Esse é um blog sobre curiosidades de português, história e cultura de maneira geral.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Vamos falar hoje de outra obra clássica de Júlio Verne, "Viagem ao centro da Terra".
Viagem ao Centro Da Terra (em língua francesa: Voyage au Centre de la Terre) é um livro de ficção científica, de autoria do escritor francês Júlio Verne, lançado em 1864 e considerado como um dos clássicos do gênero.
Em 1863, pleno século XIX, o renomado cientista e professor de geologia e mineralogia alemão, Otto Lidenbrock, após ter encontrado um manuscrito escrito em código único pelo antigo alquimista islandês do século XVI, Arne Saknussemm, e de o ter decifrado, ele descobre que, segundo o alquimista, quem desce a cratera do vulcão Sneffels, situado na Islândia, antes do início de julho, se chega ao centro da Terra; sendo que Saknussemm teria feito esse percurso.
Capítulo I
"A 24 de maio de 1863, um domingo, meu tio, o professor Lidenbrock, voltou precipitadamente para sua casinha no número 19 da Königstrasse, uma das ruas mais antigas do velho bairro de Hamburgo. A boa Marthe deve ter achado que estava muito atrasada, pois o jantar mal começara a chiar no fogão da cozinha. "Bem", pensei, "se estiver com fome, meu tio, que é o mais impaciente dos homens, vai dar gritos de aflição". - O senhor Lidenbrock já chegou! - exclamou Marthe, estupefata, entreabrindo a porta da sala de jantar. - Já, Marthe; mas o jantar tem o direito de não estar pronto, pois não são nem duas horas. Acabou de dar a meia hora em São Miguel".
Eufórico e meio aturdido com a descoberta do manuscrito de Saknnussemm, ele corre para casa para empreender a mais incrível aventura já realizada, a viagem ao centro da Terra.
Repousou cuidadosamente em sua mesa um pedaço de pergaminho de cinco polegadas de comprimento e três de largura, no qual se distribuíam em linhas transversais caracteres ilegíveis. Aqui está seu fac-símile exato. Faço questão de apresentar esses sinais estranhos, pois levaram o professor Lidenbrock e seu sobrinho à expedição mais estranha do século XIX:
öx.ö,l,ööh öhö,tntö ö,ör:rrlblö h dThh'YP ntö.Y.Ylö'F!ö ITbööö T! 1ö' I ötö t11öÞ YT öh ö Ibö ö1ö öTn öö ö, . I, h Y,ö r ö r r b ,öör I .r .r n T n r F ö,ö t,T n bTö Iö r kh.öI Bk YtbIlI
O professor considerou por alguns instantes a série de caracteres; depois disse, erguendo seus óculos: - É rúnico; esses tipos são idênticos aos do manuscrito de Snorre Turleson! Mas... o que será que tudo isso significa? Como eu acreditava ser o rúnico uma invenção dos cientistas para ludibriar o pobre mundo, não fiquei aborrecido com o fato de meu tio não entender nada. Pelo menos é o que parecia pelo movimento de seus dedos, que começavam a tremer muito. - Mas é islandês antigo! - murmurava entre os dentes.
Assim que consegue ler o pergaminho, o geólogo ordena que Axel prepare duas malas, uma para cada um. A travessia dura em torno de dez dias e, quando os dois chegam à Islândia, vão à procura de alguém que possa ajudá-los a encontrar a trilha.
Para tanto, tio e sobrinho contam com as contribuições de um guia local chamado Hans, que levará os dois à aldeia de Stapi, o caminho tão ansiado. O percurso será feito com quatro cavalos, uma série de instrumentos (termômetro, manômetro, bússolas) e terá início no dia 16 de junho.
O trabalho empreendido anos antes por Arne Saknusemm os ajuda a escolher o percurso correto. Quando avistam a cratera do Sneffels, sem saberem para onde ir, o tio identifica a pista de Arne:
"— Axel, venha correndo! — dizia num tom de espanto e alegria.
Corri para perto dele, que apontava para um rochedo colocado no centro da cratera. A evidência tomou conta de mim. Na face ocidental do bloco, em caracteres rúnicos semirroídos pelo tempo, estava escrito: Arne Saknussemm".
E usando lâmpadas portáteis - como os mineiros - que os três personagens ingressam no centro da Terra e sobrevivem a uma série de aventuras.
Os três, fascinados com as descobertas, atravessam florestas de cogumelos, poços, corredores estreitos e chegam a testemunhar monstros pré-históricos. Uma realidade inimaginável, de tirar o fôlego.
A aventura mágica infelizmente termina antes do esperado, quando um dos vulcões, situado em Stromboli (na Sicília, Itália), atira os três integrantes para fora da Terra. Surpreendentemente nem Lidenbrock, nem Axel, nem Hans sofrem qualquer ferimento.
Vulcão Stromboli - Itália
"Eis a conclusão de uma narrativa na qual as pessoas mais habituadas a não se surpreender com nada acreditarão. Mas armei-me antecipadamente contra a incredulidade humana. Fomos recebidos pelos pescadores de Stromboli com todas as atenções devidas aos náufragos. Deram-nos roupas e víveres. Após uma espera de quarenta e oito horas, a 31 de agosto, uma pequena speronare conduziu-nos a Messina, onde nos recuperamos com alguns dias de descanso. Na sexta-feira, 4 de setembro, embarcávamos no Volturne, um dos navios-correio das empresas de transportes imperiais da França, e, três dias depois, estávamos em Marselha, com uma única preocupação: a da maldita bússola. O fato inexplicável não parava de atormentar-me. A 9 de setembro à noite, chegávamos a Hamburgo. Renuncio a descrever o estupor de Marthe e a alegria de Grauben".
Trata-se, é claro, de um livro de ficção científica que graças a genialidade de Júlio Verne, mistura a realidade com a alegoria.
No livro "Viagem ao Centro da Terra", o escritor francês Júlio Verne narra a aventura do professor e geólogo alemão Otto Lidenbrock, que ao descer em um vulcão na Islândia chegou ao centro do nosso planeta. No mundo real, uma viagem do tipo seria bem diferente. No livro, Lidenbrock e seu grupo descobriram um mundo paralelo e fantástico, onde animais como os dinossauros ainda existiam. Acabaram emergindo da aventura em um outro vulcão, localizado na Itália.
Mas na realidade, é bem provável que a jornada durasse só poucos quilômetros. E só encontraríamos dinossauros se cruzássemos com alguma ossada desses habitantes terrestres do passado. Mal passamos da casca Até hoje, a maior profundidade já atingida por um ser humano foi de 10,9 km. A marca foi obtida em 23 de janeiro de 1960 por um submersível, uma pequena embarcação mais resistente à pressão do que um submarino convencional. Em seu interior estavam um oceanógrafo suíço, Jacques Piccard, e um tenente da Marinha dos Estados Unidos, Donald Walsh. A aventura aconteceu na Fossa das Marianas, o ponto mapeado mais profundo do oceano —próximo dos 11 km de profundidade.
Uma viagem dessas teria de levar em consideração outros fatores como pressão atmosférica e o calor. A pressão no centro do planeta poderia chegar a 3, 6 milhões de atm, ao nível do mar essa pressão é de 1 atm. Qualquer coisa submetida a essa pressão seria esmagada.
O calor é outro fator, calcula-se que a 670 km de profundidade o calor já beirasse a marca de 1.700 °C, ou seja seríamos cozinhados.
Cálculos feitos por cientistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) apontam que a temperatura do núcleo do planeta seja de cerca de 4.530 ºC —ainda que um estudo publicado em 2013 indique que essa temperatura pode chegar próxima dos 6.000 ºC.
Mesmo assim vale muito a pena ler o livro. Ele cativa por seu suspense, sua aventura que certamente os deixarão ligados a cada página. Desde que, como aconteceu comigo, uma amigo não venha estragar a leitura te contando o final. Mesmo assim já li o livro outras duas vezes.
A obra foi levada ao cinema em 1959, dirigido por Henry Levy e em 2008 com direção de Eric Brevig.
Viagem ao centro da Terra 1959 - com Pat Boone, James Mason, Arlene Dahl e Diane Baker
Viagem ao centro da Terra - 2008 - com Brendan Fraser, Josh Hutherson e Anita Briem
O sucesso do livro se manifestou num século em que as descobertas ampliaram o conhecimento e a valorização dos estudos da ciência, popularizando assim as obras deste novo estilo literário. No caso de Verne, as principais influências vieram da dramaticidade de Victor Hugo e das fantasias de Edgar Allan Poe, este último reconhecido como a maior fonte de inspiração.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
memoria.ebc.com.br
culturagenial.com
youtube.com
revisas.ufpr.com
uol.com.br
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Mário de Andrade
Pioneiro, Mário de Andrade foi autor do livro de poemas Pauliceia Desvairada, inaugural da primeira fase do Modernismo.
Além de escrever ficção, o intelectual também foi crítico de arte em jornais e revistas. Polivalente, amante da música, Mário chegou igualmente a dar aulas particulares de piano.
Em termos literários, a sua maior criação foi provavelmente o romance Macunaíma (1928), que chegou a ser mais tarde adaptado para o cinema. Já nessa produção, vemos uma característica fundamental do autor: Mário procurava uma linguagem nacional, queria conhecer a fundo a cultura de cada região do país e valorizar a nossa terra.
“Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.
Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante.
Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé.
Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
— Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!”
(trecho sobre a questão racial no Brasil)
Mário de Andrade (1893-1945) foi um escritor brasileiro. Publicou "Pauliceia Desvairada" o primeiro livro de poemas da Primeira Fase do Modernismo. Além de poeta, foi romancista, contista, crítico literário, professor e pesquisador de manifestações musicais e excelente folclorista.
Mário se interessava por tudo aquilo que dissesse respeito ao seu país, e teve papel importante na implantação do Modernismo no Brasil se tornado a figura mais importante da Geração de 22. Seu romance "Macunaíma" foi sua maior criação.
Mário Raul de Morais Andrade nasceu na Rua da Aurora, em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1893. Filho do Dr. Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa, concluiu o ginásio e entrou para a Escola de Comércio Alves Penteado.
Depois de se desentender com o professor de português, abandonou o curso. Em 1911 ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e passava nove horas do dia estudando. O resto do tempo, lia tudo o que lhe interessava.
Em 1917, ano da morte de seu pai, concluiu o curso de piano no Conservatório. Passou a dar aulas particulares de piano. Frequentador das rodas literárias, conheceu Oswald de Andrade e Anita Malfatti, de quem se tornou amigo inseparável. Mais tarde, romperia sua longa amizade com Oswald, quando este insistiu em piadas sobre sua sexualidade.
Foi um dos mais importantes poetas do movimento. Foi um incentivador das principais revista do modernismo na fase polêmica de afirmação do movimento, como Klaxon, Estética, Terra Roxa e outras.
Meses após a semana de 1922 (13/02 a 17/02), Mário de Andrade publicou Pauliceia Desvairada, na qual reuniu seus primeiros poemas modernistas, na tentativa de definir e animar os novos caminhos para a criação artística brasileira.
No prefácio de Pauliceia Desvairada ele diz:
“Quando sinto a impulsão lírica, escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo.”
Pauliceia Desvairada é uma obra cosmopolita na linguagem e nos temas. Mário poetiza São Paulo em suas múltiplas manifestações: o progresso, a transformação da paisagem, o já visível domínio econômico dos imigrantes sobre as tradicionais famílias da burguesia da cidade, sempre envolta em garoa.
Na rua Aurora eu nasci
Na rua Aurora eu nasci
na aurora de minha vida
E numa aurora cresci.
no largo do Paiçandu
Sonhei, foi luta renhida,
Fiquei pobre e me vi nu.
nesta rua Lopes Chaves
Envelheço, e envergonhado
nem sei quem foi Lopes Chaves.
Mamãe! me dá essa lua,
Ser esquecido e ignorado
Como esses nomes da rua.
No período que se estendeu de 1935 a 1938, Mário realizou uma importante ação cultural. Convidado por Paulo Duarte, organizou e dirigiu o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, construiu bibliotecas, fixas e ambulantes, redigiu o anteprojeto para a criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional etc.
Com o advento da ditadura no governo de Getúlio Vargas, Mário de Andrade foi demitido e exilou-se no Rio de Janeiro. Tornou-se professor de Filosofia e História da Arte da Universidade Federal. Em 1939 foi nomeado chefe da seção do Instituto Nacional do Livro.
Em 1940 voltou para São Paulo e trabalhou no serviço do Patrimônio Histórico. Viveu com grande angústia os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.
Mário de Andrade faleceu em São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 1945, vítima de um ataque cardíaco. A Biblioteca Mário de Andrade, fundada em 1925, é hoje a Biblioteca Municipal de São Paulo. A casa onde viveu o escritor entre os anos de 1921 e 1945, foi tombada em 1975, e hoje abriga um museu em homenagem ao escritor.
Casa onde residiu Mário de Andrade - Rua Lopes Chaves
Barra Funda
Fontes:
wikipedia.org
google.com
culturagenial.com
ebiografia.com
saopaulo.com.br
¨Hoje mesmo - respondeu Phileas Fogg. - Muito bem - acrescentou, consultando o seu calendário de bolso - , como hoje é 2 de outubro, devo estar de volta em 21 de dezembro.¨
Assim começa a aposta de ¨Volta ao mundo em 80 dias¨ Escrito pelo francês Jules Verne e publicado em volume em 1873, o romance combina aventura, humor, geografia e avanços tecnológicos do século XIX. Mais do que narrar uma corrida contra o relógio, a obra mostra como a viagem transforma um homem inicialmente frio e preso à rotina.
Após a aposta de 20.000 libras, Fogg vai para casa na Saville Row, 7 - Burlington Gardens.
Lá encontra seu recém contratado empregado, Passepartout e comunica a viagem intempestiva.
Pegam um trem para o sul da Europa e, de lá, um vapor para Suez, na África.
No filme dirigido por Michael Anderson e John Farrow de 1956, estrelado por David Niven, Cantinflas e Shirley McLain, eles fazem o percurso de balão até a França e por engano vão parar na Espanha.
No seu encalço, entretanto, segue um detective inglês, convicto de que havia sido Fogg quem roubara o banco londrino. O detective Fix segue-os até Suez, possessão inglesa, à espera de um mandado de prisão para Phileas Fogg, a fim de garantir uma recompensa oferecida pela polícia inglesa. O mandado não chega e Fix é obrigado a segui-los até que consiga a ordem de prisão. Fogg e Passepartout pegam outro navio em Suez com destino a Bombaim, cidade na costa oeste da Índia. Fix continua a segui-los de perto, crente de que fora Fogg quem roubara aquele banco.
Já em Bombaim, os dois pegam um trem para Calcutá, na costa leste indiana. Surge um imprevisto, porém: a ferrovia estava inacabada. Tiveram, então, que descer na metade do caminho e improvisar um segundo meio de transporte até chegar ao outro ponto da rede, onde haveria outro trem. Fogg, um homem mais que remediado, compra para si um elefante, e seguem viagem. Um guia é contratado para levá-los selva adentro até alcançarem a outra parte da ferrovia. No caminho, presenciam um estranho ritual nativo que lhes dá calafrios: uma bela mulher era carregada para ser queimada viva junto ao corpo do marido, já morto. Tinham o costume de que, se o marido morresse, a mulher deveria morrer junto. Fogg, incrédulo, não podia acreditar em tal façanha. Como estava algumas horas adiantado no seu intento, decide dar meia volta e resgatar a moça. Passepartout finge que é o cadáver e entra no caixão. Na hora do ritual, levanta de seu leito fúnebre e carrega a donzela nos braços, provocando arrepios nos que assistiam à cerimônia. Assim, eles resgatam a moça, Aouda, e conseguem fugir.
Chegam por fim a Calcutá, junto com Aouda, que tem os mesmos hábitos ingleses que Fogg e lhes jura a mais eterna gratidão. De lá partem para Hong Kong em um navio, ainda seguidos por Fix, ansioso por pegá-los. Em Hong Kong, Fix leva Passepartout a um bar da cidade e decide contar a razão de os estar seguindo. Conta também que está tramando atrasar a viagem deles para que o mandado de prisão finalmente chegue e ele consiga prender Fogg. Passepartout, fiel ao seu patrão, não acredita em uma só palavra do detective e Fix deixa o pobre francês embriagado. Fogg acaba por perder o navio que os levaria a Yokohama, no Japão. Passepartout, desorientado, embarca para Yokohama, mas deixando seu amo para trás. O cavalheiro não se faz de vencido e aluga um barco para levar a senhorita Aouda, Fix (o qual pensa ser um amigo) e ele para o porto de Xangai, na China. Lá, conseguem pegar um outro navio para Yokohama.
Passepartout, faminto e derrotado, passa a trabalhar em um circo de Yokohama, que depois iria para os EUA. Seu objetivo era terminar a viagem para seu amo. Por acaso, Fogg assiste ao espetáculo de que Passepartout participava. Felizes por se reencontrarem, continuam a viagem. Pegam outro navio e seguem para São Francisco, Estados Unidos.
Em território estadunidense, já não há como o detetive prender Fogg, uma vez que se encontram fora de área sob jurisdição inglesa, e portanto Passepartout permite que este continue a viagem com os três, sem contar nada a seu amo. Em São Francisco os quatro pegam um trem para Nova Iorque, na recém-inaugurada ferrovia que corta os EUA de oeste a leste. No meio do caminho um bando de índios Sioux ataca o trem e leva Passepartout como refém. Seu dedicado amo não pensa duas vezes ao ir resgatá-lo e prosseguir viagem. Chegam atrasados a Nova Iorque, tendo perdido o navio que partira de lá para Liverpool, mas Fogg consegue alugar outro navio que os levaria até a costa inglesa. Quando chegam ao Reino Unido, ainda em tempo de Fogg ganhar a aposta, Fix consegue prendê-lo.
Detetive Fix
Descobre-se, entretanto, que o verdadeiro ladrão já havia sido preso há três dias, e após algumas horas Fogg é solto. Partem em correria os três, Fogg, Passepartout e Aouda, para Londres, mas chegam cinco minutos atrasados e nem passam pela frente do clube. Fogg, no outro dia, profundamente abatido, vai conversar com Aouda, e ela acaba pedindo-o em casamento. Passepartout vai correndo para a igreja marcar a cerimônia para o dia seguinte. Ao chegar lá, percebe que, ao contornar o mundo indo sempre para leste, Fogg ganhara um dia de vantagem, o que não havia notado. Ainda havia tempo para ganhar a aposta! Seus colegas o esperavam no salão no Clube reformador no horário combinado, quando Phileas Fogg chega, e ganha a aposta.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
escritoradesucesso.com.br
verne.garmtdevries.nl/en/london/
Verne, Julio - Volta ao mundo em 80 dias - trad. Therezinha Monteiro Deutch - Nova Cultural - SP
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
A Semana de Arte Moderna.
Na série da TV Globo se 2004, "Um só Coração" a cena de criação da Semana de Arte Moderna.
Um só coração - Minissérie de 2004
A Semana de Arte Moderna foi idealizada por jovens intelectuais brasileiros de famílias abastadas que queriam mostrar a arte dos novos tempos, o impressionismo, as formas cubistas, o verso livre, sem rimas, sem métrica, dizendo de forma graciosa aquilo que era a expressão legítima da cultura brasileira.
Tarsila do Amaral, Anita Mafaltti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia
Entre os dias 11 e 18 de fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo permaneceu aberto para visitação. Em seu saguão, instalou-se uma exposição de pintura e escultura. Obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, entre outros, escandalizaram o gosto público brasileiro, nada acostumado às novas formas de representação propostas pelo modernismo.
Vaias, burburinhos e agitação geral só aumentaram ao longo da Semana. Além da exposição, o evento contou com três festivais, que envolviam apresentações de música, dança, declamações de poesia e conferências, a acontecer nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro.
Teatro Municipal de São Paulo
Ainda no dia 13, o já citado poeta Ronald de Carvalho esteve à frente de sua própria conferência, de nome “A pintura e a escultura moderna no Brasil”, seguida de três solos de piano de Ernani Braga e três danças africanas de Villa-Lobos – compositor, aliás, tachado na ocasião de “talento ainda não cultivado o bastante”, por sua música “Privada de bom senso” e “Puramente africana”.
Acima de tudo, o propósito dos artistas envolvidos foi romper com o conservadorismo e o provincialismo brasileiro, especialmente no Estado de São Paulo, que na época ainda era um Estado rural, cuja base era o cultivo de café.
Anita Mafaltti
Polêmica, confusa, barulhenta, tida como “demasiado festiva” e “pouco moderna”, não se pode negar que a Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco, um divisor de águas no panorama artístico brasileiro. Ela escancarou as portas para uma grande liberdade no que diz respeito à produção e pesquisa estética no país, contribuindo para um florescimento intelectual e artístico. Na visão de Di Cavalcanti, o acontecimento da Semana extrapolou o campo cultural e repercutiu também na área política.
Yolanda Penteado (socialite paulista)
De fato, à época, a Semana de Arte Moderna não teve tanta importância. Mas, nos anos seguintes, o evento passou a ser considerado o marco que inaugurou o Modernismo no país e provocou os efeitos sentidos em todos os aspectos da cultura brasileira.
A estudante de Anita Malfatti
A Semana fez o papel de divulgação da arte moderna, que, por sua vez, cultivou o terreno para a consolidação de uma revolução artística e literária que tomou forma após 1922, quando foram lançados os manifestos de Oswald de Andrade e as obras fundamentais do Primeiro Modernismo brasileiro, tais como Macunaíma (Mario de Andrade), Memórias Sentimentais de João Miramar (Oswald de Andrade) e Ritmo Dissoluto (Manuel Bandeira).
Artistas da Semana de 22
Sentado em primeiro plano (Oswald de Andrade) Em pé na terceira fileira de óculos Mário de Andrade
Di Cavalcante - Cinco Moças de Guaratinguetá
A semana se resumiu, de fato a três dias (13,15 e 17 de fevereiro de 1922)
Fontes:
bbc.com
brasilescola.uol.com.br
google.com
youtube.com
fashionbubbles.com
editoragrafset.com
fashionistasdeplantao.com
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
No dia 1º. de setembro de 1886 nascia, em Capivari (SP), Tarsila do Amaral, pintora e desenhista, uma das figuras centrais do começo do movimento modernista brasileiro.
Abaporu
Seu quadro Abaporu, de 1928, deu início ao movimento antropofágico nas artes plásticas.
A tela foi pintada em óleo sobre tela, em janeiro de 1928, como presente de aniversário ao escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. O nome da obra foi conferido por ele e pelo poeta Raul Bopp, que indagou a Oswald ao ver o quadro: "Vamos fazer um movimento em torno desse quadro?" Os dois escritores escolheram um nome para a obra, que veio a ser Abaporu, que vem dos termos em tupi aba (homem), pora (gente) e ú (comer), significando "homem que come gente". E também é uma referência para a criação da Antropofagia modernista brasileira, ou Movimento Antropofágico, que se propunha a deglutir a cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil.
A obra se encontra hoje no Museu de Arte Latino-americana em Buenos Aires, Argentina, e tem seu valor estimado em US 40 milhões de dólares.
Nascida em uma família rica de fazendeiros, ela estudou em um colégio de freiras em São Paulo e depois completou seus estudos em Barcelona.
Tarsila do Amaral
Tarsila se casou em 1906 com um médico, mas o marido queria que ela ficasse apenas em casa, como era o pensamento da época. Tarsila não aceitou isso e se separou um ano depois. Da relação, ela teve uma filha, Dulce, com quem se mudou para a fazenda dos pais assim que se separou.
Distância - 1928
A partir de 1917, Tarsila começou a aprender pintura e, em 1920, viajou para Paris, onde foi estudar arte. Tarsila aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922, quando foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, com quem formaria o Grupo dos Cinco.
Tarsilia e Oswald de Andrade
Em 1923, Tarsila iniciou seu relacionamento com Oswald de Andrade, e o casal viajou por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas. Em 1924, Tarsila iniciou sua fase artística "Pau Brasil". Em 1929, Tarsila expôs suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro.
Neste mesmo ano, porém, sua família perdeu a fortuna com a Crise de 1929, e Oswald de Andrade se separou dela, pois se apaixonou pela revolucionária Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Para superar o momento difícil, ela decidiu colocar todas as suas forças no trabalho. Em 1933, a partir do quadro "Operários", a artista inicia uma fase de temática mais social.
Os operários
O quadro "Operários" se encontra exposto no Palácio Boa Vista em Campos do Jordão, São Paulo.
Em meados dos anos 30, o escritor Luiz Martins, 20 anos mais jovem que Tarsila, torna-se seu companheiro, com quem viveu até os anos 50. Em 1965, já separada de Luís e vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurgia de coluna e, por conta de um erro médico, ficou paralítica.
Tarsilia e sua filha Dulce
No ano seguinte, em 1966, Tarsila perdeu sua única filha, Dulce, vítima de um ataque de diabetes. Nesses tempos difíceis, Tarsila se aproxima do espiritismo e doa parte da venda dos seus quadros à instituição de Chico Xavier, de quem se torna amiga. Em 17 de janeiro de 1973, Tarsila morreu vítima de depressão em São Paulo. Após sua morte, foi homenageada pela União Astronômica Internacional, em 20 de novembro de 2008, que deu o nome "Amaral" a uma cratera do planeta Mercúrio.
Fontes:
seuhistory.com
google.com
wikipedia.org
artofit.org
enciclopedia.itaucultural.org.br
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro morria no dia 22 de outubro de 1954. Neste dia, falecia em São Paulo o escritor Oswald de Andrade, um dos promotores da semana de Arte Moderna de 1922, na capital paulista.
Ele foi autor do Manisfesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropófago, um dos marcos do modernismo. Também publicou o primeiro livro de poemas do modernismo brasileiro, chamado Pau-Brasil. Na sua busca por uma identidade da arte brasileira, Oswald de Andrade se interessava pelas formas de expressão ingênuas e primitivas.
Para ele, toda a multiplicidade cultural do Brasil representava uma vantagem para a renovação artística do país, até então influenciada por modelos tradicionais de arte europeia. Oswald de Andrade também propôs uma língua nacional diferente do português. A ideia era um idioma brasileiro, formado por um vocabulário popular, explorando alguns desvios da fala, imitando o "erro criativo". Contudo, uma das suas ideias mais conhecidas é a da antropofagia, que explora o papel simbólico do canibalismo nas sociedades tribais/tradicionais, já que o canibal não come o ser humano pela alimentação, mas para adquirir as qualidades do inimigo ou de alguém.
Oswald com a esposa Maria Antonieta e os filhos Marília e Paulo Marcos
Com isso, Oswald pretendia expressar que a cultura brasileira é mais forte; foi colonizada pelo europeu, mas digere o europeu e assim torna-se superior a ele. Com suas ideias, Oswald foi um vanguardista, e teria sido o primeiro brasileiro, cronologicamente, a influenciar o movimento literário brasileiro de maior repercussão internacional, o concretismo. Mais tarde, influenciou outros movimentos como o tropicalismo (música) e grupos como Teatro Oficina e Cia. Antropofágica.
Oswald e Patricia Galvão (Pagú)
Oswald teve quatro filhos. Nonê (com a francesa Kamiá), Rudá (com Pagu) e Marília e Paulo Marcos (com Maria Antonieta). Única viva, Marília, 65, é apontada pela curadoria da Flip como fundamental na concepção e organização da homenagem que a festa literária fará ao modernista.