quarta-feira, 13 de maio de 2026

Hoje 13 de Maio e 2026 comemora-se 138 anos da Lei Áurea.



As razões que a levaram tomar tal decisão foram várias e o processo que culminou no fim oficial da escravidão foi muito longo. A demora para a abolição foi tanta, que o Brasil foi o último país do Ocidente a ter abolido a escravidão.

O termo “áureo” é definido no dicionário como algo que é relativo a ouro. O intuito dessa associação era o de transmitir uma imagem positiva da lei, como um grande feito, uma grande benesse da monarquia e algo glorioso.






Faz parecer que a Lei Áurea fosse uma benesse da classe dominante, esquecendo a luta dos escravizados e outros abolicionistas  durante anos.






A escravidão foi uma instituição que se estabeleceu no Brasil por volta da década de 1530, quando as primeiras medidas efetivas de colonização foram implantadas pelos portugueses. Essa escravização ocorreu, a princípio, com os nativos, e, entre os séculos XVI e XVII, foi sendo gradativamente substituída pela escravização dos africanos que chegavam no Brasil pelo tráfico negreiro.





A escravidão no Brasil atendia à demanda dos portugueses por trabalhadores braçais (tipo de trabalho que os portugueses desprezavam) e, nos séculos XVI e XVII, isso está relacionado, principalmente, com o trabalho nas roças. A princípio, a relação de trabalho utilizada pelos portugueses foi a do escambo com os indígenas, mas logo optaram por implantar a escravidão.

A escravidão no Brasil foi tão cruel e a quantidade de africanos que foram trazidos durante três séculos foi tão grande que a imagem do trabalhador escravo em nosso país associou-se com a cor de pele do africano. Um sintoma evidente do racismo que estava por trás da instituição da escravidão em nosso país.

A escravidão no Brasil foi cruel e desumana e suas consequências, mesmo passados mais de 130 anos da abolição, ainda são perceptíveis. A pobreza, violência e a discriminação que afetam os negros no Brasil são um reflexo direto de um país que normalizou o preconceito contra esse grupo e o deixou à margem da sociedade.

Importante nos atentarmos que a escravidão também afetou milhões de indígenas e disseminou preconceitos em nosso país contra esse grupo também. O reflexo direto disso, além do próprio preconceito contra os indígenas, foi a redução populacional desses povos que de milhões de habitantes, no século XVI, passaram para cerca de 800 mil, atualmente.



Para que tudo terminasse com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, muita coisa teve de acontecer antes, já que o processo se deu de forma gradativa.

O primeiro passo foi a Lei Eusébio de Queiroz, sancionada no dia 4 de setembro de 1850. Ela proibia o tráfico de escravos para o Brasil. De imediato, a lei não surtiu nenhum efeito, dada pela baixa fiscalização da época.

Logo em seguida, veio a Lei do Ventre Livre, promulgada em 28 de setembro de 1871. Assinada pela Princesa Isabel, ela tinha um caráter abolicionista, já que considerava livre todos os filhos de mulheres escravas nascidas a partir da validação da mesma.

A Lei dava duas possibilidades as crianças: serem entregues ao governo ou ficarem sob os cuidados dos senhores até os 21 anos de idade.




No ano de 1885, mais exatamente no dia 28 de setembro, veio a sanção da Lei dos Sexagenários, que também ficou conhecida como Lei Saraiva-Cotegipe. Essa Lei concedia liberdade para os escravos com mais de 60 anos de idade. Poucos escravos foram beneficiados com a sanção da lei, já que poucos conseguiam alcançar essa idade, divido as condições com que eram tratados.

Rodrigo Augusto Silva - autor da Lei Áurea



No dia 13 de maio de 1888, 38 anos após o início do processo que visava libertar os escravos da crueldade com que eram tratados, foi apresentado à Câmara Geral, atual Câmara do Deputados, pelo ministro da Agricultura da época, Rodrigo Augusto da Silva, em 8 de maio de 1888. Foi votada e aprovada nos dias 9 e 10 de maio, na Câmara Geral.

A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado Imperial por Rodrigo Augusto da Silva em 11 de maio.



Foi debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 daquele mês. Foi votada e aprovada, em primeira votação em 12 de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio de 1888, e, no mesmo dia, levada à sanção da princesa regente do Brasil Dona Isabel.

No domingo de 13 de maio, dia comemorativo do nascimento de D. João VI, foi assinada por sua bisneta Dona Isabel, e Rodrigo Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no Brasil



Fontes:

wikipedia.org
google.com
mundoeducacao.uol.com.br
todadisciplina.com.br
nationalgeogrphicbrasil.com
brasilescola.uol.com.br

terça-feira, 12 de maio de 2026

O amante de Lady Chatterley - D.H. Lawrence




O romance foi publicado em 1928 e causou muita controvérsia, sendo proibido em várias países.


Esta era, mais ou menos, a posição de Constance Chatterley. A guerra tinha sido como um teto que lhe caísse em cima, e ela compreendera que seria necessário viver e aprender. Casara-se com Clifford Chatterley em 1917, numa altura em que ele estivera na Inglaterra a gozar um mês de licença. Tiveram uma lua-de-mel de um mês.

Regressara depois à Flandres, para voltar outra vez à Inglaterra, seis meses mais tarde, mais ou menos em bocados. Constance, a mulher, tinha então vinte e três anos e ele vinte e nove. O apego dele à vida foi maravilhoso. Não morreu e os bocados parecerem voltar a juntar-se outra vez. Durante dois anos andou pelas mãos dos médicos. A seguir foi dado como curado e pôde voltar de novo à vida corri a parte inferior do corpo, da cintura para baixo, paralisada para sempre. Estava-se em 1920. Clifford e Constance voltaram ao lar deles, ao lar da família, Wraghy. O pai de Clifford falecera, ele era agora um baronete, Sir Clifford, e Constance era Lady Chatterley. (p.4)



Constance Chatterley é uma mulher jovem, sensível e inteligente, casada com Clifford Chatterley, um homem que, após retornar da guerra, ficou paralítico e preso a uma cadeira de rodas. Apesar da tragédia, o casal manteve o casamento, sustentado por laços de amizade e companheirismo. No entanto, a ausência de intimidade física começou a pesar sobre Connie. Com o tempo, ela passou a sentir uma profunda carência de contato carnal e percebeu que algo essencial faltava em sua vida.

Buscando alívio para essa falta, Connie se envolve com Michaelis, um amigo de seu marido. No início, o encontro físico a satisfaz apenas parcialmente: ela aceita o prazer rápido de Michaelis e, só depois, tenta alcançar o seu próprio. Mas logo se decepciona, percebendo que ele é como tantos outros homens — egoísta, centrado em si mesmo, incapaz de compreender suas necessidades emocionais e físicas.



Obviamente que Michaelis não era inglês, apesar dos alfaiates, chapeleiros, barbeiros e sapateiros do melhor bairro de Londres. Não, era óbvio que ele não era inglês, tinha uma cara fora do comum, pálida e uniforme, e um rancor também fora do comum. Mostrava ressentimento e rancor, e isso era evidente para qualquer cavalheiro de genuíno sangue inglês, que nunca permitiria que tais sentimentos transparecessem. Pobre Michaelis, tinha sido tão maltratado, que ainda não perdera um certo ar de cauda entre as pernas. Tinha aberto o seu caminho por puro instinto e total ousadia até à cena, à boca da cena, com as suas peças. Tinha surpreendido o público e pensara que os maus dias tinham acabado. Mas não, nunca acabariam. De certo modo fazia os possíveis por ser maltratado, porque se imiscuía num meio a que não pertencia: a alta sociedade inglesa. (p.19)




Enquanto isso, Clifford, que não percebe o que acontece com sua esposa, sugere algo inusitado: que Connie tenha um filho com outro homem, contanto que não haja amor envolvido.

Essa representação estaria bem na obra de Nelson Rodrigues, onde a perversão atingia níveis inimagináveis.

Constance, a mulher de Clifford, tinha um ar de rapariga de campo, corada, com cabelo castanho e suave, um corpo robusto e movimentos lentos carregados de uma invulgar energia. Tinha uns olhos grandes e sonhadores e uma voz suave e doce. Parecia ter acabado de chegar da sua aldeia natal, mas não era. O pai de Constance era o velho Sir Malcolm Reid, que fora outrora bem conhecido por pertencer à Academia Real, a mãe fora um dos distintos membros da Sociedade Fabiana1 do período florescente, mais exactamente do período pré-rafaelita. Criadas entre artistas e socialistas cultos, Constance e a irmã, Hilda, tinham tido o que se poderá chamar uma educação estética, mas inconvencional. Haviam sido levadas, por princípios artísticos, a Paris, Florença e Roma; e, com outro, haviam sido levadas à cidade da Haia e a Berlim, a grandes convenções socialistas, onde os oradores falavam em todas as línguas civilizadas e onde ninguém se sentia intimidado. (p.5)


D.H.Lawrence

O ponto de virada ocorre quando Constance conhece Oliver Mellors, o guarda-caça da propriedade de Clifford. Mellors é um homem de origem humilde, mas com uma personalidade complexa e profunda, tendo servido como soldado e vivido experiências que o afastaram do mundo aristocrático. A relação que se desenvolve entre Constance e Mellors desafia as normas sociais e as expectativas da época. À medida que o relacionamento avança, ela se entrega a uma paixão que reacende sua vitalidade, o que contrasta drasticamente com a apatia de sua vida anterior ao lado de Clifford.

A paixão entre Constance e Mellors é retratada de maneira crua e sem eufemismos, o que fez o livro ser censurado por muitos anos em vários países, principalmente devido às descrições explícitas de suas interações sexuais. No entanto, Lawrence não se limita a criar uma história de adultério; ele utiliza a relação dos dois personagens como uma metáfora para criticar a sociedade inglesa e a alienação provocada pela crescente industrialização. Mellors, que trabalha como guarda-caça e vive em sintonia com a natureza, representa uma alternativa ao mundo mecanizado e distante de emoções de Clifford, cujas ambições o afastam da realidade concreta do corpo e da natureza.


E fitou-a com olhos estranhamente escuros. - Queres subir? - perguntou-lhe, numa voz estrangulada. - Não, aqui não! Agora não! - respondeu ela, num tom de voz pesado e lento. No entanto, se ele tivesse insistido, ela teria cedido, porque não tinha força para lutar contra ele. Ele voltou a virar a cara, dando a impressão de se ter esquecido que ela estava ali. - Quero tocar-te como me tocas - disse ela. - Nunca toquei realmente o teu corpo. Ele olhou-a e sorriu de novo. - Agora? - perguntou. - Não! Não! Aqui não. Na cabana. Não te importas? - Como é que te toco? - Quando me acaricias. Ele voltou a olhá-la e captou o seu olhar denso e inquieto. - E gostas quando te acaricio? - perguntou, a sorrir tranquilamente. - Sim, e tu? - Oh, eu! - depois mudou o tom de voz. - Sim, sabes sem perguntar. Era verdade. Connie levantou-se e pegou no chapéu. - Tenho de me ir embora - disse. - Tem? - perguntou ele delicadamente. Ela queria que ele a tocasse, que lhe dissesse qualquer coisa, mas ele não disse nada, apenas esperava cerimoniosamente. (p.147)

O vínculo físico, inicialmente movido pelo desejo, começa a se tornar mais profundo e íntimo. Lawrence descreve as cenas sexuais com uma delicadeza incomum, evitando a vulgaridade e transformando o erotismo em uma forma de reconexão com o corpo e com a vida. Para Connie, o sexo com Mellors não é apenas prazer, mas uma experiência de plenitude e de reencontro com sua própria natureza, distante da rigidez emocional de seu marido e da artificialidade da sociedade em que vive.

- Estás despida por baixo? - perguntou ele. - Sim! - Vou-me despir também. Estendeu os cobertores, pondo um de lado para fazer de colcha. Ela tirou o chapéu e sacudiu o cabelo. Ele sentou-se, tirou sapatos e as polainas, e começou a desabotoar as calças de bombazina. - Deita-te! - disse-lhe, quando já estava em camisa. Ela obedeceu em silêncio e ele deitou-se ao lado dela, puxou o cobertor para cobrir os dois. - Cá estamos! - disse ele. Levantou-lhe o vestido até aos seios e beijou-os suavemente, prendendo os mamilos nos lábios em leves carícias. - Ah, é bom, é bom - murmurou, esfregando subitamente a aura num movimento para se aconchegar na sua barriga quente. Ela abraçou-o sob a camisa, mas sentiu medo, medo daquele corpo magro, macio e nu, mas que parecia tão forte, medo daqueles músculos violentos. Ela contraiu-se com medo. E quando ele disse "é bom, é bom!" algo dentro dela estremeceu, e qualquer coisa no seu espírito acordou, pronto a resistir. A resistir àquela terrível intimidade física e a urgência da posse. E o êxtase violento da paixão não a invadiu. Ficou de mãos inertes no corpo do homem em luta. E, embora tentasse, não conseguia deixar de observar friamente, distante, o que se passava; e o movimento das ancas do homem era ridículo, e mais ridículo o frenesim do pénis até à pequena crise da ejaculação. Sim, aquilo era o amor, aquele movimento ridículo das nádegas, aquele esmorecimento de um pénis insignificante e húmido. Era esse o divino amor! Afinal, os modernos tinham razão em desprezar aquela representação teatral, porque, no fundo, não passava de uma representação. Tinham razão os poetas ao dizerem que o Deus que criou o homem teve um humor sinistro em o criar como criatura dotada de razão e obrigá-lo àquela posição ridícula, e a desejar cegamente aquela representação. (p.148)




Connie viaja para Veneza com sua família e, durante a estadia, descobre que a ex-esposa de Mellors invadiu sua casa, quebrando objetos e espalhando boatos. Clifford fica sabendo do ocorrido e chama Mellors para uma conversa que termina em desentendimento, resultando na demissão do guarda-caça. Connie, então, retorna à Inglaterra e reencontra Mellors em Londres. Juntos, planejam o futuro: Mellors entraria com o pedido de divórcio, enquanto Connie pediria o seu a Clifford, revelando que está grávida de outro homem sem mencionar o nome do amante.

Quando ambos estivessem livres, poderiam finalmente viver juntos. O sexo, nesse momento, sela o compromisso entre os dois. No entanto, Clifford se recusa a conceder o divórcio e exige que Connie continue em sua casa. O romance termina com uma carta de Mellors, na qual ele fala sobre sua nova fase de vida e sobre a esperança de que, um dia, ele e Connie possam se reencontrar e viver plenamente esse amor.




- Oh, não troces dele - disse Connie, ajoelhando-se na cama, pondo os braços à volta da cintura, de pele branca e delicada, puxando-o para ela de modo que os seus seios pendentes e oscilantes tocavam a cabeça do falo excitado e erecto e atingiam as gotas de humidade. Ela abraçou o homem com mais força. - Deita-te! Deita-te e deixa-me furar-te! Estava possuído de uma urgência súbita. Depois de acabarem e de se sentirem ambos de novo tranquilos, a mulher quis vê-lo outra vez, quis contemplar o mistério do falo. - E agora está pequeno e macio como um botão de vida disse ela, pegando no pénis, com a mão. - É lindo! Tão independente e tão estranho! E tão inocente! E entra em mim tão fundo! Nunca o deves insultar, sabes? Também me pertence, não é só teu. É meu também. (p. 181) 

Paralelamente à trama amorosa, o romance se aprofunda em discussões sociais e filosóficas. Em longos diálogos, Clifford e Connie revelam visões de mundo opostas. Clifford, aristocrata e proprietário de minas de carvão, enxerga o progresso industrial e o avanço do capitalismo como um caminho inevitável, embora desumano. Ele representa a mentalidade racional e mecanizada da Inglaterra moderna — um homem que substitui a vitalidade da vida por ideias e pela ambição de poder.


Perguntei-lhe se lhe seria fácil arranjar outro emprego. Respondeu-me: "Nada mais fácil, se me está a mandar para a rua". Não levantou qualquer problema quanto a ir-se embora no fim da próxima semana, e está a ensinar outro rapaz, Joe Chambers, os segredos do oficio. Disse-lhe que lhe queria pagar um mês a mais quando ele se fosse embora. Mandou-me guardar o dinheiro e que não tivesse problemas de consciência. Perguntei-lhe o que ele queria dizer, e a resposta foi a seguinte: "Não me deve nada Sir Clifford, portanto não me paga nada. Se tem algo mais a dizer, diga". Por agora é tudo quanto se passa. A mulher foi-se embora, ninguém sabe para onde. Mas se volta a aparecer em Tevershall vai para a cadeia. E disseram-me que tem muito medo da cadeia, porque sabe que a merece. (230)



Além de um romance sobre o desejo e a redescoberta do corpo, O Amante de Lady Chatterley é também uma crítica contundente à modernidade industrial e às suas consequências espirituais. D. H. Lawrence contrapõe duas visões de mundo: a de Clifford, que simboliza a mente mecanizada, racional e distante das emoções, e a de Connie, que busca o contato vital com o corpo, com a natureza e com o amor. Essa oposição reflete o conflito central da época — entre o progresso material e a perda da sensibilidade humana.

Último romance do autor, O amante de lady Chatterley foi banido em seu lançamento, em 1928, e só ganhou sua primeira edição oficial na Inglaterra em 1960, quando a editora Penguin enfrentou um processo de obscenidade para defender o livro. Àquela altura, já não espantava mais os leitores o uso de "palavras inapropriadas" e as descrições vivas e detalhadas dos encontros sexuais de Constance Chatterley e Oliver Mellors. O que sobressaía era a força literária de Lawrence e a capacidade de capturar uma sociedade em transição.

Esta edição inclui o texto "A propósito de O amante de lady Chatterley", em que Lawrence comenta a controvérsia em torno do livro e justifica suas intenções literárias, e ainda uma introdução de Doris Lessing, vencedora do prêmio Nobel de literatura em 2007. Um apêndice e notas explicativas situam o leitor na geografia das Midlands e no vasto contexto social e político no qual a trama está inserida.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
livrosemresumo.com.br
skoob.com.br
resumodelivro.net
fernandobatista89.wordpress.com/w

segunda-feira, 11 de maio de 2026



As baleias não choram - D.H. Lawrence











David Herbert Lawrence ou D. H. Lawrence (11.09.1885 - 02.03.1930) foi um escritor inglês, cuja carreira abrangeu vários gêneros, incluindo romance, poesia, teatro e crítica literária. Suas obras modernistas exploraram a modernidade, a alienação social e a industrialização, ao mesmo tempo em que exaltavam a sexualidade e a vitalidade.






O poema as baleias não choram é um dos mais famosos do escritor, que também escreveu romances como Mulheres Apaixonadas e o Amante de Lady Chatterley.





Whales weep Not !
hey say the sea is cold, but the sea contains
the hottest blood of all, and the wildest, the most urgent.

All the whales in the wider deeps, hot are they, as they urge
on and on, and dive beneath the icebergs.
The right whales, the sperm-whales, the hammer-heads, the killers
there they blow, there they blow, hot wild white breath out of
the sea!

And they rock, and they rock, through the sensual ageless ages
on the depths of the seven seas,
and through the salt they reel with drunk delight
and in the tropics tremble they with love
and roll with massive, strong desire, like gods.
Then the great bull lies up against his bride
in the blue deep bed of the sea,
as mountain pressing on mountain, in the zest of life:
and out of the inward roaring of the inner red ocean of whale-blood
the long tip reaches strong, intense, like the maelstrom-tip, and
comes to rest
in the clasp and the soft, wild clutch of a she-whale's
fathomless body.

And over the bridge of the whale's strong phallus, linking the
wonder of whales
the burning archangels under the sea keep passing, back and
forth,
keep passing, archangels of bliss
from him to her, from her to him, great Cherubim
that wait on whales in mid-ocean, suspended in the waves of the
sea
great heaven of whales in the waters, old hierarchies.

And enormous mother whales lie dreaming suckling their whale-
tender young
and dreaming with strange whale eyes wide open in the waters of
the beginning and the end.

And bull-whales gather their women and whale-calves in a ring
when danger threatens, on the surface of the ceaseless flood
and range themselves like great fierce Seraphim facing the threat
encircling their huddled monsters of love.
And all this happens in the sea, in the salt
where God is also love, but without words:
and Aphrodite is the wife of whales
most happy, happy she!

and Venus among the fishes skips and is a she-dolphin
she is the gay, delighted porpoise sporting with love and the sea
she is the female tunny-fish, round and happy among the males
and dense with happy blood, dark rainbow bliss in the sea.









"As Baleias não Choram!" de D.H. Lawrence


Diz-se que o mar é frio, mas o mar contém
o sangue mais vivo, quente e impetuoso.


Nos grandes abismos são quentes todas as baleias,
quando se agitam
sem descanso e mergulham sob os icebergs.
As verdadeiras baleias, cheias de sémen, com as cabeças
em forma de martelo, prontas a matar,
ei-las lançando do mar os seus jactos violentos, quentes
e brancos.


E balançando-se, balançando-se ao longo das idades sem
tempo da sensualidade,
nas profundidades dos sete mares,
vacilam através das águas salgadas com um prazer
embriagador,
estremecem de amor sob os trópicos
e caminham pesadamente com um desejo maciço e
poderoso, como deuses.
Então o grande touro estende-se sobre a sua noiva
através do abismo azul do mar,
montanha sobre montanha na voluptuosidade da vida:
para além do íntimo rumor do oceano vermelho e oculto
do seu sangue
estende-se a longa ponta do desejo, forte e imensa como
um redemoinho, até repousar
na união, o suave e selvagem encontro do corpo
insondável da baleia fêmea.


E sobre a ponte fálica poderosa, unindo o prodígio das
baleias,
arcanjos em fogo submersos no mar demoram-se
a passar,
de um para o outro lado, arcanjos da felicidade
que vão dele para ela e dela para ele, grandes Querubins
que os acompanham no seio do oceano, suspensos nas
ondas do mar,
grande céu das baleias entre as águas, antigas
hierarquias.


E as enormes baleias mães sonham estendidas, ao
aleitarem as suas crias,
sonham com os seus estranhos e grandes olhos abertos
nas águas do princípio e do fim.


As baleias-touros reúnem as fêmeas e os filhos-bezerros
num círculo
quando o perigo os ameaça, à superficie das marés
incessantes,
e alinham-se como grandes Serafins ferozes, ao
defrontarem o perigo,
rodeando o rebanho dos seus monstros de amor.
E toda esta felicidade no mar, entre a água salgada
onde Deus é também amor, mas sem palavras,
e é Afrodite a esposa das baleias,
feliz, plenamente feliz;
Vénus salta entre os peixes e torna-se a fêmea do delfim,
ela, a graciosa e alegre marsuína brincando com o amor
e o mar,
a fêmea do atum redonda e feliz entre os machos,
pesada com o seu sangue cheio de delícia, obscura
felicidade de um arco-íris no mar.












Fontes:


poets.org
bibliofeira.com
mypoeticside.com
amontanhamagica.blogspot.com
wikipedia.org
google.com

sexta-feira, 8 de maio de 2026


O estrangeiro de Albert Camus





A narrativa começa com a morte da mãe de Meursault, e sua reação fria e indiferente ao evento surpreende todos ao seu redor. Conforme a trama se desenrola, Meursault é arrastado para um assassinato casual e inexplicável, cometido sob o sol escaldante. O julgamento subsequente coloca em foco não apenas o crime, mas também a atitude existencialista de Meursault perante a vida.

¨Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe falecida: Enterro amanhã. Sentidos pêsames". Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem. O asilo de velhos fica em Marengo, a oitenta quilômetros de Argel. Tomo o autocarro das duas horas e chego lá à tarde. Assim, posso passar a noite a velar e estou de volta amanhã à noite. Pedi dois dias de folga ao meu chefe e, com um pretexto destes, ele não me podia recusar. Mas não estava com um ar lá muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe "A culpa não é minha". Não respondeu. Pensei então que não devia ter dito estas palavras.¨ (p.3)





¨Quis desligar imediatamente, pois sei que o chefe não gosta que estejamos ao telefone. Mas Raimundo pediu-me para esperar e disse que me poderia ter transmitido o convite à noite, mas me queria avisar de outra coisa. Fora seguido durante todo o dia por um grupo de Árabes entre os quais estava o irmão da sua antiga amante. "Se os vires esta noite perto da nossa casa, avisa-me". Respondi que estava combinado. Pouco depois o chefe mandou -me chamar e fiquei aborrecido porque pensei que me ia dizer para telefonar menos e trabalhar mais. Não era nada disso. Declarou que me ia falar num projeto ainda muito vago. Queria apenas saber a minha opinião sobre o assunto. Tencionava instalar um escritório em Paris, para tratar diretamente com as grandes companhias e perguntou-me se eu estava disposto a ir. Poderia assim viver em Paris e viajar durante parte do ano. "Você ainda é novo e creio que essa vida lhe agradaria". Disse que sim, mas que no fundo me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava.¨ - O estrangeiro - Albert Camus p.30



O estrangeiro é um dos livros da trilogia do absurdo, de Albert Camus. O livro conta a história de Mersault, um homem que vive completamente alheio à importância das coisas ao seu redor. O protagonista é indiferente a tudo, sendo que uma das palavras mais usadas por ele é: “tanto faz”. Albert Camus desenvolve uma história simples, escrita em frases curtas, evidenciando conceitos segundo o qual o homem é livre e seus atos são responsáveis por seu destino.

Meursault, é descrito como “um cidadão da França, homem do Mediterrâneo, um homem que dificilmente compartilha da cultura mediterrânea tradicional”. Semanas após o funeral de sua mãe, ele mata um homem árabe na Argel francesa, que estava envolvido em um conflito com um dos vizinhos de Meursault. Mersault é julgado e condenado à morte. A história é dividida em duas partes, apresentando a visão narrativa em primeira pessoa de Mersault antes e depois do assassinato, respectivamente.



No dia seguinte ao enterro da mãe, Mersault foi à praia. Lá, conheceu Marie, uma linda mulher por quem nutriu uma ardente paixão. Tiveram relações naquela mesma tarde, e à noite foram ao cinema assistir um filme. Com a poeira do enterro de sua mãe ainda preso no sapato, Mersault seguiu sua vida. Mesmo compartilhando de momentos carinhosos, quando perguntado se amava Marie, Mersault respondia que não. Ele era muito distante para entender e assumir qualquer sentimento.

Então, Mersault foi chamado por seu vizinho Raymond para ajudá-lo a resolver um problema. A mulher de Raymond o havia traído, e ele queria se vingar. Pediu a Mersault para escrever uma carta chamando-a de volta. Como combinado, a mulher de Raymond retornou. Raymond, então, espancou-a de forma contundente. Dias após o ocorrido, Raymond avisou a Mersault que o irmão de sua esposa o estava seguindo, junto a outros árabes.


“Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Voltei então a disparar mais quatro vezes contra um corpo inerte onde as balas se enterravam sem se dar por isso.” (p.43)

Mersault é preso pelo assassinato. 

¨Logo a seguir à minha prisão, fui interrogado por várias vezes. Mas tratava-se de interrogatórios de identidade, que não duraram muito tempo. A primeira vez, no comissariado, o meu caso parecia não interessar a ninguém. Oito dias depois, ao contrário,. O juiz de instrução olhou-me com curiosidade. Mas, para começar, perguntou-me apenas o nome e a morada, a profissão, a data e o local do nascimento. Depois quis saber se eu já escolhera advogado. Respondi que não e perguntei-lhe se era absolutamente necessário ter advogado. "Por que?", disse ele. Repliquei, afirmando que achava o meu caso muito simples. Sorriu, dizendo: "É uma opinião. No entanto, a lei é a lei. Se o senhor não quer quem o defenda, nós nomeamos automaticamente advogado". Achei que era muito cômodo a justiça encarregar-se desses pormenores.¨(p.43)





O julgamento de Mersault é um ponto marcante do livro. Acusado de assassinato, foi proposto o atenuante de que era um bom homem, de que havia perdido a mãe recentemente, e que havia se defendido de um possível ataque do árabe. A mente de Mersault passeava pelo calor do tribunal, pelas anotações dos jornalistas e pelo teatro produzido pelos advogado de defesa e pelo promotor. De forma paradoxal, foi o testemunho de Marie que agravou o caso de Mersault.

Apesar dos atenuantes, os agravantes foram muito mais fortes: ele não havia aberto o caixão da mãe; enterrou-a sem remorsos; no dia seguinte se envolveu com Marie, teve relações com ela e foi ao cinema assistir um filme de comédia. Mersault, segundo a promotoria, não tinha escrúpulos, remorso ou mesmo caráter, para evitar o crime, e matou como se essa ação fosse simples e banal. Resultado: Mersault foi sentenciado à morte. Seria guilhotinado em praça pública.


“Meus senhores, um dia depois da morte da sua mãe, este homem tomava banhos de mar, iniciava relações com uma amante e ia a rir às gargalhadas num filme cômico.” (p.68)



Mersault ainda teve chance, antes de morrer, de pedir perdão a Deus pelos seus pecados. Mas Mersault não acreditava em Deus, e não havia arrependimento em seu coração. O que havia feito, estava feito. Sem rancor ou ódio.


¨Mas pouco depois levantou bruscamente a cabeça e olhou-me de frente: "Porque recusa as minhas visitas?" Respondi que não tinha fé. Quis saber se tinha a certeza e eu respondi que não valia a pena fazer-me essa pergunta. Deixou-se cair para trás e encostou-se à parede, as mãos postas em cima das coxas. Quase sem ter o ar de me falar, observou que às vezes nos julgávamos certos de alguma coisa quando, na realidade, não tínhamos certeza nenhuma.¨(p.80)


Mersault é um personagem icônico da literatura. Um homem que traz consigo a ambiguidade da existência humana. Capaz de se relacionar ardentemente com Marie e dizer que não a ama e que não quer se casar. Um homem que não ia ao cinema, mas que foi no dia seguinte ao enterro da mãe. Colocou a mãe em um asilo por não suportá-la em casa, mas que se sentia indiferente com a promoção que recebeu para trabalhar em Paris. Um home livre, ou escravo de sua apatia?

Também lá, em redor desse asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto da morte, a minha mãe deve ter-se sentido libertada e pronta a tudo reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela. Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público no dia da minha execução e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio.¨ (p.85)




As loucuras do dia-a-dia, o corre-corre e a busca do sentido para as coisas e acontecimentos já são indícios do absurdo. O homem cria uma rotina de vida, uma monotonia e acaba deixando levar-se pelo absurdo, perde o sentido da sua existência, passando a não dar mais importância aos fatos e acontecimentos em seu trabalho, com os amigos, na família…tudo se torna comum, rotineiro.

Outro ponto que ilustra o absurdo é o fato do homem já não conseguir mais dar conta dos acontecimentos e tudo lhe foge da percepção e ele mesmo constata que o mundo não tem sentido nem razão, e que a vida é absurda e fantasiosa.

Buscar valorizar e criar sonhos para o futuro é uma forma de querer sair do absurdo, mas é necessário também criar coragem e buscar inovações e outros caminhos para as atividades do dia-a-dia.


Fontes:

ispsn.org
bibliotecapubliga.mg.gov.br
casadoestudo.com
resumodelivro.net
resenhaalacarte.com.br
google.com

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Vamos falar hoje da trilogia ¨o tempo e o vento¨ de Érico Veríssimo.





O Tempo e o Vento foi apresentado pelo escritor gaúcho Erico Verissimo (1905-1975) como uma trilogia, ao longo de 13 anos: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962).

Os três livros percorrem um período de 200 anos e combinam elementos do romance histórico, da jornada épica e da crônica iluminando o caminho da família Terra Cambará. Ficção amparada em fatos e personagens reais, a saga traz episódios determinantes para a formação da identidade cultural e geográfica do Rio Grande do Sul e para a projeção política do Estado no Brasil que se moldava entre a colônia, o império e a república.




Os personagens principais da obra são verdadeiros ícones da literatura brasileira, cada um representando aspectos fundamentais da identidade gaúcha:



- Pedro Missioneiro: O jovem mestiço que vivencia a queda das Missões Jesuíticas, simbolizando a miscigenação étnica e cultural que caracteriza o povo do sul.

Foi o padre Alonzo que encontrou uma mulher entrando em trabalho de parto, no qual morreu. Pedro Missioneiro ficou aos cuidados dele, era um jovem inteligente e um bom católico. Já crescido casou-se com Ana Terra e com ela constituiu família. Seu filho recebeu o nome de Pedro Terra.




Ana Terra, esposa de Pedro Missioneiro, era filha dos paulistas Maneco Terra e Henriqueta. Eles viviam em Sorocaba.

Tendo seu pai descoberto sua gravidez mandou que seus próprios filhos fossem assassinar Pedro. Algum tempo depois um grupo de castelhanos invadiu a fazenda da família Terra e mataram um dos irmãos e o pai de Ana e ainda a violentaram. Os que sobreviveram partiram para Santa Fé, onde se desenvolverá o restante do romance    do livro O Tempo e o Vento.

'Ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra.


''A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto… Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve.''


- Ana Terra: A mulher forte e resiliente que enfrenta a violência e as adversidades, refletindo o papel crucial da figura feminina na construção dessa sociedade.






- Capitão Rodrigo: O arquétipo do gaúcho valente e sedutor, que participa ativamente dos conflitos e guerras que marcaram a história do Rio Grande do Sul.

É em Santa Fé que Pedro Terra, filho do casal Ana Terra e Pedro Missioneiro, cresce e constrói sua família, torna-se pai de Juvenal Terra e Bibiana Terra. Neste volume, o capítulo “Um Certo Capitão Rodrigo” é um dos principais destaques. A chegada repentina de Rodrigo Cambará a Santa Fé é marcada pelas características do rapaz, que representa a imagem do homem gaúcho forte, aventureiro, bravo e destemido.


Causando antipatia em todo povoado, Rodrigo Cambará é convidado a abandonar a cidade, porém não obedece as ordens e permanece na cidade. Certo dia, ao ver Bibiana Terra, o capitão Cambará se apaixona. Bibiana herdara da avó, Ana Terra, uma desconfiança de todos homens. Estava sendo cortejada por Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral, com quem capitão Rodrigo Cambará trava um duelo de arma branca pela mão da moça.




Esse duelo resulta em Bento deferindo um tiro de revólver, que levará escondido, deixando Rodrigo entre a vida e a morte. Após descobrir o feito covarde do filho, col. Amaral promete deixar o capitão Rodrigo Cambará viver tranquilo no povoado. Impressionada com a coragem de Rodrigo, Bibiana aceita casar-se com ele. O pai não gosta do sujeito, mas dá seu consentimento com tristeza.


- Bibiana Terra: A matriarca que, através de suas memórias, conecta as diferentes gerações e permite que o leitor compreenda a passagem do tempo e a evolução da família.

Apesar de casado, capitão Rodrigo Cambará não se acostuma com a vida pacata do vilarejo, entrega-se a bebida e passa a ter casos com outras mulheres. Bibiana suporta as dificuldades, é uma mulher forte que nunca se queixa de nada nem de ninguém. Após voltar da Guerra dos Farroupilhas, ou Guerra dos Farrapos, é assassinado durante uma invasão ao casarão do cel. Amaral, deixando Bibiana viúva e Bolívar órfão.


Por fim, dentre outros acontecimentos que fazem parte da história do país, Bolívar tem um filho chamado Licurgo Cambará que casa-se com sua prima Alice Terra. São pais de Toríbio Cambará e Rodrigo Cambará que dão continuidade aos próximos volumes do livro “O tempo e o vento”.


O primeiro volume de O Continente abre a trilogia. Erico mergulha no passado do Rio Grande do Sul e do Brasil em busca das raízes do presente. O país vive um momento de redescoberta de si e de redefinição de caminhos, com o fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, e o começo da Guerra Fria. Essa é a moldura para sua visão vertiginosa da violência e das paixões na definição da fronteira e nas guerras civis de seu estado natal. O Continente, segundo o crítico literário Antonio Candido "um dos grandes romances da literatura brasileira", lança o leitor em plena ação, durante o cerco das tropas federalistas ao Sobrado do republicano Licurgo Cambará, em 1895, para em seguida retroceder um século e meio e mostrar as origens míticas e históricas do clã Terra Cambará. Acompanhando a formação dessa família, Erico nos apresenta toda a saga.






O retrato

Em “O retrato”, continua a história da família Terra-Cambará em mais dois volumes. Agora com um novo Rodrigo Cambará, bisneto do capitão e ainda seguindo o modelo do homem gaúcho com gosto para as aventuras e pelas mulheres. Rodrigo formou-se em medicina em Porto Alegre e decide voltar a sua terra natal, Santa Fé, que aos poucos deixa de ser um povoado e vai se modernizando.





Com a cabeça para fora do vagão e achando um sabor ríspido e quase heroico em receber na cara o bafo do forno da soalheira e a poeira da estrada, Rodrigo ficou a pensar nas grandes coisas que pretendia fazer. Não se conformaria com ser um simples médico da roça, desses que enriquecem na clínica e acabam criando uma barriguinha imbecil. Não.


Acostumado com a vida na cidade, todo tempo compara a cidadezinha com Paris e outras grandes cidades, representando o homem da virada do século que deixa a realidade rústica e anseia a urbanização. Diferente de seu irmão Toríbio, que se interessa mais pelo campo, Dr. Rodrigo Cambará idealiza projetos de vida grandiosos baseados em sua vivencia na “civilização”. Lança um jornal na cidade que começa a ter influência na política.

Nesse volume, que passa entre a virada do século XIX para o século XX, o plano de fundo da história são os avanços tecnológicos, os progressos da civilização e as mudanças em relação ao poder.O horror moderno era o pavor da Vida e do Conhecido, o horror social causado pela violência e crueldade do homem contra o homem.


Depois da Primeira Guerra Mundial o medo da fome, do desemprego, da miséria e o medo do próprio medo haviam preparado o caminho para o Estado Totalitário. Este por sua vez industrializara e racionalizara o medo a fim de fortalecer-se, sobreviver e ampliar suas conquistas geográficas e psicológicas. Rodrigo Cambará torna-se um participante ativo das questões políticas e todo restante da narrativa ocorre em cima dos acontecimentos da época.


O Arquipélago


A terceira, e última parte do livro, é dividida em três volumes. Neste ponto, ocorre a desintegração de todos os costumes e valores tradicionais da família Terra-Cambará. Devido a atuação ativa de Dr. Rodrigo Cambará na política, parte da ação se passa no Rio de Janeiro, a capital do país na época, no qual ele é eleito deputado federal.


Personagens reais, como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Luís Carlos Prestes, participam da trajetória de Rodrigo Cambará mesclando ficção com realidade. Novamente, Dr. Rodrigo Cambará retorno a Santa Fé, ampliando o poder da família Cambará a âmbito nacional. Neste volume, o capítulo “Diário de Sílvia” tem a primeira narração feminina apresentando os personagens de “O tempo e o vento” sob um ângulo diferente.

Relatado em primeira pessoa por Silvia, noiva de Jango e apaixonada pelo cunhado Floriano, a personagem relembra sua trajetória desde a infância até o amor fracassado por Floriano. Por fim, Floriano Cambará decide escrever a história da família e inicia o conto com as primeiras palavras de “O continente”. Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado.






O autor narra a história do Rio Grande do Sul e do gaúcho desde a formação das Missões Jesuíticas nos séculos XVII e XVIII, passa pela Guerra dos Farroupilhas, século XIX e vai até a Revolução de 1930 no século XX com a ascensão do gaúcho Getúlio Vargas.



Fontes:

educamasibrasil.com.br
midialouca.com.br
google.com
sitedoescritor.com.br
institutoling.org.br
educacaoglobo.com
recantodasletras.com.br
beduka.com
blogdopedroeloi.com.br
brasilescola.uol.com.br
gauchazh.clicrbs.com.br

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Reis católicos da Espanha - Fernando e Isabel





O território espanhol já foi dividido por vários reinos cristãos e muçulmanos desde 711, quando o conquistador berbere Tãriq Ibn Ziyãd conseguiu estabelecer o primeiro território muçulmano na região, que posteriormente desenvolveu o domínio do Al-Andalus, que chegou a ocupar a maior parte da Península Ibérica. Pouco depois, em 718, teve início a longa Guerra da Reconquista, que representou os esforços dos cristãos pela expulsão dos chamados mouros, processo que se estendeu até 1492. 


No decorrer dos enfrentamentos e progresso da reconquista territorial, variados reinos foram formados como Leão, Castela, Navarra, Aragão e Portugal. As relações entre estas monarquias eram complexas, bastante influenciadas pelas condições da estrutura feudal, hierarquias de vassalagem e suserania entre os próprios reinos e pelas circunstâncias do equilíbrio de poder militar e dinástico.





Os Reis Católicos foram Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão. Casaram-se em 1469 e, quando Isabel herdou a coroa de Castela em 1474 e Fernando a coroa de Aragão em 1479, tornaram-se os primeiros soberanos de uma monarquia espanhola centralizada.

A monarquia dos Reis Católicos se sustentou em medidas institucionais que concentraram o poder nos monarcas e consolidaram a unidade religiosa mediante a expulsão ou conversão de judeus (1492) e muçulmanos (1502) e mediante a criação da Inquisição espanhola (1478).




Através da evolução da configuração territorial e política ibérica, os reinos de Castela e Aragão eram os mais destacados reinos hispânicos. Castela possuía era o mais poderoso deles, possuindo o maior território e mais numeroso contingente populacional, além de vultosa produção de riquezas através da atividade agrícola e considerável poder militar. O Reino de Aragão desenvolveu uma promissora atividade comercial e marítima através das rotas do Mediterrâneo. A aproximação entre os reinos era estratégica, assim, em 1469, uma aliança foi firmada através do casamento entre a princesa Isabel de Castela e o príncipe Fernando de Aragão, que eram primos. A articulação em torno do casamento evolveu interesses políticos para lidar com divergências palacianas e contou ainda com o envolvimento papal.


Isabel I de Castela nasceu em 1451, filha do rei João II em seu seguindo casamento com Isabel de Portugal. Sua coroação, em 1474, após uma conflituosa disputa dinástica após a morte de seu meio-irmão Henrique IV, contou com o interessado apoio da coroa de Aragão, pois favorecia ainda mais a aliança entre os dois reinos. Fernando II de Aragão, nascido em 1452, era filho de João II de Aragão e de sua segunda esposa, a nobre castelhana Joana Enríquez. Sua coroação como rei de Leão ocorreu em 1479, quando, enfim, Fernando e Isabel, consolidaram-se como governantes plenos da união entre as duas coroas.

A monarquia dual que foi estabelecida favoreceu a conclusão da Reconquista. O bem protegido Reino de Granada era o último reduto ocupado pelos islâmicos e a atuação das forças combinadas de Castela e Aragão conseguiu, finalmente, firmar sua vitoriosa ação em 1492, quando os Reis Católicos receberam as chaves da cidade de Granada, entregues pelo do sultão Boabdil e simbolizando o triunfo definitivo da prolongada luta pelo estabelecimento do domínio cristão na região ibérica. No mesmo ano, o Decreto de Alhambra determinou a expulsão dos judeus que recusassem a conversão cristã e posteriormente a mesma exigência foi imposta aos muçulmanos que ainda permaneciam no território dos reinos.






Grandes navegações

Igualmente, os soberanos financiaram a expedição de Cristóvão Colombo à América, ocorrida também em 1492.

A fim de garantir a paz com o Reino de Portugal, os soberanos assinaram vários acordos com o vizinho, especialmente o Tratado de Tordesilhas onde os limites do novo mundo foram estabelecidos.

Inquisição e expulsão dos judeus

Do mesmo modo, a expansão da religião católica foi um assunto importante para estes monarcas.

Com o objetivo de transformar todos os habitantes do reino em súditos, em 1492 foi proclamado o Decreto de Alhambra. Nele, se dizia que os judeus que viviam em Castela eram obrigados a escolher entre a conversão ou deixarem o território.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
hostoriablog.org
culturalespanhola.com.br
todamateria.com.br

terça-feira, 5 de maio de 2026

 


Batizados em pé, foi um título que os próprios judeus atribuíram a si mesmo. Eles preferiam a expulsão de Portugal à conversão ao Catolicismo. Foram arrastados paras as Igrejas e ali batizados em massa, num ato de violência e radicalização.

A história relata que, em 31 de março de 1492, os judeus foram expulsos da Espanha pelos reis católicos Ferdinando e Isabel. Mais de 100.000 judeus cruzaram a fronteira adentrando em Portugal, na esperança de livremente praticar suas crenças. Em 1496, Dom Manoel I, o Venturoso, se casou com a filha dos reis católicos da Espanha, na condição que Portugal também expulsasse os judeus. Dom Manoel I, interessado nos benefícios que a união das coroas traria, promulgou o decreto de expulsão em 5 de dezembro de 1496. Referindo-se ao aludido decreto, o historiador Arnold Wiznitzer destaca:


“Porém este decreto foi fraudulento em sua essência, pois o objetivo que visava não era a expulsão dos judeus e sim alcançar, mediante a força e artifícios, a conversão de aproximadamente 190 mil judeus residentes em Portugal, quase 20% da população total do país,”






Dom Manoel estabeleceu prazo (de janeiro a outubro de 1497) para que todo judeu passasse por um processo de conversão ao catolicismo, caso desejasse permanecer em Portugal. Em outubro do mesmo ano, Dom Manoel anunciou que disponibilizaria naus às margens do Rio Tejo que os levaria de volta ao seu país de origem, a Terra Santa. Porém, naquele dia nenhuma nau apareceu e aquela multidão foi obrigada à uma conversão forçada, sendo ali mesmo naquela praça onde foram batizados em pé.  Daí surgiu a expressão até hoje conhecida: “ficaram a ver navios.”.




A importância de cristãos-novos  na formação do Brasil ainda não é reconhecida. Mas essa situação está começando a mudar. “Os cristãos-novos estão aparecendo recentemente na literatura didática, de 2012 para cá.





Eles foram fundamentais, de fato. “Os cristãos-novos influenciaram a vida paulistana”, diz o historiador Marcelo Meira. “Eram alfabetizados, sabiam negociar e possuíam um caráter especial que resultou na conquista de novas terras.”


Os cristãos-novos, judeus convertidos forçadamente ao cristianismo, adotaram uma variedade de sobrenomes para evitar a perseguição da Inquisição. Muitos usavam sobrenomes comuns, como Silva, Costa, Rodrigues, Nunes e Lopes, já que não existia um sobrenome exclusivo para esse grupo. Outros escolhiam nomes relacionados à natureza (como Carvalho, Pereira, Leão e Pinheiro), acidentes geográficos (como Serra, Monte e Rios), cidades (como Miranda e Bragança) ou características físicas (Moreno e Branco).







Na própria expedição de Pedro Álvares Cabral já aparecem alguns judeus, dentre eles, Gaspar Lemos, (seu nome antes da conversão era Elias Lipner),Capitão-mor, que gozava de grande prestígio com o Rei D. Manuel. Podemos imaginar que tamanha alegria regressou Gaspar Lemos a Portugal, levando consigo esta boa nova: – descobria-se um paraíso, uma terra cheia de rios e montanhas, fauna e flora jamais vistos.


Gaspar de Lemos



Teria pensado consigo: não seria ela uma “terra escolhida” para meus irmãos hebreus? Esta imaginação começou a tornar-se realidade quando o judeu Fernando de Noronha, primeiro arrendatário do Brasil, demanda trazer um grande número de mão de obra para explorar seiscentas milhas da costa, construindo e guarnecendo fortalezas na obrigação de pagar uma taxa de arrendamento à coroa portuguesa a partir do terceiro ano. Assim, milhares e milhares de judeus fugindo da chamada “Santa Inquisição” e das perseguições do “Santo Ofício” de Roma, começaram a colonizar este país.


Afinal, os judeus ibéricos, como qualquer outro judeu da diáspora, procuravam um lugar tranquilo e seguro para ali se estabelecer, trabalhar, e criar sua família dignamente.


Muitos judeus, apesar de forçados a abraçar a fé católica, continuavam com seus ritos judaicos. Esse eram chamados de marranos, termo pejorativo derivado de um velho vocábulo latino que significava suíno.






Fontes:


novavega.pt
museudainquisicao.org.br
google.com
aventurasnahistoria.com.br
anussim.org.br
wikipedia.org



Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...