quinta-feira, 18 de dezembro de 2025



"O Avarento", de Molière, é uma comédia sobre Harpagão, um velho pai obcecado por dinheiro, que enterra seu cofre e vive em constante paranoia de ser roubado, ignorando a felicidade de seus filhos, Cléante e Elisa. Ele tenta casá-los com pessoas ricas para ganhar mais, mas seus planos se complicam quando ele se apaixona pela mesma mulher que seu filho, Mariana, culminando no roubo do cofre e revelações que unem as famílias, embora Harpagão só se importe em recuperar seu tesouro.





CENA II 

CLEANTO, ELISA 

CLEANTO. – Muito me alegra encontrar-vos sozinha, minha irmã; desejava ardentemente falar-vos, para vos confiar um segredo.

ELISA. – Aqui me tendes pronta para vos ouvir, meu irmão. Que desejais dizer-me? 

CLEANTO. – Muitas coisas, minha irmã, contidas numa só palavra: amo. 

ELISA. – Amais?

CLEANTO. – Sim, amo. Mas antes de ir mais longe, sei que dependo de um pai, e que a minha condição de filho me submete à sua vontade; que não devemos fazer promessas sem o consentimento de quem nos deu o ser; que o Céu os fez mestres dos nossos desejos, e que deles devemos dispor somente sob o seu conselho, que não estando disponíveis para o fogo da paixão, estão menos sujeitos a errar do que nós e veem melhor o que nos convém; que devemos acreditar mais na luz da sua prudência do que na cegueira da nossa paixão; e que os arrebatamentos da juventude nos conduzem frequentemente a deploráveis abismos. Digo-vos tudo isto minha irmã, para evitar que sejais vós a dizê-lo; porque o meu amor nada quer ouvir, e peço-vos, não me façais reparos.  

ELISA. – Estais comprometido, meu irmão, com aquela que amais? 

CLEANTO. – Não, mas estou decidido a fazê-lo; e rogo-vos uma vez mais que não tenteis dissuadir-me apresentando-me as vossas razões. 

ELISA. – Serei eu, meu irmão, tão estranha pessoa? 

CLEANTO. – Não, minha irmã; mas vós não amais: ignorais a doce violência que um amor terno exerce sobre nos nossos corações, por isso temo a vossa sensatez


Personagens Principais:

Harpagão: O protagonista, um homem cruelmente avarento, que valoriza mais seu dinheiro do que sua família.

Cléante: Filho de Harpagão, apaixonado por Mariana, mas precisa esconder o amor por seu pai.

Elisa: Filha de Harpagão, prometida a um homem rico, mas ama Valério.

Mariana: Jovem por quem tanto Cléante quanto Harpagão se apaixonam.

Valério: Empregado de Harpagão, apaixonado por Elisa, mas esconde sua verdadeira identidade.

Anselmo: Rico pretendente de Elisa, que se revela o pai perdido de Valério e Mariana.

Resumo do Enredo:

Obsessão por Dinheiro:

Harpagão vive para seu dinheiro, enterrado em uma caixa, e suspeita de todos ao redor, controlando a vida de seus filhos.

Conflito Amoroso:

Cléante ama Mariana, mas Harpagão decide se casar com ela para aumentar sua fortuna, enquanto planeja casar Elisa com o rico Anselmo.


Paulo Autran - O avarento



O Roubo:

O cofre de Harpagão é roubado, causando um caos de paranoia e acusações, levando-o a confrontar todos, incluindo seus próprios filhos e empregados.

CENA VII

HARPAGÃO HARPAGÃO.

(Vem a gritar agarra que é ladrão desde o jardim, e sem chapéu) – Agarra que é ladrão! Agarra que é ladrão! Assassino! Homicida! Justiça, justo Céu! estou perdido, fui assassinado, cortaram-me o pescoço, roubaram-me o dinheiro. Quem pode ter sido? Para onde terá ido? Onde está? Onde se esconde? Que hei-de fazer para o encontrar? Para onde hei-de correr? Para onde não hei-de correr? Não está aí? Não está aqui? Quem é? Agarra. Devolve-me o meu dinheiro, malandro… (agarra o seu próprio braço.) Ah! Sou eu. O meu espírito está perturbado, e ignoro onde estou, quem sou, e o que faço. Ai de mim! meu pobre dinheiro, meu pobre dinheiro, meu querido amigo. 


O Desfecho:

Valério revela ser um nobre náufrago, e Anselmo, seu pai, o que resolve os problemas de identidade e fortuna. Anselmo, agora rico, paga pelos casamentos de Cléante com Mariana e de Valério com Elisa, permitindo que os jovens sejam felizes, enquanto Harpagão, aliviado pela recuperação do cofre, permanece sozinho com sua obsessão.

A peça, inspirada na "Comédia da Panela" de Plauto, satiriza a ganância humana, mostrando como a avareza de Harpagão o isola e o impede de ver a felicidade.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
liviafloreslopes.wordpress.com

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