Manuscrito Voynich
Tudo começou em 1912, quando o livreiro Wilfrid Voynich encontrou o manuscrito na Villa Mondragone, uma antiga propriedade jesuíta nos arredores de Roma. Desde então, a obra carrega o seu nome.
Junto ao livro, havia uma carta datada de 1666. O autor, Johannes Marcus Marci, afirmava que o códice teria pertencido ao imperador Rodolfo II do Sacro Império Romano-Germânico.
Segundo relatos, Rodolfo acreditava que o autor fosse o frade e proto-cientista Roger Bacon. Essa associação, mesmo que posteriormente contestada, revelou a aura de valor atribuída à obra desde o início.
Os testes mais modernos de carbono-14 datam o pergaminho do início do século XV, entre 1404 e 1438. Isso significa que ele surgiu antes mesmo da invenção da imprensa, em plena Idade Média.
No entanto, o conteúdo do livro… não faz sentido.
A escrita é fluida, cheia de repetições e estruturas gramaticais. À primeira vista, parece uma língua real. Mas não é.
Ninguém conseguiu provar que ela pertence a qualquer idioma já conhecido — ou mesmo que signifique alguma coisa.
O manuscrito é dividido em seções visuais. E é justamente isso que o torna ainda mais desconcertante.
Botânica: desenhos de plantas completamente desconhecidas. Algumas parecem combinações de espécies reais, outras não se assemelham a nada.
Astronomia: diagramas de estrelas e constelações, acompanhados por símbolos enigmáticos.
Biologia: figuras femininas nuas, em tubos e conexões bizarras com fluidos, que parecem representar o corpo humano — ou algo próximo disso.
Farmacêutica e receitas: frascos, raízes, instruções… mas tudo escrito na tal “língua Voynich”, que ninguém consegue decifrar.
Além disso, não há nenhum equivalente visual direto. E os estilos das ilustrações também não batem com os tratados científicos da época.
Vários cientistas e linguistas, ao logo dos anos, tentaram decifrar o manuscrito. Especialistas que decifraram os códigos nazistas na Segunda Guerra Mundial, tentaram em vão decifrar o texto, que é exibido em uma linguagem sem nenhuma outra similar.
Um dos estudos mais recentes, da Universidade de Alberta, usou inteligência artificial para analisar a estrutura do texto. O resultado? A “linguagem” do Manuscrito Voynich apresenta padrões linguísticos compatíveis com línguas naturais, como o hebraico ou o árabe.
Mas isso não significa que o conteúdo seja real.
Outros estudiosos acreditam que alguém simplesmente imitou a estrutura de uma língua, sem significado algum — um simulacro linguístico.
Ou seja, talvez o autor tenha criado o manuscrito com a intenção de parecer complexo. Um enigma intencional, sem solução.
Um linguista britânico afirma ter desvendado o enigma. Gerard Cheshire, pesquisador da Universidade de Bristol, levou apenas duas semanas para quebrar o código que ocultava os segredos de Voynich. Em um artigo publicado no periódico Romance Studies, ele descreve em detalhes o passo a passo da investigação.
O problema é que outros pesquisadores da área afirmam que o anúncio está repleto de sensacionalismo da parte do autor – e a própria assessoria Universidade de Bristol pediu desculpas: “Após cobertura jornalística, acadêmicos dos campos da linguística e dos estudos medievais demonstraram preocupação com a validade da pesquisa. Nós levamos tais preocupações muito a sério e, desta forma, removemos a matéria sobre esta pesquisa do nosso site.”
Hoje, ele é mantido na Biblioteca Beinecke da Universidade de Yale, onde pode ser consultado por estudiosos do mundo todo. Mesmo assim, permanece lá: intacto. Desafiador. Silencioso.
Por outro lado, mesmo que um dia seja decifrado, talvez a resposta seja menos fascinante do que o próprio mistério.
Fontes:
sinapsediaria.com
profeciasocultas.com
google.com
super.abril.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário