sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 

Mário de Andrade





Pioneiro, Mário de Andrade foi autor do livro de poemas Pauliceia Desvairada, inaugural da primeira fase do Modernismo.




Além de escrever ficção, o intelectual também foi crítico de arte em jornais e revistas. Polivalente, amante da música, Mário chegou igualmente a dar aulas particulares de piano.


Em termos literários, a sua maior criação foi provavelmente o romance Macunaíma (1928), que chegou a ser mais tarde adaptado para o cinema. Já nessa produção, vemos uma característica fundamental do autor: Mário procurava uma linguagem nacional, queria conhecer a fundo a cultura de cada região do país e valorizar a nossa terra.




“Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.
Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante.
Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé.




Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
— Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!”
(trecho sobre a questão racial no Brasil)




Mário de Andrade (1893-1945) foi um escritor brasileiro. Publicou "Pauliceia Desvairada" o primeiro livro de poemas da Primeira Fase do Modernismo. Além de poeta, foi romancista, contista, crítico literário, professor e pesquisador de manifestações musicais e excelente folclorista.


Mário se interessava por tudo aquilo que dissesse respeito ao seu país, e teve papel importante na implantação do Modernismo no Brasil se tornado a figura mais importante da Geração de 22. Seu romance "Macunaíma" foi sua maior criação.




Mário Raul de Morais Andrade nasceu na Rua da Aurora, em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1893. Filho do Dr. Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa, concluiu o ginásio e entrou para a Escola de Comércio Alves Penteado.

Depois de se desentender com o professor de português, abandonou o curso. Em 1911 ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e passava nove horas do dia estudando. O resto do tempo, lia tudo o que lhe interessava.

Em 1917, ano da morte de seu pai, concluiu o curso de piano no Conservatório. Passou a dar aulas particulares de piano. Frequentador das rodas literárias, conheceu Oswald de Andrade e Anita Malfatti, de quem se tornou amigo inseparável. Mais tarde, romperia sua longa amizade com Oswald, quando este insistiu em piadas sobre sua sexualidade.



Foi um dos mais importantes poetas do movimento. Foi um incentivador das principais revista do modernismo na fase polêmica de afirmação do movimento, como Klaxon, Estética, Terra Roxa e outras.

Meses após a semana de 1922 (13/02 a 17/02), Mário de Andrade publicou Pauliceia Desvairada, na qual reuniu seus primeiros poemas modernistas, na tentativa de definir e animar os novos caminhos para a criação artística brasileira.

No prefácio de Pauliceia Desvairada ele diz:

“Quando sinto a impulsão lírica, escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo.”

Pauliceia Desvairada é uma obra cosmopolita na linguagem e nos temas. Mário poetiza São Paulo em suas múltiplas manifestações: o progresso, a transformação da paisagem, o já visível domínio econômico dos imigrantes sobre as tradicionais famílias da burguesia da cidade, sempre envolta em garoa.


Na rua Aurora eu nasci


Na rua Aurora eu nasci
na aurora de minha vida
E numa aurora cresci.

no largo do Paiçandu
Sonhei, foi luta renhida,


Fiquei pobre e me vi nu.

nesta rua Lopes Chaves
Envelheço, e envergonhado
nem sei quem foi Lopes Chaves.

Mamãe! me dá essa lua,
Ser esquecido e ignorado
Como esses nomes da rua.




No período que se estendeu de 1935 a 1938, Mário realizou uma importante ação cultural. Convidado por Paulo Duarte, organizou e dirigiu o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, construiu bibliotecas, fixas e ambulantes, redigiu o anteprojeto para a criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional etc.

Com o advento da ditadura no governo de Getúlio Vargas, Mário de Andrade foi demitido e exilou-se no Rio de Janeiro. Tornou-se professor de Filosofia e História da Arte da Universidade Federal. Em 1939 foi nomeado chefe da seção do Instituto Nacional do Livro.

Em 1940 voltou para São Paulo e trabalhou no serviço do Patrimônio Histórico. Viveu com grande angústia os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

Mário de Andrade faleceu em São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 1945, vítima de um ataque cardíaco. A Biblioteca Mário de Andrade, fundada em 1925, é hoje a Biblioteca Municipal de São Paulo. A casa onde viveu o escritor entre os anos de 1921 e 1945, foi tombada em 1975, e hoje abriga um museu em homenagem ao escritor.



Casa onde residiu Mário de Andrade - Rua Lopes Chaves
Barra Funda



Fontes:

wikipedia.org
google.com
culturagenial.com
ebiografia.com
saopaulo.com.br

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