sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hoje vamos falar de outras dúvidas comuns na língua portuguêsa


Juntar ou ajuntar


As palavras juntar e ajuntar existem na língua portuguesa e estão corretas. São palavras sinônimas. Podemos utilizar os verbos juntar ou ajuntar sempre que quisermos referir o ato de pôr junto, acrescentar, organizar segundo critérios, colar, cozer, recolher, acumular, colecionar, amealhar dinheiro, unir-se, cruzar animais e atacar com violência. Há uma maior preferência pela utilização do verbo juntar, que é considerado o mais correto e socialmente aceite pelos falantes. O verbo ajuntar é considerado informal, sendo utilizado numa linguagem mais simples. 


Exemplos: 
Vamos juntar os ingredientes do bolo. 
Vamos ajuntar os ingredientes do bolo. 

Eu vou juntar dinheiro para viajar pela Europa. 
Eu vou ajuntar dinheiro para viajar pela Europa. 

Ele vai se juntar com sua namorada porque não quer casar. 
Ele vai se ajuntar com sua namorada porque não quer casar. 

A palavra juntar é formada a partir de derivação sufixal, onde é acrescentado um sufixo a uma palavra já existente, alterando o sentido da mesma. Neste caso, o sufixo verbal –ar é acrescentado à palavra junto: junto + -ar. A palavra ajuntar é formada através da junção do prefixo a- ao verbo juntar: a- + juntar. O prefixo a- significa afastamento ou separação quando de origem grega, mas poderá significar afastamento, separação ou uma aproximação, a realização de um movimento para mais perto, mais junto, quando de origem latina. Neste caso, o prefixo a- funciona como um elemento protético, ou seja, um elemento com valor expletivo que não provoca qualquer alteração de sentido, não trazendo nenhuma nova ideia ou significado à palavra mãe. É utilizado apenas como apoio fonético sendo, assim, dispensável. 

Trás ou traz

Estas duas palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. Porém, os seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes. 
Trás é um advérbio de lugar, indicando uma situação posterior, ou seja, atrás, após.
Traz é a forma conjugada do verbo trazer, que significa levar, transportar para perto de quem fala.
Trás: advérbio de lugar
O advérbio de lugar trás vem sempre acompanhado de uma preposição, normalmente de ou para, formando assim uma locução adverbial. É também uma palavra comumente utilizada na locução prepositiva por trás de. Trás tem sua origem na palavra em latim trans.
Exemplos com trás
·         As crianças devem viajar no banco de trás.
·         Quando ele a chamou, ela olhou para trás.
·         As cartolinas estão guardadas por trás do armário.
Traz: verbo trazer
Traz é a forma conjugada do verbo trazer na 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo ou na 2.ª pessoa do singular do imperativo.
O verbo trazer é muito utilizado, possuindo diversos significados. Refere-se principalmente ao ato de transportar ou encaminhar para este lugar, mas também pode ser sinônimo de oferecer, vestir, ocasionar, atrair, conter em si, apresentar, sugerir, herdar, manter e citar, entre outros.
Com origem na palavra em latim trahere, o verbo trazer e é um verbo irregular, ou seja, não se encaixa nos modelos fixos de conjugação verbal, possuindo alterações nos radicais e nas terminações quando conjugado. 


Embaixo ou em baixo

A forma correta de escrita da palavra é embaixo, escrito junto, quando se referir a um advérbio de lugar. 
O advérbio embaixo transmite uma ideia de posição de inferioridade, ou seja, de algo que está em lugar inferior a outro: abaixo, debaixo, inferiormente. Pode significar também uma posição de inferioridade no sentido de alguém não possuir recursos e prestígio, estando acabado, arruinado, fracassado, por baixo.
Exemplos com embaixo
·         O gato está embaixo da mesa.
·         Olhando do décimo andar de um prédio tudo parece pequeno lá embaixo.
·         As folhas que você está procurando estão embaixo daquela caixa.
·         Ele já foi um escritor prestigiado, mas hoje em dia está embaixo.
·         Sem o dinheiro e os recursos de antigamente, meu patrão está completamente embaixo.
Em fim ou enfim
As duas hipóteses existem na língua portuguesa e estão corretas. Seus significados, contudo, são diferentes e podemos diferenciar situações em que devemos utilizar uma ou outra. 
Enfim, escrito junto
Enfim é um advérbio de tempo e significa, principalmente, finalmente e por fim. Refere-se também à conclusão de um pensamento, sendo sinônima de: em conclusão, por último, em suma, em síntese. 
Exemplos com enfim
·         Enfim estamos juntos! (finalmente)
·         Após tanto trabalho poderemos, enfim, descansar. (por fim)
·         Enfim, realizaremos as tarefas de acordo com o combinado. (em conclusão)
O advérbio de tempo enfim é formado pela junção da preposição em com o substantivo masculino fim: em + fim, ocorrendo aglutinação.
Em fim, escrito separado
Em fim é uma sequência de palavras separadas, formada pela preposição em e pelo substantivo comum masculino fim. Assume valor de uma locução adverbial de tempo, transmitindo a noção de que se está no fim de alguma coisa, sendo sinônima de: no final, no termo, no término.
Exemplos com em fim
·         Aquele paciente se encontra em fim de vida. (no final)
·         O diretor do hospital já está em fim de carreira. (no término) 


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Batalha do Riachuelo

Batalha do Riachuelo (obra de Victor Meireles)

Batalha do Riachuelo (obra de Victor Meireles)



O que foi

A Batalha do Riachuelo foi um dos principais eventos militares ocorridos durante a Guerra do Paraguai. Aconteceu no dia 11 de junho de 1865, nas margens do rio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai (situado na província de Corrientes, Argentina).

Vitória brasileira na Batalha do Riachuelo

A estratégia paraguaia era boa. Aproveitariam o nevoeiro intenso da madrugada para atacar os navios de guerra brasileiros. Porém, um dos navios paraguaios apresentou um problema e fez com que todos outros chegassem atrasados (9h da manhã) para o ataque, num momento que o nevoeiro já havia passado. Com boas condições climáticas e visuais, as forças navais brasileiras, lideradas pelo Almirante Barroso venceram o Paraguai nesta importante e estratégica batalha.

A estratégia do Almirante Barroso também foi inusitada, aproveitando que os navios brasileiros eram de aço e ferro, e os navios paraguaios, na sua maioria de madeira, e muitos nem tinham a finalidade da guerra, mas eram navios mercantes, comandou a frota para abarroar os navios paraguaios e afundou muitos deles.

Batalha do Riachuelo - tela de Eduardo de Martino






Alguns dados da Batalha do Riachuelo:

- A frota brasileira era composta por nove navios de guerra. Já a frota paraguaia possuía 8 navios de guerra.
- Cerca de 2.500 militares brasileiros combateram na Batalha do Rioachuelo.


Nessa postagem vamos falar do ADVÉRBIO



ADVÉRBIO
Compare estes exemplos:
O ônibus chegou.
O ônibus chegou ontem.
A palavra ontem acrescentou ao verbo chegou uma circunstância de tempo: ontem é um advérbio.
Marcos jogou bem.
Marcos jogou muito bem.
A palavra muito intensificou o sentido do advérbio bem: muito, aqui, é um advérbio.
A criança é linda.
A criança é muito linda.
A palavra muito intensificou a qualidade contida no adjetivo linda: muito, nessa frase, é um advérbio.
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o sentido do verbo, do adjetivo e do próprio advérbio.
Às vezes, um advérbio pode se referir a uma oração inteira; nessa situação, normalmente transmitem a avaliação de quem fala ou escreve sobre o conteúdo da oração.
Por exemplo:
As providências tomadas foram infrutíferas, lamentavelmente.
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acrescentar várias ideias, tais como:
Tempo: Ela chegou tarde.
Lugar: Ele mora aqui.
Modo: Eles agiram mal.
Negação: Ela não saiu de casa.
Dúvida: Talvez ele volte.
Observações:
- Os advérbios que se relacionam ao verbo são palavras que expressam circunstâncias do processo verbal, podendo assim, ser classificados como determinantes.
Por exemplo:
Ninguém manda aqui!
mandar: verbo
aqui: advérbio de lugar = determinante do verbo
- Quando modifica um adjetivo, o advérbio acrescenta a ideia de intensidade.
Por exemplo:
O filme era muito bom.
- Na linguagem jornalística e publicitária atuais, têm sido frequentes os advérbios associados a substantivos:
Por exemplo:
" Isso é simplesmente futebol" - disse o jogador. 

"Orgulhosamente Brasil" é o que diz a nova campanha publicitária ufanista.


 Classificação dos advérbios

Os advérbios sempre expressam uma circunstância ou ideia acessória em relação à palavra a que se referem, são eles:
·         Lugar – aqui, ali, aí, cá, lá, atrás, perto abaixo acima, dentro fora, além, adiante etc.
·         Tempo – agora, já, ainda, amanhã, cedo, tarde, sempre, nunca etc.
·         Modo – assim, bem, mal, depressa, devagar, e parte dos vocábulos terminados em mente: alegremente etc.
·         Intensidade – muito, pouco, bastante, depois, menos, tão etc.
·         Dúvida – talvez, possivelmente, provavelmente etc.
·         Afirmação – sim, certamente, realmente, efetivamente etc.
·         Negação – não, nunca, jamais etc.

Vamos postar hoje, algumas dúvidas frequentes na língua portuguesa!









SEJE ou SEJA

Outra dúvida comum é a conjugação do verbo ser no presente do subjuntivo.
Como já vimos em postagens anteriores; subjuntivo determina uma vontade, um desejo.
Seja é a forma correta de escrita da palavra. A palavra seje está errada. Seja é a forma conjugada do verbo ser no presente do subjuntivo, na 1.ª ou na 3.ª pessoa do singular, ou no imperativo, na 3.ª pessoa do singular. Ser é sinônimo de ficar, existir, equivaler, pertencer, acontecer, entre outros.

Este erro é muito comum entre os falantes, sendo considerado um erro de oralidade. É errado dizer seje feliz. O correto é dizer seja feliz. O mesmo erro ocorre com o verbo estar. É comum ouvir esteje descansado quando o correto é esteja descansado.

Verbo ser – Presente do subjuntivo:
(Que eu) seja
(Que tu) sejas
(Que ele) seja
(Que nós) sejamos
(Que vós) sejais
(Que eles) sejam

MENOS, MENAS
Informação:
Menos" é um advérbio. É, portanto, uma palavra que não sofre flexão de gênero. Por isso, é sempre “menos”, nunca “menas”: “menos gente”, “menos chances”, “menos fome”, “menospessoas”, “menos reclamações”.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


O bandeirante (óleo sobre tela de Henrique Bernardelli)




Bandeirantes é a denominação dada aos sertanistas do período colonial, que, a partir do início do século XVI, penetraram nossertões da América do Sul em busca de riquezas minerais, sobretudo o ouro e a prata, abundante na América espanhola, indígenas para escravização ou extermínio de quilombos. Contribuíram, em grande parte, para a expansão territorial do Brasil além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas, ocupando o Centro Oeste e o Sul do Brasil.[1] E foram os descobridores do ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.[2]
Segundo Carvalho Franco, a maioria dos bandeirantes eram descendentes de primeira e segunda geração de portugueses em São Paulo, sendo os capitães das bandeiras de origens europeias variadas, havendo não só descendentes de portugueses, mas também de galegos, castelhanos e cristãos novos, além de alguns casos de parentescos genoveses, bascos, sarracenos,napolitanos e toscanos, entre outros Compunham minoritariamente as tropas segmentos de índios (escravos e aliados) e caboclos (mestiços de índio com branco)[4], normalmente chegando a, no máximo, vinte por cento do contingente total, e executando as tarefas secundárias da tropa, tal qual a manutenção dos mantimentos e cuidados dos animais de abate Informa Afonso d'Escragnolle Taunay, citando uma carta do jesuíta Justo Mancila, que a segunda bandeira, a de Nicolau Barreto, em 1602, foi composta por 270 portugueses, número elevado, considerando que São Paulo tinha poucos habitantes: "No ano de 1602, saiu de São Paulo a buscar e trazer índios, Nicolau Barreto com o pretexto de buscar minas e levou em sua companhia 270 portugueses e três clérigos".
Darcy Ribeiro apresenta um panorama racial diverso, afirmando que a miscigenação com os índios era a regra na sociedade bandeirante, inclusive entre a elite, os "homens bons". Nos primórdios, a estrutura familiar paulista era patricênica e poligâmica, formada pelo pai, suas mulheres indígenas com suas respectivas proles e os parentes delas. O casamento católico apenas se firmou mais tarde A maior bandeira de Manuel Preto e Antônio Raposo Tavares, ocorrida em 1629, era composta por 69 brancos, 900 mamelucos e 2 mil indígenas, demonstrando o enorme peso demográfico ameríndio naquele ambiente.




Houve umas poucas expedições ao atual território de Minas Gerais nos séculos XVI e XVII, sendo que tais entradas foram mal registradas e sobram poucas informações sobre os caminhos e os acontecimentos das viagens. Sertanistas corajosos, não deram importância ao registro e à documentação das viagens. Uma bandeira vagueava anos por matas e sertões, sem uma só pessoa com conhecimento de astronomia e geografia para guiá-la (todos procuravam o limite do Brasil, que era o Rio Paraná, estabelecido por Pero Lopes de Sousa em 1531). Até mesmo a interpretação errônea da língua de uma tribo indígena fazia com que uma expedição alterasse o percurso, em incursões infrutíferas. Nem mesmo historiadores conseguiram definir, com exatidão, os caminhos usados. Capistrano de Abreu, comentando a descrição de Gabriel Soares de Sousa sobre a viagem de Sebastião Fernandes Tourinho, diz: "No meio destas indicações e contraindicações, fielmente resumidas por Gabriel Soares, é impossível uma pessoa entender-se"
Houve três tipos de bandeiras: as de tipo apresador, para a captura de índios (chamado, indistintamente, "o gentio") para vender como escravos; as de tipo prospector, voltadas para a busca de pedras ou metais preciosos e as de sertanismo de contrato, para combater índios e negros (quilombos).
De início, eram aprisionados os índios sem contato com o homem branco. Posteriormente, passaram a aprisionar os índios catequizados, reunidos nas missões jesuíticas. Grandes bandeirantes apresadores foram Manuel Preto e Antônio Raposo Tavares, que forneciam índios às fazendas do Brasil que utilizavam de mão de obra escrava e que não contavam com suficiente quantidade de escravos negros.
A palavra "paulista", aliás, segundo comenta o livro Ensaios Paulistas, Editora Anhembi, São Paulo, 1958, página 636, se deve aoVisconde de Barbacena: "Quer-nos parecer que a este governador-geral se deve o mais longínquo emprego até hoje divulgado do adjetivo "paulista", ocorrente numa ordem expedida em 27 de julho de 1671. O gentílico deve ter-se generalizado rapidamente. Na documentação municipal de São Paulo aparece pela primeira vez em ata de 27 de janeiro de 1695"
Muitas vezes, o governo financiava a expedição; outras vezes, limitava-se a fechar os olhos para a escravização dos índios (ilegal desde 1595), aceitando o pretexto da "guerra justa". Dom Francisco de Sousa patrocinou as bandeiras de André de Leão (1601) e Nicolau Barreto (1602) que se estendeu por dois anos. Teria chegado à região do Guairá, regressando com um número considerável de índios, que algumas fontes estimam em 3.000. Em agosto de 1628, quase todos os homens adultos da Vila de São Paulo estavam armados para investir contra o sertão. Eram novecentos brancos e 3.000 índios, formando a maior bandeira até então organizada, com destino ao Guaíra, para expulsar os jesuítas espanhóis e prender quantos índios pudessem.

Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...