segunda-feira, 2 de março de 2026



Hoje iniciaremos uma série de postagens falando dos principais bandeirantes. Foram eles heróis ou bandidos ?

Os bandeirantes são figuras centrais na história do Brasil colonial, representando ao mesmo tempo, heroísmo e brutalidade. Originários de São Paulo, esses homens desbravaram o interior do território brasileiro entre os séculos XVI e XVIII, expandindo as fronteiras do Brasil além das demarcações estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas. No entanto, as ações dos bandeirantes estão longe de ser unanimemente celebradas. Enquanto alguns os veem como heróis que ajudaram a construir o Brasil, outros os consideram bandidos pela violência que praticaram contra indígenas e africanos escravizados. Neste texto, vamos explorar as diferentes facetas dos bandeirantes e discutir se é possível classificá-los como heróis, bandidos, ou ambos.

Começamos com o  ´caçador de esmeraldas `, Fernão Dias.

Fernão Dias.




Fernão Dias (1608-1681) foi um célebre bandeirante paulista. Ficou conhecido como "O Caçador de Esmeraldas". Os bandeirantes tinham o objetivo de procurar riquezas minerais e encontrar mão de obra indígena.

No século XVI foram organizadas as primeiras expedições, que exploravam principalmente o litoral. No começo do século XVII, as bandeiras se embrenhavam pela mata em busca de mão de obra indígena, para trabalhar na plantação de cana de açúcar.




Fernão Dias Pais nasceu na vila de São Paulo de Piratininga, em 1608. Filho e neto dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente.

A mão de obra indígena

O povoado de São Paulo do começo do século XVII não passava de uma vila isolada do litoral e do progresso, pela Serra do Mar. Não era como o Nordeste açucareiro enriquecido pela exportação agrícola.







São Paulo produzia para seu próprio consumo e se destacava pelo comércio de mão de obra indígena com o Nordeste para o trabalho na indústria açucareira.

Em busca de índios, os paulistas se embreavam pela mata em expedições conhecidas como bandeiras. Porém, quando os holandeses invadiram e ocuparam o Nordeste, em 1642, monopolizaram o comércio de escravos africanos.

Em 1654, com a expulsão dos holandeses, o açúcar brasileiro entrou em decadência, barrado pela concorrência dos holandeses que iniciaram o plantio da cana-de-açúcar nas Antilhas.

Em 1660, Fernão Dias casou-se com Maria Garcia Betim, descendente do índio Tibiriçá pelo lado materno e de um irmão de Pedro Alvares Cabral pelo lado paterno.

Integrou a famosa bandeira de Antônio Raposo Tavares, ao sul do Brasil, em 1638, que devassou os atuais estados do  e talvez o Uruguai.



Defensor da expulsão dos jesuítas, que não concordavam com a escravização dos índios, partiu em nova bandeira, de 1644 a 1646, dessa vez pelo sertão paulista. Ele seria eleito juiz ordinário em 1651 e, em 1653, promoveria uma reconciliação entre paulistas e jesuítas.






A vila de São Paulo, que apenas em 1711 seria promovida ao estatuto de cidade, desenvolveu-se em torno do Colégio dos Jesuítas, a partir de 1554. Desde essa época a vila contou com a presença da Ordem de São Bento, que, por iniciativa do frade beneditino Mauro Teixeira, vindo da Bahia, mandou construir "uma pequena capela sob a invocação de São Bento" na região da aldeia de Inhambuçu, na qual vivia o cacique Tibiriçá, pai de Bartira, que mais tarde casou-se com com o explorador português João Ramalho. Nessa localidade, que hoje corresponde ao Largo São Bento, no triângulo histórico do Centro de São Paulo, ao longo dos séculos seria construído o Mosteiro de São Bento.






O governo português preocupado com a crise do açúcar passou a financiar as bandeiras e a conceder títulos e privilégios aos bandeirantes como forma de estimulá-los na procura das grandes minas.


Fernão Dias foi um dos representantes mais importantes desse período. Empreendeu em 1674, uma formidável caravana, da qual fazia parte seus filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato e muitos índios.

 

Partiu de São Paulo a tropa de D. Rodrigo de Castelo Branco, com Matias Cardoso de Almeida. No mês de março de 1681, escrevia Fernão Dias carta datada de 27: "Deixo abertas cavas de esmeraldas no mesmo morro donde as levou Marcos de Azeredo, já defunto, coisa que há de estimar-se em Portugal." A tradição quer que tais esmeraldas tenham sido colhidas na região dos rios Jequitinhonha e Araçuaí.





Fernão Dias Pais Leme morreu junto ao rio Guaicuí (Guaiachi ou Rio das Velhas), com todos os seus bens empenhados na expedição, deixando viúva Dona Maria Pais Betim, de apenas 39 anos, cinco filhas solteiras e cinco sobrinhas órfãs. Segundo a lenda o seu corpo esta enterrado ao lado da Igreja de Pedra que ele mandou construiu no século XVII, por razões desconhecidas a igreja que fica no distrito de Barra do Guaicuí, município de Várzea da Palma,  Minas Gerais nunca foi concluída. Muitos outros morreriam da mesma febre no Vapauçu e Itamarandiba. Comentam autores que certamente chegou às alturas do Serro do Frio e proibiu a penetração de qualquer bandeira ao norte de Sabarabuçu. Muito se escreveu sobre sua morte: especula-se que deve ter morrido à vista do Sumidouro. Por última vontade, encarregou o filho Garcia de voltar a São Paulo para entregar as esmeraldas à câmara e se colocar como primogênito à testa da família. Ao genro Borba Gato, deve ter na mesma ocasião mandado sair do Sumidouro em continuação dos descobrimentos do Sabaraboçu, para cuja diligência Garcia lhe entregaria, como se cumpriu, os instrumentos, armas e munições da bandeira. O historiador Diogo de Vasconcelos acha, por sua vez, que Borba Gato estivera nesse tempo no Sabaraboçu e não no Sumidouro, enquanto Fernão Dias seguira para o sertão das esmeraldas – o que outros autores consideram contraditório, pois não teria armas e munições como lhe foram entregues, e o ouro do Sabaraboçu, à flor da margem do rio, certamente já estaria por este descoberto.

Fernão Dias, voltando para São Paulo, morreu as proximidade do Rio da Velhas, com turmalinas nas mãos, que acreditava fossem esmeraldas.



Em sua homenagem um rodovia que liga São à Minas Gerais recebe o seu nome, BR 381 - São Paulo - Belo Horizonte. Rodovia Fernão Dias.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
panoramamercantil.com.br
ebiografia.com

sábado, 28 de fevereiro de 2026

 Morreu o cantor e compositor Neil Sedaka.




Neil Sedaka, que passou de prodígio da música clássica a compositor precoce, ídolo adolescente e figura central da música pop em uma carreira celebrada que abrangeu sete décadas, morreu nesta sexta-feira, 27, em Los Angeles. Ele tinha 86 anos.

Laughter in the rain



Neil Sedaka nasceu Brooklyn - Nova York em 13 de março de 1939.
A voz de Sedaka é identificada com a de tenor. O maior sucesso de Neil é a canção "Oh Carol" de 1959. Além de "Oh Carol", outras canções de Neil Sedaka fizeram sucesso entre o final da década de 1950 e início dos anos 1960. "The Diary" (provavelmente de 1958) fez parte da trilha sonora da novela Esplendor, da Rede Globo.


The diary


Neil Sedaka




As músicas "Breakin' Up Is Hard To Do" e "Calendar Girl", esta última de 1961 e a primeira de 1962, além de "Laughter in the Rain" são outros sucessos do cantor. Curiosidade: quando o grupo sueco ABBA estava no início de carreira, Neil Sedaka ajudou a fazer a versão em inglês de uma das primeiras canções do grupo nessa língua. A canção é Ring Ring , incluída no álbum de mesmo nome, em 1973.



Oh! Carol

Outro grande sucesso do cantor foi Stupid Cupid, regravada pela cantora brasileira Celly Campelo, num estrondoso sucesso, na versão Estúpido Cupido.


Stupid Cupid


O cantor brasileiro Carlos Gonzaga, regravou vários sucessos de Neil Sedaka em português.


Solitaire

Breaking up is hard to do



Fontes:

wikipedia.org
estadao.com.br
google.com
youtube.com




terça-feira, 24 de fevereiro de 2026


Incêndio da Vila Socó


O incêndio na Vila Socó foi um incêndio de grandes proporções que atingiu a favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984. O número oficial de mortos é de 93 pessoas, o que é contestado.




Antecedentes


A Vila Socó, que ficava à margem da via Anchieta sobre uma faixa de mangue de aproximadamente 2 000 m x 80 m, tinha pouco mais de 6 mil habitantes distribuídos em cerca de seiscentos barracos, segundo dados de autoridades na época. Por outro lados, sobreviventes estimaram em até 12 mil o número de moradores e entre 1 200 e 2 500 a quantidade de barracos que compunham a favela. Boa parte da favela era sustentada por palafitas fincadas por quase todo o mangue. Os barracos eram ladeados por pontes (ou passarelas) de madeira, construídas para a circulação dos moradores.


Incêndio:




O incêndio foi causado por vazamento de combustíveis de oleodutos que ligavam a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) ao terminal portuário da Alemoa.


Pouco antes do incêndio, 700 mil litros de gasolina vazaram de um duto de uma refinaria da Petrobrás localizada próximo à região, o que contribuiu para seu início. Não se sabe se o fogo foi causado por uma faísca de um fósforo ou um curto-circuito.





Relatos da época dizem que alguns moradores armazenaram em suas casas garrafas com gasolina, que acabaram contribuindo para que o incêndio ficasse fora de controle. O produto se espalhou sob as palafitas com a movimentação das marés e cerca de duas horas depois do vazamento, aconteceu a ignição seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as moradias de madeira.





O incêndio começou por volta da meia noite, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984, na favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo. Um dos primeiros bombeiros a chegar ao local foi o coronel reformado da Polícia Militar, José Marques Trovão Neto, que comentou que não tinha ideia da dimensão do incêndio, onde viu "muita tristeza": "Os moradores nos procuravam para irmos até os barracos deles e nós íamos até lá e estavam mulheres, crianças, bebês todos carbonizados. Foi muito triste". O fogo atingiu 1,2 mil barracos, matando 93 pessoas e deixando 3 mil desabrigadas, segundo dados oficiais.



Investigação


O acidente teve destaque em toda a imprensa. Investigações posteriores confirmaram que uma falha de comunicação entre um funcionário da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e uma das pessoas responsáveis pela operação de um dos terminais da estatal, localizado no Porto de Santos, foi a provável causa do incêndio, Naquele dia, seria transferida uma grande quantidade de gasolina para o terminal, interligado com a refinaria por dutos que passavam debaixo da favela. Tempo antes do desastre, quando milhares de litros de gasolina começavam a ser transportados por um dos dutos, estava totalmente fechada uma válvula do terminal, que deveria estar aberta para receber o combustível. Isso possivelmente causou uma forte pressão no duto, culminando no seu rompimento e, consequentemente, no vazamento de cerca de 700 mil litros de gasolina, que se espalharam rapidamente pelas lamas do mangue. Assim, em poucos instantes, um fogaréu se alastrou por toda a favela. Também não foi descartada a hipótese de má conservação dos dutos, construídos nos anos 40, e sem manutenção há anos.









Com relação ao socorro às vítimas, houve um fator agravante: ao ser alertada por moradores logo no início do incêndio, a Petrobras declarou que não poderia tomar nenhuma decisão até a chegada de seu engenheiro responsável, que residia em Santos. Segundo um tenente da Polícia Militar, que coordenava os socorros na favela, a espera de mais de uma hora pela chegada do profissional complicou ainda mais os trabalhos de busca. A atitude da Petrobras foi classificada como de negligência.












Os números oficiais do incêndio são de 93 mortos, conforme apuração da Polícia Militar. Entretanto, são contestados por entidades e testemunhas que vivenciaram o episódio. Segundo eles, o número de vítimas poderia chegar a quatrocentos, já que informações paralelas às oficiais relatavam que mais de trezentas pessoas, em sua maioria crianças, desapareceram após a tragédia.


Como informou, Dojival Vieira dos Santos, advogado e na época vereador, hoje membro da Comissão da Verdade da OAB de Cubatão (CVOC), relatou o encontro que teve naquela ocasião com moradores da Vila Socó, os quais afirmaram que o número de mortos era muito maior do que o divulgado.








Ele informou ainda que, segundo sobrevivente que trabalhou no resgate dos corpos, de três a quatro corpos eram colocados em cada caixão. "Isso confirma o que dissemos ao longo desses 30 anos: de fato houve a manipulação do número de mortos para reduzir o impacto da tragédia. Ou seja, o número de mortos foi muito maior, mas ninguém foi punido", esclarece Vieira.


Segundo documentos inéditos obtidos pelo Jornal da Band em 2014, o número total de vítimas fatais pode ser de 508.


O pior é que tragédia como essa geram grande impacto e indignação na época, mas depois ficam esquecidas e não servem nem para prevenir outras tragédias.







Oito funcionários da empresa foram condenados em primeira instância e absolvidos depois de recursos. Em junho de 2014, a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo reabriu o caso para apurar responsabilidades de dirigentes da Petrobras e da Prefeitura Municipal de Cubatão.


As péssimas condições ambientais da cidade, com níveis extremos de poluição do ar, da água e do solo, transformaram-na em símbolo mundial de degradação do meio ambiente. Em setembro de 1984, seria decretado estado de emergência ambiental no município, o primeiro caso no Brasil.






Fontes:


www.sindipetrolp.org.br
www.al.sp.gov.br
wikipedia.org
google.com
memorialdademocracia.com.br


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026



Hoje vamos falar do ator e dramaturgo Plínio Marcos de Barros, paulista, nascido em Santos em 29 de setembro de 1935.






Vindo de uma família modesta, ele só concluiu o curso primário.
Trabalhou como funileiro (lanterneiro), serviu na Aeronáutica e chegou a ter uma passagem na Portuguesa Santista, como jogador de futebol, mas foi no circo que encontrou a sua paixão.

Incentivado pela jornalista e escritora Patricia Rehder Galvão, a Pagu, começou a atuar no teatro amador, ainda em Santos.

Baseado num fato real de curra numa cadeia de Santos, ele escreveu a sua primeira peça em 1958, "Barrela", que ficou censurada até a abertura democrática de 1979.




Sua linguagem era dura e crua, retratando o dia a dia dos menos favorecidos da periferia das cidades, dos bordéis e cabarés.
Seu texto mostrava as agruras, os medos e a maneira de sobreviver dessas pessoas que viviam invisíveis à sociedade.






Plínio Marcos - sítio oficial





Em 1960 foi para a cidade de São Paulo. Entrou para a Companhia Cacilda Becker, montou várias peças. Seus personagens, quase invariavelmente, eram mendigos, vagabundos, delinquentes, e prostitutas. Plínio usava uma linguagem característica do submundo. Durante o regime militar, implantado em 1964, suas obras foram muito censuradas.
Plínio Marcos participou da novela Beto Rockfeller, escreveu para os jornais Folha de São Paulo, Última hora, Folha da Tarde e para as revistas Veja, Pasquim, Opinião, entre outras. Escreveu vários livros. Suas obras foram publicadas e encenadas em vários países.


Suas peças mais conhecidas são :

Dois perdidos numa noite suja (1966), que conta a história de Paco e Tonho amigos que dividem um quarto em uma hospedaria barata e durante o dia trabalham no mercado, como carregadores. As personagens mantêm uma relação conflituosa, e sempre estão discutindo sobre suas vidas, trabalho e perspectivas. O tema da marginalidade permeia todo o texto, ficando muito próximo de outros trabalhos do autor, como Navalha na carne. Tonho se lamenta por não possuir um par de sapatos decente, fator que considera diretamente ligado a sua condição de pobreza. Ele inveja o seu companheiro de quarto, Paco, por possuir bom par de sapatos e este, vive a provocar Tonho chamando-o de homossexual, mesmo considerando-o parceiro. Paco, que no passado havia trabalhado como flautista, certa noite, teve sua flauta roubada num momento de embriaguez. Por fim, na tentativa de dar mais dignidade as suas vidas, ambos são compelidos à realização de um ato criminoso, que culmina com o assassinato trágico de Paco pelas mãos de Tonho.


A primeira montagem da peça aconteceu no Bar Ponto de Encontro na Galeria Metrópole em São Paulo, e teve como personagens o próprio Plínio Marcos como Paco e Ademir Rocha como Tonho.


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A peça virou filme em 2002 com Roberto Bontempo e Débora Falabella.


Uma de suas peças mais famosas é Navalha na Carne de 1967.
Levada aos palcos pela primeira vez em São Paulo, em 1967, em campanha para liberação do texto pela censura capitaneada por Walmor Chagas e Cacilda Becker, o elenco da montagem original era formado por Edgard Gurgel Aranha, Ruthneia de Moraes e Paulo Villaça, com direção de Jairo Arco e Flexa. Ganharia ainda mais repercussão a partir da montagem carioca, dirigida no mesmo ano por Fauzi Arap e com Tônia Carrero, Emiliano Queirós e Nelson Xavier no elenco. Logo o texto foi censurado pela ditadura militar, e só pôde ser encenado 13 anos depois.







Navalha na carne é um exemplar da dramaturgia de Plínio Marcos que se mantém como um clássico pela crueza dos diálogos desta fatia de realidade, na qual três excluídos vivem um jogo de dominação que reproduz a miséria moral de injustiças sociais que sofrem. A prostituta, o seu protetor e um homossexual dividem o espaço emocional da sua marginalidade no confinamento de um bordel ordinário em que cada um explora o outro, num círculo de medo, desprezo e violência e desesperada solidão.


A peça também virou filme em 1969, com Jece Valadão e Emiliano Queirós e novamente em 1997, com participações de Vera Fisher, Jorge Perrugoria, Érica Collare. Direção Neville d` Almeida.




Navalha na carne de 1969 - Jece Valadão e Emiliano Queirós






Ele foi um dos autores mais censurados no período da ditadura. Plínio não se furtava a dar a sua opinião, mesmo sabendo que isso poderia prejudicá-lo profissionalmente.
Ele falava a linguagem do oprimido, do marginal, dos invisíveis para a sociedade.


Plínio Marcos morreu em 19 de novembro de 1999, em São Paulo, vítima de um derrame cerebral. Ele também tinha diabetes. Seu corpo foi cremado no cemitério de Vila Alpina e suas cinzas jogadas no mar de Santos.




Fontes:
ebiografia.com
wikipedia.org
youtube.com
google.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Dando sequência as postagens de grandes dramaturgos brasileiros, hoje vamos falar, da poetisa, escritora e dramaturga Hilda Hilst.





Hilda Hilst (1930-2004) foi uma poetisa, cronista, dramaturga e ficcionista brasileira. Fez parte da “Geração de 45” que buscava a reabilitação de regras mais rígidas para a composição do verso. Foi considerada uma das maiores escritoras do século XX.


Hilda de Almeida Prado Hilst, conhecida como Hilda Hilst nasceu em Jaú, São Paulo, no dia 21 de abril de 1930. Filha de Apolônio de Almeida Prado Hilst fazendeiro de café e jornalista, e de Bedecilda Vaz Cardoso, imigrante portuguesa. Em 1932, após a separação dos pais, mudou-se com a mãe para a cidade de Santos. Em 1937 vai morar em São Paulo, capital. Cursa o primário e o ginasial no internato do Colégio Santa Marcelina. Em 1947, conclui o secundário no Instituto Presbiteriano Mackenzie. Em 1948, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.


Hilda teve uma carreira literária muito profícua, especialmente na poesia e na prosa, mas sua produção na dramaturgia também foi grande. Escreveu peças como :


A Possessa - 1967.
O rato no muro - 1967.
O visitante - 1968.
Auto da Barca de Camiri - 1968.
O novo sistema - 1968.
Aves da Noite - 1968.
O verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta)
A morte de patriarca - 1969

Peça - Aves da noite



Sua obra dramatúrgica abrange oito peças escritas no breve período de 1967 a 1969, quando já se dedicava inteiramente à literatura. Os textos ecoam o espírito da época – principalmente a experiência das ditaduras militares que tomaram a América Latina. Em “O rato no muro”, de 1967, em um convento isolado, as freiras são chamadas não por nomes, mas por letras, e vivem um dia a dia de culpabilização e penitência. A autoridade da madre superiora reina suprema, até que a irmã H resolve questionar o status quo e promover o diálogo. Já “O auto da barca de Camiri”, escrita no ano seguinte, propõe uma alegoria sobre a justiça, com a encenação kafkiana do julgamento de um herói popular, inspirado na figura histórica de Che Guevara. Enfim toda a pungência dramática da autora disponível aos leitores brasileiros."


O rato no muro

O Auto da barca do Camiri




Hilda Hilst era culta, de personalidade marcante e temperamento transgressor que ia de encontro aos costumes da época. Fez parte da geração da poesia brasileira que foi denominada “Geração de 45”, que reagiu contra o prosaico e o supérfluo. Entendiam os poetas que as conquistas dos modernistas de 22 deveriam ser abandonadas.


Hilda Hilst rompe com o bom tom clássico literário, uma vez que nada é passivo em seus textos. A poesia de Hilda Hilst passeia por temas como solidão, morte, amor, a loucura, o misticismo e o amor erótico. Enigmática, mística, dona de um texto, na maioria das vezes, estranho, instigante, é capaz de surpreender o leitor.





A escritora Hilda Hilst morreu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2004, aos 73 anos, em Campinas (interior de São Paulo). Internada havia 35 dias no Hospital das Clínicas da Unicamp para a realização de uma cirurgia, após sofrer uma queda que causou uma fratura no fêmur, a escritora tinha deficiência crônica cardíaca e pulmonar, o que agravou seu quadro clínico. Hilda Hilst deu entrada no Hospital das Clínicas no dia primeiro de janeiro. A escritora teve falência múltipla de órgãos e sistemas.




Fontes:

wikipedia.org
ebiografia.com
google.com
blog.mackenzie.br
escariz.com.br


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

  

Quarta-feira de cinzas.




Quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da quaresma, e as cinzas utilizadas nas missas católicas de cinzas são os ramos queimados do último domingo de ramos, misturada com água benta, que é passada com sinal da cruz na testa dos devotos, para lembrar-lhes que vieram do pó e para o pó retornarão.


Depois do carnaval (carne vale) vem o período de abstinência, ou depois do pecado o arrependimento, isso é claro se você for cristão.







Serve também para o devoto fazer uma reflexão sobre sua vida, seus valores, e reafirmar seus votos com a fé cristã.


Na verdade, há muito tempo, que a quarta-feira de cinzas não é mais resguardada como era antes.


Os bailes de carnaval no país inteiro terminavam meia-noite da terça-feira gorda, e depois por quarenta dias (quaresma), nas rádios só eram tocadas músicas sacras, e muitos devotos faziam jejum de carne na quarta-feira de cinzas e em todas as sextas-feiras da quaresma. Quando eu era criança, durante toda a quaresma só se ouviam músicas instrumentais nas rádios.


Os tempos agora são outros, não quer dizer que são mais certos ou errados, só que o tempo passas e os costumes com ele.






Manuel Bandeira escreveu um poema de quarta-feira de cinzas:




Poema de uma quarta-feira de cinzas




Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça...


O seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa...
indiferente a tais ataques,

Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça...


Manuel Bandeira
(do livro Carnaval, 1919)





Marcha da quarta-feira de cinzas
compositores:
Vinícius de Moraes e Carlos Lyra




Fontes:


wikipedia.org.
youtube.com.br
significados.com.br/quaresma
google.com





terça-feira, 17 de fevereiro de 2026



Terça-feira Gorda.






Mardi Gras




Tradicionalmente, durante a Quaresma, os católicos praticantes limitam o consumo de carne e às vezes de outros alimentos também. Esse costume, conhecido como abstinência, é um modo de lembrar os sacrifícios que Jesus fez pelas pessoas. Em certos dias da Quaresma, a Igreja prescreve o jejum, que na prática consiste em fazer refeições frugais, isto é, extremamente simples e pequenas. Na Terça-Feira Gorda, ou Terça-Feira de Carnaval, muitos fiéis que seguem essas tradições aproveitam para consumir tudo o que não será permitido durante os quarenta dias seguintes.


Em vários países, a Terça-Feira de Carnaval tem o nome de Mardi Gras, que em francês significa “Terça-Feira Gorda”. Em alguns lugares, as festividades do Mardi Gras podem começar vários dias antes da própria terça-feira; nesses lugares, o nome Mardi Gras é usado para designar o período inteiro do Carnaval. O Mardi Gras mais conhecido ocorre em Nova Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos.




Celebração extravagante, o carnaval é o símbolo da terça-feira gorda. Essa palavra vem do latim "carnevale", derivação de "carnelevare", que faz referência direta à privação de carne e à chegada da quaresma.










Na Bíblia, o número quarenta é frequentemente citado, para representar períodos de 40 dias ou 40 anos, que antecedem ou marcaram fatos importantes. Alguns exemplos mais conhecidos são:


40 dias de dilúvio da Arca de Noé;
40 dias de Moisés no Monte Sinai;
40 dias de Jesus no deserto, antes do início do seu ministério;
40 anos de peregrinação do povo de Israel no deserto.


Daí vem a quaresma e a quarentena


Quarentena vem do italiano quarentena. A história nasceu há muito tempo. No século 14, a peste bubônica matou mais de um terço da população da Europa. Na época, pouco se sabia sobre a doença. O governo de Veneza, temendo que o mal viesse do mar, determinou que todas as embarcações ficassem isoladas durante 40 dias antes do desembarque dos passageiros.


Por que 40 dias? Ninguém sabe. Mas há palpites. Uns falam na influência da quaresma — período de 40 dias em que os católicos jejuam e fazem penitências. Outros, nos 40 dias que Jesus passou no deserto antes de ser tentado pelo demônio. Há quem lembre o pós-parto, tempo em que a mãe recebia cuidados especiais durante 40 dias; outros ainda ligam ao período de gestação plena de 39 a 40 semanas.



Quase uma instituição em cidades como Veneza, Colônia ou Rio, o carnaval pode durar vários dias ou até várias semanas de acordo com a região. É costume desfilar fantasiado nas ruas e, mesmo em países laicos como a França, esse costume ainda permanece.



Veneza



Época de transgressão por excelência, o carnaval tem homens travestidos de mulheres, pobres de ricos e vice-versa. Bem mais que uma simples celebração religiosa, a festa da terça-feira gorda tem um papel de alegria, juntando a população em festividades inesquecíveis.














Fontes:


escolabrittanica.com.br
ohmymag.com.br
blogs.correiobraziliense.com.br
significados.com
google.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...