terça-feira, 30 de junho de 2026

Em 30 de junho de 1936, foi publicado o romance de Margaret Mitchell, E O Vento Levou. Um best seller imediato, o livro torna-se um dos mais populares do século.




Disposta cronologicamente, a sua história, passada no Sul dos Estados Unidos, retrata a vida de Scarlett O`Hara, filha mimada de um rico dono de plantação algodoeira, que deve usar todos os meios à sua disposição para sobreviver durante a Guerra Civil Americana e, posteriormente, ao período da reconstrução. Apesar de extensa, a obra é conhecida pela sua clareza e legibilidade, com temas comuns à literatura popular — aventura, guerra, paixão e turbulência social.







Mitchell começou a escrevê-lo em 1926 para passar o tempo, enquanto se recuperava de alguns problemas de saúde. O processo de escrita levou quase dez anos, e em 1935, a editora Macmillan adquiriu os direitos de publicação do volume. Entrou rapidamente para as listas de mais vendidos e, pouco depois de seu lançamento, teve os seus direitos de filmagem comprados pelo produtor David O. Selnick. Lançada em 1939, a longa metragem homônima, interpretada nos papéis principais por Vivien Leigh e Clark Gable, foi um sucesso de público e de crítica. A obra também tem sido frequentemente adaptada para os palcos sob a forma de musicais, em diferentes produções do Japão, França e Inglaterra.


Capítulo 1

Scarlett O’Hara não era linda, mas os homens raramente se davam conta disso quando enredados por seu encanto, como acontecia aos gêmeos Tarleton. Em seu rosto, os traços delicados da mãe, uma aristocrata litorânea de ascendência francesa, combinavam-se com excessiva nitidez aos do pai irlandês, mais grosseiros. Mas era um rosto arrebatador, de queixo pontudo e maxilar quadrado. Os olhos eram verde-claros, sem qualquer toque de castanho, sombreados por profusos cílios negros de pontas levemente arqueadas. As sobrancelhas espessas e escuras, um tanto oblíquas, sobressaíam-se na pele alva como a magnólia, aquela pele tão apreciada pelas mulheres sulistas, e muito bem protegida contra o sol quente da Geórgia por chapéus de sol, véus e luvas. Sentada com Stuart e Brent Tarleton à sombra fresca da varanda de Tara, a fazenda de seu pai, naquela iluminada tarde de abril de 1861, ela fazia uma bela figura. Seu novo vestido florido de musselina verde espalhava dez metros de tecido ondulante à sua volta e combinava perfeitamente com as sapatilhas de pelica que o pai lhe trouxera recentemente de Atlanta. O vestido se ajustava com exatidão à cintura de 43 centímetros, a menor em três condados, e o corpete justo revelava seios maduros para seus 16 anos. Mas, apesar de toda a modéstia das saias espalhadas, do recato do cabelo preso em um coque suave e da tranquilidade das pequenas mãos brancas cruzadas sobre o colo, sua verdadeira personalidade não ficava oculta. Os olhos verdes no rosto meigo eram turbulentos, voluntariosos, cheios de vida, em desacordo com seu ar decoroso. As boas maneiras lhe haviam sido impostas pelas gentis repreensões maternas e pela disciplina mais severa de sua babá negra, Mammy;  os olhos, entretanto, lhe pertenciam. De cada lado dela, os gêmeos se reclinavam confortavelmente em suas cadeiras, olhos apertados sob a luz do sol, segurando copos altos decorados com folhas de hortelãenquanto riam e conversavam; as longas pernas, com botas até os joelhos, cruzavam-se com negligência, revelando os músculos construídos em cima da sela. Dezenove anos, 1,85m, ossos longos e robustos, rostos bronzeados e cabelos castanho-avermelhados. Os olhos eram alegres e arrogantes, e eles vestiam-se com idênticos casacos azuis e culotes cor de mostarda. Eram tão iguais quanto dois caroços de algodão. Lá fora, o sol do fim de tarde se inclinava sobre o pátio, iluminando os botões brancos dos alfeneiros contra a relva nova. Os cavalos dos gêmeos estavam amarrados no caminho de entrada, animais grandes, castanho-avermelhados como os cabelos de seus donos; e, em torno de suas patas, altercava-se a matilha de esbeltos e nervosos cães de caça que sempre acompanhava Stuart e Brent. Um pouco distanciado, como convém a um aristocrata, estava um dálmata, focinho descansando sobre as patas, pacientemente esperando que os rapazes fossem para casa jantar.




A linguagem doce e poderosa de Margaret Mitchell nos apresenta personagens ricos e complexos, cujas histórias se entrelaçam de maneira magistral. Conheça Rhett Butler, o enigmático e carismático anti-herói que se torna o objeto do desejo de Scarlett. Vivencie o amor proibido entre Ashley Wilkes e Melanie Hamilton, um casal que enfrenta a adversidade com graça e compaixão. E descubra as alegrias e tristezas de Mammy, a fiel governanta da família O'Hara, cuja sabedoria e força são a base do lar.

Ao longo das 1500 páginas deste livro marcante, mergulhe na rica tapeçaria da vida sulista, onde a honra, a lealdade e o amor são colocados à prova. Sinta o ritmo lento e encantador do sul, com seus bailes suntuosos, suas plantações exuberantes e sua hospitalidade inigualável. Aprenda sobre a devastação causada pela guerra e as cicatrizes que ela deixou no coração e na alma dos personagens, enquanto eles lutam para se adaptar a um mundo em constante mudança.




Capítulo 6

— Ah, Scarlett, ele tem a pior das reputações. Chama-se Rhett Butler e é de Charleston, e a família dele é uma das melhores de lá, mas nem falam com ele. Caro Rhett me falou dele no verão passado. Ele não se dá com a família dela, mas ela sabe tudo a respeito dele, todo mundo sabe. Ele foi expulso de West Point! Imagine só! E por causa de coisas ruins demais para Caro saber. E depois teve aquele negócio da moça com quem ele não se casou. — Conte! — Querida, você não sabe de nada?

Caro me contou tudo no verão passado e a mãe dela teria um ataque se sonhasse que Caro sabe disso. Bem, esse Sr. Butler levou uma moça de Charleston para passear de charrete. Eu nunca fiquei sabendo quem ela era, mas tenho minhas desconfianças. Ela não devia ser muito distinta ou não teria saído com ele ao entardecer sem acompanhante. E, minha querida, eles ficaram fora quase toda a noite e acabaram indo para casa a pé, dizendo que o cavalo tinha fugido e despedaçado a charrete, e eles tinham ficado perdidos na mata. E adivinhe... — Não consigo adivinhar. Conte — disse Scarlett, entusiasmada, esperando pelo pior. — Ele se recusou a se casar com ela no dia seguinte! — Ah! — disse Scarlett, suas esperanças frustradas.

 — Ele disse que não tinha... hã... feito nada a ela e não via por que deveria se casar. E, é claro, o irmão dela o desafiou e o Sr. Butler disse que preferia morrer a se casar. (p.102)



Gone with the Wind apresenta certos elementos ideológicos e, devido à sua imensa popularidade, difundiu no imaginário popular uma fascinante nostalgia para as fazendas sulistas, onde há uma sociedade hierárquica em que os negros são parte da "família" e há uma ligação mística entre os latifundiários e o solo fértil onde aqueles escravos trabalham. Trata-se de uma visão romantizada e distorcida no cinema, na televisão e em outras obras de ficção, conhecida nos Estados Unidos como "Velho Sul".  Na realidade, o cultivo de tabaco, algodão, açúcar e cânhamo foi primitivo e muito destrutivo para o solo, tanto por esgotamento quanto pela erosão; não havia "classe média", uma vez que os plantadores consideravam que imigrantes judeus, alemães ou irlandeses estavam "abaixo deles" — de forma que estavam relegados a um estilo de vida rude, com uma dieta ruim e onde eram frequentes doenças como a pelagra e o raquitismo; Várias comunidades de povos nativos-americanos — como os cherokees na Georgia e os chickasaws, creeks e choctaws em Alabama e Mississipi — foram expulsos de suas terras, além de sofrerem com a limpeza étnica que os impulsionou impiedosamente para oeste de Oclahoma (onde foram, mais tarde, roubados novamente).

Era uma sociedade preconceituosa e racista, que dependia totalmente da mão de obra escrava para alcançar a riqueza. Por isso foram totalmente contra a abolição da escravatura, o que levou a uma guerra fraticida.

O livro que depois foi levado ao cinema, mostra com clareza o auge e fim da sociedade sulista norte-americana.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
livroresumido.com.br
osaverdigital.com.br

sexta-feira, 26 de junho de 2026



Vamos falar hoje dos erros mais comuns praticados ma língua Pátria.



A/há

Erro: Atuo no setor de controladoria a 15 anos.
Forma correta: Atuo no setor de controladoria há 15 anos.

Explicação: Para indicar tempo passado usa-se o verbo haver.



A champanhe/ o champanhe

Erro: Pegue a champanhe e vamos comemorar.
Forma correta: Pegue o champanhe e vamos comemorar.

Explicação: De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra “champanhe” provém do francês “champagne” e é um substantivo masculino, além disso champanhe é um vinho como defende a maioria dos gramáticos.



A cores/ em cores

Erro: O material da apresentação será a cores
Forma correta: O material da apresentação será em cores

Explicação: Se o correto é material em preto em branco, o certo é dizer material em cores. Além disso "em" é preposição, enquanto que "a" é um artigo.



A domicílio/ em domicílio

Erro: O serviço engloba a entrega a domicílio
Forma correta: O serviço engloba a entrega em domicílio

Explicação: No caso de entrega usa-se a forma em domicílio. A forma a domicílio é usada para verbos de movimento. Exemplo: Foram levá-lo a domicílio.



À partir de/ a partir de

Erro: À partir de novembro, estarei de férias
Forma correta: A partir de novembro, estarei de férias.

Explicação: Não se usa crase antes de verbos.
A crase é a junção do preposição "a" com o artigo feminino "a". Todos sabemos que o artigo é usado antes de substantivos, e como "a" é feminino, antes de substantivos femininos. Então antes de adjetivo, verbos, substantivos masculinos não usamos a crase.


A nível de, ou em nível de :

Virou moda, usarmos as expressões " a nível de" ou "em nível de"
Nível significa altura, âmbito, categoria, status.
Portanto deve ser usado com esse significado.

Ex: A prova será a nível federal
A cidade está ao nível do mar
Não pretendo descer ao seu nível (de caráter)
É errado utilizá-los com outros sentidos.
Ex: A nível sentimental, o que devo fazer ?
A crise deve acabar a nível social
Estamos satisfeitos a nível de funcionários.



A pouco/ há pouco

Erro: O diretor chegará daqui há pouco.
Forma correta: O diretor chegará daqui a pouco.

Explicação: Nesse caso, há pouco indica ação que já passou, pode ser substituído por faz pouco tempo. A pouco indica ação que ainda vai ocorrer, a ideia é de futuro.


Faz 10 anos/ fazem 10 anos

O correto é faz 10 anos.
O verbo fazer com sentido de tempo decorrido é impessoal, ou seja não tem sujeito , logo deve ser mantido no singular.



Anexo/ anexa/ em anexo

Erro: Segue anexo a carta de apresentação.
Formas corretas: Segue anexa a carta de apresentação. Segue em anexo a carta de apresentação.

Explicação: Anexo é adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se refere, em gênero e número. A expressão em anexo é invariável. Laurinda Grion, autora de "Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)" lembra que alguns estudiosos condenam o uso da expressão em anexo. Portanto, dê preferência à forma sem a preposição.



Ao invés de/ em vez de

Erro: Ao invés de comprar carros, compraremos caminhões para aumentar nossa frota.
Forma correta: Em vez de comprar carros, compraremos caminhões para aumentar nossa frota.

Explicação: “Ao invés de” representa contrariedade, oposição, o inverso. “Em vez de” quer dizer no lugar de. É uma locução prepositiva, sendo terminada em de normalmente.



Bastante/ bastantes

Erro: Eles leram o relatório bastante vezes.
Forma correta: Eles leram o relatório bastantes vezes.

Explicação: Para saber se bastante deve variar conforme o número é preciso saber qual a classificação dele na frase. Quando é adjetivo (como no caso acima) deve variar. Exemplo: Já há provas bastantes para incriminá-lo (= provas suficientes). Se for advérbio é invariável. Exemplo: Compraram coisas bastante bonitas (= muito bonitas). Se for pronome indefinido é variável.

Exemplo: Vimos bastantes coisas (= muitas coisas). Se for substantivo, não varia, mas pede artigo definido masculino: Os animais já comeram o bastante (= o suficiente).



Descrição/ discrição

Erro: Ela age com descrição.
Forma correta: Ela age com discrição.

Explicação: Descrição refere-se ao ato de descrever. Exemplo: Ela fez a descrição do objeto. (ela descreveu). Discrição significa ser discreto.



Eminente/ iminente

Erro: A falência é eminente.
Forma correta: A falência é iminente.

Explicação: Eminente é um adjetivo que significa alto, grande, elevado, saliente, pessoa importante, notável.

Exemplos: Era um eminente orador. A montanha eminente surge na paisagem. Iminente também é um adjetivo e indica que algo está prestes a acontecer. 

Exemplo: A sua morte é iminente.



Houveram/houve

Erro: Houveram rumores sobre um anúncio de demissão em massa.
Forma correta: Houve rumores sobre um anúncio de demissão em massa.

Explicação: Haver no sentido de existir não é usado no plural.


Retificar/ ratificar

Erro: O homem retificou as informações perante o juiz.
Forma correta: O homem ratificou as informações perante o juiz.
o verbo retificar , significa corrigir.
o verbo ratificar, significar reafirmar.



Rúbrica/ rubrica

Erro: Ponha a sua rúbrica em todas as páginas do relatório, por favor.
Forma correta: Ponha a sua rubrica em todas as páginas do relatório, por favor.


Explicação: Rubrica é paroxítona, sem acento. A sílaba mais forte é a "bri"



Tão pouco/ tampouco

Erro: Não fala inglês, tão pouco espanhol.
Forma correta: Não fala inglês, tampouco espanhol

Explicação: Tão pouco equivale a muito pouco. Já tampouco pode significar: também não, nem sequer e nem ao menos.



Vem/ veem

Erro: Eles vem problemas em todas as inovações propostas
Forma correta: Eles veem problemas em todas as inovações propostas.

Explicação: Vivien Chivalski, do Instituto Passadori, mostra as conjugações no presente do verbo ver: ele vê (com acento), eles veem (sem acento, segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa).

Exemplos: Ele vê os filhos aos sábados. Eles veem o pai uma vez por semana. O verbo vir, no presente, é conjugado assim: ele vem, eles vêm (com acento). Ele não vem sempre aqui. Eles vêm a São Paulo uma vez por ano.


Zero horas/ zero hora

Erro: O novo modelo entra em vigor a partir das zero horas de amanhã.


Forma correta: O novo modelo entra em vigor a partir da zero hora de amanhã.
Como sempre devemos utilizar o plural para horas a partir de 2 ("às duas horas"; "às sete horas"; "às dez e meia").




Fontes:
dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento/noticia
noticias.universia.com.br
wikipedia,org
google.com

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A escolha entre os pronomes “te” e “lhe” muitas vezes gera dúvidas, especialmente em contextos informais. No dia a dia, é comum não diferenciarmos tais pronomes ou até mesmo não os usarmos corretamente.

É corriqueiro nos confundirmos sobre o uso do te ou do lhe na hora da escrita. Isso ocorre em função da língua coloquial, esta que utilizamos em nosso cotidiano. Nela não diferenciamos um pronome do outro ou sequer utilizamos algum deles. Nesse caso, inclusive, empregamos o pronome pessoal “te” em conjunto com o pronome de tratamento “você”. É aí que a concordância pode faltar. Vejamos quais são as particularidades de ambos os pronomes!


O pronome “te”

O “te” é usado em verbos transitivos diretos é um pronomes pessoal, correspondente à segunda pessoa do singular, “tu”. Por isso, deve ser empregado quando o verbo está na segunda pessoa do singular, por exemplo:

“Arrependeste-te?”

“Ele te deu um livro”.

Formas de uso do “te”

A ti: “Ele te deu um livro”.


Em ti: “Bateram-te com muita força?”


Para ti: “Mandou-te muitos beijos?”


De ti: “Cobraram-te caro?”


A ti mesmo: “Proclamaste-te líder?”

Além disso, “te” pode ter função possessiva, como em “Arde-te os olhos”, significando “os teus olhos ardem?”.


O pronome “lhe”

Diferentemente de “te”, o pronome “lhe” se refere à terceira pessoa do singular, “ele” ou “ela”. Seus significados incluem “dele(a)”, “nele(a)”, “para ele/ela”, “a ele/ela”, entre outros. Por isso, é usado com verbos transitivos indiretos, por exemplo:

“Eu lhe disse tudo” ou “Eu disse a ele tudo”.


“Eu lhe enviei a mensagem” ou “Eu enviei a ele/ela a mensagem”.

Nesse segundo caso, pode parecer ambíguo, pois muitas vezes as pessoas usam “lhe”, na segunda pessoa, mas este é um emprego incorreto do pronome.

Porém, é importante notar também que “lhe” é empregado junto aos pronomes de tratamento, como “você”, “vossa mercê” e “o senhor”. Frequentemente, o uso informal leva à confusão ao combinar “você” com “te”.


O pronome Te

Como o “te”, assim como o “lhe”, é pronome pessoal, isso significa que ele corresponde a uma das pessoas do verbo: eu, tu, ele, nós, vós e eles. O “te” se refere à segunda pessoa do singular, tu. De forma que deve ser empregado quando o verbo é, portanto, conjugado na segunda pessoa do singular. Por exemplo:

Ex.: Arrependeste-te?


O pronome lhe

O “lhe”, por sua vez, refere-se à terceira pessoa do singular, “ele” ou “ela”. Seus significados são “dele/dela”, “nela/nele”, “para ele/para ela” e também como possessivo.

Ex.: Eu lhe disse tudo.



Fontes:

noticiaisconcursos.com.br
escolaeducação.com.br
clubedoportugues.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2026



Dédalo








Dédalo (em grego: Δαίδαλος, transl. Daídalos; em latim Daedalos; em etrusco: Taitale), na mitologia grega, é um personagem natural de Atenas e descendente de Erecteu.


Notável arquiteto e inventor, cuja obra mais famosa é o labirinto que construiu para o rei Minos de Creta, aprisionar o Minotauro, monstro filho de sua mulher. Pasífae, esposa de Minos, se apaixonou perdidamente pelo Touro Cretense vindo do mar. Pasífae pediu então ao arquetípico artesão Dédalo que lhe construísse uma vaca de madeira na qual ela pudesse se esconder no interior, de modo a copular com o touro branco. O filho deste cruzamento foi o monstruoso Minotauro, corpo de home e cabeça de boi.









Mito, segundo Diodoro Sículo


Família


Dédalo teve dois filhos: Ícaro e Iapyx, juntamente com um sobrinho, cujo nome varia, mas comumente chamado de Perdiz. Ele é mencionado pela primeira vez por Homero como o criador de uma vasta gama de dança solo para Ariadne. O labirinto de Creta, na qual o Minotauro (metade homem, metade touro parte) foi mantido, também foi criado pelo artesão Dédalo.








Em seus primeiros anos a vida do arquiteto Dédalo foi um ato de descobrimento dos materiais, formas, volume e do próprio espaço.


O assassinato de Perdiz




Certa vez, Dédalo estava ensinando tudo o que sabia para seu sobrinho Perdiz, este que, então, inventa a roda do oleiro e o serrote de ferro.




Roda do oleiro



Dédalo, com inveja, assassina-o, e quando descoberto é condenado, mas foge para Creta.


A história do labirinto é contada, onde Teseu é desafiada a matar o Minotauro, encontrando o seu caminho com a ajuda do fio de Ariadne.


Carreira de inventor






Em Creta


Em Creta, Dédalo se torna amigo do rei Minos, mas ajuda Pasífae a se disfarçar de vaca para ser possuída pelo touro de Podeion. Desta relação nasce o Minotauro.


Dédalo, em seguida, constrói o labirinto de Creta, para conter o Minotauro.




As ruínas desse labirinto podem ser visitados, ainda hoje em Creta.






Para alimentar o Minotauro, Minos decidiu que todos os anos (em outras versões, de nove em nove anos) sete donzelas e sete rapazes de Atenas lhe seriam entregues como pasto: com isso vingava a morte de seu filho Andrógeo, que fora morto pelos Atenienses.




No momento do pagamento do tributo pela terceira vez, Teseu, filho do rei de Atenas, ofereceu‑se para seguir no número dos jovens a entregar em sacrifício. Quando chegou a Creta, porém, conquistou o amor de uma das filhas de Minos, Ariadne, a quem prometeu casamento, se ela o ajudasse. A princesa perguntou a Dédalo qual a maneira de o conseguir. Foi, assim, por artimanha dele que ela deu ao herói um novelo (o ‘fio de Ariadne’) e, segundo algumas versões, uma espada mágica. Teseu entrou no Labirinto, foi desenrolando o fio até encontrar o monstro, matou-o e conseguiu depois fazer o caminho de volta à medida que enrolava de novo o novelo.












Como castigo pela intervenção do arquiteto, Minos encerrou-o, juntamente com o filho, Ícaro, no labirinto, sem poder, no entanto, prever que a arte e a inteligência de Dédalo lhe permitiriam inventar um modo de se escapar de lá, com as famosas asas de cera.


O Labirinto de Creta identifica-se com o magnífico palácio que ainda hoje podemos visitar nessa ilha grega, testemunho da florescente civilização minoica (3000 a.C.-1100 a.C.).


Fuga de Creta


Dédalo tinha um filho, Ícaro. Quando Minos descobriu que Dédalo tinha feito a vaca para Pasífae, este fugiu de Creta, com a ajuda de Pasífae. Ícaro fugiu com Dédalo, mas morreu em um acidente naval na ilha que passou a se chamar Icária.


Dédalo se refugia na Sicília, na corte do rei Cócalo.


Diodoro apresenta a versão mais conhecida da lenda de Dédalo, na qual Dédalo fugiu de Creta voando: com seu engenho inigualável, constrói para si e para o filho dois pares de asas de penas, ligadas com cera, para fugirem. Ícaro, deslumbrado com a beleza do firmamento, sobe demasiado e o Sol derrete a cera de suas asas, precipitando-o nas águas do Mar Egeu, enquanto Dédalo consegue chegar à Sicília.












Diodoro Sículo comenta que ele não acredita muito nesta versão, mas não poderia deixar de mencionar este mito.




Fontes:


wikipedia.org
google.com
olimpvs.net
mitologiagrega14.blogspot.com
mitografias.com


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Hoje vamos falar da peça "O rei da vela" de Oswald de Andrade.







Escrita em 1933, só foi publicada em 1937. Só foi encenada, porém 30 anos depois, devido às dificuldades de sua encenação.


Logo após a grande depressão da bolsa de Nova York em 1929, a peça abrange o empobrecimento de muitas pessoas com a recessão.
A obra O Rei da Vela foi escrita por Oswald de Andrade em 1933, mas a sua estreia ocorreu somente em 1967, nesta produção do Teatro Oficina. Encenada durante a revolução cultural do final dos anos 60 e no limiar do AI-5 de1968 – o período mais violento da ditadura brasileira –, ela tornou-se um símbolo para o movimento da contracultura. A casa de teatro do Oficina tinha sido destruído por um incêndio em 1966 e, buscando uma peça que pudesse simbolizar uma nova fase, a companhia decidiu que essa obra de vanguarda do dramaturgo brasileiro lhes oferecia os elementos necessários para refletir a crise do seu momento cultural e histórico. Uma fábula sobre um fabricante de velas e credor, sob a pressão de empréstimos para o imperialismo norte-americano, a obra retrata a condição de subdesenvolvimento do país, alvo de uma mentalidade autoritária, construída com base em superficialidades. Com elementos visuais fortes e agressivos de Hélio Eichbauer e uma canção de Caetano Veloso, esta produção tornou-se uma referência para diversos artistas que formaram o Movimento Tropicália, influenciando a música, o cinema, as artes plásticas e a literatura.








Dina Sfat


A peça dirigida por Zé Celso, teve a participação de Renato Borghi, Zé Celso, Marcelo Drummond, Sylvia Prado, Camila Mota. Tulio Starling. Ricardo Bittencourt, Vera Barreto Leite, Regina França, Roderick Himeros, Elcio Seixas, Joana Medereiros, Danielle Rosa e Tony Reis.










Trecho da peça, com Renato Borghi, José Wilker e Ester Góes


SINOPSE


No escritório de usura de Abelardo & Abelardo, o protagonista Abelardo I (Renato Borghi e Marcelo Drummond), banqueiro, agiota, o Rei da Vela, com seu domador de feras, o empregado socialista Abelardo II (Túlio Starling) subjugam clientes numa jaula – devedores, impontuais, protestados… Burguês, Abelardo faz um negócio para a compra de um brasão: casar com Heloísa de Lesbos (Sylvia Prado) que se negocia como valiosa mercadoria para manutenção da família, falida pela crise do café, no seleto grupo dos 5% da elite. Abelardo I, submisso ao capital estrangeiro do Americano (Elcio Nogueira Seixas), no terceiro ato leva um golpe de Abelardo II, que o sucede na manutenção da usura do capital.




A peça faz uma crítica à sociedade da época, em plena ditadura militar, ataca a burguesia, e a exploração do capital.


Foi encenada, pela primeira vez no Teatro Oficina de São Paulo, depois foi levada para o Rio, no teatro João Caetano e outros estados do Brasil, sendo encenada até na Europa.


Na diversas montagens que se seguiram, outros atores e atrizes consagrados fizeram parte do elenco, como Dina Sfat, Dirce Migliaccio, Esther Góes, Etty Fraser, Henriquieta Brieba, Liana Duval, Otávio Augusto, Othon Bastos, dentre outros.


Nos cinquenta anos da primeira exibição o teatro Oficina reapresenta a peça em S.Paulo, ainda com Zé Celso, como diretor e ator e Renato Borghi, do elenco original.


O rei da vela









Teatro Oficina




Fontes:


wikipedia.org
hemisphericinstitute.org
memorialdademocracia.com.br
teatroficina.com.br
enciclopedia.itaucultural.org.br
youtube.com

sexta-feira, 19 de junho de 2026

To Have and Have Not - Uma aventura na Martinica - Ernest Hemingway.


CHAPTER ONE


You know how it is there early in the morning in Havana with the bums still asleep against the walls of the buildings; before even the ice wagons come by with ice for the bars? Well, we came across the square from the dock to the Pearl of San Francisco Café to get coffee and there was only one beggar awake in the square and he was getting a drink out of the fountain. But when we got inside the café and sat down, there were the three of them waiting for us. We sat down and one of them came over. “Well,” he said. “I can’t do it,” I told him. “I’d like to do it as a favor. But I told you last night I couldn’t.” “You can name your own price.” “It isn’t that. I can’t do it. That’s all.”

Capítulo I


Sabem como é de manhã bem cedo em Havana, com os bêbados ainda dormindo encostados às paredes dos prédios; antes mesmo de chegarem os carros de gelo para entregar sua mercadoria aos bares ? Bem, viemos do cais e atravessamos a praça até o Café Pérola de São Francisco, para tomarmos café. Havia apenas um mendigo acordado na praça bebendo água na fonte. Quando entramos no café, os três lá estavam nos esperando.

Sentamos e um deles se aproximou.
- Bem, disse ele.
- Não posso fazer, respondi. Gostaria de fazer, como um favor, mas como lhe disse na noite passada, não posso.
- Pode exigir seu próprio preço. 
- Não se trata disso. Não posso fazer. Isso é tudo.

Escrito esporadicamente entre 1935 e 1937, e revisado enquanto visitava a Espanha durante a Guerra Civil Espanhola o romance retrata Key West e Cuba na década de 1930 e fornece um comentário social sobre aquela época e lugar. O biógrafo de Hemingway, Jeffrey Meyers, descreveu o romance como fortemente influenciado pela ideologia marxista à qual Hemingway foi exposto por seu apoio à facção republicana na Guerra Civil Espanhola enquanto o escrevia. A obra obteve uma recepção crítica mista.



O romance se passa principalmente em Key West e Havana durante a Grande Depressão e acompanha Harry Morgan, um veterano de guerra que sobrevive como capitão de um barco de aluguel. Quando os negócios entram em crise e ele não consegue sustentar a esposa Marie e as filhas, Morgan aceita transportar contrabando entre Cuba e a Flórida. A trama se torna cada vez mais sombria à medida que ele é forçado a se envolver em atividades ilegais, como tráfico de imigrantes chineses e ajuda a revolucionários cubanos, enfrentando traições, perdas e violência. A narrativa é fragmentada em três partes, alternando o ponto de vista de Morgan com o de outros personagens de Key West, o que amplia o retrato social da desigualdade e da corrupção da época.






To Have and Have Not foi publicado pela Scribner's em 15 de outubro de 1937, com uma tiragem de primeira edição de aproximadamente 10.000 cópias. A Cosmopolitan publicou uma seção do romance como "One Trip Across" em 1934; a Esquire publicou uma seção como "The Tradesman's Return" em 1936.


O romance foi adaptado para o cinema em 1944, com direção de Howard Hanks, tendo Humphrey Bogart e Lauren Bacall como artistas principais.






Fontes:


wikiedia.org
google.com
Hemingway, Ernest - To have and have not trad. Aydano Arruda
thephilosopher.net
dn721606.ca.archive.org

quinta-feira, 18 de junho de 2026


Première partie

Longtemps, je me suis couché de bonne heure. Parfois, à peine ma bougie éteinte, mes yeux se fermaient si vite que je n'avais pas le temps de me dire : "Je m'endors." Et, une demi−heure après, la pensée qu'il était temps de chercher le sommeil m'éveillait ; je voulais poser le volume que je croyais avoir encore dans les mains et souffler ma lumière ; je n'avais pas cessé en dormant de faire des réflexions sur ce que je venais de lire, mais ces réflexions avaient pris un tour un peu particulier ; il me semblait que j'étais moi−même ce dont parlait l'ouvrage : une église, un quatuor, la rivalité de François ier et de Charles−quint

Primeiro Capítulo

Durante muito tempo, costumava deitar-me cedo. Às vezes mal apagava a vela, meus olhos se fechavam tão depressa que eu nem tinha tempo de pensar:  Adormeço. E, meia hora depois, despertava-me a ideia de que já era tempo de procurar dormir: queria largar o volume que imagina  ter ainda em minhas mãos e soprar a vela: durante o sono não havia cessado de refletir o que acabara de ler, mas essas reflexões tinham assumido uma feição um tanto particular: parecia-me que eu era o assunto de que tratava o livro: uma igreja, um quarteto, a rivalidade entre Francisco I e Carlos V.¨


Assim começa o romance ¨Du côté de chez Swann¨ou em português ¨No caminho de Swann¨ de Marcel Proust.





No caminho de Swann faz parte da obra de sete romance, do escritor francês. Nos sete romances que compõem este monumento literário (conforme os títulos desta edição: 1- No Caminho de Swann, 2- À Sombra das Moças em Flor, 3- O Caminho de Guermantes, 4- Sodoma e Gomorra, 5- A Prisioneira, 6- A Fugitiva e 7- O Tempo Recuperado), perpassa não somente a vida exterior, episódica e histórica de personagens e da própria França, com alguns ecos de fatos ocorridos na Europa e no resto do mundo, como, principalmente, a vida interior, as sensações, as paixões, sentimentos e emoções do Narrador e demais personagens, todos envoltos numa atmosfera de análises psicológicas, minuciosas e implacáveis.


Marcel Proust


No Caminho de Swann, parte da monumental obra “Em Busca do Tempo Perdido”, é um romance escrito por Marcel Proust, publicado pela primeira vez em 1913. O livro é amplamente reconhecido como uma das grandes obras da literatura ocidental, traçando a vida, a memória e as experiências do narrador, que busca entender o passado e as transições do tempo. A narrativa é rica em detalhes sensoriais e reflexões profundas sobre a identidade, o amor e a perda. Através da experiência do narrador, Proust explora como nossas memórias moldam quem somos e como o tempo influencia as relações humanas.

A história começa com o jovem narrador, que reflete sobre sua infância em Combray e suas memórias associadas a esse tempo. Um dos temas centrais é a busca pelo amor, personificada em Albertine e em Swann, um amante da beldade Odette de Crécy. O texto entrelaça experiências passadas e a percepção do presente, tecendo um rica tapeçaria de relações e emoções que ressoam profundamente com qualquer leitor.







O cenário de No caminho de Swann não é apenas um lugar – é um sentimento. Proust constrói seu mundo por meio da memória, misturando o passado com o presente. Suas descrições são ricas, detalhadas e repletas de um sentimento de saudade.

O livro se move entre Combray, a casa da infância do narrador, e os salões da alta sociedade parisiense. Mas esses lugares não são descritos de forma tradicional. Em vez disso, eles são filtrados pela memória, tornando-os vívidos, porém frágeis, como imagens vistas através da névoa.

Combray, com suas ruas tranquilas e sebes de espinheiro floridas, parece um mundo suspenso no tempo. O narrador relembra as noites de sua infância, esperando ansiosamente pelo beijo de boa noite de sua mãe. Esse pequeno momento, cheio de amor e saudade, dá o tom de todo o livro.

Em contraste, o mundo social parisiense de Charles Swann é elegante, mas superficial. Swann circula por salões repletos de fofocas, jogos de status e ilusões de amor. O contraste entre esses dois ambientes – um íntimo e o outro artificial – acrescenta profundidade aos temas do romance. Proust mostra que os lugares não são apenas espaços físicos. Eles são moldados pela memória, emoção e percepção.



Os personagens de No caminho de Swann parecem profundamente reais, mesmo quando estão perdidos em suas próprias ilusões. Seus desejos, medos e obsessões os tornam ao mesmo tempo fascinantes e trágicos. O narrador, embora jovem, é profundamente sensível. Ele experimenta emoções intensamente, seja a alegria de um cheiro familiar ou o desespero de não receber o beijo de sua mãe. Suas reflexões sobre o amor, a arte e a memória revelam uma mente que está constantemente em busca de significado.

Charles Swann, a figura central do romance, é um homem consumido pelo amor. Sua obsessão por Odette de Crécy, uma mulher que não o ama de verdade, define sua queda. Swann é inteligente, culto e respeitado, mas se torna impotente diante de suas emoções. Seu ciúme e autoengano o tornam dolorosamente humano.

Odette é um enigma. Ela é encantadora, mas também distante. Swann a vê pelas lentes de seus próprios desejos, projetando beleza e mistério nela. Seu amor por ela é baseado na ilusão, mas é o sentimento mais intenso de sua vida.

Outros personagens, como o excêntrico Verdurins e o aristocrático Guermantes, dão vida ao mundo social do romance. Suas conversas, cheias de sagacidade e superficialidade, revelam as contradições da alta sociedade. Cada personagem de No caminho de Swann é moldado pelo tempo, pela memória e pelo peso de suas próprias emoções.



O amor em No caminho de Swann não é gentil. É obsessivo, doloroso e cheio de desejo. O amor de Swann por Odette não se baseia na realidade, mas na ilusão. Ele a idolatra, imaginando-a como alguém que ela não é.

No início, ele é indiferente. Mas, aos poucos, cai na obsessão. Quanto mais Odette se afasta, mais ele a deseja. Seu ciúme cresce, levando-o a espioná-la, a questionar cada ação dela e a se torturar com traições imaginárias.

Uma das falas mais assustadoras do livro ocorre quando Swann finalmente se dá conta da verdade: “Pensar que desperdicei anos de minha vida, que desejei uma mulher que não me atraía, que nem mesmo era meu tipo!” Esse momento captura a tragédia do amor baseado na ilusão. Swann não está apaixonado por Odette – ele está apaixonado pela ideia que tem dela. E quando essa ilusão se desfaz, ele fica sem nada.

Proust explora como o amor distorce nossa percepção. Não vemos as pessoas como elas são – nós as vemos como gostaríamos que fossem. E isso, ele sugere, é tanto a beleza quanto a tragédia do amor.



Fontes:

Proust, Marcel - No caminho de Swann - Abril Editora -trad. Mario Quintana
love-books-review.com/pt
livroresumido.com.br
resumodolivro.com
dn721804.ca.archive.org
google.com

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