Em 2 de julho a Bahia comemora sua independência.
A Independência da Bahia é um movimento que se insere no contexto da Independência do Brasil, no começo da década de 1820. A insatisfação com Portugal existia em algumas partes da Colônia, mas ainda não era generalizada, e havia regiões leais à autoridade portuguesa.
Além disso, não existia uma consciência nacional, isto é, um senso de identificação dos colonos enquanto brasileiros ainda muito bem definida. Exemplos disso foram os dois movimentos separatistas que aconteceram em Minas Gerais e Bahia no final do século XVIII, por exemplo.
Salvador, capital da Província da Bahia e uma das cidades mais importantes do Reino do Brasil, parte do então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, aderiu à Revolução Liberal do Porto, de 1820 e, com a convocação das Cortes Gerais em Lisboa, em janeiro do ano seguinte, envia deputados como Miguel Calmon du Pin e Almeida na defesa dos interesses locais. Divide-se a cidade em vários partidos, o liberal unindo mesmo portugueses e brasileiros, interessados em manter a condição conquistada com a vinda da Corte para o país de Reino Unido, e os lusitanos interessados na volta ao estado de antes. Dividem-se os interesses, acirram-se os ânimos: de um lado, portugueses interessados em manter a província como colônia, e do outro, brasileiros, liberais, conservadores, monarquistas e até republicanos se unem, finalmente, no interesse comum de uma luta que já se fazia ao longo de quase um ano, e que somente se faz unificada com a própria Independência do Brasil a partir de 14 de junho de 1822, quando é feita na Câmara da vila de Santo Amaro da Purificação a proclamação que pregava a unidade nacional, e reconhecia a autoridade de Pedro I.
Embora antecedida pela Convenção de Beriberi e pelas reações ao Dia do Fico, a luta pela Independência na Bahia veio antes da independência brasileira, e só concretizou-se quase um ano depois do 7 de setembro de 1822: ao contrário da pacífica proclamação às margens do riacho do Ipiranga, só ao custo de muitas vidas e batalhas por terra e mar emancipou-se de Portugal, de tal modo que seu Hino afirma ter o Sol que nasceu ao 2 de julho brilhado mais que o primeiro.
A Revolução do Porto (1820) teve enorme repercussão na Bahia, onde era grande o número de portugueses. Com o retorno de D. João VI a Portugal (abril de 1821), permanecendo no Rio de Janeiro, D. Pedro como príncipe-regente, aceleraram-se os conflitos entre brasileiros e portugueses. Em novembro de 1821, soldados portugueses saíram pelas ruas de Salvador, atacando soldados brasileiros, num confronto corporal na Praça da Piedade, registrando-se mortos e feridos. A população, temerosa, afastou-se da capital buscando refúgio nos sítios do Recôncavo. Em 11 de fevereiro de 1822, chegou a notícia da nomeação do português Madeira de Melo como comandante das armas da província baiana. Ele substituiria o brigadeiro Manuel Pedro favorável aos brasileiros e tinha a missão de submeter o povo baiano às ordens de Portugal. O conflito estava armado. As tropas portuguesas percorriam as ruas, fazendo provocações, inspecionando as fortificações, desafiando as guarnições de maioria nacional.
As tropas portuguesas percorriam as ruas, fazendo provocações, inspecionando as fortificações, desafiando as guarnições de maioria nacional. Na madrugada do dia 19 tiros foram disparados do Forte de São Pedro para onde acorreram as tropas portuguesas. Salvador transformou-se numa praça de guerra, e confrontos violentos ocorreram nas Mercês, na Praça da Piedade e no Campo da Pólvora. As tropas portuguesas tomaram o quartel, atacaram casas e invadiram o Convento da Lapa onde alguns revoltosos tinham se refugiado, vindo a assassinar a sua abadessa, Sóror Joana Angélica (19 de fevereiro de 1822). Restava tomar o Forte de São Pedro. Madeira de Melo preparou-se para bombardear a fortificação — uma das poucas inteiramente em terra, no centro da cidade. No dia seguinte, o forte rendeu-se, evitando-se o derramamento de sangue.
O brigadeiro Manuel Pedro foi preso e enviado a Lisboa. As tensões continuaram. Os brasileiros ainda na capital reagiram com pedradas às ações militares de Madeira de Melo e, na procissão de São José (21 de março de 1822), os portugueses foram apedrejados.
Depois de uma luta acirrada finalmente em 2 de julho de 1823, Madeira de Melo derrotado, mas sem se render formalmente, embarcou com o que restava de suas tropas de volta a Portugal. Por isso essa data é considerada como a da independência da Bahia.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
ensinarhistoria.com.br
brasilescola.uol.com.br