quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Ludistas:


No início da Revolução Industrial na Inglaterra, entre 1820 e 1840, onde o método de produção manual foi substituído pelo método de produção mecânica, vários trabalhadores se insurgiram contra esse processo de produção, com medo de perderem seus empregos. Esse grupo era chamado de ludistas, originário do personagem fictício chamado Ned Ludd. Afirma-se que Ned Ludd foi originalmente um aprendiz em Anstey, Leicestershire, Inglaterra. Avesso ao regime de trabalho nas máquinas de tecelagem, foi condenado a chicotadas sob alegação de não demonstrar empenho. Em resposta, Ned Ludd destruiu com um martelo a máquina em que trabalhava.



Um dos métodos mais utilizados por esses trabalhadores foi a sabotagem, do francês sabots, sapatos de madeira que eram jogados dentro das máquinas para inutiliza-las.




A experiência que teve o impacto mais duradouro em Haywood foi assistir a uma greve geral nas ferrovias francesas. Cansados ​​de esperar que o parlamento agisse de acordo com suas demandas, os trabalhadores da estrada de ferro abandonaram seus empregos em todo o país. O governo francês respondeu enviando os grevistas para o exército e depois mandando-os de volta ao trabalho. Destemidos, os trabalhadores levaram a greve para o trabalho. De repente, eles não pareciam fazer nada certo. Perecíveis sentaram-se por semanas, distraídos e esquecidos. O frete para Paris foi desviado para Lyon ou Marselha. Essa tática - os franceses a chamaram de "sabotagem" - venceu as exigências de seus grevistas e impressionou Bill Haywood.




O ludismo não era um movimento político ou partidário, por isso não tinha como característica defender pautas específicas, mas era um movimento de contestação à industrialização. Como tal, praticava ações violentas contra a indústria e seu maquinário, como a invasão de fábricas e a quebra de máquinas. Como exemplo dessas ações, pode-se destacar o assalto à tecelagem de William Cartwright, no condado inglês de York, em 1812. Nesse evento, diversas máquinas foram destruídas e muitos dos ludistas foram presos e condenados à morte ou à deportação para as colônias da Inglaterra.



O ludismo e outros movimentos de trabalhadores, como o cartismo, surgiram como consequência direta das transformações causadas nas relações de trabalho e na qualidade de vida do trabalhador inglês a partir da Revolução Industrial. Os trabalhadores organizavam-se contra a precarização que a industrialização trouxe em seu trabalho.

A Revolução Industrial consistiu, basicamente, em um período de grande avanço tecnológico que permitiu o nascimento e o desenvolvimento da indústria moderna. Essa primeira fase da Revolução Industrial ocorreu a partir de 1780, segundo Eric Hobsbawm.  Já para outros historiadores, esse processo se iniciou em 1760.





O Cartismo foi um movimento político e social que surgiu no Reino Unido no final do século XVIII e início do século XIX. O Cartismo foi liderado pelo político e ativista William Lovett e buscava reformas políticas e sociais para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

O Cartismo defendia:O sufrágio universal: o direito de todos os adultos, independentemente de sua classe social ou renda, de votar nas eleições.

A reforma da lei eleitoral: a eliminação das restrições à participação eleitoral, como as propriedades eleitorais e os requisitos de renda.

Reforma política: os cartistas lutavam pelo direito ao voto universal para os homens, pois acreditavam que isso daria aos trabalhadores mais poder político e os ajudaria a se defenderem dos abusos dos ricos.

Reforma social: os cartistas lutavam por reformas sociais, como o aumento dos salários e a redução das jornadas de trabalho, para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

Influência da Revolução Francesa: a Revolução Francesa, que ocorreu no final do século XVIII, teve uma grande influência no Cartismo, pois inspirou os cartistas a lutarem por reformas políticas e sociais mais amplas.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasilescola.uol.com.br
historiadomundo.com.br
projetoagathaedu.com.br

terça-feira, 4 de agosto de 2026



Frente aos portões do inferno, Dante e Virgílio dão de cara com uma mensagem não muito animadora: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Esperança era um conceito essencial na Idade Média .





Dante Alighiere foi um poeta italiano nascido em Florença em maio de 1265. Foi do Conselho dos Cem, Embaixador e até Prior. Em 1302, seu grupo politico moderado foi derrotado e ele acusado de corrupção foi exilado além de ter de pagar uma grande multa.







‘Quando as crianças entendem o valor do dinheiro, perdem o paraíso que tem na terra”


Dante diz que só há duas formas de recuperar este paraíso: Pela poesia e pelo amor.


“Pode-se dizer que o homem é o mais infeliz dos animais, porque é o único que sabe que vai morrer algum dia. Mas, ao mesmo tempo pode-se dizer também que o homem é o mais notável de todos os animais, porque mesmo sabendo que vai morrer um dia ele é capaz de sorrir, criar e amar.”


Quando Dante escreveu a sua Comédia, publicado em três partes: primeira (Inferno) em 1317, a segunda (Purgatório) em 1319, e a terceira (Paraíso) após a morte do poeta, ele já estava exilado.

O poema foi escrito em italiano, fugindo do padrão da época que era a escrita em latim. Essa foi a forma do Poeta popularizar sua obra, permitindo acesso, mesmo àqueles que não falavam latim.


Dante foi conduzido pelo Inferno e pelo Purgatório pelo poeta Virgílio, autor de "A Eneida".


Canto I - Inferno




"Ao meio da jornada da vida, tendo perdido o caminho verdadeiro, achei-me embrenhado em selva perigosa"


Dante estava exilado, com saudade da família, dos amigos e de Florença.




Nos versos 32, 44 e 49 do Canto I, tentando sair da floresta ele encontra três feras:


Dante a subiu e logo apareceram três feras (Pantera, Leão e a Loba), provavelmente os animais representam três tipos de pecados (que são discutidos no Canto 11) e também três divisões do inferno, é uma representação alegórica dos pecados de acordo com Tomás de Aquino, que influenciou Dante. A Pantera (incontinência), o leão (violência) e a loba (fraude) refletem níveis de gravidade de acordo com os conhecimentos do homem (quanto mais se sabe, mais grave é o pecado). Segundo Sayers, refletem três estágios da vida do homem (juventude, meia-idade e velhice). Os pecados cometidos na velhice seriam mais graves, pois quem os comete já sabe diferenciar o certo do errado.










Virgílio não podia entrar no Paraíso porque era pagão, ou seja não tinha conhecido o "Salvador", Jesus Cristo.


Para conquistar o Paraíso, portanto ele se valeu de um grande poeta, Virgílio.





Virgílio


Beatriz, o grande amor da vida de Dante foi quem pediu para Virgílio auxiliá-lo na aventura pelo Inferno e Paraíso.




Aos 9 anos ele conheceu Beatriz Portinari. Ela foi, segundo alguns críticos literários, figura histórica que inspirou a personagem Beatriz de Dante. Ela era uma mulher muito bonita e a musa de Dante.






Aos 16 anos ele voltou a encontrá-la e escreveu para ela o primeiro de seus famosos sonetos de amor. Dois anos depois, casou-se com Gemma, com quem teve três filhos. O casamento estava combinado entre as famílias desde a infância.


Assim ele recuperou o Paraíso pelas mãos da Poesia e do Amor.


Voltando ao nome da obra, Comédia, era um estilo onde o sofrimento era sempre recompensado por um final feliz.


Assim Dante sofreu no Inferno e no Purgatório e pelas mãos do Amor Beatriz conheceu o Paraíso.





Beatriz


Até final do século XV, o nome do poema era "Comédia" depois desse período foi acrescentado o adjetivo "Divina", talvez por Giovanni Boccaccio.


A representação do Inferno, conhecido pela Igreja Católica foi a criada por Dante.


Cada parte do poema tem 33 cantos, sendo que o Inferno rem 34 cantos.


Dante não só criou a geografia física do submundo, mas também uma geografia moral: para cada pecado, um círculo específico. O primeiro e mais ameno é o limbo, onde ficam todas as almas sem batismo, que não conheceram o Cristianismo, Virgílio vivia lá. Ali, a única punição é a eternidade sem a visão de Deus.






Obra de Botticelli - Inferno


É a partir do segundo, o círculo da luxúria, que se iniciam as punições mais severas. Conforme descem os nove círculos do inferno, distribuídos em uma estrutura cônica, os pecados se agravam.




Olha o que vem à frente qual decano
dos outros três, segurando uma espada;
ele é Homero, poeta soberano;
o satírico Horácio junto vem,
terceiro é Ovídio e último Lucano.
Desde que cada um deles detém
os mesmos dotes co’os quais fui saudado,
recebo sua honraria como convém.
Assim o belo grupo vi formado
da escola do senhor do excelso canto
cujo voo, como d’águia, é incontestado.
Longo foi seu colóquio, e entretanto
acenavam a mim, e eu vi o prazer
no sorriso do Mestre meu, porquanto
o privilégio iriam me conceder
da acolhida na sua comunidade.
E assim fui sexto entre tanto saber






Virgílio e Dante ainda passam pelo lago de lama (gula), as colinas de rocha (ganância), o rio Estige (ira), o cemitério de fogo (heresia), o vale do Flegetonte (violência), o Malebolge (fraude) e o lago Cocite (traição) – este, o mais terrível dos pecados. Ou seja, a punição era pior conforme o tipo de crime.


O conceito foi revolucionário.


Num ambiente medieval onde tudo era atribuído ao poder divino, sobretudo o destino dos homens, Dante propôs a inversão da lógica: era o homem quem decidia seu futuro com suas ações. Se traísse, iria para o lago Cocite. Se não traísse, tinha uma chance de subir ao paraíso.





O Purgatório - Segunda parte da obra um anjo permanece na foz do rio Tibre a fim de receber e encaminhar à ilha as alma, destinadas a um período de purga, onde purificariam os seus pecados.


No Anti-purgatório, concentram-se os excomungados (primeiro plano) e os negligentes (segundo plano).


Na terceira parte, O Paraíso, Beatriz sucede Virgílio e o conduz pelos nove estágios. Tudo é contrário ao Inferno. Há luzes, cânticos, bem aventuranças. No alto dos céus coroando-os, os anjos formam rosa mística, em cujo centro radiante de luz e santidade, está a Virgem Maria.













Logo, a Divina Comédia é, antes de tudo, um livro sobre escolhas. A mudança pode parecer banal, mas é considerada o marco do início do Renascimento e do humanismo, quando Deus deixou o centro de tudo para dar espaço ao homem e suas escolhas.


Muito se discute sobre os motivo que levaram Dante a escrever a Divina Comédia. Uma bastante aceita e a amorosa-romântica, uma ode à sua musa, Beatriz.


O próprio Dante escrevendo ao senhor de Verona (Epístola XIII-VII 20-22) afirmou que a Comédia deveria ser entendida de mais de uma maneira.


Particularmente eu acredito que Dante escreveu a obra como uma forma de remissão de seus pecados e o anseio inerente aos seres humanos de ascender ao Paraíso e encontrar o grande amor de sua vida.








O meu exemplar tem a tradução de Hernani Donato e é uma edição do antigo Círculo do Livro.






Fontes:
culturagenial.com
gildam.com.br
jcoutinhomaimai.com.br
conjur.com.br
super.abril.com.br
google.com
youtube.com
meisterdrucke.pt
A Divina Comédia - Alighiere, Dante - tradução Hernani Donato
wikipedia.org

segunda-feira, 3 de agosto de 2026



Vamos comentar um dos maiores erros judiciários do Brasil; o caso dos irmãos Naves.










O caso dos Irmãos Naves foi um acontecimento policial e jurídico ocorrido na época do Estado Novo no Brasil, no qual dois irmãos foram presos e barbaramente torturados até confessar sua suposta culpa em um crime que não cometeram, e que anos mais tarde provou-se nunca ter existido.

Esse caso é conhecido como um dos maiores erros judiciais da história do Brasil e um dos que tiveram maior repercussão, tanto que sua história serviu de inspiração para o filme O caso dos Irmãos Naves, de Luís Sérgio Person.




Considerado o maior erro judiciário do Brasil. Aconteceu na cidade mineira de Araguari, em 1937. Os irmãos Naves (Sebastião, de 32 anos de idade, e Joaquim, contando 25), eram simplórios trabalhadores que compravam e vendiam cereais e outros bens de consumo.









Joaquim Naves era sócio de Benedito Caetano. Este comprara, com auxílio material de seu pai, grande quantidade de arroz, trazendo-o para Araguari, onde, preocupado com a crescente queda dos preços, vende o carregamento por expressiva quantia.









Na madrugada de 29 de novembro de 1937, Benedito desaparece de Araguari, levando consigo o dinheiro da venda do arroz. Os irmãos Naves, constatando o desaparecimento, e sabedores de que Benedito portava grande importância em dinheiro, comunicam o fato à Polícia, que imediatamente inicia as investigações.






O caso é atribuído ao Delegado de Polícia Francisco Vieira dos Santos, personagem sinistro e marcado para ser o principal causador do mais vergonhoso e conhecido erro judiciário da história brasileira. Militar determinado e austero (Tenente), o Delegado inicia as investigações e não demora a formular a sua convicção de que os irmãos Naves seriam os responsáveis pela morte de Benedito.




A partir de então inicia-se uma trágica, prolongada e repugnante trajetória na vida de Sebastião e Joaquim Naves, e de seus familiares.








Família Naves


Submetidos a torturas as mais cruéis possíveis, alojados de modo abjeto e sórdido na cela da Delegacia, privados de alimentação e visitas, os irmãos Naves resistiram até o esgotamento de suas forças físicas e morais. Primeiro Joaquim, depois Sebastião.


A perversidade do Tenente Francisco não se limitou aos indiciados. Também as esposas e até mesmo a genitora deles foram covardemente torturadas, inclusive com ameaças de estupro, caso não concordassem em acusar os maridos e filhos.


A defesa dos irmãos Naves foi exercida com coragem e perseverança pelo advogado João Alamy Filho, que jamais desistiu de provar a inocência de seus clientes, ingressando com habeas corpus, recursos e as mais variadas petições, na busca de demonstrar às autoridades responsáveis pelo processo o terrível equívoco que estava sendo cometido.


Iniciado o processo, ainda sob as constantes e ignominiosas ameaças do Tenente Francisco, os irmãos Naves são pronunciados para serem levados ao Tribunal do Júri, sob a acusação de serem autores do latrocínio de Benedito Caetano, ao passo que a mãe dos irmãos, D. Ana Rosa Naves, é impronunciada.


Na sessão de julgamento, a verdade começa a surgir, com a retratação das confissões extorquidas na fase policial, e, principalmente, com o depoimento de outros presos que testemunharam as seguidas e infindáveis sevícias sofridas pelos acusados na Delegacia de Polícia.


Dos sete jurados, seis votam pela absolvição dos irmãos Naves.


A promotoria, inconformada, recorre ao Tribunal de Justiça, que anula o julgamento, por considerar nula a quesitação.


Realizado novo julgamento, confirma-se o placar anterior: 6 X 1. Tudo indica que os irmãos Naves seriam finalmente libertados da triste desdita iniciada meses antes. Ledo engano: o Tribunal de Justiça resolve alterar o veredito (o que era então possível, mercê da ausência de soberania do Júri no regime ditatorial da Constituição de 1937), condenando os irmãos Naves a cumprirem 25 anos e 6 meses de reclusão (depois reduzidos, na primeira revisão criminal, para 16 anos).


Após cumprirem 8 anos e 3 meses de pena, os irmãos Sebastião e Joaquim, ante comportamento prisional exemplar, obtêm livramento condicional, em agosto de 1946.


Joaquim Naves falece, como indigente, após longa e penosa doença, em 28 de agosto de 1948, em um asilo de Araguari. Antes dele, em maio do mesmo ano, morria em Belo Horizonte seu maior algoz, o tenente Francisco Vieira dos Santos.


De 1948 em diante, o sobrevivente Sebastião Naves inicia a busca pela prova de sua inocência. Era preciso encontrar o rastro de Benedito, o que vem a ocorrer, por sorte do destino, em julho de 1952, quando Benedito, após longo exílio em terras longínquas, retorna à casa dos pais em Nova Ponte, sendo reconhecido por um conhecido, primo de Sebastião Naves.


Avisado, Sebastião apressa-se em dirigir-se a Nova Ponte, acompanhado de policiais, vindo a encontrar o “morto” Benedito, que, assustado, jura não ter tido qualquer notícia do que ocorrera após a madrugada em que desapareceu de Araguari. Coincidentemente, dias após sua efêmera prisão e o citado juramento, toda a família de Benedito morre tragicamente, na queda do avião que os transportava a Araguari, onde prestariam esclarecimentos sobre o desaparecimento daquele.


O caso passou a ser nacionalmente conhecido. A imprensa o divulgou com o merecido destaque. A mesma população que, influenciada pela autoridade do delegado, inicialmente aceitava como certa a culpa dos irmãos Naves, revoltava-se com o ocorrido, tentando, inclusive, linchar o desaparecido Benedito.


Em nova revisão criminal, os irmãos Naves foram finalmente inocentados, em 1953.


Como etapa final e ainda custosa e demorada, iniciou-se processo de indenização civil pelo erro judiciário.


Em 1956 foi prolatada a sentença, que mereceu recursos pelo Estado, até que, em 1960, vinte e dois anos após o início dos suplícios, o Supremo Tribunal Federal conferiu a Sebastião Naves e aos herdeiros de Joaquim Naves o direito à indenização.


Em 1967, " O caso dos irmãos Naves" virou filme, estrelado por Juca de Oliveira, Raul Cortês, como os irmãos Naves e Anselmo Duarte como tenente Francisco.


Raul Cortês e Juca de Oliveira


Trecho do filme Luís Sérgio Person (filme completo no youtube)




O caso dos irmãos Naves



A Justiça é antes de tudo um instrumento importante da sociedade para punir aqueles que cometem crimes.
Ela deve ser imparcial, e se ater aos autos.
Numa sociedade democrática, vivendo dentro do Estado de Direito, um juiz é antes de tudo um agente público com a função de julgar. Não precisamos de agentes e autoridades midiáticas.


Os agentes de segurança, por sua vez, devem investigar, e conduzir os casos de modo a apresentar o maior número de provas, para que o Ministério Público apresente uma acusação baseada em fatos concretos.


Quando a justiça não é feita, ou feita de maneira parcial, temos a injustiça.




Fontes:
wikipedia.org
joaovitorleal.jusbrasil.com.br
josecaldas.wordpress.com
cinema.uol.com.br
youtube.com


sexta-feira, 31 de julho de 2026


Batalha de Cerro Corá








A Guerra do Paraguai perdurava por mais de cinco anos e, após numerosas batalhas, o exército paraguaio havia sido reduzido a velhos, doentes e crianças. A batalha de Campo Grande foi o último grande combate do conflito, que a partir de então se restringiu à lutas ocasionais, nos meses finais de 1869 e início de 1870. Neste período, o Conde d`Eu, marido da Princesa Isabel,  organizou expedições à procura de Solano López, seguindo o caminho que sua coluna havia passado. No trajeto, os homens de López e os de Conde d'Eu faziam sofrer a população civil, seja por causa de supostas conspirações contra López, ou dos saques e maus-tratos infligidos pelas tropas imperiais. No dia 8 de fevereiro de 1870, López e sua coluna atingiram Cerro Corá.




López reuniu seus poucos generais e suas esquálidas tropas em Cerro Corá, à margem esquerda do rio Aquidabán, atualmente próximo à fronteira entre o Paraguai e o Brasil. A esposa e filhos do Mariscal (marechal, como López era chamado) e de outros generais seguiam com eles, assim como um padre e o médico da família, o inglês Skinell. A situação do acampamento era dramática. Soldados, mulheres e crianças amanheciam mortos por inanição e doenças. Matava-se um boi magro por dia para alimentar 500 pessoas. Até o couro dos animais servia de alimento cozinhando-os por horas. Os ossos eram moídos e cozidos com suco de laranja azeda e ervas silvestres que se buscavam, todas as manhãs, nas matas próximas. Em 26 de fevereiro de 1870, o general brasileiro José Antonio Correia da Câmara no comando de mais de 2 mil homens, bem armados e bem alimentados, seguiu em direção ao acampamento paraguaio de Cerro Corá.





A luta que colocou um ponto final na Guerra do Paraguai aconteceu em 1º de março de 1870, em Cerro Corá, território paraguaio, e por isso, levou o nome de Batalha de Cerro Corá. Ela também marcou o término do governo ditatorial de Francisco Solano López, após a sua recusa de rendição.

Enquanto 450 soldados de López participaram do conflito, os países aliados contavam com mais de 4.500 combatentes. Na ocasião, o ditador do Paraguai, além de ter sido atingido por lança, acabou levando um tiro. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu, assim como seu próprio filho e muitos de seus soldados.

Com a morte de Solano Lopez, um armistício foi assinado em 9 de janeiro de 1872, é assinado um tratado que cede ao Brasil um território  entre o rios Apa e Branco , no Mato Grosso do Sul



Fontes:

ensinarhistoria.com.br
wikipedia.org
google.com
escolaeducacao.com.br

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Massacre do Caldeirão.






Uma grave seca assolou o Ceará em 1932. Por orientação do governo federal, foram construídos campos de concentração ao longo das duas ferrovias que conduziam do sertão a Fortaleza – o objetivo era capturar os trabalhadores e suas famílias antes que eles conseguissem alcançar a capital. Sete espaços de confinamento erguidos ao longo das estradas de ferro de Baturité e de Sobral mantiveram estimados 150 mil refugiados.

Em 11 de maio de 1937, centenas de sertanejos, seguidores do beato paraibano José Lourenço foram massacrados pela Polícia e pelo Exército, na fazenda denominada Caldeirão, situada no Crato, Ceará. O episódio ficou conhecido como Massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.


Beato José Lourenço e Padre Cícero




José Lourenço Gomes da Silva (1872-1946), nascido em Pilões de Dentro, Paraíba, era filho de escravos alforriados. Muito jovem foi trabalhar na agricultura, afastado da família que migrara para Juazeiro do Norte, no Ceará.



Admirado pela vida austera, pelo fervor religioso e pela atuação junto às populações mais necessitadas, José Lourenço receberia a missão de criar uma comunidade religiosa para abrigar os flagelados e camponeses sem-terra enviados por Padre Cícero.

Para tocar o projeto, o beato arrendou o sítio Baixa Dantas, localizado na cidade do Crato, na região do Cariri, sul do Ceará. Ali, romeiros e camponeses ergueram um oásis, onde a terra era cultivada de forma coletiva e a produção era dividida de forma igualitária. Um modelo de organização comunitária autônomo e fraterno, rompendo com a lógica exploratória dos grandes proprietários da região.




A cidade começava, então, a atrair muita gente pela presença carismática de Cícero Romão Batista, o Padre Cícero (1844-1934). Aos vinte anos de idade, José Lourenço foi para Juazeiro, onde reencontrou sua família. Em Juazeiro, tornou-se beato, adotando um modo de vida simples, celibatário, religioso, desapegado das coisas materiais. Usava vestes de frade: uma batina preta, com uma cruz nas costas e um cordão de São Francisco amarrado na cintura. Ingressou na ordem dos penitentes que se reuniam à noite diante de locais sagrados para praticarem autoflagelação como forma de purificação do espírito.



A morte de Padre Cícero, em 1934, tirou de cena o principal defensor do Caldeirão. Na sequência, o comando da igreja católica na região do Crato, que já criticava o beato e desaconselhava que ele fosse seguido, tornou as críticas mais veementes. Em 1937, a instauração do Estado Novo no Distrito Federal facilitou a realização de operações militares contra quaisquer atividades que pudessem ser caracterizadas como comunistas.

Com o apoio do Exército, a recém-criada Polícia Militar do Ceará passou a realizar incursões contra a comunidade. A cada ação, dezenas de pessoas eram mortas. Até que aviões militares sobrevoaram o local. O pretexto era fazer um mapeamento pelo alto, mas foram lançadas granadas e metralhadoras foram disparadas. Há controvérsias sobre o uso de bombas. Não sobram dúvidas, entretanto, a respeito do uso do avião para atacar os locais. Em poucos meses, o local estava em ruínas e os fugitivos, caçados.

“O combate aos sertanejos seguidores do beato foi planejado. E pode-se dizer que tudo foi arquitetado da maneira mais cruel e humilhante, com a intenção de destruir e evitar que movimentos semelhantes não ocorressem novamente”, afirma Medeiros em sua tese; “Os sertanejos viram de perto suas casas sento destruídas, anos de trabalho virando cinza”.







Quanto ao beato, ele conseguiu escapar, para Exu, em Pernambuco. Incansável, tentou criar uma nova comunidade, o Sítio União. Mas morreu em 1946, vítima de peste bubônica. Tinha 74 anos e havia dedicado mais de metade de sua vida a formar assentamentos autossuficientes. Seu legado foi varrido para baixo do tapete dos registros históricos oficiais.







Fontes:

wikipedia.org
operamundi.uol.com.br
gazetadopovo.com.br
ensinarhistoria.com.br
google.com
leiaurgente.com.br

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Retirada de Laguna





Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna, então reduzida a 1 680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde penetrou até Laguna, em abril. Por demais distante das linhas brasileiras, e sem víveres para o sustento da tropa, afetada pela cólera, o tifo,  e pelo beriberi, a coluna do Exército Brasileiro foi forçada a retirar sob os constantes ataques da cavalaria paraguaia, retratado de forma fidedigna na literatura de Visconde de Taunay, infligindo perdas severas aos brasileiros.



Taunay, que anos mais tarde ficou conhecido pelo romance Inocência, relatou suas experiências na batalha de Laguna de forma detalhada e brilhante.

Prólogo

É o assunto deste volume a serie de provações por que passou a expedição brasileira, em operações ao Sul de Mato Grosso, no recuo efetuado desde a Laguna, a três e meia léguas do rio Apa, fronteira do Paraguai, ate o rio Aquidauana, em território brasileiro, trinta e nove léguas, ao todo, percorridas em trinta e cinco dias de dolorosa recordação. Devo esta narrativa a todos os meus irmãos de sofrimento, aos mortos ainda mais do que aos vivos.  (Alfredo D’Escragnolle Taunay. Rio de Janeiro, outubro de 1868)



De um efetivo de cerca de 3 000 homens, apenas 1680 estavam vivos em abril de 1867 quando chegaram no território paraguaio e destes retornaram às linhas brasileiras as margens do Rio Aquidauana, hoje município no de Anastácio, Mato Grosso do Sul, em 11 de junho de 1867 apenas 700 homens, alquebrados pela doença e pela fome. Neste local, que se denominou Porto do Canuto, há um marco em pedra arenito.

CAPÍTULO III

Nioac (lugarejo). O coronel Carlos de Morais Camisão. O guia José Francisco Lopes. 


¨Fora a vila de Nioac abandonada pelo inimigo a 2 de agosto de 1866. Por toda a parte ali se viam vestígios do incêndio. Poupadas, apenas, duas casas e uma pequena igreja de pitoresca aparência. À primeira vista agrada o aspecto geral do lugar. De um lado, o povoado e um ribeirão chamado Orumbeva; do outro, o rio Nioac, cujas águas confluem cerca de 900 metros, para trás da igreja, deixando livre, em torno desta, à direita e à esquerda, um espaço duas vezes maior. Pequena colina fica-lhe em frente, a pouca distância. Ali chegamos às 11 horas de 24 de janeiro de 1867 acampando, em ordem de batalha, com a direita encostada à margem direita de Nioac; e a esquerda à mata do Orumbeva. Instalaram-se o quartel-general e o trem à retaguarda, no local da vila, ocupando o hospital as pequenas casas salvas do fogo e um grande galpão que às pressas se construiu.¨



A fome já era realidade e a última esperança dos brasileiros para encontrar comida e continuar naquela batalha eram as informações de que mais a frente, na Fazenda da Laguna, os soldados encontrariam alimento.

Na marcha até o local, além das baixas por fome e doenças, pequenos conflitos contra paraguaios também levaram soldados brasileiros à morte.

Ao chegar à fazenda, a realidade esperada era totalmente diferente. Todos os mantimentos já haviam sido saqueados pelas tropas paraguaias.

Dada tal situação, com soldados morrendo a todo momento, o Coronel Carlos de Moraes Camisão ordenou que suas tropas regressassem ao Brasil. O famoso episódio ficou conhecido como a Retirada da Laguna.

No dia 11 de junho, os 700 homens que restaram chegaram ao território brasileiro, mais precisamente às margens do Rio Aquidauana, dando fim ao processo de Retirada da Laguna.


Com poucos soldados, muitos doentes, sem comida e outras provisões, Camisão decidiu recuar para o território brasileiro, perseguido pelas forças paraguaias.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
curso.objetivo.br
hitoriadobrasil.net
militares.estrategia.com
academia.edu

terça-feira, 28 de julho de 2026

 Batalha do Tuiutí





A Batalha de Tuiuti ou Primeira Batalha de Tuiuti foi o maior e mais sangrento embate campal de toda a Guerra do Paraguai e do continente sul-americano,  por ter envolvido mais de 56 mil homens. Foi travada no dia 24 de maio de 1866, em uma região pantanosa e arenosa e de difícil locomoção chamada Tuyutí, no sudoeste do Paraguai.

Durante o avanço para o interior do Paraguai, as forças aliadas (Tríplice Aliança - Argentina, Brasil e Uruguai) acamparam em uma área muito pequena em comparação ao número de soldados de suas fileiras, que somavam 32 mil homens concentrados em um espaço de quatro quilômetros de comprimento por 2,4 de largura de terra seca. Além disso, sem ter conhecimento da região ou mapas adequados, estavam diante de formidáveis posições defensivas paraguaias, como a trincheira do Sauce, que possuía mais de três mil homens e diversos canhões à sua disposição.





Cerca de cinquenta e cinco mil homens participaram desta batalha.




As forças paraguaias foram comandadas pelo general José E. Díaz. Já os combatentes da Tríplice Aliança foram comandados por Manuel Luís Osório (marechal brasileiro), Bartolomeu Mitre (militar argentino) e Venâncio Flores (general uruguaio).



O Paraguai foi para o campo de batalha com cerca de 24 mil militares. Já a Tríplice Aliança contou com cerca de 32 mil.

O termo Tuiutí vem do tupi e significa lugar lamacento ou com muito barro.

O campo de batalha localizava-se no atual território do Paraguai, próximo ao lago Tuiuti, onde as tropas aliadas se encontravam acampadas. Francisco Solano Lopez, decidido a romper as linhas inimigas, lançou um ataque surpresa com cerca de 24.000 homens contra as forcas aliadas, que somavam aproximadamente 32.000 combatentes.

Nessa batalha foi ferido o Brigadeiro Antonio Sampaio, patrono da Infantaria Brasileira. Ele tinha atuado em outros conflitos brasileiros, como Cabanagem, Balaiada e Guerra dos Farrapos.


Brigadeiro Sampaio



A estratégia paraguaia inicial demonstrou eficácia, com avanços significativos sobre as posições aliadas. Entretanto, a reorganização das tropas brasileiras sob comando do Duque de Caxias e o reforço da artilharia argentina permitiram uma contraofensiva decisiva. A cavalaria brasileira, particularmente os regimentos de voluntários da Pátria, desempenhou papel crucial na estabilização das linhas aliadas.


Duque de Caxias




O desenrolar da batalha revelou uma evolução tática importante: enquanto os paraguaios dependiam de ataques frontais massivos, as forcas aliadas desenvolveram maior coordenação entre infantaria, cavalaria e artilharia. Esta superioridade tática, somada a vantagem numérica, resultou em pesadas baixas para o exercito paraguaio, estimadas entre 6.000 a 8.000 mortos.

Após a batalha, a situação estratégica no teatro de operações mudou radicalmente. Embora não tenha representado o fim imediato da guerra, Tuiuti marcou a transição para uma fase mais defensiva por parte do Paraguai. Para a Tríplice Aliança, a vitória fortaleceu a posição militar e abriu caminho para o avanço sobre fortificações paraguaias como Curupaiti e Humaitá.

Durante a sangrenta batalha, o lado paraguaio, que saiu derrotado, teve o maior número de baixas. Morreram cerca de 6 mil paraguaios e 4 mil da Tríplice Aliança. No geral, cerca de 12 mil soldados ficaram feridos durante a Batalha de Tuiuti.







Qual foi a importância da Batalha de Tuiuti no contexto da Guerra do Paraguai?



A Batalha de Tuiuti foi crucial na Guerra do Paraguai, pois representou a maior e mais sangrenta confrontação do conflito, consolidando a resistência da Tríplice Aliança contra o avanço paraguaio. A vitória das forças aliadas, compostas por Brasil, Argentina e Uruguai, impediu que o exército de Solano López retomasse a iniciativa estratégica e mantivesse sua posição ofensiva. Além de enfraquecer significativamente as tropas paraguaias, a batalha demonstrou a capacidade militar dos aliados, marcando uma virada na guerra e preparando o caminho para as campanhas ofensivas que culminariam na invasão do Paraguai.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
wguerrasdobrasil1.com
historiadobrasil.net
dicionarioinformal.com.br
eb.mil.br

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