quinta-feira, 7 de maio de 2026

Vamos falar hoje da trilogia ¨o tempo e o vento¨ de Érico Veríssimo.





O Tempo e o Vento foi apresentado pelo escritor gaúcho Erico Verissimo (1905-1975) como uma trilogia, ao longo de 13 anos: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962).

Os três livros percorrem um período de 200 anos e combinam elementos do romance histórico, da jornada épica e da crônica iluminando o caminho da família Terra Cambará. Ficção amparada em fatos e personagens reais, a saga traz episódios determinantes para a formação da identidade cultural e geográfica do Rio Grande do Sul e para a projeção política do Estado no Brasil que se moldava entre a colônia, o império e a república.




Os personagens principais da obra são verdadeiros ícones da literatura brasileira, cada um representando aspectos fundamentais da identidade gaúcha:



- Pedro Missioneiro: O jovem mestiço que vivencia a queda das Missões Jesuíticas, simbolizando a miscigenação étnica e cultural que caracteriza o povo do sul.

Foi o padre Alonzo que encontrou uma mulher entrando em trabalho de parto, no qual morreu. Pedro Missioneiro ficou aos cuidados dele, era um jovem inteligente e um bom católico. Já crescido casou-se com Ana Terra e com ela constituiu família. Seu filho recebeu o nome de Pedro Terra.




Ana Terra, esposa de Pedro Missioneiro, era filha dos paulistas Maneco Terra e Henriqueta. Eles viviam em Sorocaba.

Tendo seu pai descoberto sua gravidez mandou que seus próprios filhos fossem assassinar Pedro. Algum tempo depois um grupo de castelhanos invadiu a fazenda da família Terra e mataram um dos irmãos e o pai de Ana e ainda a violentaram. Os que sobreviveram partiram para Santa Fé, onde se desenvolverá o restante do romance    do livro O Tempo e o Vento.

'Ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra.


''A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto… Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve.''


- Ana Terra: A mulher forte e resiliente que enfrenta a violência e as adversidades, refletindo o papel crucial da figura feminina na construção dessa sociedade.






- Capitão Rodrigo: O arquétipo do gaúcho valente e sedutor, que participa ativamente dos conflitos e guerras que marcaram a história do Rio Grande do Sul.

É em Santa Fé que Pedro Terra, filho do casal Ana Terra e Pedro Missioneiro, cresce e constrói sua família, torna-se pai de Juvenal Terra e Bibiana Terra. Neste volume, o capítulo “Um Certo Capitão Rodrigo” é um dos principais destaques. A chegada repentina de Rodrigo Cambará a Santa Fé é marcada pelas características do rapaz, que representa a imagem do homem gaúcho forte, aventureiro, bravo e destemido.


Causando antipatia em todo povoado, Rodrigo Cambará é convidado a abandonar a cidade, porém não obedece as ordens e permanece na cidade. Certo dia, ao ver Bibiana Terra, o capitão Cambará se apaixona. Bibiana herdara da avó, Ana Terra, uma desconfiança de todos homens. Estava sendo cortejada por Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral, com quem capitão Rodrigo Cambará trava um duelo de arma branca pela mão da moça.




Esse duelo resulta em Bento deferindo um tiro de revólver, que levará escondido, deixando Rodrigo entre a vida e a morte. Após descobrir o feito covarde do filho, col. Amaral promete deixar o capitão Rodrigo Cambará viver tranquilo no povoado. Impressionada com a coragem de Rodrigo, Bibiana aceita casar-se com ele. O pai não gosta do sujeito, mas dá seu consentimento com tristeza.


- Bibiana Terra: A matriarca que, através de suas memórias, conecta as diferentes gerações e permite que o leitor compreenda a passagem do tempo e a evolução da família.

Apesar de casado, capitão Rodrigo Cambará não se acostuma com a vida pacata do vilarejo, entrega-se a bebida e passa a ter casos com outras mulheres. Bibiana suporta as dificuldades, é uma mulher forte que nunca se queixa de nada nem de ninguém. Após voltar da Guerra dos Farroupilhas, ou Guerra dos Farrapos, é assassinado durante uma invasão ao casarão do cel. Amaral, deixando Bibiana viúva e Bolívar órfão.


Por fim, dentre outros acontecimentos que fazem parte da história do país, Bolívar tem um filho chamado Licurgo Cambará que casa-se com sua prima Alice Terra. São pais de Toríbio Cambará e Rodrigo Cambará que dão continuidade aos próximos volumes do livro “O tempo e o vento”.


O primeiro volume de O Continente abre a trilogia. Erico mergulha no passado do Rio Grande do Sul e do Brasil em busca das raízes do presente. O país vive um momento de redescoberta de si e de redefinição de caminhos, com o fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, e o começo da Guerra Fria. Essa é a moldura para sua visão vertiginosa da violência e das paixões na definição da fronteira e nas guerras civis de seu estado natal. O Continente, segundo o crítico literário Antonio Candido "um dos grandes romances da literatura brasileira", lança o leitor em plena ação, durante o cerco das tropas federalistas ao Sobrado do republicano Licurgo Cambará, em 1895, para em seguida retroceder um século e meio e mostrar as origens míticas e históricas do clã Terra Cambará. Acompanhando a formação dessa família, Erico nos apresenta toda a saga.






O retrato

Em “O retrato”, continua a história da família Terra-Cambará em mais dois volumes. Agora com um novo Rodrigo Cambará, bisneto do capitão e ainda seguindo o modelo do homem gaúcho com gosto para as aventuras e pelas mulheres. Rodrigo formou-se em medicina em Porto Alegre e decide voltar a sua terra natal, Santa Fé, que aos poucos deixa de ser um povoado e vai se modernizando.





Com a cabeça para fora do vagão e achando um sabor ríspido e quase heroico em receber na cara o bafo do forno da soalheira e a poeira da estrada, Rodrigo ficou a pensar nas grandes coisas que pretendia fazer. Não se conformaria com ser um simples médico da roça, desses que enriquecem na clínica e acabam criando uma barriguinha imbecil. Não.


Acostumado com a vida na cidade, todo tempo compara a cidadezinha com Paris e outras grandes cidades, representando o homem da virada do século que deixa a realidade rústica e anseia a urbanização. Diferente de seu irmão Toríbio, que se interessa mais pelo campo, Dr. Rodrigo Cambará idealiza projetos de vida grandiosos baseados em sua vivencia na “civilização”. Lança um jornal na cidade que começa a ter influência na política.

Nesse volume, que passa entre a virada do século XIX para o século XX, o plano de fundo da história são os avanços tecnológicos, os progressos da civilização e as mudanças em relação ao poder.O horror moderno era o pavor da Vida e do Conhecido, o horror social causado pela violência e crueldade do homem contra o homem.


Depois da Primeira Guerra Mundial o medo da fome, do desemprego, da miséria e o medo do próprio medo haviam preparado o caminho para o Estado Totalitário. Este por sua vez industrializara e racionalizara o medo a fim de fortalecer-se, sobreviver e ampliar suas conquistas geográficas e psicológicas. Rodrigo Cambará torna-se um participante ativo das questões políticas e todo restante da narrativa ocorre em cima dos acontecimentos da época.


O Arquipélago


A terceira, e última parte do livro, é dividida em três volumes. Neste ponto, ocorre a desintegração de todos os costumes e valores tradicionais da família Terra-Cambará. Devido a atuação ativa de Dr. Rodrigo Cambará na política, parte da ação se passa no Rio de Janeiro, a capital do país na época, no qual ele é eleito deputado federal.


Personagens reais, como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Luís Carlos Prestes, participam da trajetória de Rodrigo Cambará mesclando ficção com realidade. Novamente, Dr. Rodrigo Cambará retorno a Santa Fé, ampliando o poder da família Cambará a âmbito nacional. Neste volume, o capítulo “Diário de Sílvia” tem a primeira narração feminina apresentando os personagens de “O tempo e o vento” sob um ângulo diferente.

Relatado em primeira pessoa por Silvia, noiva de Jango e apaixonada pelo cunhado Floriano, a personagem relembra sua trajetória desde a infância até o amor fracassado por Floriano. Por fim, Floriano Cambará decide escrever a história da família e inicia o conto com as primeiras palavras de “O continente”. Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado.






O autor narra a história do Rio Grande do Sul e do gaúcho desde a formação das Missões Jesuíticas nos séculos XVII e XVIII, passa pela Guerra dos Farroupilhas, século XIX e vai até a Revolução de 1930 no século XX com a ascensão do gaúcho Getúlio Vargas.



Fontes:

educamasibrasil.com.br
midialouca.com.br
google.com
sitedoescritor.com.br
institutoling.org.br
educacaoglobo.com
recantodasletras.com.br
beduka.com
blogdopedroeloi.com.br
brasilescola.uol.com.br
gauchazh.clicrbs.com.br

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