Guerra do Paraguai.
Vamos falar sobre uma das guerras mais violentas da America do Sul, envolvendo principalmente Brasil e Paraguai, mas também com a participação de Argentina e Uruguai.
Começamos falando da guerra propriamente dita, e nas próximas postagens vamos falar de algumas de suas principais batalhas, como: Cerco de Humaitá, Batalha do Tuiuti, Retirada da Laguna, Batalha do Riachuelo, Batalha de Corumbá.
A Guerra do Paraguai foi um conflito militar que ocorreu na América do Sul, entre os anos de 1864 e 1870. Nesta guerra o Paraguai lutou conta a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
Contexto histórico:
A Guerra do Paraguai ocorreu em um contexto de disputas políticas e econômicas na região do Rio da Prata durante o século XIX, período marcado pela consolidação dos Estados nacionais sul-americanos.
O Paraguai, sob o governo de Francisco Solano López, buscava afirmar sua autonomia e influência regional, enquanto Brasil, Argentina e Uruguai possuíam interesses divergentes na área, principalmente relacionados ao controle de territórios estratégicos e rotas comerciais. A intervenção brasileira no Uruguai, em 1864, para apoiar o grupo político colorado contra os blancos, aliados do Paraguai, foi interpretada por Solano López como uma ameaça direta à soberania paraguaia, levando ao ataque contra o Brasil e posteriormente à formação da Tríplice Aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai para combater o Paraguai.
Segundo alguns historiadores, o Paraguai iniciou a guerra com mais de 60 mil homens treinados — 38 mil dos quais já armados — 400 canhões, um esquadrão naval de 23 barcos a vapor e cinco navios fluviais (entre eles a canhoneira Tacuarí). As comunicações na bacia do rio da Prata eram mantidas exclusivamente por via fluvial, pois existiam muito poucas estradas. Quem controlasse os rios venceria a guerra, então o Paraguai havia construído fortificações nas margens da parte inferior do rio Paraguai.
No entanto, estudos recentes sugerem muitos problemas. Embora o exército paraguaio tivesse entre 70 mil e 100 mil homens no início do conflito, eles estavam mal equipados. A maioria dos armamentos de infantaria consistia em mosquetes e carabinas de calibre lisos imprecisos, lentos para recarregar e de curto alcance. A artilharia era igualmente pobre. Os militares não tinham formação, nem experiência, nem sistema de comando, pois todas as decisões eram tomadas pessoalmente por López. Alimentos, munições e armamentos eram escassos, com logística e atendimento hospitalar deficientes ou inexistentes. A nação de cerca de 450 mil pessoas não poderia resistir à Tríplice Aliança de 11 milhões de pessoas.
Brasil e seus aliados
No início da guerra, as forças militares do Brasil, Argentina e Uruguai eram muito menores que as do Paraguai. A Argentina tinha aproximadamente 8 500 tropas regulares e um esquadrão naval de quatro vapores e um goleta.
O Uruguai entrou na guerra com menos de dois mil homens e nenhuma marinha. Muitos dos 16 mil soldados brasileiros estavam localizados nas guarnições do sul. A vantagem brasileira, porém, estava em sua marinha, composta por 45 navios com 239 canhões e cerca de quatro mil tripulantes bem treinados. Grande parte da esquadra já se encontrava na bacia do Rio da Prata, onde atuou sob o comando do Marquês de Tamandaré na intervenção contra o governo de Aguirre.
Como o Brasil não tinha forças armadas suficientes para bancar a guerra, foi criada uma força chamada de ¨Voluntários da Pátria¨.
Voluntários da Pátria eram as unidades militares criadas em 7 de janeiro de 1865 (Decreto no 3.371), pelo Império do Brasil, para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870). O Brasil possuía, então, um exército despreparado, mal armado e pouco numeroso. Por isso foi necessário um esforço nacional para arregimentar soldados para a guerra.
O decreto assegurava aos cidadãos entre 18 e 50 anos que se alistassem vários benefícios além do soldo: prêmio de 300 mil réis, lotes de terra em colônias militares, preferência nos empregos públicos, patentes de oficiais honorários, liberdade imediata aos escravos, assistência a órfãos, viúvas e mutilados de guerra.
Houve, inicialmente, um grande número de voluntários estimulados pelos benefícios prometidos e também pelo patriotismo que tomou conta do Brasil no início da guerra. D. Pedro II deu o exemplo, apresentando-se como o primeiro voluntário da pátria em Uruguaiana, cidade ocupada pelo exército paraguaio. Mandou libertar todos os escravos das fazendas imperiais (como a Fazenda Imperial de Santa Cruz) para lutar na guerra.
Com o passar do tempo, porém, o entusiasmo popular diminuiu e o governo imperial passou a exigir dos presidentes das províncias (equivalentes aos atuais governadores estaduais) que recrutassem uma determinada cota de “voluntários”.
O recrutamento forçado levou a várias formas de se escapar da convocação: os mais ricos faziam doações de recursos, equipamento e escravos para lutarem em seu lugar; os de menos posses alistavam seus parentes ou agregados; os despossuídos fugiam para o mato.
O uso de escravos para lutar em nome de seus proprietários virou prática corrente. Por outro lado, muitos escravos se ofereceram para ir à guerra convencendo seus senhores a “vendê-los para a guerra” desejando, com isso, obter a alforria.
Destacavam-se, entre os Voluntários da Pátria, os Zuavos Baianos formados só por negros. Também participaram da guerra índios de várias províncias como os Kadiwéu, representantes do grupo Gauikuru da região do Chaco.
A denominação ¨Voluntários da Pátria¨ contém duas imprecisões:
"Voluntário", segundo o Dicionário Houaiss, é aquele "que não é forçado, que depende da vontade ou é controlado por ela".
No caso dos Voluntários da Pátria, "muitos foram voluntários a pau e corda", segundo diz à BBC News Brasil o historiador Mário Maestri, autor do livro Guerra sem fim: a Tríplice Aliança contra o Paraguai (editora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo/ECM, 2017).
Já "pátria", segundo o mesmo dicionário, designa "país em que se nasce e ao qual se pertence como cidadão".
Entretanto, os Voluntários da Pátria eram em parte estrangeiros, muitos dos quais receberam promessa oficial de auxílio para retornar a suas terras natais ao final do conflito.
A guerra demorou 5 anos, e terminou com a morte de Solano Lopes em 1º de março de 1870 na Batalha de Cerro Corá.
Solano Lopez
Existem muitas controvérsias sobre a morte do ditador do Paraguai. Alguns afirmam que ele foi morto em combate, outros que foi executado após ter se rendido. Seu corpo foi profanado, dentes foram arrancados, uma das orelhas decepada e seu uniforme dividido entres os combatentes como espólio de guerra.
O conflito terminou com a vitória da Tríplice Aliança.
A principal consequência do conflito, segundo o professor de História da Universidade Regional do Pampa (Unipampa) Jeremyas Machado Silva, de Santa Rosa, foi o extermínio de grande parte da população paraguaia.
Foram liquidados entre 28.286 e 268.649 paraguaios, números que correspondem respectivamente a 8,7% e 69% da população do país à época, diz Silva à BBC News Brasil, por telefone, de Santa Rosa.
Além disso, o país perdeu porção significativa de seu território para os vizinhos Brasil e Argentina.
Já o Brasil teve de 50 a 60 mil mortos, incluindo civis.
Para os vencedores, a guerra trouxe como consequências o fortalecimento do exército que contribuiria para o fim da monarquia no Brasil; a criação de condições para a centralização definitiva do Estado argentino e o fortalecimento do domínio colorado na política uruguaia.
"A Guerra do Paraguai foi o maior conflito entre Estados ocorrido entre as guerras napoleônicas e a Primeira Guerra Mundial", afirma Silva, da Unipampa.
Fontes:
wikipedia.org
historiadobrasil.net
google.com
studhistoria.com.br
bbc.com
ensinarhistoria.com.br


