segunda-feira, 20 de abril de 2026



A LENDA DE Z





No dia 20 de abril de 1925, o explorador britânico Percy Fawcett, seu filho Jack e o amigo Raleigh Rimmell deixaram Cuiabá, no Mato Grosso, rumo ao Alto Xingu. Objetivo: descobrir a “perdida de Z”, uma suposta civilização avançada que teria existido no meio da Amazônia. A pequena expedição desapareceu e ninguém sabe exatamente qual foi o destino dos seus integrantes. 

Percy Fawcett





Em 1912, um famoso explorador britânico criou uma espécie de teoria que apontava uma cidade perdida, chamada de ‘Z’. O coronel Percy Harrison Fawcett, alimentou a sua teoria após as descobertas na região do Machu Picchu. A teoria de Fawcett aponta uma cidade pré-colombiana na região do Mato Grosso, no Brasil. 

Rapidamente, ele a batizou como “A cidade perdida de Z”, que para Fawcett significava o berço de toda a civilização e até mesmo a origem da famosa civilização perdida de Atlântida, o suprassumo dos exploradores. O povo de ‘Z’ seria formado, talvez, por cartagineses, fenícios ou povos gregos, que teriam navegado até a América do Sul e se infiltrado pelo interior do continente, fundando a cidade em alguma parte perdida da Amazônia.





A teoria

A lenda ao redor dessa história, fala sobre um naufrágio que aconteceu no século XVI, onde um português chamado Diego Álvares é o único sobrevivente, sendo salvo por indígenas tupis. O português acaba sendo inserido na cultura dos nativos, depois de meses, conseguindo se comunicar e aprendendo o seu idioma.

Diego acaba vivendo junto a eles e se casa com uma jovem indígena chamada Paraguaçu, e com ela tem vários filhos. Um deles, era chamado de Muribeca. Já adulto, Muribeca encontra uma rica mina de prata e ouro. Sendo um dos poucos que sabia sua localização, fez riqueza e fama vendendo pepitas no porto da Bahia.

Muribeca teve um filho chamado, Robério Dias, que se tornara um homem ambicioso e amargurado por não ser considerado “branco” por ser parte índio. E, por causa disso, quando em Portugal, foi questionado pelo rei sobre a localização das minas de seu pai, a qual ele aceitou revelar, desde que recebesse o título de Marquês. O rei concordou.

Ao chegar na Bahia com os exploradores do rei, pediu para ver o documento de nomeação antes de começar a viagem. E ao ler, percebe que não é o título de marquês, e sim um título sem muita importância. Robério então se recusa a revelar a localização das minas e é preso por muitos anos, até que morre, levando ao túmulo a informação.

Cerca de 200 anos depois, desde o surgimento dessa possível história, o naturalista Manuel Ferreira Lagos, encontrou em um canto da Livraria Pública da Corte, um manuscrito datado com aproximadamente cem anos, conhecido como o ‘Manuscrito 512’. Era uma carta de um bandeirante que estava há anos em busca das minas de Muribeca.





Será que as sociedades complexas da Amazônia pré-Cabral inspiraram a lenda de Z? Pode ser. Já a ideia de Eldorado – uma cidade abarrotada de ouro e prata escondida no meio da floresta – nada tem a com Fawcett nem com o Brasil. Ela provavelmente nasceu na América Central, a milhares de quilômetros do Xingu, por obra da imaginação de conquistadores espanhóis embasbacados com o que encontraram nas cidades erguidas por maias e astecas nas florestas tropicais daquela região. 


Percy Fawcett



Quando os primeiros exploradores espanhóis chegaram à Amazônia, vindos dos Andes, em 1542, um frade dominicano, chamado Gaspar de Carvajal, descreveu-a como um lugar densamente povoado.

“Quando nos viram, saíram para nos encontrar no meio do rio mais de 200 pirogas [canoas], cada uma com 20, 30 ou 40 índios”, descreveu o frade. “Em terra firme, era maravilhoso ver os esquadrões que existiam nas vilas, todos tocando instrumentos e dançando.”

A partir do século 17, esse tipo de descrições tornou-se raro. Por isso, muitas pessoas acreditavam que Carvajal e outros exploradores exageravam bastante nos relatos. Com a arqueologia científica, no século 19, ganhou força a teoria de que o calor excessivo, as chuvas constantes e o solo pobre em nutrientes inviabilizariam o surgimento de grandes civilizações. Isso porque não tinha como produzir alimentos em grande escala.

No entanto, a partir da década de 1980, essa hipótese começou a ser questionada. As descobertas começaram na foz do Amazonas, onde trabalhava a arqueóloga americana Anna Roosevelt, da Universidade de Illinois.

Fawcett e Rimell



Fawcett encontrou um documento conhecido como Manuscrito 512, mantido na Biblioteca Nacional do Brasil, que teria sido escrito pelo bandeirante português João da Silva Guimarães. João escreveu que em 1753 ele havia descoberto as ruínas de uma cidade antiga que continha arcos, uma estátua e um templo com hieróglifos. Ele descreveu as ruínas da cidade com muitos detalhes, mas sem informar sua localização.





O Manuscrito 512 foi escrito depois de explorações feitas no sertão da então província da Bahia,  Fawcett pretendia empreender uma busca pela cidade como um objetivo secundário depois de "Z". Ele estava preparando uma expedição para encontrar "Z" quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial e o governo Britânico suspendeu seu patrocínio. Em 1920, Fawcett realizou uma expedição pessoal para encontrar a cidade, mas desistiu depois de ter uma febre e ter de matar sua besta de carga. Em uma segunda expedição cinco anos depois, Fawcett, seu filho Jack e um amigo deste último, Raleigh Rimell, desapareceram na selva do Mato Grosso.




O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925. Havia percorrido cerca de 500 km quando escreveu mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado.

Deste ponto em diante ele dispensou os peões que auxiliavam aos quais foram recomendados os seus manuscritos.
Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais.

Porém não se sabe o que aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.

O Enigma


Um enigma que atravessa gerações, e quanto mais se tenta desvendar esse mistério mais surgem indagações à respeito de que fim levou o Coronel Fawcett e sua expedição.

Que esteve pelo Roncador em suas andanças e descobriu alguma coisa aqui. A prova disto é que seu sobrinho-neto Timothy Fawcett veio aqui 2 vezes ao ano por 19 anos, rastreando os caminhos do tio-avô, através dos relatos das cartas que mandava para sua esposa Nina.

Timothy dizia que os relatos oficiais de Fawcett eram diferentes para despistar e que a família conhece a verdade. Ao final de sua pesquisa, Timothy afirmava que o último vestígio do tio-avô seria na Gruta Seca.




Às vezes descrito como a figura da vida real que teria inspirado a criação do arqueólogo aventureiro Indiana Jones, Fawcett nasceu em Torquay, no sudoeste da Inglaterra, filho de um aristocrata alcoólatra e mulherengo que tinha empobrecido.



Apesar do sucesso dessas expedições, os métodos de Fawcett muitas vezes eram pouco ortodoxos e rudimentares, mesmo naquela época. O lado positivo disso é que o oficial britânico, ao contrário de muitos outros estrangeiros que se aventuravam na Amazônia nessa época, buscava respeitar os povos indígenas que encontrava e evitava qualquer tipo de violência no trato com eles. Era uma abordagem parecida com a de seu contemporâneo Cândido Rondon (1865-1958), militar brasileiro que fundou o SPI (Serviço de Proteção ao Índio, órgão ancestral da Funai).

Por outro lado, no entanto, Fawcett tinha uma confiança quase irracional na sua capacidade de realizar as coisas “no braço”. Preferia viajar com poucas pessoas e carregar uma quantidade limitada de suprimentos, defendendo que era melhor tentar sobreviver a partir dos recursos da própria mata. Como era muito resistente ao cansaço e às doenças tropicais, menosprezava os companheiros que adoeciam ou não acompanhavam seu ritmo.

Além disso, Fawcett tinha adotado ideias um bocado exóticas sobre o passado amazônico e o da América do Sul como um todo. De posse de uma estatueta supostamente obtida no interior do Brasil, ele foi consultar um vidente. Essa pessoa, cujo nome não é revelado nos escritos de Fawcett, declarou que o artefato provinha de um grande templo que ficava no lado oeste de um continente perdido, equivalente à Atlântida.

O relato sobre a estatueta aparece em “A Expedição Fawcett”, livro organizado pelo filho sobrevivente do viajante, Brian Fawcett, nos anos 1950, e publicado no Brasil em 2023. A obra reúne anotações do explorador sobre várias de suas viagens e aborda ainda a ideia de que descendentes da civilização perdida, que seriam indígenas de aparência europeia, ainda poderiam existir na selva.

“Em muitas ocasiões os primeiros exploradores do interior relataram vislumbres de nativos vestidos, com aparência europeia. Esses relatos, até agora, não foram confirmados, mas não é possível deixá-los de lado de forma leviana”, escreveu Fawcett. “O destino de nossa próxima expedição (vou designá-lo como ‘Z’, para facilitar) é uma cidade que possivelmente seria habitada por alguns membros desse povo tímido, e, quando voltarmos [à Amazônia], pode ser que essa questão finalmente seja resolvida.”

Foi com esse objetivo que o militar, seu filho Jack e o amigo de infância dele, Raleigh Rimmel, voltaram ao Brasil em 1924. Depois de passarem algum tempo no Rio de Janeiro, então a capital do país, eles partiram para Cuiabá, onde a expedição começou oficialmente, em 20 de abril de 1925, com o fim da temporada das chuvas em Mato Grosso.








Avançando rumo ao Alto Xingu, o trio de exploradores mandou sua última mensagem para as famílias em 29 de maio. Nesse momento, Rimmel já não estava bem de saúde por causa de picadas de insetos amazônicos. Não se sabe o que aconteceu com eles –histórias sobre um suposto esqueleto de Fawcett não parecem ser verdadeiras. Eles podem ter morrido por causas naturais ou atacados por indígenas isolados.

A incrível história do explorador inglês foi levada ao cinema: ¨Z - A cidade Perdida¨



The lost of city Z - 2017





Fontes:

fatosdesconhecidos.com.br
wikipedia.org
google.com
clicknovaolimpia.com.br
serradoroncador.com.br
portalamazonia.com
gazetadigital.com.br
youtube.com

sexta-feira, 17 de abril de 2026



Dando continuidade as postagens sobre livros que mais são pedidos em exames vestibulares e Enem, hoje iremos falar do "Auto da barca do Inferno" do escritor, e dramaturgo português Gil Vicente.O livro é de 1517, e retrata, de uma forma jocosa, a sociedade do século XVI.








O auto da Barca do Inferno: O cenário é um porto onde duas barcas esperam pelos mortos. Uma leva ao paraíso e a outra ao inferno! O Auto da compadecida de Ariano Suassuna, tem um enfoque parecido, onde os personagens para se livrarem do inferno, pedem ajuda a Nossa Senhora.


O primeiro a chegar é o fidalgo, que passou a vida na tirania e na luxúria. O diabo diz para que ele entre na barca que leva ao inferno. Ele se recusa e diz que muitos oram por ele!


O segundo é um Onzeneiro, uma espécie de agiota, que também tem seu pedido de tomar a barca para o paraíso negado, porque foi avarento e ganancioso.


Depois vem Joane, um parvo, tolo e inocente, o diabo tenta enganá-lo para entrar na barca do inferno, mas o anjo o aceita na barca do paraíso, por sua bondade e humildade.

E assim seguem o sapateiro, que não foi aceito na barca do paraíso por ter enganado seus clientes e os roubado, o frade, que se achava um homem santo, mas que chegou ao porto com uma amante, e é condenado por falso moralismo religioso. Brísida Vaz, uma alcoviteira, acusada de prostituir meninas.
O judeu Semifará,chega acompanhado de um bode, e não é aceito nem no barco do Paraíso, por rejeitar o Cristianismo, e pelo diabo que só aceita rebocá-lo, sem que ele entre no barco. Nessa época em Portugal, os judeus deveriam se converter ao cristianismo (cristãos novos) ou seriam expulsos.
Em seguida chegam os representantes da lei , um corregedor e um procurador, com seus livros, e não são aceitos no barco do paraíso por ter roubados seus clientes e os roubados.

O frade, que se achava um homem santo, mas que chegou ao porto com uma amante, e é condenado por falso moralismo religioso. Brísida Vaz, uma alcoviteira, acusada de prostituir meninas.
O judeu Semifará,chega acompanhado de um bode, e não é aceito nem no barco do Paraíso, por rejeitar o Cristianismo, e pelo diabo que só aceita rebocá-lo, sem que ele entre no barco. Nessa época em Portugal, os judeus deveriam se converter ao cristianismo (cristãos novos) ou seriam expulsos.
Em seguida chegam os representantes da lei , um corregedor e um procurador, com seus livros, e não são aceitos no barco do paraíso, por manipularem as leis em seu favor.

Depois chegam quatro cavaleiros que lutaram e morreram defendendo o cristianismo, esses são aceitos no barco do paraíso.

Gil Vicente, nessa peça, faz uma crítica da sociedade da época, que pode muito em servir também para a sociedade atual.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
todamateria.com.br
brasilescola.uol.com.br

quinta-feira, 16 de abril de 2026



Hoje vamos falar da peça de Gil Vicente " A farsa de Inês Pereira"










Logo no início do livro o autor diz que a peça foi apresentada pela primeira vez ao rei D.João III de Portugal, no convento de Tomar no ano de 1523.
O argumento da peça veio de um tema que lhe deram "Mais vale um asno que me carregue, que um cavalo que me derrube"

Os personagens da peça são:
Inês Pereira, sua mãe, Lianor Vaz, Pêro Marques, dois judeus (Latão e Vidal) um escudeiro, seu criado (moço), um ermitão, Luzia e Fernando:


"Finge-se que Inês Pereira, filha de hüa molher de baixa sorte, muito fantesiosa, está lavrando em casa, e sua mãe é a ouvir missa, e ela canta esta cantiga:
Canta Inês: Quien con veros pena y muere Que hará quando no os viere?


(Falando) Inês: Renego deste lavrar E do primeiro que o usou;
Ó diabo que o eu dou, Que tão mau é d'aturar. Oh Jesu! que enfadamento, E que raiva, e que tormento, Que cegueira, e que canseira! Eu hei-de buscar maneira D'algum outro aviamento. Coitada, assi hei-de estar Encerrada nesta casa Como panela sem asa, Que sempre está num lugar? E assi hão-de ser logrados."

O trecho acima, do início da peça, mostra Inês Pereira, uma moça, sonhadora e ambiciosa em buscar um bom casamento com um bom mancebo, que lhe conceda uma vida de conforto e que seja uma pessoa atraente, educada, culta e amorosa.

Inês está a fazer os trabalhos da casa, e a se lastimar pela vida que leva, encerrada em sua casa, ocupada com os afazeres domésticos.

Um dia sua mãe pede à alcoviteira, Lianor Vaz, que arranje um pretendente para a sua filha. Ela, então, traz uma carta de um homem de posses, porém rude e de baixa cultura, Pêro Marques.
Inês, o recebe mais para caçoar de seus modos simples e de seu jeito rústico.


"Inês:
Si. Venha e veja-me a mi. Quero ver quando me vir Se perderá o presumir Logo em chegando aqui, Pera me fartar de rir. "

"Mãe:
Pêro Marques foi-se já?
Inês: E pera que era ele aqui?
Mãe: não t'agrada ele a ti?
Inês:Vá-se muitieramá! Que sempre disse e direi:
Mãe, eu me não casarei Senão com homem discreto, E assi vo-lo prometo Ou antes o leixarei. "







Em seguida dois judeus de nome Latão e Vidal, trazem a proposta do galante escudeiro Brás da Mata.

As maneiras galanteadoras e finas do pretendente encantam Inês Pereira.

"Mãe:
Se este escudeiro há-de vir E é homem de discrição, Hás-te de pôr em feição,
De falar pouco e não rir
E mais, Inês, não muito olhar
E muito chão o menear
Por que te julguem por muda,
Porque a moça sesuda
É uma perla pera amar. "


"Inês:
Eu, aqui diante Deus, Inês Pereira,
recebo a vós, Brás da Mata, sem demanda,
Como a Santa Igreja manda. "








(Enxerto da obra do Gil Vicente - Leya Educação Portugal)




O casamento com Brás da Mata, no entanto, não é o que Inês esperava.
Ele passa a trata-la mal, e a prende em casa, não deixando nem que vá até à janela.

Ele se mostra um homem ambicioso, e mau caráter, que só visa os bens de Inês.

Inês:
Que pecado foi o meu ?
Porque me dais tal prisão?
Escudeiro:
Vós buscastes discrição
Que culpa vos tenho eu? Pode ser maior aviso,
Maior discrição e siso Que guardar o meu tisouro?
Não sois vós, mulher meu ouro?
Que mal faço em guardar isso?

Um dia, o Escudeiro diz a Inês que vai para a guerra, mas deixará, o Moço (criado) a tomar conta dela, com ordens expressas de não deixá-la sair à rua.

Parte, então o Escudeiro, e deixa Inês amargurada com a sua sina.


Um dia chega a noticia da morte do Escudeiro, o que faz Inês comemorar.
Dispensa o Moço, e passa viver na liberdade.


Lê Inês Pereira a carta, a qual diz:
«Muito honrada irmã, Esforçai o coração
E tomai por devação De querer o que Deus quiser.»
E isto que quer dizer?
«E não vos maravilheis
De cousa que o mundo faça, Que sempre nos embaraça
Com cousas. Sabei que indo
Vosso marido fugindo Da batalha pera a vila,
A meia légua de Arzila,
O matou um mouro pastor.»
Moço:
Meu amo e meu senhor
Inês:
Da-me vós cá essa chave E i buscar vossa vida
Moço:
Oh que triste despedida!
Inês:
Mas que nova tão suave!
Desatado é o nó.
Se eu por ele ponho dó,


Nesse trecho da farsa, Gil Vicente satiriza toda a valentia e galhardia de Braz da Mata, quando diz que ele fugiu da batalha e foi morto por um pastor.

Inês, porém não fica muto tempo sozinha, pois Pêro Marques ainda não a esqueceu.

Lianor:
Como estais, Inês Pereira?
Inês:
Muito triste, Lianor Vaz.
Lianor:
Que fareis ao que Deus faz?
Inês:
Casei por minha canseira.
Lianor:
Se ficaste prenhe basta.
Inês:
Bem quisera eu dele casta, mas não quis minha ventura
Lianor:
Filha, não tomeis tristura,
Que a morte a todos gasta.
O que havedes de fazer?
Casade-vos, filha minha.
Inês:
Jesu! Jesu!
Tão asinha! Isso me haveis de dizer?
Quem perdeu um tal marido, Tão discreto e tão sabido,
E tão amigo de minha vida?
Lianor:
Dai isso por esquecido,
E buscai outra guarida.
Pêro Marques tem, que herdou, Fazenda de mil cruzados.
Mas vós quereis avisados...

Mais uma vez o autor satiriza os costumes. Inês, antes alegre, na presença da alcoviteira, põe-se a chorar, e lamentar a perda do marido "tão discreto e tão sabido, e tão amigo..."

Inês casa-se com Pêro Marques.

Um dia chega até a sua casa um Ermitão pedindo esmolas.

Señores, por caridad
Dad limosna al dolorido
Ermitaño de Cupido Para siempre en soledad.
Pues su siervo soy nacido.
Por ejemplo, Me meti en su santo templo
Ermitaño en pobre ermita,
Fabricada de infinita
Tristeza en que contemplo,


Inês descobre que o Ermitão foi um pretendente do passado, e tem com ele a sós.

"(Inês fala a sós com o Ermitão):
Inês:
Tomai a esmola, padre, lá, Pois que Deus vos trouxe aqui. Ermitão:
Sea por amor de mi Vuesa buena caridad.
Deo gratias, mi señora!
La limosna mata el pecado,
Pero vos teneis cuidado De matar-me cada hora.
Deveis saber Para merced me hacer
Que por vos soy ermitaño.
Y aun más os desengaño:
Que esperanças de os ver
Me hizieron vestir tal paño. "

Inês e Ermitão, marcam um encontro. Inês pede ao marido que a leve até a igreja onde se encontra o Ermitão, a pretexto e rezar.
Ao passarem por um riacho Pero Marques a carrega nas costas.
Vão, então Inês e o marido cantando ao encontro do padre ermitão.

Põe-se Inês Pereira às costas do marido, e diz:
Inês:
Marido, assi me levade.
Pêro:
Ides à vossa vontade?
Inês:
Como estar no Paraíso!
Pêro:
Muito folgo eu com isso.
Inês:
Esperade ora, esperade! Olhai que lousas aquelas, Pera poer as talhas nelas!
Pêro:
Quereis que as leve?
Inês:
Si. Uma aqui e outra aqui. Oh como folgo com elas! Cantemos, marido, quereis?
Pêro:
Eu não saberei entoar..
Inês:
Pois eu hei só de cantar E vós me respondereis Cada vez que eu acabar:
«Pois assi se fazem as cousas».
Canta Inês Pereira:
Inês:
«Marido cuco me levades E mais duas lousas.»
Pêro:
«Pois assi se fazem as cousas.»
Inês:
«Bem sabedes vós, marido, Quanto vos amo. Sempre fostes percebido Pera gamo. Carregado ides, noss'amo, Com duas lousas.»
Pêro
«Pois assi se fazem as cousas» "

O mote da peça:"Mais quero um asno que me leve, que um cavalo que me derrube" é demonstrado nesse trecho da farsa, onde Perô Marques, carrega Inês nos ombros, como um asno, ao encontro do padre ermitão, mais fogoso e belo como um alazão.


Assim termina a farsa, onde Gil Vicente faz uma dura crítica à sociedade da época.
A mulher interesseira e infiel, o marido traído, sem fazer conta da traição, o interesseiro galanteador, que na verdade não passa de um covarde sem caráter, o padre pecador, a alcoviteira, os dois judeus trapaceiros.

A farsa, era um gênero teatral, que ao contrário do auto (religioso e com temas mais sérios)era uma sátira, uma comédia, normalmente menor que o auto e com um ato só.

Gil Vicente foi o maior dramaturgo português do século XVI.



Fontes:
wikipedia.org
dominiopublico.gov.br
infoescola.com/livros
youtube.com

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Gulag


Gulag era um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime na União Soviética (todavia, a grande maioria era de presos políticos; no campo Gulag de Kengir, em junho de 1954, existiam 650 presos comuns e 5200 presos políticos). Antes da Revolução, o Gulag chamava-se Katorga, e aplicava exatamente a mesma coisa: pena privativa de liberdade, pena de trabalhos forçados e pena de morte. Os bolcheviques continuaram a tradição imperial russa em uma escala dezenas de vezes maior e em condições muito piores, nas quais até o canibalismo existiu. A criminalização da dissidência política era regra tanto na antiga União Soviética quanto no Império Russo Czarista (que também criminalizava heresias religiosas). Além de presos políticos, havia presos condenados por vadiagem, furto, roubo, agressão, homicídio e estupro. Finalmente, a antiga União Soviética passou por guerras internas e externas, assim como o Império Russo, então uma parte desses presidiários eram prisioneiros de guerra.








História

O sistema funcionou de 25 de abril de 1930 até 1960.  Foram aprisionadas milhões de pessoas, muitas delas vítimas das perseguições de Stalin, as consideradas "pessoas infames", para a chamada "Pátria Mãe" (a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), e que deveriam passar por "trabalhos forçados educacionais" e merecerem viver na chamada "Pátria Mãe"







O Gulag tornou-se um símbolo da repressão de Stalin. Na verdade, as condições de trabalho nos campos eram bastante penosas e incluíam fome, frio, trabalho intensivo de características próprias da escravatura (por exemplo, horário de trabalho excessivo) e guardiões desumanos. Floresceram durante o regime chamados pelos historiadores de stalinistas da URSS, estendendo-se a regiões como a Sibéria e a Ucrânia, por exemplo, e destinavam-se, na verdade, a silenciar e torturar opositores ao regime,  incluindo entre eles anarquistas, trotskistas.






Os Gulags tiveram seu auge no governo de Stalin entre 1929-1953 e entraram em declínio após a morte do ditador soviético. Entretanto, só foram oficialmente abolidos no governo de Gorbachev, na década de 80, quando a União Soviética começou a abrir-se para o mundo.





Inicialmente eram enviados para os Gulags pessoas consideradas “inimigos do povo”. As primeiras oleadas de prisioneiros pertenciam à classes específicas como os burgueses, sacerdotes, proprietários rurais e monarquistas. Também havia os que eram suspeitos somente pelas suas origens como judeus, chechenos e georgianos.

Durante o Grande Expurgo, realizado por Stalin entre 1934-1939, os perfis dos prisioneiros mudaram.

Qualquer cidadão acusado de fazer a menor crítica ao regime era condenado ao Gulag.

Assim, professores universitários, membros do partido contrários à política stalinista, poderiam ser levados aos campos de trabalho forçado ou ao exílio na Sibéria.

Após a Segunda Guerra Mundial, aqueles que viveram sob ocupação alemã foram acusados de traidores e enviados para serem reeducados nos Gulags. A mesma sorte aguardava, por exemplo, os poloneses que foram acusados de espiões pelo regime soviético.






É importante assinalar que se um membro da família fosse detido, os demais parentes também eram fichados e vigiados pela polícia.



Calcula-se que existiram entre 450 a 470 campos de concentração. Enquanto certos locais abrigavam de 200 a 500 pessoas, outros retinham dezenas de milhares.Os campos poderiam estar localizados tanto nos subúrbios de Moscou como em regiões inóspitas da Sibéria.

Havia campos especializados no trabalho industrial, aqueles situados em florestas e até campos onde intelectuais faziam projetos para obras. Também havia campos cuja mão de obra foi empregada para erguer grandes construções como o canal do Mar Báltico e o canal de Moscou.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
todamateria.com.br
super.abril.com.br

terça-feira, 14 de abril de 2026

 Vamos falar dos Anunakis





Os Anunáqui eram creditados como sendo descendentes de Anu (ou An), o deus sumério do céu, e sua consorte, a deusa da terra Ki. Samuel Noah Kramer associa Ki com a deusa mãe suméria Ninursague, afirmando que eram originalmente a mesma figura. O mais antigo dos Anunáqui foi Enlil, o deus do ar e chefe do panteão sumério. Os sumérios acreditavam que, até Enlil nascer, a terra e o céu não haviam sido separados. Então, Enlil dividiu a terra e o céu em dois e levou consigo a terra enquanto seu pai Anu levou consigo o céu.




Em poucas palavras, os Anunnaki são supostos deuses gigantes da Antiguidade que possuíam habilidades extraordinárias. A palavra o mesmo significado de Elohim, citado em Gênesis, e Nephelim, citado no livro de Enoque: “Aqueles que vieram do céu”.





De acordo com uma teoria do livro The Twelfth Planet, acredita-se que o símbolo sumério dos Anunnaki seja um disco alado, que pode se referir a uma representação do seu planeta natal, Nibiru. No entanto, pode também simplesmente representar sua capacidade de voar.



É amplamente conhecido que os ciclos míticos arquetípicos das tradições mesopotâmica e do Oriente Próximo compartilham uma origem comum, e que os personagens desses ciclos também aparecem nos textos bíblicos, extra bíblicos e até mesmo no Alcorão. O objetivo deste artigo é identificar o conceito mítico específico por trás dos Anunnaki no mundo antigo.

Ao contrário de grande parte da literatura popular e de outros meios de comunicação atuais, as evidências registradas pelas pesquisas acadêmicas de estudiosos e por um estudo comparativo dos textos cuneiformes e outros textos antigos indicam que a verdadeira identidade dos Anunnaki encontra-se na tradição oriental de um grupo de semideuses, gerados pelo cruzamento entre seres divinos e mulheres mortais no Monte Hermom, na cordilheira do Anti Líbano.




Esses seres estão frequentemente associados ao conhecimento do mundo anterior a um grande dilúvio e, mais tarde, receberam funções no submundo. Isso sugere que, em vez de equiparar os Anunnaki aos “Elohim” que criaram o homem no Livro de Gênesis, eles deveriam ser mais propriamente comparados aos Nefilins e aos anjos caídos descritos em Gênesis capítulo 6, 1 Enoque e outros textos extra bíblicos.



Os mitos sumérios descrevem os Anunnaki como seres de grande poder, capazes de criar e destruir, de conceder sabedoria e de ditar o destino dos mortais. Eles eram cultuados em templos majestosos, recebiam oferendas e eram invocados em rituais. A relação entre Anunnaki e humanos era complexa, marcada por reverência, medo e uma dependência mútua.

É fascinante notar a longevidade e a influência dessas narrativas. Mesmo após o declínio da civilização suméria, os contos sobre seres divinos vindos do céu persistiram em outras culturas mesopotâmicas, como a acadiana e a babilônica, evoluindo e adaptando-se aos novos contextos culturais e religiosos. A persistência desses temas sugere uma ressonância profunda na psique humana, uma busca por respostas sobre nossas origens e nosso lugar no cosmos.



Nefilins: Gigantes e Filhos de Deuses na Bíblia

Agora, voltemos nossa atenção para a Bíblia Hebraica, ou Antigo Testamento, onde encontramos a figura enigmática dos Nefilins. A menção mais proeminente aos Nefilins aparece em Gênesis 6:1-4, um trecho que precede a narrativa do Dilúvio Universal.

“Quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e filhas lhes nasceram, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. E disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. Havia Nefilins na terra naquele tempo, e também depois, quando os filhos de Deus se juntaram às filhas dos homens, e estas lhes deram filhos. Estes eram os valentes, os homens de outrora, e de renome.”

A interpretação desse versículo tem gerado debates fervorosos ao longo dos séculos. Quem eram os “filhos de Deus” que se uniram às “filhas dos homens”? A tradução e o significado de “Nefilim” também são fontes de especulação.

Tradicionalmente, a expressão “filhos de Deus” é interpretada como anjos que se desviaram de seu estado celestial para se unir a mulheres humanas. Dessa união, teriam nascido os Nefilins, descritos como “valentes”, “homens de outrora, e de renome”, o que muitos interpretam como gigantes ou seres de força extraordinária. A palavra “Nefilim” em si pode derivar da raiz hebraica “nafal”, que significa “cair”, sugerindo uma queda ou um afastamento do divino.

Outras interpretações, porém, propõem que “filhos de Deus” se refere a descendentes piedosos de Set, o terceiro filho de Adão e Eva, que se misturaram com descendentes de Caim, que se 
que se afastaram de Deus. Nesse caso, os Nefilins não seriam fruto de uniões sobrenaturais, mas de uma miscigenação que resultou em linhagens corrompidas e violentas, levando à decisão divina de enviar o Dilúvio.

Em Números 13:33, os espias enviados por Moisés para explorar a terra de Canaã relatam ter visto “Nefilins, filhos de Enoque, da linhagem dos Nefilins”. Essa passagem reforça a ideia de que os Nefilins eram seres de estatura incomum ou com características marcantes, associados a uma genealogia específica.

O livro de Enoque, um texto apócrifo que não faz parte do cânone bíblico para a maioria das tradições judaicas e cristãs, expande consideravelmente a narrativa de Gênesis 6. Segundo o Livro de Enoque, anjos caídos, chamados Vigilantes, desceram do céu, tomaram esposas humanas e ensinaram segredos proibidos à humanidade, como metalurgia, cosméticos, feitiçaria e astronomia. Essa descendência corrompida seria a origem dos Nefilins.

A descrição dos Nefilins como gigantes, embora não explicitamente declarada em Gênesis, é amplamente aceita e reforçada por outras passagens bíblicas que mencionam povos de grande estatura. A ligação com a violência e a corrupção também é um tema recorrente, sugerindo que a presença dos Nefilins contribuiu para o mal que se espalhou pela Terra.

A figura dos Nefilins é, portanto, central para a compreensão da causa do Dilúvio na narrativa bíblica, representando um ponto de corrupção extrema que exigiu uma intervenção divina drástica para purificar a Terra.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
segredosdomundo.r7.com
insoniaoculta.com.br
onerdcristao.com.br

segunda-feira, 13 de abril de 2026

 O que existia antes do Jardim do Eden ?



Vamos falar hoje do mitológico ¨Jardim do Éden¨


Em Gênesis 2:4 - 3:24 está escrito : 

¨ Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus. 5 Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra. 6 Um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra. 7 E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. 8 E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado. 9 E o Senhor Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.¨



Uma das histórias bíblicas mais conhecidas, e que busca trazer uma origem para a própria humanidade, é a de Adão e Eva, que viviam no Jardim do Éden até serem banidos de lá por Deus. Porém, se o homem e a mulher primordiais foram expulsos de lá, arqueólogos e teólogos de hoje continuam tentando chegar nesse local mítico.





O Jardim do Éden figura como um dos mitos mais cativantes e significativos dentro das religiões abraâmicas. Representando mais do que um simples jardim, o Éden simboliza o estado original de perfeição e harmonia da humanidade, antes da entrada do pecado no mundo.

Este paradisíaco jardim é mencionado nos textos sagrados como o local onde Deus colocou o primeiro homem, Adão, vivendo em um estado de inocência e comunhão direta com o Criador. A história do Éden não apenas fundamenta importantes crenças religiosas, mas também permeia a cultura, a arte e a literatura, evidenciando sua profunda importância através dos tempos.

Em Gênesis 2:10-14, a localização é mais especificada: “Um rio sai do Éden para regar o jardim, e dali ele se divide e se torna quatro afluentes”, que incluem os rios Tigre e Eufrates, no sudoeste da Ásia, na região da Mesopotâmia, e os rios Pison e Gium — estes que, até hoje, nunca foram realmente encontrados.

¨E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. 11 O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. 12 E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio e a pedra sardônica. 13 E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. 14 E o nome do terceiro rio é Hidéquel; este é o que vai para a banda do oriente da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates.¨

A fascinação pelas origens da humanidade é um tema universal, e poucas narrativas são tão intrigantes quanto a que contrapõe a história bíblica de Adão e Eva com as antigas tradições sumérias. Enquanto o Gênesis nos apresenta a criação do homem em um jardim perfeito, os textos cuneiformes da Mesopotâmia, guardados por milênios sob a areia, sugerem uma história muito mais complexa e antiga sobre a Terra, seus habitantes e visitantes celestiais. Prepare-se para uma jornada rumo ao passado mais remoto, onde exploraremos os segredos que os sumérios registraram em argila e que continuam a gerar debates e mistérios até hoje.





Para entender a visão mesopotâmica de um mundo antes da humanidade, precisamos nos debruçar sobre o Enuma Elish, o épico babilônico da criação. Seu título significa “Quando nas alturas”, e suas linhas iniciais descrevem uma realidade primordial muito diferente da nossa. No princípio, não havia céu, terra ou homens. Existia apenas uma massa aquática indiferenciada e caótica. Desse redemoinho, surgiram duas entidades primordiais: Apsu, o deus representando as águas doces e frescas, e Tiamat, a deusa das águas salgadas e amargas, o oceano primordial personificado como um dragão monstruoso .

A união dessas duas forças deu origem a uma nova geração de deuses, jovens e barulhentos, cujo incansável alvoroço perturbava o sossego de Apsu. Decidido a silenciá-los, Apsu planejou sua destruição, mas foi morto pelo sábio deus Enki (ou Ea). Enfurecida, Tiamat jurou vingança contra os filhos que haviam assassinado seu consorte. Ela criou um exército de onze monstros horríveis e nomeou o deus Quingu como seu comandante, concedendo-lhe as “Tábuas do Destino”, que lhe davam o poder de decretar o futuro .



Nenhum dos deuses mais velhos ousou enfrentar a fúria de Tiamat, até que o jovem e poderoso Marduk, deus da Babilônia, se ofereceu para lutar em troca de tornar-se o líder supremo do panteão. Em uma batalha cósmica, Marduk derrotou e matou Tiamat, partindo seu corpo ao meio. Com uma metade, ele criou o céu; com a outra, a terra. De seus olhos, nasceram os rios Tigre e Eufrates. A partir do sangue de Quingu, o deus Ea criou a humanidade, destinada a servir aos deuses e realizar o trabalho pesado que eles não mais desejavam fazer .

Este mito, escrito em sete tábuas de argila e datado de aproximadamente 1200 a.C., mas baseado em tradições sumérias muito mais antigas, estabelece um cenário crucial: a Terra foi formada a partir do caos e do corpo de uma deusa, e os humanos foram criados posteriormente para serem servos dos deuses . A notável semelhança com a narrativa bíblica da criação, desde o caos inicial até a ordenação do mundo, levou muitos estudiosos a concluir que os escribas hebreus, durante seu exílio na Babilônia, foram influenciados por essas histórias mais antigas ao compor o livro de Gênesis .

Reparem que todos esses textos dão uma importância muito grande à água. Sim todos foram escritos em regiões de pouca chuva e bastante áridas, algumas até desérticas, onde a água era o elemento fundamental para a vida.

Em Êxodo 3:8 Deus fala para Moisés que tinha reservado para ele e seu povo uma terra onde ¨mana leite e mel¨



A imagem do leite e mel é rica em simbolismo. O leite, frequentemente associado à nutrição e sustento, simboliza as necessidades básicas da vida. Em uma sociedade pastoral, o leite era um alimento básico, facilmente acessível e essencial para a sobrevivência. O mel, por outro lado, representa doçura e prazer, muitas vezes visto como um item de luxo. Juntos, leite e mel retratam uma terra que não apenas atende às necessidades básicas de seus habitantes, mas também lhes proporciona abundância e deleite.

Em um sentido mais amplo, a frase "mana leite e mel" transmite uma visão de fertilidade e prosperidade. A terra de Canaã era conhecida por sua abundância agrícola, com solo fértil capaz de produzir colheitas abundantes. Esta imagem teria sido particularmente atraente para um povo que havia experimentado a dureza da vida no deserto e a escassez de recursos no Egito.

Em geral, estudiosos duvidam que o Jardim do Éden realmente tenha existido, argumentando que ele é apenas uma criação para um mito que busca explicar o mundo e a humanidade. Porém, ainda há muitos arqueólogos que buscam pelo cenário.







Apesar de todas as teorias e tentativas de comprovar a existência e encontrar o Jardim do Éden, fato é que o local ainda gera grandes dúvidas entre arqueólogos, e nem todos os estudiosos estão convencidos de que ele tenha realmente existido.

A professora Francesca Stavrakopoulou, da Universidade de Exeter, na Inglaterra, afirma que o Jardim do Éden pode ter sido apenas um espaço simbólico inspirado em antigos jardins reais, e localizado conceitualmente na própria Jerusalém. Já Mark Leutcher, professor de judaísmo antigo e da Bíblia hebraica na Universidade Temple, explica que o jardim pode não ser um local único, mas sim uma espécie de símbolo representativo do antigo mundo da Ásia Ocidental.

“Ele representa ideias valiosas para a reflexão de sociedades humanas reais, mas utiliza a linguagem do simbolismo e da metáfora para transmitir essas ideias”, pontua Leutcher. “Em outras palavras, o Jardim do Éden representa todo o mundo cultural, desde a costa do Mar Mediterrâneo até as fronteiras orientais dos impérios Assírio e Babilônico“.

De qualquer forma, o imaginário sobre o Jardim do Éden segue vivo. Arqueólogos ainda esperam encontrar algo que possa indicar o local, mas, até lá, ele continua sendo um mistério da história da humanidade.



Fontes:

bibliain.com.br
aventurasnahistoria.com.br
biblegateway.com
versiculoscomentados.com.br
google.com
todososfatos.com.br

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