sexta-feira, 12 de junho de 2026



Hoje vamos falar de outro romance de José de Alencar, um romance de sua fase urbana, onde ele escrevia sobre hábitos e costumes, especialmente da sociedade carioca do século XIX.






Lucíola foi publicado em 1862, e conta a história de Lúcia uma cortesã de luxo da sociedade carioca; e de Paulo um rapaz simples de Olinda Pernambuco, que logo que encontra Lúcia numa festa na Glória, Rio de Janeiro, se apaixona por ela, julgando-a meiga e angelical.


Seu amigo Couto, o alerta sobre a verdadeira profissão de Lúcia.


Com o tempo Paulo percebe que a mulher que ama não é tão angelical como ele imaginava.


Numa festa, ele a viu com outros homens, e ficou com ciúmes.
Ela então lhe disse que havia uma diferença entre a Lúcia que ele conheceu e a Lucíola, uma prostituta de luxo, que ganhava a vida agradando os homens.


Nessa festa, Lucíola foi paga para ficar inteiramente nua, na frente de todos os homens que lá estavam.
Isso decepcionou muito Paulo, que saiu da festa desnorteado.


Dias mais tarde Lúcia foi ao encontro dele, decidida a mudar de vida, pois Paulo a amava perdidamente.

Ela então contou a ele a sua verdadeira história; dizendo que seu nome era Maria da Glória, e que em 1850 toda a sua família caiu doente pela febre amarela.

Sem recursos para os remédios ela foi introduzida pelo amigo dele, Couto, na vida de prostituição.

Mudou o nome para Lúcia, que era o nome de uma grande amiga, que morreu em decorrência da febre amarela.
Quando seu pai descobriu sua profissão a expulsou de casa.
A ela só restou a vida de meretriz, e com o dinheiro ganho custeou os estudos de sua irmã mais nova, Ana.

Lucíola, vendeu a mansão em que morava e foi morar numa casa modesta.

Paulo sempre a visitava, onde viviam noites se amando.
Lúcia ficou grávida, mas teve um aborto que a levou a morte assim como da criança que levava no ventre.


Paulo passou a cuidar de Ana, como se fosse sua filha. Com o tempo ela se casou com um homem de bem, e viveu com a herança deixada por Lúcia.


Paulo, por sua vez, continuou triste com a morte do grande amor de sua vida.


Nesse romance José de Alencar retrata a sociedade carioca no período do Segundo Império. Uma sociedade mais preocupada com ascensão social e o valor do dinheiro com o qual alcançavam esse status.


O romance mostra também o conflito do individuo entre o preconceito e o amor.
Esses conceitos estão enraizados numa sociedade hipócrita, cujos valores estão acima da fraternidade e do amor.


Lucíola é narrado em primeira pessoa, visto através da perspectiva individual do personagem Paulo.




Capítulo I

A senhora estranhou, na última vez que estivemos juntos, a minha excessiva indulgência pelas criaturas infelizes, que escandalizam a sociedade com a ostentação do seu luxo e
extravagâncias.

Quis responder-lhe imediatamente, tanto é o apreço em que tenho o tato sutil e esquisito da mulher superior para julgar de uma questão de sentimento. Não o fiz, porque vi sentada no sofá, do outro lado do salão, sua neta, gentil menina de 16 anos, flor cândida e suave, que mal desabrocha à sombra materna. Embora não pudesse ouvir-nos, a minha história seria uma profanação na atmosfera que ela purificava com os perfumes da sua inocência; e — quem sabe? — talvez por ignota repercussão o melindre de seu pudor se arrufasse unicamente com os palpites de emoções que iam acordar em minha alma.

Receei também que a palavra viva, rápida e impressionável não pudesse, como a pena calma e refletida, perscrutar os mistérios que desejava desvendar-lhe, sem romper alguns fios da tênue gaza com que a fina educação envolve certas ideias, como envolve a moda em rendas e tecidos diáfanos os mais sedutores encantos da mulher. Vê-se tudo; mas furta-se aos olhos a indecente nudez.

Calando-me naquela ocasião, prometi dar-lhe a razão que a senhora exigia; e cumpro o meu propósito mais cedo do que pensava. Trouxe no desejo de agradar-lhe a inspiração; e achei voltando a insônia de recordações que despertara a nossa conversa. Escrevi as páginas que lhe envio, as quais
a senhora dará um título e o destino que merecerem. É um perfil de mulher apenas esboçado. (p 1)









Dessa fase do autor fazem parte ainda os romances; Diva, Senhora e Pata da Gazela.


Fontes:

guiadoestudanteabril.com.br
mundovestibular.com.br
drive.google.com
wikipedia.org


quinta-feira, 11 de junho de 2026

O caminho de Santiago de Compostela





O Apóstolo Santiago (Tiago Maior), segundo a tradição, foi em Iria Flaviae, a cidade mais importante da região durante o período romano, situada a cerca de 20 km a sudoeste de Compostela, que o apóstolo pregou pela primeira vez durante a sua estadia de evangelização na Espanha.



O apóstolo chegou à região em 34 d.C. vindo da Terra Santa. Depois da sua morte por decapitação, em Jafé, na Judéia, o corpo e a cabeça do apóstolo foram transportados para a Galicia, pelos seus discípulos Teodoro e Atanásio numa barca de pedra, que aportou no local onde é hoje Padrón, então o porto de Iria Flaviae, e que foi amarrada ao antigo altar de pedra que deu o nome à atual vila.




O  apóstolo Tiago, que na verdade se chamava Jacob, foi um dos doze apóstolos que melhor relacionamento teve com Jesus, que na época chamou a este pescador “filho do trovão”, e que o chamou com seu irmão, para se juntar ao grupo que iria acompanhá-lo na missão histórica que o levou à sua morte na cruz.

Já no ano 44 depois de Cristo, o imperador “Herodes Agripa”, em um dos muitos atos cruéis que ele realizou, decidiu atacar a comunidade cristã, prendendo Pedro e decapitando Tiago em Jerusalém, tornando-se o primeiro cristão em morrer por sua fé, sendo hoje o santo padroeiro da Espanha, Ibero-América e de muitas vilas e cidades, e é por isso que todo 25 de julho seu festival é celebrado.




Os discípulos depositaram os restos mortais de Santiago num local do monte Libredón, onde hoje se ergue a catedral. Depois de enterrarem o corpo do apóstolo, os dois discípulos ficaram pregando em Iria Flaviae. Num monte não muito distante do centro de Padrón, do outro lado do rio Sar, onde se encontra um outro lugar de culto a Santiago: a pedra em cima da qual, de acordo com a lenda, Santiago celebrou uma missa.





A peregrinação a Santiago de Compostela é uma viagem de 800 quilómetros, e nem todos os peregrinos fazem pela fé cristã, têm diferentes motivações que vão desde o prazer de caminhar através de um belo e cheio de rota mística; movido pelo interesse cultural, artístico e histórico em um passeio onde há muitas obras arquitetônicas e esculturais que têm maravilhosas, ou histórias que fizeram uma promessa a ser cumprida, ou, finalmente, o que normalmente acontece, por uma combinação de todas as razões expostas anteriormente.




É importante notar que existem muitos caminhos para chegar ao destino final que é Santiago de Compostela, porque desde que os peregrinos do século nono encontraram maneiras diferentes de fazer isso, no entanto, uma maior importância histórica e estratégica tem o Caminho Francês ou também chamado Franco-Navarro.

Esta rota jacobiana é considerada a mais movimentada, porque a maioria das outras rotas termina em algum ponto que se une, de uma das duas entradas, a primeira é Roncesvalles em Navarra e a segunda que de Somport em Huesca. É uma questão de escolher qual das dois escolher, considerando a disponibilidade de tempo, a condição física, o lugar onde estão no momento da partida e o que desejam desfrutar.

E se você preferir observar paisagens maravilhosas, pode muito bem escolher a rota Navarra que as têm em milhares; mas se você gosta da solidão dos lugares, então é conveniente tomar a rota aragonesa, já que nesta há construções que lembram e projetam o aspecto da estrada medieval, para o qual as pessoas se sentem projetadas naquele momento.

É uma escolha difícil, mas em ambos você sentirá um encontro com essa natureza viva que transmite momentos transcendentais da história para todos os seres humanos. Não em vão, a UNESCO declarou em 1993 esta rota, Patrimônio da Humanidade, depois do Conselho da Europa em 1987, a catalogou como o Primeiro Itinerário Cultural Europeu.

Há também outras estradas que fazem parte do Caminhos do Norte, dentro do qual está o “Primitivo ou chamado Alfonso II”, que em seu tempo a construiu, começa em Oviedo e tem uma carreira de 336 quilômetros, passando pelas cidades de Lugo e Tineo em Astúrias, para culminar em Palas de Rey.

Por outro lado, está a Rota da Costa, cerca de 839 quilômetros e está localizada em Irún e termina em Arzún, onde os caminhantes podem desfrutar de uma bela paisagem, mas de acordo com algumas informações é mal marcado e há deficiências em relação aos albergues.



O Caminho Português é outra das rotas mais conhecidas, que foi recuperado pelas associações galegas e portuguesas na década de noventa. Existem duas rotas, o Interior, que consiste em 143 quilômetros e começa em Verín (Orense) e termina em Santiago de Compostela, e a rota da Costa, que começa em três pontos da província de Pontevedra, que são: em La Guardia, Goyán e Tuy 107 quilômetros.

É claro que os caminhantes fazem suas caminhadas diárias, de acordo com o tempo que têm, suas condições físicas e o número de quilômetros que devem percorrer para chegar a Santiago de Compostela, dependendo do local escolhido para começar. No entanto, geralmente é recomendável fazer caminhadas de 25 a 30 quilômetros.




Todas as rotas de peregrinação do Caminho de Santiago se encontram na catedral de Santiago de Compostela, capital da Galícia, no noroeste da Espanha, onde estaria localizada a suposta sepultura de São Tiago.


Por mais de mil anos, as pessoas percorreram esses caminhos para homenagear o apóstolo, mas para um pequeno número de viajantes que chegam à cidade sagrada, a jornada ainda não está completa.






A partir da praça principal, outro percurso menos conhecido surge a oeste. As torres da catedral desaparecem à medida que a trilha deixa a cidade e segue por 90 km até o indomável Oceano Atlântico - e o Cabo Finisterra.


Com nome que vem do latim, traduzido literalmente como "fim da terra", este recanto da Espanha cortado pelo vento tem uma história espiritual que remonta a mais de quatro milênios.


Geograficamente, o Cabo Finisterra não é, evidentemente, o fim do mundo - tampouco o ponto mais ocidental da Europa continental, como muitas vezes se supõe (o Cabo Roca, em Portugal, detém este título).


Mas se trata de um acidente geográfico cuja força mística atrai viajantes desde a antiguidade.


Os peregrinos foram vieram para cá inspirados pela religião, pela aventura ou simplesmente para ficar à "beira do mundo" que conheciam e contemplar para o "Mar Tenebroso", como era conhecido o Oceano Atlântico na época.



Uma bota de bronze marca o fim da antiga rota de peregrinação — Foto: Pixabay








O Caminho de Santiago pode ser considerado uma jornada iniciática, é repleto de rituais, simbologias, lendas que costumam ser conhecidos por todos os peregrinos que ousam embarcar nesta aventura física, psicológica, espiritual ou por turismo, e queiram ter uma experiência mais profunda, inclusive por meio do conhecimento de seus mistérios, mitos, segredos e história.

Os rituais, lendas e símbolos do Caminho de Santiago, em última instância, representam padrões de comportamento associados ao papel do peregrino como a Jornada do Herói, descrita por Campbell (2009), em sua busca espiritual, transcendência, com o reconhecimento do solo sagrado a ser percorrido e com a ligação entre peregrinos de todos os tempos e lugares.

Enfim, talvez faça parte do “espírito da nossa época” repensar o individual e o coletivo, o sagrado e o profano, os símbolos e os mitos, a religião e a magia, as dimensões objetivas e subjetivas da vida social, em novas bases.



Fontes:

joya.life.pt.br
g1.globo.com
psimarinaalmeida.com.br
google.com






quarta-feira, 10 de junho de 2026

Apesar de ser uma língua rica e vibrante, como outros idiomas ao redor do mundo o Português também possui expressões que só fazem sentido para os nativos falantes.




Vamos mostrar algumas delas abaixo :



Chutar o balde

Significa desistir, "deixar para lá" ou se rebelar contra algo do seu dia a dia, geralmente resultando em decisões relativamente "erradas" ou diferentes do inicialmente planejado.

Exemplo: Chutei o balde esse fim de semana e saí da dieta.


Tirar o cavalinho da chuva

Também significa "desistir", mas geralmente é dita a alguém em forma de aviso, no sentido de "pode ir desistindo disso".

Exemplo: Você achava que ia sair esse fim de semana em vez de estudar para a prova?! Pode ir tirando o cavalinho da chuva!


Colocar a mão no fogo

Confiar em algo ou alguém. Se você "coloca a mão no fogo por aquele amigo", significa que você confia muito nele.


Tirar de letra

Fazer algo com facilidade e de forma correta.

Exemplo: Não se preocupe, tirei de letra o exame de direção!


Rodar a baiana

Se revoltar e fazer confusão, brigar, fazer escândalo.


Quebrar o galho

Ajudar alguém ou resolver algo de forma precária e temporária.

Exemplo: Nossa, ontem o Tiago quebrou um super galho para mim. Se ele não tivesse trocado o pneu do meu carro, eu estaria andando de ônibus.


Nem que a vaca tussa



Expressão brasileira usada para afirmar que algo não pode acontecer ou que alguém não pode fazer algo.

Exemplo: Nossa, não vou conseguir acordar cedo amanhã nem que a vaca tussa.




Santo do pau oco

Alguém em quem não se pode confiar, alguém falso.




Lágrimas de crocodilo

Também se refere a uma pessoa falsa, mas fala especificamente do ato de uma pessoa fingir tristeza, com lágrimas falsas.

Exemplo: Relaxe, ela está bem. Aquilo foram lágrimas de crocodilo.


Matar a cobra e mostrar o pau

Assumir seus atos, assumir a responsabilidade sobre algo.


Paredes têm ouvidos

Estar em um ambiente no qual há pessoas que podem ouvir algo que você quer dizer em confidência. Exemplo: Cuidado ao falar sobre sua vida pessoal lá no escritório. As paredes têm ouvidos.


Armar/Fazer um barraco

Criar uma confusão sobre algo, fazer um escândalo. Exemplo: Você viu o barraco que a Milena fez quando descobriu a mentira do Paulo?


Casa da mãe Joana

Um local onde tudo pode acontecer e ser feito, sem limites. Geralmente é usado para impor limites, ao dizer que um local não é a Casa da Mãe Joana.


Custar os olhos da cara

Algo ser muito caro.


Pagar o pato

Sofrer as consequências de algo que outra pessoa fez. Exemplo: O Danilo saiu mais cedo hoje e eu que paguei o pato, vou ter que trabalhar até mais tarde para terminar as demandas dele.


Colocar a carroça na frente dos bois

Antecipar-se, pular etapas de um processo, fazer algo antes do momento correto. Exemplo: Gente, não vamos colocar a carroça na frente dos bois! Primeiro vamos fazer os orçamentos da festa, depois compramos a decoração.




Cutucar a onça com vara curta

Provocar ou incomodar alguém que já parece estar impaciente ou com raiva.


Abandonar o barco

Mais uma expressão que significa "desistir".

Puxa-saco

Puxar o saco de alguém é o ato de elogiar ou agradar muito uma pessoa por interesses próprios.


Pisar na bola

Falhar, cometer um erro.

Acertar na mosca

Dar a resposta correta e exata.


Arrumar sarna para se coçar

Procurar problemas, envolver-se em situações problemáticas.

Babar ovo

Similar ao "puxar saco", significa bajular alguém por interesse próprio.


Amigo da onça

Uma pessoa falsa, que finge ser seu amigo.


Mudar da água para o vinho

Expressão brasileira geralmente usada para falar que uma pessoa mudou muito em suas atitudes, estilo ou jeito de viver.


Dar a volta por cima

Recuperar-se de uma situação muito ruim.


Botar a boca no trombone

Reclamar de algo, denunciar um problema ou revelar publicamente um segredo.


Água que passarinho não bebe

Bebidas alcoólicas, geralmente cerveja.

Agarrar com unhas e dentes

Agarrar-se simbolicamente a algo importante para si, como uma decisão um plano, uma pessoa. Não desistir de algo.

Banho de água fria

Significa "decepção".

Exemplo: Nossa, essa decisão da empresa de mudar o horário de trabalho foi um banho de água fria para mim.


Ao pé da letra

Tem o mesmo significado que "literalmente".


Bater na mesma tecla

Insistir em uma mesma coisa ou situação.


Dar uma mãozinha

Dar uma pequena ajuda a alguém.


Falar pelos cotovelos

Falar muito.


Fazer uma vaquinha

Reunir dinheiro de diferentes pessoas para um mesmo objetivo.







Fontes:

dicionariopopular.com
google.com

terça-feira, 9 de junho de 2026

Era conhecida como a Sodoma moderna, na época. Port Royal, era um ilha riquíssima no Caribe, rodeada por piratas com suas festas e depravações.




Situada no extremo oeste do banco de areia de Palisadoes (estrutura de rochas que cercam a ilha), Port Royal ganhou a reputação no século XVII de "cidade mais rica" e "cidade mais perversa" do mundo. A cidade era notável pela sua rica economia e falta de valores morais, além de ser um lugar convencional para os piratas trazerem e gastarem seus tesouros. Após o sismo de 7 de junho de 1692, muitos acreditaram que este havia sido um "Ato Divino" pela fama da cidade de pecadora. Durante o século XVII, o Reino Unido ativamente encorajava e até pagava bucaneiros (piratas) situados em Port Royal para atacar navios franceses e espanhóis. Entre o período de conquista da Jamaica pelo Reino Unido e o sismo de 1692, Port Royal foi a capital da Jamaica, sucedida por Spanish Town e posteriormente por Kingston.

Bucaneiro



Em 7 de junho de 1692, um devastador sismo atingiu a cidade deslocando a areia sobre a qual a cidade havia sido construída. Um tsunami em seguida pôs a cidade definitivamente sob as águas. Mesmo assim, alguns arqueólogos acharam alguns sítios intactos. O terremoto e a tsunami combinados mataram entre 1 000 e 3 000 pessoas, mais de metade da população.







Houve tentativas de reconstrução da cidade, começando com o terço da cidade que não havia afundado, mas essas tentativas foram abaladas por diversos desastres. A primeira tentativa de reconstrução da cidade foi um desastre devido a um incêndio em 1704. As tentativas seguintes foram paradas devido a furacões e logo Kingston superou Port Royal em importância.







Hoje, Port Royal é uma comunidade tranquila com apenas algumas relíquias do seu passado romântico: o Forte Charles à entrada do porto, que esteve em tempos sob o comando de Horatio Nelson, a Igreja de São Pedro e um museu que exibe alguns tesouros resgatados do mar. População (última estimativa): 2.000.

Hoje Port Royal é uma cidade ao sul da Jamaica no Caribe.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
britannica.com
escreva.ai.com
gettyimages.com.br
magnusmundi.com


segunda-feira, 8 de junho de 2026

“Sim, claro, se o tempo estiver bom amanhã”, disse a Sra. Ramsay. “Mas você terá que levantar com as cotovias”, acrescentou ela. Para seu filho, essas palavras transmitiram uma alegria extraordinária, como se tudo estivesse resolvido, a expedição estivesse prestes a acontecer, e a maravilha pela qual ele ansiava, durante anos e anos ao que parecia, estivesse, depois de uma noite de escuridão e de um dia de navegação, ao alcance do toque. Como ele pertencia, mesmo aos seis anos de idade, àquele grande clã que não consegue manter esse sentimento separado daquele, mas deve deixar que as perspectivas futuras, com suas alegrias e tristezas, obscureçam o que está realmente próximo, já que para essas pessoas, mesmo na mais tenra infância, qualquer giro na roda da sensação tem o poder de cristalizar e paralisar o momento sobre o qual repousa sua escuridão ou brilho, James Ramsay, sentado no chão recortando figuras do catálogo ilustrado das Lojas do Exército e da Marinha, dotou a imagem de uma geladeira, como sua mãe falou, com felicidade celestial.¨

Assim começa uma das obras mais conhecida da escritora britânica Virginia Wolf, ¨Ao farol¨



Virginia Woolf (1882-1941) foi uma escritora inglesa moderna. Teve um papel preponderante na literatura inglesa do modernismo sendo Ao Farol sua obra de maior destaque do período.

Segundo ela, a função do escritor é:


“(...) é transmitir a essência sempre em mutação da mente, por maior que seja a complexidade ou o intrincado das suas manifestações, com o menor número possível de elementos estranhos ou alheios a ela.”


Biografia

Virginia Wolf



Adeline Virginia Woolf nasceu em Kensington, Inglaterra, em 25 de janeiro de 1882. Filha de uma família burguesa, seu pai, Leslie Stephen, era editor e crítico literário. Por influência de seu pai e com uma boa educação, Virginia passou a se interessar pelo mundo literário.

Enquanto seus irmãos foram educados numa escola, ela por sua vez, foi educada em casa, fato que lhe deixou muito irritada. Na época, as mulheres ainda não tinham a possibilidade de estudar fora e por isso, passou muitas tardes lendo livros da biblioteca de seu pai.



Sua casa tinha uma biblioteca, e seus pais sempre recebiam a visita de artistas e intelectuais. Assim, a romancista cresceu em um ambiente propício a despertar o seu interesse pelos livros. Tinha nove anos de idade quando criou um jornal, que circulava no ambiente familiar: Hyde Park Gate News.

Porém, sofreu abuso sexual cometido por um meio-irmão, segundo relata em Momentos de vida. Quando a mãe faleceu, em 1895, a escritora teve sua primeira crise de depressão. A autora passou por mais uma crise depressiva quando o pai faleceu, em 1904. Nessa ocasião, foi amparada por Violet Dickinson (1865-1948), com quem mantinha uma forte amizade e se correspondia desde 1902.

Suas cartas demonstram, muitas vezes, um teor homoerótico. Por intermédio dela, Virginia começou a publicar artigos em periódicos como o The Guardian a partir de 1905. Nesse ano, também passou a trabalhar, voluntariamente, como professora de História e Literatura no Morley College uma vez por semana, durante três anos.



Em 1906, Woolf, em companhia da irmã e de dois irmãos, viajou à Grécia, onde o irmão Thoby (1880-1906) contraiu tifo e morreu logo depois em Londres. O casamento com o teórico Leonard Woolf (1880-1969), com quem mantinha forte amizade, ocorreu em 1912. O casal não tinha relações sexuais, mas possuía uma relação de companheirismo e troca intelectual.

Em 1915, Woolf publicou seu primeiro romance: A viagem. Já em 1917, Virginia e o marido fundaram a editora Hogarth Press. Mais tarde, em 1925, ela experimentou o sucesso literário com a publicação de Mrs. Dalloway. Nesse ano, conheceu a poetisa Vita Sackville-West (1892-1962), que se tornou sua amante e a inspirou a escrever o romance Orlando.



Vita Sackville-West





¨A violenta detonação que assustou Mrs. Dalloway e levou Miss Pym a ir até a vitrine e se desculpar veio de um automóvel que se aproximara da calçada bem em frente à vitrine da Mulberry. Os transeuntes, que evidentemente pararam para olhar, só tiveram tempo de entrever um rosto dos mais eminentes destacando-se do estofamento cinza-perolado, antes que uma mão masculina fechasse a cortina, nada mais restando para se ver além de um quadrado cinza-perolado. Os rumores, porém, logo começaram a circular desde o centro de Bond Street até Oxford Street de um lado, e a perfumaria Atkinson do outro, passando, invisíveis e inaudíveis, como uma nuvem veloz recobrindo com um véu as colinas, toldando de súbito com a sobriedade e a imobilidade de uma nuvem os rostos que, um segundo antes, estavam completamente dispersos. Agora, contudo, haviam sido roçados pela asa do mistério; haviam ouvido a voz da autoridade; o espírito da religião estava em movimento, de olhos vendados e boca escancarada. Mas ninguém tinha ideia de quem era o rosto vislumbrado. Seria o príncipe de Gales, a rainha, o primeiro-ministro? De quem era aquele rosto? Ninguém fazia ideia.¨  ( Mrs.Daloway - p.11)

Na década de 1930, Virginia era uma escritora conceituada e dava palestras frequentemente. Contudo, ainda era acometida pelas crises depressivas. E sempre teve o apoio de seu marido. Porém, a escritora cometeu suicídio, no rio Ouse, em 28 de março de 1941, quando o país estava sofrendo com a Segunda Guerra Mundial.

Virginia e o marido Leonardo


Virginia era depressiva e tentou o suicídio outras vezes, como em 1914 depois da morte de seus pai. Dizia que ouvia os pássaros cantando em grego.

Era bissexual, mas dizia que não gostava de sexo. Suicidou-se com 56 anos no rio Ouse, com pedras nos bolsos do casaco para afundar mais rapidamente. Deixou duas cartas, uma ao marido e outra para sua irmã. Ao marido disse que ele a fez muito feliz, mas que temia voltar a ter acessos de loucura, e por isso punha fim a existência.


As obras de Virginia estão repletas de questões sociais, políticas e feministas. Dona de um espírito revolucionário, ele escreveu romances, contos e ensaios. Confira abaixo algumas das obras de destaque:

A viagem (1915)
Noite e dia (1919)
O quarto de Jacob (1922)
Senhora Dalloway (1925)
Ao farol (1927)
Orlando: uma biografia (1928)
Um teto todo seu (1929)
As ondas (1931)
Os anos (1937)
Entre os atos (1941)
Os três Guineus (1938)
Os diários de Virginia Wolf (autobiográfico)



Fontes:

brasilecola.uol.com.br
todamateria.com.br
humaniotas.urfn.br
literunico.com.br
wikipedia.org
google.com

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Torre de Pisa




A Torre de Pisa é um dos monumentos mais famosos do mundo. Situada na pequena cidade italiana de Pisa, na região da Toscana, ela é conhecida pela sua inclinação curiosa, que há séculos intriga engenheiros, arquitetos e turistas. Mas você sabe como surgiu essa construção e por que ela nunca ficou totalmente reta? A história da Torre de Pisa mistura erros de cálculo, avanços da engenharia e uma boa dose de sorte.



A Torre de Pisa é uma obra de arte em mármore branco, realizada em três fases ao longo de um período de cerca de 177 anos. A construção do primeiro andar começou no dia 9 de agosto de 1173, um período de sucesso militar e prosperidade. Este primeiro andar é uma arcada "cega" articulada por colunas clássicas coroadas com capitéis coríntios.


Sua construção atualmente é atribuída ao arquiteto italiano Diotisalvi

A torre começou a inclinar-se após a progressão de construção para o terceiro andar em 1178. Isto deveu-se a uma fundação de meros três metros sobre um subsolo fraco e instável, um projecto que falhou desde o início. A construção foi posteriormente paralisada por quase um século, porque o Pisanos estavam continuamente envolvidos em batalhas com Gênova, Lucca e Florença. Este tempo permitiu ao solo subjacente ajustar-se. Caso contrário, a torre de Pisa quase certamente teria sido derrubada. Em 1198 os relógios foram temporariamente colocados no terceiro andar da construção inacabada.

Em 1272 a construção foi reiniciada por Giovanni de Simone arquiteto do Camposanto. Em um esforço para compensar a inclinação, os engenheiros construíram andares com um lado mais alto do que o outro. Isso fez a torre começar a inclinar-se em outra direção. Devido a isso, a torre é realmente curva. A construção foi interrompida novamente em 1284, quando os Pisanos foram derrotados pelos Genoveses na Batalha de Meloria.

O sétimo andar foi concluído em 1319. A sino-câmara acabou por não ser adicionada até meados de 1372 e foi construída por Andrea Pisano, que conseguiu, por sua vez, harmonizar os elementos góticos da sino-câmara com o estilo românico da torre. Há sete sinos, um para cada nota da escala musical. O maior deles foi instalado em 1655.

Depois de uma fase de reforço estrutural (entre 1990-2001), a torre está atualmente em fase de restauração gradual da superfície, a fim de reparar os danos visuais, devidos principalmente à corrosão e escurecimento. Estes são, particularmente, os pontos mais problemáticos, devido à idade da torre e à sua particular exposição ao vento e à chuva (corrosão).



Ao longo dos séculos, várias intervenções foram realizadas na esperança de mitigar a inclinação progressiva. Uma das tentativas mais notáveis envolveu a adição de andares com um lado mais alto que o outro, na tentativa de compensar a inclinação. No entanto, essa estratégia acabou por agravar o problema, resultando em uma leve curvatura na estrutura. No final do século XX, um projeto complexo removeu terra do lado norte da fundação, permitindo uma ligeira correção. Adicionalmente, foram instalados cabos de aço para garantir sua estabilidade.





Em maio de 2008, após a remoção de mais 70 toneladas de terra, os engenheiros anunciaram que a torre tinha sido estabilizada em tal ordem que havia parado de se mover pela primeira vez em sua história. Eles declararam que seria estável durante pelo menos 200 anos.




A inclinação da torre de pisa é, sem dúvida, o seu traço mais famoso, mas por trás dessa peculiaridade reside uma complexa interação de fatores arquitetônicos e geotécnicos. Com seus 55,86 metros de altura (do lado mais baixo) e um peso estimado em 14.500 toneladas, a estrutura desafia a gravidade e as leis da engenharia desde o início de sua construção, no século XII. A escolha do local, com um subsolo composto por argila mole, areia fina e conchas, revelou-se um erro crucial que desencadeou o processo de inclinação.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
euitaliano.com.br
viagensinesqueciveis.com.br



quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ciganos







Os ciganos, também conhecidos como "roma", são um grupo étnico com uma língua e práticas culturais distintas. Eles são originários do subcontinente indiano e começaram a migrar para a Europa e o Oriente Médio cerca de 1.000 anos atrás. Historicamente, os ciganos têm sido nômades, tradicionalmente vivendo em caravanas itinerantes e conhecidos por suas habilidades como artesãos, músicos e comerciantes.



Uma das dificuldades em conhecer a história dos chamados ciganos é que, grande parte da documentação sobre o assunto foi escrita por não-ciganos. Esses testemunhos são marcados por preconceitos, estereótipos e desconhecimento sobre essa população.







Outro desafio é saber qual o lugar de origem dos ciganos. Atualmente, considera-se que o subcontinente indiano, especialmente ao norte dos atuais Paquistão e Índia, seja a terra natal mais provável. Dali teriam passado à Pérsia, ao Egito, e também ao continente europeu.

O primeiro documento que atesta a presença dos ciganos na Espanha é de 1425, quando um grupo recebe uma carta de proteção do Papa Martinho V para cruzar o território a fim de peregrinar a Santiago de Compostela.




Língua cigana

A língua desenvolvida pelos ciganos é o romani ou romanês. É uma língua ágrafa, isto é, não tem escrita, por isso, é ensinada de forma oral.

Existem etnias que reproduzem o idioma com desenvoltura, entretanto, há outras que conseguem enunciar algumas palavras.

As pessoas não ciganas não podem aprender esta linguagem que é direcionada somente a este povo. Contudo, com o advento da internet, tal impedimento começa a dar sinais de desgaste.

Religião cigana

Os ciganos não possuem uma religião específica. Com isso, eles trabalham a espiritualidade por meio de princípios e crenças. Não existe a figura central de um deus, deuses ou hierarquia religiosa.

Eles costumavam adotar a religião da região em que se fixavam, por isso, existem ciganos na umbanda, na igreja evangélica e na católica, no islamismo e no espiritismo.

Os ciganos seguidores do catolicismo, costumam cultuar a Santa Sara de Kali, mulher que teria sido acolhida por ciganos na França. Em algumas religiões de matriz africana existem as entidades ciganas, que são incorporadas por médiuns.

Dança cigana





A dança cigana ganhou força na Espanha, quando os ciganos bailavam em seus acampamentos embalados por instrumentos musicais, palmas e cantos. Ela é desenvolvida tanto por mulheres quanto por homens.



Os ciganos chegaram ao Brasil ainda no século XVI. As autoridades de Portugal viam nos seus territórios ultramarinos uma oportunidade de se livrar desses indivíduos que eram considerados “indesejados”.

Os ciganos estabeleceram-se em praticamente todo o território nacional, com destaque particular para a Bahia.

Atualmente, existem três grandes grupos ciganos no País. O primeiro, oriundos de Portugal e Espanha, que mantém o dialeto caló. O segundo, o Rom, que utiliza o romani, e são oriundos especialmente do Leste Europeu. Finalmente, os Sintis, da Alemanha e da França, após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Segundo os dados do IBGE, em 2010 havia cerca de 800 mil ciganos no Brasil. Boa parte já não vive como nômades e estão fixos numa região.

Seus costumes, sua dança e suas vestimentas coloridas são transmitidos de geração a geração.

As mulheres são famosas por lerem mãos, cartas e advinhar o futuro.

Em parte o preconceito que eles sofrem no mundo inteiro é pelo total desconhecimento de seus hábitos e cultura. O que pe desconhecido é rejeitado, na maioria das vezes.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
escolaeducacao.com.br
suapesquisa.com
todamateria.com.br

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