sexta-feira, 10 de julho de 2026



Apesar de diversas postagens sobre o tema, notamos uma certa dúvida na conjugação de verbos impessoais.
Afinal o que são verbos impessoais ?


Verbos impessoais são verbos que, não apresentando sujeito, são conjugados apenas na 3.ª pessoa do singular. Os principais verbos impessoais são o verbo haver (apenas com sentido de existir), o verbo fazer (quando indica tempo decorrido) e verbos que indicam fenômenos da natureza e atmosféricos.


Lembramos que sujeito é o que pratica a ação na frase.


Logo:



Verbo haver


O verbo haver, quando utilizado como sinônimo de existir, é um verbo impessoal, devendo ser conjugado apenas na 3.ª pessoa do singular: há, houve, havia, haverá, haveria,...


Exemplos com o verbo haver:


Há inúmeras razões para eu estar chateada com você.
Havia muitas pessoas esperando na fila.
Houve reclamações sobre o desempenho do governante.




Portanto nada de dizer "haviam" muitas pessoas. O correto é havia muitas pessoas.

Verbo fazer

O verbo fazer, quando indica tempo decorrido ou fenômeno atmosférico, é um verbo impessoal, devendo ser conjugado apenas na 3.ª pessoa do singular: faz duas semanas, faz cinco meses, faz três horas,...

Portanto nada de dizer: "Faziam" cinco anos que não te vejo.
O correto é Faz cinco anos que não te vejo.

Exemplos com o verbo fazer
Faz cinco anos que não vejo minha irmã.
Faz trinta minutos que eu estou esperando você.
Casei faz duas semanas.
Na minha cidade, faz sol todos os dias.
Faz muito calor a esta hora!

Verbos indicativos de fenômenos da natureza e atmosféricos
Verbos que indicam fenômenos da natureza e atmosféricos, como o verbo chover, anoitecer, nevar, escurecer,... são verbos impessoais, devendo ser conjugado apenas na 3.ª pessoa do singular: choveu, anoitece, nevava, escurecerá,...

Lista de verbos indicativos de fenômenos da natureza e atmosféricos:
Verbo amanhecer;
Verbo anoitecer;
Verbo escurecer;
Verbo alvorecer;
Verbo chover;
Verbo chuviscar;
Verbo nevar;


Como vemos os vemos impessoais não têm sujeito.


Não podemos falar: eu chovo, tu choves.....




Fontes:

escreverbem.com.br
conjugacao.com.br
portugues.com.br
wikipedia.org

quinta-feira, 9 de julho de 2026



A Revolta Paulista de 1924, também chamada de Revolução Esquecida, Revolução do Isidoro, Revolução de 1924 e de Segundo 5 de julho, foi a segunda revolta tenentista e o maior conflito bélico da cidade de São Paulo. Teve início na madrugada de 5 de julho e terminou em 28 de julho de 1924. A revolta foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de São Paulo e Minas Gerais, a chamada política do café com leite.






Na segunda década do século passado o Brasil ainda era uma República anacrônica, pois o objetivo do Estado Brasileiro, em um “ciclo perverso”, encerrava-se em si mesmo. A população era o que menos importava! Reinava a famigerada política do “Café com Leite”, com a alternância do Executivo Federal (Presidência da República) apenas por representantes de oligarquias dos Estados economicamente majoritários, entenda-se São Paulo e Minas Gerais. Começava a se desenhar a Revolução Esquecida de 1924 .


As eleições eram manchadas pelo incrédulo voto aberto, o malicioso voto de cabresto, com o povo “exercendo cidadania” de acordo com o pensamento dos poderosos “coronés” (como eram chamados os chefes políticos locais). Tais práticas cobriam nossos sertões. O Presidente da República à época era o também oligarca Arthur Bernardes, em triste continuísmo político.








A espoleta da rebeldia nascera no Exército, através do Quartel de Santana, o tradicional 4º BC- Batalhão de Caçadores, na Rua Alfredo Pujol (hoje, Centro Preparatório de Oficiais da Reserva- CPOR/SP), no "Solar dos Andradas", dissipando-se através dos Quartéis da Força Pública da área central de São Paulo, ao longo da Av. Tiradentes.




O Quartel da Luz, no atual Regimento de Cavalaria e parte do antigo 1º Batalhão da Força Pública, hoje, 1º BPChq/ROTA), sob o comando do Major Fiscal do Regimento de Cavalaria da Força Pública MIGUEL COSTA e inúmeros outros colaboradores (destacando-se o tenente FP JOÃO CABANAS, autor do livro "A Coluna da Morte"), dominaram a cidade de São Paulo. O Quartel da Luz passa a ser a sede Revolucionária, até ser atingida por obuses legalistas, durante a dominação por 23 deias dias da cidade. Durante a Campanha a sede Revolucionária encontraria novo endereço, a Estação da Luz, a menos de 500 metros do Quartel da Luz.



General Miguel Costa

Do interior Paulista outras Unidades do Exército se levantaram, chegando à Capital, apoiando o Movimento Revolucionário, Batalhões esses de Quitaúna (região de Osasco), Itu, Rio Claro, Jundiaí e Caçapava também.


Uma resistência inesperada da Força Pública, em pleno Bairro da Luz, tomado pelos Revolucionários, destaca-se no horizonte: o 4º Batalhão da Força Pública, (hoje, 4ª BPM/I, com sede na cidade de Bauru- SP), também situado no centro nervoso da Revolução, na Av. Tiradentes, esquina com Rua Bandeirantes (Quartel hoje não mais existente), a 200 metros do Quartel da Luz da Força Pública.


O 4º Batalhão, transformou- se, segundo o tenente Benito Serpa, um de seus valentes soldados, “A Verdun Paulista”, bastião legalista, que resistiu a fúria rebelde até a fuga do Presidente do Estado para Guaiaúna, no Bairro da Penha, na Capital (hoje área abrangida pela estação do metrô Penha).


O Chefe do Executivo Paulista, Carlos de Campos, não resistindo aos ataques contra o Palácio Campos Elíseos (ainda existente, na Esquina da Av. Rio Branco x Praça Princesa Isabel), sede do Governo Paulista, no bairro de mesmo nome, em 08 de julho fugiu para Guaiaúna, após ataques sofridos no Palácio bem como nos prédios governamentais no Largo do Carmo, área central, próximo da Praça da Sé.


O intuito do Movimento era a derrubada do Presidente Arthur Bernardes, que representava a ordem vigente, arcaica, carcomida e corrompida, além da mudança radical da estrutura viciada do Estado Brasileiro, através do ensino gratuito e obrigatório, o voto secreto e uma Justiça independente.


O “5 de Julho de 1924” era originário do “Movimento Tenentista”, grupo essencialmente urbano, representante da classe média em crescimento, antagônico ao movimento ruralista e tradicional, pois almejava profundas mudanças na sociedade brasileira. Em nada se confunde com a ideologia pregada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, decorrente da Revolução Russa, de 1917.


O Movimento Tenentista teve seu batismo de fogo no mesmo dia, porém dois anos antes, na cidade do Rio de Janeiro, no episódio conhecido como "Os 18 do Forte de Copacabana", que, com semelhança ao voluntarismo dos "300 de Esparta", marcharam para a morte e pela glória na Praia de Copacabana. Ao final da peleja restaram feridos, em destaque, os Tenentes Siqueira Campos, que dá nome ao Parque Trianon, na Av. Paulista, e Eduardo Gomes, futuro Brigadeiro de nossa Força Aérea. 6 deles morreram.


Os dois já recuperados e eternos rebeldes teriam intensa participação na Revolução de 1924 bem como no comando de tropas da Coluna Miguel Costa-Prestes pelo Brasil. O ano de 1922 na História brasileira foi no mínimo diferenciado, pois outros dois episódios fecharam-no: Semana de Arte Moderna e fundação do Partido Comunista do Brasil!


Alguns anos antes, em 1917, durante a Greve Geral de São Paulo, surgiria para os anais da História brasileira a figura do então capitão de Cavalaria MIGUEL COSTA. O Cavalariano, em determinada ação, recebera ordens governamentais para dissipar os manifestantes. Já na atividade policial, recebeu uma pedrada na testa, lançada por um dos grevistas mais exaltado.

Palácio dos Campos Elísios


Segurando sua tropa, apeou de seu cavalo e se pôs a conversar com os grevistas. Recebeu o convite para verificar as precárias condições em que viviam as pessoas. Aceitou o convite. Influenciado pelas condições subumanas que seus olhos constataram, o estado de abandono e promiscuidade em que viviam nos cortiços os operários, imigrantes, migrantes, crianças, mulheres, idosos etc.


Auxiliou na negociação da primeira greve no Brasil, servindo-se como intermediário entre os paredistas e as autoridades constituídas. Muitos dos moradores daqueles casebres eram seus soldados com suas famílias... Com certeza aquela vistoria de 1917 incrementou sua visão humanista, pois foi testemunha presencial das condições adversas de vida no Brasil naquele primeiro quarto do século passado.


Mas, enquanto persistia o "Julho Revolucionário de 1924", a situação na Cidade, durante o domínio rebelde, só piorava.




Por estúpida decisão de Arthur Bernardes, apoiada por Carlos de Campos bem como no Ministro da Guerra, general Setembrino de Carvalho, decidiram bombardear a Cidade Aberta, mesmo sem alvos essencialmente militares, com os destruidores canhões de 75 e 105 mm. Era o chamado “bombardeio terrificante”, tão usado pelos litigiosos durante a I Guerra Mundial. O Governo situacional, através dos canhões e de sua debutante aviação, em total desrespeito à população civil, arrasou bairros populares (e operários) como Moóca, Brás, Penha, Belém, Centro, Ipiranga, Perdizes, Vila Mariana, Paraíso, dentre outros, agraciados com as bombas que levavam o beijo da morte...


Prédio bombardeado na Rua 21 de abril (Belém)



A Cidade era habitada por aproximadamente 700.000 almas, muitas das quais simpatizantes dos rebeldes. Em decorrência das "bombas legalistas" ocorreu um gigantesco êxodo da cidade, pois em torno de 300.000 pessoas abandonaram-na, a pé, de trem, carroças, carros, à cavalo etc.. Sempre ela, a Guerra, fazendo vítimas civis, similar ao que ocorre hoje na Síria, um Estado retalhado por concepções políticas, ideológicas e religiosas radicais.




Deflagrada na capital paulista em 5 de julho de 1924, a revolta ocupou a cidade por 23 dias, forçando o presidente do estado, Calos de Campos, a fugir para o bairro da Penha, em 9 de julho, depois de ter sido bombardeado o Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo paulista na época. Carlos de Campos ficou instalado em um vagão adaptado na estação Guaiaúna, da Central do Brasil, onde se encontravam as tropas federais vindas de Mogi das Cruzes.






No interior do estado de São Paulo aconteceram rebeliões em várias cidades, com tomada de prefeituras no estado de São Paulo.


Com ataque aéreo do governo federal, a revolta foi controlada.Isidoro Dias Lopes e Juarez Távora planejaram, então, um ataque àquela cidade. A derrota em Três Lagoas, no entanto, foi a maior derrota de toda esta revolta. Um terço das tropas revoltosas morreu, feriram-se gravemente, ou foram capturadas. Os tenentistas recuaram rumo ao sul do Brasil, na cidade de Foz do Iguaçu, unindo-se aos oficiais gaúchos comandados por Luís Carlos Prestes, no que veio a ser o maior feito guerrilheiro no Brasil até então: a Coluna Prestes.
Ouvi muitas histórias de minha avó Laura, que na época vendia verduras pelas ruas de São Paulo, afirmando que quando saia de madrugada para ir até o Mercado Municipal da Cantareira via muitos corpos espalhados pelas ruas.






A coluna, durante mais de dois anos, percorreu 24 mil quilômetros e 13 Estados da federação. Foi combatida por todos os tipos de adversários: forças regulares, conduzidas pelo General Cândido Mariano da Silva Rondon e Coronel Bertholdo Klinger, milícias · estaduais, jagunços, assaltantes e cangaceiros









Enfrentou efetivos superiores ao seu, que era de 1.500 homens, sem que nunca lhe tivesse sido infligida uma única derrota séria.
Luís Carlos Prestes ( O cavaleiro da esperança)






Fonte:


Wikipedia.org
google.com
eb.mil.br/exercito-brasileiro
historiadobrasil.net
ulimosegundo.ig.com.br
saopauloinfoco.com.br


Em 9 de Julho de 1932 começa a chamada Guerra Paulista.






Também chamado de "guerra civil" e "revolução", o movimento armado paulista pretendia destituir Getúlio Vargas da presidência do país. O gaúcho assumira o poder em 1930, após um golpe de Estado que colocou por terra a República Velha e retirou de São Paulo e Minas Gerais o protagonismo na política nacional.


A elite paulista, liderada pelos setores cafeicultor e industrial, organizou o levante para garantir a retomada dos privilégios. Outra demanda era a abertura de uma Assembleia Constituinte, o que explica o nome do movimento.


A elite paulista da época composta de cafeicultores que dominavam a chamada "República Velha" ao lado de Minas Gerais com a política do café com leite, não queria perder seus privilégios de traçar políticas econômicas que beneficiavam seus negócios. Estavam poucos interessados; enquanto estavam no poder, de Liberdade, Igualdade e Fraternidade e tampouco faziam menção a uma Constituinte.


É claro que Getúlio Vargas era um presidente ilegítimo, ditador que tomou o poder na escora da Revolução Tenentista de 1930 e governava o país com pulso firme e sem liberdades individuais, mas a elite paulista não lutava de verdade por isso e sim para manter seus privilégios.


Ao reivindicar a autonomia paulista, integrantes e apoiadores do movimento lançavam mão, diversas vezes, de discurso xenófobo e racista. Os nordestinos, por exemplo, era comum que fossem chamados de “cabeças chatas”, como lembra Quartim de Moraes. “Não é a toa que uma das organizações de apoio ao levante armado de 1932 se chamava ‘Liga pela Constituição e pela Ordem, de paulistas de nascimento'. O principal argumento dos que sustentavam essa visão era seu pujante desenvolvimento econômico em oposição ao atraso dos outros estados”, lembra.


O conflito teve início em 9 de julho de 1932 e só terminou em 2 de outubro do mesmo ano. São Paulo foi o centro da revolta e o campo de batalha com as tropas federais, mas o movimento teve apoio de outros estados: parte de Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia e Amazonas enviaram apoio para a luta.




Nas ruas de São Paulo, o levante também ganhou a adesão significativa da população, como explica o historiador Quartim de Moraes.


Os mais pobres que eram a maioria da população foram "condicionados" com propagandas ufanistas e sentimentos de patriotismo a se engajar na luta armada, apesar que caso saíssem vencedores as classes mais pobres não lucrariam nada com a vitória, continuariam a ser discriminados pela elite paulista.








“Os defensores do levante paulista de 1932 costumam exaltar a unanimidade do movimento. De fato, independentemente dos métodos de convencimento, o apoio à luta armada foi bastante generalizado em São Paulo. Pessoas das mais diferentes posições políticas, classes sociais e origens se manifestaram a favor do levante. Porém, ainda que minoria, não faltaram os que se opusessem a guerra”, explica o historiador em seu livro.










Estima-se que 35 mil paulistas lutaram contras 100 mil homens das forças federais. Getúlio Vargas seguiu no poder até 1945. Em 1934, uma nova Constituição foi elaborada, principal reivindicação do levante de 1932.


No total, foram 87 dias de combates (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 - sendo os últimos dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos, sendo 830 paulistas, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2 200 mortos, sendo que numerosas cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido aos combates.




Fontes:
seuhistory.com
brasildefato.com.br
google.com
wikipedia.org
g1.globo.com

quarta-feira, 8 de julho de 2026



Barroco no Brasil




O Barroco no Brasil tem início no final do século XVII. No país, essa tendência artística teve grande destaque na arquitetura, escultura, pintura e literatura.


Na literatura, o marco inicial do barroco é a publicação da obra “Prosopopeia” (1601) de Bento Teixeira. Na escultura e arquitetura, Aleijadinho foi sem dúvida um dos maiores artistas barrocos brasileiros.




Prosopopeia:




Canto I





Cantem Poetas o Poder Romano,
submetendo Nações ao jugo duro;
o Mantuano pinte o Rei Troiano,
descendo à confusão do Reino escuro;
que eu canto um Albuquerque soberano,
da Fé, da cara Pátria firme muro,
cujo valor e ser, que o Céu lhe inspira,
pode estancar a Lácia e Grega lira.




Poema publicado em 1601, em versos decassílabos, dispostos em oitava rima, com 94 estrofes, sem divisão de cantos, nem numeração de estrofes, cheio de reminiscências, imitações, arremedos e paródias dos Lusíadas. Há pequena ressonância do ambiente da Colônia, salvo algumas descrições da natureza: "Descrição do Recife de Pernambuco", "Olinda Celebrada!, a que não se pode ainda atribuir qualquer sentimento nativista.


Não tem propriamente ação, e a prosopopeia donde tira o nome está numa fala de Proteu, profetizando post facto, os feitos e a fortuna, exageradamente idealizados, dos Albuquerques, particularmente de Jorge, o terceiro donatário da capitania de Pernambuco, ao qual é consagrado. Portanto, trata-se de um poema laudatório a Jorge de Albuquerque Coelho.


Literariamente modesta mas historicamente significativa, Prosopopeia não deixa de ser válida do ponto de vista euro-tropical. Dentro de sua modéstia literária, ela se inclui entre aquelas primeiras letras em língua portuguesa tocadas pela atração que paisagens exóticas e gentes primitivas, habitantes de espaços tropicais, exerceram sobre europeus.

Influenciado pelo barroco português, no Brasil este estilo se desenvolveu durante o período colonial no chamado “Século de Ouro”.


Sem ter nenhum livro publicado enquanto vivo, Gregório de Matos ficou famoso pelos manuscritos encontrados, que acabaram sendo lançados em várias coletâneas. Sua obra poética foi extraída destes livretos, dos quais não se sabe se todas as poesias eram de sua autoria.




Inconstância das coisas do mundo!


Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas e alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falta a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se a tristeza,
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na inconstância.












No caso do Padre Antônio Vieira, a maior contribuição para o barroco produzido no Brasil foram sermões como Sermão de Santo António aos Peixes, onde trata o tema da escravidão dos índios, Sermão da Sexagésima, em que fala sobre as formas de pregar e Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, sobre o domínio holandês na Bahia.





Padre Antônio Vieira





Foi durante o ciclo do ouro que a exploração desse minério foi a principal atividade econômica desenvolvida no país. Minas Gerais foi o grande foco onde muitas jazidas foram encontradas.


Nessa época, a primeira capital do Brasil, Salvador, foi transferida para o Rio de Janeiro.



Aleijadinho

Diante disso, o número de habitantes no Brasil aumentou consideravelmente o que propiciou uma época de forte desenvolvimento econômico no país. No barroco mineiro, merece destaque o escultor e arquiteto brasileiro: Aleijadinho.


Obras de Aleijadinho em Congonhas do Campo




As principais características do barroco brasileiro são:


Linguagem dramática;
Racionalismo;
Exagero e rebuscamento;
Uso de figuras de linguagem;
União do religioso e do profano;
Arte dualista;
Jogo de contrastes;
Valorização dos detalhes;
Cultismo (jogo de palavras);
Conceptismo (jogo de ideias).


Fontes:
passeiweb.com
cervantesvirtual.com
turismoadaptado.com.br
infoescola.com
pensador.com
google.com
wikipedia.org

terça-feira, 7 de julho de 2026



Hoje vamos falar de um dos principais escritores da Segunda Fase do Modernismo Brasileiro, Murilo Mendes.









Murilo Mendes (1901-1975) foi um poeta brasileiro. Fez parte do Segundo Tempo Modernista. Recebeu o Prêmio Graça Aranha com seu primeiro livro "Poemas". Participou do Movimento Antropofágico, que buscava uma vinculação com as origens do Brasil.


Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora, em Minas Gerais, no dia 13 de maio de 1901. Iniciou seus estudos na sua terra natal. Entre 1912 e 1915, estudou poesia e literatura. Em 1917 foi para Niterói e ingressou no Colégio Interno Santa Rosa, porém, fugiu do colégio e se recusou em voltar. Nesse mesmo ano, foi para Rio de Janeiro com seu irmão mais velho, o engenheiro José Joaquim, que o colocou como arquivista na Diretoria do Patrimônio Nacional.


Em 1920, passou a colaborar com o jornal “A Tarde”, de Juiz de Fora, produzindo artigos para a coluna Chronica Mundana, com a assinatura MMM e depois com o pseudônimo “De Medinacelli”. Em 1924, passou a escrever poemas para as duas revistas modernistas: ”Terra Roxa e Outras Terra” e “Antropofagia”.


Em 1930, lançou seu primeiro livro "Poemas", revelando nessa primeira fase de sua poesia a influência do Movimento Modernista, quando aborda os principais temas e procedimentos do Modernismo brasileiro dos anos 20, como o nacionalismo, o folclore, a linguagem coloquial, o humor e a paródia. Escreve ainda: “Bumba-Meu-Preta” (1930) e “História do Brasil” (1932).
Contexto Histórico


A Segunda Fase do Modernismo que se estendeu de 1930 a 1945 foi o reflexo de um conturbado momento histórico, uma herança da depressão econômica, do avanço do nazi-fascismo, da expansão do comunismo e da Segunda Guerra Mundial. No Brasil, deu-se a ascensão de Getúlio Vargas e a consolidação de seu poder com a ditadura do Estado-Novo.


A poesia desse período traz uma temática mais politizada, resultado das profundas transformações, como também surge uma corrente mais voltada para o espiritualismo e o intimismo, como fruto dessa inquietação, como é o caso da segunda fase da poesia de Murilo Mendes.
Poesia Religiosa


Murilo Mendes foi um dos principais representantes da poesia religiosa cultivada na Segunda Geração do Modernismo. Com a publicação de “Tempo e Eternidade” (1935), escrito em parceria com Jorge de Lima, Murilo Mendes registra a interferência do elemento religiosidade, fruto de sua adesão ao catolicismo, e apresenta uma poesia onde combina elementos de espiritualidade mística, com aspectos da religiosidade popular brasileira.


O texto a seguir integra o livro ”A Poesia em Pânico” (1938), uma das obras mais importantes de Murilo Mendes, onde o poeta, com forte influência cubista, desestrutura os versos para poder então recriá-los em conformidade com a criação divina:


Poema Espiritual


Eu me sinto um fragmento de Deus
Como sou um resto de raiz
Um pouco de água dos mares
O braço desgarrado de uma constelação.


A matéria pensa por ordem de Deus,
Transforma-se e evolui por ordem de Deus.
A matéria variada e bela
É uma das formas visíveis do invisível.


Na igreja há pernas, seios, ventres e cabelos
Em toda parte, até nos altares.
Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar
Que se entrelaçam e se casam reproduzindo
Mil versões dos pensamentos divinos.
A matéria é forte e absoluta
Sem ela não há poesia.




Poesia Surrealista




Murilo Mendes foi considerado como o principal representante da poesia surrealista no Brasil. A partir da publicação do livro “O Visionário” (1941), evidencia-se na obra de Murilo Mendes uma poesia surrealista, quando o poeta funde o imaginário e o cotidiano, o onírico e o intra-mundano, assim como o eterno e o contingente. A poesia “Solidariedade” é parte integrante do livro “Os Visionários”.


Solidariedade


Sou ligado pela herança do espírito e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construídos à minha imagem e semelhança.






Em 1947, Murilo Mendes casa-se com Maria da Saudade Cortesão, poetisa e filha de Jaime Cortesão, historiador e poeta português exilado no Brasil durante o regime ditatorial de Salazar, em Portugal. Entre 1952 e 1956, residiu com a mulher na Europa, em missão cultural na Bélgica e na Holanda. Em 1957 vai para a Itália como professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma.


Até o final de sua carreira, Murilo Mendes trilhou outros caminhos, como a busca do formalismo clássico e as experiências com a linguagem subjetiva, concreta, momento em que já vivia na Europa. Em 1972, Murilo Mendes veio pela última vez ao Brasil.


Murilo Mendes faleceu, em Estoril, Portugal, no dia 13 de agosto de 1975.



Fontes:
ebiografia.com
wikipedia.org
google.com
educacao.bol.uol.com.br

segunda-feira, 6 de julho de 2026



Quando estava terminando o meu curso de Letras na USP, nosso trabalho de conclusão de curso tinha a pretensão de ensinar Literatura através da Música Popular Brasileira (MPB).








Era um projeto audacioso e muito prazeroso, afinal os recursos disponíveis eram imensos. Chico Buarque, Gil, Tom, Caetano, Vinícius, Edu Lobo, Belchior e tantos outros.




Para falarmos de sonorização recorremos às músicas de Caetano Veloso, como exemplo a música "Qualquer coisa" e Rapte-me camaleoa.



Rapte-me camaleoa




Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marrakesh

Mexe
Qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida
Dentro mexe


Não se avexe não
Baião de dois
Deixe de manha, 'xe de manha, pois
Sem essa aranha! Sem essa aranha!


Sem essa, aranha!
Nem a sanha arranha o carro
Nem o sarro arranha a Espanha
Meça: Tamanha!
Meça: Tamanha!


Esse papo seu já tá de manhã
Berro pelo aterro
Pelo desterro
Berro por seu berro


Pelo seu erro
Quero que você ganhe
Que você me apanhe.
Sou o seu bezerro


Gritando mamãe.
Esse papo meu tá qualquer coisa
E você tá pra lá de Teerã




É muito comum que o Caetano ao falar sobre suas músicas diga que elas dizem o que querem dizer. Me lembro que ao ser perguntado por um jornalista o significado de "Coca-Cola", "Brigitte Bardôt ¨, "Cardinali" na música "Alegria, alegria"; ele disse que significavam o que estava escrito. Assim como a frase "O sol nas bancas de revista" era o astro Sol e não o recém lançado jornal alternativo "Sol" onde trabalhava a sua primeira esposa, na época namorada Dedé.









Caetano e Dedé Gadelha



Na música outras palavras a aliteração, que é uma figura de linguagem onde as palavras se repetem, só que em posições diferentes dentro de cada segmento. Analisemos o exemplo latente na canção "Qualquer Coisa" (Qualquer Coisa, 1975):




Qualquer coisa




Mexe qualquer coisa dentro doida,
Já qualquer coisa doida dentro mexe.




No trecho, Caetano realiza um de seus mais expressivos e belos exercícios de síntese artística. A canção, revestida pelo mistério da linguagem vaga e figurada e até de um enigma simbólico, dado já pelo título "Qualquer Coisa", utiliza-se de expressões como "não se avexe não, baião de dois" (algo que se faz entre duas pessoas, e que poderia parecer perturbador ou vexatório) e "sem essa aranha / sem essa aranha..." (alusão figurada e chula do órgão sexual feminino) para chegar ao significado sublimatório da fecundidade da vida e criação entre os seres.






Elas significam, respectivamente, ação (causa) e sua consequência (efeito). Temos, pois, na primeira linha, a alusão figurada da cópula, do prazer e transe sexual, na perspectiva feminina ("mexe qualquer coisa dentro doida"), e na segunda, introduzido pelo advérbio temporal "já" (naquele momento, sem demora) a representação da gênese, o milagre da pulsação da existência: "já qualquer coisa doida dentro mexe". O que era uma ação singularmente física de amor e comunhão entre as pessoas se redimensiona como celebração da nascente da vida, a comunhão genética do ser embrionário, a vida que remexe em botão.






Ele aborda o envolvimento carnal do sexo e do prazer para logo depois abordar a criação de um ser vivo e a sua gestação.




"Sou o seu bezerro gritando mamãe"




Nesse trecho, Caetano explicou na época que seu primeiro filho, Moreno, com Dedé Gadelha, numa viagem de trem viu uns bezerros pastando e berrando "mé, mé,,," ele disse então que os bezerros estavam chamando "mamãe"


Enfim esse é Caetano, nem o sarro arranha a Espanha, nem as críticas arranham a sua carreira fabulosa.





Fontes:
br.answer.yahoo.com
wikipedia.org
google.com
youtube.com
todabiologia.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...