quarta-feira, 8 de julho de 2026



Barroco no Brasil




O Barroco no Brasil tem início no final do século XVII. No país, essa tendência artística teve grande destaque na arquitetura, escultura, pintura e literatura.


Na literatura, o marco inicial do barroco é a publicação da obra “Prosopopeia” (1601) de Bento Teixeira. Na escultura e arquitetura, Aleijadinho foi sem dúvida um dos maiores artistas barrocos brasileiros.




Prosopopeia:




Canto I





Cantem Poetas o Poder Romano,
submetendo Nações ao jugo duro;
o Mantuano pinte o Rei Troiano,
descendo à confusão do Reino escuro;
que eu canto um Albuquerque soberano,
da Fé, da cara Pátria firme muro,
cujo valor e ser, que o Céu lhe inspira,
pode estancar a Lácia e Grega lira.




Poema publicado em 1601, em versos decassílabos, dispostos em oitava rima, com 94 estrofes, sem divisão de cantos, nem numeração de estrofes, cheio de reminiscências, imitações, arremedos e paródias dos Lusíadas. Há pequena ressonância do ambiente da Colônia, salvo algumas descrições da natureza: "Descrição do Recife de Pernambuco", "Olinda Celebrada!, a que não se pode ainda atribuir qualquer sentimento nativista.


Não tem propriamente ação, e a prosopopeia donde tira o nome está numa fala de Proteu, profetizando post facto, os feitos e a fortuna, exageradamente idealizados, dos Albuquerques, particularmente de Jorge, o terceiro donatário da capitania de Pernambuco, ao qual é consagrado. Portanto, trata-se de um poema laudatório a Jorge de Albuquerque Coelho.


Literariamente modesta mas historicamente significativa, Prosopopeia não deixa de ser válida do ponto de vista euro-tropical. Dentro de sua modéstia literária, ela se inclui entre aquelas primeiras letras em língua portuguesa tocadas pela atração que paisagens exóticas e gentes primitivas, habitantes de espaços tropicais, exerceram sobre europeus.

Influenciado pelo barroco português, no Brasil este estilo se desenvolveu durante o período colonial no chamado “Século de Ouro”.


Sem ter nenhum livro publicado enquanto vivo, Gregório de Matos ficou famoso pelos manuscritos encontrados, que acabaram sendo lançados em várias coletâneas. Sua obra poética foi extraída destes livretos, dos quais não se sabe se todas as poesias eram de sua autoria.




Inconstância das coisas do mundo!


Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas e alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falta a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se a tristeza,
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na inconstância.












No caso do Padre Antônio Vieira, a maior contribuição para o barroco produzido no Brasil foram sermões como Sermão de Santo António aos Peixes, onde trata o tema da escravidão dos índios, Sermão da Sexagésima, em que fala sobre as formas de pregar e Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, sobre o domínio holandês na Bahia.





Padre Antônio Vieira





Foi durante o ciclo do ouro que a exploração desse minério foi a principal atividade econômica desenvolvida no país. Minas Gerais foi o grande foco onde muitas jazidas foram encontradas.


Nessa época, a primeira capital do Brasil, Salvador, foi transferida para o Rio de Janeiro.



Aleijadinho

Diante disso, o número de habitantes no Brasil aumentou consideravelmente o que propiciou uma época de forte desenvolvimento econômico no país. No barroco mineiro, merece destaque o escultor e arquiteto brasileiro: Aleijadinho.


Obras de Aleijadinho em Congonhas do Campo




As principais características do barroco brasileiro são:


Linguagem dramática;
Racionalismo;
Exagero e rebuscamento;
Uso de figuras de linguagem;
União do religioso e do profano;
Arte dualista;
Jogo de contrastes;
Valorização dos detalhes;
Cultismo (jogo de palavras);
Conceptismo (jogo de ideias).


Fontes:
passeiweb.com
cervantesvirtual.com
turismoadaptado.com.br
infoescola.com
pensador.com
google.com
wikipedia.org

terça-feira, 7 de julho de 2026



Hoje vamos falar de um dos principais escritores da Segunda Fase do Modernismo Brasileiro, Murilo Mendes.









Murilo Mendes (1901-1975) foi um poeta brasileiro. Fez parte do Segundo Tempo Modernista. Recebeu o Prêmio Graça Aranha com seu primeiro livro "Poemas". Participou do Movimento Antropofágico, que buscava uma vinculação com as origens do Brasil.


Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora, em Minas Gerais, no dia 13 de maio de 1901. Iniciou seus estudos na sua terra natal. Entre 1912 e 1915, estudou poesia e literatura. Em 1917 foi para Niterói e ingressou no Colégio Interno Santa Rosa, porém, fugiu do colégio e se recusou em voltar. Nesse mesmo ano, foi para Rio de Janeiro com seu irmão mais velho, o engenheiro José Joaquim, que o colocou como arquivista na Diretoria do Patrimônio Nacional.


Em 1920, passou a colaborar com o jornal “A Tarde”, de Juiz de Fora, produzindo artigos para a coluna Chronica Mundana, com a assinatura MMM e depois com o pseudônimo “De Medinacelli”. Em 1924, passou a escrever poemas para as duas revistas modernistas: ”Terra Roxa e Outras Terra” e “Antropofagia”.


Em 1930, lançou seu primeiro livro "Poemas", revelando nessa primeira fase de sua poesia a influência do Movimento Modernista, quando aborda os principais temas e procedimentos do Modernismo brasileiro dos anos 20, como o nacionalismo, o folclore, a linguagem coloquial, o humor e a paródia. Escreve ainda: “Bumba-Meu-Preta” (1930) e “História do Brasil” (1932).
Contexto Histórico


A Segunda Fase do Modernismo que se estendeu de 1930 a 1945 foi o reflexo de um conturbado momento histórico, uma herança da depressão econômica, do avanço do nazi-fascismo, da expansão do comunismo e da Segunda Guerra Mundial. No Brasil, deu-se a ascensão de Getúlio Vargas e a consolidação de seu poder com a ditadura do Estado-Novo.


A poesia desse período traz uma temática mais politizada, resultado das profundas transformações, como também surge uma corrente mais voltada para o espiritualismo e o intimismo, como fruto dessa inquietação, como é o caso da segunda fase da poesia de Murilo Mendes.
Poesia Religiosa


Murilo Mendes foi um dos principais representantes da poesia religiosa cultivada na Segunda Geração do Modernismo. Com a publicação de “Tempo e Eternidade” (1935), escrito em parceria com Jorge de Lima, Murilo Mendes registra a interferência do elemento religiosidade, fruto de sua adesão ao catolicismo, e apresenta uma poesia onde combina elementos de espiritualidade mística, com aspectos da religiosidade popular brasileira.


O texto a seguir integra o livro ”A Poesia em Pânico” (1938), uma das obras mais importantes de Murilo Mendes, onde o poeta, com forte influência cubista, desestrutura os versos para poder então recriá-los em conformidade com a criação divina:


Poema Espiritual


Eu me sinto um fragmento de Deus
Como sou um resto de raiz
Um pouco de água dos mares
O braço desgarrado de uma constelação.


A matéria pensa por ordem de Deus,
Transforma-se e evolui por ordem de Deus.
A matéria variada e bela
É uma das formas visíveis do invisível.


Na igreja há pernas, seios, ventres e cabelos
Em toda parte, até nos altares.
Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar
Que se entrelaçam e se casam reproduzindo
Mil versões dos pensamentos divinos.
A matéria é forte e absoluta
Sem ela não há poesia.




Poesia Surrealista




Murilo Mendes foi considerado como o principal representante da poesia surrealista no Brasil. A partir da publicação do livro “O Visionário” (1941), evidencia-se na obra de Murilo Mendes uma poesia surrealista, quando o poeta funde o imaginário e o cotidiano, o onírico e o intra-mundano, assim como o eterno e o contingente. A poesia “Solidariedade” é parte integrante do livro “Os Visionários”.


Solidariedade


Sou ligado pela herança do espírito e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construídos à minha imagem e semelhança.






Em 1947, Murilo Mendes casa-se com Maria da Saudade Cortesão, poetisa e filha de Jaime Cortesão, historiador e poeta português exilado no Brasil durante o regime ditatorial de Salazar, em Portugal. Entre 1952 e 1956, residiu com a mulher na Europa, em missão cultural na Bélgica e na Holanda. Em 1957 vai para a Itália como professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma.


Até o final de sua carreira, Murilo Mendes trilhou outros caminhos, como a busca do formalismo clássico e as experiências com a linguagem subjetiva, concreta, momento em que já vivia na Europa. Em 1972, Murilo Mendes veio pela última vez ao Brasil.


Murilo Mendes faleceu, em Estoril, Portugal, no dia 13 de agosto de 1975.



Fontes:
ebiografia.com
wikipedia.org
google.com
educacao.bol.uol.com.br

segunda-feira, 6 de julho de 2026



Quando estava terminando o meu curso de Letras na USP, nosso trabalho de conclusão de curso tinha a pretensão de ensinar Literatura através da Música Popular Brasileira (MPB).








Era um projeto audacioso e muito prazeroso, afinal os recursos disponíveis eram imensos. Chico Buarque, Gil, Tom, Caetano, Vinícius, Edu Lobo, Belchior e tantos outros.




Para falarmos de sonorização recorremos às músicas de Caetano Veloso, como exemplo a música "Qualquer coisa" e Rapte-me camaleoa.



Rapte-me camaleoa




Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marrakesh

Mexe
Qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida
Dentro mexe


Não se avexe não
Baião de dois
Deixe de manha, 'xe de manha, pois
Sem essa aranha! Sem essa aranha!


Sem essa, aranha!
Nem a sanha arranha o carro
Nem o sarro arranha a Espanha
Meça: Tamanha!
Meça: Tamanha!


Esse papo seu já tá de manhã
Berro pelo aterro
Pelo desterro
Berro por seu berro


Pelo seu erro
Quero que você ganhe
Que você me apanhe.
Sou o seu bezerro


Gritando mamãe.
Esse papo meu tá qualquer coisa
E você tá pra lá de Teerã




É muito comum que o Caetano ao falar sobre suas músicas diga que elas dizem o que querem dizer. Me lembro que ao ser perguntado por um jornalista o significado de "Coca-Cola", "Brigitte Bardôt ¨, "Cardinali" na música "Alegria, alegria"; ele disse que significavam o que estava escrito. Assim como a frase "O sol nas bancas de revista" era o astro Sol e não o recém lançado jornal alternativo "Sol" onde trabalhava a sua primeira esposa, na época namorada Dedé.









Caetano e Dedé Gadelha



Na música outras palavras a aliteração, que é uma figura de linguagem onde as palavras se repetem, só que em posições diferentes dentro de cada segmento. Analisemos o exemplo latente na canção "Qualquer Coisa" (Qualquer Coisa, 1975):




Qualquer coisa




Mexe qualquer coisa dentro doida,
Já qualquer coisa doida dentro mexe.




No trecho, Caetano realiza um de seus mais expressivos e belos exercícios de síntese artística. A canção, revestida pelo mistério da linguagem vaga e figurada e até de um enigma simbólico, dado já pelo título "Qualquer Coisa", utiliza-se de expressões como "não se avexe não, baião de dois" (algo que se faz entre duas pessoas, e que poderia parecer perturbador ou vexatório) e "sem essa aranha / sem essa aranha..." (alusão figurada e chula do órgão sexual feminino) para chegar ao significado sublimatório da fecundidade da vida e criação entre os seres.






Elas significam, respectivamente, ação (causa) e sua consequência (efeito). Temos, pois, na primeira linha, a alusão figurada da cópula, do prazer e transe sexual, na perspectiva feminina ("mexe qualquer coisa dentro doida"), e na segunda, introduzido pelo advérbio temporal "já" (naquele momento, sem demora) a representação da gênese, o milagre da pulsação da existência: "já qualquer coisa doida dentro mexe". O que era uma ação singularmente física de amor e comunhão entre as pessoas se redimensiona como celebração da nascente da vida, a comunhão genética do ser embrionário, a vida que remexe em botão.






Ele aborda o envolvimento carnal do sexo e do prazer para logo depois abordar a criação de um ser vivo e a sua gestação.




"Sou o seu bezerro gritando mamãe"




Nesse trecho, Caetano explicou na época que seu primeiro filho, Moreno, com Dedé Gadelha, numa viagem de trem viu uns bezerros pastando e berrando "mé, mé,,," ele disse então que os bezerros estavam chamando "mamãe"


Enfim esse é Caetano, nem o sarro arranha a Espanha, nem as críticas arranham a sua carreira fabulosa.





Fontes:
br.answer.yahoo.com
wikipedia.org
google.com
youtube.com
todabiologia.com

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Vamos falar hoje do líder da independência do Congo, Patrice Lumumba.






Em 2 de julho de 1925 nascia Patrice Émery Lumumba, um dos maiores líderes revolucionários do século XX e uma das figuras mais emblemáticas da luta pela libertação da África. Primeiro primeiro-ministro da República do Congo após a independência do domínio colonial belga, Lumumba transformou-se em símbolo universal da resistência ao colonialismo, da defesa da soberania nacional e do direito dos povos à autodeterminação. Seu assassinato, em janeiro de 1961, não interrompeu sua influência. Ao contrário, consolidou sua condição de mártir da emancipação africana e referência permanente para os movimentos de libertação em todo o Sul Global.


A liderança de Lumumba desagradava os colonialistas belgas, que buscaram dividir e instigar as rivalidades étnicas da região. Entre dezembro de 1958 e janeiro de 1959, uma onda de protestos em Léopoldiville e cidades próximas fez com que o governo colonial anunciasse eleições locais e um plano de cinco anos para transição para independência. Mas o gesto foi visto pelo MNC como uma tentativa dos belgas ganharem tempo para instalar políticos fantoches antes de uma retirada oficial e o movimento nacionalista anunciou que boicotaria o pleito. Lumumba liderou novas manifestações de desobediência civil e pela independência imediata do Congo. Em 30 de outubro de 1959, o líder revolucionário foi preso após um ato político em Stanleyville, cujo saldo foi de 30 manifestantes mortos.


Com Lumumba preso, o MNC (Movimento Nacional Congolês) decidiu mudar de tática e entrou nas eleições locais, tendo uma vitória arrasadora em Stanleyville (90% dos votos). Em janeiro de 1960, o governo belga convocou uma conferência em Bruxelas com todos os partidos quinxassa-congoleses para discutir a transição política, mas o MNC se recusou a participar sem Lumumba, que iria para julgamento no dia 18 daquele mês. O governo belga teve de tirá-lo da cadeia diretamente para o avião. Na fase final das negociações, já com a presença de Lumumba, foram assinados os protocolos que detalhavam a transição do poder para um governo quinxassa-congolês, com as eleições nacionais em maio de 1960 e a data para a independência em 30 de junho daquele ano.

Porém, um ano antes da independência nacional o partido de Lumumba, o MNC, sofreu uma cisão (motivada por disputas ideológicas entre a ala nacionalista radical lumumbista e a ala federalista) com a maioria do partido continuando sob comando de Lumumba, chamado informalmente de MNC-Lumumba (ou MNC-L), enquanto que uma fração menor é formada sob comando de Albert Kalonji, o MNC-Kalonji (ou MNC-K).

Nas eleições parlamentares de maio de 1960, que seriam definidoras do futuro governo do novo país independente, o MNC-L liderado por Lumumba recebeu a maioria dos votos, mas foi obrigado a formar uma coalizão governista que incluiu o Partido da Solidariedade Africana, o Centro de Reagrupamento Africano e a Associação dos Bacongos para a Unificação, a Conservação e o Desenvolvimento da Língua Congoko), além de grupamentos políticos menores. Lumumba foi confirmado como primeiro-ministro. Enquanto isso, o Senado e a Assembleia Nacional, elegeram Joseph Kasa-Vubu do regionalista e conservador Abako como presidente do país.




Poucos dias após a conquista da independência, Lumumba enfrentou diversas rebeliões dentro do país e uma declaração de independência da então província de Catanga, conduzida pelo rival político Moise Tshombe, com apoio de empresas de exploração de minas e pelo governo belga.  O governo do Congo acabou se aproximando da União Soviética, que enviou alimentos, remédios e também armamentos para combater o levante rebelde. Os Estados Unidos, a França e a Bélgica começaram a articular a deposição de Lumumba. O presidente Kasa-Vubu dissolveu o governo do líder nacionalista três meses após assumir o poder, mas o primeiro-ministro contestou a legalidade das ações presidenciais e, em retaliação, depôs o presidente e conquistou o voto de confiança do senado quinxassa-congolês. Mas a crise política do Congo estava instalada e abriu caminho para que o coronel Joseph Mobutu liderasse um golpe de Estado, em setembro, incapacitando Lumumba.

Colocado em prisão domiciliar e sob vigilância de tropas das Nações Unidas (ONU), Lumumba tentou fugir da residência em direção a Stanleyville, mas terminou capturado na fuga em dezembro de 1960. Nenhuma medida foi autorizada às forças de paz da ONU pelo secretário-geral da entidade, Dag Hammarskjold, apesar dos apelos para que as tropas locais salvassem-no e do pedido da União Soviética para que o ex-premier fosse liberado. Em 17 de janeiro de 1961, Lumumba foi transferido à força para a cidade de Lubumbashi, em Catanga, onde foi torturado e morto por um pelotão de fuzilamento comandado pelo líder rebelde Moïse Tshombe, ao lado de oficiais belgas. Os corpos nunca foram encontrados.

No ano 2000, um ex-polícial belga, Gerard Soete, confessou à AFP a sua participação na execução de Lumumba e afirmou que os corpos do líder anticolonial e dos seus colaboradores foram dissolvidos em ácido. Não restou quase nada, apenas alguns dentes, acrescentou Soete, que faleceu pouco depois do depoimento. O ex-agente guardou um dos dentes, que permaneceu durante anos na posse da sua família na Bélgica como um troféu. Em junho de 2022, o procurador belga Frederic Van Leeuw entregou aos familiares de Lumumba uma pequena caixa azul que continha um dente — tudo que restou do herói assassinado — numa cerimônia transmitida pela televisão.

Após a Independência do Congo, num discurso histórico, afirmou que a independência não havia sido uma concessão generosa da Bélgica, mas resultado da luta, do sofrimento e do sacrifício do povo congolês.





Recordou as humilhações impostas aos africanos, denunciou décadas de exploração colonial e declarou que o Congo construiria seu próprio destino como uma nação livre.

A fala percorreu rapidamente o mundo e tornou-se um dos documentos políticos mais importantes do processo de descolonização do século XX.

Para milhões de africanos, aquele discurso simbolizou o nascimento de uma nova consciência continental.



A morte de Lumumba, em Janeiro de 1961, produziu exatamente o efeito contrário ao desejado por seus adversários.

Seu nome tornou-se bandeira dos movimentos de libertação nacional na África, inspirando dirigentes como Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Samora Machel, Thomas Sankara e inúmeros líderes que enfrentaram o colonialismo português, o apartheid sul-africano e outras formas de dominação.

Também exerceu profunda influência sobre intelectuais como Frantz Fanon, sobre o Movimento dos Não Alinhados e sobre diversas correntes do pensamento anticolonial.

Ao longo das décadas seguintes, universidades, avenidas, praças e monumentos em diversos países passaram a homenagear Lumumba como símbolo da dignidade africana.

Lumumba permanece até os dias de hoje como herói nacional do Congo.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasil247.com
almaopreta.com.br

quinta-feira, 2 de julho de 2026

 Em 2 de julho a Bahia comemora sua independência.





A Independência da Bahia é um movimento que se insere no contexto da Independência do Brasil, no começo da década de 1820. A insatisfação com Portugal existia em algumas partes da Colônia, mas ainda não era generalizada, e havia regiões leais à autoridade portuguesa.

Além disso, não existia uma consciência nacional, isto é, um senso de identificação dos colonos enquanto brasileiros ainda muito bem definida. Exemplos disso foram os dois movimentos separatistas que aconteceram em Minas Gerais e Bahia no final do século XVIII, por exemplo.




Salvador, capital da Província da Bahia e uma das cidades mais importantes do Reino do Brasil, parte do então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, aderiu à Revolução Liberal do Porto, de 1820 e, com a convocação das Cortes Gerais em Lisboa, em janeiro do ano seguinte, envia deputados como Miguel Calmon du Pin e Almeida na defesa dos interesses locais. Divide-se a cidade em vários partidos, o liberal unindo mesmo portugueses e brasileiros, interessados em manter a condição conquistada com a vinda da Corte para o país de Reino Unido, e os lusitanos interessados na volta ao estado de antes. Dividem-se os interesses, acirram-se os ânimos: de um lado, portugueses interessados em manter a província como colônia, e do outro, brasileiros, liberais, conservadores, monarquistas e até republicanos se unem, finalmente, no interesse comum de uma luta que já se fazia ao longo de quase um ano, e que somente se faz unificada com a própria Independência do Brasil a partir de 14 de junho de 1822, quando é feita na Câmara da vila de Santo Amaro da Purificação a proclamação que pregava a unidade nacional, e reconhecia a autoridade de Pedro I.

Embora antecedida pela Convenção de Beriberi e pelas reações ao Dia do Fico, a luta pela Independência na Bahia veio antes da independência brasileira, e só concretizou-se quase um ano depois do 7 de setembro de 1822: ao contrário da pacífica proclamação às margens do riacho do Ipiranga, só ao custo de muitas vidas e batalhas por terra e mar emancipou-se de Portugal, de tal modo que seu Hino afirma ter o Sol que nasceu ao 2 de julho brilhado mais que o primeiro.

A Revolução do Porto (1820) teve enorme repercussão na Bahia, onde era grande o número de portugueses. Com o retorno de D. João VI a Portugal (abril de 1821), permanecendo no Rio de Janeiro, D. Pedro como príncipe-regente, aceleraram-se os conflitos entre brasileiros e portugueses. Em novembro de 1821, soldados portugueses saíram pelas ruas de Salvador, atacando soldados brasileiros, num confronto corporal na Praça da Piedade, registrando-se mortos e feridos. A população, temerosa, afastou-se da capital buscando refúgio nos sítios do Recôncavo. Em 11 de fevereiro de 1822, chegou a notícia da nomeação do português Madeira de Melo como comandante das armas da província baiana. Ele substituiria o brigadeiro Manuel Pedro favorável aos brasileiros e tinha a missão de submeter o povo baiano às ordens de Portugal. O conflito estava armado. As tropas portuguesas percorriam as ruas, fazendo provocações, inspecionando as fortificações, desafiando as guarnições de maioria nacional.






As tropas portuguesas percorriam as ruas, fazendo provocações, inspecionando as fortificações, desafiando as guarnições de maioria nacional. Na madrugada do dia 19 tiros foram disparados do Forte de São Pedro para onde acorreram as tropas portuguesas. Salvador transformou-se numa praça de guerra, e confrontos violentos ocorreram nas Mercês, na Praça da Piedade e no Campo da Pólvora. As tropas portuguesas tomaram o quartel, atacaram casas e invadiram o Convento da Lapa onde alguns revoltosos tinham se refugiado, vindo a assassinar a sua abadessa, Sóror Joana Angélica (19 de fevereiro de 1822). Restava tomar o Forte de São Pedro. Madeira de Melo preparou-se para bombardear a fortificação — uma das poucas inteiramente em terra, no centro da cidade. No dia seguinte, o forte rendeu-se, evitando-se o derramamento de sangue.

O brigadeiro Manuel Pedro foi preso e enviado a Lisboa. As tensões continuaram. Os brasileiros ainda na capital reagiram com pedradas às ações militares de Madeira de Melo e, na procissão de São José (21 de março de 1822), os portugueses foram apedrejados.




Depois de uma luta acirrada finalmente em 2 de julho de 1823, Madeira de Melo derrotado, mas sem se render formalmente, embarcou com o que restava de suas tropas de volta a Portugal. Por isso essa data é considerada como a da independência da Bahia.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
ensinarhistoria.com.br
brasilescola.uol.com.br

quarta-feira, 1 de julho de 2026

 Rodésia - continente africano.


Zimbábue (antiga Rodésia)




Rodésia era o nome utilizado durante a colonização da África a uma região do interior da África austral, sem litoral, cuja colonização inicial se deveu a Cecil Rhodes; embora ele tivesse chamado Zambezia a essa região (que é atravessada pelo rio Zambeze), mais tarde ela foi assim rebatizada.



CecilRhodes





A Rodésia original surgiu em 1888 quando Cecil Rhodes, através de sua empresa - Companhia Britânica da África do Sul, conseguiu direitos de mineração na região. A concessão foi dada através do Tratado Moffat e a Concessão Rudd, assinado com o rei Lombegula dos matebeles (grupo étnico nativo da região).

Tribo Matebele




Em 1911, a Rodésia foi separada em dois protetorados, a Rodésia do Norte (atual Zâmbia) e a Rodésia do Sul (atual Zimbábue).  Em 1953, as duas Rodésias e o Protetorado da Niassalândia (atual Maláui) formaram uma federação chamada Federação da Rodésia e Niassalândia, que durou até 1963, quando os três Estados voltaram a ser distintos entre si. Em 1965, a Rodésia do Sul declarou unilateralmente a independência, voltando a ser conhecida novamente pelo nome de Rodésia ou República da Rodésia.



A vitória eleitoral do novo partido com base numa proposta clara de protção e manutenção dos privilégios da minoria branca obrigou os movimentos nacionalistas negros da Rodésia a reverem a estratégia de negociações que tinham adoptado até aí. Isto é, o endurecimento da posição dos brancos provocou o endurecimento dos sectores mais moderados da ZANU e da ZAPU, não lhes dando outra saída que não fosse a luta armada.






Por outro lado, a ostracização da Rodésia pela comunidade internacional na sequência da política de independência branca e a consequente imposição de sanções económicas que ocorreu após a declaração unilateral de independência (UDI) provocaram uma estreita aliança entre a Rodésia e a África do Sul, o que seria desejado por ambas as comunidades brancas, mas também envolveram intensamente Portugal, o que já não seria tão consensual. Pelo contrário, a aliança tripartida que a independência unilateral da Rodésia provocou estará na origem dos conflitos entre vários atores da política de Moçambique.






Essas tensões serão permanentes e, embora se desenrolassem fora dos espaços públicos, tiveram afloramentos visíveis. As tensões entre colonos integristas como os Mesquitelas e Cardigas e governadores de cariz mais liberal como Sarmento Rodrigues, as que existiram entre colonos da Beira e de Lourenço Marques, uns mais ligados aos rodesianos, outros aos sul-africanos, as tensões entre militares, como Kaúlza de Arriaga, e Jorge Jardim, entre Kaúlza e os governadores Rebelo de Sousa e Arantes e Oliveira, entre Kaúlza e alguns dirigentes rodesianos como Ken Flower, sobre o modo de conduzir a guerra, são alguns dos exemplos.



Após uma longa guerra civil entre o governo branco e duas organizações guerrilheiras africanas (ZIPRA e ZANLA), em 1º de julho de 1979 o Reino Unido reassumiu o controle por um pequeno espaço de tempo, estabelecendo a dominação da Zimbábue-Rodésia, que, finalmente, em 1980, passou a ser o Estado independente do Zimbábue.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
guerracolonial.pt
infoescola.com


Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...