Retirada de Laguna
Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna, então reduzida a 1 680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde penetrou até Laguna, em abril. Por demais distante das linhas brasileiras, e sem víveres para o sustento da tropa, afetada pela cólera, o tifo, e pelo beriberi, a coluna do Exército Brasileiro foi forçada a retirar sob os constantes ataques da cavalaria paraguaia, retratado de forma fidedigna na literatura de Visconde de Taunay, infligindo perdas severas aos brasileiros.
Taunay, que anos mais tarde ficou conhecido pelo romance Inocência, relatou suas experiências na batalha de Laguna de forma detalhada e brilhante.
Prólogo
É o assunto deste volume a serie de provações por que passou a expedição brasileira, em operações ao Sul de Mato
Grosso, no recuo efetuado desde a Laguna, a três e meia léguas do rio Apa, fronteira do Paraguai, ate o rio Aquidauana,
em território brasileiro, trinta e nove léguas, ao todo, percorridas em trinta e cinco dias de dolorosa recordação.
Devo esta narrativa a todos os meus irmãos de sofrimento, aos mortos ainda mais do que aos vivos. (Alfredo D’Escragnolle Taunay.
Rio de Janeiro, outubro de 1868)
De um efetivo de cerca de 3 000 homens, apenas 1680 estavam vivos em abril de 1867 quando chegaram no território paraguaio e destes retornaram às linhas brasileiras as margens do Rio Aquidauana, hoje município no de Anastácio, Mato Grosso do Sul, em 11 de junho de 1867 apenas 700 homens, alquebrados pela doença e pela fome. Neste local, que se denominou Porto do Canuto, há um marco em pedra arenito.
CAPÍTULO III
Nioac (lugarejo). O coronel Carlos de Morais Camisão. O guia José Francisco Lopes.
¨Fora a vila de Nioac abandonada pelo inimigo a 2 de agosto de 1866. Por toda a parte ali se viam vestígios do incêndio.
Poupadas, apenas, duas casas e uma pequena igreja de pitoresca aparência. À primeira vista agrada o aspecto geral do
lugar. De um lado, o povoado e um ribeirão chamado Orumbeva; do outro, o rio Nioac, cujas águas confluem cerca de
900 metros, para trás da igreja, deixando livre, em torno desta, à direita e à esquerda, um espaço duas vezes maior.
Pequena colina fica-lhe em frente, a pouca distância.
Ali chegamos às 11 horas de 24 de janeiro de 1867 acampando, em ordem de batalha, com a direita encostada à margem
direita de Nioac; e a esquerda à mata do Orumbeva. Instalaram-se o quartel-general e o trem à retaguarda, no local da
vila, ocupando o hospital as pequenas casas salvas do fogo e um grande galpão que às pressas se construiu.¨
A fome já era realidade e a última esperança dos brasileiros para encontrar comida e continuar naquela batalha eram as informações de que mais a frente, na Fazenda da Laguna, os soldados encontrariam alimento.
Na marcha até o local, além das baixas por fome e doenças, pequenos conflitos contra paraguaios também levaram soldados brasileiros à morte.
Ao chegar à fazenda, a realidade esperada era totalmente diferente. Todos os mantimentos já haviam sido saqueados pelas tropas paraguaias.
Dada tal situação, com soldados morrendo a todo momento, o Coronel Carlos de Moraes Camisão ordenou que suas tropas regressassem ao Brasil. O famoso episódio ficou conhecido como a Retirada da Laguna.
No dia 11 de junho, os 700 homens que restaram chegaram ao território brasileiro, mais precisamente às margens do Rio Aquidauana, dando fim ao processo de Retirada da Laguna.
Com poucos soldados, muitos doentes, sem comida e outras provisões, Camisão decidiu recuar para o território brasileiro, perseguido pelas forças paraguaias.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
curso.objetivo.br
hitoriadobrasil.net
militares.estrategia.com
academia.edu
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