terça-feira, 11 de agosto de 2026



Regência:


Dá-se o nome de regência à relação de subordinação que ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus complementos.


Existem diversas palavras e especialmente diversos verbos que precisam de um complemento para terem sentido. No caso das preposições que complementam esse sentido elas devem ser específicas para cada caso.


Exemplos:


Cheguei ao metrô, ou cheguei no metrô.


Uma primeira análise parece que as duas frases querem dizer a mesma coisa, mas reparem:


Chegar a algum lugar (no caso no metrô) indica que você chegou ao destino desejado. Já chegar no metrô, indica o meio de transporte que você utilizou para chegar ao destino desejado.


Cheguei “em” ou “a”



A frase a seguir é muito usada, tanto na comunicação falada quanto na escrita: “Cheguei tarde em casa”


Mas, segundo as regras gramaticais de regência verbal, o verbo chegar, ao indicar destino, não admite a preposição em. Verbos que indicam movimento (como “ir”, “vir”, “voltar”, “chegar”, “comparecer”, “dirigir-se”) admitem três preposições:


DE: quando a circunstância apresentada for de procedência.

Ex.: Cheguei de São Paulo ontem.


A: quando a circunstância for de destino. Ex.: Cheguei a Londrina ontem.


PARA: também quando a circunstância for de destino, porém na indicação de mudança definitiva. Então, quando se informa “Irei a São Paulo”, com sentido de “irei, mas voltarei em breve”.


Com base na explicação acima apresentada, pode-se concluir que a versão correta é “cheguei tarde a casa”, e não “em” como a maior parte das pessoas fala/escreve.






1- Chegar/ ir – deve ser introduzido pela preposição “a” e não pela preposição “em”.
Exemplos:


Vou ao dentista.
Cheguei a Belo Horizonte.


2- Morar/ residir – normalmente vêm introduzidos pela preposição “em”.
Exemplos:


Ele mora em São Paulo.
Maria reside em Santa Catarina.


3- Namorar – não se usa com preposição.


Ex.: Joana namora Antônio.


4- Obedecer/desobedecer – exigem a preposição “a”.
Exemplos:


As crianças obedecem aos pais.
O aluno desobedeceu ao professor.


5-Simpatizar/ antipatizar – exigem a preposição “com”.
Exemplos:


Simpatizo com Lúcio.
Antipatizo com meu professor de História.


Dicas:

Estes verbos não são pronominais, portanto, determinadas construções são consideradas erradas quando tais verbos aparecem acompanhados de pronome oblíquo.

Exemplos:


Simpatizo-me com Lúcio.
Antipatizo-me com meu professor de História.


6- Preferir - este verbo exige dois complementos, sendo que um é usado sem preposição, e o outro com a preposição “a”.


Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica.


Dicas:
Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo reforçado pelas expressões ou palavras: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, etc.


Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica.


Verbos que apresentam mais de uma regência


1 - Aspirar


a - no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição.
Ex.: Aspirou o ar puro da manhã.


b - no sentido de almejar, pretender: exige a preposição “a”.
Ex.: Esta era a vida a que aspirava.


2 - Assistir


a - no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se sem preposição.

Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos.


b - no sentido de ver, presenciar: exige a preposição “a”.
Ex.: Não assistimos ao show.


c - no sentido de caber, pertencer: exige a preposição “a”.

Ex.: Assiste ao homem tal direito.


d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a preposição “em”.
Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.


3 - Esquecer/lembrar


a - Quando não forem pronominais: são usados sem preposição.
Ex.: Esqueci o nome dela.


b - Quando forem pronominais: são regidos pela preposição “de”.
Ex.: Lembrei-me do nome de todos.


4 - Visar


a - no sentido de mirar: usa-se sem preposição.
Ex.: Disparou o tiro visando o alvo.


b - no sentido de dar visto: usa-se sem preposição.
Ex.: Visaram os documentos.


c - no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição “a”.
Ex.: Viso a uma situação melhor.


5 - Querer


a - no sentido de desejar: usa-se sem preposição.
Ex.: Quero viajar hoje.


b - no sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição “a”.
Ex.: Quero muito aos meus amigos.


6 - Proceder


a - no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Ex.: Suas queixas não procedem.


b - no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição “de”.
Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo.


c - no sentido de dar início, executar: usa-se a preposição “a”.
Ex.: Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.


7 - Pagar/ perdoar


a - se tem por complemento uma palavra que denote algo: não exige preposição.
Ex.: Ela pagou a conta do restaurante.


b - se tem por complemento uma palavra que denote pessoa: é regido pela preposição “a”.
Ex.: Perdoou a todos.


8 - Informar


a - no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas construções:


1 - objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido pelas preposições “de” ou “sobre”).
Ex.: Informou todos do ocorrido.


2 - objeto indireto de pessoa (regido pela preposição “a”) e direto de coisa.
Ex.: Informou a todos o ocorrido.


9 - Implicar


a - no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Ex.: Esta decisão implicará sérias consequências.


b - no sentido de envolver, comprometer: usa-se com dois complementos, um direto e um indireto com a preposição “em”.
Ex.: Implicou o negociante no crime.


c - no sentido de antipatizar: é regido pela preposição “com”.
Ex.: Implica com ela todo o tempo.


10 - Custar


a - no sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela preposição “a”.
Ex.: Custou ao aluno entender o problema.


b - no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição.
Ex.: O carro custou-me todas as economias.


c - no sentido de ter valor de, ter o preço: usa-se sem preposição.
Ex.: Imóveis custam caro.



Fontes:
portugues.com.br
soportugues.com.br
guiadoestudante.abril.com.br

segunda-feira, 10 de agosto de 2026



Hoje vamos falar de Preposição.




Preposição é a palavra invariável que liga dois termos da oração numa relação de subordinação donde, geralmente, o segundo termo subordina o primeiro.


Tipos e Exemplos de Preposições:


Preposição de lugar: O navio veio de São Paulo.

Preposição de modo: Os prisioneiros eram colocados em fila.

Preposição de tempo: Por dois anos ele viveu aqui.

Preposição de distância: A cinco quilômetros daqui passa uma estrada.

Preposição de causa: Com a seca, o gado começou a morrer.

Preposição de instrumento: Ele cortou a árvore com o machado.

Preposição de finalidade: A praça foi enfeitada para a festa.


Classificação das Preposições


As preposições podem ser divididas em dois grupos:


Preposições Essenciais – são as palavras que só funcionam como preposição, a saber: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.


Preposições Acidentais – são as palavras de outras classes gramaticais que, em certas frases funcionam como preposição, a saber: afora, como, conforme, consoante, durante, exceto, mediante, menos, salvo, segundo, visto etc.


Locuções Prepositivas


A locução prepositiva é formada por duas ou mais palavras com o valor de preposição, sempre terminando por uma preposição, por exemplo:


abaixo de, acima de, a fim de, além de, antes de, até a, depois de, ao invés de, ao lado de, em que pese a, à custa de, em via de, à volta com, defronte de, a par de, perto de, por causa de, através de, etc.
Combinação, Contração e Crase


Importante notar que, algumas preposições podem aparecer combinadas com outras palavras. Assim, quando na junção dos termos não houver perda de elementos fonéticos, teremos uma combinação, por exemplo:

ao (a + o)
aos (a + os)
aonde (a + onde


Por conseguinte, quando da junção da preposição com outra palavra houver perda fonética, teremos a chamada contração, por exemplo:

do (de + o)
dum (de + um)
desta (de + esta)
no (em + o)
neste (em + este)
nisso (em + isso)


Por fim, toda fusão de vogais idênticas forma uma crase:

à = contração da preposição a + o artigo a
àquilo = contração da preposição a + a primeira vogal do pronome aquilo.


Na língua cotidiana, falada ou escrita, aparecem as reduções pra (para a) e pro (para o). Essas palavras não pedem acento, já que se trata de palavras átonas. por exemplo:

Este é um país que vai pra frente.
Vá pra casa, e não pro botequim!


A principal diferença entre conjunção e preposição é que a primeira junta duas frases, onde uma frase pode ou não ser subordinada à outra. Já a Preposição liga duas palavras, sendo primordial para o entendimento das mesmas.


Ex: O meu gato gosta de ração.
de - preposição, liga as palavras gosta e ração


Fui ao mercado e ao banco


A conjunção aditiva coordenada e, liga as duas frases, nesse caso por serem coordenadas ambas são independentes.

Quando minhas férias chegarem irei viajar.


A conjunção subordinada temporal quando liga a oração "quando minhas férias chegarem" e "irei viajar". Notem que uma frase se subordina à outra para terem sentido completo.



Fontes:
todamateira.com.br
googel.com.br
ciberduvidas.iscte-iul.pt

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 Fortaleza de Massadas


Massada, que provavelmente significa “lugar seguro” ou “fortaleza”, é um imponente planalto escarpado, situado no litoral sudoeste do Mar Morto. O local é uma fortaleza natural, com penhascos íngremes e terreno acidentado. Na parte leste, a face do penhasco se eleva 400 metros acima da planície circundante


Massada (em hebraico מְצָדָה məṣādā, ‘fortaleza’; em árabe: جبل مسعدة) é um complexo de fortaleza localizado no topo de uma montanha no Deserto da Judeia, com vista para a margem ocidental do Mar Morto no sudeste de Israel. A fortificação, construída no século I a.C., foi erguida sobre um platô natural que se eleva a mais de 400 m (1 300 pés) acima do terreno ao redor, cerca de 20 km (12 milhas) a leste de Arad.


A parte mais significativa dos vestígios no local data do reinado de Herodes, o Grande, Rei do Reino herodiano da Judéia. 37 a.C –4 a.C., que transformou Massada em um refúgio fortificado no deserto, no início de seu governo. Ele cercou o cume com uma muralhas casamatas e torres, construindo armazéns, um avançado sistema de água e casas de banho, juntamente com dois palácios elaborados: um no lado ocidental e outro construído em três terraços na encosta norte. Esses palácios permanecem entre os melhores exemplos da arquitetura herodiana.





Massada é mais conhecida por seu papel durante a Primeira Guerra Romano-Judaica (66–73), quando se tornou o último reduto dos rebeldes judeus após a destruição de Jerusalém. Um grupo conhecido como os Sicários, liderado por Eleazar ibne Iair, defendeu o local contra a Legião X Fretensis romana sob o comando de Lúcio Flávio Silva. Os romanos iniciaram o cerco construindo uma muralha de circunvalação e uma enorme rampa.

Há dois mil anos, a Judeia era governada por Roma e, em 66 d.C., uma revolta judaica se transformou em uma guerra em grande escala que durou quatro anos – até que o general romano Tito destruiu Jerusalém. Mas apenas um posto avançado resistiu aos romanos. Era a fortaleza de Massada, construída no alto de um planalto montanhoso e árido, acima do Mar Morto, e foi lá que se desenrolou uma das histórias mais heroicas e incríveis de toda a história, quando um pequeno grupo de zelotes judeus desafiou o poder de Roma.




O acesso para a fortaleza natural de Massadas era feito por caminhos estreitos, onde tropas e armamentos romanos não passavam. Lúcio Flávio, então mandou confeccionar uma rampa que levava até às portas da cidadela.





A palavra sicário deriva de sica, um punhal curvo. 




Descritos principalmente pelo historiador judeu Flávio Josefo, autor de A Guerra dos Judeus, os sicários eram um grupo extremista associado ao movimento dos zelotes, conhecidos pelo uso de assassinatos seletivos e ataques furtivos contra autoridades romanas e contra judeus considerados colaboradores do império.

Sua atuação contribuiu para intensificar o clima de violência que culminou na Primeira Guerra Romano-Judaica, um conflito devastador que terminou com a destruição de Jerusalém


De acordo com Josefo, quando as muralhas foram violadas em 73/74, os romanos encontraram cerca de mil habitantes mortos por suicídio coletivo — uma alegação que permanece debatida entre historiadores. Nos tempos modernos, a história de Massada foi interpretada como um símbolo de heroísmo que se tornou influente na identidade nacional inicial de Israel.


Como o suicídio era proibido pela Lei Judaica, homens mataram primeiro as esposas e os filhos e depois foram assassinando outros guerreiros judeus, até que o último se jogou em cima de uma espada.







A fortaleza de Massada foi o último foco de resistência contra os romanos e caiu em 73 E.C., três anos após Jerusalém. Desde o início do século XX, Massada é considerada um símbolo do heroísmo nacional judaico, exercendo um forte apelo à liberdade e à independência de Israel.


Fontes:

wikipeia.org
google.com
tij.tv/shows/masada/
qoshe.com/revista
explicado.net
morasha.com.br

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Beatos




Beatos é a comunhão de pessoas que trazem a visão de um mundo sem males.

Um beato, do latim beatum que significa feliz, bem-aventurado, é, no Direito Canônico da Igreja Católica, um homem ou uma mulher com qualidades e ações que o/a indicam para ser reconhecido como santo. Nesse sentido, as palavras beato e santo designam o reconhecimento oficial da Igreja a pessoas com uma vida digna de servir de exemplo. Os beatos nascidos no sertão do Nordeste brasileiro não se definem como tais. Trata-se de homens de fé que desenvolveram ações em prol dos mais pobres no sentido de lhes propiciar uma existência digna, uma terra fértil para cultivar. Os sertanejos nordestinos perseguiam o mito da terra prometida, onde haveria leite e cuscuz em abundância, diferentemente do texto bíblico que prometia leite e mel.

A tradição possui raízes no catolicismo português do período moderno, que já produzia eremitas e penitentes leigos com funções devocionais semelhantes. No Brasil, as primeiras referências estáveis a beatos sertanejos surgem no século XVIII, especialmente em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia, onde atuavam como líderes de orações comunitárias, praticantes de curas empíricas associadas a devoção religiosa e divulgadores de mensagens moralizantes. No século XIX, a prática devocional do beatos passa por um período de quase institucionalização sob as orientações de Padre Ibiapina, o qual recrutava devotos das classes sertanejas menos favorecidas e, após rigoroso treinamento, tomava-lhes votos de castidade e pobreza, entregando-lhes um hábito e confiando-lhes, ainda, a administração de uma de suas casas de caridade. Apesar deste período de organização, os beatos nunca foram integrados à hierarquia católica, ou mesmo reconhecidos por ela, nem, tampouco, deixou de haver beatos que simplesmente tomavam hábito e passavam a se dedicar à mendicância e às devoções católicas, sem que qualquer padre lhes houvesse orientado. Neste universo encontra-se o beato Antônio Conselheiro, cuja influência dos ensinamentos do Padre Ibiapina são frequentemente apontadas.


Antônio Conselheiro



O fenômeno alcançou projeção nacional no início do século XX, sobretudo em Juazeiro do Norte, no Ceará, que se tornou o principal centro de atração de beatos. Padre Cícero, sob influência de Padre Ibiapina, com cujas obras tivera contato na mocidade, entregava frequentemente o hábito a beatos, que se comprometiam a guardar a castidade e pobreza. Entre os mais conhecidos estão Maria de Araújo, Beato José Lourenço e diversas beatas que mantinham casas de oração, davam conselhos espirituais e participavam da vida comunitária. A concentração dessas figuras em Juazeiro não indica exclusividade do fenômeno, mas reflete a capacidade daquela cidade em institucionalizar um estilo de vida religioso até então disperso pelo interior nordestino.



Beato José Loureiro


Os beatos exerceram funções sociais variáveis: eram mediadores religiosos, líderes de romarias, mantenedores de práticas de penitência coletiva, pregadores moralizadores e guardiões de tradições locais. Muitos viviam de esmolas e de pequenos trabalhos devocionais, gozando prestígio entre populações rurais. Ao mesmo tempo, foram alvo de desconfiança por parte de setores da Igreja e do Estado, que por vezes os viam como propagadores de misticismo excessivo ou de ideias consideradas subversivas. Apesar disso, a atuação dos beatos moldou de forma decisiva a vida religiosa do Nordeste, influenciando festas populares, movimentos messiânicos, peregrinações e práticas comunitárias que perduram até hoje.

O sertão pernambucano foi terreno fértil para a atuação de beatos, penitentes e líderes religiosos populares. Em uma região marcada por secas, deslocamentos e forte religiosidade católica, esses personagens ganharam espaço como mediadores da fé e da esperança cotidiana.


                                                    Padre Cícero



Na história do Nordeste, nomes como Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e José Lourenço, ligado ao Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, no Ceará, ajudam a entender o ambiente de devoção popular que também alcançou o sertão de Pernambuco. A circulação de romeiros e pregadores reforçou práticas religiosas que ainda aparecem na memória local.




Em Pernambuco, a lembrança de beatos costuma aparecer em capelas rurais, cruzes à beira de estrada, cemitérios antigos e festas de padroeiro. Municípios do Sertão do Pajeú, do Araripe e do Moxotó preservam narrativas sobre homens e mulheres vistos como orientadores espirituais da comunidade.

Cidades como Serra Talhada, Flores, Triunfo, Afogados da Ingazeira e Petrolina integram um mapa cultural onde a religiosidade popular segue viva. Em muitos casos, a tradição local mantém nomes e episódios que nem sempre aparecem com destaque nos arquivos oficiais, mas permanecem na fala dos mais velhos.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
dimassantos.com.br
beatos.org.br
meussertoes.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Ludistas:


No início da Revolução Industrial na Inglaterra, entre 1820 e 1840, onde o método de produção manual foi substituído pelo método de produção mecânica, vários trabalhadores se insurgiram contra esse processo de produção, com medo de perderem seus empregos. Esse grupo era chamado de ludistas, originário do personagem fictício chamado Ned Ludd. Afirma-se que Ned Ludd foi originalmente um aprendiz em Anstey, Leicestershire, Inglaterra. Avesso ao regime de trabalho nas máquinas de tecelagem, foi condenado a chicotadas sob alegação de não demonstrar empenho. Em resposta, Ned Ludd destruiu com um martelo a máquina em que trabalhava.



Um dos métodos mais utilizados por esses trabalhadores foi a sabotagem, do francês sabots, sapatos de madeira que eram jogados dentro das máquinas para inutiliza-las.




A experiência que teve o impacto mais duradouro em Haywood foi assistir a uma greve geral nas ferrovias francesas. Cansados ​​de esperar que o parlamento agisse de acordo com suas demandas, os trabalhadores da estrada de ferro abandonaram seus empregos em todo o país. O governo francês respondeu enviando os grevistas para o exército e depois mandando-os de volta ao trabalho. Destemidos, os trabalhadores levaram a greve para o trabalho. De repente, eles não pareciam fazer nada certo. Perecíveis sentaram-se por semanas, distraídos e esquecidos. O frete para Paris foi desviado para Lyon ou Marselha. Essa tática - os franceses a chamaram de "sabotagem" - venceu as exigências de seus grevistas e impressionou Bill Haywood.




O ludismo não era um movimento político ou partidário, por isso não tinha como característica defender pautas específicas, mas era um movimento de contestação à industrialização. Como tal, praticava ações violentas contra a indústria e seu maquinário, como a invasão de fábricas e a quebra de máquinas. Como exemplo dessas ações, pode-se destacar o assalto à tecelagem de William Cartwright, no condado inglês de York, em 1812. Nesse evento, diversas máquinas foram destruídas e muitos dos ludistas foram presos e condenados à morte ou à deportação para as colônias da Inglaterra.



O ludismo e outros movimentos de trabalhadores, como o cartismo, surgiram como consequência direta das transformações causadas nas relações de trabalho e na qualidade de vida do trabalhador inglês a partir da Revolução Industrial. Os trabalhadores organizavam-se contra a precarização que a industrialização trouxe em seu trabalho.

A Revolução Industrial consistiu, basicamente, em um período de grande avanço tecnológico que permitiu o nascimento e o desenvolvimento da indústria moderna. Essa primeira fase da Revolução Industrial ocorreu a partir de 1780, segundo Eric Hobsbawm.  Já para outros historiadores, esse processo se iniciou em 1760.





O Cartismo foi um movimento político e social que surgiu no Reino Unido no final do século XVIII e início do século XIX. O Cartismo foi liderado pelo político e ativista William Lovett e buscava reformas políticas e sociais para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

O Cartismo defendia:O sufrágio universal: o direito de todos os adultos, independentemente de sua classe social ou renda, de votar nas eleições.

A reforma da lei eleitoral: a eliminação das restrições à participação eleitoral, como as propriedades eleitorais e os requisitos de renda.

Reforma política: os cartistas lutavam pelo direito ao voto universal para os homens, pois acreditavam que isso daria aos trabalhadores mais poder político e os ajudaria a se defenderem dos abusos dos ricos.

Reforma social: os cartistas lutavam por reformas sociais, como o aumento dos salários e a redução das jornadas de trabalho, para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

Influência da Revolução Francesa: a Revolução Francesa, que ocorreu no final do século XVIII, teve uma grande influência no Cartismo, pois inspirou os cartistas a lutarem por reformas políticas e sociais mais amplas.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasilescola.uol.com.br
historiadomundo.com.br
projetoagathaedu.com.br

terça-feira, 4 de agosto de 2026



Frente aos portões do inferno, Dante e Virgílio dão de cara com uma mensagem não muito animadora: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Esperança era um conceito essencial na Idade Média .





Dante Alighiere foi um poeta italiano nascido em Florença em maio de 1265. Foi do Conselho dos Cem, Embaixador e até Prior. Em 1302, seu grupo politico moderado foi derrotado e ele acusado de corrupção foi exilado além de ter de pagar uma grande multa.







‘Quando as crianças entendem o valor do dinheiro, perdem o paraíso que tem na terra”


Dante diz que só há duas formas de recuperar este paraíso: Pela poesia e pelo amor.


“Pode-se dizer que o homem é o mais infeliz dos animais, porque é o único que sabe que vai morrer algum dia. Mas, ao mesmo tempo pode-se dizer também que o homem é o mais notável de todos os animais, porque mesmo sabendo que vai morrer um dia ele é capaz de sorrir, criar e amar.”


Quando Dante escreveu a sua Comédia, publicado em três partes: primeira (Inferno) em 1317, a segunda (Purgatório) em 1319, e a terceira (Paraíso) após a morte do poeta, ele já estava exilado.

O poema foi escrito em italiano, fugindo do padrão da época que era a escrita em latim. Essa foi a forma do Poeta popularizar sua obra, permitindo acesso, mesmo àqueles que não falavam latim.


Dante foi conduzido pelo Inferno e pelo Purgatório pelo poeta Virgílio, autor de "A Eneida".


Canto I - Inferno




"Ao meio da jornada da vida, tendo perdido o caminho verdadeiro, achei-me embrenhado em selva perigosa"


Dante estava exilado, com saudade da família, dos amigos e de Florença.




Nos versos 32, 44 e 49 do Canto I, tentando sair da floresta ele encontra três feras:


Dante a subiu e logo apareceram três feras (Pantera, Leão e a Loba), provavelmente os animais representam três tipos de pecados (que são discutidos no Canto 11) e também três divisões do inferno, é uma representação alegórica dos pecados de acordo com Tomás de Aquino, que influenciou Dante. A Pantera (incontinência), o leão (violência) e a loba (fraude) refletem níveis de gravidade de acordo com os conhecimentos do homem (quanto mais se sabe, mais grave é o pecado). Segundo Sayers, refletem três estágios da vida do homem (juventude, meia-idade e velhice). Os pecados cometidos na velhice seriam mais graves, pois quem os comete já sabe diferenciar o certo do errado.










Virgílio não podia entrar no Paraíso porque era pagão, ou seja não tinha conhecido o "Salvador", Jesus Cristo.


Para conquistar o Paraíso, portanto ele se valeu de um grande poeta, Virgílio.





Virgílio


Beatriz, o grande amor da vida de Dante foi quem pediu para Virgílio auxiliá-lo na aventura pelo Inferno e Paraíso.




Aos 9 anos ele conheceu Beatriz Portinari. Ela foi, segundo alguns críticos literários, figura histórica que inspirou a personagem Beatriz de Dante. Ela era uma mulher muito bonita e a musa de Dante.






Aos 16 anos ele voltou a encontrá-la e escreveu para ela o primeiro de seus famosos sonetos de amor. Dois anos depois, casou-se com Gemma, com quem teve três filhos. O casamento estava combinado entre as famílias desde a infância.


Assim ele recuperou o Paraíso pelas mãos da Poesia e do Amor.


Voltando ao nome da obra, Comédia, era um estilo onde o sofrimento era sempre recompensado por um final feliz.


Assim Dante sofreu no Inferno e no Purgatório e pelas mãos do Amor Beatriz conheceu o Paraíso.





Beatriz


Até final do século XV, o nome do poema era "Comédia" depois desse período foi acrescentado o adjetivo "Divina", talvez por Giovanni Boccaccio.


A representação do Inferno, conhecido pela Igreja Católica foi a criada por Dante.


Cada parte do poema tem 33 cantos, sendo que o Inferno rem 34 cantos.


Dante não só criou a geografia física do submundo, mas também uma geografia moral: para cada pecado, um círculo específico. O primeiro e mais ameno é o limbo, onde ficam todas as almas sem batismo, que não conheceram o Cristianismo, Virgílio vivia lá. Ali, a única punição é a eternidade sem a visão de Deus.






Obra de Botticelli - Inferno


É a partir do segundo, o círculo da luxúria, que se iniciam as punições mais severas. Conforme descem os nove círculos do inferno, distribuídos em uma estrutura cônica, os pecados se agravam.




Olha o que vem à frente qual decano
dos outros três, segurando uma espada;
ele é Homero, poeta soberano;
o satírico Horácio junto vem,
terceiro é Ovídio e último Lucano.
Desde que cada um deles detém
os mesmos dotes co’os quais fui saudado,
recebo sua honraria como convém.
Assim o belo grupo vi formado
da escola do senhor do excelso canto
cujo voo, como d’águia, é incontestado.
Longo foi seu colóquio, e entretanto
acenavam a mim, e eu vi o prazer
no sorriso do Mestre meu, porquanto
o privilégio iriam me conceder
da acolhida na sua comunidade.
E assim fui sexto entre tanto saber






Virgílio e Dante ainda passam pelo lago de lama (gula), as colinas de rocha (ganância), o rio Estige (ira), o cemitério de fogo (heresia), o vale do Flegetonte (violência), o Malebolge (fraude) e o lago Cocite (traição) – este, o mais terrível dos pecados. Ou seja, a punição era pior conforme o tipo de crime.


O conceito foi revolucionário.


Num ambiente medieval onde tudo era atribuído ao poder divino, sobretudo o destino dos homens, Dante propôs a inversão da lógica: era o homem quem decidia seu futuro com suas ações. Se traísse, iria para o lago Cocite. Se não traísse, tinha uma chance de subir ao paraíso.





O Purgatório - Segunda parte da obra um anjo permanece na foz do rio Tibre a fim de receber e encaminhar à ilha as alma, destinadas a um período de purga, onde purificariam os seus pecados.


No Anti-purgatório, concentram-se os excomungados (primeiro plano) e os negligentes (segundo plano).


Na terceira parte, O Paraíso, Beatriz sucede Virgílio e o conduz pelos nove estágios. Tudo é contrário ao Inferno. Há luzes, cânticos, bem aventuranças. No alto dos céus coroando-os, os anjos formam rosa mística, em cujo centro radiante de luz e santidade, está a Virgem Maria.













Logo, a Divina Comédia é, antes de tudo, um livro sobre escolhas. A mudança pode parecer banal, mas é considerada o marco do início do Renascimento e do humanismo, quando Deus deixou o centro de tudo para dar espaço ao homem e suas escolhas.


Muito se discute sobre os motivo que levaram Dante a escrever a Divina Comédia. Uma bastante aceita e a amorosa-romântica, uma ode à sua musa, Beatriz.


O próprio Dante escrevendo ao senhor de Verona (Epístola XIII-VII 20-22) afirmou que a Comédia deveria ser entendida de mais de uma maneira.


Particularmente eu acredito que Dante escreveu a obra como uma forma de remissão de seus pecados e o anseio inerente aos seres humanos de ascender ao Paraíso e encontrar o grande amor de sua vida.








O meu exemplar tem a tradução de Hernani Donato e é uma edição do antigo Círculo do Livro.






Fontes:
culturagenial.com
gildam.com.br
jcoutinhomaimai.com.br
conjur.com.br
super.abril.com.br
google.com
youtube.com
meisterdrucke.pt
A Divina Comédia - Alighiere, Dante - tradução Hernani Donato
wikipedia.org

segunda-feira, 3 de agosto de 2026



Vamos comentar um dos maiores erros judiciários do Brasil; o caso dos irmãos Naves.










O caso dos Irmãos Naves foi um acontecimento policial e jurídico ocorrido na época do Estado Novo no Brasil, no qual dois irmãos foram presos e barbaramente torturados até confessar sua suposta culpa em um crime que não cometeram, e que anos mais tarde provou-se nunca ter existido.

Esse caso é conhecido como um dos maiores erros judiciais da história do Brasil e um dos que tiveram maior repercussão, tanto que sua história serviu de inspiração para o filme O caso dos Irmãos Naves, de Luís Sérgio Person.




Considerado o maior erro judiciário do Brasil. Aconteceu na cidade mineira de Araguari, em 1937. Os irmãos Naves (Sebastião, de 32 anos de idade, e Joaquim, contando 25), eram simplórios trabalhadores que compravam e vendiam cereais e outros bens de consumo.









Joaquim Naves era sócio de Benedito Caetano. Este comprara, com auxílio material de seu pai, grande quantidade de arroz, trazendo-o para Araguari, onde, preocupado com a crescente queda dos preços, vende o carregamento por expressiva quantia.









Na madrugada de 29 de novembro de 1937, Benedito desaparece de Araguari, levando consigo o dinheiro da venda do arroz. Os irmãos Naves, constatando o desaparecimento, e sabedores de que Benedito portava grande importância em dinheiro, comunicam o fato à Polícia, que imediatamente inicia as investigações.






O caso é atribuído ao Delegado de Polícia Francisco Vieira dos Santos, personagem sinistro e marcado para ser o principal causador do mais vergonhoso e conhecido erro judiciário da história brasileira. Militar determinado e austero (Tenente), o Delegado inicia as investigações e não demora a formular a sua convicção de que os irmãos Naves seriam os responsáveis pela morte de Benedito.




A partir de então inicia-se uma trágica, prolongada e repugnante trajetória na vida de Sebastião e Joaquim Naves, e de seus familiares.








Família Naves


Submetidos a torturas as mais cruéis possíveis, alojados de modo abjeto e sórdido na cela da Delegacia, privados de alimentação e visitas, os irmãos Naves resistiram até o esgotamento de suas forças físicas e morais. Primeiro Joaquim, depois Sebastião.


A perversidade do Tenente Francisco não se limitou aos indiciados. Também as esposas e até mesmo a genitora deles foram covardemente torturadas, inclusive com ameaças de estupro, caso não concordassem em acusar os maridos e filhos.


A defesa dos irmãos Naves foi exercida com coragem e perseverança pelo advogado João Alamy Filho, que jamais desistiu de provar a inocência de seus clientes, ingressando com habeas corpus, recursos e as mais variadas petições, na busca de demonstrar às autoridades responsáveis pelo processo o terrível equívoco que estava sendo cometido.


Iniciado o processo, ainda sob as constantes e ignominiosas ameaças do Tenente Francisco, os irmãos Naves são pronunciados para serem levados ao Tribunal do Júri, sob a acusação de serem autores do latrocínio de Benedito Caetano, ao passo que a mãe dos irmãos, D. Ana Rosa Naves, é impronunciada.


Na sessão de julgamento, a verdade começa a surgir, com a retratação das confissões extorquidas na fase policial, e, principalmente, com o depoimento de outros presos que testemunharam as seguidas e infindáveis sevícias sofridas pelos acusados na Delegacia de Polícia.


Dos sete jurados, seis votam pela absolvição dos irmãos Naves.


A promotoria, inconformada, recorre ao Tribunal de Justiça, que anula o julgamento, por considerar nula a quesitação.


Realizado novo julgamento, confirma-se o placar anterior: 6 X 1. Tudo indica que os irmãos Naves seriam finalmente libertados da triste desdita iniciada meses antes. Ledo engano: o Tribunal de Justiça resolve alterar o veredito (o que era então possível, mercê da ausência de soberania do Júri no regime ditatorial da Constituição de 1937), condenando os irmãos Naves a cumprirem 25 anos e 6 meses de reclusão (depois reduzidos, na primeira revisão criminal, para 16 anos).


Após cumprirem 8 anos e 3 meses de pena, os irmãos Sebastião e Joaquim, ante comportamento prisional exemplar, obtêm livramento condicional, em agosto de 1946.


Joaquim Naves falece, como indigente, após longa e penosa doença, em 28 de agosto de 1948, em um asilo de Araguari. Antes dele, em maio do mesmo ano, morria em Belo Horizonte seu maior algoz, o tenente Francisco Vieira dos Santos.


De 1948 em diante, o sobrevivente Sebastião Naves inicia a busca pela prova de sua inocência. Era preciso encontrar o rastro de Benedito, o que vem a ocorrer, por sorte do destino, em julho de 1952, quando Benedito, após longo exílio em terras longínquas, retorna à casa dos pais em Nova Ponte, sendo reconhecido por um conhecido, primo de Sebastião Naves.


Avisado, Sebastião apressa-se em dirigir-se a Nova Ponte, acompanhado de policiais, vindo a encontrar o “morto” Benedito, que, assustado, jura não ter tido qualquer notícia do que ocorrera após a madrugada em que desapareceu de Araguari. Coincidentemente, dias após sua efêmera prisão e o citado juramento, toda a família de Benedito morre tragicamente, na queda do avião que os transportava a Araguari, onde prestariam esclarecimentos sobre o desaparecimento daquele.


O caso passou a ser nacionalmente conhecido. A imprensa o divulgou com o merecido destaque. A mesma população que, influenciada pela autoridade do delegado, inicialmente aceitava como certa a culpa dos irmãos Naves, revoltava-se com o ocorrido, tentando, inclusive, linchar o desaparecido Benedito.


Em nova revisão criminal, os irmãos Naves foram finalmente inocentados, em 1953.


Como etapa final e ainda custosa e demorada, iniciou-se processo de indenização civil pelo erro judiciário.


Em 1956 foi prolatada a sentença, que mereceu recursos pelo Estado, até que, em 1960, vinte e dois anos após o início dos suplícios, o Supremo Tribunal Federal conferiu a Sebastião Naves e aos herdeiros de Joaquim Naves o direito à indenização.


Em 1967, " O caso dos irmãos Naves" virou filme, estrelado por Juca de Oliveira, Raul Cortês, como os irmãos Naves e Anselmo Duarte como tenente Francisco.


Raul Cortês e Juca de Oliveira


Trecho do filme Luís Sérgio Person (filme completo no youtube)




O caso dos irmãos Naves



A Justiça é antes de tudo um instrumento importante da sociedade para punir aqueles que cometem crimes.
Ela deve ser imparcial, e se ater aos autos.
Numa sociedade democrática, vivendo dentro do Estado de Direito, um juiz é antes de tudo um agente público com a função de julgar. Não precisamos de agentes e autoridades midiáticas.


Os agentes de segurança, por sua vez, devem investigar, e conduzir os casos de modo a apresentar o maior número de provas, para que o Ministério Público apresente uma acusação baseada em fatos concretos.


Quando a justiça não é feita, ou feita de maneira parcial, temos a injustiça.




Fontes:
wikipedia.org
joaovitorleal.jusbrasil.com.br
josecaldas.wordpress.com
cinema.uol.com.br
youtube.com


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