Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes (Xapuri, 15 de dezembro de 1944 - Xapuri 22 de dezembro de 1988), foi um seringueiro, sindicalista, ativista político brasileiro. Lutou a favor dos seringueiros da Bacia Amazônica, cuja subsistência dependia da preservação da floresta e das seringueiras nativas. Seu ativismo lhe trouxe reconhecimento internacional, ao mesmo tempo em que provocou a ira dos grandes fazendeiros locais que o assassinaram. Sua morte foi noticiada internacionalmente e provocou indignação no Brasil e exterior.
Alfabetizado com 16 anos, Chico Mendes começou já adulto a sua luta com os seringueiros de Xapuri pelo direito pela posse das terras em que já viviam. Mesmo que algumas famílias vivessem na região desde o chamado primeiro ciclo da borracha, nos fins do século 19, elas não eram donas das terras das quais tiravam seu principal meio de sobrevivência e ficavam à mercê dos donos das fazendas onde ficavam os seringais.
Chico Mendes teve três filhos: Ângela (do primeiro casamento) e Sandino e Elenira (com sua esposa Ilzamar Mendes). Ângela, Sandino e Elenira continuam atuando, de diferentes formas, na defesa do legado ambientalista do pai, com Elenira formando-se em Direito e Angela sendo uma voz ativa na luta socioambiental.
Nasce o ambientalista
Na década de 1970, com o baixo preço da borracha e sob o incentivo do governo federal, as terras de floresta do Acre passaram a ser cobiçadas por pecuaristas vindos do Sul e do Sudeste do país.
Os fazendeiros donos das terras onde ficavam seringueiras e castanheiras vendiam as terras de portas fechadas, autorizando os novos proprietários a desmatarem a floresta para transformá-la em pasto, acabando com o sustento da população extrativista, que era expulsa e tinha suas casas incendiadas.
Nesse contexto, Chico Mendes e outros seringueiros começaram a organizar os “empates”, uma prática que se destacava por confiscar motosserras e se colocar entre as árvores e os tratores para bloquear o avanço do desmatamento.
Chico então fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia, ao lado de Wilson Pinheiro e, depois, o Sindicato Rural de Xapuri.
Na mesma época, filiou-se ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), único partido de oposição autorizado a funcionar no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985). Em 1977, foi eleito vereador de Xapuri pelo partido.
Anos depois, Chico se tornou um dos idealizadores do Projeto Seringueiros, iniciativa criada pelo Centro dos Trabalhadores da Amazônia para alfabetizar os moradores dos seringais.
Reconhecido no Brasil e no Mundo
Em 1985, Chico reuniu centenas de seringueiros no 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, na Universidade de Brasília, atraindo a atenção nacional e viabilizando a criação do Conselho Nacional dos Seringueiros, composto por 100 lideranças de todos os estados produtores de borracha natural da Amazônia.
O encontro também tornou possível a criação da Aliança dos Povos da Floresta, um movimento que unia seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco e populações ribeirinhas, para a criação de estratégias de proteção da floresta. Entre as propostas discutidas, estava a criação de reservas extrativistas, onde seriam permitidas apenas atividades extrativistas não predatórias, reduzindo os impactos ambientais gerados pelo desmatamento.
A luta de Chico Mendes o tornou referência na preservação da Natureza, inclusive internacionalmente.
Em 1987, ele foi convidado a participar de uma conferência do BID (Banco Internacional de Desenvolvimento), onde falou sobre os impactos ambientais e sociais que a pavimentação da BR-364 – entre Porto Velho e Rio Branco – poderiam causar. Após sua fala, o BID suspendeu o financiamento para a expansão da rodovia e passou a exigir do governo brasileiro estudos de impacto ambiental na Amazônia.
Já em 1988, ano de sua morte, ele foi premiado com a Medalha de Meio Ambiente da Better World Society e com o Global 500 da ONU (Organização das Nações Unidas). Até o momento, Chico foi o único brasileiro a receber a honraria que homenageia personalidades que tiveram grandes contribuições na área da preservação ambiental em seus países de origem.
Chico Mendes e esposa (Ilzamar Gadelha Mendes)
A liderança de Chico Mendes na luta dos seringueiros e na preservação da floresta, atingiu repercussão nacional e internacional. Em 1987 proferiu um discurso na reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Miami (EUA), denunciando a destruição da floresta e solicitando a suspensão do financiamento para a construção da BR – 364, que atravessaria o estado de Rondônia e chegaria ao Acre.
O objetivo da rodovia seria criar um caminho para escoar a produção gerada pelos estados amazônicos e pelo Centro Oeste, que chegaria ao Pacífico pelo porto peruano.
Nesse mesmo ano Chico Mendes recebeu, em Xapuri, uma comissão da ONU, que viu de perto a destruição da floresta e a expulsão dos seringueiros. Dois meses depois o financiamento foi suspenso e o BID exigiu do governo brasileiro o estudo do impacto ambiental na região.
O Senado americano, onde Chico Mendes também foi convidado a falar, fez recomendações a diversos bancos que também financiavam projetos na região. No mesmo ano Chico Mendes recebeu da ONU o Prêmio Global 500, de Preservação Ambiental.
Em 1988 foi criada no Acre, a União Democrática Ruralista (UDR). Nesse mesmo ano Chico Mendes participou da criação da primeira reserva extrativista do Acre. Após a desapropriação das terras do fazendeiro Darly Alves da Silva e de receber ameaças de morte por prejudicar o progresso da região, Chico Mendes denunciou o fato às autoridades, pedindo proteção, o que não ocorreu.
Durante o Terceiro Congresso Nacional da CUT, Chico Mendes voltou a denunciar as ameaças que vinha recebendo. A tese que apresentou - "Defesa do Povo da Floresta" - em nome do sindicato de Xapuri, foi aprovada por unanimidade e Chico Mendes foi eleito suplente, na direção da CUT.
Chico Mendes e Marina Silva foram grandes aliados na luta socioambiental na Amazônia, com Marina conhecendo Chico ainda jovem enquanto ele liderava seringueiros e ambientalistas contra o desmatamento; Chico a influenciou profundamente, levando-a a abandonar a vida religiosa para se dedicar à causa, tornando-se sua grande companheira de militância, fundando a CUT no Acre e iniciando uma carreira política que a levou ao Senado e ao Ministério do Meio Ambiente, sempre carregando o legado e a inspiração de Chico, mesmo após seu assassinato em 1988.
Paul McCartney fez uma homenagem a Chico Mendes com a música `How many people do álbum - Flowers in the dirt de 1989.
How many people
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