sexta-feira, 8 de maio de 2026


O estrangeiro de Albert Camus





A narrativa começa com a morte da mãe de Meursault, e sua reação fria e indiferente ao evento surpreende todos ao seu redor. Conforme a trama se desenrola, Meursault é arrastado para um assassinato casual e inexplicável, cometido sob o sol escaldante. O julgamento subsequente coloca em foco não apenas o crime, mas também a atitude existencialista de Meursault perante a vida.

¨Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe falecida: Enterro amanhã. Sentidos pêsames". Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem. O asilo de velhos fica em Marengo, a oitenta quilômetros de Argel. Tomo o autocarro das duas horas e chego lá à tarde. Assim, posso passar a noite a velar e estou de volta amanhã à noite. Pedi dois dias de folga ao meu chefe e, com um pretexto destes, ele não me podia recusar. Mas não estava com um ar lá muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe "A culpa não é minha". Não respondeu. Pensei então que não devia ter dito estas palavras.¨ (p.3)





¨Quis desligar imediatamente, pois sei que o chefe não gosta que estejamos ao telefone. Mas Raimundo pediu-me para esperar e disse que me poderia ter transmitido o convite à noite, mas me queria avisar de outra coisa. Fora seguido durante todo o dia por um grupo de Árabes entre os quais estava o irmão da sua antiga amante. "Se os vires esta noite perto da nossa casa, avisa-me". Respondi que estava combinado. Pouco depois o chefe mandou -me chamar e fiquei aborrecido porque pensei que me ia dizer para telefonar menos e trabalhar mais. Não era nada disso. Declarou que me ia falar num projeto ainda muito vago. Queria apenas saber a minha opinião sobre o assunto. Tencionava instalar um escritório em Paris, para tratar diretamente com as grandes companhias e perguntou-me se eu estava disposto a ir. Poderia assim viver em Paris e viajar durante parte do ano. "Você ainda é novo e creio que essa vida lhe agradaria". Disse que sim, mas que no fundo me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava.¨ - O estrangeiro - Albert Camus p.30



O estrangeiro é um dos livros da trilogia do absurdo, de Albert Camus. O livro conta a história de Mersault, um homem que vive completamente alheio à importância das coisas ao seu redor. O protagonista é indiferente a tudo, sendo que uma das palavras mais usadas por ele é: “tanto faz”. Albert Camus desenvolve uma história simples, escrita em frases curtas, evidenciando conceitos segundo o qual o homem é livre e seus atos são responsáveis por seu destino.

Meursault, é descrito como “um cidadão da França, homem do Mediterrâneo, um homem que dificilmente compartilha da cultura mediterrânea tradicional”. Semanas após o funeral de sua mãe, ele mata um homem árabe na Argel francesa, que estava envolvido em um conflito com um dos vizinhos de Meursault. Mersault é julgado e condenado à morte. A história é dividida em duas partes, apresentando a visão narrativa em primeira pessoa de Mersault antes e depois do assassinato, respectivamente.



No dia seguinte ao enterro da mãe, Mersault foi à praia. Lá, conheceu Marie, uma linda mulher por quem nutriu uma ardente paixão. Tiveram relações naquela mesma tarde, e à noite foram ao cinema assistir um filme. Com a poeira do enterro de sua mãe ainda preso no sapato, Mersault seguiu sua vida. Mesmo compartilhando de momentos carinhosos, quando perguntado se amava Marie, Mersault respondia que não. Ele era muito distante para entender e assumir qualquer sentimento.

Então, Mersault foi chamado por seu vizinho Raymond para ajudá-lo a resolver um problema. A mulher de Raymond o havia traído, e ele queria se vingar. Pediu a Mersault para escrever uma carta chamando-a de volta. Como combinado, a mulher de Raymond retornou. Raymond, então, espancou-a de forma contundente. Dias após o ocorrido, Raymond avisou a Mersault que o irmão de sua esposa o estava seguindo, junto a outros árabes.


“Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Voltei então a disparar mais quatro vezes contra um corpo inerte onde as balas se enterravam sem se dar por isso.” (p.43)

Mersault é preso pelo assassinato. 

¨Logo a seguir à minha prisão, fui interrogado por várias vezes. Mas tratava-se de interrogatórios de identidade, que não duraram muito tempo. A primeira vez, no comissariado, o meu caso parecia não interessar a ninguém. Oito dias depois, ao contrário,. O juiz de instrução olhou-me com curiosidade. Mas, para começar, perguntou-me apenas o nome e a morada, a profissão, a data e o local do nascimento. Depois quis saber se eu já escolhera advogado. Respondi que não e perguntei-lhe se era absolutamente necessário ter advogado. "Por que?", disse ele. Repliquei, afirmando que achava o meu caso muito simples. Sorriu, dizendo: "É uma opinião. No entanto, a lei é a lei. Se o senhor não quer quem o defenda, nós nomeamos automaticamente advogado". Achei que era muito cômodo a justiça encarregar-se desses pormenores.¨(p.43)





O julgamento de Mersault é um ponto marcante do livro. Acusado de assassinato, foi proposto o atenuante de que era um bom homem, de que havia perdido a mãe recentemente, e que havia se defendido de um possível ataque do árabe. A mente de Mersault passeava pelo calor do tribunal, pelas anotações dos jornalistas e pelo teatro produzido pelos advogado de defesa e pelo promotor. De forma paradoxal, foi o testemunho de Marie que agravou o caso de Mersault.

Apesar dos atenuantes, os agravantes foram muito mais fortes: ele não havia aberto o caixão da mãe; enterrou-a sem remorsos; no dia seguinte se envolveu com Marie, teve relações com ela e foi ao cinema assistir um filme de comédia. Mersault, segundo a promotoria, não tinha escrúpulos, remorso ou mesmo caráter, para evitar o crime, e matou como se essa ação fosse simples e banal. Resultado: Mersault foi sentenciado à morte. Seria guilhotinado em praça pública.


“Meus senhores, um dia depois da morte da sua mãe, este homem tomava banhos de mar, iniciava relações com uma amante e ia a rir às gargalhadas num filme cômico.” (p.68)



Mersault ainda teve chance, antes de morrer, de pedir perdão a Deus pelos seus pecados. Mas Mersault não acreditava em Deus, e não havia arrependimento em seu coração. O que havia feito, estava feito. Sem rancor ou ódio.


¨Mas pouco depois levantou bruscamente a cabeça e olhou-me de frente: "Porque recusa as minhas visitas?" Respondi que não tinha fé. Quis saber se tinha a certeza e eu respondi que não valia a pena fazer-me essa pergunta. Deixou-se cair para trás e encostou-se à parede, as mãos postas em cima das coxas. Quase sem ter o ar de me falar, observou que às vezes nos julgávamos certos de alguma coisa quando, na realidade, não tínhamos certeza nenhuma.¨(p.80)


Mersault é um personagem icônico da literatura. Um homem que traz consigo a ambiguidade da existência humana. Capaz de se relacionar ardentemente com Marie e dizer que não a ama e que não quer se casar. Um homem que não ia ao cinema, mas que foi no dia seguinte ao enterro da mãe. Colocou a mãe em um asilo por não suportá-la em casa, mas que se sentia indiferente com a promoção que recebeu para trabalhar em Paris. Um home livre, ou escravo de sua apatia?

Também lá, em redor desse asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto da morte, a minha mãe deve ter-se sentido libertada e pronta a tudo reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela. Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público no dia da minha execução e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio.¨ (p.85)




As loucuras do dia-a-dia, o corre-corre e a busca do sentido para as coisas e acontecimentos já são indícios do absurdo. O homem cria uma rotina de vida, uma monotonia e acaba deixando levar-se pelo absurdo, perde o sentido da sua existência, passando a não dar mais importância aos fatos e acontecimentos em seu trabalho, com os amigos, na família…tudo se torna comum, rotineiro.

Outro ponto que ilustra o absurdo é o fato do homem já não conseguir mais dar conta dos acontecimentos e tudo lhe foge da percepção e ele mesmo constata que o mundo não tem sentido nem razão, e que a vida é absurda e fantasiosa.

Buscar valorizar e criar sonhos para o futuro é uma forma de querer sair do absurdo, mas é necessário também criar coragem e buscar inovações e outros caminhos para as atividades do dia-a-dia.


Fontes:

ispsn.org
bibliotecapubliga.mg.gov.br
casadoestudo.com
resumodelivro.net
resenhaalacarte.com.br
google.com

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Vamos falar hoje da trilogia ¨o tempo e o vento¨ de Érico Veríssimo.





O Tempo e o Vento foi apresentado pelo escritor gaúcho Erico Verissimo (1905-1975) como uma trilogia, ao longo de 13 anos: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962).

Os três livros percorrem um período de 200 anos e combinam elementos do romance histórico, da jornada épica e da crônica iluminando o caminho da família Terra Cambará. Ficção amparada em fatos e personagens reais, a saga traz episódios determinantes para a formação da identidade cultural e geográfica do Rio Grande do Sul e para a projeção política do Estado no Brasil que se moldava entre a colônia, o império e a república.




Os personagens principais da obra são verdadeiros ícones da literatura brasileira, cada um representando aspectos fundamentais da identidade gaúcha:



- Pedro Missioneiro: O jovem mestiço que vivencia a queda das Missões Jesuíticas, simbolizando a miscigenação étnica e cultural que caracteriza o povo do sul.

Foi o padre Alonzo que encontrou uma mulher entrando em trabalho de parto, no qual morreu. Pedro Missioneiro ficou aos cuidados dele, era um jovem inteligente e um bom católico. Já crescido casou-se com Ana Terra e com ela constituiu família. Seu filho recebeu o nome de Pedro Terra.




Ana Terra, esposa de Pedro Missioneiro, era filha dos paulistas Maneco Terra e Henriqueta. Eles viviam em Sorocaba.

Tendo seu pai descoberto sua gravidez mandou que seus próprios filhos fossem assassinar Pedro. Algum tempo depois um grupo de castelhanos invadiu a fazenda da família Terra e mataram um dos irmãos e o pai de Ana e ainda a violentaram. Os que sobreviveram partiram para Santa Fé, onde se desenvolverá o restante do romance    do livro O Tempo e o Vento.

'Ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra.


''A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto… Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve.''


- Ana Terra: A mulher forte e resiliente que enfrenta a violência e as adversidades, refletindo o papel crucial da figura feminina na construção dessa sociedade.






- Capitão Rodrigo: O arquétipo do gaúcho valente e sedutor, que participa ativamente dos conflitos e guerras que marcaram a história do Rio Grande do Sul.

É em Santa Fé que Pedro Terra, filho do casal Ana Terra e Pedro Missioneiro, cresce e constrói sua família, torna-se pai de Juvenal Terra e Bibiana Terra. Neste volume, o capítulo “Um Certo Capitão Rodrigo” é um dos principais destaques. A chegada repentina de Rodrigo Cambará a Santa Fé é marcada pelas características do rapaz, que representa a imagem do homem gaúcho forte, aventureiro, bravo e destemido.


Causando antipatia em todo povoado, Rodrigo Cambará é convidado a abandonar a cidade, porém não obedece as ordens e permanece na cidade. Certo dia, ao ver Bibiana Terra, o capitão Cambará se apaixona. Bibiana herdara da avó, Ana Terra, uma desconfiança de todos homens. Estava sendo cortejada por Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral, com quem capitão Rodrigo Cambará trava um duelo de arma branca pela mão da moça.




Esse duelo resulta em Bento deferindo um tiro de revólver, que levará escondido, deixando Rodrigo entre a vida e a morte. Após descobrir o feito covarde do filho, col. Amaral promete deixar o capitão Rodrigo Cambará viver tranquilo no povoado. Impressionada com a coragem de Rodrigo, Bibiana aceita casar-se com ele. O pai não gosta do sujeito, mas dá seu consentimento com tristeza.


- Bibiana Terra: A matriarca que, através de suas memórias, conecta as diferentes gerações e permite que o leitor compreenda a passagem do tempo e a evolução da família.

Apesar de casado, capitão Rodrigo Cambará não se acostuma com a vida pacata do vilarejo, entrega-se a bebida e passa a ter casos com outras mulheres. Bibiana suporta as dificuldades, é uma mulher forte que nunca se queixa de nada nem de ninguém. Após voltar da Guerra dos Farroupilhas, ou Guerra dos Farrapos, é assassinado durante uma invasão ao casarão do cel. Amaral, deixando Bibiana viúva e Bolívar órfão.


Por fim, dentre outros acontecimentos que fazem parte da história do país, Bolívar tem um filho chamado Licurgo Cambará que casa-se com sua prima Alice Terra. São pais de Toríbio Cambará e Rodrigo Cambará que dão continuidade aos próximos volumes do livro “O tempo e o vento”.


O primeiro volume de O Continente abre a trilogia. Erico mergulha no passado do Rio Grande do Sul e do Brasil em busca das raízes do presente. O país vive um momento de redescoberta de si e de redefinição de caminhos, com o fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, e o começo da Guerra Fria. Essa é a moldura para sua visão vertiginosa da violência e das paixões na definição da fronteira e nas guerras civis de seu estado natal. O Continente, segundo o crítico literário Antonio Candido "um dos grandes romances da literatura brasileira", lança o leitor em plena ação, durante o cerco das tropas federalistas ao Sobrado do republicano Licurgo Cambará, em 1895, para em seguida retroceder um século e meio e mostrar as origens míticas e históricas do clã Terra Cambará. Acompanhando a formação dessa família, Erico nos apresenta toda a saga.






O retrato

Em “O retrato”, continua a história da família Terra-Cambará em mais dois volumes. Agora com um novo Rodrigo Cambará, bisneto do capitão e ainda seguindo o modelo do homem gaúcho com gosto para as aventuras e pelas mulheres. Rodrigo formou-se em medicina em Porto Alegre e decide voltar a sua terra natal, Santa Fé, que aos poucos deixa de ser um povoado e vai se modernizando.





Com a cabeça para fora do vagão e achando um sabor ríspido e quase heroico em receber na cara o bafo do forno da soalheira e a poeira da estrada, Rodrigo ficou a pensar nas grandes coisas que pretendia fazer. Não se conformaria com ser um simples médico da roça, desses que enriquecem na clínica e acabam criando uma barriguinha imbecil. Não.


Acostumado com a vida na cidade, todo tempo compara a cidadezinha com Paris e outras grandes cidades, representando o homem da virada do século que deixa a realidade rústica e anseia a urbanização. Diferente de seu irmão Toríbio, que se interessa mais pelo campo, Dr. Rodrigo Cambará idealiza projetos de vida grandiosos baseados em sua vivencia na “civilização”. Lança um jornal na cidade que começa a ter influência na política.

Nesse volume, que passa entre a virada do século XIX para o século XX, o plano de fundo da história são os avanços tecnológicos, os progressos da civilização e as mudanças em relação ao poder.O horror moderno era o pavor da Vida e do Conhecido, o horror social causado pela violência e crueldade do homem contra o homem.


Depois da Primeira Guerra Mundial o medo da fome, do desemprego, da miséria e o medo do próprio medo haviam preparado o caminho para o Estado Totalitário. Este por sua vez industrializara e racionalizara o medo a fim de fortalecer-se, sobreviver e ampliar suas conquistas geográficas e psicológicas. Rodrigo Cambará torna-se um participante ativo das questões políticas e todo restante da narrativa ocorre em cima dos acontecimentos da época.


O Arquipélago


A terceira, e última parte do livro, é dividida em três volumes. Neste ponto, ocorre a desintegração de todos os costumes e valores tradicionais da família Terra-Cambará. Devido a atuação ativa de Dr. Rodrigo Cambará na política, parte da ação se passa no Rio de Janeiro, a capital do país na época, no qual ele é eleito deputado federal.


Personagens reais, como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Luís Carlos Prestes, participam da trajetória de Rodrigo Cambará mesclando ficção com realidade. Novamente, Dr. Rodrigo Cambará retorno a Santa Fé, ampliando o poder da família Cambará a âmbito nacional. Neste volume, o capítulo “Diário de Sílvia” tem a primeira narração feminina apresentando os personagens de “O tempo e o vento” sob um ângulo diferente.

Relatado em primeira pessoa por Silvia, noiva de Jango e apaixonada pelo cunhado Floriano, a personagem relembra sua trajetória desde a infância até o amor fracassado por Floriano. Por fim, Floriano Cambará decide escrever a história da família e inicia o conto com as primeiras palavras de “O continente”. Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado.






O autor narra a história do Rio Grande do Sul e do gaúcho desde a formação das Missões Jesuíticas nos séculos XVII e XVIII, passa pela Guerra dos Farroupilhas, século XIX e vai até a Revolução de 1930 no século XX com a ascensão do gaúcho Getúlio Vargas.



Fontes:

educamasibrasil.com.br
midialouca.com.br
google.com
sitedoescritor.com.br
institutoling.org.br
educacaoglobo.com
recantodasletras.com.br
beduka.com
blogdopedroeloi.com.br
brasilescola.uol.com.br
gauchazh.clicrbs.com.br

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Reis católicos da Espanha - Fernando e Isabel





O território espanhol já foi dividido por vários reinos cristãos e muçulmanos desde 711, quando o conquistador berbere Tãriq Ibn Ziyãd conseguiu estabelecer o primeiro território muçulmano na região, que posteriormente desenvolveu o domínio do Al-Andalus, que chegou a ocupar a maior parte da Península Ibérica. Pouco depois, em 718, teve início a longa Guerra da Reconquista, que representou os esforços dos cristãos pela expulsão dos chamados mouros, processo que se estendeu até 1492. 


No decorrer dos enfrentamentos e progresso da reconquista territorial, variados reinos foram formados como Leão, Castela, Navarra, Aragão e Portugal. As relações entre estas monarquias eram complexas, bastante influenciadas pelas condições da estrutura feudal, hierarquias de vassalagem e suserania entre os próprios reinos e pelas circunstâncias do equilíbrio de poder militar e dinástico.





Os Reis Católicos foram Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão. Casaram-se em 1469 e, quando Isabel herdou a coroa de Castela em 1474 e Fernando a coroa de Aragão em 1479, tornaram-se os primeiros soberanos de uma monarquia espanhola centralizada.

A monarquia dos Reis Católicos se sustentou em medidas institucionais que concentraram o poder nos monarcas e consolidaram a unidade religiosa mediante a expulsão ou conversão de judeus (1492) e muçulmanos (1502) e mediante a criação da Inquisição espanhola (1478).




Através da evolução da configuração territorial e política ibérica, os reinos de Castela e Aragão eram os mais destacados reinos hispânicos. Castela possuía era o mais poderoso deles, possuindo o maior território e mais numeroso contingente populacional, além de vultosa produção de riquezas através da atividade agrícola e considerável poder militar. O Reino de Aragão desenvolveu uma promissora atividade comercial e marítima através das rotas do Mediterrâneo. A aproximação entre os reinos era estratégica, assim, em 1469, uma aliança foi firmada através do casamento entre a princesa Isabel de Castela e o príncipe Fernando de Aragão, que eram primos. A articulação em torno do casamento evolveu interesses políticos para lidar com divergências palacianas e contou ainda com o envolvimento papal.


Isabel I de Castela nasceu em 1451, filha do rei João II em seu seguindo casamento com Isabel de Portugal. Sua coroação, em 1474, após uma conflituosa disputa dinástica após a morte de seu meio-irmão Henrique IV, contou com o interessado apoio da coroa de Aragão, pois favorecia ainda mais a aliança entre os dois reinos. Fernando II de Aragão, nascido em 1452, era filho de João II de Aragão e de sua segunda esposa, a nobre castelhana Joana Enríquez. Sua coroação como rei de Leão ocorreu em 1479, quando, enfim, Fernando e Isabel, consolidaram-se como governantes plenos da união entre as duas coroas.

A monarquia dual que foi estabelecida favoreceu a conclusão da Reconquista. O bem protegido Reino de Granada era o último reduto ocupado pelos islâmicos e a atuação das forças combinadas de Castela e Aragão conseguiu, finalmente, firmar sua vitoriosa ação em 1492, quando os Reis Católicos receberam as chaves da cidade de Granada, entregues pelo do sultão Boabdil e simbolizando o triunfo definitivo da prolongada luta pelo estabelecimento do domínio cristão na região ibérica. No mesmo ano, o Decreto de Alhambra determinou a expulsão dos judeus que recusassem a conversão cristã e posteriormente a mesma exigência foi imposta aos muçulmanos que ainda permaneciam no território dos reinos.






Grandes navegações

Igualmente, os soberanos financiaram a expedição de Cristóvão Colombo à América, ocorrida também em 1492.

A fim de garantir a paz com o Reino de Portugal, os soberanos assinaram vários acordos com o vizinho, especialmente o Tratado de Tordesilhas onde os limites do novo mundo foram estabelecidos.

Inquisição e expulsão dos judeus

Do mesmo modo, a expansão da religião católica foi um assunto importante para estes monarcas.

Com o objetivo de transformar todos os habitantes do reino em súditos, em 1492 foi proclamado o Decreto de Alhambra. Nele, se dizia que os judeus que viviam em Castela eram obrigados a escolher entre a conversão ou deixarem o território.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
hostoriablog.org
culturalespanhola.com.br
todamateria.com.br

terça-feira, 5 de maio de 2026

 


Batizados em pé, foi um título que os próprios judeus atribuíram a si mesmo. Eles preferiam a expulsão de Portugal à conversão ao Catolicismo. Foram arrastados paras as Igrejas e ali batizados em massa, num ato de violência e radicalização.

A história relata que, em 31 de março de 1492, os judeus foram expulsos da Espanha pelos reis católicos Ferdinando e Isabel. Mais de 100.000 judeus cruzaram a fronteira adentrando em Portugal, na esperança de livremente praticar suas crenças. Em 1496, Dom Manoel I, o Venturoso, se casou com a filha dos reis católicos da Espanha, na condição que Portugal também expulsasse os judeus. Dom Manoel I, interessado nos benefícios que a união das coroas traria, promulgou o decreto de expulsão em 5 de dezembro de 1496. Referindo-se ao aludido decreto, o historiador Arnold Wiznitzer destaca:


“Porém este decreto foi fraudulento em sua essência, pois o objetivo que visava não era a expulsão dos judeus e sim alcançar, mediante a força e artifícios, a conversão de aproximadamente 190 mil judeus residentes em Portugal, quase 20% da população total do país,”






Dom Manoel estabeleceu prazo (de janeiro a outubro de 1497) para que todo judeu passasse por um processo de conversão ao catolicismo, caso desejasse permanecer em Portugal. Em outubro do mesmo ano, Dom Manoel anunciou que disponibilizaria naus às margens do Rio Tejo que os levaria de volta ao seu país de origem, a Terra Santa. Porém, naquele dia nenhuma nau apareceu e aquela multidão foi obrigada à uma conversão forçada, sendo ali mesmo naquela praça onde foram batizados em pé.  Daí surgiu a expressão até hoje conhecida: “ficaram a ver navios.”.




A importância de cristãos-novos  na formação do Brasil ainda não é reconhecida. Mas essa situação está começando a mudar. “Os cristãos-novos estão aparecendo recentemente na literatura didática, de 2012 para cá.





Eles foram fundamentais, de fato. “Os cristãos-novos influenciaram a vida paulistana”, diz o historiador Marcelo Meira. “Eram alfabetizados, sabiam negociar e possuíam um caráter especial que resultou na conquista de novas terras.”


Os cristãos-novos, judeus convertidos forçadamente ao cristianismo, adotaram uma variedade de sobrenomes para evitar a perseguição da Inquisição. Muitos usavam sobrenomes comuns, como Silva, Costa, Rodrigues, Nunes e Lopes, já que não existia um sobrenome exclusivo para esse grupo. Outros escolhiam nomes relacionados à natureza (como Carvalho, Pereira, Leão e Pinheiro), acidentes geográficos (como Serra, Monte e Rios), cidades (como Miranda e Bragança) ou características físicas (Moreno e Branco).







Na própria expedição de Pedro Álvares Cabral já aparecem alguns judeus, dentre eles, Gaspar Lemos, (seu nome antes da conversão era Elias Lipner),Capitão-mor, que gozava de grande prestígio com o Rei D. Manuel. Podemos imaginar que tamanha alegria regressou Gaspar Lemos a Portugal, levando consigo esta boa nova: – descobria-se um paraíso, uma terra cheia de rios e montanhas, fauna e flora jamais vistos.


Gaspar de Lemos



Teria pensado consigo: não seria ela uma “terra escolhida” para meus irmãos hebreus? Esta imaginação começou a tornar-se realidade quando o judeu Fernando de Noronha, primeiro arrendatário do Brasil, demanda trazer um grande número de mão de obra para explorar seiscentas milhas da costa, construindo e guarnecendo fortalezas na obrigação de pagar uma taxa de arrendamento à coroa portuguesa a partir do terceiro ano. Assim, milhares e milhares de judeus fugindo da chamada “Santa Inquisição” e das perseguições do “Santo Ofício” de Roma, começaram a colonizar este país.


Afinal, os judeus ibéricos, como qualquer outro judeu da diáspora, procuravam um lugar tranquilo e seguro para ali se estabelecer, trabalhar, e criar sua família dignamente.


Muitos judeus, apesar de forçados a abraçar a fé católica, continuavam com seus ritos judaicos. Esse eram chamados de marranos, termo pejorativo derivado de um velho vocábulo latino que significava suíno.






Fontes:


novavega.pt
museudainquisicao.org.br
google.com
aventurasnahistoria.com.br
anussim.org.br
wikipedia.org



segunda-feira, 4 de maio de 2026






Em meados do século XVI na Hispano-américa os espanhóis estavam firmemente estabelecidos no México e no Peru. Nestas colônias havia uma porcentagem importante de cristãos. Surgiram então pedidos para nomear um tribunal da Inquisição. O rei Felipe II criou em 7 de fevereiro de 1569 os tribunais da Inquisição na cidade do México e em Lima. A Inquisição foi uma instituição judicial criada pelo pontificado na Idade Média com a missão de localizar, processar e sentenciar as pessoas culpadas de heresia (opinião ou doutrina contrária à Igreja). Na Igreja primitiva a pena habitual por heresia era a excomunhão. Com o reconhecimento do cristianismo como religião estatal no século IV pelos imperadores romanos, os hereges começaram a ser considerados inimigos do Estado, sobretudo quando tinham provocado violência e alterações de ordem pública.


Tomás de Torquemada


Tomás de Torquemada nasceu em Valladolid (ou, segundo outros, em Torquemada) no ano de 1420 Fez-se Religioso dominicano, exercendo por 22 anos o cargo de Prior do convento de Santa-Cruz em Segóvia. Já aos 11 de fevereiro de 1482 foi designado por Sixto IV para moderar o zelo dos Inquisidores espanhóis. No ano seguinte o mesmo Pontífice o nomeou Primeiro Inquisidor de todos os territórios de Fernando e Isabel.






Extremamente austero para consigo mesmo, o frade dominicano usou de semelhante severidade nos seus procedimentos judiciários. Dividiu a Espanha em quatro setores inquisitoriais, que tinham como sedes respectivas as cidades de Sevilha, Córdova, Jaen e Villa (Ciudad) Real. Em 1484 redigiu, para uso dos Inquisidores, uma “Instrução”, opúsculo que propunha normas para os processos inquisitoriais, inspirando-se em tramites já usuais na Idade Média; esse libelo foi completado por dois outros do mesmo autor, que vieram a lume respectivamente em 1490 e 1498.

Geralmente, baseado em denúncias de fraca sustentação, os investigados eram presos e submetidos a interrogatório nos calabouços da Inquisição. Enquanto os açoitamentos e torturas eram deflagrados, Torquemada passava o tempo sussurrando as suas preces. Segundo alguns documentos, os interrogados tinham as unhas arrancadas, a pele marcada com ferro em brasa e os dedos perfurados. Mulheres acusadas de bruxaria eram despidas para que fossem encontradas tatuagens de símbolos diabólicos.
Torquemada e os reis da Espanha (Fernando e Isabel)





O rigor de Torquemada foi levado ao conhecimento da Sé de Roma; o Papa Alexandre VI, como dizem algumas fontes históricas, pensou então em destitui-lo de suas funções; só não o terá feito por deferência a corte da Espanha. O fato é que o Pontífice houve por bem diminuir os poderes de Torquemada, colocando a seu lado quatro assessores munidos de iguais faculdades (Breve de 23 de junho de 1494).


Quanto ao número de vítimas ocasionadas pelas sentenças de Torquemada, as cifras referidas pelos cronistas são tão pouco coerentes entre si que nada se pode afirmar de preciso sobre o assunto.






Tomás de Torquemada ficou sendo, para muitos, a personificação da intolerância religiosa, homem de mãos sanguinolentas.



Fontes:
seuhistory.com
google.com.br
cleofas.com.br
wikipedia.org
historiadomundo.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2026



Hoje é Dia 1º de Maio, data comemorativa no mundo inteiro como dia do Trabalhador.







O Dia do Trabalho, também conhecido como Dia do Trabalhador, é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios e de conscientização.


"Os outros carregadores mais idosos meio que tinham caçoado do bobo, viesse trabalhar que era melhor, trabalho deles não tinha feriado. Mas o 35 retrucava com altivez que não carregava mala de ninguém, havia de celebrar o dia deles. E agora tinha o grande dia pela frente.


Dia dele... Primeiro quis tomar um banho pra ficar bem digno de existir. A água estava gelada, ridente, celebrando, e abrira um sol enorme e frio lá fora. Depois fez a barba. Barba era aquela penuginha meio loura, mas foi assim mesmo buscar a navalha dos sábados, herdada do pai, e se barbeou. Foi se barbeando. Nu só da cintura pra cima por causa da mamãe por ali, de vez em quando a distância mais aberta do espelhinho refletia os músculos violentos dele, desenvolvidos desarmoniosamente nos braços, na peitaria, no cangote, pelo esforço quotidiano de carregar peso. O 35 tinha um ar glorioso e estúpido. Porém ele se agradava daqueles músculos intempestivos, fazendo a barba.


Ia devagar porque estava matutando. Era a esperança dum turumbamba macota, em que ele desse uns socos formidáveis nas ruças dos polícias. Não teria raiva especial dos polícias, era apenas a ressonância vaga daquele dia. Com seus vinte anos fáceis, o 35 sabia, mais da leitura dos jornais que de experiência, que o proletariado era uma classe oprimida. E os jornais tinham anunciado que se esperava grandes "motins" do Primeiro de Maio, em Paris, em Cuba, no Chile, em Madri." (Trecho do conto 1º de Maio de Mário de Andrade).


Uma greve histórica, realizada em 1º de maio de 1886, nos Estados Unidos.






Neste dia, em Chicago, mais de 1 milhão de trabalhadores saíram às ruas para protestar. Centenas foram presos pela polícia. Três dias depois, numa assembléia na praça Haymarket, uma bomba explodiu, matando dezenas de trabalhadores e ferindo outros 200.







Em consequência desses eventos, os sindicalistas anarquistas Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg, foram condenados à forca, apesar da inexistência de provas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão, ingerindo uma cápsula explosiva. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido como Black Friday. Três outros foram condenados à prisão perpétua.








Em 1893 eles foram inocentados e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive encomendando o atentado para justificar a repressão que viria a seguir.

Se hoje temos alguns direitos trabalhistas garantidos na Constituição Federal, isso se deveu à luta de várias gerações que nos precederam. Não foi um ato de bondade de empresários e da elite.

Lembremos que até 2013 as empregadas domésticas não tinham proteção. Muitas trabalhavam até 12 horas diárias sem horas extras e outros direitos.



A luta sindical permitiu que Direitos como 44 horas semanais, 13º salário, vale refeição, vale transporte, férias de 30 dias, 1/3 de abono de férias, licença maternidade e paternidade, horas extras, fossem conseguidos. Sem mobilização, organização e luta esses direitos tendem a se extinguir, pela ganância de empresários retrógrados e reacionários, que se utilizam do poder político para explorar e gerar mais lucros.


Hoje a luta é contra a escala 6 x 1, transformando-a em escala 5x2. Ou seja o trabalhador trabalharia cinco dias na semana e teria 2 dias de folga.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
vermelho.org.br
guiadoestudante.abril.com.br
suapesquisa.com

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