quinta-feira, 7 de maio de 2026

Vamos falar hoje da trilogia ¨o tempo e o vento¨ de Érico Veríssimo.





O Tempo e o Vento foi apresentado pelo escritor gaúcho Erico Verissimo (1905-1975) como uma trilogia, ao longo de 13 anos: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962).

Os três livros percorrem um período de 200 anos e combinam elementos do romance histórico, da jornada épica e da crônica iluminando o caminho da família Terra Cambará. Ficção amparada em fatos e personagens reais, a saga traz episódios determinantes para a formação da identidade cultural e geográfica do Rio Grande do Sul e para a projeção política do Estado no Brasil que se moldava entre a colônia, o império e a república.




Os personagens principais da obra são verdadeiros ícones da literatura brasileira, cada um representando aspectos fundamentais da identidade gaúcha:



- Pedro Missioneiro: O jovem mestiço que vivencia a queda das Missões Jesuíticas, simbolizando a miscigenação étnica e cultural que caracteriza o povo do sul.

Foi o padre Alonzo que encontrou uma mulher entrando em trabalho de parto, no qual morreu. Pedro Missioneiro ficou aos cuidados dele, era um jovem inteligente e um bom católico. Já crescido casou-se com Ana Terra e com ela constituiu família. Seu filho recebeu o nome de Pedro Terra.




Ana Terra, esposa de Pedro Missioneiro, era filha dos paulistas Maneco Terra e Henriqueta. Eles viviam em Sorocaba.

Tendo seu pai descoberto sua gravidez mandou que seus próprios filhos fossem assassinar Pedro. Algum tempo depois um grupo de castelhanos invadiu a fazenda da família Terra e mataram um dos irmãos e o pai de Ana e ainda a violentaram. Os que sobreviveram partiram para Santa Fé, onde se desenvolverá o restante do romance    do livro O Tempo e o Vento.

'Ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra.


''A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto… Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve.''


- Ana Terra: A mulher forte e resiliente que enfrenta a violência e as adversidades, refletindo o papel crucial da figura feminina na construção dessa sociedade.






- Capitão Rodrigo: O arquétipo do gaúcho valente e sedutor, que participa ativamente dos conflitos e guerras que marcaram a história do Rio Grande do Sul.

É em Santa Fé que Pedro Terra, filho do casal Ana Terra e Pedro Missioneiro, cresce e constrói sua família, torna-se pai de Juvenal Terra e Bibiana Terra. Neste volume, o capítulo “Um Certo Capitão Rodrigo” é um dos principais destaques. A chegada repentina de Rodrigo Cambará a Santa Fé é marcada pelas características do rapaz, que representa a imagem do homem gaúcho forte, aventureiro, bravo e destemido.


Causando antipatia em todo povoado, Rodrigo Cambará é convidado a abandonar a cidade, porém não obedece as ordens e permanece na cidade. Certo dia, ao ver Bibiana Terra, o capitão Cambará se apaixona. Bibiana herdara da avó, Ana Terra, uma desconfiança de todos homens. Estava sendo cortejada por Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral, com quem capitão Rodrigo Cambará trava um duelo de arma branca pela mão da moça.




Esse duelo resulta em Bento deferindo um tiro de revólver, que levará escondido, deixando Rodrigo entre a vida e a morte. Após descobrir o feito covarde do filho, col. Amaral promete deixar o capitão Rodrigo Cambará viver tranquilo no povoado. Impressionada com a coragem de Rodrigo, Bibiana aceita casar-se com ele. O pai não gosta do sujeito, mas dá seu consentimento com tristeza.


- Bibiana Terra: A matriarca que, através de suas memórias, conecta as diferentes gerações e permite que o leitor compreenda a passagem do tempo e a evolução da família.

Apesar de casado, capitão Rodrigo Cambará não se acostuma com a vida pacata do vilarejo, entrega-se a bebida e passa a ter casos com outras mulheres. Bibiana suporta as dificuldades, é uma mulher forte que nunca se queixa de nada nem de ninguém. Após voltar da Guerra dos Farroupilhas, ou Guerra dos Farrapos, é assassinado durante uma invasão ao casarão do cel. Amaral, deixando Bibiana viúva e Bolívar órfão.


Por fim, dentre outros acontecimentos que fazem parte da história do país, Bolívar tem um filho chamado Licurgo Cambará que casa-se com sua prima Alice Terra. São pais de Toríbio Cambará e Rodrigo Cambará que dão continuidade aos próximos volumes do livro “O tempo e o vento”.


O primeiro volume de O Continente abre a trilogia. Erico mergulha no passado do Rio Grande do Sul e do Brasil em busca das raízes do presente. O país vive um momento de redescoberta de si e de redefinição de caminhos, com o fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, e o começo da Guerra Fria. Essa é a moldura para sua visão vertiginosa da violência e das paixões na definição da fronteira e nas guerras civis de seu estado natal. O Continente, segundo o crítico literário Antonio Candido "um dos grandes romances da literatura brasileira", lança o leitor em plena ação, durante o cerco das tropas federalistas ao Sobrado do republicano Licurgo Cambará, em 1895, para em seguida retroceder um século e meio e mostrar as origens míticas e históricas do clã Terra Cambará. Acompanhando a formação dessa família, Erico nos apresenta toda a saga.






O retrato

Em “O retrato”, continua a história da família Terra-Cambará em mais dois volumes. Agora com um novo Rodrigo Cambará, bisneto do capitão e ainda seguindo o modelo do homem gaúcho com gosto para as aventuras e pelas mulheres. Rodrigo formou-se em medicina em Porto Alegre e decide voltar a sua terra natal, Santa Fé, que aos poucos deixa de ser um povoado e vai se modernizando.





Com a cabeça para fora do vagão e achando um sabor ríspido e quase heroico em receber na cara o bafo do forno da soalheira e a poeira da estrada, Rodrigo ficou a pensar nas grandes coisas que pretendia fazer. Não se conformaria com ser um simples médico da roça, desses que enriquecem na clínica e acabam criando uma barriguinha imbecil. Não.


Acostumado com a vida na cidade, todo tempo compara a cidadezinha com Paris e outras grandes cidades, representando o homem da virada do século que deixa a realidade rústica e anseia a urbanização. Diferente de seu irmão Toríbio, que se interessa mais pelo campo, Dr. Rodrigo Cambará idealiza projetos de vida grandiosos baseados em sua vivencia na “civilização”. Lança um jornal na cidade que começa a ter influência na política.

Nesse volume, que passa entre a virada do século XIX para o século XX, o plano de fundo da história são os avanços tecnológicos, os progressos da civilização e as mudanças em relação ao poder.O horror moderno era o pavor da Vida e do Conhecido, o horror social causado pela violência e crueldade do homem contra o homem.


Depois da Primeira Guerra Mundial o medo da fome, do desemprego, da miséria e o medo do próprio medo haviam preparado o caminho para o Estado Totalitário. Este por sua vez industrializara e racionalizara o medo a fim de fortalecer-se, sobreviver e ampliar suas conquistas geográficas e psicológicas. Rodrigo Cambará torna-se um participante ativo das questões políticas e todo restante da narrativa ocorre em cima dos acontecimentos da época.


O Arquipélago


A terceira, e última parte do livro, é dividida em três volumes. Neste ponto, ocorre a desintegração de todos os costumes e valores tradicionais da família Terra-Cambará. Devido a atuação ativa de Dr. Rodrigo Cambará na política, parte da ação se passa no Rio de Janeiro, a capital do país na época, no qual ele é eleito deputado federal.


Personagens reais, como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Luís Carlos Prestes, participam da trajetória de Rodrigo Cambará mesclando ficção com realidade. Novamente, Dr. Rodrigo Cambará retorno a Santa Fé, ampliando o poder da família Cambará a âmbito nacional. Neste volume, o capítulo “Diário de Sílvia” tem a primeira narração feminina apresentando os personagens de “O tempo e o vento” sob um ângulo diferente.

Relatado em primeira pessoa por Silvia, noiva de Jango e apaixonada pelo cunhado Floriano, a personagem relembra sua trajetória desde a infância até o amor fracassado por Floriano. Por fim, Floriano Cambará decide escrever a história da família e inicia o conto com as primeiras palavras de “O continente”. Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado.






O autor narra a história do Rio Grande do Sul e do gaúcho desde a formação das Missões Jesuíticas nos séculos XVII e XVIII, passa pela Guerra dos Farroupilhas, século XIX e vai até a Revolução de 1930 no século XX com a ascensão do gaúcho Getúlio Vargas.



Fontes:

educamasibrasil.com.br
midialouca.com.br
google.com
sitedoescritor.com.br
institutoling.org.br
educacaoglobo.com
recantodasletras.com.br
beduka.com
blogdopedroeloi.com.br
brasilescola.uol.com.br
gauchazh.clicrbs.com.br

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Reis católicos da Espanha - Fernando e Isabel





O território espanhol já foi dividido por vários reinos cristãos e muçulmanos desde 711, quando o conquistador berbere Tãriq Ibn Ziyãd conseguiu estabelecer o primeiro território muçulmano na região, que posteriormente desenvolveu o domínio do Al-Andalus, que chegou a ocupar a maior parte da Península Ibérica. Pouco depois, em 718, teve início a longa Guerra da Reconquista, que representou os esforços dos cristãos pela expulsão dos chamados mouros, processo que se estendeu até 1492. 


No decorrer dos enfrentamentos e progresso da reconquista territorial, variados reinos foram formados como Leão, Castela, Navarra, Aragão e Portugal. As relações entre estas monarquias eram complexas, bastante influenciadas pelas condições da estrutura feudal, hierarquias de vassalagem e suserania entre os próprios reinos e pelas circunstâncias do equilíbrio de poder militar e dinástico.





Os Reis Católicos foram Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão. Casaram-se em 1469 e, quando Isabel herdou a coroa de Castela em 1474 e Fernando a coroa de Aragão em 1479, tornaram-se os primeiros soberanos de uma monarquia espanhola centralizada.

A monarquia dos Reis Católicos se sustentou em medidas institucionais que concentraram o poder nos monarcas e consolidaram a unidade religiosa mediante a expulsão ou conversão de judeus (1492) e muçulmanos (1502) e mediante a criação da Inquisição espanhola (1478).




Através da evolução da configuração territorial e política ibérica, os reinos de Castela e Aragão eram os mais destacados reinos hispânicos. Castela possuía era o mais poderoso deles, possuindo o maior território e mais numeroso contingente populacional, além de vultosa produção de riquezas através da atividade agrícola e considerável poder militar. O Reino de Aragão desenvolveu uma promissora atividade comercial e marítima através das rotas do Mediterrâneo. A aproximação entre os reinos era estratégica, assim, em 1469, uma aliança foi firmada através do casamento entre a princesa Isabel de Castela e o príncipe Fernando de Aragão, que eram primos. A articulação em torno do casamento evolveu interesses políticos para lidar com divergências palacianas e contou ainda com o envolvimento papal.


Isabel I de Castela nasceu em 1451, filha do rei João II em seu seguindo casamento com Isabel de Portugal. Sua coroação, em 1474, após uma conflituosa disputa dinástica após a morte de seu meio-irmão Henrique IV, contou com o interessado apoio da coroa de Aragão, pois favorecia ainda mais a aliança entre os dois reinos. Fernando II de Aragão, nascido em 1452, era filho de João II de Aragão e de sua segunda esposa, a nobre castelhana Joana Enríquez. Sua coroação como rei de Leão ocorreu em 1479, quando, enfim, Fernando e Isabel, consolidaram-se como governantes plenos da união entre as duas coroas.

A monarquia dual que foi estabelecida favoreceu a conclusão da Reconquista. O bem protegido Reino de Granada era o último reduto ocupado pelos islâmicos e a atuação das forças combinadas de Castela e Aragão conseguiu, finalmente, firmar sua vitoriosa ação em 1492, quando os Reis Católicos receberam as chaves da cidade de Granada, entregues pelo do sultão Boabdil e simbolizando o triunfo definitivo da prolongada luta pelo estabelecimento do domínio cristão na região ibérica. No mesmo ano, o Decreto de Alhambra determinou a expulsão dos judeus que recusassem a conversão cristã e posteriormente a mesma exigência foi imposta aos muçulmanos que ainda permaneciam no território dos reinos.






Grandes navegações

Igualmente, os soberanos financiaram a expedição de Cristóvão Colombo à América, ocorrida também em 1492.

A fim de garantir a paz com o Reino de Portugal, os soberanos assinaram vários acordos com o vizinho, especialmente o Tratado de Tordesilhas onde os limites do novo mundo foram estabelecidos.

Inquisição e expulsão dos judeus

Do mesmo modo, a expansão da religião católica foi um assunto importante para estes monarcas.

Com o objetivo de transformar todos os habitantes do reino em súditos, em 1492 foi proclamado o Decreto de Alhambra. Nele, se dizia que os judeus que viviam em Castela eram obrigados a escolher entre a conversão ou deixarem o território.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
hostoriablog.org
culturalespanhola.com.br
todamateria.com.br

terça-feira, 5 de maio de 2026

 


Batizados em pé, foi um título que os próprios judeus atribuíram a si mesmo. Eles preferiam a expulsão de Portugal à conversão ao Catolicismo. Foram arrastados paras as Igrejas e ali batizados em massa, num ato de violência e radicalização.

A história relata que, em 31 de março de 1492, os judeus foram expulsos da Espanha pelos reis católicos Ferdinando e Isabel. Mais de 100.000 judeus cruzaram a fronteira adentrando em Portugal, na esperança de livremente praticar suas crenças. Em 1496, Dom Manoel I, o Venturoso, se casou com a filha dos reis católicos da Espanha, na condição que Portugal também expulsasse os judeus. Dom Manoel I, interessado nos benefícios que a união das coroas traria, promulgou o decreto de expulsão em 5 de dezembro de 1496. Referindo-se ao aludido decreto, o historiador Arnold Wiznitzer destaca:


“Porém este decreto foi fraudulento em sua essência, pois o objetivo que visava não era a expulsão dos judeus e sim alcançar, mediante a força e artifícios, a conversão de aproximadamente 190 mil judeus residentes em Portugal, quase 20% da população total do país,”






Dom Manoel estabeleceu prazo (de janeiro a outubro de 1497) para que todo judeu passasse por um processo de conversão ao catolicismo, caso desejasse permanecer em Portugal. Em outubro do mesmo ano, Dom Manoel anunciou que disponibilizaria naus às margens do Rio Tejo que os levaria de volta ao seu país de origem, a Terra Santa. Porém, naquele dia nenhuma nau apareceu e aquela multidão foi obrigada à uma conversão forçada, sendo ali mesmo naquela praça onde foram batizados em pé.  Daí surgiu a expressão até hoje conhecida: “ficaram a ver navios.”.




A importância de cristãos-novos  na formação do Brasil ainda não é reconhecida. Mas essa situação está começando a mudar. “Os cristãos-novos estão aparecendo recentemente na literatura didática, de 2012 para cá.





Eles foram fundamentais, de fato. “Os cristãos-novos influenciaram a vida paulistana”, diz o historiador Marcelo Meira. “Eram alfabetizados, sabiam negociar e possuíam um caráter especial que resultou na conquista de novas terras.”


Os cristãos-novos, judeus convertidos forçadamente ao cristianismo, adotaram uma variedade de sobrenomes para evitar a perseguição da Inquisição. Muitos usavam sobrenomes comuns, como Silva, Costa, Rodrigues, Nunes e Lopes, já que não existia um sobrenome exclusivo para esse grupo. Outros escolhiam nomes relacionados à natureza (como Carvalho, Pereira, Leão e Pinheiro), acidentes geográficos (como Serra, Monte e Rios), cidades (como Miranda e Bragança) ou características físicas (Moreno e Branco).







Na própria expedição de Pedro Álvares Cabral já aparecem alguns judeus, dentre eles, Gaspar Lemos, (seu nome antes da conversão era Elias Lipner),Capitão-mor, que gozava de grande prestígio com o Rei D. Manuel. Podemos imaginar que tamanha alegria regressou Gaspar Lemos a Portugal, levando consigo esta boa nova: – descobria-se um paraíso, uma terra cheia de rios e montanhas, fauna e flora jamais vistos.


Gaspar de Lemos



Teria pensado consigo: não seria ela uma “terra escolhida” para meus irmãos hebreus? Esta imaginação começou a tornar-se realidade quando o judeu Fernando de Noronha, primeiro arrendatário do Brasil, demanda trazer um grande número de mão de obra para explorar seiscentas milhas da costa, construindo e guarnecendo fortalezas na obrigação de pagar uma taxa de arrendamento à coroa portuguesa a partir do terceiro ano. Assim, milhares e milhares de judeus fugindo da chamada “Santa Inquisição” e das perseguições do “Santo Ofício” de Roma, começaram a colonizar este país.


Afinal, os judeus ibéricos, como qualquer outro judeu da diáspora, procuravam um lugar tranquilo e seguro para ali se estabelecer, trabalhar, e criar sua família dignamente.


Muitos judeus, apesar de forçados a abraçar a fé católica, continuavam com seus ritos judaicos. Esse eram chamados de marranos, termo pejorativo derivado de um velho vocábulo latino que significava suíno.






Fontes:


novavega.pt
museudainquisicao.org.br
google.com
aventurasnahistoria.com.br
anussim.org.br
wikipedia.org



segunda-feira, 4 de maio de 2026






Em meados do século XVI na Hispano-américa os espanhóis estavam firmemente estabelecidos no México e no Peru. Nestas colônias havia uma porcentagem importante de cristãos. Surgiram então pedidos para nomear um tribunal da Inquisição. O rei Felipe II criou em 7 de fevereiro de 1569 os tribunais da Inquisição na cidade do México e em Lima. A Inquisição foi uma instituição judicial criada pelo pontificado na Idade Média com a missão de localizar, processar e sentenciar as pessoas culpadas de heresia (opinião ou doutrina contrária à Igreja). Na Igreja primitiva a pena habitual por heresia era a excomunhão. Com o reconhecimento do cristianismo como religião estatal no século IV pelos imperadores romanos, os hereges começaram a ser considerados inimigos do Estado, sobretudo quando tinham provocado violência e alterações de ordem pública.


Tomás de Torquemada


Tomás de Torquemada nasceu em Valladolid (ou, segundo outros, em Torquemada) no ano de 1420 Fez-se Religioso dominicano, exercendo por 22 anos o cargo de Prior do convento de Santa-Cruz em Segóvia. Já aos 11 de fevereiro de 1482 foi designado por Sixto IV para moderar o zelo dos Inquisidores espanhóis. No ano seguinte o mesmo Pontífice o nomeou Primeiro Inquisidor de todos os territórios de Fernando e Isabel.






Extremamente austero para consigo mesmo, o frade dominicano usou de semelhante severidade nos seus procedimentos judiciários. Dividiu a Espanha em quatro setores inquisitoriais, que tinham como sedes respectivas as cidades de Sevilha, Córdova, Jaen e Villa (Ciudad) Real. Em 1484 redigiu, para uso dos Inquisidores, uma “Instrução”, opúsculo que propunha normas para os processos inquisitoriais, inspirando-se em tramites já usuais na Idade Média; esse libelo foi completado por dois outros do mesmo autor, que vieram a lume respectivamente em 1490 e 1498.

Geralmente, baseado em denúncias de fraca sustentação, os investigados eram presos e submetidos a interrogatório nos calabouços da Inquisição. Enquanto os açoitamentos e torturas eram deflagrados, Torquemada passava o tempo sussurrando as suas preces. Segundo alguns documentos, os interrogados tinham as unhas arrancadas, a pele marcada com ferro em brasa e os dedos perfurados. Mulheres acusadas de bruxaria eram despidas para que fossem encontradas tatuagens de símbolos diabólicos.
Torquemada e os reis da Espanha (Fernando e Isabel)





O rigor de Torquemada foi levado ao conhecimento da Sé de Roma; o Papa Alexandre VI, como dizem algumas fontes históricas, pensou então em destitui-lo de suas funções; só não o terá feito por deferência a corte da Espanha. O fato é que o Pontífice houve por bem diminuir os poderes de Torquemada, colocando a seu lado quatro assessores munidos de iguais faculdades (Breve de 23 de junho de 1494).


Quanto ao número de vítimas ocasionadas pelas sentenças de Torquemada, as cifras referidas pelos cronistas são tão pouco coerentes entre si que nada se pode afirmar de preciso sobre o assunto.






Tomás de Torquemada ficou sendo, para muitos, a personificação da intolerância religiosa, homem de mãos sanguinolentas.



Fontes:
seuhistory.com
google.com.br
cleofas.com.br
wikipedia.org
historiadomundo.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2026



Hoje é Dia 1º de Maio, data comemorativa no mundo inteiro como dia do Trabalhador.







O Dia do Trabalho, também conhecido como Dia do Trabalhador, é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios e de conscientização.


"Os outros carregadores mais idosos meio que tinham caçoado do bobo, viesse trabalhar que era melhor, trabalho deles não tinha feriado. Mas o 35 retrucava com altivez que não carregava mala de ninguém, havia de celebrar o dia deles. E agora tinha o grande dia pela frente.


Dia dele... Primeiro quis tomar um banho pra ficar bem digno de existir. A água estava gelada, ridente, celebrando, e abrira um sol enorme e frio lá fora. Depois fez a barba. Barba era aquela penuginha meio loura, mas foi assim mesmo buscar a navalha dos sábados, herdada do pai, e se barbeou. Foi se barbeando. Nu só da cintura pra cima por causa da mamãe por ali, de vez em quando a distância mais aberta do espelhinho refletia os músculos violentos dele, desenvolvidos desarmoniosamente nos braços, na peitaria, no cangote, pelo esforço quotidiano de carregar peso. O 35 tinha um ar glorioso e estúpido. Porém ele se agradava daqueles músculos intempestivos, fazendo a barba.


Ia devagar porque estava matutando. Era a esperança dum turumbamba macota, em que ele desse uns socos formidáveis nas ruças dos polícias. Não teria raiva especial dos polícias, era apenas a ressonância vaga daquele dia. Com seus vinte anos fáceis, o 35 sabia, mais da leitura dos jornais que de experiência, que o proletariado era uma classe oprimida. E os jornais tinham anunciado que se esperava grandes "motins" do Primeiro de Maio, em Paris, em Cuba, no Chile, em Madri." (Trecho do conto 1º de Maio de Mário de Andrade).


Uma greve histórica, realizada em 1º de maio de 1886, nos Estados Unidos.






Neste dia, em Chicago, mais de 1 milhão de trabalhadores saíram às ruas para protestar. Centenas foram presos pela polícia. Três dias depois, numa assembléia na praça Haymarket, uma bomba explodiu, matando dezenas de trabalhadores e ferindo outros 200.







Em consequência desses eventos, os sindicalistas anarquistas Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg, foram condenados à forca, apesar da inexistência de provas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão, ingerindo uma cápsula explosiva. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido como Black Friday. Três outros foram condenados à prisão perpétua.








Em 1893 eles foram inocentados e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive encomendando o atentado para justificar a repressão que viria a seguir.

Se hoje temos alguns direitos trabalhistas garantidos na Constituição Federal, isso se deveu à luta de várias gerações que nos precederam. Não foi um ato de bondade de empresários e da elite.

Lembremos que até 2013 as empregadas domésticas não tinham proteção. Muitas trabalhavam até 12 horas diárias sem horas extras e outros direitos.



A luta sindical permitiu que Direitos como 44 horas semanais, 13º salário, vale refeição, vale transporte, férias de 30 dias, 1/3 de abono de férias, licença maternidade e paternidade, horas extras, fossem conseguidos. Sem mobilização, organização e luta esses direitos tendem a se extinguir, pela ganância de empresários retrógrados e reacionários, que se utilizam do poder político para explorar e gerar mais lucros.


Hoje a luta é contra a escala 6 x 1, transformando-a em escala 5x2. Ou seja o trabalhador trabalharia cinco dias na semana e teria 2 dias de folga.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
vermelho.org.br
guiadoestudante.abril.com.br
suapesquisa.com

quinta-feira, 30 de abril de 2026

 Batalha de Verdun





A Batalha de Verdun, ocorrida entre fevereiro e dezembro de 1916, foi um dos conflitos mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial, resultando em cerca de 700.000 baixas e simbolizando a resistência francesa. Suas consequências impactaram profundamente a estratégia militar, a cultura e a memória histórica, fazendo de Verdun um símbolo de heroísmo e sacrifício, cuja lembrança é preservada em monumentos e estudos até os dias atuais.

A Batalha de Verdun é frequentemente lembrada como um dos confrontos mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial.

Este território francês se tornou o cenário de um dos maiores embates da história militar, simbolizando a resistência e o sacrifício das forças francesas. A batalha não apenas moldou o destino da França, mas também teve reverberações profundas em todo o cenário europeu. Neste artigo, vamos analisar o contexto que levou a este combate devastador e suas consequências duradouras.


Desesperados por manter o prestigiado complexo fortificado de Verdun, os franceses implementaram um sistema de rotatividade de divisões na sua defesa, o que levou a que 75% do exército nacional combatesse nesta gigantesca contenda. Sendo a mais longa da Grande Guerra e uma das mais sangrentas, a Batalha de Verdun (fevereiro a dezembro de 1916) resultou, tal como tantos outros confrontos deste período, em centenas de milhares de baixas sem que daí adviessem ganhos estratégicos significativos para qualquer dos lados. A resistência francesa prevaleceu, deixando a Alemanha num estado de tal exaustão, tanto em recursos humanos como em material bélico, que esta se viu incapacitada de lançar outra ofensiva de grande envergadura até 1918.





As unidades de infantaria do Quinto Exército Alemão, compostas por cerca de um milhão de homens, avançaram então ao longo de uma frente de 13 km (8 milhas) que acompanhava o curso do rio Mosa. Os atacantes introduziram uma nova e terrível arma no campo de batalha: o lança-chamas. Inicialmente, a ofensiva progrediu com sucesso, avançando 5,6 km (3,5 milhas) — uma distância considerável, dado o carácter tipicamente estático da Frente Ocidental. Os comandantes franceses, confrontados com a escassez de munições e de mantimentos, viram-se obrigados a reagrupar as suas enfraquecidas forças. A retirada estratégica para sul implicou o abandono da planície de Woëvre ao inimigo. Contudo, o golpe mais severo, sobretudo em termos de prestígio, foi a perda do Forte Douaumont, a 25 de fevereiro.

A magnitude do avanço alemão e o êxito inicial da sua ofensiva colocavam a própria cidade de Verdun, fundamental para toda a batalha, sob uma ameaça iminente. Perante este cenário crítico, o Marechal Joseph Joffre(1852-1931), comandante-chefe do exército francês, tomou medidas drásticas ao nomear o General Philippe Pétain (1856-1951) como o novo comandante do sector da frente. Embora os sistemas de trincheiras francesas tivessem já sido neutralizados em grande parte, Pétain recebeu ordens categóricas para manter a defesa de Verdun a todo o custo. Isto ocorria apesar de, do ponto de vista tático, ser teoricamente preferível recuar para o terreno florestal adjacente, cujas características naturais favoreceriam uma postura defensiva atrás do saliente. Pétain revelou-se uma escolha acertada: era um comandante que, embora pragmático quanto às perdas operacionais, fora sempre um fervoroso defensor da primazia da defesa sobre a ofensiva. Se existia um general capaz de salvar a França naquele momento, esse homem era Pétain.








O mesmo general Philippe Pétain, foi acusado de traição na Segunda Guerra Mundial, devido a um acordo com a Alemanha Nazista que dividiu a França, criando a França de Vichy.

General Pétain




Os piores combates ocorreram nas Colinas 304 e Le Mort Homme (o Homem Morto), que finalmente caíram em poder dos alemães em junho. O máximo avanço alemão em julho chegou a quatro quilômetros de distância de Verdun, mas as perdas eram enormes e dois fatos levaram à interrupção da ofensiva alemã: um deles foi a ofensiva britânica na frente do Rio Somme, em 1º de julho, para aliviar a pressão alemã sobre Verdun; e o outro, e não menos importante, foi o início da Ofensiva Brusilov em 4 de junho na frente oriental, principalmente contra as defesas austro-húngaras na Galícia (atual oeste da Ucrânia). Estas entraram em colapso, forçando os alemães a enviar oito divisões (aproximadamente 90.000 soldados) para a frente oriental para ajudar seus aliados. Dessa maneira, indiretamente, os russos conseguiram ajudar os franceses a frear a ofensiva alemã, sendo este último fato menosprezado no Ocidente por razões óbvias, o que mereceria um artigo à parte.

Diante dessa situação, em 26 de setembro, Falkenhayn foi substituído pelo marechal Paul Von Hindenburg, que em agosto já havia ordenado o fim da ofensiva na frente de batalha. Em setembro, os alemães passaram à defensiva, e os franceses contra-atacaram com ofensivas limitadas, mas bem-sucedidas, recuperando as posições perdidas na segunda linha. Em outubro, recuperaram Douaumont. Do lado francês, o general Robert Nivelle assumiu o comando e lançou as ofensivas de 19 de novembro e 9 de dezembro, onde recuperaram a maioria das posições perdidas da primeira linha. Desta vez, os avanços da infantaria foram precedidos por uma barreira de fogo de artilharia que protegeu o ataque da infantaria, permitindo assim uma menor quantidade de baixas até a chegada às linhas inimigas.


Verdun foi a batalha mais prolongada da Primeira Guerra Mundial, durou de 21 de fevereiro a 9 de dezembro de 1916. Os alemães empregaram um total de 40 divisões e sofreram aproximadamente 335.000 baixas, enquanto os franceses utilizaram 70 divisões e tiveram cerca de 377.000 baixas. O principal objetivo alemão de conseguir a rendição da França não foi alcançado, e as Potências Centrais tiveram que continuar combatendo nas frentes ocidental e oriental com menos recursos e reservas. Foi um ponto de inflexão para a Alemanha e o início do fim do Império Alemão.




Fontes:

fatosmilitares.com
woeldhistory.org
velhogeneral.com.br
wikipedia.org
google.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...