Esse é um blog sobre curiosidades de português, história e cultura de maneira geral.
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Hoje vamos falar de uma das principais dúvidas da língua portuguesa a crase.
O vocábulo crase provém do grego krâsis, cujo significado é ação de misturar, mistura de elementos que se combinam num todo. Para nós, lusófonos, é a contração da preposição a com os artigos definidos a, as ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo:
A crase, portanto é a mistura da preposição a com o artigo definido feminino a, ou com os pronomes demonstrativos citados acima.
Logo a crase só existe ante substantivos femininos.
a + a = à
a + as = às
a + aquele = àquele
a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquilo
Ou quando usado em substituição de "a maneira de " "a moda de"
Filé à parmigiana
Sapato à Luís XV (sapato a moda de Luís XV)
Antes de horas:
Exemplos de quando usar: a- A festa começa às 21h. b- As lojas normalmente abrem às 9h. c- O telefone tocou à 1h da madrugada. d- Começa à 0h desta terça-feira a venda de ingressos para o show.
Temos que tomar cuidado em alguns casos relacionados com horas:
1. "Cheguei após as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após;
2. "Estou aqui desde as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.
Importante:
A crase não ocorre: antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas (dia a dia).
Fontes:
vestibular.uol.com.br
google.com.br
brasilescola.uol.com.br
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Hoje vamos falar do livro "O vermelho e o negro" (Le rouge e le noir) do escritor francês Stendhal.
O nome da obra é motivo para controvérsias. Discute-se muito a que Stendhal se referia com o "vermelho" e o "negro". Muitos atribuem o negro a cor da batina do herói e o vermelho ao sangue lavado, mas há outras interpretações que também podem ser citadas como a razão para o nome. O que reforça a dúvida é que em certas ocasiões, conclamam que o nome "O Vermelho e o Negro", vem do vermelho da antiga farda vermelha (que depois tornou-se azul-claro) dos franceses e o negro da batina dos padres, demonstrando a principal dúvida de Julien: "revelar-se nobre e ter ascensão rápida e garantida na hierarquia religiosa, ou continuar mundano sob as mesmas circunstâncias na vida militar". Essa é uma interpretação para a aceitação de um jovem de origem humilde nos meios sociais de maior vulto e influência.
O vermelho e o negro conta a história de Julien Sorel, um jovem pobre e talentoso que, nos convulsivos anos de 1830, deixa para trás sua origem provinciana para circular entre as altas esferas da sociedade parisiense.
Mas o passado é traço difícil de apagar, e tão fortes quanto a determinação de Julien são as paixões que o dominam: o jovem tenta sufocar lembranças pessoais e a admiração ardente que nutre por Napoleão, figura non grata nos salões burgueses da Restauração, mas o faz em vão.
Crônica mordaz de seu tempo e romance inaugural do gênero psicológico, não é à toa que esta obra cumpriria à risca o destino vaticinado por seu autor, vindo a ser compreendida apenas muitos anos após sua publicação.
O primeira parte do livro apresenta Julien Sorel, que preferia gastar seu tempo lendo ou sonhando com a glória do exército de Napoleão a trabalhar como carpinteiro no quintal do pai ao lado de seus irmãos. Julien Sorel acaba se tornando um acólito do cura Chélan, que mais tarde lhe assegura um lugar de tutor para os filhos do prefeito de Verrières, Sr. de Rênal.
Sorel, que parece ser um clérigo piedoso e austero, na realidade tem pouco interesse na Bíblia, além de seu valor literário e a forma como ele pode usar passagens memorizadas para impressionar as pessoas importantes (passagens que ele, aliás, aprendeu em latim).
Após a sua chegada a casa dos Rênal, Julien Sorel apaixona-se pela Sra. de Rênal (mulher tímida e ingênua). A Sra. de Rênal era bondosa com este, e, pouco a pouco, sem se aperceber, apaixona-se por Julien, envolvendo-se com ele. A relação de adultério entre estas duas personagens será revelada, mais tarde, pela camareira da Sra. de Rênal, Elisa. Esta pretendia casar com Julien Sorel, que negou o seu amor. Então, para se vingar, Elisa contou a toda a cidade que a sua patroa e o empregado eram amantes (perante isto os habitantes reconheceram que Julien era um homem moderno). Depois desta revelação à cidade, chegou a vez do Sr. de Rênal receber em sua casa uma carta anônima, acusando sua mulher e Julien de serem amantes. As ordens do cura Chélan é que Sorel vá para um seminário em Besançon. Apesar de seu ceticismo inicial, o diretor do seminário, o abade Pirard (um jansenista e, portanto, ainda mas odiado que os jesuítas na diocese), começa a gostar de Sorel e torna-se seu protetor. Quando o abade Pirard deixa o seminário desgostoso com as maquinações políticas da hierarquia da Igreja, salva Sorel da perseguição que iria sofrer na sua ausência, recomendando-o como secretário do Marquês de La Mole, um legitimista católico.
O Livro II, que começa antes da Revolução de Julho, narra a vida de Sorel em Paris com a família do senhor de La Mole. Apesar de se movimentar na alta sociedade e de seus talentos intelectuais, a família e seus amigos menosprezam Sorel devido à sua origem plebeia. O ambicioso jovem está consciente do materialismo e hipocrisia da elite parisiense. O espírito contrarrevolucionário da época torna impossível mesmo para homens bem-nascidos, com intelecto e sensibilidade estética superiores, participar dos assuntos públicos na nação.
Sr. de La Mole, que gostava de Sorel, leva-o para uma reunião secreta e o envia em uma perigosa missão para a Inglaterra, onde ele retransmite a um destinatário não identificado uma carta política que ele aprendeu de cor. Sorel aprende a mensagem de forma mecânica, mas não consegue avaliar o seu significado. É na realidade parte de uma conspiração legitimista, e o destinatário é presumivelmente um aliado do duque d'Angoulême, então no exílio, em Inglaterra. Assim, arrisca sua vida para servir a essa facção a que mais se opõe. Ele se justifica, pensando apenas em ajudar o senhor de La Mole, um homem que ele respeita.
Fontes:
wikipedia.org
companhiadasletras.com.br
googke.com.br
domingo, 7 de outubro de 2018
Mulher de trinta anos - Honoré de Balzac.
A mulher de trinta anos é talvez o título mais conhecido de Honoré de Balzac. Foi este romance que originou o termo "balzaquiana" para designar mulheres mais maduras. Neste livro o autor penetra de maneira ampla e generosa na alma feminina, a ponto de merecer de sua amiga Zulma Carraud as seguintes linhas: "Você tem uma inteligência do coração das mulheres que nunca foi dada a nenhum outro homem... nunca um homem conseguiu entrar mais fundo na existência delas...". Balzac, em A mulher de trinta anos, foi um precursor do feminismo, ao mostrar Julie, a infeliz heroína, às voltas com problemas fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e com o fracasso do casamento.
Honoré de Balzac nasceu em Tours, França, em 1799 e morreu em Paris em 1850. Autor da célebre A comédia humana, conjunto da sua obra reunido a partir de 1842 representando um grande painel da sociedade francesa, da Revolução ao fim da monarquia. Mais de dois mil personagens compõem uma sociedade dominada pelo poder do dinheiro, entregues a paixões devoradoras e que são descritos em 90 romances concluídos. Entre eles: Gobseck (1830), A pele de Onagro (1831), A mulher de trinta anos (1832), Eugénie Grandet (1833), O pai Goriot (1834-1835), O lírio do vale (1835), Ilusões perdidas (1837-1843), La Rabouilleuse (1841), O primo Pons (1847).
Os personagens Julie e Charles têm a mesma idade – 30 anos – mas ele é considerado um “rapaz”, e ela uma mulher “mais velha”. Começo assim este texto para chamar a atenção para o fato de que Balzac, em seu romance mais popular, não estava fixando um teto baixo para a busca da realização amorosa pelas mulheres; ao contrário, o escritor estava elevando significativamente
esse teto. Na época em que o livro – parte das “Cenas da vida privada” da “Comédia humana” – foi concluído, em 1842, na vida real como na ficção o amor era prerrogativa das muito jovens: muitas se casavam aos 15 anos, e a vida ficava difícil para quem não se arrumasse até os 20 e pouquinhos. Como afirmaram os críticos Gabriel Hanotaux e Georges Vicaire, "Balzac prestou às mulheres um serviço imenso, que elas nunca lhe poderão agradecer suficientemente, pois duplicou para elas a idade do amor... Curou o amor do preconceito da mocidade". “Balzaquiana”, portanto, não devia ser um estigma, e sim um elogio.
É importante lembrar que a grande novidade afetiva da sociedade burguesa retratada na “Comédia humana” foi a disseminação do casamento por amor, num momento em que ainda prevaleciam as uniões por interesse e conveniência. Isso criou a necessidade de uma nova gramática amorosa, que Julie domina de maneira exemplar; com uma sabedoria rara e talvez impossível nos dias de hoje, ela seduz Charles pelo recato e pela atitude casta e humilde – qualidades então indispensáveis às mulheres de boa família.
Em um momento de transformações sociais aceleradas na França pós-revolucionária, Balzac ousou fazer, em “A mulher de 30 anos, o elogio da mulher “madura”, que ele descreve como mais equipada para seduzir e amar que as novinhas de seu tempo. Ao longo do texto, ele faz uma série de comparações entre as duas categorias, e a balzaquiana se sai melhor em todos os quesitos: “Uma mulher de 30 anos tem atrativos irresistíveis”, escreve. “A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido.” E ainda: “(...) obedece a um sentimento consciente. Escolhe... dando-se. A mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar”; “Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer.” Balzac, aliás, se relacionou com diversas mulheres mais velhas, atribuindo a essas experiências o seu profundo conhecimento do coração feminino.
O enredo é bem conhecido: ainda adolescente, apaixonada por Arthur, um coronel do exército napoleônico, Julie contraria a vontade do pai e decide se casar. Logo tem uma filha, mas rapidamente percebe que fez bobagem, sentindo-se presa a uma vida conjugal sem graça e à maternidade. Infeliz, quase sucumbe à paixão por outro homem, Lord Arthur Grenville, mas a relação não prospera: o dever do casamento a impede de concretizá-la. "Não quero ser uma prostituta nem a meus olhos nem aos olhos do mundo. Se não pertenço mais ao sr. d’Aiglemont, também não pertencerei a nenhum outro", afirma.
As convenções morais da época parecem condená-la a uma infelicidade eterna. Consciente da razão de seus sofrimentos e revoltada contra a instituição imperfeita do matrimônio, depois de enviuvar Julie decide viver confinada (e deprimida) num castelo no interior. Mas, aos 30 anos, “ápice poético da vida das mulheres”, ela conhece o diplomata Charles de Vendesesse e se entrega intensamente a essa nova paixão, em circunstâncias que pouco a pouco desenham um destino trágico, começando pela morte do seu filho. Mas o que importa é que Balzac estabelece aí os fundamentos de um relacionamento moderno, que respeita o direito da mulher de ser feliz. Segundo Julie, agora livre para amar, "o casamento, a instituição sobre a qual se apoia hoje a sociedade, só a nós faz sentir todo o seu peso: para o homem a liberdade; para a mulher os deveres. Devemos consagrar aos homens toda a nossa vida, eles nos consagram apenas raros instantes... O casamento, tal como hoje se pratica, parece-me ser uma prostituição legal. Daí nascerem os meus sofrimentos. Mas, entre tantas criaturas infelizes... só eu sou a autora do mal, porque quis o meu casamento.”
Primeiro grande retrato da mulher mal casada, "A mulher de 30 anos" não é a história particular de Julie, e sim a da mulher de seu tempo, na qual convergem os movimentos, conflitos e contradições de um modelo social em transformação. Balzac trata não de um amor de folhetim, mas do destino da mulher e da instituição do casamento no mundo burguês.
Fontes:
lpm.com.br/site/default.asp
g1.globo.com
google.com.br
sábado, 6 de outubro de 2018
“Conversa descuidada custa vidas” e “Mantenha a mãe, ela não é tão burra”: frases que se tornaram comuns na cultura britânica desde que foram criadas na Segunda Guerra Mundial, para lembrar aos cidadãos britânicos a importância de não vazar segredos - nem mesmo inadvertidamente. Inimigos da Grã-Bretanha. Aparecendo em uma série célebre de cartazes, eles faziam parte de uma ampla campanha anti-fofoca, que o governo britânico administrou durante a guerra. Um documento do gabinete secreto de 1940, de autoria de Sir John (mais tarde Lorde) Reith, que era então Ministro da Informação, fornece insights fascinantes sobre essa campanha, trazendo à luz várias iniciativas que, ao contrário dos famosos slogans, foram praticamente esquecidas. hoje.
A Europa na época da Segunda Guerra Mundial, estava repleta de espiões, e num momento desses todos são suspeitos e a discrição é uma das maiores virtudes.
As imagens e legendas dos oito cartazes de propaganda de Fougasse, “Careless Talk Costs Lives”, que faziam parte da campanha contra rumores e fofocas orquestrada pelo Ministério da Informação, são lembrados com carinho por milhões de pessoas que experimentaram a vida na Frente Interna. . Outros projetos humorísticos de Fougasse em tempo de guerra encorajaram o país a ser mais eficiente e produtivo; para economizar energia, papel e tempo. Um de seus rótulos de Economia de Combustível mostra Hitler e o Imperador Hirohito pulando de alegria, com a legenda "Interruptores ligados e torneiras ativas Fazem caninos felizes e japoneses alegres".
A campanha 'Careless Talk ...' teve uma grande influência nos cartazes anti-fofoca americanos, canadenses e australianos. As versões americanas incluíam as mais contundentes "Uma palavra descuidada ... Uma perda desnecessária" e "Uma palavra descuidada ... Outra cruz". Fougasse também era popular na França, e seus desenhos de 'Careless Talk' foram publicados na edição de 14 de fevereiro de 1940 do Paris-Soir. Durante sua vida, o trabalho de Fougasse era familiar para a nação através de seus desenhos animados para a revista Punch, cartazes de informação pública e prolíficos ilustrações de livros. Ele criou projetos para o metrô de Londres, sobre saúde pública e segurança nas estradas, a maioria dos quais ainda tem ressonância e relevância hoje.
O autor James Taylor analisa por que as mensagens nas ilustrações de Fougasse eram tão diretas e memoráveis, e por que ele escolheu o humor sobre o horror para transmitir sua mensagem. O livro é dividido em vários capítulos, abrangendo não apenas o trabalho de Fougasse em tempo de guerra e cartazes comparáveis de outros artistas de guerra, mas sua influência nas campanhas anti-fofocas no exterior, seus trabalhos de publicidade e ilustração e outros cartazes de informação pública.
Fontes:
cabinetroom.wordpress.com
nationalarchives.gov.uk/theartofwar
iwm.org.uk/collections/item/object/9810
bloomsbury.com/uk/careless-talk-costs-lives-
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
A tomada de poder por Adolf Hitler surpreendeu Thomas Mann durante uma viagem de palestras pela Holanda, Bélgica e França. Ele decidiu então não mais voltar ao país. Ali começava seu exílio duradouro. "Não sonhei e não cantaram em meu berço que eu acabaria passando meus melhores dias como emigrante, banido de casa e condenado a um indispensável protesto político. Nasci mais para ser um representante do que para ser mártir", confessou.
Por muito tempo ainda, Thomas Mann continuou tentando através de seu silêncio evitar uma ruptura definitiva com o país e a quebra do contato com o público alemão. Apenas em 1936 ele tomou uma posição clara em relação ao regime. A gota d'água foi um texto publicado pelo diário suíço Neue Zürcher Zeitung, que tentava imprimir a Mann traços antissemitas.
Silenciar perante o mal irreparável?
Somente então Thomas Mann quebrou definitivamente seu silêncio: "Um escritor alemão, acostumado à responsabilidade através da língua, deve agora silenciar? Silenciar absolutamente perante o mal irreparável, que no meu país foi e é praticado em corpos, almas e espíritos, no direito e na verdade, na humanidade e na pessoa? Não foi possível. E assim vieram as manifestações de minha parte contra o programa nazista. Minhas posições contrárias a ele ficaram inevitavelmente claras, tendo levado ao absurdo e ridículo ato de meu expatriamento".
Após ter perdido a nacionalidade alemã em 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu por algum tempo na Suíça, emigrando mais tarde para os Estados Unidos. O Ministério de Esclarecimento Popular e Propaganda do regime nazista anunciava em janeiro de 1937: "Thomas Mann deve ser apagado da memória de todos os alemães, por não ser digno de carregar o nome de alemão".
Indignado, o escritor declarou a respeito dos nazistas: "Acusam-me de ter insultado a Alemanha, ao ter-me declarado contra ela? Eles têm a incrível ousadia de querer se confundir com a Alemanha. Talvez não esteja longe o dia em que o povo alemão vá preferir qualquer coisa menos ser confundido com eles".
O desespero gerado pela miséria e a incerteza quanto ao futuro, a facilidade humana de acreditar na demagogia e nas soluções autoritárias, a necessidade de resgatar a autoestima nacional depois das humilhações do Tratado de Versalhes foram alguns dos fatores que fizeram da Alemanha um terreno fértil a ser semeado pelos nazistas. O discurso de um líder carismático como Adolf Hitler oferecia segurança e a perspectiva de melhores dias, com promessas e a perspectiva de melhores dias, com promessas e ilusões demagógicas...
Qualquer semelhança com o Brasil atual não é mera coincidência ! Talvez a diferença se resuma na eloquência do ditador nazista e em seu carisma. Nem isso tem o fascista brasileiro.
Fontes:
dw.com/pt-br/1936-thomas-mann
educacao.uol.com.br
google.com.br
Hoje vamos falar de um tema muito triste, a censura durante os anos da ditadura militar, especialmente dos filmes censurados.
Além de censurar livros, novelas e músicas, também censurou filmes que de alguma maneira desrespeitava o governo. Centenas de filmes foram censurados na época por motivos fúteis, como por exemplo sugestões de propagandas políticas, linguagem inadequada, cenas de sexo e qualquer outra coisa que desrespeitasse os ”bons costumes”. Nessa lista iremos apresentar alguns filmes dentre vários censurados pela ditadura.
LARANJA MECÂNICA, DE STANLEY KUBRICK (1971)
Filme inspirado no livro de Anthony Burgess, Laranja Mecânica causou bastante tumulto na época que foi lançado. Motivo? Cenas de estupro, violência e linguagem inadequada. A obra revolucionária de Stanley Kubrick causou muita polemica em vários países, principalmente no Brasil, que já sofria com a ditadura há um bom tempo. O filme só chegou aos cinemas brasileiros sete anos após seu lançamento, em 1978 e mesmo assim sendo censurado, com bolinhas pretas nas regiões intimas dos atores, o que causou piada na época pelo simples fato de que o nudismo incomodou mais o governo do que a violência explicita que o filme continha. Mesmo assim teve gente que conseguiu ” piratear” o filme na época, além de alguns amantes do cinema ainda se darem o trabalho de sair do país e ir assistir ao filme em algum país vizinho, como por exemplo no Uruguai.
Assisti esse filme com as famigeradas bolinhas que cobriam os órgãos genitais dos atores. Numa cena de estupro a atriz corria fugindo dos estupradores e todos torciam para que as bolinhas não conseguissem alcançar a velocidade da cena.
O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, DE ROGÉRIO SGANZERLA(1968)
Com apenas 22 anos, o diretor brasileiro Rogério Sganzerla acabou produzindo um dos filmes mais polêmicos do cinema brasileiro ”O Bandido da Luz Vermelha”, filme que acabou entrando para a história como o maior representante do chamado cinema marginal brasileiro. O filme foi inspirado no bandido João Acácio Pereira da Costa, que assaltou diversas residências de pessoas ricas em São Paulo na década de 60. O filme trouxe muito polêmica na época, sendo censurado graças as suas cenas de sexo e nudez.
ÚLTIMO TANGO EM PARIS, DE BERNARDO BERTOLUCCI(1972)
Para alguns esse filme é um clássico romântico, uma das melhores obras da sétima arte, mas para outros esse filme é sinônimo de polêmica. Sendo clássico ou não, Último Tango em Paris é um filme que deu muito o que falar e, ainda dá até os tempos atuais. O drama erótico franco-italiano dirigido pelo polêmico diretor Bernardo Bertolucci foi censurado na época da ditadura graças as suas cenas de sexo e nudez, e só chegou nas telas brasileiras sete anos depois, em 1979. Mas como no caso de Laranja Mecânica, muitos amantes do cinema se locomoviam até outro país apenas para ver o filme e sua famosa cena da manteiga.
Emanuelle de 1974 com Sylvia Kristel
interpretada pela holandesa Sylvia Kristel, provavelmente a atriz mais famosa pelo papel. O filme ultrapassou as barreiras do que era aceitável em filmes na época, com suas cenas de sexo, estupro, masturbação (sexo em aviões) e uma cena onde uma dançarina fuma um cigarro com sua vagina usando técnicas de pompoarismo. Diferentemente de outros filmes que tentavam evitar uma classificação adulta do MPAA, o primeiro filme de Emmanuelle abraçou o gênero e tornou-se um grande sucesso internacional. O filme é, até hoje, um dos mais bem-sucedidos filmes franceses e chegou a ser exibido nos cinemas locais por anos.
Claro que no Brasil ele foi censurado e muitos anos foi liberado com cortes.
IRACEMA – UMA TRANSA AMAZÔNICA, DE JORGE BODANZKY(1976)
Uma produção encomendada por uma rede de televisão alemã, Iracema – um transa amazônica, demorou cerca de seis anos para chegar até os cinemas brasileiros. O filme de Jorge Bodanzky mostrava um lado desconhecido da Amazônia, onde crianças se prostituíam as margens da rodovia transamazônica, índios eram obrigados a trabalhar e florestas eram desmatadas. O governo não ficou nada feliz com o filme, já que ele fazia um contraponto a propaganda oficial da Amazônia na época.
PRA FRENTE, BRASIL, DE ROBERTO FARIAS(1982)
Fazer um filme sobre a ditadura militar em plena ditadura militar. Isso parece loucura, certo? Mas foi exatamente isso que Roberto Farias fez com ”Pra frente, Brasil”, onde Jofre (Reginaldo Faria) acaba sendo enganado com um comunista e é sequestrado por opressores. O filme deu muito polêmica na época, por que além de retratar a repreensão da ditadura militar, seu diretor, Roberto Farias tinha sido presidente da Embrafilme no auge da ditadura. Quando lançado em 1982, foi proibido em território nacional e, apenas em 1983 acabou sendo lançado novamente, depois de muita discussão por parte da justiça brasileira.
Império dos Sentidos:
Em 1976, quando O Império dos Sentidos - de Nagisa Oshima, morto nesta terça-feira - foi lançado, causou controvérsia não só no Brasil. Tivemos notícias de polêmicas na França, na Argentina. Ainda era um período de censura no país, e um filme como esse tinha todos os elementos para provocar uma movimentação muito grande, dada a situação da nossa cultura.
Tinha uma estética subversiva, que chocava os padrões da moralidade comum, mais conservadora. Ao mesmo tempo, era uma referência de possibilidades de abertura, do ponto de vista estético e também político. Discutia questões consideradas tabus. A ideia de que o homem goza com mais intensidade quando está asfixiado passou a ser uma fantasia recorrente em outros filmes. Trata da experiência de um gozo que possa transcender a forma de prazer comum. Esse gozo tem como horizonte, como limite, a morte. Lacan assistiu ao filme e ficou profundamente impressionado.
Foi o primeiro filme de sexo explícito liberado no Brasil após a abertura de 1979. Muitas pessoas iam até o cinema e saiam no meio da sessão escandalizadas.
Dona Flor e seus dois maridos 1976
Durante o carnaval de 1943 na Bahia, Vadinho (José Wilker), um mulherengo e jogador inveterado, morre repentinamente. Sua mulher, Dona Flor (Sônia Braga), fica inconsolável, pois apesar de ter vários defeitos, ele era um excelente amante. Após algum tempo ela se casa com Teodoro Madureira (Mauro Mendonça), um farmacêutico que é exatamente o oposto do primeiro marido. Ela passa a ter uma vida estável e tranquila, mas tediosa, e de tanto "chamar" por Vadinho, um dia ele aparece nu na sua cama. Ela, então, pede ajuda a uma amiga, dizendo que quase foi seduzida pelo finado esposo. Um pai de santo se prontifica a afastar o espírito de Vadinho, mas existe um problema: no fundo, Flor quer que ele fique, pois ela tem um forte desejo que precisa ser saciado.
Enfim o conservadorismo e a hipocrisia, fizeram muito mal e contribuíram para o atraso do país.
Fontes:
stuckonpuzzle.wordpress.com
youtube.com.br
wikipedia.org
gauchazh.clicrbs.com.br
adorocinema.com
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Hoje é dia e São Francisco de Assis, protetor dos animais.
São Francisco de Assis nasceu em Assis, Itália, em 1182. Era filho de Pedro Bernardone, um rico comerciante, e Pia, de família nobre da Provença. Na juventude, Francisco era muito rico e esbanjava dinheiro com ostentações. Porém, os negócios de seu pai não lhe despertaram interesse, muito menos os estudos. O que ele queria mesmo era se divertir. Porém, São Boaventura, seu contemporâneo, escreveu sobre ele: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia”.
Vida de São Francisco
Na juventude de Francisco, por volta de seus vinte anos, uma guerra começou entre as cidades italianas chamadas Perugia e Assis. Ele queria combater em Espoleto, entre Assis e Roma, mas caiu enfermo. Durante a doença, Francisco ouviu uma voz sobrenatural. Esta lhe pedia para ele "servir ao amor e ao Servo". Pouco a pouco, com muita oração, Francisco sentiu em seu coração a necessidade de vender seus bens e “comprar a pérola preciosa” sobre a qual ele lera no Evangelho.
Certa vez, ao encontrar um leproso, apesar da repulsa natural, venceu sua vontade e beijou o doente. Foi um gesto movido pelo Espírito Santo. A partir desse momento, ele passou a fazer visitas e a servir aos doentes que sem encontravam nos hospitais. Aos pobres, presenteava com suas próprias roupas e também com o dinheiro que tivesse no momento.
A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden.