"O Avarento", de Molière, é uma comédia sobre Harpagão, um velho pai obcecado por dinheiro, que enterra seu cofre e vive em constante paranoia de ser roubado, ignorando a felicidade de seus filhos, Cléante e Elisa. Ele tenta casá-los com pessoas ricas para ganhar mais, mas seus planos se complicam quando ele se apaixona pela mesma mulher que seu filho, Mariana, culminando no roubo do cofre e revelações que unem as famílias, embora Harpagão só se importe em recuperar seu tesouro.
CENA II
CLEANTO, ELISA
CLEANTO. – Muito me alegra encontrar-vos sozinha, minha irmã; desejava
ardentemente falar-vos, para vos confiar um segredo.
ELISA. – Aqui me tendes pronta para vos ouvir, meu irmão. Que desejais dizer-me?
CLEANTO. – Muitas coisas, minha irmã, contidas numa só palavra: amo.
ELISA. – Amais?
CLEANTO. – Sim, amo. Mas antes de ir mais longe, sei que dependo de um pai, e que a
minha condição de filho me submete à sua vontade; que não devemos fazer promessas
sem o consentimento de quem nos deu o ser; que o Céu os fez mestres dos nossos
desejos, e que deles devemos dispor somente sob o seu conselho, que não estando
disponíveis para o fogo da paixão, estão menos sujeitos a errar do que nós e veem melhor o que nos convém; que devemos acreditar mais na luz da sua prudência do que
na cegueira da nossa paixão; e que os arrebatamentos da juventude nos conduzem
frequentemente a deploráveis abismos. Digo-vos tudo isto minha irmã, para evitar que
sejais vós a dizê-lo; porque o meu amor nada quer ouvir, e peço-vos, não me façais
reparos.
ELISA. – Estais comprometido, meu irmão, com aquela que amais?
CLEANTO. – Não, mas estou decidido a fazê-lo; e rogo-vos uma vez mais que não
tenteis dissuadir-me apresentando-me as vossas razões.
ELISA. – Serei eu, meu irmão, tão estranha pessoa?
CLEANTO. – Não, minha irmã; mas vós não amais: ignorais a doce violência que um
amor terno exerce sobre nos nossos corações, por isso temo a vossa sensatez
Personagens Principais:
Harpagão: O protagonista, um homem cruelmente avarento, que valoriza mais seu dinheiro do que sua família.
Cléante: Filho de Harpagão, apaixonado por Mariana, mas precisa esconder o amor por seu pai.
Elisa: Filha de Harpagão, prometida a um homem rico, mas ama Valério.
Mariana: Jovem por quem tanto Cléante quanto Harpagão se apaixonam.
Valério: Empregado de Harpagão, apaixonado por Elisa, mas esconde sua verdadeira identidade.
Anselmo: Rico pretendente de Elisa, que se revela o pai perdido de Valério e Mariana.
Resumo do Enredo:
Obsessão por Dinheiro:
Harpagão vive para seu dinheiro, enterrado em uma caixa, e suspeita de todos ao redor, controlando a vida de seus filhos.
Conflito Amoroso:
Cléante ama Mariana, mas Harpagão decide se casar com ela para aumentar sua fortuna, enquanto planeja casar Elisa com o rico Anselmo.
O Roubo:
O cofre de Harpagão é roubado, causando um caos de paranoia e acusações, levando-o a confrontar todos, incluindo seus próprios filhos e empregados.
CENA VII
HARPAGÃO
HARPAGÃO.
(Vem a gritar agarra que é ladrão desde o jardim, e sem chapéu) –
Agarra que é ladrão! Agarra que é ladrão! Assassino! Homicida! Justiça, justo Céu!
estou perdido, fui assassinado, cortaram-me o pescoço, roubaram-me o dinheiro. Quem
pode ter sido? Para onde terá ido? Onde está? Onde se esconde? Que hei-de fazer para o
encontrar? Para onde hei-de correr? Para onde não hei-de correr? Não está aí? Não está
aqui? Quem é? Agarra. Devolve-me o meu dinheiro, malandro… (agarra o seu próprio
braço.) Ah! Sou eu. O meu espírito está perturbado, e ignoro onde estou, quem sou, e o
que faço. Ai de mim! meu pobre dinheiro, meu pobre dinheiro, meu querido amigo.
O Desfecho:
Valério revela ser um nobre náufrago, e Anselmo, seu pai, o que resolve os problemas de identidade e fortuna. Anselmo, agora rico, paga pelos casamentos de Cléante com Mariana e de Valério com Elisa, permitindo que os jovens sejam felizes, enquanto Harpagão, aliviado pela recuperação do cofre, permanece sozinho com sua obsessão.
A peça, inspirada na "Comédia da Panela" de Plauto, satiriza a ganância humana, mostrando como a avareza de Harpagão o isola e o impede de ver a felicidade.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
liviafloreslopes.wordpress.com
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