quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 

Continuando com o tema verbos, hoje iremos falar das conjugações verbais e dos verbos regulares.


Os verbos são divididos em três conjugações:


1ª conjugação são os verbos terminados em "ar"

Exs: amar, cantar, andar, amarrar


2ª conjugação são os verbos terminados em "er" e também os terminados em "or"

Exs: ver, ler, vender, querer, por, compor, propor, repor.


3ª conjugação são os verbos terminados em "ir"
Exs: fingir, rir, pedir, mentir.


Verbos Regulares


Os verbos regulares são aqueles que utilizam sempre a mesma desinência quando conjugados na mesma pessoa e tempo. Ou seja a terminação (desinência) de suas conjugações são sempre a mesma.


Exs:

Verbos: cantar, amar, falar

Presente do Indicativo


Eu canto amo falo
tu cantas amas falas
ele/ela canta ama fala
Nós cantamos amamos falamos
Vós cantais amais falais
Eles/elas cantam amam falam


Notem que a terminação (desinência) são sempre as mesmas. 

Assim também no particípio, e no futuro, no Indicativo e no Subjuntivo.


O radical dos verbos regulares também não sofrem alteração independente da pessoa em que é conjugado.


Verbo cantar; radical cant, verbo amar; radical am, verbo falar; radical fal.


Assim é também com os verbos na segunda e terceira conjugações;




Verbo vender – Modo Indicativo


Indicativo


Presente

euvendo
tuvendes
elevende
nósvendemos
vósvendeis
elesvendem


Pretérito Imperfeito

euvendia
tuvendias
elevendia
nósvendíamos
vósvendíeis
elesvendiam


Pretérito Perfeito

euvendi
tuvendeste
elevendeu
nósvendemos
vósvendestes
elesvenderam



Modo Subjuntivo:



Subjuntivo

Presente

que eu venda
que tu vendas
que ele venda
que nós vendamos
que vós vendais
que eles vendam


Pretérito Imperfeito

se eu vendesse
se tu vendesses
se ele vendesse
se nós vendêssemos
se vós vendêsseis
se eles vendessem


Futuro

quando eu vender
quando tu venderes
quando ele vender
quando nós vendermos
quando vós venderdes
quando eles venderem





Conjugação do verbo regular partir: (radical part-)

Modo indicativoPresente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem
Pretérito perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, partiram.
Pretérito imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, partíeis, partiam.
Pretérito mais-que-perfeito: partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram.
Futuro do presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, partireis, partirão.
Futuro do pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, partiríeis, partiriam.
Em breve falaremos dos verbos irregulares.




Fontes:

escolakids.uol.com.br/
todamateria.com.br/verbos-regulares
infoescola.com/portugues
conjugaçao.com.br

terça-feira, 13 de outubro de 2026



Hoje vamos falar de verbos defectivos e abundantes.


VERBOS DEFECTIVOS:




Vejamos abaixo a definição:


Pode-se dizer que os VERBOS DEFECTIVOS tem comportamento contrário ao dos verbos abundantes, pois enquanto estes apresentam mais de uma forma verbal para representar um mesmo modo, tempo e pessoa, aqueles apresentam uma ausência de algumas formas verbais, ou seja, não possuem determinadas formas conjugadas.




Vejamos os exemplos:


Verbo PARTIR (regular, 3ª conjugação, conjugado no presente do indicativo)

EU - parto
TU - partes
ELE - parte
NÓS - partimos
VÓS - partis
ELES - partem



Verbo ABOLIR (irregular, 3ª conjugação, defectivo, conjugado no presente do indicativo)
EU - ???
TU - aboles
ELE - abole
NÓS - abolimos
VÓS - abolis
ELES - abolem





Verbo COMER (regular, 2ª conjugação, conjugado no presente do indicativo)

EU - como
TU - comes
ELE - come
NÓS - comemos
VÓS - comeis
ELES - comem



Verbo REAVER (irregular, 3ª conjugação, defectivo, conjugado no presente do indicativo)
EU - ???
TU - ???
ELE - ???
NÓS - reavemos
VÓS - reaveis
ELES - ???












Os verbos defectivos impessoais não têm sujeito. Além dos verbos que manifestam fenômenos naturais, o verbo haver (no sentido de existir) e o verbo fazer (no sentido de tempo decorrido) são verbos impessoais e, assim, são normalmente conjugados na 3.ª pessoa do singular.


Exemplos:


Anoitece mais tarde no verão.


Trovejou durante todo o dia.


Venta muito naquela cidade.


Portanto o correto é: Houve muita gente na festa. e NÃO houveram muita gente...


O correto é: Faz muitos anos que não vou à São Paulo, e NÃO Fazem muitos anos....




Os VERBOS ABUNDANTES são um dos tipos de verbos irregulares existentes na língua portuguesa. Como o próprio nome já diz, os verbos irregulares são aqueles que se diferenciam dos demais verbos pois não seguem regularmente as conjugações a que pertencem. Ou se diferenciam nas terminações, como é o caso dos verbos anômalos, ou não apresentam alguma forma verbal como é o caso dos verbos defectivos, ou podem ser, ainda, VERBOS ABUNDANTES, ou seja, apresentam mais de uma palavra correspondente à mesma forma verbal.


DEFINIÇÃO:




VERBOS ABUNDANTES são aqueles verbos irregulares que apresentam mais de uma forma de conjugação, ou seja, apresentam duas ou mais formas equivalentes para o mesmo tempo e pessoa.
A incidência de verbos abundantes se dá especialmente na forma do particípio do verbo, pois temos dois tipos de particípio, um com a forma regular, ou seja, com as terminações ADO, IDO, ADA e IDA, e um com a forma irregular, ou seja, com terminações diferentes destas previstas.










Na Nova ortografia da Língua Portuguesa




Vejamos alguns exemplos de verbos que possuem duas formas no particípio, ou seja, VERBOS ABUNDANTES:


ENCHER - enchido, cheio
FIXAR - fixado, fixo
CORRIGIR - corrigido, correto
ACENDER - acendido, aceso
ACEITAR - aceitado, aceito
ELEGER - elegido, eleito
ENTREGAR - entregado, entregue
EXTINGUIR - extinguido, extinto
FRITAR - fritado, frito
EXPELIR - expelido, expulso
LIMPAR - limpado, limpo
MATAR - matado, morto




Fontes:

infoescola.com/portugues
google.com
portugues.com.br
todamateria.com.br

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Em 12 de Outubro de 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo descobriu o Continente Americano,






Colombo não sabia que havia chegado à América, já que esse continente era desconhecido dos europeus. A meta do navegador era atingir as Índias (Oriente), objetivo que julgou ter alcançado ao chegar a esse outro mundo. Mas em 1504, o navegador italiano, Américo Vespúcio, afirmou ser este um novo mundo, que ganhava, em sua homenagem, o nome de América.

O impacto de tal acontecimento não foi percebido logo de imediato, mas seus desdobramentos foram tão grandes que provocaram profundas e irreversíveis mudanças na ordem mundial. Como afirma o historiador mexicano Edmundo O’Gorman, os europeus inventaram a América à sua imagem e semelhança. Até aquela data, acreditava-se que o mundo estava dividido em três grandes partes: Europa, Ásia e África, desiguais em extensão e distintas em “índole”. Essa divisão foi elevada a uma categoria de conceito místico-geográfico, pois a Igreja Católica vinculou seu significado ao do Mistério da Santíssima Trindade e a outras alegorias referentes à perfeição do número três. Com a “descoberta” da América, esse preceito sofreu reformulações: nasceu e se firmou a ideia de que as novas terras formavam um conjunto unitário, a quarta parte, o Novo Mundo.



Geograficamente, o território foi sendo incorporado ao globo, passando a integrar os mapas do século xvi. Mas, no cenário da História do Ocidente, a América era apresentada como lugar onde havia um vazio original, diferentemente das outras três porções do mundo que estavam preenchidas por um saber histórico tradicional. A América, no plano histórico, tinha apenas futuro, ou melhor, possibilidades a serem desenvolvidas, sob o olhar europeu. A noção de História Universal implícita nessa perspectiva admitia a coexistência de um Velho e um Novo mundos como distintos modos de ser na História.

Essa distinção supunha a elaboração da concepção de que os primeiros habitantes daquela parte do mundo, denominados de indígenas, não tinham História – para a qual só “entrariam” com a ajuda e direção dos europeus. Seu vasto território passava a “existir” apenas depois da “descoberta”. Portanto, a data de 12 de outubro de 1492 consagrou-se como o “início oficial” da História da América.

Com o intuito de chegar às Índias e incrementar o comércio de especiarias, principalmente ; cravo e nós moscada, Colombo bateu à porta de vários reinos europeus, até seu projeto ser financiado pelos reis católicos da Espanha, Fernão de Aragão e Isabel de Castela.



A bordo da nau principal Santa Maria, junto com as caravelas, Pinta e Niña, Colombo percorreu o Oceano Atlântico por dois meses até aportar em 
Guanahani, ilha renomeada de San Salvador (atual Bahamas).







Colombo realizou quatro viagens à América entre 1492 e 1504. Na primeira, aportou em uma ilha das Bahamas, chamada pelos nativos de Guanahani, à qual deu o nome de São Salvador. Explorou, posteriormente, parte das atuais ilhas de Cuba e do Haiti. Nas outras viagens chegou a Martinica, Guadalupe, Porto Rico e Jamaica, atingiu a costa da Venezuela e navegou pelas costas da América Central.











À “descoberta” de Colombo sucedeu-se a conquista da América. Depois da exploração das Antilhas, os conquistadores espanhóis empreenderam expedições ao continente e dominaram os povos aí situados, com particular destaque para as duas grandes sociedades organizadas politicamente, a dos mexicas (astecas), na Mesoamérica, e a dos incas, na região andina. O encontro e o choque entre os ocidentais e os primeiros habitantes da América foram marcados por uma intensa violência, cujo saldo foi o submetimento das populações indígenas ao trabalho forçado, quando não à dizimação completa de diferentes grupos e etnias, pelas guerras, pelas epidemias e pelos maus-tratos.

Além do mais forçaram os povos originários a absorverem a língua, cultura e religião dos povos descobridores, algo tido como uma violação dos costumes e crenças locais.



É importante ressaltar que os povos indígenas e os primeiros agrupamentos humanos já haviam chegado às Américas há pelo menos 23.000 anos, se espalhando em diferentes culturas e impérios do Sul ao Norte. Logo, dizer que os europeus “descobriram a América” pode ser considerado um equívoco; embora seja possível se considerar que descobriram como uma região que desconheciam até então.


Hoje 12 de outubro comemora-se o descobrimento da América.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
todamateria.com.br
brasilescola.uol.com.br
aventurasnahistoria.com.br
seusaber.com.br

quarta-feira, 7 de outubro de 2026



No dia 7 de outubro de 1934. A Ação Integralista Brasileira (AIB) havia marcado para aquele dia um comício em comemoração aos dois anos do Manifesto Integralista e, tão logo souberam dessa intenção, os antifascistas da capital paulista se organizaram para impedir a realização do evento. Ainda que sem uma direção centralizada, todas as forças da esquerda paulista participaram do conflito, que resultou em sete mortos — sendo eles um estudante antifascista, três integralistas, dois agentes policiais e um guarda civil — e cerca de trinta feridos.









Para as esquerdas, esse evento tornou-se um símbolo da luta antifascista e contra os elementos reacionários da política nacional. Combinada com identificação do corpo do jovem militante Tobias Warchavski, a Batalha da Praça da Sé detonou uma campanha política contra a política repressora do governo de Getúlio Vargas que se combinou com o sentimento antifascista, impulsionando um movimento mais geral contra a "reação" e apontando para a formação de uma frente ampla progressista, o que seria concretizado com a formação da Aliança Nacional Libertadora (ANL).

Contexto

A década de 1930 foi marcada por uma radicalização política, em decorrência da crise do liberalismo após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, a chamada quinta-feira negra. A ascensão do fascismo e a radicalização dos movimentos comunistas tiveram reverberações no Brasil, em meio ao contexto marcado pelo funcionamento da Assembleia Nacional Constituinte entre 1933 e 1934. A crise ideológica e política do liberalismo transformou-se no Brasil numa questão política não apenas para as elites econômicas e políticas, mas também para as classes médias e trabalhadores, que buscavam alternativas ao liberalismo pela direita, com o fascismo, e pela esquerda, com o socialismo e o comunismo. Na prática, esse debate sofreu a concorrência do confronto entre o fascismo e o antifascismo.




Embora fascismo e antifascismo se confrontassem no país já desde a década de 1920, foi com a criação da Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1932 que a disputa passou a integrar os temas políticos nacionais. Da mesma forma, as organizações de esquerda se preocupavam em criar organizações para combater o fascismo, como o Comitê Antiguerreiro, liderado pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), o Comitê Antifascista, articulado pelos anarquistas em torno da Federação Operária de São Paulo (FOSP) e a Frente Única Antifascista (FUA), organizada pelos trotskistas da Liga Comunista (LC) e pelos militantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) paulista. Assim, a AIB e as esquerdas disputavam a atenção das massas urbanas e organizavam eventos que procuravam superar em magnitude os dos concorrentes, logo partindo para o conflito aberto.




No dia 23 de março de 1933, os integralistas, tendo à frente Plínio Salgado, realizaram sua primeira “Marcha sobre São Paulo”, seguindo o modelo do fascismo italiano.

O integralismo diferenciava-se, contudo, do nazismo por não apoiar o racismo, tendo por slogan a “união de todas as raças e todos os povos”. Contudo, alguns de seus integrantes, como Gustavo Barroso tinham opiniões antissemitas. Como símbolo, a AIB tinha uma bandeira azul com um disco branco e, no centro, a letra grega sigma maiúscula (Σ). A saudação integralista era “Anauê”, palavra indígena, usada pelos nhambiquaras do Mato Grosso e pelos escoteiros brasileiros na década de 1920.



Integralistas feridos


O grosso dos integralistas fugiu logo no início do conflito. Uma testemunha descreveu a cena: “Despiam as camisas mesmo correndo. Naquela capital do inferno em que se transformara a Praça da Sé, desabusada e corajosamente, rindo, um antifascista, Vitalino, carroceiro, dono de um ferro-velho, divertia-se, ajudando-os a despi-las. Tempos depois se vangloriava de possuir, como recordação, em sua casa, mais de uma dúzia delas, guardadas como troféus de um momento histórico”. Diante desta fuga desorganizada, ironizou o humorista Barão de Itararé: “Um integralista não corre, voa”.



Fontes:

ensinarhistoria.com,br
wikipedia.org
google.com
dialogosdosul.operamundi.com.br
integralismo.org.br

segunda-feira, 5 de outubro de 2026



Vamos falar hoje de outra obra clássica de Júlio Verne, "Viagem ao centro da Terra".







Viagem ao Centro Da Terra (em língua francesa: Voyage au Centre de la Terre) é um livro de ficção científica, de autoria do escritor francês Júlio Verne, lançado em 1864 e considerado como um dos clássicos do gênero.









Em 1863, pleno século XIX, o renomado cientista e professor de geologia e mineralogia alemão, Otto Lidenbrock, após ter encontrado um manuscrito escrito em código único pelo antigo alquimista islandês do século XVI, Arne Saknussemm, e de o ter decifrado, ele descobre que, segundo o alquimista, quem desce a cratera do vulcão Sneffels, situado na Islândia, antes do início de julho, se chega ao centro da Terra; sendo que Saknussemm teria feito esse percurso.







Capítulo I





"A 24 de maio de 1863, um domingo, meu tio, o professor Lidenbrock, voltou precipitadamente para sua casinha no número 19 da Königstrasse, uma das ruas mais antigas do velho bairro de Hamburgo. A boa Marthe deve ter achado que estava muito atrasada, pois o jantar mal começara a chiar no fogão da cozinha. "Bem", pensei, "se estiver com fome, meu tio, que é o mais impaciente dos homens, vai dar gritos de aflição". - O senhor Lidenbrock já chegou! - exclamou Marthe, estupefata, entreabrindo a porta da sala de jantar. - Já, Marthe; mas o jantar tem o direito de não estar pronto, pois não são nem duas horas. Acabou de dar a meia hora em São Miguel".




Eufórico e meio aturdido com a descoberta do manuscrito de Saknnussemm, ele corre para casa para empreender a mais incrível aventura já realizada, a viagem ao centro da Terra.




Repousou cuidadosamente em sua mesa um pedaço de pergaminho de cinco polegadas de comprimento e três de largura, no qual se distribuíam em linhas transversais caracteres ilegíveis. Aqui está seu fac-símile exato. Faço questão de apresentar esses sinais estranhos, pois levaram o professor Lidenbrock e seu sobrinho à expedição mais estranha do século XIX:


öx.ö,l,ööh öhö,tntö ö,ör:rrlblö h dThh'YP ntö.Y.Ylö'F!ö ITbööö T! 1ö' I ötö t11öÞ YT öh ö Ibö ö1ö öTn öö ö, . I, h Y,ö r ö r r b ,öör I .r .r n T n r F ö,ö t,T n bTö Iö r kh.öI Bk YtbIlI

O professor considerou por alguns instantes a série de caracteres; depois disse, erguendo seus óculos: - É rúnico; esses tipos são idênticos aos do manuscrito de Snorre Turleson! Mas... o que será que tudo isso significa? Como eu acreditava ser o rúnico uma invenção dos cientistas para ludibriar o pobre mundo, não fiquei aborrecido com o fato de meu tio não entender nada. Pelo menos é o que parecia pelo movimento de seus dedos, que começavam a tremer muito. - Mas é islandês antigo! - murmurava entre os dentes.









Assim que consegue ler o pergaminho, o geólogo ordena que Axel prepare duas malas, uma para cada um. A travessia dura em torno de dez dias e, quando os dois chegam à Islândia, vão à procura de alguém que possa ajudá-los a encontrar a trilha.






Para tanto, tio e sobrinho contam com as contribuições de um guia local chamado Hans, que levará os dois à aldeia de Stapi, o caminho tão ansiado. O percurso será feito com quatro cavalos, uma série de instrumentos (termômetro, manômetro, bússolas) e terá início no dia 16 de junho.


O trabalho empreendido anos antes por Arne Saknusemm os ajuda a escolher o percurso correto. Quando avistam a cratera do Sneffels, sem saberem para onde ir, o tio identifica a pista de Arne:






"— Axel, venha correndo! — dizia num tom de espanto e alegria.


Corri para perto dele, que apontava para um rochedo colocado no centro da cratera. A evidência tomou conta de mim. Na face ocidental do bloco, em caracteres rúnicos semirroídos pelo tempo, estava escrito: Arne Saknussemm".








E usando lâmpadas portáteis - como os mineiros - que os três personagens ingressam no centro da Terra e sobrevivem a uma série de aventuras.


Os três, fascinados com as descobertas, atravessam florestas de cogumelos, poços, corredores estreitos e chegam a testemunhar monstros pré-históricos. Uma realidade inimaginável, de tirar o fôlego.






A aventura mágica infelizmente termina antes do esperado, quando um dos vulcões, situado em Stromboli (na Sicília, Itália), atira os três integrantes para fora da Terra. Surpreendentemente nem Lidenbrock, nem Axel, nem Hans sofrem qualquer ferimento.





Vulcão Stromboli - Itália






"Eis a conclusão de uma narrativa na qual as pessoas mais habituadas a não se surpreender com nada acreditarão. Mas armei-me antecipadamente contra a incredulidade humana. Fomos recebidos pelos pescadores de Stromboli com todas as atenções devidas aos náufragos. Deram-nos roupas e víveres. Após uma espera de quarenta e oito horas, a 31 de agosto, uma pequena speronare conduziu-nos a Messina, onde nos recuperamos com alguns dias de descanso. Na sexta-feira, 4 de setembro, embarcávamos no Volturne, um dos navios-correio das empresas de transportes imperiais da França, e, três dias depois, estávamos em Marselha, com uma única preocupação: a da maldita bússola. O fato inexplicável não parava de atormentar-me. A 9 de setembro à noite, chegávamos a Hamburgo. Renuncio a descrever o estupor de Marthe e a alegria de Grauben".






Trata-se, é claro, de um livro de ficção científica que graças a genialidade de Júlio Verne, mistura a realidade com a alegoria.


No livro "Viagem ao Centro da Terra", o escritor francês Júlio Verne narra a aventura do professor e geólogo alemão Otto Lidenbrock, que ao descer em um vulcão na Islândia chegou ao centro do nosso planeta. No mundo real, uma viagem do tipo seria bem diferente. No livro, Lidenbrock e seu grupo descobriram um mundo paralelo e fantástico, onde animais como os dinossauros ainda existiam. Acabaram emergindo da aventura em um outro vulcão, localizado na Itália.


Mas na realidade, é bem provável que a jornada durasse só poucos quilômetros. E só encontraríamos dinossauros se cruzássemos com alguma ossada desses habitantes terrestres do passado. Mal passamos da casca Até hoje, a maior profundidade já atingida por um ser humano foi de 10,9 km. A marca foi obtida em 23 de janeiro de 1960 por um submersível, uma pequena embarcação mais resistente à pressão do que um submarino convencional. Em seu interior estavam um oceanógrafo suíço, Jacques Piccard, e um tenente da Marinha dos Estados Unidos, Donald Walsh. A aventura aconteceu na Fossa das Marianas, o ponto mapeado mais profundo do oceano —próximo dos 11 km de profundidade.


Uma viagem dessas teria de levar em consideração outros fatores como pressão atmosférica e o calor. A pressão no centro do planeta poderia chegar a 3, 6 milhões de atm, ao nível do mar essa pressão é de 1 atm. Qualquer coisa submetida a essa pressão seria esmagada.





O calor é outro fator, calcula-se que a 670 km de profundidade o calor já beirasse a marca de 1.700 °C, ou seja seríamos cozinhados.


Cálculos feitos por cientistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) apontam que a temperatura do núcleo do planeta seja de cerca de 4.530 ºC —ainda que um estudo publicado em 2013 indique que essa temperatura pode chegar próxima dos 6.000 ºC.


Mesmo assim vale muito a pena ler o livro. Ele cativa por seu suspense, sua aventura que certamente os deixarão ligados a cada página. Desde que, como aconteceu comigo, uma amigo não venha estragar a leitura te contando o final. Mesmo assim já li o livro outras duas vezes.


A obra foi levada ao cinema em 1959, dirigido por Henry Levy e em 2008 com direção de Eric Brevig.





Viagem ao centro da Terra 1959 - com Pat Boone, James Mason, Arlene Dahl e Diane Baker




Viagem ao centro da Terra - 2008 - com Brendan Fraser, Josh Hutherson e Anita Briem


O sucesso do livro se manifestou num século em que as descobertas ampliaram o conhecimento e a valorização dos estudos da ciência, popularizando assim as obras deste novo estilo literário. No caso de Verne, as principais influências vieram da dramaticidade de Victor Hugo e das fantasias de Edgar Allan Poe, este último reconhecido como a maior fonte de inspiração.








Fontes:
wikipedia.org
google.com
memoria.ebc.com.br
culturagenial.com
youtube.com
revisas.ufpr.com
uol.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 

Mário de Andrade





Pioneiro, Mário de Andrade foi autor do livro de poemas Pauliceia Desvairada, inaugural da primeira fase do Modernismo.




Além de escrever ficção, o intelectual também foi crítico de arte em jornais e revistas. Polivalente, amante da música, Mário chegou igualmente a dar aulas particulares de piano.


Em termos literários, a sua maior criação foi provavelmente o romance Macunaíma (1928), que chegou a ser mais tarde adaptado para o cinema. Já nessa produção, vemos uma característica fundamental do autor: Mário procurava uma linguagem nacional, queria conhecer a fundo a cultura de cada região do país e valorizar a nossa terra.




“Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.
Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante.
Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé.




Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
— Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!”
(trecho sobre a questão racial no Brasil)




Mário de Andrade (1893-1945) foi um escritor brasileiro. Publicou "Pauliceia Desvairada" o primeiro livro de poemas da Primeira Fase do Modernismo. Além de poeta, foi romancista, contista, crítico literário, professor e pesquisador de manifestações musicais e excelente folclorista.


Mário se interessava por tudo aquilo que dissesse respeito ao seu país, e teve papel importante na implantação do Modernismo no Brasil se tornado a figura mais importante da Geração de 22. Seu romance "Macunaíma" foi sua maior criação.




Mário Raul de Morais Andrade nasceu na Rua da Aurora, em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1893. Filho do Dr. Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa, concluiu o ginásio e entrou para a Escola de Comércio Alves Penteado.

Depois de se desentender com o professor de português, abandonou o curso. Em 1911 ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e passava nove horas do dia estudando. O resto do tempo, lia tudo o que lhe interessava.

Em 1917, ano da morte de seu pai, concluiu o curso de piano no Conservatório. Passou a dar aulas particulares de piano. Frequentador das rodas literárias, conheceu Oswald de Andrade e Anita Malfatti, de quem se tornou amigo inseparável. Mais tarde, romperia sua longa amizade com Oswald, quando este insistiu em piadas sobre sua sexualidade.



Foi um dos mais importantes poetas do movimento. Foi um incentivador das principais revista do modernismo na fase polêmica de afirmação do movimento, como Klaxon, Estética, Terra Roxa e outras.

Meses após a semana de 1922 (13/02 a 17/02), Mário de Andrade publicou Pauliceia Desvairada, na qual reuniu seus primeiros poemas modernistas, na tentativa de definir e animar os novos caminhos para a criação artística brasileira.

No prefácio de Pauliceia Desvairada ele diz:

“Quando sinto a impulsão lírica, escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo.”

Pauliceia Desvairada é uma obra cosmopolita na linguagem e nos temas. Mário poetiza São Paulo em suas múltiplas manifestações: o progresso, a transformação da paisagem, o já visível domínio econômico dos imigrantes sobre as tradicionais famílias da burguesia da cidade, sempre envolta em garoa.


Na rua Aurora eu nasci


Na rua Aurora eu nasci
na aurora de minha vida
E numa aurora cresci.

no largo do Paiçandu
Sonhei, foi luta renhida,


Fiquei pobre e me vi nu.

nesta rua Lopes Chaves
Envelheço, e envergonhado
nem sei quem foi Lopes Chaves.

Mamãe! me dá essa lua,
Ser esquecido e ignorado
Como esses nomes da rua.




No período que se estendeu de 1935 a 1938, Mário realizou uma importante ação cultural. Convidado por Paulo Duarte, organizou e dirigiu o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, construiu bibliotecas, fixas e ambulantes, redigiu o anteprojeto para a criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional etc.

Com o advento da ditadura no governo de Getúlio Vargas, Mário de Andrade foi demitido e exilou-se no Rio de Janeiro. Tornou-se professor de Filosofia e História da Arte da Universidade Federal. Em 1939 foi nomeado chefe da seção do Instituto Nacional do Livro.

Em 1940 voltou para São Paulo e trabalhou no serviço do Patrimônio Histórico. Viveu com grande angústia os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

Mário de Andrade faleceu em São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 1945, vítima de um ataque cardíaco. A Biblioteca Mário de Andrade, fundada em 1925, é hoje a Biblioteca Municipal de São Paulo. A casa onde viveu o escritor entre os anos de 1921 e 1945, foi tombada em 1975, e hoje abriga um museu em homenagem ao escritor.



Casa onde residiu Mário de Andrade - Rua Lopes Chaves
Barra Funda



Fontes:

wikipedia.org
google.com
culturagenial.com
ebiografia.com
saopaulo.com.br

 ¨Hoje mesmo - respondeu Phileas Fogg. - Muito bem - acrescentou, consultando o seu calendário de bolso - , como hoje é 2 de outubro, devo estar de volta em 21 de dezembro.¨




Assim começa a aposta de ¨Volta ao mundo em 80 dias¨ Escrito pelo francês Jules Verne e publicado em volume em 1873, o romance combina aventura, humor, geografia e avanços tecnológicos do século XIX. Mais do que narrar uma corrida contra o relógio, a obra mostra como a viagem transforma um homem inicialmente frio e preso à rotina.

Após a aposta de 20.000 libras, Fogg vai para casa na Saville Row, 7  - Burlington Gardens. 




Lá encontra seu recém contratado empregado,  Passepartout e comunica a viagem intempestiva.





Pegam um trem para o sul da Europa e, de lá, um vapor para Suez, na África. 

No filme dirigido por Michael Anderson e John Farrow de 1956, estrelado por David Niven, Cantinflas e Shirley McLain, eles fazem o percurso de balão até a França e por engano vão parar na Espanha.




No seu encalço, entretanto, segue um detective inglês, convicto de que havia sido Fogg quem roubara o banco londrino. O detective Fix segue-os até Suez, possessão inglesa, à espera de um mandado de prisão para Phileas Fogg, a fim de garantir uma recompensa oferecida pela polícia inglesa. O mandado não chega e Fix é obrigado a segui-los até que consiga a ordem de prisão. Fogg e Passepartout pegam outro navio em Suez com destino a Bombaim, cidade na costa oeste da Índia. Fix continua a segui-los de perto, crente de que fora Fogg quem roubara aquele banco.

Já em Bombaim, os dois pegam um trem para Calcutá, na costa leste indiana. Surge um imprevisto, porém: a ferrovia estava inacabada. Tiveram, então, que descer na metade do caminho e improvisar um segundo meio de transporte até chegar ao outro ponto da rede, onde haveria outro trem. Fogg, um homem mais que remediado, compra para si um elefante, e seguem viagem. Um guia é contratado para levá-los selva adentro até alcançarem a outra parte da ferrovia. No caminho, presenciam um estranho ritual nativo que lhes dá calafrios: uma bela mulher era carregada para ser queimada viva junto ao corpo do marido, já morto. Tinham o costume de que, se o marido morresse, a mulher deveria morrer junto. Fogg, incrédulo, não podia acreditar em tal façanha. Como estava algumas horas adiantado no seu intento, decide dar meia volta e resgatar a moça. Passepartout finge que é o cadáver e entra no caixão. Na hora do ritual, levanta de seu leito fúnebre e carrega a donzela nos braços, provocando arrepios nos que assistiam à cerimônia. Assim, eles resgatam a moça, Aouda, e conseguem fugir.






Chegam por fim a Calcutá, junto com Aouda, que tem os mesmos hábitos ingleses que Fogg e lhes jura a mais eterna gratidão. De lá partem para Hong Kong em um navio, ainda seguidos por Fix, ansioso por pegá-los. Em Hong Kong, Fix leva Passepartout a um bar da cidade e decide contar a razão de os estar seguindo. Conta também que está tramando atrasar a viagem deles para que o mandado de prisão finalmente chegue e ele consiga prender Fogg. Passepartout, fiel ao seu patrão, não acredita em uma só palavra do detective e Fix deixa o pobre francês embriagado. Fogg acaba por perder o navio que os levaria a Yokohama, no Japão. Passepartout, desorientado, embarca para Yokohama, mas deixando seu amo para trás. O cavalheiro não se faz de vencido e aluga um barco para levar a senhorita Aouda, Fix (o qual pensa ser um amigo) e ele para o porto de Xangai, na China. Lá, conseguem pegar um outro navio para Yokohama.

Passepartout, faminto e derrotado, passa a trabalhar em um circo de Yokohama, que depois iria para os EUA. Seu objetivo era terminar a viagem para seu amo. Por acaso, Fogg assiste ao espetáculo de que Passepartout participava. Felizes por se reencontrarem, continuam a viagem. Pegam outro navio e seguem para São Francisco, Estados Unidos.

Em território estadunidense, já não há como o detetive prender Fogg, uma vez que se encontram fora de área sob jurisdição inglesa, e portanto Passepartout permite que este continue a viagem com os três, sem contar nada a seu amo. Em São Francisco os quatro pegam um trem para Nova Iorque, na recém-inaugurada ferrovia que corta os EUA de oeste a leste. No meio do caminho um bando de índios Sioux ataca o trem e leva Passepartout como refém. Seu dedicado amo não pensa duas vezes ao ir resgatá-lo e prosseguir viagem. Chegam atrasados a Nova Iorque, tendo perdido o navio que partira de lá para Liverpool, mas Fogg consegue alugar outro navio que os levaria até a costa inglesa. Quando chegam ao Reino Unido, ainda em tempo de Fogg ganhar a aposta, Fix consegue prendê-lo.



Detetive Fix






Descobre-se, entretanto, que o verdadeiro ladrão já havia sido preso há três dias, e após algumas horas Fogg é solto. Partem em correria os três, Fogg, Passepartout e Aouda, para Londres, mas chegam cinco minutos atrasados e nem passam pela frente do clube. Fogg, no outro dia, profundamente abatido, vai conversar com Aouda, e ela acaba pedindo-o em casamento. Passepartout vai correndo para a igreja marcar a cerimônia para o dia seguinte. Ao chegar lá, percebe que, ao contornar o mundo indo sempre para leste, Fogg ganhara um dia de vantagem, o que não havia notado. Ainda havia tempo para ganhar a aposta! Seus colegas o esperavam no salão no Clube reformador no horário combinado, quando Phileas Fogg chega, e ganha a aposta.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
escritoradesucesso.com.br
verne.garmtdevries.nl/en/london/
Verne, Julio - Volta ao mundo em 80 dias - trad. Therezinha Monteiro Deutch - Nova Cultural - SP

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