das interrupções durante as guerras mundiais.


Por que o Brasil nunca ganhou um Nobel de Literatura ?


Sabemos que a indicação é majoritariamente política, principalmente nos prêmios Nobel da Paz e da Literatura.


Outro ponto é a língua portuguesa, com pouco destaque na literatura universal, apesar de Camões, Machado de Assis e Jorge Amado.


O único escritor em língua portuguesa agraciado com o prêmio foi o português José Saramago, que ganhou o prêmio em 1998.


O brasileiro que chegou mais perto foi Jorge Amado, com sua obra traduzida em diversos idiomas do mundo inteiro.


Outros escritores como : Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Lygia Fagundes Teles e Ariano Suassuna, certamente mereciam ser premiados.


Outro fator preponderante é que o Brasil não é um país de leitores, além de até o século XX não ter tido preponderância politica num mundo globalizado.


Quem sabe  num futuro próximo um brasileiro consiga o prêmio tão ambicionado. Já ganhamos um Oscar, por   que não um Nobel ?




Fontes:


wikipedia.org
google.com
em.com.br
paginacinco.globosfera.uol.com.br

sábado, 21 de março de 2026

 Morreu o ator e dramaturgo, Juca de Oliveira.




Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema.


Nascido na cidade paulista de São Roque, José Juca de Oliveira Santos desistiu de um trabalho em um banco para se dedicar aos seus estudos na Escola de Arte Dramática em São Paulo. Foi lá que conheceu a atriz Glória Menezes.


Sua primeira peça, "Frei Luis de Sousa", garantiu um convite para participar do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). No TBC atuou em espetáculos como "A Semente" e "A Morte do Caixeiro Viajante".

Ele liderou o Teatro de Arena e enfrentou a ditadura militar. Ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, fez do espaço um polo de resistência cultural nos anos 1960.

A perseguição política forçou seu exílio na Bolívia. Com o fechamento do teatro pelos militares, Juca precisou deixar o país temporariamente.





Quando voltou ao Brasil, após ser exilado, fez sua primeira novela na TV Tupi, "Quando o Amor é Mais Forte", de 1964. Ele atuou nas primeiras cenas externas da televisão brasileira e, na emissora, trabalhou com nomes como Janete Clair, Walter George Durst e Lauro César Muniz.





Famoso por seu papel na novela Saramandaia em 1976, interpretando João Gibão, um personagem que possuía asas, que frequentemente eram cortadas por sua mãe, para evitar que ele voasse, uma clara referência à censura da época.






Foi protagonista na novela Nino, o italianinho, em 1969 pela TV Tupi.

Atuou ainda, pela TV Globo em novelas como "Fera Ferida", "Torre de Babel" e "O Clone", dentre tantas outras telenovelas de sua longa carreira.



Ele também era membro da Academia Paulista de Letras e possui um currículo extenso com trabalhos no teatro e no cinema. Ao Memória Globo, projeto da emissora que conta a história de grandes nomes que passaram por ela, Juca contou que primeiro ingressou na faculdade de Direito e, só depois de fazer um teste vocacional, decidiu seguir para o teatro.






No cinema, Juca também construiu um caminho sólido. Em 1967, interpretou Sebastião Naves no longa O Caso dos Irmãos Naves, baseado em uma história real de injustiça durante o Estado Novo. Tem postagem no blog sobre os Irmãos Naves. Décadas depois, retornou às telas em papéis como o Professor Ceresso, no filme Bufo & Spallanzani (2001), e Aníbal, em O Signo da Cidade (2007), além de atuar em De Onde Eu Te Vejo (2016). Sua filmografia inclui ainda Outras Estórias (1998) e trabalhos como roteirista, entre eles a comédia Caixa Dois (2007) e a peça que deu origem a Qualquer Gato Vira-Lata (2011).



O caso dos irmãos Naves - filme 1967

Além da atuação, Juca se destacou como autor teatral, escrevendo peças de sucesso como Meno Male, Hotel Paradiso e Caixa Dois. Com a carreira atravessando mais de seis décadas, o ator acumulou prêmios importantes, incluindo o Troféu APCA de Melhor Ator em 1973 e o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado em 2001, pelo filme Bufo & Spallanzani.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
uol.com.br
terra.com.br
g1.globo.com


sexta-feira, 20 de março de 2026

Vamos falar hoje do romance de Antônio de Alcântara Machado, Brás, Bexiga e Barra Funda.


Bixiga

Brás





António de Alcântara Machado (1901-1935), herdeiro de uma família tradicional de São Paulo, teve uma passagem fulgurante pelo meio intelectual brasileiro. Mesmo com a morte precoce aos 33 anos, foi jornalista, cronista, crítico literário e teatral, historiador, fundador dos periódicos Terra Roxa, Revista de Antropofagia e Revista Nova, deputado federal eleito em 1934 e autor de três livros que são marcos do nosso modernismo: Pathé-Baby (1926), Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) e Laranja da China (1928).



"Durante muito tempo a nacionalidade viveu da mescla de três raças que os poetas xingaram de tristes: as três raças tristes.

A primeira as caravelas descobridoras encontraram aqui comendo gente e desdenhosa se mostrar suas vergonhas. A segunda veio nas caravelas, Logo os machos sacudidos desta se enamoraram das moças bem gentis daquela que tinham cabelos mui  pretos, compridos pelas espadoas.

E nasceram os primeiros mamalucos.

A terceira a veio nos porões dos navios negreiros trabalhar o solo e servir a gente. Trazendo outras moças gentis, mucamas, mucambas, mumbandas, macumas.

E nasceram os segundos mamalucos.

E os mamalucos das duas fornadas deram o empurrão inicial no Brasil. O colosso começou a rodar."  (Brás, Bexiga, Barra Funda p. 16)

Alcântara Machado estava inserido dentro do espírito modernista de 1922. Em 1927, publicou uma seleção de pequenos contos que batizou com o título de Brás, Bexiga e Barra Funda, obra com que se destacou no movimento, podendo ser considerado o primeiro escritor a receber influência direta de modernistas, sobretudo de Oswald de Andrade. 

Os 11 contos que compõem a obra nasceram da experiência do autor como jornalista e, portanto, apresentam o sabor da notícia. Como cenário, tem três bairros paulistanos, nítida ambientação ítalo-brasileira. O autor defende a tese de que alguns imigrantes, principalmente o italiano, trazem em si a alegria, o canto e a movimentação.

" Então os transatlânticos trouxeram da Europa outras raças aventureiras. Entre elas uma alegre que pisou na terra paulista cantando e na terra brotou e se alastrou como aquela planta também imigrante que há duzentos anos veio fundar a riqueza brasileira.

Do consórcio da gente imigrante com o ambiente, do consórcio da gente imigrante com o indígena nasceram os novos mamalucos.

Nasceram os italianinhos.
O Gaetaninho
A Carmela
Brasileiros e paulistas. Até bandeirantes.
E o colosso continuou rolando . " (p.17)


Brás, Bexiga e Barra Funda, cujo título remete a três bairros operários da capital paulista, com forte presença de imigrantes italianos, traz onze contos escritos em uma linguagem veloz e precisa, incluindo clássicos como “Gaetaninho”, “Carmela” e “Corinthians (2) vs. Palestra (1)”, além de um prefácio intitulado “Artigo de fundo”. Este texto, espécie de manifesto do autor, aponta as diretrizes de uma nova prosa, acompanhando as revoluções modernistas que haviam ocorrido nas artes plásticas, na música e na poesia.

Dentre esses onze contos que compõem a obra destacamos:


Corinthians (2) vs. Palestra (1)



Na arquibancada do Parque Antártica, estádio do Palestra Itália (antigo nome do Palmeiras), Miquelina e Iolanda assistem a um jogo contra o Corinthians. O alvinegro marca o primeiro gol e Miquelina torce para que Rocco, do time italiano, “quebre” os corintianos. Rocco era seu namorado desde que deixou Biaggio, meia do Corinthians. Também havia deixado de frequentar os bailes dominicais na Sociedade do Bexiga, apenas para não encontrar seu ex.



Gaetaninho


Gaetaninho é um garoto distraído que vive na rua Oriente (Brás, São Paulo). Seu sonho é andar num carro, mas isso só acontece, para pessoas de sua classe social, em casamentos ou enterros.

O desejo de Gaetaninho é tão grande que certa noite ele efetivamente sonha que estava num carro, bem ao lado do cocheiro. A situação, entretanto, seria o enterro da tia Filomena, com a presença de seus pais e irmãos.


Ao saber do tal sonho, a família ficou assustada com o agouro que ele poderia trazer. O próprio Gaetaninho sentiu-se culpado pelo mau presságio e tentou substituir a figura da tia por uma outra qualquer.

Em um jogo de bola na rua, enquanto alguns garotos comentavam sobre o enterro do pai de um colega, Gaetaninho corria quando foi atingido por um bonde. Morreu ali e, no dia seguinte, estava andando de carro.



Carmela


As dezoito e trinta de um sábado a Rua Barão de Itapetininga está cheia de costureiras que saem do trabalho. São jovens e com roupas sensuais. Entre elas estão Carmela e sua amiga Ritinha, que vão em direção à Praça da República para se encontrarem com Ângelo, namorado de Carmela.


Ao se encontrarem, o casal anda à frente enquanto Ritinha segue mais atrás. Um homem passa dirigindo um Buick (um carro americano) e olha para Carmela, deixando Ângelo irritado. O carro para ao lado de Ritinha e pergunta para ela onde mora sua amiga, pedindo que ela o encontre sozinha na noite seguinte atrás da Igreja de Santa Cecília.


Sabendo da proposta do motorista do Buick, Carmela diz que não a aceitará. À noite ela lê em sua cama o livro “Joana a Desgraçada ou A Odisséia de uma Virgem”. No dia seguinte vai ao encontro do tal homem, porém acompanhada de Ritinha.


No domingo seguinte Carmela chama Bianca para acompanhá-la a mais um encontro com o motorista do Buick, mas desta vez entrará sozinha no carro. A amiga, ao ver o carro se distanciando, resolve passear pelo bairro enquanto imagina o que vai acontecer.


Bianca encontra-se com uma amiga, Ernestina, a quem conta toda história. Quando perguntada sobre a situação de Ângelo, responde que esse “é outra coisa. É pra casar.”

Brás, Bexiga e Barra Funda são bairros tradicionais da cidade de São Paulo, com forte influência italiana.



O nome Brás vem do proprietário das terras onde se formou o distrito, que se chamava José Brás, que se tornou um benemérito.

Nas terras de José Brás foi erguida na segunda metade do século XVIII a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em torno da qual formou-se a povoação. Em 1769 a câmara de vereança cita oficialmente o nome de José Brás ao determinar a construção de "pontes entre o caminho de José Brás até a chácara do Nicolau". Não se sabe o destino da construção inicial, uma vez que em 5 de abril de 1800 a Câmara Eclesiástica de São Paulo recebe solicitação do tenente-coronel José Correia de Morais para edificar uma Capela ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos.


Imigrantes italianos - Hospedaria dos imigrantes - Brás





Barra Funda: 

O nome do bairro Barra Funda, em São Paulo, tem duas origens principais citadas: a primeira, mais técnica, refere-se à topografia da região, que possuía uma "barra" (margem ou foz) muito funda do rio Tietê. A segunda origem, de cunho cultural, vem do italiano Bara Fonda, significando lugar de "confusão" ou "bagunça", devido à grande movimentação.


Barra Funda






A origem do nome do bairro Bixiga, em São Paulo, está associada ao século XIX e possui duas principais teorias: o apelido de um proprietário de terras, Antônio Bexiga, que tinha marcas de varíola (doença popularmente chamada de bexiga), ou a presença de um antigo matadouro próximo à Rua Santo Amaro que comercializava bexigas de boi.

Bixiga






Fontes:

wikipedia.org
vestibular.uol.com.br
editora34.com.br
resumoporcapitulo.com.br
google.com
aventurasnahistoria.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2026



Vamos falar hoje do filme Meia-Noite em Paris de Wood Allen de 2011.



Filmado em Paris, a cidade luz, Meia-Noite em Paris é visualmente incrível. Jogos de luzes e sombras transformam uma Paris contemporânea em uma Paris de 1920. Além disso, o filme recria muitos lugares icônicos dos anos 20, onde se reuniam grandes pensadores e artistas.


O filme narra a história de Gil Pender, um renomado escritor de roteiros de Hollywood, que na verdade, não se sente feliz e procura inspiração para um romance que está escrevendo.

Gil, a noiva Inez e os sogros vão para Paris. Lá Gil, como por magia, retorna aos anos 20, em Paris, que segundo Gertrude Stein, formavam a geração perdida.






O primeiro personagem que ele encontra é Cole Porter, cantando Let´s do it.



Depois encontra o casal Fitzgerald, Scott e Zelda.


Scott Fitzgerald se mudou com sua esposa Zelda Fitzgerald para a França no ano de 1920. Lá, concluiu o mais célebre de seus romances, "O Grande Gatsby" (1925), que descreve a vida em alta sociedade norte-americana.


Zelda Fitzgerald

Escritora americana ícone da década de 20, Zelda fora apelidada pelo marido de "a primeira melindrosa norte-americana". A novelista, interpretada por Alison Pill, obteve sucesso com o romance "Este Lado do Paraíso" (1920). Ricos, bonitos e invejados, o célebre casal viveu uma relação tempestuosa enquanto morou em Paris. Zelda foi internada várias vezes em clínicas de reabilitação e morreu quando uma dessas clínicas pegou fogo.


As belas cenas da cidade de Paris são retratadas como :


Église Saint-Etiénne-du-Mont: onde Gil é resgatado todas as noites para o passado;

Hotel Le Briston, onde os personagens estão hospedados em Paris;

Mercado de Pulgas de Saint-Ouen: onde Gil conhece a adorável Gabrielle (Léa Seydoux);

Museu de l’Orangerie: onde as obras de Claude Monet podem ser vistas, um passeio legal para fazer após ou antes a visitação de Giverny;

Escadarias de Montmartre: também locação de Amélie Poulain;

Parc Jean XXIII: um dos lugares mais adoráveis de Paris, atrás da Nôtre-Dame;

Margens do Rio Sena: onde ele passeia com Adriana (Marion Coutillard, do filme Piaf) ou também caminha sozinho (imagem do início do post);

Restaurante Maxim’s: o lugar onde Gil e Adriana viajam para o passado da Bélle Epoque;

Moulin Rouge: uma curiosidade é que o filme de Baz Luhrman “Moulin Rouge” não foi filmado na locação real;

Livraria Shakespeare and Company: locação também do filme “Antes do Pôr do Sol”.


Meia-Noite em Paris - abertura


Outros escritores famosos são retratados como Ernest Hemingway, vencedor do Prêmio Nobel com O homem e o mar e Paris é uma Festa.


O escritor fazia parte da comunidade de escritores expatriados em Paris conhecida como "geração perdida", termo criado pela poetisa Gertrude Stein. Ele também tem uma relação próxima com a cidade onde, recém casado, viveu no início dos anos 20. O ator Corey Stoll é quem dá vida ao escritor norte-americano.


Hemingway e Gertrude Stein

Gertrude Stein

Ernest Hemingway - real e personagem




Gertrude,  foi escritora, poetisa e ativista do movimento feminista. O filme e a história real contam que foi em torno de sua casa, na Rue de Fleures, número 27, em Paris, que se reunia o ilustre grupo de artistas composto por Picasso, Matisse, Hemingway, entre outros. Foi Gertrude que cunhou a frase `Geração Perdida´ para esse talentoso grupo de artistas dos anos 20 em Paris.






Thomas Stearns Eliot, conhecido pelo pseudônimo de T.S. Eliot não era o escritor mais bonito do mundo, mas suas obras compensam sendo lindas. Eliot ganhou o Nobel de Literatura e escreveu de poemas a peças de teatro. Uma de suas obras mais conhecidas foi inspirada na obra de Dante Alighieri e se chama “The Love Song of J. Alfred Prufrock”.


Pablo Picasso:

Escultor, artista gráfico e ceramista, Picasso chegou a França em outubro de 1900, adotando a cidade de Paris como seu novo lar. Picasso trabalhava exaustivamente durante toda a madrugada, o que não o impediu de socializar com os famosos amigos da Rue de Fleures. Di Fonzo Bo foi o selecionado para o importante papel.


Picasso e Man Ray


Picasso


Man Ray







Man Ray
O fotógrafo, interpretado por Tom Cordier, integrou o movimento surrealista após sua mudança para França, em 1921. Sob esta influência, desenvolveu a raiografia, sua marca registrada. A arte consiste em criar imagens a partir da exposição de objetos à luz no momento da revelação, sem o uso da câmera. Posaram para sua lente: Ernest Hemingway, Coco Chanel, Salvador Dalí, Jean Cocteau e inúmeros outros.


Casal Fitzgerald e Salvador Dali


Casal Fitzgerald

Salvador Dali








A dançarina e ativista Josephine Baker, também é lembrada no filme.


Recomendo a leitura do livro de Hemingway Paris é uma festa - A moveable feast - que retrata Paris dos anos 20, uma das épocas mais icônicas da chamada Cidade Luz.





O filme fala sobre projeções dos personagens com outras realidades. Como viver uma vida imaginária, cheia de fantasias, diferente da vida que eles levam.

Gil imagina essa época como o mais elevado momento nas artes, na literatura, e na cultura em geral. Nessa época fantástica, Gil vai conhecer uma jovem encantadora: Adriana.

Gil se apaixona por Adriana e pelo que ela representa: a vida cultural da época que ele idealiza. No entanto, Gil só se dá conta de que está vivendo um sonho quando ele e Adriana são transportados para o passado.

Da mesma forma que Gil conseguiu chegar nos anos 20, Adriana e Gil são enviados para 1890. Lá, conhecem Toulouse-Lautrec, Paul Gaugin e Edgar Degas. Quando Adriana confessa que essa é sua época preferida, os três pintores riem desdenhosamente. Os três pensam que a época de ouro aconteceu muito antes.






Fontes:


redeglobo.globo.com
youtube.com
google.com
wikipedia.org
cinealerta.com.br
amentemaravilhosa.com.br
viagenscinematograficas.com.br


Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...