sexta-feira, 6 de março de 2026

Dando continuidade as postagens sobre os bandeirantes hoje vamos falar de Raposo Tavares.


Antonio Raposo Tavares, o velho nasceu em São Miguel dos Pinheiros, distrito de Beja em Portugal em 1598 e morreu em São Paulo em 1659.





Em 1618 Embarca para o Brasil em companhia de seu pai que iria representar D. Álvaro Pires de Castro, donatário da capitania de Itamaracá, São Vicente e Santo Amaro. Seu pai assumiu a Capitania de São Vicente, da qual fazia parte a Vila de São Paulo.



Em 1622 casa-se com Beatriz Furtado de Mendonça, filha do bandeirante Manuel Pires e juntos tiveram dois filhos. Ficou viúvo e só depois de dez anos casa-se com Lucrécia Leme Borges de Cerqueira, também solteira e mãe de oito filhos. Lucrécia era filha do bandeirante Fernão Dias Pais. Juntos tiveram uma filha.

Nessa época, capturar índios e vendê-los rendia um bom dinheiro. A partir de 1624 o comércio se intensificou, quando a Holanda invadiu a Bahia e dificultou a vinda de escravos africanos. Teve início as "Bandeiras" para capturar os indígenas.

Foi juiz ordinário da Vila de São Paulo e Ouvidor de toda a capitania de São Vicente. Recebeu do rei D. João IV, o título de Mestre de Campo.




Em 25 de julho de 1633, um grupo de bandeirantes tomou de assalto a igreja e o colégio dos jesuítas em Barueri, perto de São Paulo. Imagens foram quebradas, objetos de prata, roubados, e as portas, pregadas. Eram seis homens, ricos, poderosos… e excomungados. Antônio Raposo Tavares, Pedro Leme, Paulo do Amaral, Manuel Pires, Lucas Fernandes Pinto e Sebastião de Ramos tinham acabado de receber, do padre Antônio de Medina, a notícia de que estavam expulsos do convívio da Santa Mãe Igreja. Os bandeirantes rasgaram o ofício e botaram para correr os missionários de Barueri.



Não era o primeiro enfrentamento direto contra os enviados do Vaticano. Nem seria o último. Em 18 de abril de 1639, uma das maiores autoridades da Igreja nas Américas, o comissário da Inquisição e reitor do Colégio de Assunção, Diogo de Alfaro, foi assassinado com um tiro no rosto quando tentava punir outro grupo de bandeirantes, que incluía André Fernandes, fundador de Santana de Parnaíba, e seu irmão, Baltazar Fernandes, fundador da vila de Sorocaba — foi Baltazar, aliás, quem disparou a arma. Antes desses incidentes, entre 1628 e 1629, uma expedição que partiu de São Paulo varreu todo o esforço missionário na região que atualmente compreende Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.





Desrespeitando o Tratado de Tordesilhas, os bandeirantes definiram o tamanho do Brasil. Nessas incursões — nas quais a maioria da tropa era composta de índios ou mestiços — faziam outros índios de escravos. Seus alvos não eram apenas aldeias sem contato, mas também missões e suas “ovelhas”, que já eram treinadas no trabalho agrícola.

Raposo Tavares não foi o único a atacar missões. Mas, para ele, a coisa era pessoal. E a razão de sua fúria tinha nome e sobrenome: Maria da Costa, sua madrasta.



A família de Maria da Costa foi envolvida nesse turbilhão. Ela nasceu em Évora, em 1584. Era adolescente quando seu pai, o mercador João Lopes de Elvas, foi preso, acusado de praticar judaísmo. Não totalmente sem justificativa: diferentes membros do clã de cristãos-novos haviam sido forçados à conversão ao cristianismo, mas ainda se mantinham secretamente fiéis à sua fé.

Mas não era a única preocupação da Inquisição: havia também a de natureza econômica, uma vez que os bens subtraídos dos cristãos-novos processados, por vezes abonados, engrossavam a Fazenda Real de Portugal.” Não por acaso, a família de Maria tinha muitas posses.

Ela foi presa, junto com seu tio, irmão de seu pai, em 1º de junho de 1618. Só seria libertada em 6 de maio de 1624. Antes e depois de ser entregue ao Santo Ofício, tentou fugir para o Brasil, mas não conseguiu. Estava pobre e sem nenhuma possibilidade de recuperar suas conexões dentro da sociedade lusitana. Seu marido, Fernão Vieira Tavares, vivia no Brasil desde 1617, aonde chegou para assumir um alto posto na administração da colônia. Ele morreria em 1622. E ela nunca mais pôde ver os filhos e os enteados — tanto Maria quanto Fernão estavam em seu segundo casamento e tinham filhos da primeira união. Antônio Raposo Tavares, resultado do primeiro matrimônio de Fernão, havia sido educado por Maria, na região do Alentejo. Certamente participou de rituais judaicos secretos em casa.


Em fins de 1648, no comando da “Bandeira dos Limites”, Raposo Tavares parte de São Paulo, vai em direção ao interior, em busca de minas de prata. Segue o curso dos rios Guaporé, Madeira e Amazonas, até chegar em 1651 em Gurupá, atual estado do Pará.






Com apenas 58 homens e sem a prata sonhada. Retornou a São Paulo três anos depois, tendo percorrido mais de 12 mil quilômetros, velho, abatido, doente e sem a prata que tanto sonhou..

A bandeira realizou a primeira viagem de reconhecimento geográfico da América do Sul e assegurou a posse das terras dos atuais Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Antônio Raposo Tavares morreu no Estado de São Paulo, no ano de 1658.

Mais um dos bandeirantes tão enaltecidos na cultura e na história de São Paulo, que na verdade só visavam riquezas e e fama pessoal. Os desbravamentos que efetuaram e a expansão do Brasil, deu-se pelos seus próprios interesses de lucro e poder.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
ebiografia.com
aventurasnahistoria.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2026

Hoje vamos falar de mais um bandeirante, Domingos Jorge Velho.






Domingos Jorge Velho (1641-1705) é um personagem histórico brasileiro. Assim como outros chamados de “bandeirantes”, Jorge Velho era considerado mestiço, desbravador e um aventureiro que conhecia e circulava pelo interior do Brasil em busca de metais, pedras preciosas e indígenas para serem escravizados. Nasceu na vila de Parnaíba, em São Paulo, em 1631 e destacou-se por liderar a expedição que conseguiu a maior vitória militar dos colonos contra o Quilombo de Palmares, em 1694 e 1695.

Seu ofício como apresador, este passou cerca de 25 anos adentrando os sertões do nordeste, e sua experiência em batalhas contra quilombolas e indígenas considerados “bravios” o tornou conhecido como exterminador de índios, também graças a sua notória violência e truculência.

Domingos Jorge Velho


Por ordem do governador geral do Brasil, Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, Jorge Velho desviou sua rota, para combater os índios janduís, no vale do Apodi, no Rio Grande do Norte.

A luta foi travada, os índios atacados em vários pontos da região, sendo derrotados definitivamente próximo a Lagoa do Apodi.

Domingos Jorge Velho, continuando sua marcha, chegou em Porto Calvo, Alagoas, em 1692, onde se estabeleceu. Com seus modos truculentos, desagradou a população da região.

Demorou algum tempo para atacar o quilombo. Em 1694, com o apoio da tropa pernambucana de Bernardo Vieira de Melo, após 22 dias de cerco, atacou o quilombo. No dia 7 de fevereiro, destruiu o Mocambo do Macaco, a aldeia principal do quilombo.

Zumbi dos Palmares, que resolveu abandonar sua aldeia, foi perseguido e no dia 22 de novembro foi derrotado e morto pelo capitão André Mendonça de Furtado.

Zumbi foi morto, em 20 de novembro de 1695, depois que um de seus companheiros chamado Antônio Soares revelou sob tortura o local de esconderijo de Zumbi. Um bandeirante chamado André Furtado de Mendonça organizou uma emboscada que localizou Zumbi. Após ser morto, sua cabeça foi decepada e exposta em Recife.




Pelos serviços prestados à Coroa, Jorge Velho recebeu uma grande quantidade de terras e a patente de Mestre de Campo. Obteve também licença para fundar duas vilas na Paraíba. No final de sua vida, residiu em Piancó, alto sertão da Capitania da Paraíba, casou-se com Jeronyma Cardim Fróes e veio a falecer em 1704, aos 64 anos, segundo relatos posteriores de sua própria esposa.

É importante ressaltar que a figura heroica dos bandeirantes foi construída a partir do século XIX, quando intelectuais e homens de poder da época buscavam encontrar personagens históricos para encaixar em uma história nacional de ares grandiosos. Diferente das representações em que os bandeiras apresentam em poses semelhantes a de monarcas europeus, seu trabalho e sua vida era ganha através da violência, aniquilação e a escravização de indígenas e africanos não integrados ao sistema colonial. A grandiosidade dos quadros e dos monumentos é um fenômeno que contrasta com a realidade das ações de homens como Domingos Jorge Velho.



Fontes:

infoescola.com
ebiografia.com
historiadomundo.com.br
wikipedia.org
google.com

terça-feira, 3 de março de 2026

 Borba Gato


Borba Gato



Borba Gato foi outro importante brasileiro na História do Brasil.

Manuel Borba Gato, genro de Fernão Dias, foi um bandeirante que participou das expedições que adentraram o sertão brasileiro em busca de metais preciosos e mão de obra escravizada.


Casou-se em 1670 com Maria Leite, filha do bandeirante Fernão Dias Paes Leme e de sua esposa Maria Betim.


Ele foi responsável pela morte do administrador-geral de minas Rodrigo de Castelo Branco.

Como todos os outros bandeirantes é tido como cruel e explorador da mão de obra escrava, principalmente de indígenas.







Os bandeirantes são tidos como desbravadores dos sertões e responsáveis pela expansão territorial do Brasil, além das linhas traçadas pelo Tratado de Tordesilhas, no entanto, essas conquistas foram efetuadas somente pelo vislumbre de angariar riquezas e poder. Nunca houve essa preocupação de expansão do território brasileiro, e sim ima ganância de encontrar ouro e pedras preciosas.

Borba Gato era filho do casal João de Borba Gato e Sebastiana Rodrigues, nasceu em São Paulo no ano de 1649. Casou-se com a filha do também bandeirante Fernão Dias e fez parte da expedição do sogro em busca de pedras preciosas, principalmente as esmeraldas.





No final de uma expedição, com um pressentimento de que morreria em breve, Fernão Dias entregou a liderança do grupo ao seu genro, Manuel de Borba Gato. Após terminar a expedição em que o grupo descobriu as tais pedras verdes (esmeraldas) todos já retornavam à vila no momento em que encontraram Rodrigo Castelo Branco, este era natural da Espanha, que prestava serviços à Portugal e tinha a responsabilidade de fiscalizar as minas.

O filho de Fernão Dias Paes, Garcia Paes entregou as jazidas ao fiscal das Minas, Rodrigo Castelo Branco e gerou muitas reclamações, o que fez com outros bandeirantes ficassem insatisfeitos. Durante a confusão entre os dois, Garcia acabou morto e Borba Gato foi o principal suspeito pelo crime.


Com a grande possibilidade de ser preso, Borba Gato fugiu para o sertão, percorrendo os territórios por dezessete anos à procura de ouro nas atuais cidades de Sabará e Caeté, nas proximidades do Rio das Velhas no estado de Minas Gerais, onde finalmente encontrou grande quantidade de ouro.



O então governador do estado do Rio de Janeiro, Artur Sá, ao receber a notícia da descoberta de Borba Gato o procurou para negociar sua liberdade em troca da informação sobre a mina de ouro recém descoberta. Nesse período várias pepitas de ouro foram encontradas na região e o local viveu seu apogeu da fase de ouro.

Em 15 de outubro de 1698, foi publicada a carta patente que perdoava Borba Gato do seu crime e a sua nomeação para o posto de lugar-tenente. O bandeirante se encontrou com o governador Arthur de Sá Menezes e indicou onde havia minas de ouro em abundância, na região do rio das Velhas. A grande quantidade de ouro encontrada na região apontada por Borba Gato fez com que ele recebesse o perdão pela morte de d. Rodrigo de Castelo Branco. Após esse perdão, ele começou a atuar na administração das minas.





Borba Gato foi nomeado tenente-general do mato e organizou as arrecadações na vila de Sabará. Além dessa região, o bandeirante explorou as minas das regiões dos rios Grande, das Mortes e Sapucaí. Ele se mostrou eficiente na administração das minas por meio da conservação das estradas e sendo um juiz severo, evitando os contrabandos de metais preciosos. Além disso, Borba Gato procurava ajudar os familiares que perderam algum ente querido.


Guerra dos emboabas





Após descobrir ouro no vale do Rio das Velhas, Borba Gato tornou-se uma autoridade local, mas enfrentou a chegada de forasteiros (portugueses e outros brasileiros, os "emboabas") que queriam explorar as minas, liderados por Manuel Nunes Viana.

O termo emboaba vem do uso de grandes botas que cobriam as pernas quase até a coxas. Esse termo tinha um ar jocoso, pois ao contrário que aparece em desenhos e pinturas os bandeirantes andavam descalços.



O Conflito (1708-1709): A guerra ocorreu devido à disputa pelo domínio das recém-descobertas minas de ouro em Minas Gerais, com paulistas (bandeirantes) contra forasteiros.
Papel de Borba Gato: Líder dos paulistas, ele tentou manter a hegemonia bandeirante na região, mas foi superado pelas forças emboabas.

Capão da Traição: Após uma rendição prometida, cerca de 300 paulistas foram massacrados pelos emboabas neste episódio, selando a vitória dos forasteiros.

Consequências: Com a derrota, os paulistas recuaram e partiram para o oeste, descobrindo ouro em Goiás e Mato Grosso. A Coroa Portuguesa assumiu maior controle sobre a região, criando a capitania de São Paulo e Minas de Ouro.

Borba Gato morreu segundo algumas fontes em 1717 com 68 anos, embora outras fontes diz que ele morreu com 85 anos em 1734.

Em sua homenagem foi construída uma estátua de Borba Gato na Av. Santo Amaro em São Paulo. Obra do escultor Júlio Guerra de 1963.







Fontes:

wikipedia.org
brasilescola.uol.com.br
educamaisbrasil.com.br
google.com



segunda-feira, 2 de março de 2026



Hoje iniciaremos uma série de postagens falando dos principais bandeirantes. Foram eles heróis ou bandidos ?

Os bandeirantes são figuras centrais na história do Brasil colonial, representando ao mesmo tempo, heroísmo e brutalidade. Originários de São Paulo, esses homens desbravaram o interior do território brasileiro entre os séculos XVI e XVIII, expandindo as fronteiras do Brasil além das demarcações estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas. No entanto, as ações dos bandeirantes estão longe de ser unanimemente celebradas. Enquanto alguns os veem como heróis que ajudaram a construir o Brasil, outros os consideram bandidos pela violência que praticaram contra indígenas e africanos escravizados. Neste texto, vamos explorar as diferentes facetas dos bandeirantes e discutir se é possível classificá-los como heróis, bandidos, ou ambos.

Começamos com o  ´caçador de esmeraldas `, Fernão Dias.

Fernão Dias.




Fernão Dias (1608-1681) foi um célebre bandeirante paulista. Ficou conhecido como "O Caçador de Esmeraldas". Os bandeirantes tinham o objetivo de procurar riquezas minerais e encontrar mão de obra indígena.

No século XVI foram organizadas as primeiras expedições, que exploravam principalmente o litoral. No começo do século XVII, as bandeiras se embrenhavam pela mata em busca de mão de obra indígena, para trabalhar na plantação de cana de açúcar.




Fernão Dias Pais nasceu na vila de São Paulo de Piratininga, em 1608. Filho e neto dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente.

A mão de obra indígena

O povoado de São Paulo do começo do século XVII não passava de uma vila isolada do litoral e do progresso, pela Serra do Mar. Não era como o Nordeste açucareiro enriquecido pela exportação agrícola.







São Paulo produzia para seu próprio consumo e se destacava pelo comércio de mão de obra indígena com o Nordeste para o trabalho na indústria açucareira.

Em busca de índios, os paulistas se embreavam pela mata em expedições conhecidas como bandeiras. Porém, quando os holandeses invadiram e ocuparam o Nordeste, em 1642, monopolizaram o comércio de escravos africanos.

Em 1654, com a expulsão dos holandeses, o açúcar brasileiro entrou em decadência, barrado pela concorrência dos holandeses que iniciaram o plantio da cana-de-açúcar nas Antilhas.

Em 1660, Fernão Dias casou-se com Maria Garcia Betim, descendente do índio Tibiriçá pelo lado materno e de um irmão de Pedro Alvares Cabral pelo lado paterno.

Integrou a famosa bandeira de Antônio Raposo Tavares, ao sul do Brasil, em 1638, que devassou os atuais estados do  e talvez o Uruguai.



Defensor da expulsão dos jesuítas, que não concordavam com a escravização dos índios, partiu em nova bandeira, de 1644 a 1646, dessa vez pelo sertão paulista. Ele seria eleito juiz ordinário em 1651 e, em 1653, promoveria uma reconciliação entre paulistas e jesuítas.






A vila de São Paulo, que apenas em 1711 seria promovida ao estatuto de cidade, desenvolveu-se em torno do Colégio dos Jesuítas, a partir de 1554. Desde essa época a vila contou com a presença da Ordem de São Bento, que, por iniciativa do frade beneditino Mauro Teixeira, vindo da Bahia, mandou construir "uma pequena capela sob a invocação de São Bento" na região da aldeia de Inhambuçu, na qual vivia o cacique Tibiriçá, pai de Bartira, que mais tarde casou-se com com o explorador português João Ramalho. Nessa localidade, que hoje corresponde ao Largo São Bento, no triângulo histórico do Centro de São Paulo, ao longo dos séculos seria construído o Mosteiro de São Bento.






O governo português preocupado com a crise do açúcar passou a financiar as bandeiras e a conceder títulos e privilégios aos bandeirantes como forma de estimulá-los na procura das grandes minas.


Fernão Dias foi um dos representantes mais importantes desse período. Empreendeu em 1674, uma formidável caravana, da qual fazia parte seus filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato e muitos índios.

 

Partiu de São Paulo a tropa de D. Rodrigo de Castelo Branco, com Matias Cardoso de Almeida. No mês de março de 1681, escrevia Fernão Dias carta datada de 27: "Deixo abertas cavas de esmeraldas no mesmo morro donde as levou Marcos de Azeredo, já defunto, coisa que há de estimar-se em Portugal." A tradição quer que tais esmeraldas tenham sido colhidas na região dos rios Jequitinhonha e Araçuaí.





Fernão Dias Pais Leme morreu junto ao rio Guaicuí (Guaiachi ou Rio das Velhas), com todos os seus bens empenhados na expedição, deixando viúva Dona Maria Pais Betim, de apenas 39 anos, cinco filhas solteiras e cinco sobrinhas órfãs. Segundo a lenda o seu corpo esta enterrado ao lado da Igreja de Pedra que ele mandou construiu no século XVII, por razões desconhecidas a igreja que fica no distrito de Barra do Guaicuí, município de Várzea da Palma,  Minas Gerais nunca foi concluída. Muitos outros morreriam da mesma febre no Vapauçu e Itamarandiba. Comentam autores que certamente chegou às alturas do Serro do Frio e proibiu a penetração de qualquer bandeira ao norte de Sabarabuçu. Muito se escreveu sobre sua morte: especula-se que deve ter morrido à vista do Sumidouro. Por última vontade, encarregou o filho Garcia de voltar a São Paulo para entregar as esmeraldas à câmara e se colocar como primogênito à testa da família. Ao genro Borba Gato, deve ter na mesma ocasião mandado sair do Sumidouro em continuação dos descobrimentos do Sabaraboçu, para cuja diligência Garcia lhe entregaria, como se cumpriu, os instrumentos, armas e munições da bandeira. O historiador Diogo de Vasconcelos acha, por sua vez, que Borba Gato estivera nesse tempo no Sabaraboçu e não no Sumidouro, enquanto Fernão Dias seguira para o sertão das esmeraldas – o que outros autores consideram contraditório, pois não teria armas e munições como lhe foram entregues, e o ouro do Sabaraboçu, à flor da margem do rio, certamente já estaria por este descoberto.

Fernão Dias, voltando para São Paulo, morreu as proximidade do Rio da Velhas, com turmalinas nas mãos, que acreditava fossem esmeraldas.



Em sua homenagem um rodovia que liga São à Minas Gerais recebe o seu nome, BR 381 - São Paulo - Belo Horizonte. Rodovia Fernão Dias.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
panoramamercantil.com.br
ebiografia.com

sábado, 28 de fevereiro de 2026

 Morreu o cantor e compositor Neil Sedaka.




Neil Sedaka, que passou de prodígio da música clássica a compositor precoce, ídolo adolescente e figura central da música pop em uma carreira celebrada que abrangeu sete décadas, morreu nesta sexta-feira, 27, em Los Angeles. Ele tinha 86 anos.

Laughter in the rain



Neil Sedaka nasceu Brooklyn - Nova York em 13 de março de 1939.
A voz de Sedaka é identificada com a de tenor. O maior sucesso de Neil é a canção "Oh Carol" de 1959. Além de "Oh Carol", outras canções de Neil Sedaka fizeram sucesso entre o final da década de 1950 e início dos anos 1960. "The Diary" (provavelmente de 1958) fez parte da trilha sonora da novela Esplendor, da Rede Globo.


The diary


Neil Sedaka




As músicas "Breakin' Up Is Hard To Do" e "Calendar Girl", esta última de 1961 e a primeira de 1962, além de "Laughter in the Rain" são outros sucessos do cantor. Curiosidade: quando o grupo sueco ABBA estava no início de carreira, Neil Sedaka ajudou a fazer a versão em inglês de uma das primeiras canções do grupo nessa língua. A canção é Ring Ring , incluída no álbum de mesmo nome, em 1973.



Oh! Carol

Outro grande sucesso do cantor foi Stupid Cupid, regravada pela cantora brasileira Celly Campelo, num estrondoso sucesso, na versão Estúpido Cupido.


Stupid Cupid


O cantor brasileiro Carlos Gonzaga, regravou vários sucessos de Neil Sedaka em português.


Solitaire

Breaking up is hard to do



Fontes:

wikipedia.org
estadao.com.br
google.com
youtube.com




terça-feira, 24 de fevereiro de 2026


Incêndio da Vila Socó


O incêndio na Vila Socó foi um incêndio de grandes proporções que atingiu a favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984. O número oficial de mortos é de 93 pessoas, o que é contestado.




Antecedentes


A Vila Socó, que ficava à margem da via Anchieta sobre uma faixa de mangue de aproximadamente 2 000 m x 80 m, tinha pouco mais de 6 mil habitantes distribuídos em cerca de seiscentos barracos, segundo dados de autoridades na época. Por outro lados, sobreviventes estimaram em até 12 mil o número de moradores e entre 1 200 e 2 500 a quantidade de barracos que compunham a favela. Boa parte da favela era sustentada por palafitas fincadas por quase todo o mangue. Os barracos eram ladeados por pontes (ou passarelas) de madeira, construídas para a circulação dos moradores.


Incêndio:




O incêndio foi causado por vazamento de combustíveis de oleodutos que ligavam a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) ao terminal portuário da Alemoa.


Pouco antes do incêndio, 700 mil litros de gasolina vazaram de um duto de uma refinaria da Petrobrás localizada próximo à região, o que contribuiu para seu início. Não se sabe se o fogo foi causado por uma faísca de um fósforo ou um curto-circuito.





Relatos da época dizem que alguns moradores armazenaram em suas casas garrafas com gasolina, que acabaram contribuindo para que o incêndio ficasse fora de controle. O produto se espalhou sob as palafitas com a movimentação das marés e cerca de duas horas depois do vazamento, aconteceu a ignição seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as moradias de madeira.





O incêndio começou por volta da meia noite, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984, na favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo. Um dos primeiros bombeiros a chegar ao local foi o coronel reformado da Polícia Militar, José Marques Trovão Neto, que comentou que não tinha ideia da dimensão do incêndio, onde viu "muita tristeza": "Os moradores nos procuravam para irmos até os barracos deles e nós íamos até lá e estavam mulheres, crianças, bebês todos carbonizados. Foi muito triste". O fogo atingiu 1,2 mil barracos, matando 93 pessoas e deixando 3 mil desabrigadas, segundo dados oficiais.



Investigação


O acidente teve destaque em toda a imprensa. Investigações posteriores confirmaram que uma falha de comunicação entre um funcionário da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e uma das pessoas responsáveis pela operação de um dos terminais da estatal, localizado no Porto de Santos, foi a provável causa do incêndio, Naquele dia, seria transferida uma grande quantidade de gasolina para o terminal, interligado com a refinaria por dutos que passavam debaixo da favela. Tempo antes do desastre, quando milhares de litros de gasolina começavam a ser transportados por um dos dutos, estava totalmente fechada uma válvula do terminal, que deveria estar aberta para receber o combustível. Isso possivelmente causou uma forte pressão no duto, culminando no seu rompimento e, consequentemente, no vazamento de cerca de 700 mil litros de gasolina, que se espalharam rapidamente pelas lamas do mangue. Assim, em poucos instantes, um fogaréu se alastrou por toda a favela. Também não foi descartada a hipótese de má conservação dos dutos, construídos nos anos 40, e sem manutenção há anos.









Com relação ao socorro às vítimas, houve um fator agravante: ao ser alertada por moradores logo no início do incêndio, a Petrobras declarou que não poderia tomar nenhuma decisão até a chegada de seu engenheiro responsável, que residia em Santos. Segundo um tenente da Polícia Militar, que coordenava os socorros na favela, a espera de mais de uma hora pela chegada do profissional complicou ainda mais os trabalhos de busca. A atitude da Petrobras foi classificada como de negligência.












Os números oficiais do incêndio são de 93 mortos, conforme apuração da Polícia Militar. Entretanto, são contestados por entidades e testemunhas que vivenciaram o episódio. Segundo eles, o número de vítimas poderia chegar a quatrocentos, já que informações paralelas às oficiais relatavam que mais de trezentas pessoas, em sua maioria crianças, desapareceram após a tragédia.


Como informou, Dojival Vieira dos Santos, advogado e na época vereador, hoje membro da Comissão da Verdade da OAB de Cubatão (CVOC), relatou o encontro que teve naquela ocasião com moradores da Vila Socó, os quais afirmaram que o número de mortos era muito maior do que o divulgado.








Ele informou ainda que, segundo sobrevivente que trabalhou no resgate dos corpos, de três a quatro corpos eram colocados em cada caixão. "Isso confirma o que dissemos ao longo desses 30 anos: de fato houve a manipulação do número de mortos para reduzir o impacto da tragédia. Ou seja, o número de mortos foi muito maior, mas ninguém foi punido", esclarece Vieira.


Segundo documentos inéditos obtidos pelo Jornal da Band em 2014, o número total de vítimas fatais pode ser de 508.


O pior é que tragédia como essa geram grande impacto e indignação na época, mas depois ficam esquecidas e não servem nem para prevenir outras tragédias.







Oito funcionários da empresa foram condenados em primeira instância e absolvidos depois de recursos. Em junho de 2014, a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo reabriu o caso para apurar responsabilidades de dirigentes da Petrobras e da Prefeitura Municipal de Cubatão.


As péssimas condições ambientais da cidade, com níveis extremos de poluição do ar, da água e do solo, transformaram-na em símbolo mundial de degradação do meio ambiente. Em setembro de 1984, seria decretado estado de emergência ambiental no município, o primeiro caso no Brasil.






Fontes:


www.sindipetrolp.org.br
www.al.sp.gov.br
wikipedia.org
google.com
memorialdademocracia.com.br


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026



Hoje vamos falar do ator e dramaturgo Plínio Marcos de Barros, paulista, nascido em Santos em 29 de setembro de 1935.






Vindo de uma família modesta, ele só concluiu o curso primário.
Trabalhou como funileiro (lanterneiro), serviu na Aeronáutica e chegou a ter uma passagem na Portuguesa Santista, como jogador de futebol, mas foi no circo que encontrou a sua paixão.

Incentivado pela jornalista e escritora Patricia Rehder Galvão, a Pagu, começou a atuar no teatro amador, ainda em Santos.

Baseado num fato real de curra numa cadeia de Santos, ele escreveu a sua primeira peça em 1958, "Barrela", que ficou censurada até a abertura democrática de 1979.




Sua linguagem era dura e crua, retratando o dia a dia dos menos favorecidos da periferia das cidades, dos bordéis e cabarés.
Seu texto mostrava as agruras, os medos e a maneira de sobreviver dessas pessoas que viviam invisíveis à sociedade.






Plínio Marcos - sítio oficial





Em 1960 foi para a cidade de São Paulo. Entrou para a Companhia Cacilda Becker, montou várias peças. Seus personagens, quase invariavelmente, eram mendigos, vagabundos, delinquentes, e prostitutas. Plínio usava uma linguagem característica do submundo. Durante o regime militar, implantado em 1964, suas obras foram muito censuradas.
Plínio Marcos participou da novela Beto Rockfeller, escreveu para os jornais Folha de São Paulo, Última hora, Folha da Tarde e para as revistas Veja, Pasquim, Opinião, entre outras. Escreveu vários livros. Suas obras foram publicadas e encenadas em vários países.


Suas peças mais conhecidas são :

Dois perdidos numa noite suja (1966), que conta a história de Paco e Tonho amigos que dividem um quarto em uma hospedaria barata e durante o dia trabalham no mercado, como carregadores. As personagens mantêm uma relação conflituosa, e sempre estão discutindo sobre suas vidas, trabalho e perspectivas. O tema da marginalidade permeia todo o texto, ficando muito próximo de outros trabalhos do autor, como Navalha na carne. Tonho se lamenta por não possuir um par de sapatos decente, fator que considera diretamente ligado a sua condição de pobreza. Ele inveja o seu companheiro de quarto, Paco, por possuir bom par de sapatos e este, vive a provocar Tonho chamando-o de homossexual, mesmo considerando-o parceiro. Paco, que no passado havia trabalhado como flautista, certa noite, teve sua flauta roubada num momento de embriaguez. Por fim, na tentativa de dar mais dignidade as suas vidas, ambos são compelidos à realização de um ato criminoso, que culmina com o assassinato trágico de Paco pelas mãos de Tonho.


A primeira montagem da peça aconteceu no Bar Ponto de Encontro na Galeria Metrópole em São Paulo, e teve como personagens o próprio Plínio Marcos como Paco e Ademir Rocha como Tonho.


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A peça virou filme em 2002 com Roberto Bontempo e Débora Falabella.


Uma de suas peças mais famosas é Navalha na Carne de 1967.
Levada aos palcos pela primeira vez em São Paulo, em 1967, em campanha para liberação do texto pela censura capitaneada por Walmor Chagas e Cacilda Becker, o elenco da montagem original era formado por Edgard Gurgel Aranha, Ruthneia de Moraes e Paulo Villaça, com direção de Jairo Arco e Flexa. Ganharia ainda mais repercussão a partir da montagem carioca, dirigida no mesmo ano por Fauzi Arap e com Tônia Carrero, Emiliano Queirós e Nelson Xavier no elenco. Logo o texto foi censurado pela ditadura militar, e só pôde ser encenado 13 anos depois.







Navalha na carne é um exemplar da dramaturgia de Plínio Marcos que se mantém como um clássico pela crueza dos diálogos desta fatia de realidade, na qual três excluídos vivem um jogo de dominação que reproduz a miséria moral de injustiças sociais que sofrem. A prostituta, o seu protetor e um homossexual dividem o espaço emocional da sua marginalidade no confinamento de um bordel ordinário em que cada um explora o outro, num círculo de medo, desprezo e violência e desesperada solidão.


A peça também virou filme em 1969, com Jece Valadão e Emiliano Queirós e novamente em 1997, com participações de Vera Fisher, Jorge Perrugoria, Érica Collare. Direção Neville d` Almeida.




Navalha na carne de 1969 - Jece Valadão e Emiliano Queirós






Ele foi um dos autores mais censurados no período da ditadura. Plínio não se furtava a dar a sua opinião, mesmo sabendo que isso poderia prejudicá-lo profissionalmente.
Ele falava a linguagem do oprimido, do marginal, dos invisíveis para a sociedade.


Plínio Marcos morreu em 19 de novembro de 1999, em São Paulo, vítima de um derrame cerebral. Ele também tinha diabetes. Seu corpo foi cremado no cemitério de Vila Alpina e suas cinzas jogadas no mar de Santos.




Fontes:
ebiografia.com
wikipedia.org
youtube.com
google.com

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