David Copperfield - Charles Dickens
Capítulo 1
Meu nascimento
Vim ao mundo em uma sexta-feira treze à meia-noite. Muitas pessoas disseram
que eu seria muito infeliz durante toda a vida por causa disso e que seria capaz de ver
fantasmas e falar com espíritos. Infelizmente, nunca encontrei nenhuma alma penada. Gostaria de tirar minhas dúvidas sobre o mundo dos espíritos, mas não tive esse
privilégio. Quanto à infelicidade, vocês podem tirar suas próprias conclusões depois
de lerem este relato.
Já nasci órfão, pois meu pai morreu seis meses antes de eu chegar.
Lembro
bem da LÁPIDE branca atrás da igreja, onde ele fora enterrado. Quando pequeno, eu LÁPIDE
pensava: “Coitado do papai! Ele está lá, sozinho no escuro, enquanto a nossa casa é
tão clara e aquecida…”
Naquela tarde de sexta-feira, minha mãe estava sentada perto da janela, quando viu uma senhora se aproximar da casa. Um calafrio lhe percorreu todo o corpo,
pois ela adivinhou quem era.
Meu pai tinha uma tia chamada Betsey Trotwood que
havia cortado relações com ele depois de seu casamento com minha mãe. Ela não
conhecia a noiva, mas sabia que a jovem era dez anos mais nova que o noivo. Além
disso, minha mãe era pobre, trabalhava como babá na casa de amigos de meu pai,
onde os dois se conheceram. Definitivamente, ela não aceitou a união entre eles, pois
achava que minha mãe não era do mesmo nível social e não merecia um homem
como seu sobrinho.
Meu pai morreu doente um ano depois do casamento, sem poder falar com
sua tia.
Segundo o que ele havia contado a minha mãe, ela era uma mulher de personalidade forte, mas que havia sofrido uma enorme decepção. Casara-se com um homem mais jovem que ela. O rapaz era bonito, mas não gostava de trabalhar e era muito violento. Sabia-se na vizinhança onde moravam que ela.
David Copperfield , romance do escritor inglês Charles Dickens , publicado em série entre 1849 e 1850 e em formato de livro em 1850, criou David Copperfield, que sempre esteve entre os romances mais populares de Dickens e era seu próprio "filho predileto". A obra é semiautobiográfica e, embora o personagem principal difira de seu criador em muitos aspectos, Dickens relatou experiências pessoais da juventude que lhe foram muito significativas — seu trabalho em uma fábrica, sua educação e leitura e (de forma mais superficial) sua transição da cobertura parlamentar para a escrita de romances de sucesso.
Um dos maiores romances do século XIX, David Copperfield foi publicado originalmente na forma de folhetim entre 1849 e 1850. É o romance mais autobiográfico de Charles Dickens, mas não só: nas palavras do grande escritor, que inspirou outros gigantes da literatura ocidental como Tolstói, Kafka, Woolf, Nabokov e Cortázar, este é seu “filho predileto”.
Nele, acompanhamos a jornada do herói, nascido na Inglaterra dos anos 1820: órfão de pai desde o nascimento, David Copperfield pertence à imensa massa de desfavorecidos que a literatura do século XIX, pela primeira vez, presenteou com o protagonismo.
Assim, seguimos a vida de David, desde a sua infância pobre e difícil até a descoberta da vocação de escritor, numa jornada repleta de aventuras cômicas, sentimentais e por vezes trágicas. É impossível não se comover com o destino de David e não se deliciar com o fabuloso elenco de personagens que cruzam e acompanham seu caminho: o padrasto cruel Murdstone; o irresponsável Micawber; a frívola e encantadora Dora; e o humilde porém traiçoeiro Uriah Heep.
Parte fundamental da tradição do grande romance realista, este livro oferece não apenas um retrato acurado de seu tempo como também um contundente relato sobre a vocação literária.
O livro é todo narrado em primeira pessoa, quando acompanhamos David Copperfield desde seu nascimento até a maturidade. Filho de uma jovem viúva, David cresce sob o olhar severo do padrasto, Edward Murdstone, uma figura autoritária que pode ser considerada um símbolo do moralismo opressor da Era Vitoriana.
Após a morte da mãe, o menino é enviado a uma fábrica, onde enfrenta o trabalho infantil e a solidão. Essa passagem, inspirada na própria infância de Dickens, é uma das maiores críticas à exploração das classes mais pobres na Inglaterra do século XIX.
Com o tempo, David encontra refúgio na casa da tia excêntrica Betsey Trotwood, uma das personagens femininas mais fortes do autor. É com ela que o protagonista aprende sobre independência e dignidade. A partir daí, acompanhamos sua formação como estudante, escritor e homem, numa trajetória repleta de encontros marcantes e lições morais.
Dickens é um autor que não faz grandes aprofundamentos psicológicos nas personagens, como os próprios textos de apoio dessa edição gostam de ressaltar. Contudo, a genialidade está no modo com que elas se entrelaçam e evoluem durante a narrativa.
Além disso, as personagens são icônicas e representam bem a Inglaterra do século XIX. A construção delas é o que torna o romance atemporal: cada um reflete dilemas morais, fraquezas e virtudes que permanecem atuais.
O autor escrevia para todos os públicos, e as descrições são tão vívidas, que é como se estivéssemos dentro da história. Há um capítulo específico, chamado “A Tempestade”, que me impressionou bastante. Conseguimos sentir a angústia de Copperfield diante de uma situação tão trágica.
O livro é extenso, como comentei, e recheado de personagens, sendo difícil listar todas elas. Temos Betsey Trotwood, a tia de David, que o oferece uma segunda chance na vida; Uriah Heep, um homem que representa a hipocrisia, com sua falsa humildade; James Steerforth, o amigo carismático, encantador e moralmente ambíguo; Dora Spenlow, a doce e frágil garota que encanta o coração do protagonista; Agnes Wickfield, uma mulher paciente, inteligente, porém um pouco fria; Sr. Wilkins Micawber, uma figura cômica, o eterno endividado, dotado de um vernáculo eloquente e de um otimismo contagiante; a babá Clara Pegotty e seu irmão, o Sr. Pegotty, pessoas humildes que sempre ajudaram David durante sua trajetória; Thomas Traddles, um amigo da juventude de David que permanece na vida adulta; entre tantos outros que passam pelo seu caminho.
O tema principal da obra é o amadurecimento. A narrativa é um exemplo do gênero de romance de formação, que em alemão é chamado de bildungsroman. Temos, portanto, o crescimento emocional e moral do protagonista durante as mais de 1.000 páginas.
Fontes:
gataborralheira34.wordpress.com
wikipedia.org
google.com
resenhalacarte.com.br
casadovelho.com.br
brittanica.com
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