quinta-feira, 30 de abril de 2026

 Batalha de Verdun





A Batalha de Verdun, ocorrida entre fevereiro e dezembro de 1916, foi um dos conflitos mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial, resultando em cerca de 700.000 baixas e simbolizando a resistência francesa. Suas consequências impactaram profundamente a estratégia militar, a cultura e a memória histórica, fazendo de Verdun um símbolo de heroísmo e sacrifício, cuja lembrança é preservada em monumentos e estudos até os dias atuais.

A Batalha de Verdun é frequentemente lembrada como um dos confrontos mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial.

Este território francês se tornou o cenário de um dos maiores embates da história militar, simbolizando a resistência e o sacrifício das forças francesas. A batalha não apenas moldou o destino da França, mas também teve reverberações profundas em todo o cenário europeu. Neste artigo, vamos analisar o contexto que levou a este combate devastador e suas consequências duradouras.


Desesperados por manter o prestigiado complexo fortificado de Verdun, os franceses implementaram um sistema de rotatividade de divisões na sua defesa, o que levou a que 75% do exército nacional combatesse nesta gigantesca contenda. Sendo a mais longa da Grande Guerra e uma das mais sangrentas, a Batalha de Verdun (fevereiro a dezembro de 1916) resultou, tal como tantos outros confrontos deste período, em centenas de milhares de baixas sem que daí adviessem ganhos estratégicos significativos para qualquer dos lados. A resistência francesa prevaleceu, deixando a Alemanha num estado de tal exaustão, tanto em recursos humanos como em material bélico, que esta se viu incapacitada de lançar outra ofensiva de grande envergadura até 1918.





As unidades de infantaria do Quinto Exército Alemão, compostas por cerca de um milhão de homens, avançaram então ao longo de uma frente de 13 km (8 milhas) que acompanhava o curso do rio Mosa. Os atacantes introduziram uma nova e terrível arma no campo de batalha: o lança-chamas. Inicialmente, a ofensiva progrediu com sucesso, avançando 5,6 km (3,5 milhas) — uma distância considerável, dado o carácter tipicamente estático da Frente Ocidental. Os comandantes franceses, confrontados com a escassez de munições e de mantimentos, viram-se obrigados a reagrupar as suas enfraquecidas forças. A retirada estratégica para sul implicou o abandono da planície de Woëvre ao inimigo. Contudo, o golpe mais severo, sobretudo em termos de prestígio, foi a perda do Forte Douaumont, a 25 de fevereiro.

A magnitude do avanço alemão e o êxito inicial da sua ofensiva colocavam a própria cidade de Verdun, fundamental para toda a batalha, sob uma ameaça iminente. Perante este cenário crítico, o Marechal Joseph Joffre(1852-1931), comandante-chefe do exército francês, tomou medidas drásticas ao nomear o General Philippe Pétain (1856-1951) como o novo comandante do sector da frente. Embora os sistemas de trincheiras francesas tivessem já sido neutralizados em grande parte, Pétain recebeu ordens categóricas para manter a defesa de Verdun a todo o custo. Isto ocorria apesar de, do ponto de vista tático, ser teoricamente preferível recuar para o terreno florestal adjacente, cujas características naturais favoreceriam uma postura defensiva atrás do saliente. Pétain revelou-se uma escolha acertada: era um comandante que, embora pragmático quanto às perdas operacionais, fora sempre um fervoroso defensor da primazia da defesa sobre a ofensiva. Se existia um general capaz de salvar a França naquele momento, esse homem era Pétain.








O mesmo general Philippe Pétain, foi acusado de traição na Segunda Guerra Mundial, devido a um acordo com a Alemanha Nazista que dividiu a França, criando a França de Vichy.

General Pétain




Os piores combates ocorreram nas Colinas 304 e Le Mort Homme (o Homem Morto), que finalmente caíram em poder dos alemães em junho. O máximo avanço alemão em julho chegou a quatro quilômetros de distância de Verdun, mas as perdas eram enormes e dois fatos levaram à interrupção da ofensiva alemã: um deles foi a ofensiva britânica na frente do Rio Somme, em 1º de julho, para aliviar a pressão alemã sobre Verdun; e o outro, e não menos importante, foi o início da Ofensiva Brusilov em 4 de junho na frente oriental, principalmente contra as defesas austro-húngaras na Galícia (atual oeste da Ucrânia). Estas entraram em colapso, forçando os alemães a enviar oito divisões (aproximadamente 90.000 soldados) para a frente oriental para ajudar seus aliados. Dessa maneira, indiretamente, os russos conseguiram ajudar os franceses a frear a ofensiva alemã, sendo este último fato menosprezado no Ocidente por razões óbvias, o que mereceria um artigo à parte.

Diante dessa situação, em 26 de setembro, Falkenhayn foi substituído pelo marechal Paul Von Hindenburg, que em agosto já havia ordenado o fim da ofensiva na frente de batalha. Em setembro, os alemães passaram à defensiva, e os franceses contra-atacaram com ofensivas limitadas, mas bem-sucedidas, recuperando as posições perdidas na segunda linha. Em outubro, recuperaram Douaumont. Do lado francês, o general Robert Nivelle assumiu o comando e lançou as ofensivas de 19 de novembro e 9 de dezembro, onde recuperaram a maioria das posições perdidas da primeira linha. Desta vez, os avanços da infantaria foram precedidos por uma barreira de fogo de artilharia que protegeu o ataque da infantaria, permitindo assim uma menor quantidade de baixas até a chegada às linhas inimigas.


Verdun foi a batalha mais prolongada da Primeira Guerra Mundial, durou de 21 de fevereiro a 9 de dezembro de 1916. Os alemães empregaram um total de 40 divisões e sofreram aproximadamente 335.000 baixas, enquanto os franceses utilizaram 70 divisões e tiveram cerca de 377.000 baixas. O principal objetivo alemão de conseguir a rendição da França não foi alcançado, e as Potências Centrais tiveram que continuar combatendo nas frentes ocidental e oriental com menos recursos e reservas. Foi um ponto de inflexão para a Alemanha e o início do fim do Império Alemão.




Fontes:

fatosmilitares.com
woeldhistory.org
velhogeneral.com.br
wikipedia.org
google.com

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Em 25 de abril de 1719 foi publicado o romance Robinson Crusoé de Daniel Defoe.






A obra narra a história de um jovem inglês que, contra a vontade de seus pais, decide se aventurar pelo mar em busca de novas experiências e fortuna. Depois de muitas peripécias, Crusoé acaba naufragando em uma ilha deserta, onde enfrenta não apenas o desafio de sobreviver, mas também a solidão e a luta interna entre a liberdade e a estrutura da civilização. A história é reconhecida como uma das primeiras novelas de aventura da literatura ocidental e é frequentemente interpretada como uma exploração da natureza humana e das questões de civilização, colonização e isolamento.

No início, o protagonista leva uma vida livre e despreocupada no mar, mas o destino acaba o levando a um naufrágio que o deixa à deriva em uma ilha desabitada. Crusoé usa suas habilidades e seu engenho para sobreviver, enfrentando desafios como a falta de comida, a construção de abrigo e a defesa contra animais selvagens. Ao longo de seus anos na ilha, ele passa por um profundo processo de autoconhecimento e reflexão, questionando suas escolhas e sua relação com Deus e a humanidade.

Robinson Crusoé tornou-se um clássico, influenciando gerações com suas lições sobre resiliência, iniciativa e a força do espírito humano. O romance também provoca reflexões sobre a individualidade e a conexão com a sociedade, temas que se revelam universais e atemporais.

Robinson Crusoé é muito mais do que apenas uma aventura emocionante. É um livro que nos faz questionar nossa própria existência e nos lembra da importância da resiliência, da amizade e da redenção. A escrita envolvente de Daniel Defoe nos transporta para o mundo solitário de Crusoé, onde experimentamos suas alegrias e tristezas, suas conquistas e desafios.

Daniel Defoe é considerado um precursor do romance realista inglês e do jornalismo moderno. Filho de um pequeno comerciante e membro de uma família dissidente da Igreja Anglicana e, tentou preparar-se para seguir a carreira eclesiástica, mas devido a uma educação desordenada, desistindo da carreira religiosa.


Decidiu estabeleceu-se como comerciante (1683) e viajou muito pela Europa com diversos empreendimentos comerciais, mas em nenhum deles teve pleno êxito. Atraído pela política, estabeleceu-se em Londres (1700) e tentou viver como jornalista e libelista. Metido em intrigas políticas, começou a escrever numerosos panfletos, e foi encarcerado em numerosas ocasiões por dívidas e por motivos políticos. Acusado de espionagem foi encarcerado mais uma vez e condenado ao pelourinho.

Daniel Defoe



Enquanto aguardava o cumprimento da pena, redigiu o célebre Hymn to the Pillory (1703), que transformou sua sentença em um retumbante triunfo para ele, embora ainda tenha permanecido preso por quase um ano, em Newgate. Em liberdade e falido, fundou (1704) o periódico The Review, de tendência conservadora, onde expressou finalmente as suas excepcionais qualidades como jornalista.

O autor ainda escreveu as aventuras de Moll Flanders e Roxane.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasilescola.uol.com.br
livrosindicados.com.br
livroresumido.com.br

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Godofredo Rangel



Godofredo Rangel nasceu em 21 de novembro de 1884, filho de João Sílvio de Moura Rangel e Clara Augusta Gorgulho Rangel. Quarenta dias após seu nascimento, a família mudou-se para Carmo de Minas (ex-Silvestre Ferraz) (MG), onde foi batizado e viveu boa parte da infância. Aos 12 anos já escrevia, desde pequenos jornais manuscritos, com noticiários, páginas literárias, até peças de teatro nas quais atuou muitas vezes com papéis femininos.

Com a morte do pai, Godofredo se mudou, em 1902, para São Paulo, onde estudou no Colégio Oficial e ingressou na Faculdade de Direito das Arcadas - USP. Nessa época, devido às dificuldades financeiras da família, começou a trabalhar como escrivão de subdelegacia em um Posto Policial no Brás, em 1902. Em um de seus plantões conheceu o jovem poeta Ricardo Gonçalves.

Rangel foi transferido, algum tempo depois, para Belenzinho, onde alugou o sótão de um chalé, na Rua 21 de Abril, endereço que ficou conhecido como “Minarete”, uma república de estudantes, onde seria a sede do “Cenáculo”, quando Godofredo conheceu Monteiro Lobato. Lino Moreira, Tito Lívio Brasil, Albino Camargo, Cândido Negreiros, Raul de Freitas e José Antonio Nogueira. Começam a frequentar o Café Guarany, onde têm mesa cativa, centro da boemia literária do grupo.

Casa do Minarete


"Minarete era como chamávamos o chalezinho amarelo da Rua 21 de Abril, no Belenzinho, uma rua sem calçamento, toda sebe de espinheiros. Devia haver, mas não me lembro, casas por lá, afora o chalezinho do Minarete, centro de um terrenão de Chácara. Uns cinqüenta metros de frente, cerca viva com o portão de ferro no centro – o clássico portão de ferro com pilastras de tijolos e vasos em forma de urna em cima. Dentro dos vasos, essas pobres plantinhas que lembram pés de ananás, mirradas, atrofiadas, impedidas de crescer pela angústia do espaço para raízes. No mais, laranjeiras, ameixeiras, creio que um pé de romã, o coqueiro ao lado, a horta e uma grande paineira à esquerda. Era ali a toca do Rangel, que pagava por ela 20 mil réis por mês."

Monteiro Lobato



Em 1903 inicia a correspondência com Lobato que irá, mais tarde, constituir o livro A Barca de Gleyre. É nesse ano que surge, também, o jornal Minarete, de Pindamonhangaba, de propriedade de Benjamim Pinheiro, que durou até 1907, e vários integrantes do grupo se iniciaram nas letras nesse jornal.

Godofredo se mudou para Campinas, em 1904, onde lecionou no Instituto Cesário Mota, célebre educandário da cidade, hoje extinto. Ainda em 1904 retornou a Minas Gerais, e fixou-se em Silvestre Ferraz, atual Carmo de Minas, onde lecionou. Conheceu José Fernandes, diretor do Colégio, que inspirará um de seus maiores personagens. Iniciou o namoro com a futura esposa.

Em 1906, já bacharel, casou-se com Bárbara Pinto de Andrade, que conhecera em Caldas. Em 1907 foi nomeado Promotor Público de Cambuí (MG), assumindo o cargo sem conhecer a comarca. Visita Monteiro Lobato, então Promotor Público em Areias, no Vale do Paraíba (SP). Em 1909 ingressou na Magistratura, e foi nomeado Juiz Municipal do Machado (MG), local que retratará em passagens do romance de estreia.

Em 10 de junho de 1909 nasceu seu primeiro filho, Nello, o maior responsável pelas informações sobre Godofredo; em 3 de maio de 1911, o segundo filho, Caio; em 7 de dezembro de 1912, o terceiro, Tullio.

Em 1916, suicidou-se em São Paulo o amigo Ricardo Gonçalves, poeta dos Ipês, provocando grande abalo nos membros do grupo.

De maio de 1917 a janeiro de 1918, publicou os capítulos do romance Vida Ociosa, na Revista do Brasil, toda a Falange Gloriosa, em rodapé no “Estadinho” (edição vespertina do Estado de São Paulo), e contos de Andorinhas. Publicou a gramática Estudo Practico de Português. Em 21 de fevereiro de 1917 nasceu sua filha, Duse.

Em 1918, deixou Santa Rita do Sapucaí (MG), para onde fora removido. Promovido a Juiz de Direito, serviu em Estrela do Sul, Três Pontas e Passos, lecionando sempre. Em Sapucaí, visando melhorar a receita, foi contador de uma usina elétrica.

Após muita persistência dos amigos, Godofredo consentiu, em 1920, na publicação de Vida Ociosa - romance da vida mineira, em livro, edição da Revista do Brasil, da Monteiro Lobato & Cia Editores. Em 1924 publicou seu primeiro livro de contos, Andorinhas, pela mesma editora; em 1929 publicou A Filha, uma narrativa romântica, em edição da Imprensa Oficial de Minas Gerais.

Os romances Falange Gloriosa e Os Bem Casados foram publicados postumamente. Rangel traduziu cerca de 70 obras, muitas delas publicadas por Lobato na Companhia Editora Nacional.

Em 1937 aposentou-se como Juiz de Direito de terceira entrância, titular da comarca de Lavras (MG), e foi residir em Belo Horizonte. Em 1939 foi eleito para a Academia Mineira de Letras (AML), ocupando a Cadeira número 13, cujo patrono é Xavier da Veiga e fundador Carmo Gama.

Em 1943 lançou dois livros infantis, Um passeio à casa de Papai Noel e Histórias do tempo do onça, ambos pela Companhia Editora Nacional, São Paulo. Em 1944 publicou o segundo livro de contos, Os Humildes, pela Editora Universitária, de São Paulo, com prefácio de Lobato.

Em 1944, Monteiro Lobato publicou a primeira edição de A Barca de Gleyre, englobando a correspondência entre ele e Godofredo por mais de 40 anos, de 1903 até 1948. Rangel recusou-se terminantemente a publicar suas cartas, alegando que elas não possuíam outro mérito além de provocar excelentes respostas de Lobato. Anos mais tarde o segundo volume de “A Barca de Gleyre” foi publicado, novamente com o habitual silêncio de Rangel.





Primeira carta S. Paulo, 9 de dezembro de 1903:

Rangel, anjo do Cenáculo:

Acabo de profanar a palavra ¨anjo¨, pois ao escreve-la arrotei. É que saí do almoço com as ingestões ainda mal assentadas lá dentro. E por que escrevo em momento assim impróprio ? Porque amanhã, sábado, entro em exame oral e estou com os minutos contados, a recordar definições e textos desta horrível séca que é a matéria.  Escrevo hoje, em vez de após ao exame (como seria o natural), porque acabo de ler no Minarete * a tua primeira joia, meu Rangel, o teu primeiro vagido literário impresso, pois que manuscritamente tens vagido muito.....



Em 1948 faleceu Monteiro Lobato, e Rangel publica dois belos artigos lembrando o companheiro de toda a vida. No dia 4 de agosto de 1951, três anos após a morte de Monteiro Lobato, Godofredo Rangel faleceu em Belo Horizonte, aos 66 anos, vítima de uma enfermidade que há muito o assolava. Muitos dos seus amigos do “Minarete” já haviam falecido. Foi sepultado em 5 de agosto no Cemitério do Bonfim, na Capital mineira.

Em 1953 e 1954, foram publicados, em edições póstumas, os romances Falange Gloriosa e Os Bem Casados, ambos pela Melhoramentos.

A barca de Gleyre, foi publicada pela Editora Nacional em 1944. Tenho um exemplar, bastante conservado de 1946, da Editora Brasiliense Limitada. Reúne cartas envidas por Monteiro Lobato para Godofredo Rangel.

Mas por que A Barca de Gleyre? 

Trata-se, evidentemente, de uma metáfora. A metáfora, na consagrada lição de Lausberg, é definida como a “substituição de um verbum proprium por uma palavra;  cujo significado entendido proprie, está numa relação de semelhança com o significado proprie da palavra substituída” (LAUSBERG, 1972, P.163). O verbum proprium aqui seria “cartas”, ou “epistolário”, ou “correspondência”. Inicialmente, Lobato chegou a pensar num verbum proprium para o livro: poderia ser Correspondência Epistolar entre Lobato e Rangel, como afirma em carta de 28 de setembro de 1943: “Correspondência Epistolar entre Lobato e Rangel ou seja lá que nome venha a ter. Difícil botar um nome decente numa tijolada dessas. 

Penso em consultar a Emília, que é a ‘dadeira de nomes’ lá do Pica-Pau Amarelo” (LOBATO, 1964, t.2, p.358). Acabou, entretanto, optando por A Barca de Gleyre. O verbum proprium ficaria reservado ao subtítulo da obra: Quarenta anos de correspondência entre Lobato e Rangel.

Sendo mais expressivo o nome metafórico A Barca de Gleyre que o de Correspondência Epistolar entre Lobato e Rangel, acabou sendo o escolhido pelo escritor ao publicá-las em 1944. Mas qual a origem desse nome? Como Lobato teria chegado até ele? Em carta datada de 15 de novembro de 1904, o escritor descreve um quadro do pintor Charles-Marc-Gabriel Gleyre (1808-1874), intitulado Le Soir, ou Les Illusions Perdues:

Nunca viste reprodução dum quadro de Gleyre, Ilusões Perdidas? Pois o teu artigo me deu a impressão do quadro de Gleyre posto em palavras. Num cais melancólico barcos saem; e um barco chega, trazendo à proa um velho com o braço pendido largadamente sobre uma lira – uma figura que a gente vê e nunca mais esquece (se há por aí os Ensaios de Crítica e História do Taine, lê o capítulo sobre Gleyre). O teu artigo me evocou a barca do velho. Em que estado voltaremos, Rangel, desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões. Que lhes acontecerá? (LOBATO, 1964, t.1, p.80-81) Segundo Sueli Cassal, “o quadro Le soir foi exposto no Salão de 1843. 

Essa ideia, de A Barca de Gleyre como uma metáfora náutica, ou seja, a metáfora para a composição de uma obra, se reforça ao lermos o conceito que Lobato fazia de seu epistolário, como encontramos na carta datada de 28 de setembro de 1943: “a ideia que por enquanto tenho das cartas é que constituem uma tremenda ‘história natural e social duma família do Segundo Império’ , digo, de duas formações literárias que cresceram e apareceram”. (LOBATO, 1964, t.2, p.358).

A Barca de Gleyre é também um livro de Lobato, cheio de mistérios e aventuras, onde  o  protagonista, Pedro, um jovem sonhador, recebe um convite misterioso para embarcar em uma aventura única. Ele é convidado a entrar na Barca de Gleyre, um navio lendário que percorre os mares em busca de conhecimento e sabedoria. A bordo dessa embarcação, Pedro conhecerá personagens fascinantes e viverá experiências inesquecíveis.

Uma das marcas registradas de Monteiro Lobato são seus personagens cativantes. Em "A Barca de Gleyre", não poderia ser diferente. Além do protagonista Pedro, somos apresentados a uma série de personagens marcantes, como a sábia bruxa Morgana, o valente capitão da barca, Dom Quixote, e muitos outros. Cada personagem tem sua própria personalidade e história, o que torna a leitura ainda mais interessante e envolvente.

O pano de fundo da “barca” é uma metáfora para a viagem intelectual e cultural que os personagens empreendem. Eles discutem arte, literatura, política, educação e os desafios de construir uma identidade brasileira em um período de profundas transformações. Os conflitos surgem da polarização de ideias, do choque entre o tradicionalismo e as vanguardas que começavam a despontar no cenário cultural brasileiro.



 A Barca de Gleyre é, então, a metáfora náutica que traduz a “aventura de arte” de “duas formações literárias que cresceram e apareceram” “pelos mares da vida em fora”.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
portal.anchieta.br
llivroresumido.com.br
maxwell.vrac.puc-rio.br
literaturabrasileira.usfc.br
casashistoricaspaulistanas.blogspot.com
cliquevestibular.com.br

quinta-feira, 23 de abril de 2026

 23 de Abril -  Dia de São Jorge.







São Jorge nasceu em 275, na antiga região chamada Capadócia. Hoje, esta região é parte da Turquia. O pai de Jorge era militar e faleceu numa batalha. Após a morte do pai, Jorge e sua mãe, chamada Lida, mudaram-se para a Terra Santa. Lida era originária da Palestina. Era uma mulher que possuía instrução e muitos bens. Ela conseguiu dar ao filho Jorge uma educação esmerada.




Ao atingir a adolescência, Jorge seguiu a carreira de muitos jovens da época e entrou para a carreira das armas, pois tinha um temperamento naturalmente combativo. Tanto que logo ele se tornou capitão do exército romano. Jorge tinha grandes habilidades com as armas e muita dedicação.Por causa dessas qualidades o imperador Diocleciano deu a ele o título nobre de conde da Capadócia. Assim, com apenas 23 anos, Jorge passou a morar na alta corte de Nicomédia. Nesse tempo, ele exerceu o cargo de Tribuno Militar.



Conversão e morte de São Jorge

Quando sua mãe faleceu, Jorge recebeu a herança que lhe cabia e foi enviado para um nível mais alto ainda: a corte do imperador. Lá, porém, quando começou a ver a crueldade com que os cristãos eram tratados pelo império romano que ele servia, mudou seu pensamento. Ele já conhecia o cristianismo por causa da influência de sua mãe e da Igreja de Israel. Então, ele deu um primeiro passo de fé: distribuiu todos os seus bens aos pobres.Mesmo sendo membro do alto escalão do exército, ele quis a verdadeira salvação prometida pelo Evangelho que ele já conhecia.

Porém, o imperador Diocleciano tinha outros planos. Sua intenção era eliminar os cristãos.

Assim, no dia em que o senado confirmaria o decreto do imperador que autorizaria a eliminação dos cristãos, Jorge levantou-se na tribunae se declarou espantado com esta decisão, que julgava absurda. Ele ainda disse diante de todos que os romanos é que deveriam assumir o cristianismo em suas vidas. Todos ficaram muito surpresos quando ouviram palavras como essas vindas da boca de um membro da suprema corte de Roma.


Questionado por um cônsul sobre o porque dessas palavras, Jorge respondeu-lhe que estava dizendo aquilo porque acreditava na verdade e, por ser esta a verdade, a defenderia a todo custo. Mas, "o que é a verdade?", perguntou o cônsul. Jorge respondeu: 'A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade'.

O Imperador, furioso ao ver o cristianismo infiltrado no império, tentou obrigá-lo a desistir da fé cristã. Por isso, enviou-o a sessões de torturas violentas e terríveis. Assim, depois de cada tortura, Jorge era levado de volta ao imperador. Este lhe perguntava se, depois da tortura, abandonaria a fé cristã. Jorge, porém, reafirmava sua fé, cada vez com mais coragem. Muitos romanos ao presenciarem estes fatos, tomaram as dores de Jorge, até mesmo a própria esposa do imperador. Aliás, mais tarde, ela se converteu à fé em Jesus Cristo. Por fim, Diocleciano, vendo que não conseguiria dissuadir Jorge de sua fé, mandou que ele fosse degolado. Era o dia 23 de abril do ano 303. Aconteceu na cidade de Nicomédia, na Ásia Menor.





A história de Jorge de Lida ganhou força em Constantinopla e logo se espalhou pelo mundo. O santo, cuja lenda diz que matou um dragão lutando, é padroeiro da Etiópia e da Inglaterra, além do estado do Rio de Janeiro e do Corinthians.

No Brasil, São Jorge foi sincretizado com orixás da umbanda e do candomblé: Oxóssi na Bahia e Ogum em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. É daí que vem a associação do santo com a Lua, já que a tradição se apoia na ligação entre Ogum e a Lua para cultivar a crença de que as manchas do satélite são, na verdade, uma imagem de São Jorge combatendo o dragão.

Com sua popularização, os fiéis da Igreja Ortodoxa e Anglicana também passaram a adorá-lo. No entanto, ele ganhou maior destaque no Islã e nas religiões de origem africana, como a Umbanda e o Candomblé. De acordo com o Vaticano, os mulçumanos o viam como uma profeta."Há quem diga que é um personagem que aparece no Alcorão, chamado Al-Khidr. Ele seria São Jorge.

A ligação de São Jorge com o E.C.Corinthians Paulista deu-se por  sugestão de um dos fundadores do Corinthians , Antonio Pereira, que defendia a compra de uma sede na zona leste de São Paulo, em 1920. Outros conselheiros eram contra, então o português, colocou a estátua de São Jorge sobre a mesa e disse que ele seria o protetor do time.


São Jorge também é padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, portanto o dia 23 de abril é feriado na cidade.




Fontes:

cnnbrasil.com.br
terra.com.br
cruzterrasanta.com.br
google.com
meutime.com.br

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Hoje vamos falar de um dos livros mais importantes da fase da literatura indianista brasileira, I-Juca Pirama de Gonçalves Dias.






O poema é um dos mais importantes da fase Indianista do autor.






I-Juca Pirama

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos - cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio infeliz.
Quem é? - ninguém sabe: seu nome é ignoto,
Sua tribo não diz: - de um povo remoto
Descende por certo - dum povo gentil;
Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.
Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: - no extenso terreiro
Assola-se o teto, que o teve em prisão;
Convidam-se as tribos dos seus arredores,
Cuidosos se incubem do vaso das cores,
Dos vários aprestos da honrosa função.
Acerva-se a lenha da vasta fogueira
Entesa-se a corda da embira ligeira,
Adorna-se a maça com penas gentis:
A custo, entre as vagas do povo da aldeia
Caminha o Timbira, que a turba rodeia,
Garboso nas plumas de vário matiz.
Em tanto as mulheres com leda trigança,
Afeitas ao rito da bárbara usança,
índio já querem cativo acabar:
A coma lhe cortam, os membros lhe tingem,
Brilhante enduape no corpo lhe cingem,
Sombreia-lhe a fronte gentil canitar,


Livro publicado em 1851, pelo poeta Antônio Gonçalves Dias (10/08/1823 - 03/11/1864) famoso por outra obra muito conhecida "Canção do Exílio".


O livro é um poema da fase indianista do romantismo brasileiro, composto de 10 cânticos com 484 versos pentassilábicos, decassilábico e eneassilábicos.

Conta a história de um índio tupi, último sobrevivente de sua tribo, que foi capturado pelos índios Timbiras e deve ser sacrificado num ritual de canibalismo.








A palavra tupi I-Îuka Pyr-ama significa "aquele que será morto"


O índio chora e implora por sua vida, dizendo que cuida de um pai cego, que não tem mais ninguém por ele.


“Que temes, ó guerreiro?



Que tens, guerreiro? Que temor te assalta
No passo horrendo?
Honra das tabas que nascer te viram,
Folga morrendo.
Folga morrendo; porque além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.
Rasteira grama, exposta ao sol, à chuva,
Lá murcha e pende:
Somente ao tronco, que devassa os ares,
O raio ofende!
Que foi? Tupã mandou que ele caísse,
Como viveu;
E o caçador que o avistou prostrado
Esmoreceu!
Que temes, ó guerreiro? Além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.


Não era comum entre os índios o fato de um guerreiro temer a morte. Tal atitude era considerada um ato de covardia.


Os covardes não serviam para o ritual, que tinha a intenção de fortalecer os guerreiros que se serviam dele. Um guerreiro fraco e covarde não traria força e sim fraqueza para aqueles que o comessem.


Era comum que o guerreiro que seria sacrificado entoasse um canto se apresentando antes de ser morto.


Canto IV


“Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci


“Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte...


“Aos golpes do inimigo
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
acerbo desgosto
Comigo sofri”


“Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos...


Ao ser solto ele retorna a sua tribo, ainda ungido pelos óleos e pelas tintas do sacrifício.
Seu pai , então, desgostoso com a covardia do filho exige que ambos retornem à tribo dos Timbiras para resgatar o ato infame do filho.



Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o covarde do forte:
Pois choraste, meu filho não és.



Chegando lá, o filho é amaldiçoado pelo pai, pois teria chorado em presença dos inimigos, desonrando os tupis. Para provar sua coragem, o filho se lança em combate contra toda a tribo timbira. O barulho da disputa faz o pai perceber que o filho lutava bravamente. O chefe timbira, então, pede-lhe que pare, pois já tinha provado seu valor.







“ - Basta! clama o chefe dos Timbiras
, Basta, guerreiro ilustre!
assaz lutaste...







Pai e filho se abraçam, reconciliados, pois a honra tupi fora restaurada. A história é contada por um velho índio timbira, como uma recordação.


Canto X


Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: - "Meninos, eu vi!
"Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.
"Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!"
Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: "Meninos, eu vi!".




Fontes:

wikipedia.org
educacao.globo.com
professrojailton.com.br
biblio.com.br
google.com.br
biblio.com.br
contobrasileiro.com.br













terça-feira, 21 de abril de 2026



No dia 21 de abril de 1792 era enforcado no Rio de Janeiro, Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil e da Polícia Militar, além de ser herói nacional.








O dia de sua execução é feriado nacional no Brasil. Nascido na Fazenda do Pombal (MG), Tiradentes ficou órfão muito cedo, fato que resultou na perda do patrimônio da família por causa de dívidas e também em estudos irregulares. Ficou sob a tutela de um primo, que era dentista e, por conta disso, recebeu o apelido de Tiradentes.








Também adquiriu conhecimentos em mineração, tornando-se técnico no reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Em seu trabalho para o governo no reconhecimentos das terras, Tiradentes começou a confrontar as riquezas do solo, com a corrupção e a pobreza da população. Ele também trabalhou em projetos para a melhoria da infraestrutura no Rio de Janeiro, mas não conseguia verbas para todos os seus projetos. A partir daí começa a surgir em sua mente ideais de independência da colônia, já que na sua visão a metrópole Portugal emperrava o desenvolvimento do Brasil. De volta a Minas Gerais, iniciou junto às elites locais e a líderes religiosos um movimento pela independência daquela província, inspirado também na independência das colônias dos EUA. Outro fator que motivou sua militância neste sentido foi a questão dos impostos cobrados pela coroa portuguesa, como o Quinto, taxa semestral imposta aos moradores de Minas Gerais, que consistia em cem arrobas de prata para a Real Fazenda.




Tiradentes só começou a ser cultuado como herói nacional a partir de 1890, ou seja, 98 anos depois de sua morte. Sua imagem de mártir e patrono da nação brasileira foi construída pelos republicanos, que precisavam de um símbolo que representasse a luta pela ruptura definitiva com o poder português.


Mas não há como falar sobre Tiradentes sem entender o que foi a Inconfidência Mineira. Esse termo, aliás, tem sido rejeitado por muitos historiadores, já que inconfidência quer dizer traição, deslealdade, infidelidade. “O termo correto é ‘conjuração’, já que o que ocorreu em Minas Gerais foi o primeiro ato organizado para conquistar a independência do Brasil. Se eles foram traidores, foram segundo a ótica das autoridades coloniais. Como brasileiros não podemos continuar a explicar nossa história de acordo com a perspectiva.







Vinho e Constituição americana- A conjuração está situada no período de decadência do ciclo do ouro. Como a produção caiu vertiginosamente, a Coroa aumentou a repressão ao contrabando de ouro e diamantes e começou a pressionar os donos das minas a pagar os altos impostos devidos. Para ter uma ideia, em 1789 a elite colonial mineira devia 596 arrobas de ouro a Portugal, o equivalente a quase 9 toneladas.


Não foi à toa que grande parte dos endinheirados de Minas Gerais integrava as reuniões dos conjurados. Comerciantes, padres, intelectuais, coronéis, juízes e militares, toda a elite mineira estava rebelada contra a opressão portuguesa (ou, trocando em miúdos, os altos impostos cobrados).

No meio desses homens de posses havia uma pessoa simples. Alferes do Exército, aprendiz de dentista e dono de quatro escravos, Joaquim José da Silva Xavier era o mais “ideológico” do grupo. Era o único a defender com firmeza a abolição da escravatura – o que era natural, já que os outros eram donos de dezenas e até centenas de escravos.


Entusiasmado com o Iluminismo francês e com a independência dos Estados Unidos, não era raro vê-lo, já sob o efeito de três ou quatro copos de vinho, recitando trechos da Constituição americana em voz alta para seus colegas nas tavernas de Vila Rica (hoje Ouro Preto). E falava sobre República, liberdade e independência do Brasil.

Enquanto isso a Coroa preparava-se para lançar mais uma derrama – imposto per capita a ser cobrado cada vez que a cota anual de ouro não era atingida. A maioria dos conjurados devia grandes somas à Coroa, muitos eram contrabandistas e sonegavam parte do ouro que extraíam. Para livrar-se da cobrança, o grupo planejou a revolta nos mínimos detalhes. Mas não contaram com um porém: o governador (Visconde de Barbacena) suspendeu a derrama.


Com essa notícia, muitos conjurados perderam o ímpeto revolucionário, já que suas economias estavam a salvo. Várias “bandeiras” progressistas defendidas por eles, como a implantação de indústrias no Brasil, foram subitamente esquecidas. Um dos desestimulados foi o poeta Tomás Antônio Gonzaga, autor dos versos de Marília de Dirceu. Ele teria dito que, sem a derrama, “a ocasião para o levante perdeu-se…”


Segredo de polichinelo- Apenas os conspiradores acreditavam que seus planos fossem segredo. Não tinham nenhum sistema de segurança e as reuniões não eram frequentadas por gente muito confiável. Tiradentes pregava suas ideias nas tavernas para quem quisesse ouvir. Não foi difícil para o governador inteirar-se da conspiração em marcha. Quando Joaquim Silvério dos Reis denunciou seus companheiros, apenas deu os pormenores de uma trama que o governador já conhecia.


“É curioso notar como, de certa forma, todos os inconfidentes traíram a causa”, opina Bernardo Joffily, autor de um atlas de história do Brasil encartado na antiga revista Istoé Senhor. “Outros cinco conjurados foram condenados à forca .Contudo Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia de Pamplona delataram o movimento em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda. Todos entraram em pânico, imploraram perdão e se acusaram mutuamente e receberam a piedade da rainha.”


Já na época havia "delação premiada".




Único a não mostrar arrependimento, Tiradentes foi enforcado e esquartejado, tendo suas partes expostas em diversas cidades da capitania. Além disso, sua casa foi demolida e o terreno salgado para que nada mais nascesse no lugar. Para ele, uma pena que lembrava os tempos da Inquisição. Para os outros, exílio nas então colônias portuguesas de Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e Angola.






A partir daí, Tiradentes passou a ser procurado. Ele tentou se esconder na casa de um amigo, no Rio de Janeiro, mas foi descoberto no dia 10 de maio.






Alguns atribuem a isso o fato de Tiradentes ter assumido toda a responsabilidade pelo movimento e também, por outro lado, por ter uma posição social mais baixa em relação aos demais inconfidentes envolvidos. Em uma manhã de um sábado, após percorrer uma procissão no centro das ruas do Rio de Janeiro, Tiradentes foi enforcado. Contudo, a execução de Tiradentes, em vez de intimidar a população, acabou despertando ainda mais o sentimento de revolta em relação à dependência do Brasil como metrópole de Portugal.




Silvério dos Reis? Bem, além de ter revelado detalhes do plano de Conjuração também foi responsável pela descoberta do esconderijo de Tiradentes no Rio de Janeiro. Obteve como reconhecimento um belo pagamento da Coroa e foi enviado para o Maranhão com nome falso. Mesmo assim morreu queixando-se de nem sequer poder sair tranquilo às ruas com medo de assassinato. Serve de exemplo. Traidores podem ganhar no curto prazo, mas a história é cruel com eles.


Joaquim Silvério dos Reis






Fontes:

seuhistory.com
onda21.com.br
google.com.br
wikipedia.org
google.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...