terça-feira, 31 de março de 2026

 Franz Scott Fitzgerald





Francis Scott Fitzgerald (1896-1940) foi um escritor norte-americano, um dos escritores da chamada "Geração Perdida" da literatura americana.

Francis Scott Fitzgerald nasceu em Saint Paul, Minnesota, Estados Unidos, no dia 24 de setembro de 1896. Filho de um rico fazendeiro do sul e de uma católica irlandesa frequentou as melhores escolas sem mostrar interesse pelos estudos. Ingressou na Universidade de Princeton, mas não concluiu o curso. Em 1917 alista-se no Exército.

Em um campo de treinamento no Alabama, conhece Zelda Sayre, com quem se casou. Desmobilizado de suas funções militares, tenta seguir a carreira publicitária até publicar seu primeiro romance, "Este Lado do Paraíso" (1920). O livro é sucesso de vendas. Scott passa a ser porta-voz dos jovens intelectuais revoltados com a sociedade.





O livro foi lançado em 26 de março de 1920. Narra a história de Amory Blaine, nascido em berço de ouro, foi mimado por sua mãe, Beatrice, uma mulher que reunia as qualidades esperadas de uma dona-de-casa rica da virada do século XX. Ela era bonita, interessante, propensa a doenças misteriosas e com um fraco por vícios em bebidas e medicamentos. Nada além do normal dentro daquela sociedade. Beatrice praticamente criou Amory sozinha, já que o pai do rapaz ausenta-se durante todo o romance. A educação era, de fato, vista como assunto de mulheres. E Amory foi educado de forma muito próxima pela mãe durante seus anos de infância, o que parece tê-lo marcado para sempre. Se Fitzgerald colocou tal construção como crítica ao apego entre uma mãe e um filho fica à interpretação do leitor.

É interessante perceber como Amory passa de um jovem que tem tudo - dinheiro, status e convicções firmes - para alguém que não possui grandes certezas, alquebrado pelo mundo que o rodeia, a qual não mais sente-se pertencente. O Amory que acompanhamos durante mais da metade do romance exibindo seu intelecto, fazendo farras com os colegas, tendo diversos encontros e usando o mundo como se fosse seu parque-de-diversões é bem diferente do rapaz que encontramos da metade para o final da história, quando ele já está com as ilusões por terra e enxerga o mundo e a si mesmo como coisas irremediáveis.






Publicado originalmente há um século, o romance possui diversas similaridades com a atualidade. Em muitas maneiras, poderia ter sido escrito hoje em dia. A melancolia sem direção daquela que ficou conhecida como a Geração Perdida se faz presente com força no enredo. Até mesmo o estilo muda conforme Amory vai perdendo as bases fundamentais que sustentavam sua personalidade. O que começa como prosa muda para poemas, diários, cartas e teatro. Não há uma constante porque aquela era uma época de mudanças - tal qual o é esta. A guerra, a crise econômica, o rompimento com Rosalind, seu primeiro e mais intenso amor (claramente baseada em Zelda), a pandemia, a falta de perspectivas, tudo deprime aqueles personagens, que continuam tentando encontrar seus lugares, quer seja numa profissão, quer seja num casamento tradicional, seguindo os passos da geração anterior que já não se encaixam naquele contexto, pois os valores vitorianos foram rompidos no início do século XX.



Principal cronista da vida da alta sociedade dos Estados Unidos nos anos 20, por ele definidos como "Era do Jazz". Pelo estilo de vida boêmia, torna-se uma espécie de ídolo da chamada "Geração Perdida", que proclama a falência do sonho norte-americano de uma sociedade harmônica. Em 1922 escreve o romance, "Belos e Malditos".

Em 1924 parte para a França, como outros artistas norte-americanos, e leva uma vida agitada. Escreve “O Grande Gatsby” (1925), um romance sobre a Era do Jazz, época de grande prosperidade e liberdade da sociedade norte-americana. Com a segunda edição do livro, o autor conquistou seu lugar entre os maiores escritores do seu tempo. O livro se transformou em sua obra-prima.


Fontes:

wikipédia.org
google.com
ebiografia.com
queridoclassico.com

segunda-feira, 30 de março de 2026

A origem de Guarujá (SP) está ligada à Ilha de Santo Amaro, habitada por indígenas Tupinambás e avistada por portugueses em 1502. O nome vem do tupi, significando "passagem estreita ou " ou "viveiro de sapos/rãs". Oficialmente, a vila foi fundada em 2 de setembro de 1893, impulsionada pelo turismo, cassino e hotelaria, sendo emancipada de Santos em 1934.





Antes da chegada dos europeus, o território do atual Guarujá era habitado por povos do tronco tupi-guarani, como os Tupiniquins e os Carijós. Com isso, como podemos perceber, eles nomeavam seus espaços a partir da relação direta com o ambiente natural. Por isso, para entender melhor o que significa Guarujá, é importante conhecer essas raízes indígenas que dão sentido à identidade da região.

Compreender as origens e interpretações do nome Guarujá é, portanto, um mergulho na história viva da região. Cada versão carrega traços de uma identidade construída muito antes da urbanização e do turismo — um lembrete de que, por trás do destino badalado, existe uma terra ancestral cheia de significados.






A cidade de Guarujá, situada na Ilha de Santo Amaro, foi visitada pela primeira vez no dia 22 de Janeiro de 1502 pelos exploradores portugueses André Gonçalves, Américo Vespúcio e suas armadas. Mais precisamente, essa visita ocorreu na parte ocidental da ilha, conhecida atualmente como Praia Santa Cruz dos Navegantes.

Contudo, devido à topografia, hostilidade indígena e áreas pantanosas a cidade ficou por mais de 300 anos abandonada. Tendo apenas a extração de óleo de baleia, pesca e poucos engenhos de açúcar como atividade econômica.

Com o passar do tempo as pessoas que viviam dessa economia foram formando um pequeno povoado, sendo assim, por um decreto imperial de 1832, Guarujá passou a condição de Vila.

Em 1893, Guarujá foi promovida a Vila Balneária de Guarujá. Para isso foram encomendados dos Estados Unidos um hotel, uma igreja, um cassino e 46 chalés residenciais desmontáveis. Além de receber serviços de água, esgoto e luz elétrica.


Praia do Tombo





Em 30 de Junho de 1934 a cidade recebeu o título de Estância Balneária e em 1947 passou a ser considerada município devido ao seu crescimento contínuo.

Com uma natureza exuberante espalhada por 27 praias com belezas totalmente diferentes que atraiam os turistas para a região, Guarujá foi reconhecido internacionalmente, na década de 70, com o título de “Pérola do Atlântico”.


Praia de Pitangueiras


Atualmente a cidade continua a ser referência nacional na qualidade de suas praias, o desenvolvimento econômico das últimas décadas trouxe grandes investimentos ao setor portuário, náutico, hoteleiro, empresarial, imobiliário e do comércio. Hoje Guarujá é o destino ideal para quem quer desfrutar das belezas naturais e garantir e um passeio com muita diversão e cultura.

Praia do Éden



Em 22 de janeiro de 1502, chegou por essas bandas a Armada de Américo Vespúcio, para reconhecimento das terras descobertas por Cabral, exatamente na Praia Santa Cruz dos Navegantes, conhecida como “Pouca Farinha”. Posteriormente, passaram por aqui, em 1526, o veneziano Sebastião Caboto e, em 1530, o espanhol Alonso de Santa Cruz, que declarou: “Estas ilhas (São Vicente e Santo Amaro atuais) os portugueses creem ficar no continente que lhes pertence, dentro da sua linha de partilha, eles porém se enganam segundo está averiguado por criados de Vossa Majestade com muita diligência… de maneira que a linha não termina no “Puerto de São Vicente” e sim mais para o oriente, num porto chamado “Sierras de San Sebastiian”…






Nota-se no relato acima, que estas terras eram muito visadas pelos europeus e que a coroa de Portugal tinha que tomar atitudes enérgicas para a fixação do território e, finalmente, em 1532, chegou a Armada de Martim Afonso.

Essa Armada era composta de 5 navios e 400 homens e tinha o propósito de combater os franceses, assegurar a posse portuguesa e efetuar a colonização no Brasil entre Pernambuco e Cananeia. Alguns portugueses instalaram-se na parte ocidental da Ilha de Santo Amaro, trabalhando com pesca, agricultura de subsistência e reparos de embarcações.




A mando de Brás Cubas, o Forte São Felipe foi construído em 1552, com a intenção de “fechar” o Canal de Bertioga, que sempre foi um acesso fácil à Ilha de São Vicente. Grandes inimigos daquele tempo eram os índios Tupinambás, que se aliaram aos franceses na luta contra a escravidão de seu povo feita pelos portugueses. Brás Cubas usou mão de obra escrava dos indígenas nesta construção.

Do outro lado do Canal de Bertioga, está o Forte São João, formando uma perfeita barreira ao inimigo. Também conhecido como Forte de São Luis e Forte de Pedra, o Forte São Felipe foi reparado em 1765.

Hans Staden – alemão que residiu no Forte São Felipe, caiu nas mãos dos Tupinambás onde ficou cativo por nove meses. Resgatado pelo navio francês Catherini de Vetteville, escreveu o livro “Duas Viagens ao Brasil”, publicado em 1557.





Ermida de Santo Antônio do Guaibê

Construída em 1544, com pedra e cal, foi utilizada pelos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega na reza de missas e catequização dos indígenas. Neste local, Anchieta escreveu o poema Milagre dos Anjos. “Além da catequese aos índios, prestava serviços educacionais e assistenciais aos colonos.

O objetivo era manter a coesão dos colonizadores através da religião, evitando que fossem absorvidos pela cultura nativa. Anchieta foi designado para a Missão de São Vicente, aonde chegou em 24 de dezembro de 1553. Sua atuação junto aos índios foi intensa; profundo conhecedor da língua e da cultura indígena, chegou a elaborar uma gramática tupi.” Fonte: livro “30 Anos em Prol da Cultura – Instituto Histórico e Geográfico Bertioga – Guarujá – 1958 -1988”. Em 1966, em homenagem ao Padre Anchieta foi rezada uma missa com mais de 1000 velas acendidas por caiçaras e moradores da região.


Armação das Baleias.





O Forte São Felipe, já entre os séculos XVIII e XIX, serviu como Armação de Baleias, uma das bases econômica do Brasil Colônia. No local, havia tudo o que era necessário para a produção do óleo de baleia: baleias, madeira, água potável, sendo a primeira indústria extrativista da Ilha de Santo Amaro. Por possuírem grande quantidade de gordura em sua estrutura, as baleias foram alvo de caçadas para o fornecimento de combustível para iluminação de casas, vias públicas, parcas indústrias e matéria prima para a confecção de argamassa para a construção civil da época. Aqui os ossos serviam para a fabricação de pentes, broches e agulhas, além de outros utilitários.


Curiosidades da época

“Lá vinha o teco-teco, avião monomotor, comum na década de 30 e 40. Estava preparando o pouso. À medida que se aproximava da terra, balançava de um lado para o outro, como um pato andando. A pista era toda a extensão de areia da Praia de Pitangueiras, que ficava vazia em tais ocasiões. Ninguém queria ser atropelado por aquela geringonça.







Mas, o que estavam fazendo aqueles três homens? Assim que o avião encontrava-se a poucos metros do solo, eles dirigiram-se para a pista. Levavam cordas nas mãos, com laços nas pontas. A aeronave já estava taxiando. Aproximava-se dos homens, em gestos rápidos, lançava-lhes as duas asas e a calda, segurando-o como se segura um touro no pasto. Era assim mesmo que se parava o teco-teco em Pitangueiras. Evitando que ele se precipitasse no mar ou ficasse atolado em um banco de areia.” Fonte: livro “Pérola ao Sol” – Mônica Damasceno e Paulo Motta.





Fontes:

wikipedia.org
google.com
visiteguaruja.com.br
guaruja.org.br
cidadeecultura.com

sexta-feira, 27 de março de 2026

 

Colosso de Rodes




Considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Colosso de Rodes foi uma grande estátua construída na Grécia, próximo do Mar Mediterrâneo. O escultor Carés de Lindos demorou mais de dez anos para concluir o monumento: iniciou em 292 a.C. e só conseguiu terminar em 280 a.C.





Com 30 metros de altura e cerca de 70 toneladas de peso, a estátua servia como porta de entrada à Ilha de Rodes e representava o deus sol Hélios. Segundo alguns historiadores, as pernas do Colosso ligavam as margens do canal. Em uma das mãos do colosso, havia um farol que servia para iluminar as embarcações noturnas.



A estátua, cuja construção levou 12 anos ( c. 294–282 a.C. ), foi derrubada por um terremoto por volta de 225/226 a.C. O Colosso caído permaneceu no local até 654 d.C. , quando forças árabes invadiram Rodes e destruíram a estátua, vendendo o bronze como sucata. Supostamente, os fragmentos totalizaram mais de 900 cargas de camelos.


Fontes:

britannica.com
infoescola.com
google.com

quinta-feira, 26 de março de 2026



Vamos falar hoje da História da Literatura Portuguesa.





Luís de Camões, Antero de Quental, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Sophia de Mello Breyner Andresen e José Saramago




Os inícios da literatura portuguesa encontram-se na poesia galego medieval, desenvolvida originalmente na Galiza e no Norte de Portugal. A Idade de ouro situa-se no Renascimento, momento em que aparecem escritores como Gil Vicente, Bernardim Ribeiro, Sá de Miranda e sobretudo o grande poeta épico Luís de Camões, autor de Os Lusíadas. O século XVII ficou marcado pela introdução do Barroco em Portugal e é geralmente considerado como um século de decadência literária, não obstante a existência de escritores como o Padre Antonio Vieira, o Padre Manuel Bernardes e Francisco Rodrigues Lobo. Os escritores do século XVIII, para contrariarem uma certa decadência da fase barroca, fizeram um esforço no sentido de recuperar o nível da idade dourada – o neoclassicismo, através da criação de Academias e Arcádias literárias. Com o século XIX, foram abandonados os ideais neoclássicos, Almeida Garrett introduziu o Romantismo, seguido por Alexandre Herculano e Rebelo da Silva. No campo do Romance, na segunda metade do século XIX, desenvolveu-se o Realismo, de feição naturalista, cujos máximos representantes foram Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão e Camilo Castelo Branco. As tendências literárias do século XX estão representadas, principalmente, por Fernando Pessoa, considerado como o grande poeta nacional a par de Camões, e já nos seus últimos anos pelo desenvolvimento da prosa e ficção, graças a autores como Antônio Lobo Antunes e José Saramago, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1998, até agora o único escritor em língua portuguesa.






Obras essenciais na dramaturgia, poesia e prosa portuguesas, clássicos que influenciaram a formação de nossa cultura literária desse lado do Atlântico. Algumas escolhas são óbvias como: Gil Vicente, Camões e Padre António Vieira que não poderiam faltar em qualquer antologia, mas como escolher apenas um romance entre autores lusitanos favoritos como Eça de Queirós (A Relíquia, O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, A Cidade e as Serras), José Saramago (Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio Sobre a Cegueira) ou do demônio imbatível das letras António Lobo Antunes com mais de trinta livros publicados, entre eles: Conhecimento do Inferno e Explicação dos Pássaros.

Antonio Lobo Antunes




A literatura portuguesa nasceu formalmente no momento em que surgiu o português língua escrita, nos séculos XII e XIII. Ainda que seja provável a existência de formas poéticas anteriores, os primeiros documentos literários conservados pertencem precisamente à lírica galego-portuguesa, desenvolvida entre os séculos XII e XIV com uma importante influência na poesia trovadoresca provençal. Esta lírica era formada por canções ou cantigas breves, difundidas por trovadores (poetas) e segréis (instrumentistas) e desenvolveu-se primeiro na Galiza e no Norte de Portugal. Mais tarde trasladou-se para a corte de Afonso X, o sábio, rei de Castela e de Leão, onde as cantigas continuaram a ser escritas em galego-português.




Os primeiros poetas conhecidos são João Soares de Paiva e Paio Soares Taveirós, sendo de autoria deste último a "Cantiga da Ribeirinha", também conhecida como "Cantiga da Garvaia".


Ribeirinha


No mundo non me sei pareiha,
Mentre me for como me vai,
Ca já moiro por vós – e ai!
Mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraia
Quando vos eu vi em saia!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel di’, ai!
Me foi a mim mui mal,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e bem vos semelha
D’haver eu por vós guarvaia,
Pois, eu, mia senhor, d’alfaia
Nunca de vós houve nen hei
Valia d’ua Correa.


No mundo não conheço quem se compare
A mim enquanto eu viver como vivo,
Pois eu moro por vós – ai!
Pálida senhora de face rosada,
Quereis que eu vos retrate
Quando eu vos vi sem manto!
Infeliz o dia em que acordei,
Que então eu vos vi linda!
E, minha senhora, desde aquele dia, ai!
As coisas ficaram mal para mim,
E vós, filha de Dom Paio
Moniz, tendes a impressão de
Que eu possuo roupa luxuosa para vós,
Pois, eu, minha senhora, de presente
Nunca tive de vós nem terei
O mimo de uma correia.


(Paio Soares de Taveirós)





Outros poetas desenvolveram sua arte na corte do rei D. Afonso III de Portugal e mais tarde na de D.Dinis, ambos monarcas protetores e impulsionadores da cultura livresca. O corpus total da lírica galaico-portuguesa, composto por 1685 textos, excluindo as Cantigas de Santa Maria (As Cantigas de Santa Maria são um conjunto de quatrocentas vinte e sete composições em galego-português, que no século XIII era a língua fundamental da lírica culta em Castela), está reunido em Cancioneiros ou Livros das Canções: o Cancionoiros da Ajuda, Cancionaeiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (Colocci Brancuti), além dos pergaminhos Vindel e Sharrer.


O Pergaminho Sharrer é um fragmento de pergaminho medieval que contém partes de sete cantigas de amor de Dom Dinis, rei de Portugal, com poesias em língua galaico-portuguesa e notação musical.








Pergaminho de Sharrer
.


Pergaminho de Vindel - final sec. XIII e inicio do sec. XIV



A prosa em português teve um desenvolvimento mais tardio que a poesia e não apareceu até o século XIII, época em que adotou a forma de breves crônicas, hagiografias e tratados de genealogia denominados Livros de Linhagens. Não se conservou nenhum cantar de gesta portuguesa, mas sim, em mudança, livros de cavalaria, como a "Demanda do Santo Graal". Nesta época escreveu-se ademais, possivelmente, a primeira versão, hoje perdida, do Amadis de Gaula, cujos três primeiros livros foram escritos segundo algumas fontes por um tal João Lobeira, trovador de finais do século XIII. Estas narrações cavalheirescas, ainda que desprezadas pelos homens cultos de finais da Idade Média e do Renascimento, gozaram do favor popular, dando lugar às intermináveis sagas dos "Amadises" e os "Palmerins", tanto em Portugal como em Espanha.


Em 1790 nasceu uma Nova Arcádia, a que pertencia Manuel Maria Barbosa du Bocage, que poderia talvez ter chegado a ser um grande poeta em outras circunstâncias.




Bocage


SONETO DO EPITAPHIO


La quando em mim perder a humanidade
Mais um daquelles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o theologo, o peralta,
Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:


Não quero funeral communidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gattarrões, gente de malta,
Eu tambem vos dispenso a caridade:


Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulchro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitaphio mão piedosa:


"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".




O seu talento levou-o, no entanto, a reagir contra a mediocridade geral e não se conseguiu elevar a grande altura de maneira sustentada, apesar de os seus sonetos competirem com os de Camões. Também foi um mestre da poesia breve e improvisada, que empregou com sucesso em sua Pena de Talião contra José Agostinho de Macedo.


Este sacerdote era um autêntico ditador literário, e em sua obra Vós Burros ultrapassou a todos os demais poetas na agressividade de suas invectivas, chegando a ter tentado substituir os Lusíadas de Camões com uma obra épica inferior, Oriente. No aspecto positivo, escreveu notáveis obras didáticas e odes aceitáveis e as suas cartas e panfletos políticos mostram conhecimentos e versatilidade. Contudo, a sua influência no ambiente literário de Portugal foi mais negativa que positiva.


Nos últimos anos do século XX, e a começos do XXI, a literatura portuguesa em prosa tem demonstrado uma grande vitalidade, graças a escritores como Antonio Lobo Antunes e sobretudo o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, autor de novelas como "Ensaio sobre a cegueira" e "O Evangelho segundo Jesus Cristo" ou "A caverna".




José Saramago





Fontes:

wikipedia.orggoogle.com
brasilescola.uol.com.br
portaleducacao.com.br
google.com

quarta-feira, 25 de março de 2026

Dando sequência nos relatos do folclore brasileiro hoje vamos falar do Boitatá.





O primeiro registro da lenda do Boitatá data do ano de 1560, na época da colonização. Se trata de um texto do padre jesuíta José de Anchieta, no qual ele classificava esse animal imaginário - uma cobra com olhos de fogo - como sendo fruto de uma lenda indígena. Na língua indígena tupi, "mboi" quer dizer cobra e "tata" significa fogo.





Os padres evangelizadores ouviram dos índios que o Boitatá era uma cobra gigantesca, cujo corpo era coberto por fogo. Seus olhos eram como dois grandes faróis, seu couro era transparente, e sua cor cintilante podia ser vista durante a noite enquanto ele deslizava nas campinas e na beira dos rios.

Segundo a lenda que foi popularizada na época da colonização, o Boitatá tem o poder de se transformar em um tronco de fogo para enganar e atrair os lenhadores e pessoas que queimam as matas ou maltratam os animais.

Quem olhar diretamente para os olhos da cobra não sai impune: pode ficar cego, louco, ou até morrer. Por isso, recomenda-se que quem se deparar com o Boitatá não deve correr. Deve ficar parado, fechar os olhos e prender a respiração até que ele se afaste.



Luís Câmara Cascudo, estudioso do folclore brasileiro, trouxe em seu livro, Dicionário do folclore brasileiro, um trecho do relato do religioso sobre a lenda do boitatá:






“Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer coisa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra coisa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza.”

A lenda do boitatá pode ser usada para explicar o fogo-fátuo, uma pequena chama que surge durante a decomposição de matéria orgânica. Cascudo segue essa linha de pensamento ao afirmar que o fogo-fátuo era interpretado como o movimento de uma cobra e, por isso, o boitatá teria esse formato.

Outra versão da lenda diz que, há muito tempo atrás, uma noite se prorrogou muito parecendo que nunca mais haveria luz do dia. Era uma noite muito escura, sem estrelas, sem vento, e sem barulho algum dos bichos da floresta, era um grande silêncio.

Os homens viveram dentro de casa e estavam passando fome e frio. Não havia como cortar lenha para os braseiros que mantinham as pessoas aquecidas, nem como caçar naquela escuridão. Era uma noite sem fim. Os dias foram passando e a chuva começou, choveu muito, esta chuva inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo. Uma grande cobra que vivia em repouso num imenso tronco despertou faminta e começou a comer os olhos de animais mortos que brilhavam boiando nas águas. 

Na história existem relatos do grande inverno de 536, onde por dois anos a luz do Sol ficou escondida, prejudicando as lavouras e os animais levando à fome no mundo. Esse fenômeno ocorreu devido a três erupções vulcânicas.



Fontes:

mundoeducacao.uol.com.br
sohistoria.com.br
hipercultura.com
google.com
wikipedia.org






“O rio Tamanduateí corria ao lado da via, abaixo do Mosteiro de São Bento, e tinha em seu percurso sete voltas. No final da sétima volta ficava o Porto Geral, onde eram desembarcados os produtos importados que vinham do porto de Santos. O nome do Porto foi dado à conhecida Ladeira Porto Geral, uma das travessas da 25 de Março. Em janeiro de 1850, os moradores do local enfrentaram uma enchente histórica, que destruiu dezenas de casas. No final do século XIX, o rio Tamanduateí foi drenado, e a região passou a se chamar rua de baixo, conhecida atualmente como o baixo de São Bento. Somente em novembro de 1865 o nome da rua foi alterado para 25 de Março.” ( Livro - Mascates e sacoleiros - Lineu Francisco de Oliveira)




Considerado o maior centro comercial da América Latina, a Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo. Recentemente, o livro Mascates e Sacoleiros (Scortecci Editora, 158 páginas), de Lineu Francisco de Oliveira, publicado em 2010, afirma que o primeiro ofício de registro do local é de 1865, em substituição à Rua de Baixo. O novo nome foi escolhido em uma homenagem da Câmara Municipal e do Poder Executivo ao dia em que foi redigida a primeira Constituição brasileira de 25 de março de 1824, outorgada pelo imperador D. Pedro I.







A história da rua também é marcada pela forte presença de imigrantes, especialmente sírios, libaneses e chineses.


Atualmente, a região, que passou por uma modernização, recebe um misto de consumidores, deste a sacoleira até a madame. Ali, encontram todo o tipo de produto: caro, barato, sofisticado, simples, nacional e importado, no varejo e atacado. Às vésperas de feriados importantes, o comércio da 25 de Março chega a receber 1 milhão de pessoas.











Enquanto muitos consumidores e comerciantes celebram as boas compras e vendas, por outro lado a 25 de Março sofre com alguns problemas desde seus primórdios. Um deles são as enchentes, um obstáculo registrado pela primeira vez em 1850 e que assola a região até os dias atuais. Também, desde os tempos mais antigos, a segurança do local não é das melhores e quem passa por ali sabe que tem que ficar de olhos bem atentos aos seus pertences.







Rua XXV de Março - 1973.






Nos dias atuais, o comércio local é conhecido pelo alto volume de barracas de camelôs que disputam espaço com as lojas comerciais, shoppings e galerias. Esses estabelecimentos ofertam os mais diversos produtos tanto nacionais quanto importados. Embora a região seja de extrema importância econômica, social e cultural para a sociedade, casos de irregularidades com mercadoria, baixa segurança pública e outros crimes também fazem parte da história da rua 25 de Março.






Fontes:


history.uol.com.br
google.com
diariodotransporte.com.br
wikipedia.org

terça-feira, 24 de março de 2026

Vamos falar de algumas das lendas mais populares do folclore brasileiro. Iniciaremos com  Iara, a mãe d`água.





De acordo com a narrativa, ela era filha de um pajé e possuía grandes habilidades como guerreira. Essas habilidades eram motivo de inveja para os irmãos dela, que decidiram se reunir para matá-la em certa ocasião, mas ela resistiu, lutou e matou todos eles.


Temerosa da reação do seu pai, ela fugiu, mas foi encontrada, e seu pai decidiu lançá-la entre os rios Negro e Solimões. Ela teria sido salva pelos peixes e se transformado em Iara durante uma noite de lua cheia. 




Iara ou Yara, do indígena Iuara, significa “aquela que mora nas águas”. É uma sereia (metade mulher, metade peixe) que vive nas águas dos rios amazônicos como o Mearim, por exemplo. Muitas vezes, a figura de Iara é confundida com o orixá africano Iemanjá, a rainha do mar. Não tem nada a ver entre as duas personagens.


Com longos cabelos pretos e olhos castanhos, a sereia Iara, a Mãe D’água, emite uma melodia que atrai os homens, os quais ficam rendidos e hipnotizados com seu canto e sua voz doce. E são levados para o fundo do rio. Dependendo da região brasileira, a representação da índia pode diferir, por exemplo, na cor dos olhos e dos seus cabelos, que ora são escuros, ora são claros.




As histórias envolvendo a Mãe D’água são muito comentadas entre os pescadores, principalmente. Tanto os pescadores quanto as crianças desacompanhadas, perambulando pela beira do rio, podem ser surpreendidos e enfeitiçados por ela. Durante o dia, a Mãe D’água costuma sair das profundezas do Mearim, onde mora, para tomar banho de sol e carregar alguma criança ou outro banhista desavisado para o fundo do rio, através do seu encanto e beleza perturbadora. Quando avistada por um ser humano precavido, mergulha rapidamente e foge. Iara pode ser boa ou má, dependendo do comportamento das pessoas para com ela. Contudo, tem preferência por crianças teimosas e desobedientes que banham no rio, escondidas de seus pais.

Segundo o grande escritor do folclore brasileiro, Luís Câmara Cascudo, a lenda de Iara é uma junção da lenda indígena com características com lendas europeias, especialmente portuguesa. O Mito de Iemanjá da cultura afro-brasileira



Fontes:

brasilescola.uol.com.br
wikipedia.org
google.com
ararizando.org



Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...