quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


Charles Dickens


As histórias de Natal de Scrooge, centradas em Ebenezer Scrooge, o velho avarento que odeia o Natal, são clássicos de Charles Dickens, começando com "Um Conto de Natal", onde ele é visitado por três fantasmas (Passado, Presente e Futuro) na véspera de Natal, revelando sua ganância e egoísmo, e o guiando a uma transformação para se tornar generoso, aprendendo o verdadeiro espírito de empatia e solidariedade, uma narrativa adaptada inúmeras vezes em filmes, desenhos e musicais.




Charles Dickens nasceu no período de regência georgiana, mas foi do período vitoriano (1837-1901) que se tornou a mais alta e popular figura cultural.

Em uma Inglaterra militarmente forte, politicamente avançada e comercialmente potente, os reflexos da Revolução Industrial penetravam no dia a dia das pessoas. 

Fábricas e manufaturas eram incrementadas, assim como as exportações britânicas; a distância entre o interior e a capital diminuía, graças às ferrovias que passaram a interligar o país; leis de livre-comércio incentivavam o capitalismo nascente; a taxa de analfabetismo era cada vez mais baixa, e as pessoas consumiam os inúmeros jornais que eram, afinal de contas, o principal e único meio de comunicação de massa em um mundo que ainda não conhecia nem a televisão e nem o rádio, e no qual a fotografia recém dava os primeiros passos.


Ebenezer Scrooge é um homem avarento que abomina a época natalícia. Trabalha num escritório em Londres com Bob Cratchit, o seu pobre, mas feliz empregado, pai de quatro filhos, com um carinho especial pelo frágil Pequeno Tim, que tem problemas nas pernas.


Bob Cratchit e Tim


Numa véspera de Natal Scrooge recebe a visita do seu ex-sócio Jacob Marley, morto há sete anos naquele mesmo dia. Marley diz que o seu espírito não pode descansar em paz, já que não foi bom nem generoso em vida, mas que Scrooge tem uma chance, e que três espíritos o visitarão.




O fantasma de Marley 

Para começar a história, Marley estava morto. Não havia a menor dúvida quanto a isso. O atestado foi assinado pelo escrivão, pelo sacerdote, pelo agente funerário e pelo encarregado do enterro. Scrooge também assinou, e sua assinatura era sempre bem-vinda, tanto na Bolsa quanto em qualquer outro lugar. Sim, o velho Marley estava tão morto quanto uma pedra. Veja bem: não quero dizer com isso que eu saiba, por experiência própria, como é estar morto como uma pedra. Na verdade, se tivesse de fazer uma comparação, acho que não há nada mais morto do que a lápide de um túmulo. Quem inventou esta antiga expressão foram os nossos sábios antepassados, e não serei eu quem vai querer mudá-la, senão, daqui a pouco, tudo estará de pernas para o ar. Deixe-me, portanto, repetir com toda ênfase: Marley estava tão morto quanto uma pedra. Scrooge sabia que ele estava morto? Claro que sabia. Como não iria saber? Scrooge e ele foram sócios por não sei quantos anos. Scrooge era seu único testamenteiro, além de ser também seu único administrador, procurador, herdeiro, amigo e o único que chorou a sua morte. Apesar disso, não ficou tão abalado a ponto de esquecer que era um homem de negócios e, assim, fechou um belo negócio ainda no dia do funeral, tornando essa data inesquecível. 


O primeiro espírito chega, um ser com uma luz que emana da sua cabeça e um apagador de velas debaixo do braço à guisa de chapéu. Este é o Espírito dos Natais Passados, que leva Scrooge de volta no tempo e mostra a sua adolescência e o início da sua vida adulta, quando Scrooge ainda amava o Natal. Triste com as lembranças, Scrooge enfia o chapéu na cabeça do espírito, ocultando a luz. O espírito desaparece deixando Scrooge de volta ao seu quarto.



O Primeiro dos três espíritos

– Pronto! – exclamou, em triunfo. – A hora chegou, e nada aconteceu! Falou cedo demais, pois a badalada que marcava a hora ainda não havia soado. Justo neste instante, soou uma profunda, sombria, surda e melancólica batida. Em seguida, uma luz forte iluminou o quarto, e as cortinas da cama foram puxadas. As cortinas de sua cama foram puxadas, posso lhes garantir, por uma mão. Não as que estavam aos seus pés, nem às suas costas, mas aquelas para as quais seu rosto estava virado. Scrooge, erguendo-se abruptamente, viu-se cara a cara com o visitante do outro mundo; tão perto dele quanto estou, em espírito, sobre o ombro de vocês, neste momento. Era uma figura estranha, parecia uma criança; não, não era tão parecido com uma criança, parecia mais um velho visto através de alguma lente sobrenatural; como se ele tivesse sido afastado da lente até ficar do tamanho de uma criança. Os cabelos brancos, que desciam até os ombros, denunciavam a sua idade, embora não tivesse uma ruga sequer na pele macia e delicada. Os braços eram longos e musculosos, assim como as mãos, que pareciam ter uma força extraordinária. As pernas e pés, muito delicados, estavam nus como os braços. Usava uma túnica branquíssima e um reluzente cinto, que brilhava muito. Segurava na mão um ramo verde e fresco de azevinho, e sua roupa, em estranha contradição com aquele símbolo do inverno, estava enfeitada com flores de verão. O mais estranho de tudo era que, do alto da sua cabeça, surgia um raio claro e brilhante de luz, que o tornava visível.



O segundo espírito, o do Natal do Presente, é um gigante risonho com uma coroa de azevinho e uma tocha na mão. Ele mostra a Scrooge as celebrações do presente, incluindo a humilde comemoração natalícia dos Cratchit, onde vê que, apesar de pobre, a família do seu empregado é muito feliz e unida. A tocha na mão do espírito tem a utilidade de dar um sabor especial à ceia daqueles que fossem "contemplados" com a sua luz. No fim da viagem, o espírito revela sob o seu manto duas crianças de caras terríveis, a Ignorância e a Miséria, e pede que os homens tenham cuidado com elas. Depois disso vai-se embora.

O segundo dos três espíritos



Scrooge acordou no meio de um ronco impressionantemente alto, sentou na cama para tentar colocar em ordem os seus pensamentos, e mal teve tempo de perceber que o relógio acabara de bater uma hora. Sentiu que havia voltado à consciência no momento exato de se encontrar com o segundo mensageiro que Jacob Marley lhe enviaria. Como sentia um frio desagradável toda vez que imaginava qual das cortinas de sua cama o novo espírito iria abrir, achou melhor ele mesmo abrir todas elas. Depois, encostou-se novamente na cabeceira da cama, dando uma olhada ao redor, pois queria flagrar o fantasma no mesmo instante que aparecesse, para não demonstrar surpresa ou nervosismo. Cavalheiros experientes, que se orgulham de saber sempre como agir, costumam mostrar sua enorme capacidade para a aventura ao se declararem preparados para enfrentar qualquer coisa, desde um inocente cara ou coroa até um assassinato. Entre esses dois extremos, sem dúvida, há um monte de possibilidades diferentes. Sem querer dizer que o senhor Scrooge tem a coragem desses cavalheiros, peço-lhes, porém, que prestem atenção ao fato de que ele estava pronto para enfrentar estranhas aparições, e que qualquer coisa, um bebê ou um rinoceronte, seria incapaz de deixá-lo muito surpreso.





O terceiro espírito, o dos Natais Futuros, apresenta-se como uma figura alta envolta num traje negro que oculta o seu rosto, deixando apenas uma mão aparente. O espírito não diz nada, mas aponta, e mostra a Scrooge a sua morte solitária, sem amigos.

Capítulo IV

 O último dos espíritos 

O Fantasma se aproximou devagar, sério e silencioso. Quando chegou mais perto, Scrooge caiu de joelhos, pois o próprio ar em que se movia parecia misterioso e ameaçador. Ele estava enrolado em uma roupa longa e preta que tapava a sua cabeça, seu rosto e seu corpo, deixando à mostra somente uma mão estendida. Se não fosse isso, teria sido difícil vê-lo naquela escuridão. Quando ele se aproximou, Scrooge viu que era alto e imponente e ficou apavorado. Nada mais pôde descobrir, porque o Espírito não falou nem se moveu. – Estou diante do Espírito dos Natais Futuros? – perguntou Scrooge. Ele não respondeu, apenas apontou para a frente  com a mão. – Você vai me mostrar as sombras de coisas que ainda não aconteceram, mas que vão acontecer no futuro? É isso, Espírito? – prosseguiu Scrooge. A parte de cima da roupa do Espírito se mexeu, como se ele tivesse inclinado a cabeça, e esta foi sua única resposta. Mesmo já estando acostumado com a companhia dos fantasmas, Scrooge ficou com tanto medo da figura silenciosa que sentiu as pernas tremerem, e quando se preparou para segui-lo, descobriu que mal conseguia ficar em pé. O Espírito esperou um momento, como se observasse Scrooge, dando-lhe um tempo para se recuperar.





Após a visita dos três espíritos, Scrooge amanhece como um outro homem. Passa a amar o espírito de Natal, e a ser generoso com os que precisam, e a ajudar o seu empregado Bob Cratchit, tornando-se um segundo pai para Pequeno Tim. Diz-se que ninguém celebrava o Natal com mais entusiasmo que ele.







Adaptações e referências


O mais conhecido personagem inspirado nesta obra é o Tio Patinhas, da Disney, que em inglês se chama Scrooge McDuck. Patinhas encarna o personagem que lhe deu nome na versão animada Mickey´s Christmas Carol. O Pica-Pau também tem um tio chamado Scrooge.





Outra referência feita é no filme O Expresso Polar, com Tom Hanks. Nele o protagonista que não acredita em Natal passa por um vagão no trem atulhado de bonecos. Uma marionete de nariz aquilino apresenta-se como Ebenezer Scrooge e o chama de cético.

O expresso Polar




Fontes:

wikipedia.org
google.com
Um conto de Natal - Dickens, Charles
oglobo.globo.com
alamy.com
portalurania.com.br
cnnvbrasil.com.br

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