quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Vamos falar hoje de Nicolau Copérnico.




Nicolau Copérnico

Nicolau Copérnico, um dos pais da astronomia moderna, nasceu em Tourum, na Polônia, em 19 de fevereiro de 1473. Seu nome de batismo era MIkolaj Kopernik.

Copérnico era monge, matemático e astrônomo. É autor da Teoria Heliocêntrica, segundo a qual o Sol é o centro do sistema solar.

Até então, a Igreja Católica – que controlava o poder religioso, político e econômico na Idade Média – adotava a Teoria Geocêntrica, em que a Terra era o centro do universo.

Essa teoria tinha como base os estudos de Aristóteles e foi elaborada por Cláudio Ptolomeu, um astrônomo e geógrafo do século II. Por isso, também era chamada de Teoria Ptolomaica.



Quando Copérnico tinha 10 anos de idade, seu pai morreu e a família ficou sob os cuidados de seu tio materno, Lucas Watzenrode, que mais tarde se tornou bispo de Warmia, cidade no norte da Polônia. O fato ocorreu em 1489 e permitiu que Copérnico recebesse uma boa educação.

Como o Museu indica, o jovem estudou na Academia de Cracóvia, na Polônia, onde adquiriu um amplo conhecimento das ciências humanas e uma grande paixão pelo estudo da astronomia. Ele também foi educado na Itália, onde estudou direito e medicina e obteve um doutorado em direito canônico em 1503.

No mesmo ano, deixou a Itália e voltou para Warmia. Seu tio conseguiu um emprego para Copérnico como professor em Wroclaw (cidade no sudoeste da Polônia), embora, na realidade, ele tenha se dedicado principalmente a trabalhos administrativos e médicos.




Na época de Copérnico, a maioria das pessoas acreditava na teoria do astrônomo grego Cláudio Ptolomeu, que mais de mil anos antes havia dito que a Terra era o centro do Universo e que o planeta permanecia imóvel, como explica a Nasa.

De acordo com a agência norte-americana, Copérnico achava que a teoria de Ptolomeu estava incorreta. Assim, em algum momento entre 1507 e 1515, ele divulgou pela primeira vez os princípios de sua teoria heliocêntrica.

O astrônomo propôs que a Terra e os demais planetas giravam em torno do Sol e que, além de orbitar anualmente em torno do Sol, a Terra girava uma vez por dia em seu próprio eixo. Ele também argumentou que mudanças lentas de longo prazo na direção do eixo da Terra explicavam a precessão dos equinócios, informa a Britannica.

De acordo com a enciclopédia, "a teoria de Copérnico teve consequências importantes para pensadores posteriores da Revolução Científica, incluindo figuras relevantes como Galileu Galilei, Johannes Kepler, René Descartes e Isaac Newton".

Além disso, a Nasa ressalta que as observações de Copérnico sobre os céus foram feitas a olho nu, pois o telescópio não existia até então.

O astrônomo expressou a teoria heliocêntrica em sua principal obra – “Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes” – escrita em latim, e cujo manuscrito foi concluído em 1530, embora não tenha decidido publicá-la por muito tempo.

Copérnico só publicou seus estudos ao chegar a Frombork (uma outra cidade polonesa, que fica no norte do país) e por insistência de seu discípulo, o astrônomo e matemático George Joachim von Lauchen (cujo nome real era Georg Joachim Rheticus), Foi ele que persuadiu Copérnico a publicar o trabalho em papel, segundo as observações do museu.



Desconhecem-se as razões pelas quais Copérnico não publicou sua obra em vida. Muitas suspeitas apontam para que em 1536, já próximo de sua teoria definitiva, sabia-se em toda a Europa de seus estudos e foi citado pelo arcebispo de Cápua, Nicolau von Schönberg, para que comparecesse e explicasse suas teorias. Nesta citação, parece evidenciar-se a supervisão eclesiástica à qual Copérnico cederia.

Outros estudiosos preferem pensar que Copérnico tinha medo da crítica, o que reforça a sua fé no modelo científico mais do que no religioso.
Publicação de sua obra

O livro que continha sua obra astronômica se denominou De revolutionis Orbium celestium (Das revoluções das esferas celestes) e foi publicado pelo teólogo e editor literário alemão Andreas Osiander, em 1543.

Nela, Copérnico estudou numerosos filósofos gregos, especialmente os pitagóricos, e curiosamente nunca nomeou Aristarco de Samos, primeiro estudioso da história a considerar o modelo heliocêntrico.


Ruptura com as ideias medievais




A grande ruptura que supôs a obra de Copérnico é de índole cosmológica e sobretudo religiosa, já que as ideias sustentadas durante toda a Idade Média pelo dogma da Igreja Católica, e que se sustentava nos textos do filósofo grego Aristóteles, velava por um universo fechado e hierarquizado, do qual a Terra era o centro, dada a sua importância na criação divina.

O modelo copernicano, ao contrário, propôs um universo vasto e indeterminado, praticamente infinito, cujo centro se localizava próximo do Sol.

Nicolau Copérnico morreu em 24 de maio de 1543, na Polônia, deixando um legado muito importante para a ciência e para a evolução humana.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
humanidades.com.br
nationalgeographicbrasil.com
todamateria.com.br

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A morte do caixeiro viajante - Arthur Miller





Arthur Miller nasceu no Harlem, Nova York, em 17 de outubro de 1915 em uma família de imigrantes de ascendência polonesa e judaica. Seu pai, Isidore, era dono de uma bem-sucedida empresa de fabricação de casacos e sua mãe, Augusta, de quem era mais próximo, era uma professora e uma ávida leitora de romances. Era uma família rica até que perderam tudo no Crash de Wall Street de 1929. Depois que se formou no ensino médio, Miller trabalhou em alguns empregos temporários para economizar dinheiro suficiente para estudar na Universidade de Michigan.
Arthur Miller


Quando foi para a Universidade, ele venceu alguns concursos de dramaturgia. Sua carreira teve um início complicado. Sua estreia na Broadway foi em 1944 com a peça The Man Who had all the luck. Traduzindo: O homem que teve toda a sorte. O título não foi compatível com o destino da obra, que, apesar de ter ganho um prêmio, foi um fracasso de bilheteria. “Focus” foi o seu romance que rendeu algumas dores de cabeça, pois tratava-se de um tema recorrente nos EUA, o antissemitismo. Sua próxima peça foi All My Sons (traduzindo: “todos os meus filhos”), que foi um sucesso que lhe valeu seu primeiro prêmio Tony de melhor autor em 1947.

Mas foi em 1949, trabalhando em seu estúdio em Connecticut, que Arthur Miller escreveu o primeiro ato de “A Morte do Caixeiro Viajante”. Quando a peça estreou, dirigida por Elia Kazan, em 10 de fevereiro de 1949, no Teatro Morosco, foi um verdadeiro, sucesso de público e de crítica, tornando-se uma obra icônica no palco.

Outros detalhes da vida pessoal de Arthur Miller aconteceram em 1956: ele se separou de sua primeira mulher, Mary Slattery, com quem teve dois filhos, e se casou com Marilyn Moore, que ele conheceu em Hollywood






Esse casamento colocou o dramaturgo no centro das atenções de Hollywood, pois ele havia se casado com nada mais nada menos que com a sex symbol de Hollywood. Ficaram casados por cinco anos, durante os quais o símbolo sexual lutou contra problemas pessoais e o seu vício em drogas. Nesse período pouco escreveu. No ano seguinte casou-se com a fotógrafa Inge Morath. O casal teve dois filhos, Rebeca e Danile. Nesse ano de 1962, morreu Marilyn Monroe, quando escreveu a peça “After Fall” (tradução livre: “Depois do outono”). Essa peça lhe rendeu muitas críticas pelo fato (segundo os seus críticos) de tentar capitalizar a morte de Monroe e sua autodestrutividade. o que foi negado pelo autor. Arthur Miller se defrontou com o Macartismo e teve que responder por suas atividades consideradas “antiamericanas”. Ele foi condenado a trinta dias de prisão, fato que rendeu muita publicidade na época.

Sobre a peça, a morte do caixeiro viajante: 


Willy Loman é um caixeiro viajante, morador do Brooklin, tem 63 anos de idade. É casado com Linda Loman, uma dona de casa e tem dois filhos adultos chamados Biff e Happy. Willy é um vendedor de profissão e, em sua juventude, comprou uma casa pequena casa em Boston com jardim, que desapareceu e foi substituído por enormes prédios de apartamentos que cercam o domicílio da família. Willy, ao longo da história, parece estar dolorosamente chateado por esse progresso desordenado, já que o menciona com frequência.

Enquanto isso, sua empresa, para a qual trabalhou por cerca de trinta e quatro anos, tirou o seu salário e ele tem que trabalhar por comissão como um novato. Ele carrega duas malas de mercadorias. Ele está exausto. Linda Loman, sua mulher, sai para vê-lo. Ela pergunta por que ele voltou mais cedo. Willy tenta evitar falar sobre o motivo de seu retorno antecipado. Quando Linda o pressiona, ele admite que perdeu a concentração enquanto dirigia e quase saiu da estrada. Ele alega que, ao abrir a janela do carro para receber a brisa e curtir a paisagem, deixou-se levar pelos sonhos.

Linda - (ouvindo os pequenos ruídos de Willy, chama com ligeira angustia0)

Willy !

WILLY: Está tudo bem, Eu voltei

LINDA: Por quê ? o que houve ? (ligeira pausa) Aconteceu alguma coisa, Willy ?

WILLY: Não, nada.

LINDA: Você bateu o carro ? 

WILLY  (um pouco irritado)
Eu já disse que não aconteceu nada. Você não ouviu, não ?

LINDA: Você está se sentindo bem ?

WILLY: Estou morto de cansaço (A flauta sumiu. Ele se senta na cama ao lado dela, meio entorpecido) Eu não consegui. Simplesmente eu não consegui, Linda.

“Willy: Eu estava pensando no Chevrolet... (Pequena pausa). Mil novecentos e vinte e oito... quando eu tinha aquele Chevrolezinho vermelho (Pára). Não é engraçado? Eu podia jurar que hoje eu estava guiando o Chevrolet (p. 20)

Linda traz à tona um tema recorrente entre eles que sempre terminou em discussões acirradas. Ela quer que Willy deixe de trabalhar na estrada e se fixe no trabalho em Nova York, mais perto de casa. Mas Willy responde que ele é um vendedor vital na área da Nova Inglaterra. Ele ressalta que, graças a ele, a empresa onde ele trabalha conseguiu mercados, muito embora ele reconheça que o dono da empresa está morto, e seu filho Howard Wagner não gosta da história de Willy sobre sua importância na empresa. No fundo ele acha que Willy é simplesmente irrelevante.





A peça se passa em uma pequena cidade americana durante a Grande Depressão. Willy Loman é um caixeiro viajante que está lutando para manter seu emprego e sua família unida. Ele é um homem de meia-idade que está preso em uma vida de ilusões.

Willy acredita que é um grande vendedor, mas na verdade ele é um fracasso. Ele também acredita que seus filhos, Biff e Happy, são destinados a grandes coisas, mas eles também são fracassados.

Willy está constantemente tentando viver de acordo com as expectativas dos outros, mas ele nunca consegue. Isso o leva a uma espiral de depressão e desespero. No final da peça, Willy comete suicídio na esperança de que sua morte possa ajudar seus filhos a terem uma vida melhor.





A Morte do Caixeiro Viajante é uma peça poderosa e comovente que explora os temas da ilusão, da desilusão e do fracasso. A peça é um clássico da literatura americana e é considerada uma das melhores peças teatrais do século XX.
Conclusão

A Morte do Caixeiro Viajante é uma peça essencial para qualquer pessoa que se interessa por literatura americana ou por teatro. A peça é uma exploração poderosa e comovente dos temas da ilusão, da desilusão e do fracasso. A peça é um clássico da literatura americana e é considerada uma das melhores peças teatrais do século XX.





Fontes:

livroresumido.com.br
bonslivrosparaler.com.br
ar.inspiredpencil.com

terça-feira, 25 de agosto de 2026

 O velho da horta - Gil Vicente


“O Velho da Horta” é uma obra do dramaturgo português Gil Vicente, escrita em 1512. Ela se enquadra no contexto da literatura do Renascimento e é considerada uma das farsas mais notáveis desse período.





¨O Velho da Horta” é uma farsa que retrata os infortúnios do amor do Velho por uma Moça mais jovem. A peça critica as ilusões românticas e as artimanhas que levam à ruína financeira e emocional do protagonista. Gil Vicente utiliza diálogos perspicazes entre o Velho e a Moça para contrastar visões opostas sobre o amor, revelando a ironia e a dureza da situação.

A abertura da peça retrata a tentativa de conquista, evidenciando o contraste entre o lirismo apaixonado do Velho e as respostas irônicas da Moça. Posteriormente, uma alcoviteira surge em cena oferecendo seus serviços para garantir ao Velho o amor da Moça. Sob promessas de sucesso iminente, ela extorque toda a fortuna do Velho. A situação se complica quando a Justiça entra em cena, prendendo a alcoviteira e despedaçando as esperanças do Velho. O desfecho chega com a notícia de que a Moça, objeto da paixão desenfreada do Velho, se casou, deixando-o completamente desiludido.

A peça começa com um velho muito rico andando por sua horta, quando uma moça muito bonita veio buscar hortaliças.

Os olhares do velho se encantaram com a formosura da moça e o velho se viu completamente apaixonado.

Velho: 

Pater noster criador, 
qui es in coelis poderoso
sanctifecutor, Senhor, 
nomem tuam vencedor,
nos céus e terra, piedoso.
Adveniat a tua graça,
regnum tuum sem mais guerra:
voluntas tua se faça
sicut in coelo et in terra



A abertura da peça retrata a tentativa de conquista, evidenciando o contraste entre o lirismo apaixonado do Velho e as respostas irônicas da Moça. Posteriormente, uma alcoviteira surge em cena oferecendo seus serviços para garantir ao Velho o amor da Moça. Sob promessas de sucesso iminente, ela extorque toda a fortuna do Velho. A situação se complica quando a Justiça entra em cena, prendendo a alcoviteira e despedaçando as esperanças do Velho. O desfecho chega com a notícia de que a Moça, objeto da paixão desenfreada do Velho, se casou, deixando-o completamente desiludido.



A linguagem do Velho lembra muito a da poesia palaciana, enquanto a linguagem da Moça é completamente contrária, repleta de zombarias. O Velho mostra um conceito de amor provindo do formulário lírico dos poetas quinhentistas, utilizando diversas antíteses para expressar seu conflito entre razão e sentimento. O texto é escrito em versos. As estrofes possuem cinco versos, os quatro primeiros são redondilhas maiores e o último possui três sílabas métricas.




Fontes:

noticias.concursos.com.br
proximolivro.net
infoescola.com
mundovestibular.com.br
Vicente, Gil - Obras primas do teatro vicentino - Difel - 1975

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Teatro do absurdo




O teatro do absurdo é um movimento artístico-cultural, espécie de gênero teatral, que surgiu no começo da década de 1950, na França. O nome, dado em 1961 pelo crítico teatral húngaro Martin Esslin, é uma referência aos temas absurdos (fora da realidade) tratados nas peças deste gênero.

Segundo a definição de Esslin : 


“O teatro do absurdo se esforça por expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da abordagem racional, através do abandono dos instrumentos racionais e do pensamento discursivo e o realiza através de 'uma poesia que emerge das imagens concretas e objetificadas do próprio palco”.



Características do Teatro do Absurdo






As principais características do teatro do absurdo são ligadas à exploração do inconsciente, da alienação, da desconexão, falta de propósito e significado e desafio à lógica convencional. A falta de cenário ou de linha de tempo narrativa também são marcas desse tipo de teatro, que muitas vezes carecem de progressão clara.






1. Desafio à Lógica Convencional






Uma das características mais marcantes do Teatro do Absurdo é o desafio constante à lógica convencional. As peças frequentemente apresentam narrativas fragmentadas, diálogos incoerentes e situações que desafiam qualquer tentativa de compreensão linear.






2. Personagens Alienados e Desconectados






Os personagens no Teatro do Absurdo frequentemente são retratados como seres alienados e desconectados, incapazes de se comunicar eficazmente uns com os outros. Suas ações muitas vezes parecem sem propósito ou significado.






3. Exploração do Inconsciente



O Teatro do Absurdo muitas vezes se aventura nas profundezas do inconsciente humano, revelando ansiedades, medos e desejos reprimidos por meio de metáforas e simbolismo.






4. Comicidade desconcertante






O humor é uma ferramenta comum no Teatro do Absurdo, mas é frequentemente usado de maneira sombria e irônica para destacar a futilidade, a irracionalidade e o absurdo da existência humana.






5. Falta de marcos de tempo e espaço






Muitas vezes não há cenário ou linha do tempo específicos em peças absurdas. O cenário pode estar em qualquer lugar, a qualquer hora ou em lugar nenhum, ilustrando a noção de que a condição humana é universal e atemporal.






Principais peças do Teatro do Absurdo






Com certeza, os dois títulos mais conhecidos de Teatro do Absurdo são Esperando Godot, de Samuel Beckett (considerado também o pai do Teatro do Absurdo), e A Cantora Careca, de Eugène Ionesco. Podemos citar como exemplos relevantes também O Jogo das Cadeiras, de Augusto Boal, e A Lição, de Ionesco.






Cada uma dessas peças, em seu estilo único, oferece uma visão profunda e muitas vezes perturbadora da condição humana, explorando o absurdo que pode ser encontrado nas situações mais mundanas. Elas nos convidam a questionar o significado da vida, a natureza da comunicação e a validade das normas sociais, desafiando-nos a reconsiderar o que consideramos "normal" no teatro e na vida.






"Esperando Godot" - Samuel Beckett:





Sandra Dani e Janaina Pellizzon na montagem de Esperando Godot de Luciano Alabarseoto d. Fe Anselmo Cunha.



Uma das peças mais icônicas do Teatro do Absurdo, "Esperando Godot" apresenta dois personagens que passam o tempo esperando por alguém chamado Godot, que nunca aparece. A peça explora temas de espera, futilidade e alienação. Essa espera aparentemente sem sentido é uma metáfora poderosa para a experiência humana, onde muitas vezes estamos à espera de algo que pode nunca se materializar — um sentimento muito presente no contexto de pós-guerra já apresentado.







A peça também é carregada de elementos religiosos, já que o nome "Godot" lembra a palavra "God" (Deus, em inglês), e a narrativa cíclica dos personagens sugere uma sensação de purgatório ou repetição eterna.



Samuel Beckett



"Esperando Godot" desafia a audiência a refletir sobre temas como a espera, a futilidade e a alienação, enquanto os personagens buscam significado em um mundo que parece destituído de propósito.






"A Cantora Careca" - Eugène Ionesco:






A peça se passa em um ambiente doméstico aparentemente comum, mas rapidamente se desintegra em um caos hilariante. Os diálogos dos personagens são incoerentes e frequentemente não levam a lugar nenhum, revelando a incapacidade da comunicação humana em transmitir significado.



Eugène Ionesco




A peça satiriza a superficialidade da sociedade, questionando a validade das convenções sociais e das normas de comportamento. Os personagens, enquanto lutam para se comunicar, expõem as contradições e os vazios da existência cotidiana, transformando situações triviais em um espetáculo de absurdos.






“O Jogo das Cadeiras" (1955) - Augusto Boal:







Augusto Boal, famoso por suas contribuições ao teatro político e à pedagogia teatral, também explorou o Teatro do Absurdo em "O Jogo das Cadeiras". Nesta peça, Boal utiliza o absurdo para criticar a burocracia e a alienação na sociedade.






A história gira em torno de personagens que participam de um jogo de cadeiras aparentemente trivial, mas à medida que a peça avança, a situação se torna cada vez mais absurda e opressiva.







A peça serve como uma crítica contundente às estruturas sociais que limitam a liberdade e a individualidade, revelando como a burocracia e as normas sociais podem ser alienantes.






"A Lição" (1950) - Eugène Ionesco:







"A Lição" é outra obra do renomado autor Eugène Ionesco e mergulha profundamente no mundo do absurdo. A peça narra a história de uma aula particular onde uma professora tenta ensinar a seu aluno, mas a comunicação entre eles rapidamente se deteriora, resultando em um desastre cômico.

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Susana Alexandre Ferreira, Maria Almeida Alves Costa





A peça aborda temas como autoridade, comunicação e a natureza arbitrária das normas sociais. Ela desafia a ideia de que a educação e a autoridade são intrinsecamente racionais, expondo como a linguagem pode ser ambígua e manipulada para servir a interesses ocultos.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
dgartes.gov.br
oficinadeteatro.com



domingo, 23 de agosto de 2026

Vamos falar hoje do grande dramaturgo Bertold Brecht






Bertolt Brecht (1898-1956) foi um dramaturgo, romancista e poeta alemão, criador do teatro épico anti-aristotélico. Sua obra fugia dos interesses da elite dominante, visava esclarecer as questões sociais da época.


Brecht foi um dos nomes mais influentes do teatro do século XX, não só pela criação de uma obra excepcional, mas também pelas inovações teóricas e práticas que introduziu.


Criador do teatro épico, ele rompeu com o drama tradicional ao propor um teatro que não apenas emocionasse, mas fizesse pensar — uma arte voltada para a transformação social e política.




Nascido em Augsburgo, na Alemanha, em 1898, Brecht cresceu em um ambiente de classe média e desde cedo se interessou por literatura e filosofia. Ainda jovem, estudou medicina e literatura em Munique, mas logo mergulhou no mundo do teatro e da poesia.







Nos anos 1920, Brecht começou a ganhar destaque com peças como “Baal” e “Na Selva das Cidades”, que já revelavam seu estilo provocador, com críticas ao individualismo burguês e à lógica do capitalismo.

A principal contribuição teórica de Brecht ao teatro é a criação do chamado teatro épico. Ao contrário do teatro aristotélico tradicional, que busca provocar a catarse (identificação emocional com os personagens), Brecht propõe o efeito de distanciamento (Verfremdungseffekt). O objetivo era impedir que o espectador se envolvesse 
emocionalmente demais, para que pudesse refletir criticamente sobre o que via em cena.

Em vez de ilusão, Brecht queria quebra da quarta parede, projeções, narrações, músicas, letreiros e atores que interpelassem diretamente o público. A ideia era clara: o teatro deve ser uma ferramenta de conscientização social.
Engajamento político e exílio

Brecht era um marxista declarado, crítico feroz do fascismo, do militarismo e das injustiças do sistema capitalista. Com a ascensão de Hitler ao poder em 1933, ele foi perseguido pelos nazistas e obrigado a se exilar. Passou por diversos países — incluindo Suíça, Dinamarca e EUA — até retornar à Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, se estabelecendo em Berlim Oriental, sob o regime socialista da RDA.

Durante o exílio, escreveu algumas de suas obras mais conhecidas, como:“Mãe Coragem e Seus Filhos”
“O Círculo de Giz Caucasiano”
“O Senhor Puntila e Seu Criado Matti”

Nessas obras, Brecht mistura humor, crítica social, poesia e denúncia política, sempre buscando fazer o público pensar sobre sua própria realidade.


Obra:

Brecht também escreveu poesia e ensaios teóricos de grande importância, como os textos reunidos em “Pequeno Organon para o Teatro”, onde defende a ideia de que o teatro deve servir à luta de classes e ser uma forma de educação crítica.

Além de dramaturgo, foi diretor e fundou a companhia Berliner Ensemble, junto de sua companheira Helene Weigel, atriz e parceira artística fundamental.

A influência de Brecht ultrapassou o teatro e chegou à literatura, ao cinema, à pedagogia, à crítica cultural e à filosofia. Seu pensamento influenciou nomes como Augusto Boal (com o Teatro do Oprimido), Jean-Paul Sartre, Peter Brook, Heiner Müller, entre muitos outros.


Morte e legado:

Bertolt Brecht morreu em 1956, aos 58 anos, deixando uma obra que continua sendo montada, estudada e debatida em todo o mundo. Ele desafiou o público, os artistas e o sistema, propondo um teatro que não apenas representasse o mundo, mas ajudasse a transformá-lo.


“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do aluguel, dos remédios, tudo depende de decisões políticas.”

Essa frase, atribuída a Brecht, resume sua visão de mundo: não há arte neutra. Toda arte é política.


Brecht revolucionou o teatro moderno e sua obra pode ser dividida em diversos períodos:


Primeiro período

Nesse primeiro período, Brecht, enquanto se encontrava na Baviera, escreveu peças que focalizavam os conflitos do indivíduo em relação ao meio social, são elas:

Tambores na Noite (1922)
Baal (1922)
Vida de Eduardo II da Inglaterra (1923)
Na Selva das Cidades (1924)

Em 1923, Bertolt Brecht casou-se com Marianne Zoff, com que teve uma filha.

Segundo período:

Em 1924, Brecht mudou-se para Berlim, onde se engajou no Deutsches Theater e foi assistente dos diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator.

Duas peças se destacaram como transição do Expressionismo para o Niilismo iconoclasta, são elas:

O Homem é um Homem (1927)
A Opera dos Três Vinténs (1928, quando obteve o primeiro sucesso)

As obras são comédias satíricas, em parte musicadas, nas quais a crítica à sociedade burguesa é mais anárquica do que na fase anterior.

A “Ópera dos Três Vinténs”, que fez grande sucesso e tornou Brecht internacionalmente conhecido, foi criada com a colaboração do músico Kurt Weill.

Em 1929 Bertolt Brecht ingressou no Partido Independente Socialista. Nesse mesmo ano, surge “Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny”, também com música de Weill, que marcou definitivamente sua conversão ao teatro político.

São ainda desse período as peças:

A  Medida (1930)
Santa Joana dos Matadouros (1930)
Aquele Que Diz Sim e Aquele Que Diz Não (1930)
A Mãe (1930).


Terceiro período

O terceiro período da obra de Brecht foi marcado por seu exílio diante da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Brecht exilou-se sucessivamente na Suíça, em Paris, Dinamarca, Finlândia e, por fim nos Estados Unidos, onde permaneceu por seis anos.

As obras desse período são mais elaboradas e as que melhor representam suas teorias do “teatro épico” e do “efeito do distanciamento” na representação.

As peças mais conhecidas dessa época são:

Terror e Miséria do Terceiro Reich (1935)
Os Fuzis de Senhora Carrar (1937), sobre a guerra civil na Espanha
A Vida de Galileu (1937).

Ainda desse período é a peça “Mãe Coragem e Seus Filhos” (1941), uma parábola do papel da pequena burguesia no meio de tempestades políticas, considerada por alguns a obra-prima de Brecht.


Mãe coragem e seus filhos


Em 1947, dois anos após a Segunda Guerra Mundial, acusado de atividades antiamericanas, foi forçado a voltar para a Alemanha. Em 1948 publicou o livro “Estudos Sobre Teatro”, que apresenta a teoria do teatro épico.






O Teatro Épico propunha que uma peça não deveria fazer com que o espectador se identificasse emocionalmente com os personagens ou a ação diante dele, mas sim provocar uma autorreflexão racional e uma visão crítica da ação no palco. Brecht pensava que a experiência de uma caatarse emocional culminante deixava o público complacente. Em vez disso, ele queria que seu público adotasse uma perspectiva crítica para reconhecer a injustiça social e a exploração e ser movido a sair do teatro e efetuar mudanças no mundo exterior. Para esse fim, Brecht empregou o uso de técnicas que lembram ao espectador que a peça é uma representação da realidade e não a realidade em si. Ao destacar a natureza construída do evento teatral, Brecht esperava comunicar que a realidade do público era igualmente construída e, como tal, mutável.



Fontes:

wikipedia.org
ebiografia.com
revistaforum.com.br
google.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2026



As bodas de Figaro







Le Nozze di Figaro, o nome em italiano, é a continuação d’O Barbeiro de Sevilha e se passa alguns anos mais tarde, quando um “dia de loucura” (a continuação do título é “ossia la folle giornata”) acomete o palácio do Conde Almaviva, perto de Sevilha, na Espanha.

Agora, Rosina, a jovem com quem o Conde se casa no final d’O Barbeiro, é a Condessa; o médico e advogado que era apaixonado por Rosina, Dr. Bartolo, quer se vingar de Fígaro (foi Fígaro que ajudou o romance entre o Conde e Rosina) e se aproveita da dívida que Fígaro tem com sua empregada, Marcellina; e o Conde Almaviva deixou de ser o jovem, romântico e apaixonado por Rosina e se transforma no vil e recalcado barítono, que, depois de dar a Fígaro o cargo de chefe de todos os criados, quer sua mulher de qualquer jeito; e vai utilizar todo o seu poder para atrapalhar o casamento de seus dois servos, que está programado para esse mesmo dia, quando as bodas  acontecem.

Apesar de qualquer estranhamento entre eles (a ária da Condessa com sua criada e noiva de

 

Fígaro Susanna em que trocam insultos de forma sarcástica é ótima, Via resti servita, madama brillante), Fígaro, Susanna e a Condessa Rosina, com suas felicidades ameaçadas pelo Conde, se juntam para fazer com que ele seja exposto e envergonhado por seus planos; que aceite o casamento dos dois para que a Condessa volte a ter seu marido, um homem que já fora romântico.






E essa era a polêmica envolvendo a história das Bodas. Na corte vienense, 3600 nobres moravam no palácio e eram assistidos por quase 60 mil servos, que moravam para fora “dos portões”. Colocar servos e nobres em posição de igualdade, ainda mais um conde, o mais alto grau da nobreza europeia, sendo exposto em suas questões morais por um casal de servos, ali no palco para todo mundo ver; bastante desafiador para a época.

Um parêntese para entender melhor a história: na Idade Média, existia uma lei — le droit du seigneur (“o direito do senhor”) — que dava ao senhor feudal o direito de tirar a virgindade da noiva na sua noite de núpcias (!) antes mesmo de ela se deitar com seu marido (!!). O Conde havia abolido esse direito quando do seu casamento com a Condessa Rosina, mas agora, com o seu interesse por Susanna, ele quer restaurá-lo.








Cherubino, personagem masculino interpretado por uma soprano (“en travesti” como se diz na dramaturgia, ou “breechers role” no vocabulário operístico), é o jovem galanteador da ópera e responsável por uma das árias mais famosas (e mais lindas): Voi che sapete che cosa è amor. Fica em apuros quando o Conde descobre o seu casinho com Barbarina, e sua situação no palácio fica ainda pior quando o Conde descobre sobre sua atração pela Condessa (sem contar que ele é sempre super amoroso com Susanna). Mas quando Cherubino descobre das investidas do Conde sobre Susanna, e para que a Condessa não saiba de nada, o nada-santo-Conde decide “perdoar” Cherubino dando-lhe um cargo num lugar bem longe do palácio. Cherubino terá de partir.

Mas todos os planos do Conde dão errado. Sua última cartada é obrigar Fígaro a se casar com uma mulher (a quem Fígaro deve dinheiro) que teria idade para ser sua mãe. Mas, surpresa: a dita cuja, a Marcellina, é a mãe de Fígaro. Assim, com a descoberta do fato surpreendente, os únicos inimigos de Fígaro, Marcellina-a-recalcada-que-queria-se-casar-com-ele e Dr. Bartolo-o-recalcado-que-queria-se-vingar-de-Fígaro-e-que-surprise–surprise–é-seu-pai, se transformam nos mais novos aliados de Fígaro. Apesar de suas falcatruas, Fígaro é um cara de sorte.






E como em outras óperas cômicas — seriam elas a versão dos filmes românticos de Hollywood? — o final é feliz: o Conde tem seu amor pela Condessa restabelecido, Susanna e Fígaro conseguem se casar com a benção do Conde (e ela segue pura, olha só) e todos os outros personagens participam da grande festa que são As Bodas de Fígaro.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
simonde.com.br

quarta-feira, 19 de agosto de 2026



As aventuras de Simbad o Marujo, faz parte dos contos das Mil e Uma Noites.










As histórias que compõem as Mil e uma noites têm várias origens, incluindo o folclore indiano, persa e árabe. Não existe versão definida ou definitiva da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos. O que é invariável nas distintas versões é que os contos estão organizados como série de histórias em cadeia narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Xerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites - as mil e uma do título - ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.






Simbad ou Simbá, o Marujo (também grafado Sinbad, Sindbá ou Sindbad; em árabe: ( السندباد البحري, ) é um ciclo de histórias de origem no antigo Oriente Médio. Simbad, o herói destas histórias, é um marinheiro fictício originário de Bagdá, que viveu durante o califado abássida. Suas sete viagens pelos mares a leste da África e a sul da Ásia o fazem passar por inúmeras aventuras fantásticas que incluem encontros com povos estranhos, seres monstruosos e fenômenos sobrenaturais, como ciclopes.



Primeira viagem

Após dilapidar a riqueza que recebeu de herança do pai, Simbá investe comprando mercadoria e decide tentar a sorte como comerciante num navio que sai do porto de Baçorá (al-Basra) para o Oriente. Após um tempo de viagem, o navio aporta numa ilha, que na verdade revela-se ser uma gigantesca baleia adormecida em cujo dorso crescem árvores. O animal desperta com uma fogueira acesa pelos homens e mergulha, desaparecendo nas profundezas. Na confusão o navio se afasta, abandonando Simbá sozinho no mar, agarrado numa tina de madeira.






Após um tempo à deriva, o aventureiro chega a uma ilha coberta por vegetação. Explorando a ilha, Simbá encontra um serviçal do rei local, e ajuda a salvar a égua do soberano de ser afogada por um cavalo aquático (um cavalo fantástico que vive debaixo d'água). Simbá torna-se amigo do rei e passa a ser um dos membros favoritos da corte. Um dia, chega à ilha o navio no qual Simbá havia partido em viagem e ele recupera sua mercadoria. Antes de abandonar a ilha no barco, Simbá recebe ricos presentes do rei. O navio viaja à Índia, onde fazem negócios, e ao retornar a Bagdá, Simbá consegue grande lucro com as mercadorias do Oriente. Ao terminar o relato, Simbá o marujo dá ao carregador 100 moedas de ouro, e lhe pede que retorne no dia seguinte para escutar o próximo conto.






Segunda viagem

Apesar de ter juntado riqueza e levar uma vida de diversão, Simbá ainda sentia vontade de viajar pelo mundo. Embarca então noutra aventura comercial, mas acidentalmente é abandonado numa ilha pelos seus companheiros de viagem. Explorando a ilha, Simbá dá com um enorme objeto, liso e arredondado, que descobre ser um ovo de um pássaro roca - uma ave fabulosa gigantesca. O pássaro retorna ao ninho e não percebe a presença de Simbá, que usa seu turbante para atar-se à pata do animal, na esperança de ser levado a um lugar habitado. A ave levanta voo e o carrega até um vale coberto de diamantes e habitado por monstruosas serpentes que servem de alimento para os rocas. Simbá se encontra sozinho no vale, à mercê das serpentes. Descobre, porém, uma forma de escapar: para conseguir os diamantes do vale inacessível, os habitantes da ilha jogam grandes pedaços de carne no fundo do vale, que são agarrados por aves enormes que os levam aos seus ninhos. Alguns diamantes ficam aderidos aos pedaços de carne, que então são recuperados pelos homens. Observando isso, Simbá amarra um pedaço de carne ao seu corpo e é levado para fora do vale por uma das aves gigantes. É resgatado do ninho por um mercador, e retorna a Bagdá com uma fortuna em diamantes.






Terceira viagem

Novamente ansioso por novas aventuras, Simbá sai de Baçorá numa nova expedição. Os ventos levaram o barco a uma ilha habitada por homens peludos como macacos, que tomaram o barco e abandonam os tripulantes em outra ilha. Os homens chegam a um palácio habitado por um gigante com forma de homem, pele negra, olhos vermelhos como brasas, uma boca enorme como a de um camelo com longos dentes, orelhas como as de um elefante e longas garras como as das feras. O monstro começa então a devorar a tripulação, começando pelo gordo capitão, que é assado na brasa.





Simbad organiza os companheiros para escapar: primeiro constroem uma jangada e, quando o monstro dormia, furaram-lhe os olhos com os espetos que usava para assar sua comida. Cego e furioso, o gigante sai do palácio e os homens correm à praia e escapam na jangada. Após um tempo no mar, chegam a outra ilha, onde uma serpente gigante come os companheiros de Simbad. Finalmente, o marujo é resgatado por um navio, o mesmo que o havia esquecido numa ilha na segunda viagem. Simbad recupera sua mercadoria e retorna a Bagdá ainda mais rico.








Essa aventura tem evidentes paralelos com o episódio de Ulisses e o ciclope Polifemo da obra de Homero.






Quarta viagem

Na sua quarta viagem, à qual foi impelido novamente pela sua ânsia de aventura, o navio em que viaja Simbá naufraga. Na ilha onde chegam, os marinheiros são encontrados por selvagens nus e canibais que lhes dão para comer ervas com o poder de enlouquecer aqueles que as provam. O único que não come é Simbá, que consegue escapar e é transportado por um grupo de coletores de pimenta a outra ilha. Ali, Simbá trava amizade com o rei local e recebe uma linda e rica mulher como esposa.







Já tarde demais, Simbá é informado de um peculiar costume local: quando um dos cônjuges morre, o outro é enterrado ainda em vida com o mesmo, ambos vestidos com as melhores roupas e vestidos. A mulher de Simbá adoece e morre, levando ao encerramento do esposo numa enorme caverna subterrânea - uma tumba comunitária - com um jarro de água e sete pães. Justo quando termina o suprimento de comida, uma viúva é jogada na caverna. Imediatamente, Simbá pega um fêmur e a ataca, matando-a com uma pancada, e apodera-se de sua água e comida.






Ao longo do tempo, Simbá repete essas ações com outros condenados e se apodera de bastante água, pão e joias dos corpos. Mas não conseguia encontrar uma maneira de escapar, até que um dia um animal não-identificado o guia até uma saída. Já no exterior, Simbá é resgatado por um navio que passava, que o leva de volta a Bagdá após completar a viagem pelo Sudeste da Ásia.

Quinta viagem

Novamente no mar, o navio em que viaja Simbad passa junto a uma ilha deserta. A tripulação vê um gigantesco ovo, que Simbad reconhece como sendo de um roca. Os homens decidem examinar o ovo, quebram-no e comem o filhote que estava por nascer. Simbad, assustado pelo que fazem, diz aos marinheiros que voltem ao navio, mas as aves gigantes aparecem e jogam enormes rochas sobre o navio, afundando-o.





Simbad consegue escapar a uma ilha, mas é escravizado pelo Velho Homem do Mar, uma criatura que posiciona-se sobre seus ombros e aperta o pescoço de Simbad com suas pernas, que assumem a forma de ramos secos e impedem que Simbad possa desvencilhar-se dele. Passam-se dias assim, até que Simbad, usando de sua astúcia, prepara vinho e convence o Velho do Mar a beber. A criatura, bêbada, finalmente cai, dando a oportunidade a Simbad de matá-la.

Um navio o leva à cidade dos macacos, cuja população passa as noites em barcos no mar, com medo dos macacos que invadem a cidade após o pôr-do-sol, matando os homens que encontram. Apesar disso, Simbad recupera suas riquezas e eventualmente retorna a Bagdá.

Sexta viagem

Em sua sexta viagem, Simbad e seus companheiros sofrem um naufrágio quando o navio bate contra uma alta falésia. A terra onde se encontram os marinheiros não possui nenhum tipo de comida, e todos vão morrendo de fome, até que Simbad é o único sobrevivente. Ele descobre um rio que corre por dentro da falésia, constrói uma balsa e usa-a para navegar pelo rio. O curso d'água está coberto de pedras preciosas, e o leva até uma cidade do reino de Serendib (Ceilão, atual Sri Lanca), na qual os rios estão cheios de diamantes e os vales de pérolas. O rei local se impressiona pelo relato que Simbad faz de Harume Arraxide, e decide encarregar Simbad de lhe levar presentes, entre eles uma taça esculpida de uma única pedra de rubi, uma cama feita da pele de uma serpente que havia engolido um elefante, e uma escrava, linda como o brilho da lua. Simbad retorna a Bagdá com os presentes, onde o califa se maravilha com a história sobre o rei do Ceilão.




Sétima viagem

Uma vez mais, Simbad sai de viagem e seu navio, como sempre, naufraga. Desta vez, são três peixes monstruosos que atacam e destroem o navio. Simbad termina numa ilha, onde consegue travar amizade com o mais importante mercador do lugar. Este casa Simbad com sua filha e faz dele seu herdeiro, e pouco tempo depois morre. Simbad vivia feliz com sua esposa até que, um dia, percebe que os homens do lugar passavam por uma estranha transformação uma vez por mês: cresciam asas e voavam até o céu, retornando depois. Intrigado, Simbad convence um deles para que o carreguem no voo que fazem e, efetivamente, no mês seguinte o marujo é levado ao céu por um dos homens alados. No alto, Simbad vê anjos que cantam alabanças a Alá. Emocionado, o marujo exclama "Glória a Deus!", o que irrita enormemente os homens alados, que o abandonam no cimo de uma montanha. Sozinho novamente, Simbad encontra dois adoradores do Senhor, que lhe entregam uma bengala de ouro. No caminho de volta, usa a bengala para livrar um homem que estava sendo atacado por uma serpente gigante.





Finalmente, Simbad consegue retornar à cidade, onde fica sabendo pela mulher que os homens alados pertencem a uma raça de demônios, mas que ela e seu falecido pai são pessoas normais. Simbad decide abandonar a ilha e parte com sua mulher numa longa viagem pelos portos da Ásia. Vinte e sete anos durou em total a sétima viagem, até que Simbad regressa a Bagdá. Desta vez, o marujo renuncia às aventuras no mar, arrependido de ter tantas vezes desafiado a Sorte e arriscado a vida.




Ao final de seu relato, Simbad o marujo ordena que lhe deem mil moedas de ouro a Simbad o terrestre e lhe diz: "não vês que alguém que superou tantas provações merece agora uma vida despreocupada?", ao que responde Simbad o terrestre que "certamente mereces o ócio e o bem-estar. Vive em paz, e que cada instante te traga a felicidade!". Agradecendo o ouro que lhe fora dado, Simbad o terrestre aproveita para tornar-se ele mesmo um renomado mercador.



Fontes:

wikipédia.org
google.com
clubedoamendoim.blogspot.com
aventurasnahistoria.com.br
mitoselenada.com.br

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