domingo, 29 de janeiro de 2017

Olá, pessoal!

Hoje iremos falar da grande obra do poeta romano Virgílio, A Eneida.









Públio Virgílio Marão foi um importante poeta romano. Nasceu na cidade italiana de Andes (atual Pietole) em 70 a.C. e morreu na comuna italiana de Brindisi em 19 a.C.




Eneida é uma epopeia em doze cantos, escrita em versos por Virgílio em seu retiro na Campânia durante os últimos 12 anos de sua vida (30-19 a.C.), ou seja, após o estabelecimento definitivo do principado de Augusto. O poema ficou inacabado. Segundo a tradição, Virgílio teria ordenado sua destruição quando estava prestes a morrer.
Trata-se de uma epopeia nacional para celebrar a origem e o crescimento do Império romano. Seu fundamento é a lenda segundo a qual Enéas, após a queda de Troia e longas viagens erráticas, fundou uma colônia troiana no Lácio, a fonte da raça romana. A característica marcante do poema é a concepção da Itália como uma única nação, e da história romana como um todo contínuo desde a fundação da cidade até a expansão completa do Império.

Enéas, segundo a mitologia greco-romana, era um dos maiores heróis e guerreiros de Tróia, abaixo apenas do lendário Heitor.
A grandeza do tema impressionou profundamente o povo romano; o tom elevado e sua apresentação sublimada tornam-se mais salientes graças ao delicado espírito contemplativo do autor, à sua simpatia em relação à humanidade sofredora e à sua sensibilidade diante da natureza.
Ao compor a "Eneida", Virgílio inspirou-se em muitas fontes, primeiro na "Ilíada" e na "Odisseia", combinando em seu poema as peripécias de uma viagem constante da segunda com as proezas marciais da primeira, e modelando muitos episódios em Homero. Segue-se o resumo do conteúdo da obra:


Canto 1
Enéas, que durante os sete anos seguintes à Guerra de Troia esteve percorrendo o caminho até o Lácio, acaba de partir da Sicília. Juno, ciente de que uma raça originária de Troia viria ameaçar a sua querida cidade de Cartago, incita Eolos a desencadear uma tempestade sobre a frota troiana. Algumas de suas naus destroçam-se e a frota se dispersa; Netuno, todavia, amaina o mar e Enéas atinge a costa líbia. As naus remanescentes também chegam, e os troianos são recebidos amistosamente por Dido, rainha da recém-fundada Cartago e viúva de Siqueu. Essa rainha havia fugido de Tiro, onde seu marido tinha sido morto por Pigmalião, rei daquela região e irmão de Dido. Embora Júpiter lhe tivesse revelado o destino futuro de Enéas e de sua raça, Vênus, temerosa do ódio de Juno e dos ardis dos tírios, tem a ideia de inspirar em Dido um grande amor por Enéas.

Canto I


“Eu, que entoava na delgada avena
Rudes canções, e egresso das florestas,
Fiz que as vizinhas lavras contentassem
A avidez do colono, empresa grata
Aos aldeãos; de Marte ora as horríveis
Armas canto, e o varão que, lá de Troia
Prófugo, à Itália e de Lavino às praias
Trouxe-o primeiro o fado.”
Canto 2
Atendendo a uma solicitação de Dido, Enéas relata a queda de Troia e os eventos subsequentes: a construção do Cavalo de Troia, a insídia de Sínon, a morte de Laocoonte, o incêndio da cidade, a resistência desesperada do próprio Enéas e de seus companheiros, a morte de Príamo e sua própria fuga final por ordem de Vênus; Enéas refere-se ainda à sua partida de Troia carregando nos ombros seu pai Anquises e levando seu filho Iulo (Ascânio) pela mão, e à perda de sua mulher Creusa, que vinha com ele e cujo espectro lhe revela o destino que o espera.

Canto II


“Prontos, à escuta, emudeceram todos,
Ao passo que exordia o padre Enéas
Do excelso toro: — Mandas-me, ó rainha,
Renove a dor infanda; o como os Danaos
D’Ílio a pujança e o reino lamentável
Derrocaram; misérias que eu vi mesmo
E em que fui grande parte.”
Canto 3
Continuação da narrativa de Enéas: ele e seus companheiros constroem uma frota e partem. Durante a viagem, as naus foram parar na Trácia (onde Enéas ouve a voz de Polidoro, seu parente, vinda de sua tumba), e em Delos. O oráculo délio manda-o procurar a terra de origem da raça troiana. Essa ordem é mal interpretada e os fugitivos tomam o rumo de Creta, de onde são compelidos a afastar-se por causa de uma pestilência. Enéas fica sabendo finalmente que o oráculo se referia à Itália. Enéas segue a sua rota e visita o território dos Ciclopes, na Sicília; seu pai morre em Drêpanon, de onde Enéas navega para a Líbia.

Canto III

Depois que em mal os deuses derribaram
Ásia e a nação primaria, altivos muros
E Ílio a neptúnia em fumo resolvendo,
A buscar nos suadiu celeste aviso
Vários desterros e desertos climas;
E no Ida frígio, ao pé da mesma Antandro
Fabricamos as naus, do fado incertos,
Do rumo e pousadia.”
Canto 4
Embora presa por um voto de fidelidade perpétua a seu marido morto, Dido confessa a Ana, sua irmã, a paixão que sente por Enéas. Uma tempestade interrompe uma expedição de caça; Dido e Enéas refugiam-se numa gruta e se unem, consumando os desígnios de Juno e Vênus. Os rumores relativos a seu amor chegam aos ouvidos de Jarbas, rei da Mauritânia, cujo palácio ficava próximo; ele fora repelido por Dido e agora dirige uma súplica a Júpiter. Este ordena a Enéas que deixe Cartago. Dido descobre os preparativos de Enéas para a partida e lhe faz um apelo comovente. As desculpas mesquinhas do amante por sua deserção provocam uma resposta fulminante de Dido. Enéas, entretanto, permanece firme em sua decisão, e Dido, aniquilada pela angústia e por visões terrificantes, dirige-lhe um último apelo para que adie a partida. Vendo partir a frota troiana, Dido põe fim à vida, lançando, em seu delírio, maldições sobre Enéas e sua raça.

Morte de Dido

Canto IV


“Já traspassada, em veias cria a chaga,
E se fina a rainha em cego fogo.
O alto valor do herói, sua alta origem
Revolve; estampou n’alma o gesto e as falas;
Do cuidado não dorme, não sossega.
A alva espanca do pólo a noite lenta,
Lustrando o mundo a lâmpada febeia;
Louca à irmã confidente então se explica:
“Suspensa que visões, Ana, me aterram?”

Canto 5
Os troianos voltam à Sicília, desembarcando no território de seu companheiro Acestes. Celebra-se o aniversário da morte de Anquises com sacrifícios e jogos: competições náuticas, corridas a pé, pugilismo, arremesso de dardos e hipismo. Nesse ínterim as mulheres troianas, incitadas por Juno e cansadas de suas longas viagens erráticas, incendeiam as naus. Quatro delas são destruídas, mas uma chuva torrencial extingue o fogo. Por ocasião da partida dos troianos, Palinuro, o piloto, dominado pelo sono, cai ao mar e desaparece.

Canto V

“Firme o herói já dirige ao meio a frota,
Com o Aquilão talhando as negras vagas;
Olha atrás, e da pobre Elisa os muros
Em chamas vê luzindo. A causa os Teucros
De tanto incêndio estranham; mas conhecem
O amor poluto como dói, o que ousa
Femínea raiva, e triste agouro tiram.”
Canto 6
Enéas visita a Sibila de Cumas, que prediz suas guerras no Lácio. Após haver arrancado o Ramo de Ouro, obedecendo a instruções da Sibila, Enéas desce com ela, passando pela gruta de Averno, para o mundo subterrâneo. Ambos chegam ao rio Estige¹ e em sua margem, antes da travessia, vêem os espectros dos mortos privados dos ritos fúnebres. O Ramo de Ouro proporciona a Enéas a permissão de Caronte² para atravessar o Estige: vêem-se vários grupos de mortos: crianças, os condenados injustamente, os que morreram de amor (entre estes encontra-se Dido, que ouve em silêncio as desculpas reiteradas de Enéas), e os mortos em guerra. Enéas e a Sibilia aproximam-se da entrada do Tártaro, onde os piores criminosos sofrem tormentos, mas mudam de rumo e dirigem-se ao Elísio, onde os bem-aventurados gozam de uma vida sem cuidados. Lá Enéias encontra o pai e tenta inutilmente abraçá-lo. Anquises mostra a seu filho os homens que no futuro serão ilustres na história romana, desde Rômulo e os primeiros reis até os grandes generais de épocas posteriores, entre os quais está o próprio Augusto. Enéas e a Sibila deixam então o mundo subterrâneo. Esse livro contém os versos memoráveis sobre o destino de Roma, concepção central de todo o poema.

                                                Enéas e a Sibilia de Cumas


1 - Rio que leva ao Tártaro (Inferno)
2 - Barqueiro que conduz os mortos ao Tártaro, cobrando uma moeda pelo transporte, geralmente depositada em cima dos olhos do falecido.

Canto  VI

“Assim pranteia, e às naus demite as rédeas;
Vai-se a Cumas euboica e manso aborda.
Tenaz dente as fundeia; ao largo aproam,
E as curvas popas a ribeira cobrem.
Moços na praia hespéria ardidos saltam:
Quem sementes de chama em siliciosas
Veias cata; quem, denso alvergue às feras,
Esmoita a selva, e os rios mostra achados.
Canto 7
Os troianos chegam à foz do Tibre. O nome do rei dessa terra, o Lácio, é Latino. Sua filha chama-se Lavínia. O melhor de seus pretendentes é Turno, rei dos rutílios, mas seu pai foi alertado por uma divindade a dá-la em casamento a um estrangeiro que chegaria fatalmente lá. A delegação mandada por Enéas é bem acolhida por Latino, que lhe oferece aliança e a mão de sua filha. Juno chama à sua presença a Fúria Alecto, que incita a hostilidade exacerbada de Amata (mãe de Lavínia) e de Turno contra os troianos. O ferimento de um cervo dos rebanhos reais por Ascânio provoca uma desavença; Latino é deposto e as tribos italianas unem-se para expulsar os troianos.


                                    Enéas no reino de Latino 


Canto VII

“Tu não menos, Caieta ama de Enéas,
Nossas praias morrendo eternizaste;
Guarda o lugar teu nome, e se isto é glória,
Na magna Hespéria os ossos te assinala.”
Canto 8
Enéas reluta em enfrentar a guerra, mas é encorajado pelo deus do rio Tibre, que lhe manda tentar a aliança com o arcádio Evandro, fundador de uma cidade na colina Palatina, parte da futura Roma. Evandro promete ajuda e insiste numa aliança com os etruscos. Ele conduz Enéas através da cidade e explica a origem dos vários lugares de Roma e seus nomes. A pedido de Vênus, Vulcano forja uma armadura para Enéas. Há uma descrição do escudo, no qual estão gravados vários eventos da história futura de Roma, até a batalha de Ácio.

Canto VIII

“Mal Turno, os cornos rouco estrepitando,
Pendões arvora no laurente alcáçar,
E os brutos afogueia e incita as armas,
Revolto o Lácio em trépido tumulto
Se conjura, e esbraveja a mocidade.”

Canto 9
Durante a ausência de Enéas, Turno cerca o acampamento troiano e ateia fogo às naus troianas, mas Netuno as transforma em ninfas marinhas. Niso e Euríalo conseguem atravessar as linhas do inimigo durante a noite para pôr Enéas a par da situação; eles matam alguns inimigos que dormiam embriagados, mas vêem-se envolvidos por uma coluna inimiga e são mortos, enquanto Niso tentava bravamente salvar o seu amigo. Os rutílios assaltam o acampamento; Ascânio pratica sua primeira proeza marcial; Turno é envolvido na linha de defesa do acampamento, mas escapa mergulhando no rio.

Canto IX


“Entretanto que ao longe isto sucede,
A Satúrnia do Olimpo Íris despacha
A Turno audaz: que em vale e sacro bosque
Do avô Pilumno acaso descansava.”
Canto 10
Os deuses debatem no Olimpo e Enéas consegue a aliança de Tárcon, rei dos etruscos, e volta para o campo de batalha acompanhado por Palas (filho de Evandro) e Tárcon. Turno enfrenta-os na margem do rio, para evitar a junção das forças troianas. Turno mata Palas em combate, e persegue um fantasma de Enéas imaginado por Juno, sendo levado para sua cidade. Enéas fere Mezêncio, e seu filho Lauso tenta salvá-lo; Enéas mata relutantemente o jovem. Mezêncio conduz habilmente seu destemido cavalo e enfrenta novamente Enéas, mas o cavalo e o cavaleiro são mortos.

Canto X

“De par em par o onipotente Olimpo,
Concílio o pai divino e rei dos homens
Chama à sidérea corte; excelso as terras
Fita e o campo troiano e os lácios povos.”
Canto 11
Enéas celebra a vitória troiana e lamenta a morte de Palas. Acerta-se uma trégua com os latinos. Os chefes italianos debatem. Dances propõe a decisão da luta mediante um combate singular entre Turno e Enéas, e Turno aceita. O debate é interrompido pela notícia de que Enéas e seu exército estão marchando contra a cidade. Segue-se um combate de cavalaria no qual Camila toma a iniciativa. Tárcon desmonta Vênulo de seu cavalo e o leva morto na sela de sua própria montaria. Camila é morta por Árruns, e é vingada por Ópis, mensageiro de Diana.


Canto XI

“Já do oceano a aurora despontava.
Bem que urja o tempo de inumar seus mortos
E o turbe o funeral, no primo eôo
Piedoso o vencedor cumpria os votos.”

Canto 12
Os latinos desencorajam-se e Turno resolve enfrentar Enéas sozinho. Latino e Amata tentam dissuadi-lo, mas em vão. Faz-se um pacto para o combate singular, porém Juturna, irmã de Turno, provoca os rutílios e a batalha recomeça. Um combatente desconhecido fere Enéas, mas Vênus cura-o. Vendo a cidade dos latinos desguarnecida, os troianos atacam-na e a incendeiam. Amata suicida-se. Turno volta de sua perseguição a troianos desgarrados e as forças opostas suspendem o combate enquanto ele e Enéas lutam. Enéas fere Turno, e de início pensa em poupá-lo, mas vê em seu corpo os despojos de Palas e inflamado pela cólera mergulha sua espada no peito do inimigo.

                                          Enéas ferido por uma flecha, e curado por Vênus


Canto XII

Mal embebe, enfuriado o herói vozeia:
“Que! tu me escaparás dos meus com presa!...
Nesta ferida imola-te Palante,
Palante vinga-se em teu ímpio sangue.”
No peito aqui lhe esconde o iroso ferro:
Gelo os órgãos lhe solve, e num gemido
A alma indignada se afundou nas sombras.”



Fontes:
educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/eneida-epopeia-de-virgilio
wikipedia.org

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