terça-feira, 24 de fevereiro de 2026


Incêndio da Vila Socó


O incêndio na Vila Socó foi um incêndio de grandes proporções que atingiu a favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984. O número oficial de mortos é de 93 pessoas, o que é contestado.




Antecedentes


A Vila Socó, que ficava à margem da via Anchieta sobre uma faixa de mangue de aproximadamente 2 000 m x 80 m, tinha pouco mais de 6 mil habitantes distribuídos em cerca de seiscentos barracos, segundo dados de autoridades na época. Por outro lados, sobreviventes estimaram em até 12 mil o número de moradores e entre 1 200 e 2 500 a quantidade de barracos que compunham a favela. Boa parte da favela era sustentada por palafitas fincadas por quase todo o mangue. Os barracos eram ladeados por pontes (ou passarelas) de madeira, construídas para a circulação dos moradores.


Incêndio:




O incêndio foi causado por vazamento de combustíveis de oleodutos que ligavam a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) ao terminal portuário da Alemoa.


Pouco antes do incêndio, 700 mil litros de gasolina vazaram de um duto de uma refinaria da Petrobrás localizada próximo à região, o que contribuiu para seu início. Não se sabe se o fogo foi causado por uma faísca de um fósforo ou um curto-circuito.





Relatos da época dizem que alguns moradores armazenaram em suas casas garrafas com gasolina, que acabaram contribuindo para que o incêndio ficasse fora de controle. O produto se espalhou sob as palafitas com a movimentação das marés e cerca de duas horas depois do vazamento, aconteceu a ignição seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as moradias de madeira.





O incêndio começou por volta da meia noite, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984, na favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo. Um dos primeiros bombeiros a chegar ao local foi o coronel reformado da Polícia Militar, José Marques Trovão Neto, que comentou que não tinha ideia da dimensão do incêndio, onde viu "muita tristeza": "Os moradores nos procuravam para irmos até os barracos deles e nós íamos até lá e estavam mulheres, crianças, bebês todos carbonizados. Foi muito triste". O fogo atingiu 1,2 mil barracos, matando 93 pessoas e deixando 3 mil desabrigadas, segundo dados oficiais.



Investigação


O acidente teve destaque em toda a imprensa. Investigações posteriores confirmaram que uma falha de comunicação entre um funcionário da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e uma das pessoas responsáveis pela operação de um dos terminais da estatal, localizado no Porto de Santos, foi a provável causa do incêndio, Naquele dia, seria transferida uma grande quantidade de gasolina para o terminal, interligado com a refinaria por dutos que passavam debaixo da favela. Tempo antes do desastre, quando milhares de litros de gasolina começavam a ser transportados por um dos dutos, estava totalmente fechada uma válvula do terminal, que deveria estar aberta para receber o combustível. Isso possivelmente causou uma forte pressão no duto, culminando no seu rompimento e, consequentemente, no vazamento de cerca de 700 mil litros de gasolina, que se espalharam rapidamente pelas lamas do mangue. Assim, em poucos instantes, um fogaréu se alastrou por toda a favela. Também não foi descartada a hipótese de má conservação dos dutos, construídos nos anos 40, e sem manutenção há anos.









Com relação ao socorro às vítimas, houve um fator agravante: ao ser alertada por moradores logo no início do incêndio, a Petrobras declarou que não poderia tomar nenhuma decisão até a chegada de seu engenheiro responsável, que residia em Santos. Segundo um tenente da Polícia Militar, que coordenava os socorros na favela, a espera de mais de uma hora pela chegada do profissional complicou ainda mais os trabalhos de busca. A atitude da Petrobras foi classificada como de negligência.












Os números oficiais do incêndio são de 93 mortos, conforme apuração da Polícia Militar. Entretanto, são contestados por entidades e testemunhas que vivenciaram o episódio. Segundo eles, o número de vítimas poderia chegar a quatrocentos, já que informações paralelas às oficiais relatavam que mais de trezentas pessoas, em sua maioria crianças, desapareceram após a tragédia.


Como informou, Dojival Vieira dos Santos, advogado e na época vereador, hoje membro da Comissão da Verdade da OAB de Cubatão (CVOC), relatou o encontro que teve naquela ocasião com moradores da Vila Socó, os quais afirmaram que o número de mortos era muito maior do que o divulgado.








Ele informou ainda que, segundo sobrevivente que trabalhou no resgate dos corpos, de três a quatro corpos eram colocados em cada caixão. "Isso confirma o que dissemos ao longo desses 30 anos: de fato houve a manipulação do número de mortos para reduzir o impacto da tragédia. Ou seja, o número de mortos foi muito maior, mas ninguém foi punido", esclarece Vieira.


Segundo documentos inéditos obtidos pelo Jornal da Band em 2014, o número total de vítimas fatais pode ser de 508.


O pior é que tragédia como essa geram grande impacto e indignação na época, mas depois ficam esquecidas e não servem nem para prevenir outras tragédias.







Oito funcionários da empresa foram condenados em primeira instância e absolvidos depois de recursos. Em junho de 2014, a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo reabriu o caso para apurar responsabilidades de dirigentes da Petrobras e da Prefeitura Municipal de Cubatão.


As péssimas condições ambientais da cidade, com níveis extremos de poluição do ar, da água e do solo, transformaram-na em símbolo mundial de degradação do meio ambiente. Em setembro de 1984, seria decretado estado de emergência ambiental no município, o primeiro caso no Brasil.






Fontes:


www.sindipetrolp.org.br
www.al.sp.gov.br
wikipedia.org
google.com
memorialdademocracia.com.br


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026



Hoje vamos falar do ator e dramaturgo Plínio Marcos de Barros, paulista, nascido em Santos em 29 de setembro de 1935.






Vindo de uma família modesta, ele só concluiu o curso primário.
Trabalhou como funileiro (lanterneiro), serviu na Aeronáutica e chegou a ter uma passagem na Portuguesa Santista, como jogador de futebol, mas foi no circo que encontrou a sua paixão.

Incentivado pela jornalista e escritora Patricia Rehder Galvão, a Pagu, começou a atuar no teatro amador, ainda em Santos.

Baseado num fato real de curra numa cadeia de Santos, ele escreveu a sua primeira peça em 1958, "Barrela", que ficou censurada até a abertura democrática de 1979.




Sua linguagem era dura e crua, retratando o dia a dia dos menos favorecidos da periferia das cidades, dos bordéis e cabarés.
Seu texto mostrava as agruras, os medos e a maneira de sobreviver dessas pessoas que viviam invisíveis à sociedade.






Plínio Marcos - sítio oficial





Em 1960 foi para a cidade de São Paulo. Entrou para a Companhia Cacilda Becker, montou várias peças. Seus personagens, quase invariavelmente, eram mendigos, vagabundos, delinquentes, e prostitutas. Plínio usava uma linguagem característica do submundo. Durante o regime militar, implantado em 1964, suas obras foram muito censuradas.
Plínio Marcos participou da novela Beto Rockfeller, escreveu para os jornais Folha de São Paulo, Última hora, Folha da Tarde e para as revistas Veja, Pasquim, Opinião, entre outras. Escreveu vários livros. Suas obras foram publicadas e encenadas em vários países.


Suas peças mais conhecidas são :

Dois perdidos numa noite suja (1966), que conta a história de Paco e Tonho amigos que dividem um quarto em uma hospedaria barata e durante o dia trabalham no mercado, como carregadores. As personagens mantêm uma relação conflituosa, e sempre estão discutindo sobre suas vidas, trabalho e perspectivas. O tema da marginalidade permeia todo o texto, ficando muito próximo de outros trabalhos do autor, como Navalha na carne. Tonho se lamenta por não possuir um par de sapatos decente, fator que considera diretamente ligado a sua condição de pobreza. Ele inveja o seu companheiro de quarto, Paco, por possuir bom par de sapatos e este, vive a provocar Tonho chamando-o de homossexual, mesmo considerando-o parceiro. Paco, que no passado havia trabalhado como flautista, certa noite, teve sua flauta roubada num momento de embriaguez. Por fim, na tentativa de dar mais dignidade as suas vidas, ambos são compelidos à realização de um ato criminoso, que culmina com o assassinato trágico de Paco pelas mãos de Tonho.


A primeira montagem da peça aconteceu no Bar Ponto de Encontro na Galeria Metrópole em São Paulo, e teve como personagens o próprio Plínio Marcos como Paco e Ademir Rocha como Tonho.


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A peça virou filme em 2002 com Roberto Bontempo e Débora Falabella.


Uma de suas peças mais famosas é Navalha na Carne de 1967.
Levada aos palcos pela primeira vez em São Paulo, em 1967, em campanha para liberação do texto pela censura capitaneada por Walmor Chagas e Cacilda Becker, o elenco da montagem original era formado por Edgard Gurgel Aranha, Ruthneia de Moraes e Paulo Villaça, com direção de Jairo Arco e Flexa. Ganharia ainda mais repercussão a partir da montagem carioca, dirigida no mesmo ano por Fauzi Arap e com Tônia Carrero, Emiliano Queirós e Nelson Xavier no elenco. Logo o texto foi censurado pela ditadura militar, e só pôde ser encenado 13 anos depois.







Navalha na carne é um exemplar da dramaturgia de Plínio Marcos que se mantém como um clássico pela crueza dos diálogos desta fatia de realidade, na qual três excluídos vivem um jogo de dominação que reproduz a miséria moral de injustiças sociais que sofrem. A prostituta, o seu protetor e um homossexual dividem o espaço emocional da sua marginalidade no confinamento de um bordel ordinário em que cada um explora o outro, num círculo de medo, desprezo e violência e desesperada solidão.


A peça também virou filme em 1969, com Jece Valadão e Emiliano Queirós e novamente em 1997, com participações de Vera Fisher, Jorge Perrugoria, Érica Collare. Direção Neville d` Almeida.




Navalha na carne de 1969 - Jece Valadão e Emiliano Queirós






Ele foi um dos autores mais censurados no período da ditadura. Plínio não se furtava a dar a sua opinião, mesmo sabendo que isso poderia prejudicá-lo profissionalmente.
Ele falava a linguagem do oprimido, do marginal, dos invisíveis para a sociedade.


Plínio Marcos morreu em 19 de novembro de 1999, em São Paulo, vítima de um derrame cerebral. Ele também tinha diabetes. Seu corpo foi cremado no cemitério de Vila Alpina e suas cinzas jogadas no mar de Santos.




Fontes:
ebiografia.com
wikipedia.org
youtube.com
google.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Dando sequência as postagens de grandes dramaturgos brasileiros, hoje vamos falar, da poetisa, escritora e dramaturga Hilda Hilst.





Hilda Hilst (1930-2004) foi uma poetisa, cronista, dramaturga e ficcionista brasileira. Fez parte da “Geração de 45” que buscava a reabilitação de regras mais rígidas para a composição do verso. Foi considerada uma das maiores escritoras do século XX.


Hilda de Almeida Prado Hilst, conhecida como Hilda Hilst nasceu em Jaú, São Paulo, no dia 21 de abril de 1930. Filha de Apolônio de Almeida Prado Hilst fazendeiro de café e jornalista, e de Bedecilda Vaz Cardoso, imigrante portuguesa. Em 1932, após a separação dos pais, mudou-se com a mãe para a cidade de Santos. Em 1937 vai morar em São Paulo, capital. Cursa o primário e o ginasial no internato do Colégio Santa Marcelina. Em 1947, conclui o secundário no Instituto Presbiteriano Mackenzie. Em 1948, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.


Hilda teve uma carreira literária muito profícua, especialmente na poesia e na prosa, mas sua produção na dramaturgia também foi grande. Escreveu peças como :


A Possessa - 1967.
O rato no muro - 1967.
O visitante - 1968.
Auto da Barca de Camiri - 1968.
O novo sistema - 1968.
Aves da Noite - 1968.
O verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta)
A morte de patriarca - 1969

Peça - Aves da noite



Sua obra dramatúrgica abrange oito peças escritas no breve período de 1967 a 1969, quando já se dedicava inteiramente à literatura. Os textos ecoam o espírito da época – principalmente a experiência das ditaduras militares que tomaram a América Latina. Em “O rato no muro”, de 1967, em um convento isolado, as freiras são chamadas não por nomes, mas por letras, e vivem um dia a dia de culpabilização e penitência. A autoridade da madre superiora reina suprema, até que a irmã H resolve questionar o status quo e promover o diálogo. Já “O auto da barca de Camiri”, escrita no ano seguinte, propõe uma alegoria sobre a justiça, com a encenação kafkiana do julgamento de um herói popular, inspirado na figura histórica de Che Guevara. Enfim toda a pungência dramática da autora disponível aos leitores brasileiros."


O rato no muro

O Auto da barca do Camiri




Hilda Hilst era culta, de personalidade marcante e temperamento transgressor que ia de encontro aos costumes da época. Fez parte da geração da poesia brasileira que foi denominada “Geração de 45”, que reagiu contra o prosaico e o supérfluo. Entendiam os poetas que as conquistas dos modernistas de 22 deveriam ser abandonadas.


Hilda Hilst rompe com o bom tom clássico literário, uma vez que nada é passivo em seus textos. A poesia de Hilda Hilst passeia por temas como solidão, morte, amor, a loucura, o misticismo e o amor erótico. Enigmática, mística, dona de um texto, na maioria das vezes, estranho, instigante, é capaz de surpreender o leitor.





A escritora Hilda Hilst morreu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2004, aos 73 anos, em Campinas (interior de São Paulo). Internada havia 35 dias no Hospital das Clínicas da Unicamp para a realização de uma cirurgia, após sofrer uma queda que causou uma fratura no fêmur, a escritora tinha deficiência crônica cardíaca e pulmonar, o que agravou seu quadro clínico. Hilda Hilst deu entrada no Hospital das Clínicas no dia primeiro de janeiro. A escritora teve falência múltipla de órgãos e sistemas.




Fontes:

wikipedia.org
ebiografia.com
google.com
blog.mackenzie.br
escariz.com.br


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

  

Quarta-feira de cinzas.




Quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da quaresma, e as cinzas utilizadas nas missas católicas de cinzas são os ramos queimados do último domingo de ramos, misturada com água benta, que é passada com sinal da cruz na testa dos devotos, para lembrar-lhes que vieram do pó e para o pó retornarão.


Depois do carnaval (carne vale) vem o período de abstinência, ou depois do pecado o arrependimento, isso é claro se você for cristão.







Serve também para o devoto fazer uma reflexão sobre sua vida, seus valores, e reafirmar seus votos com a fé cristã.


Na verdade, há muito tempo, que a quarta-feira de cinzas não é mais resguardada como era antes.


Os bailes de carnaval no país inteiro terminavam meia-noite da terça-feira gorda, e depois por quarenta dias (quaresma), nas rádios só eram tocadas músicas sacras, e muitos devotos faziam jejum de carne na quarta-feira de cinzas e em todas as sextas-feiras da quaresma. Quando eu era criança, durante toda a quaresma só se ouviam músicas instrumentais nas rádios.


Os tempos agora são outros, não quer dizer que são mais certos ou errados, só que o tempo passas e os costumes com ele.






Manuel Bandeira escreveu um poema de quarta-feira de cinzas:




Poema de uma quarta-feira de cinzas




Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça...


O seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa...
indiferente a tais ataques,

Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça...


Manuel Bandeira
(do livro Carnaval, 1919)





Marcha da quarta-feira de cinzas
compositores:
Vinícius de Moraes e Carlos Lyra




Fontes:


wikipedia.org.
youtube.com.br
significados.com.br/quaresma
google.com





terça-feira, 17 de fevereiro de 2026



Terça-feira Gorda.






Mardi Gras




Tradicionalmente, durante a Quaresma, os católicos praticantes limitam o consumo de carne e às vezes de outros alimentos também. Esse costume, conhecido como abstinência, é um modo de lembrar os sacrifícios que Jesus fez pelas pessoas. Em certos dias da Quaresma, a Igreja prescreve o jejum, que na prática consiste em fazer refeições frugais, isto é, extremamente simples e pequenas. Na Terça-Feira Gorda, ou Terça-Feira de Carnaval, muitos fiéis que seguem essas tradições aproveitam para consumir tudo o que não será permitido durante os quarenta dias seguintes.


Em vários países, a Terça-Feira de Carnaval tem o nome de Mardi Gras, que em francês significa “Terça-Feira Gorda”. Em alguns lugares, as festividades do Mardi Gras podem começar vários dias antes da própria terça-feira; nesses lugares, o nome Mardi Gras é usado para designar o período inteiro do Carnaval. O Mardi Gras mais conhecido ocorre em Nova Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos.




Celebração extravagante, o carnaval é o símbolo da terça-feira gorda. Essa palavra vem do latim "carnevale", derivação de "carnelevare", que faz referência direta à privação de carne e à chegada da quaresma.










Na Bíblia, o número quarenta é frequentemente citado, para representar períodos de 40 dias ou 40 anos, que antecedem ou marcaram fatos importantes. Alguns exemplos mais conhecidos são:


40 dias de dilúvio da Arca de Noé;
40 dias de Moisés no Monte Sinai;
40 dias de Jesus no deserto, antes do início do seu ministério;
40 anos de peregrinação do povo de Israel no deserto.


Daí vem a quaresma e a quarentena


Quarentena vem do italiano quarentena. A história nasceu há muito tempo. No século 14, a peste bubônica matou mais de um terço da população da Europa. Na época, pouco se sabia sobre a doença. O governo de Veneza, temendo que o mal viesse do mar, determinou que todas as embarcações ficassem isoladas durante 40 dias antes do desembarque dos passageiros.


Por que 40 dias? Ninguém sabe. Mas há palpites. Uns falam na influência da quaresma — período de 40 dias em que os católicos jejuam e fazem penitências. Outros, nos 40 dias que Jesus passou no deserto antes de ser tentado pelo demônio. Há quem lembre o pós-parto, tempo em que a mãe recebia cuidados especiais durante 40 dias; outros ainda ligam ao período de gestação plena de 39 a 40 semanas.



Quase uma instituição em cidades como Veneza, Colônia ou Rio, o carnaval pode durar vários dias ou até várias semanas de acordo com a região. É costume desfilar fantasiado nas ruas e, mesmo em países laicos como a França, esse costume ainda permanece.



Veneza



Época de transgressão por excelência, o carnaval tem homens travestidos de mulheres, pobres de ricos e vice-versa. Bem mais que uma simples celebração religiosa, a festa da terça-feira gorda tem um papel de alegria, juntando a população em festividades inesquecíveis.














Fontes:


escolabrittanica.com.br
ohmymag.com.br
blogs.correiobraziliense.com.br
significados.com
google.com

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026



O Carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Porém, o carnaval não é uma invenção brasileira nem tampouco realizado apenas neste país. A História do Carnaval remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.



A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.








Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.






O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.


O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.


As associações entre o carnaval e as orgias podem ainda se relacionar às festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.




Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças.








Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.








Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não via com bons olhos as festas. Nessa concepção do cristianismo, havia a crítica da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o demônio.






A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.


Durante os carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.


Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a commedia dell'arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca.








A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.






Fontes:
wikipedia.org
brasilescola.uol.com.br
google.com.br

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Gianfrancesco Guarnieri





Nasceu em Milão, Itália, em 6 de agosto de 1934, filho de músicos antifascistas.  Seus pais, o maestro Edoardo Guarnieri e a harpista Elsa Martinenghi, decidiram mudar para o Brasil em 1936, se estabelecendo no Rio de Janeiro. No início dos anos 1950, a família se mudou para São Paulo. Líder estudantil desde a adolescência, Guarnieri começou a fazer teatro amador com Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) e um grupo de estudantes de São Paulo. Em 1955, criaram o Teatro Paulista do Estudante, com orientação de Ruggero Jacobbi. No ano seguinte, o TPE uniu-se ao Teatro de Arena, fundado e dirigido por José Renato.




Estreou como dramaturgo com a peça Eles Não Usam Black-Tie (1958), encenada pelo Teatro de Arena, e participou das produções do grupo também como autor, tornando-se sócio-proprietário.


Eugênio Kusnet, Milton Gonçalves e Lélia Abramo
Eles não usam black tie - 1958

A peça foi levada ao cinema em 1981. Com Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Bete Mendes e Carlos Alberto Ricelli, dirigido por Leon Hirszman.



 


Tratava-se de um teatro político que, com o golpe de 1964, se tornou alvo preferencial da repressão. Foi a linguagem alegórica que viabilizou seu teatro de resistência durante a ditadura, período em que escreveu montagens musicais como Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, além de Um Grito Parado no Ar, peça reflexiva, que colocava em cheque o próprio fazer teatral. Também escreveu Ponto de Partida, que relatava de maneira alegórica a morte do jornalista Vladimir Herzog, o que só passou pela censura porque o espetáculo era ambientado em uma aldeia medieval. A carreira de Guarnieri incluiu ainda atuações na televisão e no cinema.

As peças de Guarnieri renderam muitas parcerias musicais. Entre as músicas que compôs, algumas se tornaram sucessos da música popular brasileira, como "Upa Neguinho" e "Marta Saré", em parceria com Edu Lobo, e "Mesa de Bar" e "Um Grito Parado no Ar", que compôs com Toquinho.

A música "Upa, Neguinho", composta por Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, foi feita para a peça de teatro "Arena Conta Zumbi". A Peça: Estreada em 1965 pelo Teatro de Arena de São Paulo, a obra foi escrita por Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, com música de Edu Lobo.

Contexto: A peça narra a história do líder quilombola Zumbi dos Palmares, e a música servia, inicialmente, como um dos números musicais da montagem.

Sucesso: Embora tenha nascido no teatro, a canção ganhou enorme projeção na voz de Elis Regina, que a popularizou no álbum "Dois na Bossa nº 2" (1966) e em suas apresentações internacionais, incluindo o Olympia de Paris


Upa Neguinho



Guarnieri passou a trabalhar na televisão em 1967, atuando na telenovela "À Hora Marcada", da TV Tupi. Desde então, participou de várias telenovelas, seriados e minisséries,
sobretudo na Rede Globo, e escreveu inúmeros textos para o teatro. Foi secretário municipal de Cultura de São Paulo entre 1984 e 1986.

Desde 2001 sofria de insuficiência renal crônica. Morreu em 22 de julho de 2006 de complicações gerais decorrentes da doença, depois de uma internação de 49 dias. Deixou cinco filhos e sete netos.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
memoriasdaditadura.org.br
educacao.uol.com.br
itaucultural.org.br

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...