Batalha de Verdun
A Batalha de Verdun, ocorrida entre fevereiro e dezembro de 1916, foi um dos conflitos mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial, resultando em cerca de 700.000 baixas e simbolizando a resistência francesa. Suas consequências impactaram profundamente a estratégia militar, a cultura e a memória histórica, fazendo de Verdun um símbolo de heroísmo e sacrifício, cuja lembrança é preservada em monumentos e estudos até os dias atuais.
A Batalha de Verdun é frequentemente lembrada como um dos confrontos mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial.
Este território francês se tornou o cenário de um dos maiores embates da história militar, simbolizando a resistência e o sacrifício das forças francesas. A batalha não apenas moldou o destino da França, mas também teve reverberações profundas em todo o cenário europeu. Neste artigo, vamos analisar o contexto que levou a este combate devastador e suas consequências duradouras.
Desesperados por manter o prestigiado complexo fortificado de Verdun, os franceses implementaram um sistema de rotatividade de divisões na sua defesa, o que levou a que 75% do exército nacional combatesse nesta gigantesca contenda. Sendo a mais longa da Grande Guerra e uma das mais sangrentas, a Batalha de Verdun (fevereiro a dezembro de 1916) resultou, tal como tantos outros confrontos deste período, em centenas de milhares de baixas sem que daí adviessem ganhos estratégicos significativos para qualquer dos lados. A resistência francesa prevaleceu, deixando a Alemanha num estado de tal exaustão, tanto em recursos humanos como em material bélico, que esta se viu incapacitada de lançar outra ofensiva de grande envergadura até 1918.
As unidades de infantaria do Quinto Exército Alemão, compostas por cerca de um milhão de homens, avançaram então ao longo de uma frente de 13 km (8 milhas) que acompanhava o curso do rio Mosa. Os atacantes introduziram uma nova e terrível arma no campo de batalha: o lança-chamas. Inicialmente, a ofensiva progrediu com sucesso, avançando 5,6 km (3,5 milhas) — uma distância considerável, dado o carácter tipicamente estático da Frente Ocidental. Os comandantes franceses, confrontados com a escassez de munições e de mantimentos, viram-se obrigados a reagrupar as suas enfraquecidas forças. A retirada estratégica para sul implicou o abandono da planície de Woëvre ao inimigo. Contudo, o golpe mais severo, sobretudo em termos de prestígio, foi a perda do Forte Douaumont, a 25 de fevereiro.
A magnitude do avanço alemão e o êxito inicial da sua ofensiva colocavam a própria cidade de Verdun, fundamental para toda a batalha, sob uma ameaça iminente. Perante este cenário crítico, o Marechal Joseph Joffre(1852-1931), comandante-chefe do exército francês, tomou medidas drásticas ao nomear o General Philippe Pétain (1856-1951) como o novo comandante do sector da frente. Embora os sistemas de trincheiras francesas tivessem já sido neutralizados em grande parte, Pétain recebeu ordens categóricas para manter a defesa de Verdun a todo o custo. Isto ocorria apesar de, do ponto de vista tático, ser teoricamente preferível recuar para o terreno florestal adjacente, cujas características naturais favoreceriam uma postura defensiva atrás do saliente. Pétain revelou-se uma escolha acertada: era um comandante que, embora pragmático quanto às perdas operacionais, fora sempre um fervoroso defensor da primazia da defesa sobre a ofensiva. Se existia um general capaz de salvar a França naquele momento, esse homem era Pétain.
O mesmo general Philippe Pétain, foi acusado de traição na Segunda Guerra Mundial, devido a um acordo com a Alemanha Nazista que dividiu a França, criando a França de Vichy.
Os piores combates ocorreram nas Colinas 304 e Le Mort Homme (o Homem Morto), que finalmente caíram em poder dos alemães em junho. O máximo avanço alemão em julho chegou a quatro quilômetros de distância de Verdun, mas as perdas eram enormes e dois fatos levaram à interrupção da ofensiva alemã: um deles foi a ofensiva britânica na frente do Rio Somme, em 1º de julho, para aliviar a pressão alemã sobre Verdun; e o outro, e não menos importante, foi o início da Ofensiva Brusilov em 4 de junho na frente oriental, principalmente contra as defesas austro-húngaras na Galícia (atual oeste da Ucrânia). Estas entraram em colapso, forçando os alemães a enviar oito divisões (aproximadamente 90.000 soldados) para a frente oriental para ajudar seus aliados. Dessa maneira, indiretamente, os russos conseguiram ajudar os franceses a frear a ofensiva alemã, sendo este último fato menosprezado no Ocidente por razões óbvias, o que mereceria um artigo à parte.
Diante dessa situação, em 26 de setembro, Falkenhayn foi substituído pelo marechal Paul Von Hindenburg, que em agosto já havia ordenado o fim da ofensiva na frente de batalha. Em setembro, os alemães passaram à defensiva, e os franceses contra-atacaram com ofensivas limitadas, mas bem-sucedidas, recuperando as posições perdidas na segunda linha. Em outubro, recuperaram Douaumont. Do lado francês, o general Robert Nivelle assumiu o comando e lançou as ofensivas de 19 de novembro e 9 de dezembro, onde recuperaram a maioria das posições perdidas da primeira linha. Desta vez, os avanços da infantaria foram precedidos por uma barreira de fogo de artilharia que protegeu o ataque da infantaria, permitindo assim uma menor quantidade de baixas até a chegada às linhas inimigas.
Verdun foi a batalha mais prolongada da Primeira Guerra Mundial, durou de 21 de fevereiro a 9 de dezembro de 1916. Os alemães empregaram um total de 40 divisões e sofreram aproximadamente 335.000 baixas, enquanto os franceses utilizaram 70 divisões e tiveram cerca de 377.000 baixas. O principal objetivo alemão de conseguir a rendição da França não foi alcançado, e as Potências Centrais tiveram que continuar combatendo nas frentes ocidental e oriental com menos recursos e reservas. Foi um ponto de inflexão para a Alemanha e o início do fim do Império Alemão.
Fontes:
fatosmilitares.com
woeldhistory.org
velhogeneral.com.br
wikipedia.org
google.com