Dias Gomes
Alfredo de Freitas Dias Gomes, mais conhecido pelo sobrenome Dias Gomes (Salvador, 19 de outubro de 1922 - São Paulo, 18 de maio de 1999), foi um romancista, dramaturgo, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras. Também conhecido pelo seu casamento com a também escritora Janete Stocco Emmer (Janete Clair).
Escreveu sua primeira peça de teatro aos 15 anos, Comédia dos moralistas. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, teve muitos problemas com a censura de suas peças.
A partir daí, por ser comunista, enfrentou dificuldades para ter seus textos aceitos pela televisão, o que o obrigou a escrever com pseudônimos até 1956. E só experimentou a fama em 1959, devido à peça O pagador de promessas, que foi encenada em outros países e adaptada para o cinema, filme que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962. Porém, devido à ditadura militar de 1964, foi demitido da rádio Nacional e passou a posicionar-se contra a censura.
Durante o regime militar, teve várias peças proibidas. No entanto, continuou atuante. Assim, em 1965, passou a fazer parte do conselho de redação da revista Civilização Brasileira. Já em 1969, foi contratado pela TV Globo, onde produziu muitas telenovelas.
Dias Gomes foi um dos autores mais visados pela censura da ditadura militar brasileira, tendo diversas peças teatrais e obras para TV proibidas ou adaptadas. A mais emblemática é "O Berço do Herói" (1965), proibida na estreia por militares. Outras obras censuradas incluem "Pé de Cabra" (1942), "A Invasão", "Roque Santeiro" (versão de 1975) e a novela "Despedida de Casado".
Berço do Herói : Escrita na década de 1960, a obra é tanto uma crítica explicitamente humanista à forma como se constroem mitos heroicos baseados em fatos reais, como implicitamente contextual em relação ao então regime militar que se iniciava no Brasil; e tem como um de seus panos de fundo a participação brasileira na campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.
O protagonista é o cabo Roque, que em meio aos bombardeios em um dos combates no norte da Itália no final de 1944 tem um surto de nacionalismo, sai correndo em direção às linhas inimigas, desaparecendo em meio ao intenso fogo de batalha, sendo dado como morto.
Assim, sem nunca ter sido encontrado seu corpo, a partir destes fatos se desenvolve após a guerra todo um comércio turístico na região da pequena cidade natal do protagonista, que gira em torno do mito do herói de guerra. A cidade onde nasceu é renomeada passando a se chamar cidade Cabo Roque, o batalhão no qual ele serviu também passa a chamar-se Batalhão de Infantaria Cabo Roque e a escola onde ele estudou, Centro Educacional Municipal Cabo Roque. Toda cidade passa assim a viver em torno da memória de seu herói, desde a venda de fotos da infância do cabo Roque, medalhinhas, até um clube de futebol que foi fundado com seu nome. O próprio turismo à cidade, desenvolve-se portanto em decorrência das inúmeras histórias sobre o herói.
Passados cerca de 20 anos, um belo dia, sem avisar a ninguém chega um homem à cidade; procura algumas pessoas, que o levam à prefeitura, sendo recebido em audiência particular pelo prefeito (amigo íntimo, de infância, como anunciava a todos, do herói cabo Roque) quando então anuncia ao mesmo:
- Sou Roque, o cabo, eu não morri na guerra, na verdade fugi. Durante minha fuga, encontrei uma italiana que me acolheu, fiquei lá vivendo com ela até algum tempo atrás quando ela morreu e decidi voltar à minha terra.
Qualquer semelhança com Roque Santeiro, não é mera coincidência.
Tanto a peça como a telenovela ``Roque Santeiro´´ foram censuradas. A novela, teve sua exibição proibida um dia antes de estrear em 1975. Vários capítulos já tinham sido gravados. Só em 1985, com outro elenco é que a telenovela foi levada ao ar.
O Bem amado, foi outra peça polêmica e censurada do autor.
O Bem-Amado foi uma peça escrita por Dias Gomes (1922-1999) no ano de 1962 (primeira versão). O texto foi encenado no teatro profissional somente oito anos mais tarde, por volta de 1970.
A escrita faz um perspicaz retrato e uma crítica social do funcionamento da política brasileira. Sucupira, a cidade fictícia da trama, vem sendo considerada por muitos como uma metáfora do Brasil. Com uma redação permeada de muito humor, vemos no protagonista Odorico Paraguaçu uma caricatura do típico político brasileiro.
O Bem-Amado, composto originalmente para o espaço do teatro, foi duas vezes adaptado para a televisão e uma vez para o cinema.
Resumo:
A ideia da criação de um cemitério
Sucupira, uma cidade a beira-mar muito pequena situada da Bahia, vive da pesca e principalmente dos veranistas. Trata-se de uma região carente, em Sucupira claramente não há muitos recursos.
O protagonista Odorico, um sujeito esperto e cheio de lábia, vê na morte do pescador uma oportunidade de fazer campanha política.
Odorico sobe então no palanque e propõe a construção de um cemitério se o eleitorado o levar ao cargo de prefeito.
Por fim, o político se elege e deseja realizar a sua maior promessa de campanha: a construção do tal cemitério em Sucupira.
Outro grande sucesso de Dias Gomes foi a peça `O pagador de Promessas´ que foi levado ao cinema por Anselmo Duarte, em 1962, com Leonardo Villar, Glória Menezes , Geraldo Del Rey e Dionísio Azevedo.
O filme venceu a Palma de Ouro em Cannes.
Dias Gomes morreu aos 76 anos em um acidente de trânsito ocorrido na madrugada de 18 de maio de 1999 na região dos Jardins , na cidade de São Paulo. O dramaturgo voltava de táxi de um jantar com sua mulher Bernadeth depois de assistirem à encenação de Madame Butterfly, ópera dirigida pela atriz Carla Camurati. O taxista fez uma conversão proibida na avenida 9 de Julho, e o carro foi atingido por um ônibus que seguia na mesma direção. Com o impacto e sem estar usando o cinto de segurança, Dias Gomes foi arremessado para fora do carro e bateu a cabeça na mureta que separa a via exclusiva dos coletivos na avenida, o que causou sua morte instantânea. Bernadeth sofreu ferimentos e foi internada. O motorista do táxi, que também sofreu ferimentos, estava na profissão havia dois meses e alegou que só fez a manobra proibida "por insistência de Dias Gomes".
Em 2013, no remake de sua obra original Saramandaia, o autor é homenageado com uma pequena estátua de Santo Dias, retratado como o padroeiro da cidade de Bole-Bole.
Saramandaia foi outra telenovela de muito sucesso de Dias Gomes, exibida em 1976, versão original. Nessa novela teve a famosa cena onde Dona Redonda (Wilza Carla) explodiu de tanto comer.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
portugues.com.br
descomplica.com.br
adorocinema.com













