Vamos falar hoje do líder da independência do Congo, Patrice Lumumba.
Em 2 de julho de 1925 nascia Patrice Émery Lumumba, um dos maiores líderes revolucionários do século XX e uma das figuras mais emblemáticas da luta pela libertação da África. Primeiro primeiro-ministro da República do Congo após a independência do domínio colonial belga, Lumumba transformou-se em símbolo universal da resistência ao colonialismo, da defesa da soberania nacional e do direito dos povos à autodeterminação. Seu assassinato, em janeiro de 1961, não interrompeu sua influência. Ao contrário, consolidou sua condição de mártir da emancipação africana e referência permanente para os movimentos de libertação em todo o Sul Global.
A liderança de Lumumba desagradava os colonialistas belgas, que buscaram dividir e instigar as rivalidades étnicas da região. Entre dezembro de 1958 e janeiro de 1959, uma onda de protestos em Léopoldiville e cidades próximas fez com que o governo colonial anunciasse eleições locais e um plano de cinco anos para transição para independência. Mas o gesto foi visto pelo MNC como uma tentativa dos belgas ganharem tempo para instalar políticos fantoches antes de uma retirada oficial e o movimento nacionalista anunciou que boicotaria o pleito. Lumumba liderou novas manifestações de desobediência civil e pela independência imediata do Congo. Em 30 de outubro de 1959, o líder revolucionário foi preso após um ato político em Stanleyville, cujo saldo foi de 30 manifestantes mortos.
Com Lumumba preso, o MNC (Movimento Nacional Congolês) decidiu mudar de tática e entrou nas eleições locais, tendo uma vitória arrasadora em Stanleyville (90% dos votos). Em janeiro de 1960, o governo belga convocou uma conferência em Bruxelas com todos os partidos quinxassa-congoleses para discutir a transição política, mas o MNC se recusou a participar sem Lumumba, que iria para julgamento no dia 18 daquele mês. O governo belga teve de tirá-lo da cadeia diretamente para o avião. Na fase final das negociações, já com a presença de Lumumba, foram assinados os protocolos que detalhavam a transição do poder para um governo quinxassa-congolês, com as eleições nacionais em maio de 1960 e a data para a independência em 30 de junho daquele ano.
Porém, um ano antes da independência nacional o partido de Lumumba, o MNC, sofreu uma cisão (motivada por disputas ideológicas entre a ala nacionalista radical lumumbista e a ala federalista) com a maioria do partido continuando sob comando de Lumumba, chamado informalmente de MNC-Lumumba (ou MNC-L), enquanto que uma fração menor é formada sob comando de Albert Kalonji, o MNC-Kalonji (ou MNC-K).
Nas eleições parlamentares de maio de 1960, que seriam definidoras do futuro governo do novo país independente, o MNC-L liderado por Lumumba recebeu a maioria dos votos, mas foi obrigado a formar uma coalizão governista que incluiu o Partido da Solidariedade Africana, o Centro de Reagrupamento Africano e a Associação dos Bacongos para a Unificação, a Conservação e o Desenvolvimento da Língua Congoko), além de grupamentos políticos menores. Lumumba foi confirmado como primeiro-ministro. Enquanto isso, o Senado e a Assembleia Nacional, elegeram Joseph Kasa-Vubu do regionalista e conservador Abako como presidente do país.
Poucos dias após a conquista da independência, Lumumba enfrentou diversas rebeliões dentro do país e uma declaração de independência da então província de Catanga, conduzida pelo rival político Moise Tshombe, com apoio de empresas de exploração de minas e pelo governo belga. O governo do Congo acabou se aproximando da União Soviética, que enviou alimentos, remédios e também armamentos para combater o levante rebelde. Os Estados Unidos, a França e a Bélgica começaram a articular a deposição de Lumumba. O presidente Kasa-Vubu dissolveu o governo do líder nacionalista três meses após assumir o poder, mas o primeiro-ministro contestou a legalidade das ações presidenciais e, em retaliação, depôs o presidente e conquistou o voto de confiança do senado quinxassa-congolês. Mas a crise política do Congo estava instalada e abriu caminho para que o coronel Joseph Mobutu liderasse um golpe de Estado, em setembro, incapacitando Lumumba.
Colocado em prisão domiciliar e sob vigilância de tropas das Nações Unidas (ONU), Lumumba tentou fugir da residência em direção a Stanleyville, mas terminou capturado na fuga em dezembro de 1960. Nenhuma medida foi autorizada às forças de paz da ONU pelo secretário-geral da entidade, Dag Hammarskjold, apesar dos apelos para que as tropas locais salvassem-no e do pedido da União Soviética para que o ex-premier fosse liberado. Em 17 de janeiro de 1961, Lumumba foi transferido à força para a cidade de Lubumbashi, em Catanga, onde foi torturado e morto por um pelotão de fuzilamento comandado pelo líder rebelde Moïse Tshombe, ao lado de oficiais belgas. Os corpos nunca foram encontrados.
No ano 2000, um ex-polícial belga, Gerard Soete, confessou à AFP a sua participação na execução de Lumumba e afirmou que os corpos do líder anticolonial e dos seus colaboradores foram dissolvidos em ácido. Não restou quase nada, apenas alguns dentes, acrescentou Soete, que faleceu pouco depois do depoimento. O ex-agente guardou um dos dentes, que permaneceu durante anos na posse da sua família na Bélgica como um troféu. Em junho de 2022, o procurador belga Frederic Van Leeuw entregou aos familiares de Lumumba uma pequena caixa azul que continha um dente — tudo que restou do herói assassinado — numa cerimônia transmitida pela televisão.
Após a Independência do Congo, num discurso histórico, afirmou que a independência não havia sido uma concessão generosa da Bélgica, mas resultado da luta, do sofrimento e do sacrifício do povo congolês.
Recordou as humilhações impostas aos africanos, denunciou décadas de exploração colonial e declarou que o Congo construiria seu próprio destino como uma nação livre.
A fala percorreu rapidamente o mundo e tornou-se um dos documentos políticos mais importantes do processo de descolonização do século XX.
Para milhões de africanos, aquele discurso simbolizou o nascimento de uma nova consciência continental.
A morte de Lumumba, em Janeiro de 1961, produziu exatamente o efeito contrário ao desejado por seus adversários.
Seu nome tornou-se bandeira dos movimentos de libertação nacional na África, inspirando dirigentes como Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Samora Machel, Thomas Sankara e inúmeros líderes que enfrentaram o colonialismo português, o apartheid sul-africano e outras formas de dominação.
Também exerceu profunda influência sobre intelectuais como Frantz Fanon, sobre o Movimento dos Não Alinhados e sobre diversas correntes do pensamento anticolonial.
Ao longo das décadas seguintes, universidades, avenidas, praças e monumentos em diversos países passaram a homenagear Lumumba como símbolo da dignidade africana.
Lumumba permanece até os dias de hoje como herói nacional do Congo.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
brasil247.com
almaopreta.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário