sexta-feira, 14 de novembro de 2025



Hoje vamos falar da proclamação da República.


A proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1892, foi um golpe militar contra o imperador D.Pedro II, já doente e distantes das principais discussões sobre as questões brasileiras.






Além disso a linha sucessória de D.Pedro II estava ameaçada, já que o imperador não tinha filhos, só filhas, e a sua linha de sucessão estava para ser deixada para um estrangeiro, o francês Conde D´eu casado com a princesa Isabel.


Nas Américas, e especialmente nos EUA, a república já estava instalada, assim como em outros países americanos.




Além disso, a questão escravagista, com a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888, que irritou muito os fazendeiros que não tiveram nenhuma compensação.


D.Pedro II ainda entrou em conflito com a Igreja Católica. Grupos liberais e grupos progressistas atacavam as políticas de controle estatal pelos primeiros e conservadoras pelos segundos.


Diversas rebeliões pelo Brasil, já pediam a República, culminando na Revolução dos farroupilhas.


No Rio de Janeiro, os republicanos insistiram que o Marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista, chefiasse o movimento revolucionário que substituiria a monarquia pela república.


Depois de muita insistência dos revolucionários, Deodoro da Fonseca concordou em liderar o movimento militar.

Segundo relatos históricos, em 15 de novembro de 1889, comandando algumas centenas de soldados que se movimentavam pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro, o marechal Deodoro, assim como boa parte dos militares, pretendia apenas derrubar o então Chefe do Gabinete Imperial (equivalente a primeiro ministro), o Visconde de Ouro Preto. "Os principais culpados de tudo isso [a proclamação da República] são o conde D´Eu, marido da princesa Isabel,  e o Visconde de Ouro Preto: o último por perseguir o Exército e o primeiro por consentir nessa perseguição", diria mais tarde Deodoro.


Deodoro da Fonseca




Deodoro era amigo de D.Pedro e seu home de confiança.


O golpe militar, que estava previsto para 20 de novembro de 1889, teve de ser antecipado. No dia 14, os conspiradores divulgaram o boato de que o governo havia mandado prender Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Deodoro da Fonseca. Posteriormente confirmou-se que era mesmo boato. Assim, os revolucionários anteciparam o golpe de estado, e, na madrugada do dia 15 de novembro, Deodoro, que estava acamado,  dispôs-se a liderar o movimento de tropas do exército que colocou um fim no regime monárquico no Brasil.

D.Pedro II


Os conspiradores dirigiram-se à residência do marechal Deodoro, que estava doente, com dispneia (falta de ar) e acabam por convencê-lo a liderar o movimento. Aparentemente decisivo para Deodoro foi saber que, a partir de 20 de novembro, o novo Presidente do Conselho de Ministros do Império seria Silveira Martins, um velho rival. Deodoro e Silveira Martins eram inimigos desde o tempo em que o marechal servira no Rio Grande do Sul, quando ambos disputaram as atenções da baronesa do Triunfo, viúva muito bonita e elegante, que, segundo os relatos da época, preferira Silveira Martins. Desde então, Silveira Martins não perdia oportunidade para provocar Deodoro da tribuna do Senado, insinuando que malversava fundos e até contestando sua eficácia enquanto militar.





Além disso, o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro dissera a Deodoro que uma suposta ordem de prisão contra ele havia sido expedida, argumento que convenceu finalmente o velho marechal a proclamar a República no dia 16 e a exilar a Família Imperial já à noite, de modo a evitar uma eventual comoção popular.


Proclamação da República no Rio de Janeiro (por Georg Scott, publicado em Le onde Illustré, nº 1.708, 21/12/1889).


Atentado contra o Barão de Ladário, então Ministro de Marinha.


Desembarque de Dom Pedro II em Lisboa: a canoa imperial atraca no Arsenal da Marinha.


Convencido de que seria preso pelo governo imperial, Deodoro saiu de sua residência ao amanhecer do dia 15 de Novembro, atravessou o Campo de Santana e, do outro lado do parque, conclamou os soldados do batalhão ali aquartelado, onde hoje se localiza o Palácio Duque de Caxias, a se rebelarem contra o governo. Oferecem um cavalo ao marechal, que nele montou, e, segundo testemunhos, tirou o chapéu e proclamou "Viva a República!". Depois apeou, atravessou novamente o parque e voltou para a sua residência. A manifestação prosseguiu com um desfile de tropas pela Rua Direita, atual rua 1.º de Março, até o Paço Imperial.


Os revoltosos ocuparam o quartel-general do Rio de Janeiro e depois o Ministério da Guerra. Depuseram o Gabinete ministerial e prenderam seu presidente, Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto.


No Paço Imperial, o presidente do gabinete (primeiro-ministro), Visconde de Ouro Preto, havia tentando resistir pedindo ao comandante do destacamento local e responsável pela segurança do Paço Imperial, general Floriano Peixoto, que enfrentasse os amotinados, explicando ao general Floriano Peixoto que havia, no local, tropas legalistas em número suficiente para derrotar os revoltosos. O Visconde de Ouro Preto lembrou a Floriano Peixoto que este havia enfrentado tropas bem mais numerosas na Guerra do Paraguai. Porém, o general Floriano Peixoto recusou-se a obedecer às ordens dadas pelo Visconde de Ouro Preto e assim justificou sua insubordinação, respondendo ao Visconde de Ouro Preto:
“ Sim, mas lá (no Paraguai) tínhamos em frente inimigos e aqui somos todos brasileiros! ”

Em seguida, aderindo ao movimento republicano, Floriano Peixoto deu voz de prisão ao chefe de governo Visconde de Ouro Preto.

O único ferido no episódio da proclamação da república foi o Barão de Ladário, que resistiu à ordem de prisão dada pelos amotinados e levou um tiro. Consta que Deodoro não dirigiu crítica ao Imperador D.Pedro II e que vacilava em suas palavras. Relatos dizem que foi uma estratégia para evitar um derramamento de sangue. Sabia-se que Deodoro da Fonseca estava com o tenente-coronel Benjamim Constant ao seu lado e que havia alguns líderes republicanos civis naquele momento.


Na tarde do mesmo dia 15 de novembro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi solenemente proclamada a República.


À noite, na Câmara Municipal do Município Neutro, o Rio de Janeiro, José do Patrocínio redigiu a proclamação oficial da República dos Estados Unidos do Brasil, aprovada sem votação. O texto foi para as gráficas de jornais que apoiavam a causa, e, só no dia seguinte, 16 de novembro, foi anunciado ao povo a mudança do regime político do Brasil.






Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, retornou ao Rio de Janeiro. Pensando que o objetivo dos revolucionários era apenas substituir o Gabinete de Ouro Preto, o Imperador D. Pedro II tentou ainda organizar outro gabinete ministerial, sob a presidência do conselheiro José Antônio Saraiva. O imperador, em Petrópolis, foi informado e decidiu descer para a Corte. Ao saber do golpe de estado, o Imperador reconheceu a queda do Gabinete de Ouro Preto e procurou anunciar um novo nome para substituir o Visconde de Ouro Preto. No entanto, como nada fora dito sobre República até então, os republicanos mais exaltados espalharam o boato de que o Imperador escolhera Gaspar Silveira Martins, inimigo político de Deodoro da Fonseca desde os tempos do Rio Grande do Sul, para ser o novo chefe de governo. Deodoro da Fonseca então convenceu-se a aderir à causa republicana. O Imperador foi informado disso e, desiludido, decidiu não oferecer resistência.


No dia seguinte, o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro entregou a dom Pedro II uma comunicação, cientificando-o da proclamação da república e ordenando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas. A família imperial brasileira exilou-se na Europa, só lhes sendo permitida a sua volta ao Brasil na década de 1920.


D.Pedro II partindo do Brasil



Assim, proclamou-se a República, sem praticamente ser disparado nenhum tiro, e onde a população em sua maioria, só teve noticias dias depois. Foi o primeiro golpe militar no Brasil.




Fontes:


wikipedia.org
historiadobrasil.net
suapesquisa.com
google.com

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

 A conquista de Ceuta




A Conquista de Ceuta ocorreu em 1415 e simboliza o começo da expansão ultramarina portuguesa.

O objetivo da Coroa, impulsionada pela burguesia, era se apoderar da cidade que recebia as caravanas de mouros que transportavam ouro, marfim, especiarias e escravos.





Quando o rei Dom João I (1351-1433) assumiu o trono português, em 1385, o reino enfrentava dificuldades financeiras. Portugal encarava a falta de produtos agrícolas, mão de obra e sua moeda se encontrava desvalorizada.

D. João I



A insuficiência de metais preciosos influenciou na edição de uma lei, em 1402, que proibia a exportação do ouro, pois sem o metal, não era possível cunhar moedas.

Por isso, o rei começou a buscar alternativas para a crise econômica. Uma das ideias foi a de expandir o reino para o Mediterrâneo e não para a Europa.

Assim, influenciado pelos filhos, começa construir uma enorme armada a fim de conquistar a praça de Ceuta.

Ceuta é uma cidade costeira do norte de África localizada estrategicamente no estreito de Gibraltar. Em 711, logo após a conquista árabe do Norte da África, a cidade foi usada como ponto de partida para Invasão muçulmana da Peninsula Ibérica. Porém, a cidade foi destruída em 740 e só reconstruída no século IX, passando para o Califado de Córdova no século X. Nos séculos seguintes, foi governado pelos Almorávidas. Ceuta viveu então um período de instabilidade política, sob interesses concorrentes do Império Merínida e do Reino de Granada. Uma frota nacérida enviada por Abuçaíde Faraje, governador de Málaga, conquistou Ceuta aos Azáfidas, que a governavam, em Maio de 1306. Mais tarde, em 1309, a cidade foi tomada pelos merínidas com o apoio de uma frota aragonesa.


A conquista de Ceuta foi o primeiro passo para os descobrimentos que os portugueses realizaram nos séculos XV e XVI.

A possibilidade de chegar á Índia tornou-se real na segunda metade do século XV depois dos navegadores portugueses desceram a costa atlântica do continente africano e Bartolomeu Dias transpor o Cabo da Boa Esperança.

Vasco da Gama, nascido em Sines e filho de Estevão da Gama, seria o homem escolhido para comandar a frota que navegou à descoberta do caminho marítimo para as Índia.

A viagem abriu uma nova rota comercial entre a Europa e a Ásia.




Assim que as galés portuguesas deram entrada no porto, o governador merínida de Ceuta Salá ibne Salá evacuou muitas das mulheres e crianças para as terras vizinhas e convocou em seu auxílio os habitantes, tribais, da região, muitos acorrendo voluntariamente liderados por líderes religiosos. Tantos pegaram em armas em defesa de Ceuta que os portugueses mais tarde afirmaram ter a cidade sido reforçada por nada menos que 100.000 pessoas. Ceuta não recebeu, porém, qualquer ajuda do próprio Sultão de Fez, seja porque este encontrava-se demasiado envolvido em querelas internas para poder organizar ajuda ou porque Salá ibne Salá agira de forma independente em anos recentes.





Deram-se então os primeiros confrontos entre os portugueses e os defensores de Ceuta, com as galés portuguesas a serem alvejadas a partir das muralhas, sendo a embarcação do almirante Carlos Pessanha a mais danificada, por ser a que se encontrava mais próxima da costa. Apesar da separação da frota, Pessanha desembarcou um destacamento de homens para combater os marroquinos em terra.




Tendo reunido a armada diante de Ceuta a 16, o rei decidiu atacar a cidade no dia seguinte, mas os fortes ventos dispersaram novamente a frota portuguesa, obrigando o rei a refugiar-se na baía de Algeciras com os navios a remos, ao passo que as naus foram empurradas mais para leste.


Fontes:

wikipedia.org
todamateria.com.br
ensina.rtp.pt

quarta-feira, 12 de novembro de 2025



Hoje vamos falar do navegador português Bartolomeu Dias, que dobrou o Cabo das Tormentas, no extremo sul do continente africano, que depois foi rebatizado como Cabo da Boa Esperança.


Calcula-se que ele deve ter nascido em 1450, mas não se tem certeza quanto a isso. O certo é que ele morreu em 1500, depois de voltar do Brasil onde participou da expedição de Cabral no achamento¹ do Brasil.

¹ ( Senhor, Posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer!) - Carta de Pero Vaz de Caminha.











Bartolomeu Dias






Bartolomeu Dias foi um navegador português do século XV e o primeiro europeu a cruzar o cabo da Boa Esperança, no sul da África.


Por apresentar grande importância para a história de Portugal, ele é citado nas obras de dois poetas portugueses: Luiz de Camões e Fernando Pessoa.




"Jaz aqui, na pequena praia extrema
O Capitão do Fim. Dobrado o Assombro,
O mar é o mesmo: já ninguém o tema!
Atlas, mostra alto o mundo no seu ombro."

Fernando Pessoa



Já no Canto V estrofe 44 dos Lusíadas de Luís de Camões ele também é lembrado.


«Aqui espero tomar, se não me engano
de quem me descobriu suma vingança,
e não se acabará só nisto o dano
de vossa pertinace confiança:
antes em vossas naus vereis cada ano
se é verdade o que meu juízo alcança,
naufrágios, perdições de toda sorte,
que o menor mal de todos seja a morte.»




Cabo da Boa Esperança



Bartolomeu Dias e Vasco da Gama partem em busca do caminho marítimo às Índias.


Bartolomeu Dias




Ambas expedições foram açoitadas por fortes tempestades e quase foram aniquiladas pelo monstro mitológico Adamastor. Mas a tenacidade lusitana fez com que as naus conseguissem contornar o extremo sul do continente africano, se tornando pioneiros com a proeza. O Cabo das Tormentas, por abrir uma nova rota para o comércio lusitano, foi rebatizado com seu nome mais auspicioso e positivo pelo rei de Portugal D. João II.


O primeiro a dobrar o Cabo da Tormentas foi Bartolomeu Dias. Ele descobriu o fim do continente africano, depois de tempestades, fome, calmarias, ele finalmente chega às Índias.







Viagem de Bartolomeu Dias


Em 1486, o rei Dom João II nomeou Bartolomeu Dias Capitão Mor de uma esquadra marítima. Havia duas caravelas e uma naveta de apoio, que levava os mantimentos.






Sendo assim, partiu de Lisboa em agosto de 1487, no comando de três navios.


O intuito era estabelecer relações de paz com Prestes João, um rei cristão africano. Além disso, tinha como objetivo descobrir as rotas marítimas para as Índias, facilitando a ligação entre o Oceano Atlântico e Índico.







Nessa empreitada, em 1488, ele descobriu e passou pelo Cabo da Boa Esperança (ou Cabo das Tormentas) contornando o continente africano, até chegar no Oceano Índico. Algo que ainda nenhum europeu tinha feito.





Por este feito extraordinário, não recebeu de D. João II quaisquer honras ou recompensas…Durante os cerca de quatro anos seguintes não volta ao mar, ficando como recebedor no Armazém da Guiné, em Lisboa.


Por sua vez, o rei, até à assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494, para com as missões navais, embora comece a delinear a expedição à Índia, que não chega a terminar, pois falece em 1495.


Com a subida ao trono de D. Manuel I, este envia-o para os estaleiros da Ribeira das Naus, a fim de orientar os trabalhos de construção dos barcos que iriam fazer a viagem até à Índia, dada a sua experiência na descoberta marítima do Cabo. Mas não foi a ele que o rei deu o comando da expedição…Quando a altura chegou, o capitão escolhido foi Vasco da Gama e a Bartolomeu foi ordenado que acompanhasse a expedição, sim, mas só até S. Jorge da Mina.


A amargura e a frustração que sentiu devem ter sido enormes… mas não seria a última vez!


Em 1500, nova expedição é enviada até à Índia, e novamente é preterido em favor de Pedro Álvares Cabral! Bartolomeu segue nesta viagem comandando um dos navios, mas o seu destino é Sofala, na costa oriental africana. A Índia continuava a ser uma miragem…Tem, no entanto, a consolação de participar no descobrimento das Terras de Vera Cruz, onde permaneceram cerca de nove dias, continuando depois a sua derrota, no início de Maio desse ano.


Cerca do dia 23 do mesmo mês avistaram o Cabo da Boa Esperança, quando um forte temporal causou o naufrágio de quatro naus, entre elas, a de Bartolomeu Dias, que por mais uma ironia do Destino, veio a falecer precisamente junto da sua descoberta mais famosa - o Cabo das Tormentas.






Fontes:
epoca.globo.com
todamateria.com.br
obaudahistoria.blogspot.com
cm-sesimbra.pt
dominiopublico.gov.br/

terça-feira, 11 de novembro de 2025

 Terremoto de Lisboa de 1755.




Era uma linda manhã de 1º de novembro de 1755, em Lisboa


Lisboa era uma metrópole capital do reino de Portugal, que abrangia colônias, na África, Ásia e América Latina.


Lisboa antes do terremoto



Aquele dia em 1755 era o Dia de Todos os Santos, e às 9h30 da manhã muitos dos moradores mais devotos da cidade estavam nas igrejas.


De repente começou a ser ouvido o que várias testemunhas oculares, incluindo o reverendo Davy, acreditavam ser o barulho de muitas carruagens.


Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante duas horas e meia, causando fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa. O padre Manuel Portal é a mais rica e completa fonte sobre os efeitos do sismo, tendo descrito, detalhadamente e na primeira pessoa, o decurso do sismo e a vida lisboeta nos meses que se seguiram. A intensidade do sismo em Lisboa e no cabo de São Vicente estima-se entre X-XI na escala de Mercalli (Giuseppe Mercalli - escala vai de I a XII). Com os vários desmoronamentos os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que atualmente se supõe ter atingido pelo menos seis metros de altura, havendo relatos de ondas com mais de 10 metros, fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas penetrado cerca de 250 m.




"Logo vi que tinha me equivocado, pois descobri que era devido a algum tipo de ruído estranho e assustador embaixo da terra, como o estrondo distante e oco de um trovão."


O abalo era um mega terremoto sentido em grande parte da Europa Ocidental e na costa noroeste da África.


"Ainda é um dos maiores terremotos já registrados. Houve três tremores no total e o segundo foi sem dúvida o maior. Posteriormente, foi avaliado entre 8,5 e 9 na escala Richter", disse Paice.


Os sobreviventes do primeiro tremor procuraram segurança numa enorme praça aberta junto ao rio Tejo, incluindo o Sr. Braddick, um comerciante inglês.


"Ali encontrei uma prodigiosa reunião de pessoas de ambos os sexos e de todas as classes e condições, entre as quais observei alguns dos principais cônegos da igreja patriarcal em suas vestes roxas e avermelhadas, vários padres que haviam fugido do altar em suas sagradas vestimentas em meio à missa festiva, senhoras seminuas e outras sem sapatos... todas de joelhos com os terrores da morte no semblante, gritando sem cessar 'misericórdia, meu Deus!'."


"No meio da devoção, veio o segundo grande abalo e completou a ruína daqueles prédios que já haviam sido gravemente destruídos."


Mais horror estava por vir: o terremoto desencadeou um tsunami no Atlântico que então subiu o rio.



"Ele veio espumando, rugindo e correu em direção à margem com tanta energia que imediatamente corremos para salvar nossas vidas, o mais rápido que podíamos", escreveu o reverendo Davy.


"Você pode pensar que este evento sombrio termina aqui, mas que nada, os horrores de 1º de novembro são suficientes para preencher um volume."


"Assim que escureceu, toda a cidade parecia brilhar, com uma luz tão forte que dava para ler. Pode-se dizer, sem exagero, que houve incêndios em pelo menos cem lugares ao mesmo tempo e continuou como isso por seis dias, sem interrupção."


Para a celebração religiosa, todas as velas das igrejas e catedrais haviam sido acesas, que quando caíam multiplicavam suas chamas.





"Não há palavras para expressar o horror", escreveu outra testemunha. "Tal situação não é fácil de imaginar para quem não a sentiu, nem de descrever para quem a sentiu."


"Deus permita que você nunca tenha uma ideia precisa disso, porque isso só pode ser obtido através da experiência."



Após o abalo sísmico e o tsunami, os lisboetas tiveram ainda que lidar com incêndios, pilhagens e enterrar os mortos -- cuja estimativa varia bastante, entre 10.000 e 70.000 -- antes de pensar na reconstrução. Muitos prédios do centro estavam inteiramente destruídos, tais como o Convento do Carmo, a Torre de São Roque e a recém-construída Casa da Ópera, sem falar na Real Biblioteca, que guardava cerca de 70.000 volumes e centenas de obras de arte. Felizmente, o acervo foi recomposto por meio de compras, doações e incorporação de bibliotecas religiosas, ao passo que a cidade era aos poucos reconstruída. As igrejas foram a prioridade, e a parte nobre da cidade teve o traçado medieval substituído por ruas mais largas e retas. É a chamada “baixa pombalina”, em alusão a seu idealizador: Sebastião José de Carvalho e Melo (1699 – 1782), então Secretário de Estado do Reino, que mais tarde se tornaria marquês de Pombal.







Fontes:

wikipedia.org
google.com
bbc.com
antigo.bn.gov.br


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

 Jesuítas no Brasil


Os jesuítas eram padres que pertenciam à Companhia de Jesus, uma ordem religiosa vinculada à Igreja Católica que tinha como objetivo a pregação do evangelho pelo mundo. Essa ordem religiosa foi criada em 1534 pelo padre Inácio de Loyola e foi oficialmente reconhecida pela Igreja a partir do papa Paulo III em 1540.




Os primeiros jesuítas que vieram ao Brasil chegaram com o primeiro governador-geral da colônia, Tomé de Sousa, em 1549. Eles eram liderados por Manuel da Nóbrega e tinham como principal missão a cristianização dos nativos e zelar pela Igreja instalada no Brasil colonial. Os jesuítas construíram locais chamados missões, onde combinavam a catequese dos nativos com a sua utilização como mão de obra para a produção de tudo o que a missão precisasse.



Padre Manuel da Nóbrega


Padre José de Anchieta



Para que exercessem seu trabalho na colônia, inicialmente, foi necessário criar uma comunicação com os nativos, uma vez que esses falavam tupi e os jesuítas falavam português. Assim, o padre José de Anchieta desenvolveu um manual que auxiliava na comunicação dos jesuítas com os nativos. Nesse período da história brasileira, o idioma mais comum existente aqui era a Língua Geral, que mesclava elementos do português com idiomas nativos.




No Brasil, os jesuítas se reuniam nas missões jesuíticas, basicamente aldeias em que os religiosos procuravam criar verdadeiras comunidades cristãs sem repetir os vícios existentes na sociedade europeia. O intuito deles, além de transmitir o catolicismo, era transmitir os “valores civilizacionais” da sociedade europeia.

Nessas missões, os padres conseguiam produzir quase tudo do que necessitavam para garantir o seu sustento mas também exploravam a mão de obra dos indígenas que ali residiam. Entre as instalações presentes nesses aldeamentos, havia escolas, oficinas de artesanato, cabanas que serviam de residência para os indígenas, capelas, e as residências dos padres.





As missões jesuíticas acabaram sendo um local onde os indígenas poderiam ser abrigados da violência dos colonos. Isso porque, em muitas partes do Brasil, os colonos procuravam, de todos os meios, escravizar os indígenas e, ainda, eram comuns os sequestros de indígenas pelos bandeirantes, por exemplo.




Os jesuítas procuravam defender os indígenas nesse sentido, garantindo que eles não fossem escravizados pelos colonos. As disputas dos jesuítas com bandeirantes e colonos, em geral por essa questão, foram frequentes. Esses conflitos faziam com que algumas missões fossem atacadas pelos bandeirantes.

A pressão dos jesuítas sobre a Coroa portuguesa pela questão da escravização dos indígenas fez com que a Coroa determinasse, por meio de uma Carta Régia de 1570, que a escravização de indígenas somente seria permitida se fosse em caso de “guerra justa”, isto é, se o grupo de indígenas escravizados tivesse hostilizado os portugueses primeiro.

No campo educacional, o trabalho dos jesuítas foi extenso, e eles foram praticamente os únicos educadores do Brasil durante todo o período colonial. O trato dos padres com os nativos precisou ser adaptado para garantir que estes permanecessem nas missões daqueles. Os jesuítas que agiam com rigor e com castigos físicos viam suas escolas se esvaziarem. Com isso, os métodos de ensino passaram a usar práticas como danças e cantorias, por exemplo.

Os jesuítas possuíam técnicas para abordar os povos indígenas e faziam sua comunicação com eles por meio da língua geral, um idioma que misturava elementos do português e de línguas nativas, como o tupi. Por certo tempo, essa foi a língua mais falada no Brasil.

As missões jesuíticas se espalharam por diversas partes do Brasil, tais como Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Bahia, entre outros locais. Uma das missões mais famosas foi a fundada por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, em 1554. Trata-se do Colégio de Piratininga, fundado em 25 de janeiro de 1554, local que daria origem à cidade de São Paulo.






Ao longo dos séculos, os jesuítas enriqueceram bastante, pois, além de controlar os indígenas e explorar sua mão de obra, tinham acesso a recursos importantes, como as drogas do sertão exploradas pelos religiosos no Grão-Pará. A partir do século XVIII, a relação da Companhia de Jesus com a Coroa portuguesa foi piorando progressivamente.

A expulsão da ordem de Portugal e de todas as colônias portuguesas se deu durante a gestão de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, enquanto secretário de Estado de Portugal.

O marquês de Pombal ordenou a expulsão dos jesuítas em 1759, e isso foi uma tentativa da Coroa de centralizar a administração colonial e neutralizar a ação de ordens religiosas que atuavam na colônia de maneira autônoma e sem o controle da metrópole. Ao longo desse século, os jesuítas ainda foram expulsos de outras nações europeias.



A Guerra Guaranítica foi um dos acontecimentos mais significativos que envolveram os jesuítas em território brasileiro. Esse conflito foi uma consequência direta do Tratado de Madri, assinado em 1750, por Portugal e Espanha, e responsável por reorganizar as fronteiras entre as duas nações no continente americano.

Como parte desse tratado, os espanhóis entregaram a região de Sete Povos das Missões para Portugal, obrigando as missões jesuíticas espanholas a abandonarem a região. Tanto os jesuítas instalados naquela região quanto os indígenas guaranis que residiam nas missões jesuíticas não ficaram agradados com a mudança e armaram-se para resistir aos portugueses.

A guerra estendeu-se de 1753 a 1756 e se encerrou com a derrota e a subjugação dos guaranis às tropas espanholas e portuguesas. Com a derrota, as missões jesuíticas da região foram destruídas.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasilescdola.uol.com.br
mundoeducacao.uol.com.br




sexta-feira, 7 de novembro de 2025



Vamos falar hoje da história da escrita e do alfabeto.



Durante milhares de anos os homens sentiram a necessidade de registrar visualmente, isto é, de "ler" as informações. Desenvolvida originalmente para guardar os registros de contas e trocas comerciais, a escrita tornou-se um instrumento de valor inestimável para a difusão de ideias e informações. Foi na Antiga Mesopotâmia há cerca de 6 mil anos atrás, que se desenvolveu a escrita.


A escrita cuneiforme


No início, a escrita era feita através de desenhos: uma imagem estilizada de um objeto significava o próprio objeto. O resultado era uma escrita complexa (havia pelo menos 2.000 sinais) e seu uso era bastante complicado. Assim, os sinais tornaram-se gradativamente mais abstratos, tornando o processo de escrever mais objetivo. Finalmente, o sistema pictográfico evoluiu para uma forma escrita totalmente abstrata, composta de uma série de marcas na forma de cunhas e com um número muito menor de caracteres. Esta forma de escrita ficou conhecida como cuneiforme (do grego, em forma de cunha) e era escrita em tabletes de argila molhada, usando-se uma espécie de caneta de madeira com a ponta na forma de cunha. Quando os tabletes endureciam, forneciam um meio quase indestrutível de armazenamento de informações.


Os Pictogramas eram difíceis de aprender e embora o método cuneiforme fosse muito mais fácil, a escrita àquela época era principalmente uma “reserva exclusiva” de escribas profissionais. Com o objetivo de determinar a posse de algo, quase sempre um selo era usado. Os selos primitivos constavam simplesmente de um desenho pessoal referente ao proprietário. Mais tarde, uma inscrição por escrito, seria também incluída.






A escrita cuneiforme teve muito sucesso. Milhares de tabletes de argila foram desenterrados contendo registros de transações comerciais e impostos de cidades da Mesopotâmia, e a escrita cuneiforme foi usada para escrever a língua sumeriana. A escrita cuneiforme também foi usada para a forma escrita das línguas da Assíria e Babilônia, línguas bastante diferentes da sumeriana. Embora a escrita cuneiforme fosse muito menos adaptada à estas línguas, a escrita foi amplamente usada no Oriente Médio, numa vasta gama de documentos, desde registros comerciais até cartas de reis. O sucesso da escrita cuneiforme foi parcialmente devido ao fato de que suas matrizes em forma de cunha eram bastante adequadas para o meio em que se escrevia - o tablete de argila.










Com base na escrita cuneiforme são elaborados os hieróglifos. Não se sabe, todavia, onde e quando exatamente a escrita egípcia teria começado.


Na escrita hieroglífica alguns sinais assumiram uma representação fonográfica, às vezes de uma letra, outras vezes de palavras inteiras. Trata-se de uma escrita complexa e era utilizada em representações religiosas.


Além dessa, os egípcios desenvolveram sucessivamente outras formas de escrita, a Hierática - utilizada especialmente em textos literários, administrativos e jurídicos, bem como a Demótica - semelhante à hierática, porém mais simples, utilizada também em documentos jurídicos.






A forma mais antiga de escrita na China remonta a 1200 a.C. e, embora tenha sofrido alterações, ela resiste até os nossos dias.





A escrita chinesa é composta por cerca de 40 ou 50 mil caracteres, mas nem todos são necessariamente utilizados. Tais caracteres podem representar um som, uma palavra inteira ou mesmo um conceito.


A escrita chinesa é uma arte e para tanto requer habilidade e equilíbrio.





Alfabeto


A representação fonética foi desenvolvida pelos fenícios. A análise promovida por esse povo deu origem a 22 sinais, aos quais foram acrescentadas as vogais pelos gregos, ao mesmo tempo que foram abandonadas as letras cujos sons não existiam nessa cultura, passando, assim, a ser representada por 24 sinais.






O alfabeto fenício arcaico originou todos os alfabetos atuais. O sistema é composto por 22 signos que permitem a elaboração da representação fonética de qualquer palavra.


Alfabeto Fenício


Diferente do conjunto de representações do povo semita, o alfabeto fenício continha símbolos específicos.


Dessa evolução surge o nosso alfabeto, que tem origem no sistema greco-romano.


Alfabeto Grego










Foi esse o alfabeto adotado pelos gregos por volta do século VIII a.C. Os gregos acrescentaram ao sistema mais sons vocálicos e o alfabeto passou a ter 24 letras, entre vogais e consoantes.


Com base neste sistema, um tanto mais refinado, originam-se outros alfabetos, como o etrusco e o gótico, na Idade Média; o grego clássico e o latino, que foi adotado pelos romanos.





Em consequência da expansão do Império Romano, o alfabeto latino foi largamente difundido.


Foram os gregos os primeiros europeus a aprender escrever com um alfabeto e seu sistema foi fundamental para o mundo moderno.


A palavra alfabeto, aliás, é de origem grega e representa a primeira letra (Alfa) e a segunda (Beta). Com a adoção de um sistema de notação silábica, os gregos influenciaram em todo o alfabeto moderno.


Alfabeto árabe:


Muitas das formas escritas primitivas, como a cuneiforme e a fenícia, surgiram e prosperaram devido ao comércio. A escrita permitia que os mercadores mantivessem o registro de suas transações e que os governos anotassem os bens das pessoas ou os impostos que deviam. Um subproduto interessante e frequente foi o surgimento de uma nova cultura literária. Os primeiros poemas épicos da Mesopotâmia e a profícua literatura da Grécia Antiga têm uma dívida com os comerciantes fenícios e sumerianos, que foram os “desenvolvedores” dos primórdios da escrita.








Os negócios comerciais não foram nem de longe a única influência sobre a escrita. No mundo islâmico, por exemplo, o repentino surgimento de uma nova religião do Islã estimulou o desenvolvimento e a difusão da escrita árabe. Esta escrita evoluiu, provavelmente durante os séculos IV e V, a partir das escritas do povo nabateu, que habitava as cercanias do monte Sinai. Baseia-se nos sinais originais das línguas semitas, com o acréscimo de outros sinais para diferenciar as sutilezas da pronúncia.


A fé islâmica foi fundada no século VII. O texto do Corão foi ditado por Deus ao profeta Maomé e teve que ser copiado pelos seguidores da sua fé. Estas palavras obviamente têm uma importância capital para os fiéis e devem ser descritas com perfeição e reverência. Consequentemente, a capacidade de escrever e a arte da caligrafia eram, e ainda são, altamente consideradas no mundo islâmico. O fato de que a representação de formas vivas seja proibida na arte islâmica fez com que a caligrafia se tornasse ainda mais importante. Além disso, a escrita tornou-se vital como uma forma de registrar os ensinamentos islâmicos e as descobertas científicas.




Alfabeto cirílico


alfabeto cirílico um sistema alfabético de escrita utilizado atualmente para representar a língua russa, além de várias outras na Europa oriental e na Ásia central. É também conhecido como azbuka, derivada dos nomes antigos das suas duas primeiras letras. Seu nome é uma referência a dois santos, Cirilo e Metódio, diáconos em Constantinopla, capital à época do Império Bizantino, mas, na verdade, acredita-se que seu criador seja São Clemente de Ohrid, que em algum momento durante o século X o desenvolveu a partir do alfabeto grego, acrescido de ligaduras e consoantes do alfabeto glagolítico e do búlgaro antigo para representar sons que não haviam na Antiga Grécia. Este novo sistema foi desenvolvido para registrar o antigo eslavo eclesiástico, a primeira língua eslava literária (Cirilo e Metódio foram na verdade o estruturador do alfabeto). Além do alfabeto grego foram acrescentados alguns símbolos inspirados na escrita hebraica para representar fonemas característicos das línguas eslavas.






Seguindo a orientação da origem grega, as anotações latinas são lidas da esquerda para a direita. Originalmente, o alfabeto latino é constituído por 26 letras (A,B,C,D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, X, Y, W, Z).


A letra Z chegou ser descartada no século 250 a.C. porque o latim, neste período, não continha nenhum som específico para este sinal gráfico.




Alfabeto Português


O alfabeto de representação gráfica da língua portuguesa é o latino. Os países de língua portuguesa, que incluem o Brasil, aboliram as variações após a assinatura do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e acrescentaram as letras que notam os sons de K, Y e W.


Assim, esse alfabeto é grafado pelas letras, A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, X, Y, W, Z.






Fontes:
todamateria.com.br
infoescola.com
10emtudo.com.br
google.com

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