quinta-feira, 19 de junho de 2025

 Morreu nessa quinta-feira o ator Francisco Cuoco.




O ator estava internado no Albert Einstein, em São Paulo, há cerca de 20 dias, e estava sedado desde então. Ele sofria complicações de saúde causadas pela idade e por um ferimento que infeccionou, segundo sua irmã, Grácia, com quem morava. A causa da morte, porém, não foi informada.

Nascido em 29 de novembro de 1933, em São Paulo. Francisco Cuoco foi um importante ator, principalmente da televisão brasileira.

Francisco Cuoco e Regina Duarte (Selva de Pedra)



Com papéis marcantes como Cristiano Vilhena, em Selva de Pedra (1972); o taxista Carlão, em Pecado Capital ( 1975); O vidente Herculano Quintanilha em O Astro (1977), engtre outros papéis de sucesso. 



Herculano Quintanilha (O Astro)




Nascido no bairro do Brás em São Paulo, era filho de um feirante e uma dona de casa.

Estreou no teatro em peças do Teatro Brasileiro de Comédia e depois atuou pela companhia Teatro dos Sete, trabalhando com diretores como Alberto D´ Aversa, Gianne Ratto, Fernando Torres e atores como Italo Rossi, Fernanda Montenegro e Carminha Brandão, que se tornou a sua primeira esposa. Seu primeiro protagonista no teatro foi com o personagem Werneck, de O Beijno no Asfalto de Nelson Rodrigues, em 1961, com direção de Fernando Torres. Em 1964 foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor ator coadjuvante na peça Boeing-boeing.

Atuou também na maior novela da televisão brasileira, Redenção, que foi ao ar entre 16 de maio de 1966 e 2 de dezembro de 1968, às 19 horas, como o médico, Fernando Silveira.
Francisco Cuoco e Miriam Mehler - 
Redenção


Por conta do trabalho na TV, nos anos 1990, Cuoco passou longo período longe dos palcos, mas reaproximou-se das artes cênicas em 2004, com "Três Homens Baixos", de Rodrigo Murat, um besteirol em que amigos debochavam dos próprios problemas sexuais e das crises derivadas da maturidade.

O ator voltou a subir ao palco em "Circuncisão em Nova York" (2008), com texto de João Bethencourt. Depois, em 2009, ao lado de Fernanda Torres, fez "Deus é Química". Em 2013, protagonizou "Uma Vida no Teatro", com texto de David Mamet e direção de Alexandre Reinecke, espetáculo com rasgos de comicidade.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
folha.uol.com.br

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Vamos falar hoje do filme Meia-Noite em Paris de Wood Allen de 2011.




Filmado em Paris, a cidade luz, Meia-Noite em Paris é visualmente incrível. Jogos de luzes e sombras transformam uma Paris contemporânea em uma Paris de 1920. Além disso, o filme recria muitos lugares icônicos dos anos 20, onde se reuniam grandes pensadores e artistas.

O filme narra a história de Gil Pender, um renomado escritor de roteiros de Hollywood, que na verdade, não se sente feliz e procura inspiração para um romance que está escrevendo.

Gil, a noiva Inez e os sogros vão para Paris. Lá Gil, como por magia, retorna aos anos 20, em Paris, que segundo Gertrude Stein, formavam a geração perdida.








O primeiro personagem que ele encontra é Cole Porter, cantando Let´s do it.


Depois encontra o casal Fitzgerald, Scott e Zelda.  

Scott Fitzgerald se mudou com sua esposa Zelda Fitzgerald para a França no ano de 1920. Lá, concluiu o mais célebre de seus romances, "O Grande Gatsby" (1925), que descreve a vida em alta sociedade norte-americana.


Zelda Fitzgerald
Escritora americana ícone da década de 20, Zelda fora apelidada pelo marido de "a primeira melindrosa norte-americana". A novelista, interpretada por Alison Pill, obteve sucesso com o romance "Este Lado do Paraíso" (1920). Ricos, bonitos e invejados, o célebre casal viveu uma relação tempestuosa enquanto morou em Paris. Zelda foi internada várias vezes em clínicas de reabilitação e morreu quando uma dessas clínicas pegou fogo.

As belas cenas da cidade de Paris são retratadas como :

Église Saint-Etiénne-du-Mont: onde Gil é resgatado todas as noites para o passado;
Hotel Le Briston, onde os personagens estão hospedados em Paris;
Mercado de Pulgas de Saint-Ouen: onde Gil conhece a adorável Gabrielle (Léa Seydoux);
Museu de l’Orangerie: onde as obras de Claude Monet podem ser vistas, um passeio legal para fazer após ou antes a visitação de Giverny;
Escadarias de Montmartre: também locação de Amélie Poulain;
Parc Jean XXIII: um dos lugares mais adoráveis de Paris, atrás da Nôtre-Dame;
Margens do Rio Sena: onde ele passeia com Adriana (Marion Coutillard, do filme Piaf) ou também caminha sozinho (imagem do início do post);
Restaurante Maxim’s: o lugar onde Gil e Adriana viajam para o passado da Bélle Epoque;
Moulin Rouge: uma curiosidade é que o filme de Baz Luhrman “Moulin Rouge” não foi filmado na locação real;
Livraria Shakespeare and Company: locação também do filme “Antes do Pôr do Sol”.

Meia-Noite em Paris - abertura

Outros escritores famosos são retratados como Ernest Hemingway, vencedor do Prêmio Nobel com O homem e o mar e Paris é uma Festa.

O escritor fazia parte da comunidade de escritores expatriados em Paris conhecida como "geração perdida", termo criado pela poetisa Gertrude Stein. Ele também tem uma relação próxima com a cidade onde, recém casado, viveu no início dos anos 20. O ator Corey Stoll é quem dá vida ao escritor norte-americano.


Hemngway e Gertrude Stein


Gertrude Stein

Ernest Hemingway - real e personagem




Gertrude,  foi escritora, poetisa e ativista do movimento feminista. O filme e a história real contam que foi em torno de sua casa, na Rue de Fleures, número 27, em Paris, que se reunia o ilustre grupo de artistas composto por Picasso, Matisse, Hemingway, entre outros.






Thomas Stearns Eliot, conhecido pelo pseudônimo de T.S. Eliot não era o escritor mais bonito do mundo, mas suas obras compensam sendo lindas. Eliot ganhou o Nobel de Literatura e escreveu de poemas a peças de teatro. Uma de suas obras mais conhecidas foi inspirada na obra de Dante Alighieri e se chama “The Love Song of J. Alfred Prufrock”.

Pablo Picasso
Escultor, artista gráfico e ceramista, Picasso chegou a França em outubro de 1900, adotando a cidade de Paris como seu novo lar. Picasso trabalhava exaustivamente durante toda a madrugada, o que não o impediu de socializar com os famosos amigos da Rue de Fleures. Di Fonzo Bo foi o selecionado para o importante papel.


Picasso e Man Ray


Picasso


Man Ray







Man Ray
O fotógrafo, interpretado por Tom Cordier, integrou o movimento surrealista após sua mudança para França, em 1921. Sob esta influência, desenvolveu a raiografia, sua marca registrada. A arte consiste em criar imagens a partir da exposição de objetos à luz no momento da revelação, sem o uso da câmera. Posaram para sua lente: Ernest Hemingway, Coco Chanel, Salvador Dalí, Jean Cocteau e inúmeros outros.

Casal Fitzgerald e Salvador Dali


Casal Fitzgerald

Salvador Dali








A dançarina e ativista Josephine Baker, também é lembrada no filme.


Recomendo a leitura do livro de Hemingway Paris é uma festa - A moveable feast -  que retrata Paris dos anos 20, uma das épocas mais icônicas da chamada Cidade Luz.





O filme fala sobre projeções dos personagens com outras realidades. Como viver uma vida imaginária, cheia de fantasias, diferente da vida que eles levam.



Gil imagina essa época como o mais elevado momento nas artes, na literatura, e na cultura em geral. Nessa época fantástica, Gil vai conhecer uma jovem encantadora: Adriana.

Gil se apaixona por Adriana e pelo que ela representa: a vida cultural da época que ele idealiza. No entanto, Gil só se dá conta de que está vivendo um sonho quando ele e Adriana são transportados para o passado.

Da mesma forma que Gil conseguiu chegar nos anos 20, Adriana e Gil são enviados para 1890. Lá, conhecem Toulouse-Lautrec, Paul Gaugin e Edgar Degas. Quando Adriana confessa que essa é sua época preferida, os três pintores riem desdenhosamente. Os três pensam que a época de ouro aconteceu muito antes.








Fontes:

redeglobo.globo.com
youtube.com
google.com
wikipedia.org
cinealerta.com.br
amentemaravilhosa.com.br
viagenscinematograficas.com.br




terça-feira, 17 de junho de 2025

Paris é uma Festa - Ernest Hemingway, título original The Moveable Feast.






Ernest começou a escrever este livro em Cuba, no outono de 1957; trabalhou nele em Ketchum, Idaho, no inverno de 1958-1959; levou os originais para a Espanha,  em abril de 1959; trouxe-os de volta para Cuba e mais tarde, no fim do outono daquele ano, de novo para Ketchum. Terminou de escrevê-lo na primavera de 1960, em Cuba.



Hemingway e esposa - Hadley




O livro apresenta as memórias de Hemingway a respeito do tempo em que viveu em Paris, na década de 20. Na época, o autor (hoje considerado um dos maiores escritores americanos de todos os tempos, vencedor de prêmios como Pulitzer e Nobel) tinha apenas vinte e poucos anos e ensaiava seus primeiros textos. Havia deixado o jornalismo para se dedicar à literatura, mas ainda não se encorajava a escrever romances. Seus contos despertavam pouco interesse e raros eram publicados. Como resultado, o dinheiro estava sempre curto. Ainda assim, Hemingway era feliz. Estava apaixonado por sua esposa, Hadley Richardson, sua primeira esposa, com quem tinha se casado em 1921. Conhecia gente interessante e morava em uma cidade linda.



É possível sentir em cada página o carinho de Hemingway por esse tempo já distante de sua vida. Como o livro foi escrito na década de 50, fica perceptível a saudade com que o autor lembra da rotina que vivia, dos lugares que frequentava (entre eles a famosa livraria Shakespeare and Company, ponto de encontro de escritores que anos depois se tornariam pilares da literatura mundial) e das pessoas que conhecia andando a esmo, entrando em um café aqui, em um bar ali e que, eventualmente, se tornavam amigos. Entre elas, James Joyce, Gertrude Stein, Ezra Pound, Ford Madox Ford e, claro, Scott Fitzgerald (que na época começava a ser reconhecido pela crítica – embora não pelo público – por “O Grande Gatsby”). Este último ganha um capítulo à parte no qual Hemingway fala sobre a convivência com o amigo, deixa clara sua admiração ao colega escritor, e discorre um pouco a respeito do complicado relacionamento de Scott e Zelda. Foi nessa época também que Hemingway passou a ler nomes como Simenon, Tolstói e Dostoiévski (revelando apreço pela obra dos primeiros, nem tanto pela do último).

Ernest Hemingway


Havia dias em que Hemingway não tinha dinheiro ao menos para almoçar e não devia ser menos frustrante não ter quase ninguém interessado em seus textos, mas apesar das dificuldades, fica claro que aqueles eram tempos leves e felizes. Tempos em que ele ainda não enfrentava problemas como alcoolismo e depressão.

Se você não se alimentava bem em Paris, tinha sempre uma fome danada, pois todas as padarias exibiam coisas maravilhosas em suas vitrinas e muitas pessoas comiam ao ar livre, em mesas na calçada, de modo que por toda a parte via comida ou sentia o seu cheiro. Se você abandonou o jornalismo e ninguém nos Estados Unidos se interessa em publicar o que está escrevendo, se é obrigado a mentir em casa, explicando que já almoçara com alguém, o melhor que tem a fazer é passear nos jardins do Luxembourg, onde não via nem cheirava comida, desde a Place de l'Observatoire até a rue de Vaugirard.  (Cap. VIII - p.27)

Hemingway, viveu na Paris dos anos 20, após a Primeira Guerra Mundial, onde a nata dos intelectuais e dos artistas se reuniam. O bairro de Montparnasse, conhecido pelos seus cafés e bares, era um importante centro de atividade artística e intelectual. 


La Rotonde - Montparnase






Também o bairro de Montmartre, com o seu ambiente boêmio e os seus estúdios de artistas, atraía muitos artistas. O Quartier Latin, que é um dos bairros mais antigos de Paris, também era um local onde muitos intelectuais e artistas se reuniam.

Moulin  Rouge

Hemingway convivia com artistas e escritores como Scott Fitzgerald, Gertrud Stein. Ezra Pound, dentre outros.


Quando já não havia luz no Luxembourg, podia voltar pelos jardins e dar um pulo ao apartamento-estúdio onde Gertrude Stein morava, na rue de Fleurus, 27.  Minha mulher e eu já nos havíamos apresentado a Miss Stein, e tanto ela como a amiga com quem vivia tinham sido muito cordiais e amistosas conosco; ficámos apaixonados pelo estúdio e seus quadros maravilhosos. Era como uma das melhores salas do mais belo museu, com a vantagem de haver uma enorme lareira que nos proporcionava calor e conforto e delas nos oferecerem boas coisas para comer, além de chá e licores de destilação natural, feitos de ameixas escuras, ameixas amarelas ou amoras silvestres. Eram bebidas alcoólicas fragrantes, incolores, guardadas em garrafas de cristal lapidado e servidas em cálices; fossem de quetsche, micabelle ou framboise todas tinham o sabor das frutas de que eram feitas e, convertidas em fogo brando ao tocar nossas línguas, aqueciam-nos e nos tornavam comunicativos. 
( Cap.II p. 8 e 9)

Gertrud Stein e Alice B.Toklas


Também tem um capítulo dedicado ao poeta Ezra Pound, um de seus melhores amigos.

Ezra Pound foi sempre um amigo generoso, e vivia procurando ajudar a todo mundo. O estúdio em que morava com Dorothy, sua mulher, na rue Notre-Dame-des-Champs, era tão pobre quanto o de Gertrude Stein era rico. Mas possuía ótima luz, tinha uma boa estufa para aquecê-lo, e nas paredes havia quadros de pintores japoneses, que Ezra apreciava. Creio que esses artistas eram todos nobres, lá em sua terra, e usavam cabelos compridos. Compridos e de um negro brilhante, cabelos que se derramavam para a frente quando os japoneses se curvavam em suas mesuras; confesso que esses orientais me impressionavam muito mais do que suas pinturas. Eu não as entendia bem, mas não tinham qualquer mistério; quando acabei por compreendê-las, verifiquei que não me diziam coisa alguma. Não gostei de chegar a essa conclusão, mas era assim mesmo e não tinha remédio. Os quadros que Dorothy pintava já me agradavam bastante: além disso, era uma mulher bonita e tinha um corpo perfeito. (Cap.XII p.42)


Ezra Pound e Dorothy

Outro grande amigo ao qual Hemingway dedica um capítulo no livro é Scott Fitzgerald.

Uma coisa muito estranha aconteceu quando travei conhecimento com Scott Fitzgerald. Muitas coisas estranhas aconteciam com Scott, mas jamais me poderia esquecer daquela primeira. Ele entrara no Dingo, um bar na rue Delambre, onde eu bebericava com alguns tipos totalmente inexpressivos, apresentou-se e apresentou-nos a um sujeito alto e simpático que o acompanhava, informando que ele era Dunc Chaplin, o grande craque de beisebol. Eu jamais acompanhara o beisebol de Princeton, mas ele era extraordinariamente simpático, calmo, despreocupado e simples, o que de pronto me levou a gostar mais dele do que de Scott. Scott era nessa época um homem de aspecto juvenil, com um rosto entre simpático e bonito. Seus cabelos eram claros e ondulados, a testa era alta, erguendo-se acima de olhos matreiros e cordiais e de uma boca de lábios tão delicados e longos como os de um irlandês; se fossem de moça, seriam os lábios da própria beleza. O queixo era bem construído, as orelhas eram perfeitas e o nariz, de linhas finas, era quase elegante. Tudo isso não bastaria para compor um rosto bonito, mas a impressão de beleza era acentuada pelos cabelos muito claros e pela boca delicada. Tão delicada que nos intrigava enquanto não o conhecíamos e, então, nos intrigava ainda mais. (Cap. XVII p. 57)


Scott Fitzgerald


Paris é uma festa é uma narrativa de Hemingway sobre sua estadia em Paris nos anos 20, embora no começo do livro ele dizer que o leitor poderia considerar como um trabalho de ficção.

Quem assistiu o filme de Woddy Allen, Meia-noite em Paris, vai reconhecer que o livro serviu de inspiração para o filme.



Fontes:

alemdacontracapa.blogspot.com
doceru.com
Hemingway, Ernest - Paris é uma festa
tudosobreparis.com
nationalgeographicbrasil.com
google.com




segunda-feira, 16 de junho de 2025

 

Ezra Pound




Vamos falar hoje do escritor norte-americano Ezra Weston Loomis Pound (Hailey, 30 de outubro de 1885 - Veneza, 1 de novembro de 1972) foi um poeta e crítico literário considerado, ao lado de T.S.Eliot, o principal representante do movimento modernista do início do século XX.












Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imaginismo, movimento literário que consistia em fazer poesia com uso de imagens, sons, com versos brancos (sem rima) e sem preocupação com a métrica (líder e principal representante) e do Vorticismo, movimento artístico de tendências modernas, baseado no impressionismo e no cubismo, com imagens sobrepostas e com profundidade semelhante ao um vórtice, daí o nome .











O crítico Hugh Kenner disse após conhecer Pound: “De repente, percebi que estava na presença do centro do modernismo".


Ele é o autor de Os Cantos, livro composto de 120 poema, considerado uma das maiores obras literárias do século XX. As partes escritas no final da Segunda Guerra Mundial, receberam o Prêmio Bolligen, em 1948. Através dos Cantos, Ezra Pound influenciou profundamente os poetas de sua geração.






Durante as décadas de 1930 e 1940, tornou-se apologista do fascismo, admirador de Mussolini, publicando para a editora fascista Oswald Mosley. Durante a Segunda Guerra Mundial , ele apresentou programas de rádio na Itália, onde apresentou um ferrenho antiamericanismo.


Hemingway afirmou que "o melhor que Pound escreveu - e que está em Os Cantos - durará enquanto houver literatura"




Canto IV




“Cinza-oliva aqui perto

distante cinza-fumo do rochedo,

Asas rosa-salmão da águia marinha

lançando sombras cinzas sobre a água,

A torre como imenso ganso de um só olho

alça o pescoço acima da aleia de olivas.


E escutamos os faunos a acusar Proteu¹

dentre o cheiro de feno sob as oliveiras.

E as rãs cantando contra os faunos

na penumbra.”


¹ (Proteu - deidade marinha, pastor do rebanho de Poseidon)






Os Cantos compõem um longo poema incompleto com 120 seções, cada uma das quais constitui um canto. A maior parte foi escrita entre 1915 e 1962, embora muito do trabalho inicial tenha sido abandonado e os primeiros cantos publicados datem, na verdade, de 1922 em diante. Trata- se de uma das obras mais expressivas da poesia moderna, em que Pound inclui versos em diversas línguas, e adapta e retoma materiais procedentes de outros autores e de várias tradições, inclusive da China.


É um livro de difícil leitura, na medida que faz referências a inúmeras outras obras de Homero, de Virgílio, de Dante. Personagens históricos como o soldado do século 15 e patrono das artes Sigismundo Pandolfo Malatesta, o jurista elisabetano Edward Coke, Elizabeth I, John Adams e Thomas Jefferson (ambos presidentes do EUA) falam através de fragmentos de seus próprios escritos .






Após o final da Segunda guerra, Pound foi preso como traidor e confinado numa jaula por oito dias. As experiências com a prisão e suas privações causaram problemas psicológicos intensos no escritor, que mais tarde foi considerado doente mental com depressão e paranoia.


Morreu em Veneza, Itália em 1º de novembro de 1972.










Fontes:
history.uol.com.br
wikipedia.org
google.com
culturapara.art.br
posfacio.com.br
infoescola.com
istockphoto.com

sexta-feira, 13 de junho de 2025



Na mitologia grega, as Musas são divindades femininas que inspiravam as artes e as ciências. Elas eram nove filhas de Zeus e Mnemósine (a memória) e cada uma delas era considerada a protetora de uma arte ou ciência específica.


As Musas mais conhecidas são:

Calíope: Musa da poesia épica e da oratória.


Calíope






Clio: Musa da história.

Clio



Euterpe: Musa da música e da poesia lírica.
Tália: Musa da comédia e da poesia leve.
Melpômene: Musa da tragédia.
Erato: Musa da poesia amorosa e da poesia lírica.
Polímnia: Musa da poesia sagrada e da mística.

Polímnia




Urânia: Musa da astronomia.
Terpsícore: Musa da dança.


Terpsícore


As Musas eram reverenciadas como fontes divinas de inspiração e eram frequentemente invocadas pelos artistas e intelectuais para que pudessem criar obras de arte ou escrever com excelência.

Na sua obra - Teogonia, a origem dos deuses - o Professor de literatura grega da USP - José Antonio Torrano, de quem fui aluno de Literatura Grega, fala sobre as Musas:

A manifestação das Musas não é apenas um esplendor e diacosmese¹ que se opõem ao reino das trevas e da carência, mas sobretudo tem no antinômico² reino da Noite o seu fundamento e, ao esplender em seu fundamento, dá a este mesmo reino antinômico a sua fundamentação. Nesta sabedoria arcaica, que encontrou em Heráclito a sua expressão mais clara (e mais obscura), cada contrário, ao surgir à luz da existência, traz também, por determinação de sua própria essência, o seu contrário. (p.18)


¹ - Forma de descrever eventos de forma detalhada e meticulosa
² - contraditório, de modo contrário.




Habitavam o monte Helicón, mas estavam frequentemente no Olimpo a entreter os deuses.


Monte Hélicon



Inicialmente, as musas foram criadas para celebrar a vitória dos deuses sobre os titãs, na chamada Titanomaquia.

As Musasa eram consideradas divindades da primavera, com o tempo a importância delas aumentou até se tornarem deusas – e responsáveis pela inspiração humana.



Fontes:

wiipedia.org
google.com
citaliarestauro.com
www.assisprofessor.com.br
significados.com



quinta-feira, 12 de junho de 2025

 Brasil já foi escrito com Z, no idioma português.


Sim, na década de 1960, o Brasil era comumente escrito com "z" em documentos oficiais e também em outros contextos, apesar de a forma com "s" já estar em uso. A grafia "Brazil" era a mais comum, especialmente no período imperial. No entanto, com a padronização ortográfica em 1931, a forma "Brasil" com "s" foi oficializada, sendo adotada em documentos oficiais e, posteriormente, em outros contextos.

Na década de 60, quando eu cursava o curso primário, hoje, fundamental I, eu escrevia Brazil, com z.

A mudança para a grafia "Brasil" com "s" foi um processo gradual, que teve início no século XIX e foi oficializado em 1931, com o Decreto-Lei nº 20.108, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.


A grafia "Brazil" com "z" é mantida em inglês, uma vez que a forma "Brazil" era já usada em países anglófonos, como Estados Unidos e Reino Unido, antes da padronização ortográfica em português.






Em outros idiomas, a forma do nome do país pode variar: "Brésil" em francês, "Brasil" em espanhol, "Brasile" em italiano.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Academia de Ciências de Lisboa, em colaboração, estabeleceram um acordo ortográfico que oficializou a forma "Brasil" com "s" em 1931.

A mudança para a grafia "Brasil" com "s" teve como objetivo a padronização da língua portuguesa, tanto no Brasil como em Portugal, minimizando inconsistências.

Lembremos que a palavra Brasil vem de brasa, que era escrito com z e depois passou a ser escrita com s.



Fontes:

educamaisbrasil.com.br
brasilescola.com
google.com

quarta-feira, 11 de junho de 2025



Em 25 de setembro de 1513, o explorador espanhol Vasco Núñez de Balboa, depois de quase um mês de travessia em meio a florestas, pântanos e lagoas do istmo do Panamá, encontrou o Oceano Pacífico. Foi o primeiro europeu a avistar o grande oceano a partir de sua costa oriental. Balboa decidiu-se pela aventura diante dos relatos indígenas sobre um rico reino ao sul onde as pessoas usavam utensílios de ouro. Eram as primeiras informações sobre o Império Inca.

Vasco Nuñez Balboa

Vasco Núñez Balboa (1475-1519) nasceu em uma família da pequena nobreza espanhola. Por volta de 1500 juntou-se à uma expedição para a América que pretendia encontrar pérolas ao longo da costa norte da América do Sul (atual Colômbia), então uma região praticamente desconhecida para os europeus. A expedição foi um sucesso em mapear novos litorais, mas não encontrou muitas das pérolas esperadas. Balboa se estabeleceu em seguida em Hispaniola (moderno Haiti/República Dominicana), onde possuía uma plantação, mas seu senso de negócios era ruim, e ele foi obrigado a abandonar a ilha depois de acumular enormes dívidas.
A conquista do Panamá A região que hoje compreende a Colômbia e o Panamá era habitada por diversas etnias que estavam organizadas em cacicados. Os indígenas resistiram à conquista espanhola com suas flechas envenenadas mortais com efeito devastador. Os espanhóis revidaram com armas de fogo e cães ferozes lançados contra as populações nativas. Em 1510, Balboa fundou a colônia de Santa Maria La Antígua de Darién, ou simplesmente Darién localizada em território da atual Colômbia ou no Panamá (não há mais vestígios da cidade que foi abandonada depois de atacada e incendiada pelos indígenas em 1524). Darién foi o primeiro assentamento espanhol permanente no continente americano. Apesar de ser uma região de pântanos, logo passou a ser chamada de Castilla del Oro (“Castela Dourada”) por causa da quantidade de artefatos de ouro trocados e saqueados dos povos locais. Balboa escreveu ao rei na Espanha, de forma exagerada e precipitada, que havia ali “rios de ouro” e que os chefes indígenas tinham “ouro crescendo como milho que eles coletavam em cestos”.

O nome Pacífico foi dado por Fernão de Magalhães, anos mais tarde durante a sua viagem de circunavegação da Terra ao lado de Sebastião Elcano, por achar um mar calmo, ao contrário do encontrado no Atlântico.

Fernão de Magalhães

Sebastião ElCano


"O oceano Pacífico é o maior dos oceanos que cobrem a Terra. A área banhada por ele é de 161,76 milhões de km², quase o dobro da extensão do oceano Atlântico. Esse valor representa uma parcela de 31,7% de toda a área do planeta. Em termos de volume, comporta aproximadamente 660 milhões de km³ de água. Isso é possível graças à sua profundidade média de 4080 metros, também superior à dos demais.

O ponto mais profundo do Pacífico e de toda a hidrosfera terrestre fica nas proximidades das ilhas Marianas, no mar das Filipinas. Trata-se da depressão Challenger, na fossa das Marianas, a 10.924 metros abaixo da superfície.


Fossas Marianas


As temperaturas das águas superficiais do Pacífico correspondem às maiores depois daquelas encontradas no Índico, o mais quente dos oceanos. A média varia entre 21 ºC e 27 ºC, embora, em um intervalo de tempo de 3 a 7 anos, possa ocorrer o resfriamento ou aquecimento das águas equatoriais, dando origem a fenômenos atmosféricos de amplo alcance."


O Oceano Pacífico é 20 centímetro mais alto que o Oceano Atlântico 


"O Pacífico separa o leste da Ásia e da Oceania da porção oeste do continente americano. Ao norte, possui contato com o oceano Ártico através da passagem conhecida como Estreito de Bering, enquanto suas águas meridionais fazem a transição para o oceano Antártico. Além desses, encontra-se também com o Índico e com o Atlântico. É atravessado pela Linha do Equador, que o divide em Pacífico Norte e Pacífico Sul.

As condições climáticas encontradas são bastante distintas em termos regionais. Fruto dos sistemas de pressão e dos sistemas de ventos de oeste e alísios, o sul e o leste do Pacífico possuem clima estável. É importante ressaltar que há, sim, a ocorrência eventos sazonais e também de fenômenos extremos, embora sua frequência seja menor."


Balboa ficou muito intrigado com as histórias que os índios contavam sobre um grande mar a sudoeste, e ele estava determinado a investigar. Outro rumor intrigante que os espanhóis ouviram no Panamá foi sobre um reino dourado bem ao sul, sem dúvida uma referência à então desconhecida civilização inca. Em 1° de setembro de 1513, Balboa organizou uma expedição para explorar mais a região e descobrir se havia realmente outra costa. Um membro dessa expedição foi Francisco Pizarro que, vinte anos depois, conquistaria os incas.



Partindo de Darién, a expedição com 190 ou 200 homens e mais mil carregadores nativos, além de uma matilha de cães, cruzou o istmo em uma linha tão direta quanto possível em direção ao sudoeste. Foi uma rota dificílima em meio a selva densa e cruzando rios e pântanos. Os exploradores avistaram o Oceano Pacífico pela primeira vez do pico de uma montanha em 25 de setembro de 1513 e, no dia 29 eles próprios alcançaram as ondas. Balboa entrou nas águas com armadura completa, espada em uma das mãos e a bandeira de Castela levantada na outra – para tomar posse do oceano em nome do rei da Espanha. Chamou-o de Mar del Sur.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
ensinarhistoria.com.br/Joelza Ester Domingues
brasilescola.uol.com.br
bbc.com

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...