A LENDA DE Z
No dia 20 de abril de 1925, o explorador britânico Percy Fawcett, seu filho Jack e o amigo Raleigh Rimmell deixaram Cuiabá, no Mato Grosso, rumo ao Alto Xingu. Objetivo: descobrir a “perdida de Z”, uma suposta civilização avançada que teria existido no meio da Amazônia. A pequena expedição desapareceu e ninguém sabe exatamente qual foi o destino dos seus integrantes.
Em 1912, um famoso explorador britânico criou uma espécie de teoria que apontava uma cidade perdida, chamada de ‘Z’. O coronel Percy Harrison Fawcett, alimentou a sua teoria após as descobertas na região do Machu Picchu. A teoria de Fawcett aponta uma cidade pré-colombiana na região do Mato Grosso, no Brasil.
Rapidamente, ele a batizou como “A cidade perdida de Z”, que para Fawcett significava o berço de toda a civilização e até mesmo a origem da famosa civilização perdida de Atlântida, o suprassumo dos exploradores. O povo de ‘Z’ seria formado, talvez, por cartagineses, fenícios ou povos gregos, que teriam navegado até a América do Sul e se infiltrado pelo interior do continente, fundando a cidade em alguma parte perdida da Amazônia.
A teoria
A lenda ao redor dessa história, fala sobre um naufrágio que aconteceu no século XVI, onde um português chamado Diego Álvares é o único sobrevivente, sendo salvo por indígenas tupis. O português acaba sendo inserido na cultura dos nativos, depois de meses, conseguindo se comunicar e aprendendo o seu idioma.
Diego acaba vivendo junto a eles e se casa com uma jovem indígena chamada Paraguaçu, e com ela tem vários filhos. Um deles, era chamado de Muribeca. Já adulto, Muribeca encontra uma rica mina de prata e ouro. Sendo um dos poucos que sabia sua localização, fez riqueza e fama vendendo pepitas no porto da Bahia.
Muribeca teve um filho chamado, Robério Dias, que se tornara um homem ambicioso e amargurado por não ser considerado “branco” por ser parte índio. E, por causa disso, quando em Portugal, foi questionado pelo rei sobre a localização das minas de seu pai, a qual ele aceitou revelar, desde que recebesse o título de Marquês. O rei concordou.
Ao chegar na Bahia com os exploradores do rei, pediu para ver o documento de nomeação antes de começar a viagem. E ao ler, percebe que não é o título de marquês, e sim um título sem muita importância. Robério então se recusa a revelar a localização das minas e é preso por muitos anos, até que morre, levando ao túmulo a informação.
Cerca de 200 anos depois, desde o surgimento dessa possível história, o naturalista Manuel Ferreira Lagos, encontrou em um canto da Livraria Pública da Corte, um manuscrito datado com aproximadamente cem anos, conhecido como o ‘Manuscrito 512’. Era uma carta de um bandeirante que estava há anos em busca das minas de Muribeca.
Será que as sociedades complexas da Amazônia pré-Cabral inspiraram a lenda de Z? Pode ser. Já a ideia de Eldorado – uma cidade abarrotada de ouro e prata escondida no meio da floresta – nada tem a com Fawcett nem com o Brasil. Ela provavelmente nasceu na América Central, a milhares de quilômetros do Xingu, por obra da imaginação de conquistadores espanhóis embasbacados com o que encontraram nas cidades erguidas por maias e astecas nas florestas tropicais daquela região.
Quando os primeiros exploradores espanhóis chegaram à Amazônia, vindos dos Andes, em 1542, um frade dominicano, chamado Gaspar de Carvajal, descreveu-a como um lugar densamente povoado.
“Quando nos viram, saíram para nos encontrar no meio do rio mais de 200 pirogas [canoas], cada uma com 20, 30 ou 40 índios”, descreveu o frade. “Em terra firme, era maravilhoso ver os esquadrões que existiam nas vilas, todos tocando instrumentos e dançando.”
A partir do século 17, esse tipo de descrições tornou-se raro. Por isso, muitas pessoas acreditavam que Carvajal e outros exploradores exageravam bastante nos relatos. Com a arqueologia científica, no século 19, ganhou força a teoria de que o calor excessivo, as chuvas constantes e o solo pobre em nutrientes inviabilizariam o surgimento de grandes civilizações. Isso porque não tinha como produzir alimentos em grande escala.
No entanto, a partir da década de 1980, essa hipótese começou a ser questionada. As descobertas começaram na foz do Amazonas, onde trabalhava a arqueóloga americana Anna Roosevelt, da Universidade de Illinois.
Fawcett encontrou um documento conhecido como Manuscrito 512, mantido na Biblioteca Nacional do Brasil, que teria sido escrito pelo bandeirante português João da Silva Guimarães. João escreveu que em 1753 ele havia descoberto as ruínas de uma cidade antiga que continha arcos, uma estátua e um templo com hieróglifos. Ele descreveu as ruínas da cidade com muitos detalhes, mas sem informar sua localização.
O Manuscrito 512 foi escrito depois de explorações feitas no sertão da então província da Bahia, Fawcett pretendia empreender uma busca pela cidade como um objetivo secundário depois de "Z". Ele estava preparando uma expedição para encontrar "Z" quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial e o governo Britânico suspendeu seu patrocínio. Em 1920, Fawcett realizou uma expedição pessoal para encontrar a cidade, mas desistiu depois de ter uma febre e ter de matar sua besta de carga. Em uma segunda expedição cinco anos depois, Fawcett, seu filho Jack e um amigo deste último, Raleigh Rimell, desapareceram na selva do Mato Grosso.
O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925. Havia percorrido cerca de 500 km quando escreveu mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado.
Deste ponto em diante ele dispensou os peões que auxiliavam aos quais foram recomendados os seus manuscritos.
Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais.
Porém não se sabe o que aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.
O Enigma
Um enigma que atravessa gerações, e quanto mais se tenta desvendar esse mistério mais surgem indagações à respeito de que fim levou o Coronel Fawcett e sua expedição.
Que esteve pelo Roncador em suas andanças e descobriu alguma coisa aqui. A prova disto é que seu sobrinho-neto Timothy Fawcett veio aqui 2 vezes ao ano por 19 anos, rastreando os caminhos do tio-avô, através dos relatos das cartas que mandava para sua esposa Nina.
Timothy dizia que os relatos oficiais de Fawcett eram diferentes para despistar e que a família conhece a verdade. Ao final de sua pesquisa, Timothy afirmava que o último vestígio do tio-avô seria na Gruta Seca.
Às vezes descrito como a figura da vida real que teria inspirado a criação do arqueólogo aventureiro Indiana Jones, Fawcett nasceu em Torquay, no sudoeste da Inglaterra, filho de um aristocrata alcoólatra e mulherengo que tinha empobrecido.
Apesar do sucesso dessas expedições, os métodos de Fawcett muitas vezes eram pouco ortodoxos e rudimentares, mesmo naquela época. O lado positivo disso é que o oficial britânico, ao contrário de muitos outros estrangeiros que se aventuravam na Amazônia nessa época, buscava respeitar os povos indígenas que encontrava e evitava qualquer tipo de violência no trato com eles. Era uma abordagem parecida com a de seu contemporâneo Cândido Rondon (1865-1958), militar brasileiro que fundou o SPI (Serviço de Proteção ao Índio, órgão ancestral da Funai).
Por outro lado, no entanto, Fawcett tinha uma confiança quase irracional na sua capacidade de realizar as coisas “no braço”. Preferia viajar com poucas pessoas e carregar uma quantidade limitada de suprimentos, defendendo que era melhor tentar sobreviver a partir dos recursos da própria mata. Como era muito resistente ao cansaço e às doenças tropicais, menosprezava os companheiros que adoeciam ou não acompanhavam seu ritmo.
Além disso, Fawcett tinha adotado ideias um bocado exóticas sobre o passado amazônico e o da América do Sul como um todo. De posse de uma estatueta supostamente obtida no interior do Brasil, ele foi consultar um vidente. Essa pessoa, cujo nome não é revelado nos escritos de Fawcett, declarou que o artefato provinha de um grande templo que ficava no lado oeste de um continente perdido, equivalente à Atlântida.
O relato sobre a estatueta aparece em “A Expedição Fawcett”, livro organizado pelo filho sobrevivente do viajante, Brian Fawcett, nos anos 1950, e publicado no Brasil em 2023. A obra reúne anotações do explorador sobre várias de suas viagens e aborda ainda a ideia de que descendentes da civilização perdida, que seriam indígenas de aparência europeia, ainda poderiam existir na selva.
“Em muitas ocasiões os primeiros exploradores do interior relataram vislumbres de nativos vestidos, com aparência europeia. Esses relatos, até agora, não foram confirmados, mas não é possível deixá-los de lado de forma leviana”, escreveu Fawcett. “O destino de nossa próxima expedição (vou designá-lo como ‘Z’, para facilitar) é uma cidade que possivelmente seria habitada por alguns membros desse povo tímido, e, quando voltarmos [à Amazônia], pode ser que essa questão finalmente seja resolvida.”
Foi com esse objetivo que o militar, seu filho Jack e o amigo de infância dele, Raleigh Rimmel, voltaram ao Brasil em 1924. Depois de passarem algum tempo no Rio de Janeiro, então a capital do país, eles partiram para Cuiabá, onde a expedição começou oficialmente, em 20 de abril de 1925, com o fim da temporada das chuvas em Mato Grosso.
Avançando rumo ao Alto Xingu, o trio de exploradores mandou sua última mensagem para as famílias em 29 de maio. Nesse momento, Rimmel já não estava bem de saúde por causa de picadas de insetos amazônicos. Não se sabe o que aconteceu com eles –histórias sobre um suposto esqueleto de Fawcett não parecem ser verdadeiras. Eles podem ter morrido por causas naturais ou atacados por indígenas isolados.
A incrível história do explorador inglês foi levada ao cinema: ¨Z - A cidade Perdida¨
The lost of city Z - 2017
Fontes:
fatosdesconhecidos.com.br
wikipedia.org
google.com
clicknovaolimpia.com.br
serradoroncador.com.br
portalamazonia.com
gazetadigital.com.br
youtube.com