quinta-feira, 30 de julho de 2026

Massacre do Caldeirão.






Uma grave seca assolou o Ceará em 1932. Por orientação do governo federal, foram construídos campos de concentração ao longo das duas ferrovias que conduziam do sertão a Fortaleza – o objetivo era capturar os trabalhadores e suas famílias antes que eles conseguissem alcançar a capital. Sete espaços de confinamento erguidos ao longo das estradas de ferro de Baturité e de Sobral mantiveram estimados 150 mil refugiados.

Em 11 de maio de 1937, centenas de sertanejos, seguidores do beato paraibano José Lourenço foram massacrados pela Polícia e pelo Exército, na fazenda denominada Caldeirão, situada no Crato, Ceará. O episódio ficou conhecido como Massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.


Beato José Lourenço e Padre Cícero




José Lourenço Gomes da Silva (1872-1946), nascido em Pilões de Dentro, Paraíba, era filho de escravos alforriados. Muito jovem foi trabalhar na agricultura, afastado da família que migrara para Juazeiro do Norte, no Ceará.



Admirado pela vida austera, pelo fervor religioso e pela atuação junto às populações mais necessitadas, José Lourenço receberia a missão de criar uma comunidade religiosa para abrigar os flagelados e camponeses sem-terra enviados por Padre Cícero.

Para tocar o projeto, o beato arrendou o sítio Baixa Dantas, localizado na cidade do Crato, na região do Cariri, sul do Ceará. Ali, romeiros e camponeses ergueram um oásis, onde a terra era cultivada de forma coletiva e a produção era dividida de forma igualitária. Um modelo de organização comunitária autônomo e fraterno, rompendo com a lógica exploratória dos grandes proprietários da região.




A cidade começava, então, a atrair muita gente pela presença carismática de Cícero Romão Batista, o Padre Cícero (1844-1934). Aos vinte anos de idade, José Lourenço foi para Juazeiro, onde reencontrou sua família. Em Juazeiro, tornou-se beato, adotando um modo de vida simples, celibatário, religioso, desapegado das coisas materiais. Usava vestes de frade: uma batina preta, com uma cruz nas costas e um cordão de São Francisco amarrado na cintura. Ingressou na ordem dos penitentes que se reuniam à noite diante de locais sagrados para praticarem autoflagelação como forma de purificação do espírito.



A morte de Padre Cícero, em 1934, tirou de cena o principal defensor do Caldeirão. Na sequência, o comando da igreja católica na região do Crato, que já criticava o beato e desaconselhava que ele fosse seguido, tornou as críticas mais veementes. Em 1937, a instauração do Estado Novo no Distrito Federal facilitou a realização de operações militares contra quaisquer atividades que pudessem ser caracterizadas como comunistas.

Com o apoio do Exército, a recém-criada Polícia Militar do Ceará passou a realizar incursões contra a comunidade. A cada ação, dezenas de pessoas eram mortas. Até que aviões militares sobrevoaram o local. O pretexto era fazer um mapeamento pelo alto, mas foram lançadas granadas e metralhadoras foram disparadas. Há controvérsias sobre o uso de bombas. Não sobram dúvidas, entretanto, a respeito do uso do avião para atacar os locais. Em poucos meses, o local estava em ruínas e os fugitivos, caçados.

“O combate aos sertanejos seguidores do beato foi planejado. E pode-se dizer que tudo foi arquitetado da maneira mais cruel e humilhante, com a intenção de destruir e evitar que movimentos semelhantes não ocorressem novamente”, afirma Medeiros em sua tese; “Os sertanejos viram de perto suas casas sento destruídas, anos de trabalho virando cinza”.







Quanto ao beato, ele conseguiu escapar, para Exu, em Pernambuco. Incansável, tentou criar uma nova comunidade, o Sítio União. Mas morreu em 1946, vítima de peste bubônica. Tinha 74 anos e havia dedicado mais de metade de sua vida a formar assentamentos autossuficientes. Seu legado foi varrido para baixo do tapete dos registros históricos oficiais.







Fontes:

wikipedia.org
operamundi.uol.com.br
gazetadopovo.com.br
ensinarhistoria.com.br
google.com
leiaurgente.com.br

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Retirada de Laguna





Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna, então reduzida a 1 680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde penetrou até Laguna, em abril. Por demais distante das linhas brasileiras, e sem víveres para o sustento da tropa, afetada pela cólera, o tifo,  e pelo beriberi, a coluna do Exército Brasileiro foi forçada a retirar sob os constantes ataques da cavalaria paraguaia, retratado de forma fidedigna na literatura de Visconde de Taunay, infligindo perdas severas aos brasileiros.



Taunay, que anos mais tarde ficou conhecido pelo romance Inocência, relatou suas experiências na batalha de Laguna de forma detalhada e brilhante.

Prólogo

É o assunto deste volume a serie de provações por que passou a expedição brasileira, em operações ao Sul de Mato Grosso, no recuo efetuado desde a Laguna, a três e meia léguas do rio Apa, fronteira do Paraguai, ate o rio Aquidauana, em território brasileiro, trinta e nove léguas, ao todo, percorridas em trinta e cinco dias de dolorosa recordação. Devo esta narrativa a todos os meus irmãos de sofrimento, aos mortos ainda mais do que aos vivos.  (Alfredo D’Escragnolle Taunay. Rio de Janeiro, outubro de 1868)



De um efetivo de cerca de 3 000 homens, apenas 1680 estavam vivos em abril de 1867 quando chegaram no território paraguaio e destes retornaram às linhas brasileiras as margens do Rio Aquidauana, hoje município no de Anastácio, Mato Grosso do Sul, em 11 de junho de 1867 apenas 700 homens, alquebrados pela doença e pela fome. Neste local, que se denominou Porto do Canuto, há um marco em pedra arenito.

CAPÍTULO III

Nioac (lugarejo). O coronel Carlos de Morais Camisão. O guia José Francisco Lopes. 


¨Fora a vila de Nioac abandonada pelo inimigo a 2 de agosto de 1866. Por toda a parte ali se viam vestígios do incêndio. Poupadas, apenas, duas casas e uma pequena igreja de pitoresca aparência. À primeira vista agrada o aspecto geral do lugar. De um lado, o povoado e um ribeirão chamado Orumbeva; do outro, o rio Nioac, cujas águas confluem cerca de 900 metros, para trás da igreja, deixando livre, em torno desta, à direita e à esquerda, um espaço duas vezes maior. Pequena colina fica-lhe em frente, a pouca distância. Ali chegamos às 11 horas de 24 de janeiro de 1867 acampando, em ordem de batalha, com a direita encostada à margem direita de Nioac; e a esquerda à mata do Orumbeva. Instalaram-se o quartel-general e o trem à retaguarda, no local da vila, ocupando o hospital as pequenas casas salvas do fogo e um grande galpão que às pressas se construiu.¨



A fome já era realidade e a última esperança dos brasileiros para encontrar comida e continuar naquela batalha eram as informações de que mais a frente, na Fazenda da Laguna, os soldados encontrariam alimento.

Na marcha até o local, além das baixas por fome e doenças, pequenos conflitos contra paraguaios também levaram soldados brasileiros à morte.

Ao chegar à fazenda, a realidade esperada era totalmente diferente. Todos os mantimentos já haviam sido saqueados pelas tropas paraguaias.

Dada tal situação, com soldados morrendo a todo momento, o Coronel Carlos de Moraes Camisão ordenou que suas tropas regressassem ao Brasil. O famoso episódio ficou conhecido como a Retirada da Laguna.

No dia 11 de junho, os 700 homens que restaram chegaram ao território brasileiro, mais precisamente às margens do Rio Aquidauana, dando fim ao processo de Retirada da Laguna.


Com poucos soldados, muitos doentes, sem comida e outras provisões, Camisão decidiu recuar para o território brasileiro, perseguido pelas forças paraguaias.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
curso.objetivo.br
hitoriadobrasil.net
militares.estrategia.com
academia.edu

terça-feira, 28 de julho de 2026

 Batalha do Tuiutí





A Batalha de Tuiuti ou Primeira Batalha de Tuiuti foi o maior e mais sangrento embate campal de toda a Guerra do Paraguai e do continente sul-americano,  por ter envolvido mais de 56 mil homens. Foi travada no dia 24 de maio de 1866, em uma região pantanosa e arenosa e de difícil locomoção chamada Tuyutí, no sudoeste do Paraguai.

Durante o avanço para o interior do Paraguai, as forças aliadas (Tríplice Aliança - Argentina, Brasil e Uruguai) acamparam em uma área muito pequena em comparação ao número de soldados de suas fileiras, que somavam 32 mil homens concentrados em um espaço de quatro quilômetros de comprimento por 2,4 de largura de terra seca. Além disso, sem ter conhecimento da região ou mapas adequados, estavam diante de formidáveis posições defensivas paraguaias, como a trincheira do Sauce, que possuía mais de três mil homens e diversos canhões à sua disposição.





Cerca de cinquenta e cinco mil homens participaram desta batalha.




As forças paraguaias foram comandadas pelo general José E. Díaz. Já os combatentes da Tríplice Aliança foram comandados por Manuel Luís Osório (marechal brasileiro), Bartolomeu Mitre (militar argentino) e Venâncio Flores (general uruguaio).



O Paraguai foi para o campo de batalha com cerca de 24 mil militares. Já a Tríplice Aliança contou com cerca de 32 mil.

O termo Tuiutí vem do tupi e significa lugar lamacento ou com muito barro.

O campo de batalha localizava-se no atual território do Paraguai, próximo ao lago Tuiuti, onde as tropas aliadas se encontravam acampadas. Francisco Solano Lopez, decidido a romper as linhas inimigas, lançou um ataque surpresa com cerca de 24.000 homens contra as forcas aliadas, que somavam aproximadamente 32.000 combatentes.

Nessa batalha foi ferido o Brigadeiro Antonio Sampaio, patrono da Infantaria Brasileira. Ele tinha atuado em outros conflitos brasileiros, como Cabanagem, Balaiada e Guerra dos Farrapos.


Brigadeiro Sampaio



A estratégia paraguaia inicial demonstrou eficácia, com avanços significativos sobre as posições aliadas. Entretanto, a reorganização das tropas brasileiras sob comando do Duque de Caxias e o reforço da artilharia argentina permitiram uma contraofensiva decisiva. A cavalaria brasileira, particularmente os regimentos de voluntários da Pátria, desempenhou papel crucial na estabilização das linhas aliadas.


Duque de Caxias




O desenrolar da batalha revelou uma evolução tática importante: enquanto os paraguaios dependiam de ataques frontais massivos, as forcas aliadas desenvolveram maior coordenação entre infantaria, cavalaria e artilharia. Esta superioridade tática, somada a vantagem numérica, resultou em pesadas baixas para o exercito paraguaio, estimadas entre 6.000 a 8.000 mortos.

Após a batalha, a situação estratégica no teatro de operações mudou radicalmente. Embora não tenha representado o fim imediato da guerra, Tuiuti marcou a transição para uma fase mais defensiva por parte do Paraguai. Para a Tríplice Aliança, a vitória fortaleceu a posição militar e abriu caminho para o avanço sobre fortificações paraguaias como Curupaiti e Humaitá.

Durante a sangrenta batalha, o lado paraguaio, que saiu derrotado, teve o maior número de baixas. Morreram cerca de 6 mil paraguaios e 4 mil da Tríplice Aliança. No geral, cerca de 12 mil soldados ficaram feridos durante a Batalha de Tuiuti.







Qual foi a importância da Batalha de Tuiuti no contexto da Guerra do Paraguai?



A Batalha de Tuiuti foi crucial na Guerra do Paraguai, pois representou a maior e mais sangrenta confrontação do conflito, consolidando a resistência da Tríplice Aliança contra o avanço paraguaio. A vitória das forças aliadas, compostas por Brasil, Argentina e Uruguai, impediu que o exército de Solano López retomasse a iniciativa estratégica e mantivesse sua posição ofensiva. Além de enfraquecer significativamente as tropas paraguaias, a batalha demonstrou a capacidade militar dos aliados, marcando uma virada na guerra e preparando o caminho para as campanhas ofensivas que culminariam na invasão do Paraguai.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
wguerrasdobrasil1.com
historiadobrasil.net
dicionarioinformal.com.br
eb.mil.br

segunda-feira, 27 de julho de 2026

 Guerra do Paraguai.






Vamos falar sobre uma das guerras mais violentas da America do Sul, envolvendo principalmente Brasil e Paraguai, mas também com a participação de Argentina e Uruguai.

Começamos falando da guerra propriamente dita, e nas próximas postagens vamos falar de algumas de suas principais batalhas, como: Cerco de Humaitá, Batalha do Tuiuti, Retirada da Laguna, Batalha do Riachuelo, Batalha de Corumbá.




A Guerra do Paraguai foi um conflito militar que ocorreu na América do Sul, entre os anos de 1864 e 1870. Nesta guerra o Paraguai lutou conta a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.

Contexto histórico:


A Guerra do Paraguai ocorreu em um contexto de disputas políticas e econômicas na região do Rio da Prata durante o século XIX, período marcado pela consolidação dos Estados nacionais sul-americanos.

O Paraguai, sob o governo de Francisco Solano López, buscava afirmar sua autonomia e influência regional, enquanto Brasil, Argentina e Uruguai possuíam interesses divergentes na área, principalmente relacionados ao controle de territórios estratégicos e rotas comerciais. A intervenção brasileira no Uruguai, em 1864, para apoiar o grupo político colorado contra os blancos, aliados do Paraguai, foi interpretada por Solano López como uma ameaça direta à soberania paraguaia, levando ao ataque contra o Brasil e posteriormente à formação da Tríplice Aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai para combater o Paraguai.



Segundo alguns historiadores, o Paraguai iniciou a guerra com mais de 60 mil homens treinados — 38 mil dos quais já armados — 400 canhões, um esquadrão naval de 23 barcos a vapor e cinco navios fluviais (entre eles a canhoneira Tacuarí). As comunicações na bacia do rio da Prata eram mantidas exclusivamente por via fluvial, pois existiam muito poucas estradas. Quem controlasse os rios venceria a guerra, então o Paraguai havia construído fortificações nas margens da parte inferior do rio Paraguai.

No entanto, estudos recentes sugerem muitos problemas. Embora o exército paraguaio tivesse entre 70 mil e 100 mil homens no início do conflito, eles estavam mal equipados. A maioria dos armamentos de infantaria consistia em mosquetes e carabinas de calibre lisos imprecisos, lentos para recarregar e de curto alcance. A artilharia era igualmente pobre. Os militares não tinham formação, nem experiência, nem sistema de comando, pois todas as decisões eram tomadas pessoalmente por López. Alimentos, munições e armamentos eram escassos, com logística e atendimento hospitalar deficientes ou inexistentes. A nação de cerca de 450 mil pessoas não poderia resistir à Tríplice Aliança de 11 milhões de pessoas.


Brasil e seus aliados


No início da guerra, as forças militares do Brasil, Argentina e Uruguai eram muito menores que as do Paraguai. A Argentina tinha aproximadamente 8 500 tropas regulares e um esquadrão naval de quatro vapores e um goleta.

Goleta




 O Uruguai entrou na guerra com menos de dois mil homens e nenhuma marinha. Muitos dos 16 mil soldados brasileiros estavam localizados nas guarnições do sul. A vantagem brasileira, porém, estava em sua marinha, composta por 45 navios com 239 canhões e cerca de quatro mil tripulantes bem treinados. Grande parte da esquadra já se encontrava na bacia do Rio da Prata, onde atuou sob o comando do Marquês de Tamandaré na intervenção contra o governo de Aguirre.

Como o Brasil não tinha forças armadas suficientes para bancar a guerra, foi criada uma força chamada de ¨Voluntários da Pátria¨.



Voluntários da Pátria eram as unidades militares criadas em 7 de janeiro de 1865 (Decreto no 3.371), pelo Império do Brasil, para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870). O Brasil possuía, então, um exército despreparado, mal armado e pouco numeroso. Por isso foi necessário um esforço nacional para arregimentar soldados para a guerra.

O decreto assegurava aos cidadãos entre 18 e 50 anos que se alistassem vários benefícios além do soldo: prêmio de 300 mil réis, lotes de terra em colônias militares, preferência nos empregos públicos, patentes de oficiais honorários, liberdade imediata aos escravos, assistência a órfãos, viúvas e mutilados de guerra.

Houve, inicialmente, um grande número de voluntários estimulados pelos benefícios prometidos e também pelo patriotismo que tomou conta do Brasil no início da guerra. D. Pedro II deu o exemplo, apresentando-se como o primeiro voluntário da pátria em Uruguaiana, cidade ocupada pelo exército paraguaio. Mandou libertar todos os escravos das fazendas imperiais (como a Fazenda Imperial de Santa Cruz) para lutar na guerra.





Com o passar do tempo, porém, o entusiasmo popular diminuiu e o governo imperial passou a exigir dos presidentes das províncias (equivalentes aos atuais governadores estaduais) que recrutassem uma determinada cota de “voluntários”.

O recrutamento forçado levou a várias formas de se escapar da convocação: os mais ricos faziam doações de recursos, equipamento e escravos para lutarem em seu lugar; os de menos posses alistavam seus parentes ou agregados; os despossuídos fugiam para o mato.

O uso de escravos para lutar em nome de seus proprietários virou prática corrente. Por outro lado, muitos escravos se ofereceram para ir à guerra convencendo seus senhores a “vendê-los para a guerra” desejando, com isso, obter a alforria.

Destacavam-se, entre os Voluntários da Pátria, os Zuavos Baianos formados só por negros. Também participaram da guerra índios de várias províncias como os Kadiwéu, representantes do grupo Gauikuru da região do Chaco.

A denominação ¨Voluntários da Pátria¨ contém duas imprecisões:

"Voluntário", segundo o Dicionário Houaiss, é aquele "que não é forçado, que depende da vontade ou é controlado por ela".



No caso dos Voluntários da Pátria, "muitos foram voluntários a pau e corda", segundo diz à BBC News Brasil o historiador Mário Maestri, autor do livro Guerra sem fim: a Tríplice Aliança contra o Paraguai (editora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo/ECM, 2017).


Já "pátria", segundo o mesmo dicionário, designa "país em que se nasce e ao qual se pertence como cidadão".


Entretanto, os Voluntários da Pátria eram em parte estrangeiros, muitos dos quais receberam promessa oficial de auxílio para retornar a suas terras natais ao final do conflito.

A guerra demorou 5 anos, e terminou com a morte de Solano Lopes em 1º de março de 1870 na Batalha de Cerro Corá.

Solano Lopez

Existem muitas controvérsias sobre a morte do ditador do Paraguai. Alguns afirmam que ele foi morto em combate, outros que foi executado após ter se rendido. Seu corpo foi profanado, dentes foram arrancados, uma das orelhas decepada e seu uniforme dividido entres os combatentes como espólio de guerra.





O conflito terminou com a vitória da Tríplice Aliança.




A principal consequência do conflito, segundo o professor de História da Universidade Regional do Pampa (Unipampa) Jeremyas Machado Silva, de Santa Rosa, foi o extermínio de grande parte da população paraguaia.




Foram liquidados entre 28.286 e 268.649 paraguaios, números que correspondem respectivamente a 8,7% e 69% da população do país à época, diz Silva à BBC News Brasil, por telefone, de Santa Rosa.




Além disso, o país perdeu porção significativa de seu território para os vizinhos Brasil e Argentina.




Já o Brasil teve de 50 a 60 mil mortos, incluindo civis.




Para os vencedores, a guerra trouxe como consequências o fortalecimento do exército que contribuiria para o fim da monarquia no Brasil; a criação de condições para a centralização definitiva do Estado argentino e o fortalecimento do domínio colorado na política uruguaia.




"A Guerra do Paraguai foi o maior conflito entre Estados ocorrido entre as guerras napoleônicas e a Primeira Guerra Mundial", afirma Silva, da Unipampa.





Fontes:

wikipedia.org
historiadobrasil.net
google.com
studhistoria.com.br
bbc.com
ensinarhistoria.com.br

sexta-feira, 24 de julho de 2026



O Arcadismo, também conhecido como Setecentismo ou Neoclassicismo, é o movimento que compreende a produção literária brasileira na segunda metade do século XVIII.











O nome faz referência à Arcádia, região do sul da Grécia que, por sua vez, foi nomeada em referência ao semideus Arcas (filho de Zeus e Calisto).


Denota-se, logo de início, as referências à mitologia grega que perpassa o movimento.










Profundas mudanças no contexto histórico mundial caracterizam o período, tais como a ascensão do Iluminismo, que pressupunha o racionalismo, o progresso e as ciências. Na América do Norte, ocorre a Independência dos Estados Unidos, em 1776, abrindo caminho para vários movimentos de independência ao longo de toda a América, como foi o caso do Brasil, que presenciou inúmeras revoluções e inconfidências até a chegada da Família Real em 1808.


O balanço - Nicola Lancret








O movimento tem características reformistas, pois seu intuito era o de dar novos ares às artes e ao ensino, aos hábitos e atitudes da época. A aristocracia em declínio viu sua riqueza esvair-se e dar lugar a uma nova organizaçõ econômica liderada pelo pensamento burguês.


Ao passo que os textos produzidos no período convencionado de Quinhentismo sofreram influência direta de Portugal e aqueles produzidos durante o Barroco, da cultura espanhola, os do Arcadismo, por sua vez, foram influenciados pela cultura francesa devido aos acontecimentos movidos pela burguesia que sacudiram toda a Europa (e o mundo Ocidental).


Segundo o crítico Alfredo Bosi em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (São Paulo: editora Cultrix, 2006) houve dois momentos do Arcadismo no Brasil:


a) poético: retorno à tradição clássica com a utilização dos seus modelos, e valorização da natureza e da mitologia.


b) ideológico: influenciados pela filosofia presente no Iluminismo, que traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.






Tomás Antonio Gonzaga




Apaixonou-se por Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, a pastora Marília. Inspirado em sua própria história de amor, escreveu sua obra mais importante: Marília de Dirceu.







Com forte cunho autobiográfico, os versos de Marília de Dirceu fazem referência ao amor proibido de Maria Joaquina Doroteia Seixas e do poeta, que se vê refletido nos versos como o pastor Dirceu.


Dirceu é, portanto, sujeito lírico de Gonzaga, e canta seu amor pela pastora Marília, sujeito lírico de Maria Joaquina. Era uma convenção da altura cultuar as musas como sendo pastoras.







É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte e prado;
Porém, gentil pastora, o teu agrado
Vale mais que um rebanho e mais que um trono.






Seus principais autores são Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama e Santa Rita Durão. No Brasil, o ano convencionado para o início do Arcadismo é 1768, quando houve a publicação de Obras, do poeta Claudio Manoel da Costa.




Claudio Manoel da Costa




Toda a sua criação literária de Cláudio Manuel da Costa está em Obras Poéticas, obra que reúne a produção lírica do poeta, sonetos, éclogas, epicédios, cantatas e outras modalidades, e que dá início ao Arcadismo Brasileiro. Essa publicação marcou a fundação da Arcádia Ultramarina, uma instituição cultural onde os poetas se reuniam para escrever e declamar seus poemas.


Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci! Oh, quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem durez

Arcádia Ultramarina


Trata-se de uma sociedade literária fundada na cidade de Vila Rica (MG), influenciada pela Arcádia italiana (fundada em 1690) e cujos membros adotavam pseudônimos, isto é, nomes artísticos, de pastores cantados na poesia grega ou latina. Por isso que alguns dos principais nomes do Arcadismo brasileiro publicavam suas obras com nomes inspirados na mitologia grega e romana.
Principais características


- inspiração nos modelos clássicos greco-latinos e renascentistas, como por exemplo, em O Uraguai (gênero épico), em Marília de Dirceu (gênero lírico) e em Cartas Chilenas(gênero satírico).


O Uraguai, poema épico de 1769, critica drasticamente os jesuítas, antigos mestres do autor Basílio da Gama. Ele alega que os jesuítas apenas defendiam os direitos dos índios para ser eles mesmos seus senhores. O enredo situa-se todo em torno dos eventos expedicionários e de um caso de amor e morte no reduto missioneiro.






Cartas Chilenas é uma obra escrita pelo poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). Trata-se de uma das obras satíricas mais emblemáticas desse período.


Ela é composta por diversos poemas que ficaram conhecidos na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), Minas Gerais, no contexto da Inconfidência Mineira.


Por esse motivo, os textos que circulavam na cidade no final do século XVIII, foram marcados pelo anonimato de seu autor. Durante muito tempo, foram analisadas as cartas para saber quem era o real escritor.


A obra recebe esse nome pois Critilo (pseudônimo do escritor) é morador da cidade de Santiago no Chile, que na verdade é Vila Rica, em Minas Gerais. Ele escreve 13 cartas para seu amigo Doroteu, que na verdade é Tomás Antonio Gonzaga, outro Inconfidente.






O foco central da obra é revelar a corrupção de Luís da Cunha Meneses, governador da Capitania de Minas Gerais. Ele governou o Estado entre os anos de 1783 e 1788.


Nas cartas, ele é referenciado como o “Fanfarrão Minésio”.




- influência da filosofia francesa;


- mitologia pagã como elemento estético;


- o bom selvagem, expressão do filósofo Jean-Jacques Rousseau, denota a pureza dos nativos da terra fazem menção à natureza e à busca pela vida simples, bucólica e pastoril;


- tensão entre o burguês culto, da cidade, contra a aristocracia;


- pastoralismo: poetas simples e humildes;


- bucolismo: busca pelos valores da natureza;


- nativismo: referências à terra e ao mundo natural;


- tom confessional;


- estado de espírito de espontaneidade dos sentimentos;


- exaltação da pureza, da ingenuidade e da beleza.
Termos em latim


O uso de expressões em latim era comum no neo-classicismo. Elas estavam associados ao estilo de vida simples e bucólico. Conheça algumas delas:


Inutilia truncat: "cortar o inútil", referência aos excessos cometidos pelas obras do barroco. No arcadismo, os poetas primavam pela simplicidade.


Fugere urbem: "fugir da cidade", do escritor clássico Horácio;


Locus amoenus: "lugar ameno", um refúgio ameno em detrimento dos centros urbanos monárquicos;


Carpe diem: "aproveitar a vida", o pastor, ciente da efemeridade do tempo, convida sua amada a aproveitar o momento presente.


Cabe ressaltar, no entanto, que os membros da Arcádia eram todos burgueses e habitantes dos centros urbanos. Por isso a eles são atribuídos um fingimento poético, isto é, a simulação de sentimentos fictícios.




Fontes:
culturagenial.com
todamateria.com.br
soliteratura.com.br
google.com.br
passeiweb.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...