quarta-feira, 22 de abril de 2026

Hoje vamos falar de um dos livros mais importantes da fase da literatura indianista brasileira, I-Juca Pirama de Gonçalves Dias.






O poema é um dos mais importantes da fase Indianista do autor.






I-Juca Pirama

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos - cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio infeliz.
Quem é? - ninguém sabe: seu nome é ignoto,
Sua tribo não diz: - de um povo remoto
Descende por certo - dum povo gentil;
Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.
Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: - no extenso terreiro
Assola-se o teto, que o teve em prisão;
Convidam-se as tribos dos seus arredores,
Cuidosos se incubem do vaso das cores,
Dos vários aprestos da honrosa função.
Acerva-se a lenha da vasta fogueira
Entesa-se a corda da embira ligeira,
Adorna-se a maça com penas gentis:
A custo, entre as vagas do povo da aldeia
Caminha o Timbira, que a turba rodeia,
Garboso nas plumas de vário matiz.
Em tanto as mulheres com leda trigança,
Afeitas ao rito da bárbara usança,
índio já querem cativo acabar:
A coma lhe cortam, os membros lhe tingem,
Brilhante enduape no corpo lhe cingem,
Sombreia-lhe a fronte gentil canitar,


Livro publicado em 1851, pelo poeta Antônio Gonçalves Dias (10/08/1823 - 03/11/1864) famoso por outra obra muito conhecida "Canção do Exílio".


O livro é um poema da fase indianista do romantismo brasileiro, composto de 10 cânticos com 484 versos pentassilábicos, decassilábico e eneassilábicos.

Conta a história de um índio tupi, último sobrevivente de sua tribo, que foi capturado pelos índios Timbiras e deve ser sacrificado num ritual de canibalismo.








A palavra tupi I-Îuka Pyr-ama significa "aquele que será morto"


O índio chora e implora por sua vida, dizendo que cuida de um pai cego, que não tem mais ninguém por ele.


“Que temes, ó guerreiro?



Que tens, guerreiro? Que temor te assalta
No passo horrendo?
Honra das tabas que nascer te viram,
Folga morrendo.
Folga morrendo; porque além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.
Rasteira grama, exposta ao sol, à chuva,
Lá murcha e pende:
Somente ao tronco, que devassa os ares,
O raio ofende!
Que foi? Tupã mandou que ele caísse,
Como viveu;
E o caçador que o avistou prostrado
Esmoreceu!
Que temes, ó guerreiro? Além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.


Não era comum entre os índios o fato de um guerreiro temer a morte. Tal atitude era considerada um ato de covardia.


Os covardes não serviam para o ritual, que tinha a intenção de fortalecer os guerreiros que se serviam dele. Um guerreiro fraco e covarde não traria força e sim fraqueza para aqueles que o comessem.


Era comum que o guerreiro que seria sacrificado entoasse um canto se apresentando antes de ser morto.


Canto IV


“Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci


“Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte...


“Aos golpes do inimigo
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
acerbo desgosto
Comigo sofri”


“Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos...


Ao ser solto ele retorna a sua tribo, ainda ungido pelos óleos e pelas tintas do sacrifício.
Seu pai , então, desgostoso com a covardia do filho exige que ambos retornem à tribo dos Timbiras para resgatar o ato infame do filho.



Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o covarde do forte:
Pois choraste, meu filho não és.



Chegando lá, o filho é amaldiçoado pelo pai, pois teria chorado em presença dos inimigos, desonrando os tupis. Para provar sua coragem, o filho se lança em combate contra toda a tribo timbira. O barulho da disputa faz o pai perceber que o filho lutava bravamente. O chefe timbira, então, pede-lhe que pare, pois já tinha provado seu valor.







“ - Basta! clama o chefe dos Timbiras
, Basta, guerreiro ilustre!
assaz lutaste...







Pai e filho se abraçam, reconciliados, pois a honra tupi fora restaurada. A história é contada por um velho índio timbira, como uma recordação.


Canto X


Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: - "Meninos, eu vi!
"Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.
"Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!"
Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: "Meninos, eu vi!".




Fontes:

wikipedia.org
educacao.globo.com
professrojailton.com.br
biblio.com.br
google.com.br
biblio.com.br
contobrasileiro.com.br













terça-feira, 21 de abril de 2026



No dia 21 de abril de 1792 era enforcado no Rio de Janeiro, Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil e da Polícia Militar, além de ser herói nacional.








O dia de sua execução é feriado nacional no Brasil. Nascido na Fazenda do Pombal (MG), Tiradentes ficou órfão muito cedo, fato que resultou na perda do patrimônio da família por causa de dívidas e também em estudos irregulares. Ficou sob a tutela de um primo, que era dentista e, por conta disso, recebeu o apelido de Tiradentes.








Também adquiriu conhecimentos em mineração, tornando-se técnico no reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Em seu trabalho para o governo no reconhecimentos das terras, Tiradentes começou a confrontar as riquezas do solo, com a corrupção e a pobreza da população. Ele também trabalhou em projetos para a melhoria da infraestrutura no Rio de Janeiro, mas não conseguia verbas para todos os seus projetos. A partir daí começa a surgir em sua mente ideais de independência da colônia, já que na sua visão a metrópole Portugal emperrava o desenvolvimento do Brasil. De volta a Minas Gerais, iniciou junto às elites locais e a líderes religiosos um movimento pela independência daquela província, inspirado também na independência das colônias dos EUA. Outro fator que motivou sua militância neste sentido foi a questão dos impostos cobrados pela coroa portuguesa, como o Quinto, taxa semestral imposta aos moradores de Minas Gerais, que consistia em cem arrobas de prata para a Real Fazenda.




Tiradentes só começou a ser cultuado como herói nacional a partir de 1890, ou seja, 98 anos depois de sua morte. Sua imagem de mártir e patrono da nação brasileira foi construída pelos republicanos, que precisavam de um símbolo que representasse a luta pela ruptura definitiva com o poder português.


Mas não há como falar sobre Tiradentes sem entender o que foi a Inconfidência Mineira. Esse termo, aliás, tem sido rejeitado por muitos historiadores, já que inconfidência quer dizer traição, deslealdade, infidelidade. “O termo correto é ‘conjuração’, já que o que ocorreu em Minas Gerais foi o primeiro ato organizado para conquistar a independência do Brasil. Se eles foram traidores, foram segundo a ótica das autoridades coloniais. Como brasileiros não podemos continuar a explicar nossa história de acordo com a perspectiva.







Vinho e Constituição americana- A conjuração está situada no período de decadência do ciclo do ouro. Como a produção caiu vertiginosamente, a Coroa aumentou a repressão ao contrabando de ouro e diamantes e começou a pressionar os donos das minas a pagar os altos impostos devidos. Para ter uma ideia, em 1789 a elite colonial mineira devia 596 arrobas de ouro a Portugal, o equivalente a quase 9 toneladas.


Não foi à toa que grande parte dos endinheirados de Minas Gerais integrava as reuniões dos conjurados. Comerciantes, padres, intelectuais, coronéis, juízes e militares, toda a elite mineira estava rebelada contra a opressão portuguesa (ou, trocando em miúdos, os altos impostos cobrados).

No meio desses homens de posses havia uma pessoa simples. Alferes do Exército, aprendiz de dentista e dono de quatro escravos, Joaquim José da Silva Xavier era o mais “ideológico” do grupo. Era o único a defender com firmeza a abolição da escravatura – o que era natural, já que os outros eram donos de dezenas e até centenas de escravos.


Entusiasmado com o Iluminismo francês e com a independência dos Estados Unidos, não era raro vê-lo, já sob o efeito de três ou quatro copos de vinho, recitando trechos da Constituição americana em voz alta para seus colegas nas tavernas de Vila Rica (hoje Ouro Preto). E falava sobre República, liberdade e independência do Brasil.

Enquanto isso a Coroa preparava-se para lançar mais uma derrama – imposto per capita a ser cobrado cada vez que a cota anual de ouro não era atingida. A maioria dos conjurados devia grandes somas à Coroa, muitos eram contrabandistas e sonegavam parte do ouro que extraíam. Para livrar-se da cobrança, o grupo planejou a revolta nos mínimos detalhes. Mas não contaram com um porém: o governador (Visconde de Barbacena) suspendeu a derrama.


Com essa notícia, muitos conjurados perderam o ímpeto revolucionário, já que suas economias estavam a salvo. Várias “bandeiras” progressistas defendidas por eles, como a implantação de indústrias no Brasil, foram subitamente esquecidas. Um dos desestimulados foi o poeta Tomás Antônio Gonzaga, autor dos versos de Marília de Dirceu. Ele teria dito que, sem a derrama, “a ocasião para o levante perdeu-se…”


Segredo de polichinelo- Apenas os conspiradores acreditavam que seus planos fossem segredo. Não tinham nenhum sistema de segurança e as reuniões não eram frequentadas por gente muito confiável. Tiradentes pregava suas ideias nas tavernas para quem quisesse ouvir. Não foi difícil para o governador inteirar-se da conspiração em marcha. Quando Joaquim Silvério dos Reis denunciou seus companheiros, apenas deu os pormenores de uma trama que o governador já conhecia.


“É curioso notar como, de certa forma, todos os inconfidentes traíram a causa”, opina Bernardo Joffily, autor de um atlas de história do Brasil encartado na antiga revista Istoé Senhor. “Outros cinco conjurados foram condenados à forca .Contudo Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia de Pamplona delataram o movimento em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda. Todos entraram em pânico, imploraram perdão e se acusaram mutuamente e receberam a piedade da rainha.”


Já na época havia "delação premiada".




Único a não mostrar arrependimento, Tiradentes foi enforcado e esquartejado, tendo suas partes expostas em diversas cidades da capitania. Além disso, sua casa foi demolida e o terreno salgado para que nada mais nascesse no lugar. Para ele, uma pena que lembrava os tempos da Inquisição. Para os outros, exílio nas então colônias portuguesas de Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e Angola.






A partir daí, Tiradentes passou a ser procurado. Ele tentou se esconder na casa de um amigo, no Rio de Janeiro, mas foi descoberto no dia 10 de maio.






Alguns atribuem a isso o fato de Tiradentes ter assumido toda a responsabilidade pelo movimento e também, por outro lado, por ter uma posição social mais baixa em relação aos demais inconfidentes envolvidos. Em uma manhã de um sábado, após percorrer uma procissão no centro das ruas do Rio de Janeiro, Tiradentes foi enforcado. Contudo, a execução de Tiradentes, em vez de intimidar a população, acabou despertando ainda mais o sentimento de revolta em relação à dependência do Brasil como metrópole de Portugal.




Silvério dos Reis? Bem, além de ter revelado detalhes do plano de Conjuração também foi responsável pela descoberta do esconderijo de Tiradentes no Rio de Janeiro. Obteve como reconhecimento um belo pagamento da Coroa e foi enviado para o Maranhão com nome falso. Mesmo assim morreu queixando-se de nem sequer poder sair tranquilo às ruas com medo de assassinato. Serve de exemplo. Traidores podem ganhar no curto prazo, mas a história é cruel com eles.


Joaquim Silvério dos Reis






Fontes:

seuhistory.com
onda21.com.br
google.com.br
wikipedia.org
google.com

segunda-feira, 20 de abril de 2026



A LENDA DE Z





No dia 20 de abril de 1925, o explorador britânico Percy Fawcett, seu filho Jack e o amigo Raleigh Rimmell deixaram Cuiabá, no Mato Grosso, rumo ao Alto Xingu. Objetivo: descobrir a “perdida de Z”, uma suposta civilização avançada que teria existido no meio da Amazônia. A pequena expedição desapareceu e ninguém sabe exatamente qual foi o destino dos seus integrantes. 

Percy Fawcett





Em 1912, um famoso explorador britânico criou uma espécie de teoria que apontava uma cidade perdida, chamada de ‘Z’. O coronel Percy Harrison Fawcett, alimentou a sua teoria após as descobertas na região do Machu Picchu. A teoria de Fawcett aponta uma cidade pré-colombiana na região do Mato Grosso, no Brasil. 

Rapidamente, ele a batizou como “A cidade perdida de Z”, que para Fawcett significava o berço de toda a civilização e até mesmo a origem da famosa civilização perdida de Atlântida, o suprassumo dos exploradores. O povo de ‘Z’ seria formado, talvez, por cartagineses, fenícios ou povos gregos, que teriam navegado até a América do Sul e se infiltrado pelo interior do continente, fundando a cidade em alguma parte perdida da Amazônia.





A teoria

A lenda ao redor dessa história, fala sobre um naufrágio que aconteceu no século XVI, onde um português chamado Diego Álvares é o único sobrevivente, sendo salvo por indígenas tupis. O português acaba sendo inserido na cultura dos nativos, depois de meses, conseguindo se comunicar e aprendendo o seu idioma.

Diego acaba vivendo junto a eles e se casa com uma jovem indígena chamada Paraguaçu, e com ela tem vários filhos. Um deles, era chamado de Muribeca. Já adulto, Muribeca encontra uma rica mina de prata e ouro. Sendo um dos poucos que sabia sua localização, fez riqueza e fama vendendo pepitas no porto da Bahia.

Muribeca teve um filho chamado, Robério Dias, que se tornara um homem ambicioso e amargurado por não ser considerado “branco” por ser parte índio. E, por causa disso, quando em Portugal, foi questionado pelo rei sobre a localização das minas de seu pai, a qual ele aceitou revelar, desde que recebesse o título de Marquês. O rei concordou.

Ao chegar na Bahia com os exploradores do rei, pediu para ver o documento de nomeação antes de começar a viagem. E ao ler, percebe que não é o título de marquês, e sim um título sem muita importância. Robério então se recusa a revelar a localização das minas e é preso por muitos anos, até que morre, levando ao túmulo a informação.

Cerca de 200 anos depois, desde o surgimento dessa possível história, o naturalista Manuel Ferreira Lagos, encontrou em um canto da Livraria Pública da Corte, um manuscrito datado com aproximadamente cem anos, conhecido como o ‘Manuscrito 512’. Era uma carta de um bandeirante que estava há anos em busca das minas de Muribeca.





Será que as sociedades complexas da Amazônia pré-Cabral inspiraram a lenda de Z? Pode ser. Já a ideia de Eldorado – uma cidade abarrotada de ouro e prata escondida no meio da floresta – nada tem a com Fawcett nem com o Brasil. Ela provavelmente nasceu na América Central, a milhares de quilômetros do Xingu, por obra da imaginação de conquistadores espanhóis embasbacados com o que encontraram nas cidades erguidas por maias e astecas nas florestas tropicais daquela região. 


Percy Fawcett



Quando os primeiros exploradores espanhóis chegaram à Amazônia, vindos dos Andes, em 1542, um frade dominicano, chamado Gaspar de Carvajal, descreveu-a como um lugar densamente povoado.

“Quando nos viram, saíram para nos encontrar no meio do rio mais de 200 pirogas [canoas], cada uma com 20, 30 ou 40 índios”, descreveu o frade. “Em terra firme, era maravilhoso ver os esquadrões que existiam nas vilas, todos tocando instrumentos e dançando.”

A partir do século 17, esse tipo de descrições tornou-se raro. Por isso, muitas pessoas acreditavam que Carvajal e outros exploradores exageravam bastante nos relatos. Com a arqueologia científica, no século 19, ganhou força a teoria de que o calor excessivo, as chuvas constantes e o solo pobre em nutrientes inviabilizariam o surgimento de grandes civilizações. Isso porque não tinha como produzir alimentos em grande escala.

No entanto, a partir da década de 1980, essa hipótese começou a ser questionada. As descobertas começaram na foz do Amazonas, onde trabalhava a arqueóloga americana Anna Roosevelt, da Universidade de Illinois.

Fawcett e Rimell



Fawcett encontrou um documento conhecido como Manuscrito 512, mantido na Biblioteca Nacional do Brasil, que teria sido escrito pelo bandeirante português João da Silva Guimarães. João escreveu que em 1753 ele havia descoberto as ruínas de uma cidade antiga que continha arcos, uma estátua e um templo com hieróglifos. Ele descreveu as ruínas da cidade com muitos detalhes, mas sem informar sua localização.





O Manuscrito 512 foi escrito depois de explorações feitas no sertão da então província da Bahia,  Fawcett pretendia empreender uma busca pela cidade como um objetivo secundário depois de "Z". Ele estava preparando uma expedição para encontrar "Z" quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial e o governo Britânico suspendeu seu patrocínio. Em 1920, Fawcett realizou uma expedição pessoal para encontrar a cidade, mas desistiu depois de ter uma febre e ter de matar sua besta de carga. Em uma segunda expedição cinco anos depois, Fawcett, seu filho Jack e um amigo deste último, Raleigh Rimell, desapareceram na selva do Mato Grosso.




O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925. Havia percorrido cerca de 500 km quando escreveu mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado.

Deste ponto em diante ele dispensou os peões que auxiliavam aos quais foram recomendados os seus manuscritos.
Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais.

Porém não se sabe o que aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.

O Enigma


Um enigma que atravessa gerações, e quanto mais se tenta desvendar esse mistério mais surgem indagações à respeito de que fim levou o Coronel Fawcett e sua expedição.

Que esteve pelo Roncador em suas andanças e descobriu alguma coisa aqui. A prova disto é que seu sobrinho-neto Timothy Fawcett veio aqui 2 vezes ao ano por 19 anos, rastreando os caminhos do tio-avô, através dos relatos das cartas que mandava para sua esposa Nina.

Timothy dizia que os relatos oficiais de Fawcett eram diferentes para despistar e que a família conhece a verdade. Ao final de sua pesquisa, Timothy afirmava que o último vestígio do tio-avô seria na Gruta Seca.




Às vezes descrito como a figura da vida real que teria inspirado a criação do arqueólogo aventureiro Indiana Jones, Fawcett nasceu em Torquay, no sudoeste da Inglaterra, filho de um aristocrata alcoólatra e mulherengo que tinha empobrecido.



Apesar do sucesso dessas expedições, os métodos de Fawcett muitas vezes eram pouco ortodoxos e rudimentares, mesmo naquela época. O lado positivo disso é que o oficial britânico, ao contrário de muitos outros estrangeiros que se aventuravam na Amazônia nessa época, buscava respeitar os povos indígenas que encontrava e evitava qualquer tipo de violência no trato com eles. Era uma abordagem parecida com a de seu contemporâneo Cândido Rondon (1865-1958), militar brasileiro que fundou o SPI (Serviço de Proteção ao Índio, órgão ancestral da Funai).

Por outro lado, no entanto, Fawcett tinha uma confiança quase irracional na sua capacidade de realizar as coisas “no braço”. Preferia viajar com poucas pessoas e carregar uma quantidade limitada de suprimentos, defendendo que era melhor tentar sobreviver a partir dos recursos da própria mata. Como era muito resistente ao cansaço e às doenças tropicais, menosprezava os companheiros que adoeciam ou não acompanhavam seu ritmo.

Além disso, Fawcett tinha adotado ideias um bocado exóticas sobre o passado amazônico e o da América do Sul como um todo. De posse de uma estatueta supostamente obtida no interior do Brasil, ele foi consultar um vidente. Essa pessoa, cujo nome não é revelado nos escritos de Fawcett, declarou que o artefato provinha de um grande templo que ficava no lado oeste de um continente perdido, equivalente à Atlântida.

O relato sobre a estatueta aparece em “A Expedição Fawcett”, livro organizado pelo filho sobrevivente do viajante, Brian Fawcett, nos anos 1950, e publicado no Brasil em 2023. A obra reúne anotações do explorador sobre várias de suas viagens e aborda ainda a ideia de que descendentes da civilização perdida, que seriam indígenas de aparência europeia, ainda poderiam existir na selva.

“Em muitas ocasiões os primeiros exploradores do interior relataram vislumbres de nativos vestidos, com aparência europeia. Esses relatos, até agora, não foram confirmados, mas não é possível deixá-los de lado de forma leviana”, escreveu Fawcett. “O destino de nossa próxima expedição (vou designá-lo como ‘Z’, para facilitar) é uma cidade que possivelmente seria habitada por alguns membros desse povo tímido, e, quando voltarmos [à Amazônia], pode ser que essa questão finalmente seja resolvida.”

Foi com esse objetivo que o militar, seu filho Jack e o amigo de infância dele, Raleigh Rimmel, voltaram ao Brasil em 1924. Depois de passarem algum tempo no Rio de Janeiro, então a capital do país, eles partiram para Cuiabá, onde a expedição começou oficialmente, em 20 de abril de 1925, com o fim da temporada das chuvas em Mato Grosso.








Avançando rumo ao Alto Xingu, o trio de exploradores mandou sua última mensagem para as famílias em 29 de maio. Nesse momento, Rimmel já não estava bem de saúde por causa de picadas de insetos amazônicos. Não se sabe o que aconteceu com eles –histórias sobre um suposto esqueleto de Fawcett não parecem ser verdadeiras. Eles podem ter morrido por causas naturais ou atacados por indígenas isolados.

A incrível história do explorador inglês foi levada ao cinema: ¨Z - A cidade Perdida¨



The lost of city Z - 2017





Fontes:

fatosdesconhecidos.com.br
wikipedia.org
google.com
clicknovaolimpia.com.br
serradoroncador.com.br
portalamazonia.com
gazetadigital.com.br
youtube.com

sexta-feira, 17 de abril de 2026



Dando continuidade as postagens sobre livros que mais são pedidos em exames vestibulares e Enem, hoje iremos falar do "Auto da barca do Inferno" do escritor, e dramaturgo português Gil Vicente.O livro é de 1517, e retrata, de uma forma jocosa, a sociedade do século XVI.








O auto da Barca do Inferno: O cenário é um porto onde duas barcas esperam pelos mortos. Uma leva ao paraíso e a outra ao inferno! O Auto da compadecida de Ariano Suassuna, tem um enfoque parecido, onde os personagens para se livrarem do inferno, pedem ajuda a Nossa Senhora.


O primeiro a chegar é o fidalgo, que passou a vida na tirania e na luxúria. O diabo diz para que ele entre na barca que leva ao inferno. Ele se recusa e diz que muitos oram por ele!


O segundo é um Onzeneiro, uma espécie de agiota, que também tem seu pedido de tomar a barca para o paraíso negado, porque foi avarento e ganancioso.


Depois vem Joane, um parvo, tolo e inocente, o diabo tenta enganá-lo para entrar na barca do inferno, mas o anjo o aceita na barca do paraíso, por sua bondade e humildade.

E assim seguem o sapateiro, que não foi aceito na barca do paraíso por ter enganado seus clientes e os roubado, o frade, que se achava um homem santo, mas que chegou ao porto com uma amante, e é condenado por falso moralismo religioso. Brísida Vaz, uma alcoviteira, acusada de prostituir meninas.
O judeu Semifará,chega acompanhado de um bode, e não é aceito nem no barco do Paraíso, por rejeitar o Cristianismo, e pelo diabo que só aceita rebocá-lo, sem que ele entre no barco. Nessa época em Portugal, os judeus deveriam se converter ao cristianismo (cristãos novos) ou seriam expulsos.
Em seguida chegam os representantes da lei , um corregedor e um procurador, com seus livros, e não são aceitos no barco do paraíso por ter roubados seus clientes e os roubados.

O frade, que se achava um homem santo, mas que chegou ao porto com uma amante, e é condenado por falso moralismo religioso. Brísida Vaz, uma alcoviteira, acusada de prostituir meninas.
O judeu Semifará,chega acompanhado de um bode, e não é aceito nem no barco do Paraíso, por rejeitar o Cristianismo, e pelo diabo que só aceita rebocá-lo, sem que ele entre no barco. Nessa época em Portugal, os judeus deveriam se converter ao cristianismo (cristãos novos) ou seriam expulsos.
Em seguida chegam os representantes da lei , um corregedor e um procurador, com seus livros, e não são aceitos no barco do paraíso, por manipularem as leis em seu favor.

Depois chegam quatro cavaleiros que lutaram e morreram defendendo o cristianismo, esses são aceitos no barco do paraíso.

Gil Vicente, nessa peça, faz uma crítica da sociedade da época, que pode muito em servir também para a sociedade atual.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
todamateria.com.br
brasilescola.uol.com.br

quinta-feira, 16 de abril de 2026



Hoje vamos falar da peça de Gil Vicente " A farsa de Inês Pereira"










Logo no início do livro o autor diz que a peça foi apresentada pela primeira vez ao rei D.João III de Portugal, no convento de Tomar no ano de 1523.
O argumento da peça veio de um tema que lhe deram "Mais vale um asno que me carregue, que um cavalo que me derrube"

Os personagens da peça são:
Inês Pereira, sua mãe, Lianor Vaz, Pêro Marques, dois judeus (Latão e Vidal) um escudeiro, seu criado (moço), um ermitão, Luzia e Fernando:


"Finge-se que Inês Pereira, filha de hüa molher de baixa sorte, muito fantesiosa, está lavrando em casa, e sua mãe é a ouvir missa, e ela canta esta cantiga:
Canta Inês: Quien con veros pena y muere Que hará quando no os viere?


(Falando) Inês: Renego deste lavrar E do primeiro que o usou;
Ó diabo que o eu dou, Que tão mau é d'aturar. Oh Jesu! que enfadamento, E que raiva, e que tormento, Que cegueira, e que canseira! Eu hei-de buscar maneira D'algum outro aviamento. Coitada, assi hei-de estar Encerrada nesta casa Como panela sem asa, Que sempre está num lugar? E assi hão-de ser logrados."

O trecho acima, do início da peça, mostra Inês Pereira, uma moça, sonhadora e ambiciosa em buscar um bom casamento com um bom mancebo, que lhe conceda uma vida de conforto e que seja uma pessoa atraente, educada, culta e amorosa.

Inês está a fazer os trabalhos da casa, e a se lastimar pela vida que leva, encerrada em sua casa, ocupada com os afazeres domésticos.

Um dia sua mãe pede à alcoviteira, Lianor Vaz, que arranje um pretendente para a sua filha. Ela, então, traz uma carta de um homem de posses, porém rude e de baixa cultura, Pêro Marques.
Inês, o recebe mais para caçoar de seus modos simples e de seu jeito rústico.


"Inês:
Si. Venha e veja-me a mi. Quero ver quando me vir Se perderá o presumir Logo em chegando aqui, Pera me fartar de rir. "

"Mãe:
Pêro Marques foi-se já?
Inês: E pera que era ele aqui?
Mãe: não t'agrada ele a ti?
Inês:Vá-se muitieramá! Que sempre disse e direi:
Mãe, eu me não casarei Senão com homem discreto, E assi vo-lo prometo Ou antes o leixarei. "







Em seguida dois judeus de nome Latão e Vidal, trazem a proposta do galante escudeiro Brás da Mata.

As maneiras galanteadoras e finas do pretendente encantam Inês Pereira.

"Mãe:
Se este escudeiro há-de vir E é homem de discrição, Hás-te de pôr em feição,
De falar pouco e não rir
E mais, Inês, não muito olhar
E muito chão o menear
Por que te julguem por muda,
Porque a moça sesuda
É uma perla pera amar. "


"Inês:
Eu, aqui diante Deus, Inês Pereira,
recebo a vós, Brás da Mata, sem demanda,
Como a Santa Igreja manda. "








(Enxerto da obra do Gil Vicente - Leya Educação Portugal)




O casamento com Brás da Mata, no entanto, não é o que Inês esperava.
Ele passa a trata-la mal, e a prende em casa, não deixando nem que vá até à janela.

Ele se mostra um homem ambicioso, e mau caráter, que só visa os bens de Inês.

Inês:
Que pecado foi o meu ?
Porque me dais tal prisão?
Escudeiro:
Vós buscastes discrição
Que culpa vos tenho eu? Pode ser maior aviso,
Maior discrição e siso Que guardar o meu tisouro?
Não sois vós, mulher meu ouro?
Que mal faço em guardar isso?

Um dia, o Escudeiro diz a Inês que vai para a guerra, mas deixará, o Moço (criado) a tomar conta dela, com ordens expressas de não deixá-la sair à rua.

Parte, então o Escudeiro, e deixa Inês amargurada com a sua sina.


Um dia chega a noticia da morte do Escudeiro, o que faz Inês comemorar.
Dispensa o Moço, e passa viver na liberdade.


Lê Inês Pereira a carta, a qual diz:
«Muito honrada irmã, Esforçai o coração
E tomai por devação De querer o que Deus quiser.»
E isto que quer dizer?
«E não vos maravilheis
De cousa que o mundo faça, Que sempre nos embaraça
Com cousas. Sabei que indo
Vosso marido fugindo Da batalha pera a vila,
A meia légua de Arzila,
O matou um mouro pastor.»
Moço:
Meu amo e meu senhor
Inês:
Da-me vós cá essa chave E i buscar vossa vida
Moço:
Oh que triste despedida!
Inês:
Mas que nova tão suave!
Desatado é o nó.
Se eu por ele ponho dó,


Nesse trecho da farsa, Gil Vicente satiriza toda a valentia e galhardia de Braz da Mata, quando diz que ele fugiu da batalha e foi morto por um pastor.

Inês, porém não fica muto tempo sozinha, pois Pêro Marques ainda não a esqueceu.

Lianor:
Como estais, Inês Pereira?
Inês:
Muito triste, Lianor Vaz.
Lianor:
Que fareis ao que Deus faz?
Inês:
Casei por minha canseira.
Lianor:
Se ficaste prenhe basta.
Inês:
Bem quisera eu dele casta, mas não quis minha ventura
Lianor:
Filha, não tomeis tristura,
Que a morte a todos gasta.
O que havedes de fazer?
Casade-vos, filha minha.
Inês:
Jesu! Jesu!
Tão asinha! Isso me haveis de dizer?
Quem perdeu um tal marido, Tão discreto e tão sabido,
E tão amigo de minha vida?
Lianor:
Dai isso por esquecido,
E buscai outra guarida.
Pêro Marques tem, que herdou, Fazenda de mil cruzados.
Mas vós quereis avisados...

Mais uma vez o autor satiriza os costumes. Inês, antes alegre, na presença da alcoviteira, põe-se a chorar, e lamentar a perda do marido "tão discreto e tão sabido, e tão amigo..."

Inês casa-se com Pêro Marques.

Um dia chega até a sua casa um Ermitão pedindo esmolas.

Señores, por caridad
Dad limosna al dolorido
Ermitaño de Cupido Para siempre en soledad.
Pues su siervo soy nacido.
Por ejemplo, Me meti en su santo templo
Ermitaño en pobre ermita,
Fabricada de infinita
Tristeza en que contemplo,


Inês descobre que o Ermitão foi um pretendente do passado, e tem com ele a sós.

"(Inês fala a sós com o Ermitão):
Inês:
Tomai a esmola, padre, lá, Pois que Deus vos trouxe aqui. Ermitão:
Sea por amor de mi Vuesa buena caridad.
Deo gratias, mi señora!
La limosna mata el pecado,
Pero vos teneis cuidado De matar-me cada hora.
Deveis saber Para merced me hacer
Que por vos soy ermitaño.
Y aun más os desengaño:
Que esperanças de os ver
Me hizieron vestir tal paño. "

Inês e Ermitão, marcam um encontro. Inês pede ao marido que a leve até a igreja onde se encontra o Ermitão, a pretexto e rezar.
Ao passarem por um riacho Pero Marques a carrega nas costas.
Vão, então Inês e o marido cantando ao encontro do padre ermitão.

Põe-se Inês Pereira às costas do marido, e diz:
Inês:
Marido, assi me levade.
Pêro:
Ides à vossa vontade?
Inês:
Como estar no Paraíso!
Pêro:
Muito folgo eu com isso.
Inês:
Esperade ora, esperade! Olhai que lousas aquelas, Pera poer as talhas nelas!
Pêro:
Quereis que as leve?
Inês:
Si. Uma aqui e outra aqui. Oh como folgo com elas! Cantemos, marido, quereis?
Pêro:
Eu não saberei entoar..
Inês:
Pois eu hei só de cantar E vós me respondereis Cada vez que eu acabar:
«Pois assi se fazem as cousas».
Canta Inês Pereira:
Inês:
«Marido cuco me levades E mais duas lousas.»
Pêro:
«Pois assi se fazem as cousas.»
Inês:
«Bem sabedes vós, marido, Quanto vos amo. Sempre fostes percebido Pera gamo. Carregado ides, noss'amo, Com duas lousas.»
Pêro
«Pois assi se fazem as cousas» "

O mote da peça:"Mais quero um asno que me leve, que um cavalo que me derrube" é demonstrado nesse trecho da farsa, onde Perô Marques, carrega Inês nos ombros, como um asno, ao encontro do padre ermitão, mais fogoso e belo como um alazão.


Assim termina a farsa, onde Gil Vicente faz uma dura crítica à sociedade da época.
A mulher interesseira e infiel, o marido traído, sem fazer conta da traição, o interesseiro galanteador, que na verdade não passa de um covarde sem caráter, o padre pecador, a alcoviteira, os dois judeus trapaceiros.

A farsa, era um gênero teatral, que ao contrário do auto (religioso e com temas mais sérios)era uma sátira, uma comédia, normalmente menor que o auto e com um ato só.

Gil Vicente foi o maior dramaturgo português do século XVI.



Fontes:
wikipedia.org
dominiopublico.gov.br
infoescola.com/livros
youtube.com

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