O velho chamava-se Santiago. Dia pós dia, tripulando sua pequena canoa, ia pescar no Gulf Stream. Mas nos últimos oitenta e quatro dias não apanhara um só peixe."
O velho era magro e seco, com profundas rugas na parte de trás do pescoço. As
manchas castanhas do benigno cancro da pele que o sol provoca ao refletir-se no mar dos
trópicos viam-se-lhe no rosto. As manchas iam pelos lados da cara abaixo, e as mãos dele
tinham as cicatrizes profundamente sulcadas, que o manejo das linhas com peixe graúdo dá.
Mas nenhuma destas cicatrizes era recente. Eram antigas como erosões num deserto sem
peixes.

Assim começa a obra prima do escrito norte-americano Ernest Hemingway, que foi publicado em primeiro de setembro de 1952.
No dia 1 de setembro de 1952 era publicado o romance "O velho e o Mar", do escritor norte-americano Ernest Hemingway. O livro, escrito no ano anterior, em Cuba, foi o seu último trabalho de ficção em vida e possivelmente sua obra mais famosa. A história é sobre um velho pescador cubano Gregorio Fuentes e sua luta contra um peixe enorme. Apesar de o livro ter sido alvo de críticas, é considerado um dos trabalhos de ficção mais destacados do século XX, reafirmando o valor literário da obra de Hemingway. Em 1953, Hemingway recebeu o Prêmio Pulitzer e o Nobel de Literatura no ano seguinte por sua obra completa.
É uma história de persistência e tenacidade. A despeito da zombaria dos outros pescadores e da fama de má sorte, Santiago luta para mostrar que ainda tem forças e ainda tem vida.
Hemingway
Hemingway havia publicado seu último romance de sucesso "por que os sinos dobram" em 1940 e desde então era comentado nas rodas literárias que ele era um autor acabado.
Ele morava em Cuba e o velho e o mar foi sua redenção, Junto com os originais ele enviou um bilhete para o seu editos dizendo ..."eu sei que isso é o melhor que posso escrever na minha vida toda..."

Publicado há 73 anos, no dia 1º de setembro de 1952, O velho e o mar garantiu o Pulitzer ao autor em 1953 e, no ano seguinte, o Prêmio Nobel de Literatura. “É um consenso crítico que O velho e o mar pode ter sido o ‘canto do cisne’ de Hemingway, sua obra-prima depois de um longo período sem boas recepções”, afirma Daniel Puglia, professor do Departamento de Língua Inglesa da USP.
`In the dark the old man could feel the morning coming and as he rowed he heard the
trembling sound as flying fish left the water and the hissing that their stiff set wings made
as they soared away in the darkness. He was very fond of flying fish as they were his
principal friends on the ocean. He was sorry for the birds, especially the small delicate
dark terns that were always flying and looking and almost never finding, and he thought,
the birds have a harder life than we do except for the robber birds and the heavy strong
ones. Why did they make birds so delicate and fine as those sea swallows when the ocean
can be so cruel? She is kind and very beautiful. But she can be so cruel and it comes so
suddenly and such birds that fly, dipping and hunting, with their small sad voices are
made too delicately for the sea´
No escuro o velho sentia a manhã que vinha, e remando ouvia o som trêmulo dos
peixes-voadores a sair da água e o silvo que as asas tesas faziam quando eles cortavam as
trevas. Gostava muito dos peixes-voadores, seus diletos amigos no oceano. Dos pássaros
tinha pena, em especial das andorinhas-do-mar, escuras, delicadas, pequenas, que andavam
sempre a voar e a olhar e a quase nunca encontrar nada, e pensava: "As aves têm uma vida
mais dura do que a nossa, à exceção das de rapina e das muito fortes. Porque há pássaros
tão delicados e finos como essas andorinhas, quando o oceano pode ser tão cruel? É gentil e
muito belo. Mas sabe ser tão cruel, e sê-lo tão de súbito, que tais pássaros que voam e
mergulham à caça, com as suas vozinhas tristes, são demasiado delicados para o mar".
Último romance do autor publicado em vida, a narrativa é centrada na história de Santiago, um velho pescador cubano. Após 84 dias sem conseguir uma presa, mas instado por um jovem companheiro a continuar tentando, o velho pesca um descomunal peixe Marlim de quase 700 quilos. Depois de horas de luta, Santiago consegue atracar a pesca em seu barco e parte para a costa cubana. Ao chegar em terra, constata que o peixe fora devorado no trajeto, sobrando apenas sua carcaça.
Apesar da brevidade narrativa, a história do velho Santiago tem sido interpretada como uma metáfora do processo artístico do autor e, em última instância, da própria condição humana. “A obra é vista como uma alegoria da dificuldade de alcançar o almejado, o sonho do que seria uma grande obra, reconhecida pelos outros”, afirma Puglia. “Ao mesmo tempo, é uma realização cheia de dor, cheia de pavor, de percalços, do medo de chegar na praia e só encontrar o esqueleto da obra”.
Já li a obra algumas vezes, inclusive no original, e aconselho a leitura.
Fontes:
history.uol.com.br
google.com
revistacult.uool.com.br
dialogosliterarios.wordpress.com
O velho e o mar - editora civilização brasileira - Hemingway, Ernest - tradução - Fernando de Castro Ferro - 1956.
arvindguptatoys.com
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