terça-feira, 21 de março de 2023

Vamos falar da obra de Alexandre Dumas, O conde de Monte Cristo.





O Conde de Monte Cristo é um dos maiores clássicos da literatura francesa há mais de 150 anos. Alexandre Dumas também é o escritor do clássico "Os Três Mosqueteiros" que igualmente foi um grande sucesso mundial.



Alexandre Dumas



O livro gira em torno de Edmond Dantès, preso por um crime que não cometeu, Edmond é inspiração do romancista em uma história real, Pierre Picaud, um sapateiro preso injustamente num esquema político na época do Primeiro Império.

Edmond após anos preso sai em busca de vingança contra seus inimigos. Nessa aventura incrível escrita de forma meticulosa e detalhista, passamos a sentir todo o sofrimento do Edmond e gritamos assim como o personagem por justiça.



A história se inicia em Marselha (uma cidade portuária conhecida pelo comércio e imigração), e depois o foco central passa a ser em Paris (grande aristocracia). Edmond ao longo dos anos trama sua vingança de forma complexa e bem estruturada. Ele toma-lhe o lugar do Anjo Vingador e Recompensador, e assume diversos nomes e personalidades ao longo do livro para manipular pessoas e situações.

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1. Marselha —


A chegada No dia 28 de fevereiro de 1815, o vigia de Notre-Dame de la Garde avistou os três mastros do Pharaon, veleiro proveniente de Esmirna, Trieste e Nápoles. Como de praxe, um piloto-costeiro partiu imediatamente do porto, passou rente ao castelo de If e abordou a embarcação entre o cabo de Morgion e a ilha de Riou. Como de praxe também, não demorou para a plataforma do forte SaintJean ficar apinhada de curiosos; pois a chegada de um paquete é sempre um grande acontecimento em Marselha, sobretudo quando este paquete, como o Pharaon, foi construído, aparelhado e arrimado nos estaleiros da velha Fócida 1 e quando pertence a um armador da cidade. Enquanto isso, o brigue avançava. Atravessara com destreza o estreito que algum abalo vulcânico escavou entre a ilha de Calasareigne e a ilha de Jaros; dobrara Pomègue, e seguia em frente sob suas três velas da gávea, sua polaca e sua brigandina, mas tão lentamente e de modo tão triste que os curiosos, com o instinto que pressagia a desgraça, perguntavam-se que incidente poderia ter acontecido a bordo. Os peritos em navegação, porém, constatavam que, se porventura um incidente acontecera, não devia ter sido no corpo da embarcação, pois esta avançava nas perfeitas condições de um navio normalmente pilotado: a âncora estava no poço, os ovéns do gurupés, desenganchados; e, ao lado do piloto, que se preparava para manobrar o Pharaon pelo estreito acesso ao porto de Marselha, postava-se um moço de gestos rápidos e olhar irrequieto, que supervisionava cada movimento do paquete e repetia cada ordem do piloto. (Cap 1)


Edmond Dànte



Edmond Dantès, um audacioso mas ingênuo marinheiro de 19 anos, é preso sob falsa acusação de ser espião de Napoleão Bonaparte, em 1815, por ter ido à Ilha de Elba, e ter recebido uma carta do mesmo em seu exílio. Na verdade, era vítima de um complô entre três pessoas interessadas: o juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napoleão, que, mesmo atestando sua inocência, quis silenciá-lo; seu amigo, Danglars, que desejava o posto de capitão do navio, já que Dantès recebeu o posto por mérito; Fernand Mondego, catalão interessado em Mercédès (noiva de Dantès), que invejava Dantès por ser o alvo de seu amor, tornando-se o futuro marido da catalã (que, porém, nunca o esqueceu).





Após 14 anos na prisão do Castelo de If, Edmond consegue fugir, angariando uma grande fortuna, devido a ajuda de um amigo, vizinho de cela, o abade Faria, um preso político que lhe indicou o local do tesouro do Cardeal Spada, além de tê-lo educado por vários anos sobre diversas artes e ciências (química, esgrima, línguas e história em geral).

Capítulo 20 

 cemitério do castelo de If

"Mas agora irão me esquecer aqui, e só sairei da minha masmorra como Faria. Ao dizer isso, contudo, Edmond ficou imóvel, os olhos esbugalhados, como um homem golpeado por uma ideia súbita, mas a quem essa ideia apavora; levantou-se de repente, levou a mão à testa como se fosse vítima de uma vertigem, deu duas ou três voltas ao redor da cela e voltou a parar diante da cama... — Oh, oh! — murmurou. — Quem me envia esse pensamento? Sereis vós, meu Deus? Já que apenas os mortos saem livremente daqui, ocupemos o lugar dos mortos. E sem se dar tempo de voltar atrás nessa decisão, como que para não dar chance ao pensamento de destruir aquela resolução desesperada, debruçou-se em direção ao saco hediondo, abriu-o com a faca que Faria fabricara, retirou o cadáver do saco, levou-o para sua cela, deitou-o em sua cama, vestiu-o com o farrapo de pano que ele próprio tinha o costume de usar, cobriu-o com sua coberta, beijou uma última vez aquela fronte gelada, tentou fechar aqueles olhos rebeldes, que insistiam em permanecer abertos, aterradores pela ausência de pensamento, girou a cabeça para a parede, de modo a que o carcereiro, ao trazer a refeição da noite, julgasse que ele estava deitado, como era seu hábito, voltou a entrar no túnel, puxou a cama para a muralha, entrou na outra cela, pegou no armário a agulha, a linha, tirou seus andrajos para que sentissem claramente a carne nua sob a lona, enfiou-se no saco rasgado, assumiu a postura do cadáver e fechou a costura por dentro. Se porventura alguém entrasse naquele momento, poderia ouvir seu coração batendo.''




 Mesmo não acreditando muito, Edmond investe na aventura e confirma a história de seu velho amigo de prisão, tornando-se milionário. Até lá, sobrevive trabalhando com piratas, incluindo Jacopo, marinheiro do navio "The Young Amelia". Junta ao seu séquito, o corso Bertuccio e a princesa grega, Haydée, cujo pai, o sultão Ali Paxá, foi destronado.

Anos depois, Edmond cria uma grande teia para se vingar dos seus inimigos, assumindo vários nomes: Lord Wilmore na Inglaterra; Simbad, na Itália, e também o misterioso abade Busoni. Salva a família de seu ex-patrão, Morrel, da miséria. Salva Albert, Visconde de Morcerf, filho de Mondego, agora Conde de Morcerf, de um sequestro em Roma, para se aproximar da sociedade parisiense. No papel de Conde de Monte-Cristo (o tradicional "nobre de toga" — noble de robe — da época, ou burguês que compra título de nobreza), é imediatamente reconhecido por Mercédès, criando divisões entre seus inimigos. Em sua vingança, provoca o seguinte :Faz com que Danglars, agora Barão, desmanche o noivado de sua filha Eugénie com Albert (do qual não se gostavam) para casar com o Marquês Andrea Cavalcanti. Danglars, com suas várias ações que faliram, foge para Roma, é capturado e passa um tempo sob cativeiro de Luigi Vampa, sendo depois perdoado por Monte-Cristo.





Mondego, oficial do exército francês, é julgado por má conduta e Haydée o acusa como testemunha. Desonrado, arruinado e abandonado pela família, suicida-se.
Cavalcanti é preso por falsa identidade (seu nome seria Benedetto) e uma série de crimes, e revela no tribunal que é o filho de Villefort, o que enlouquece o juiz, além da suposta morte da filha, Valentine.

A história não acaba sem Edmond juntar Valentine e Maximilien, filho de monsieur Morrel, na Ilha de Monte-Cristo, onde terá seu romance com a grega Haydée.

A obra foi levada ao teatro e por 10 vezes ao cinema, a primeira em 1918 e a última em 2002. Foi adaptado também como um seriado para a televisão, com Gérard Depardieu, interpretando Edmond Dantè.




Fontes:

ufmg.br
wikipedia.org
skoob.com.br
google.com
tvbrasil.ebc.com.br
apreciandoaleitura.com

sábado, 18 de março de 2023

 Vamos falar do filósofo alemão Max Weber.




"Karl Emil Maximilian Weber (1864 – 1920) foi um sociólogo, jurista e economista alemão. Nascido em uma família de posses liderada por um advogado, Weber foi educado com a rigidez da religião protestante e com o despertar do gosto pelo estudo e pelo trabalho. Quando ainda jovem, ele presenciou a unificação da Alemanha promovida pelo estadista Otto von Bismarck. (O Estado alemão ainda não existia. Existiam vários reinos de origem germânica independentes, e Bismarck promoveu uma política de integração desses reinos, formando a Alemanha tal como a conhecemos hoje.)"






Max Weber tornou-se conhecido pela “Teoria dos Tipos Ideais”. Foi um grande renovador das Ciências Sociais em vários aspectos, inclusive na metodologia: diferente dos precursores da sociologia, Weber compreendia que o método dessas disciplinas não poderia ser uma mera imitação dos empregados para as ciências físicas e naturais, uma vez que nos estudos sociais estão presentes indivíduos com consciência, vontade e intenções que precisam ser compreendidos.

Max Weber criou então o método dos “Tipos Ideais”, que descrevem a intencionalidade dos agentes sociais mediante casos extremos, puros e isentos de ambiguidades, uma vez que tais casos não estariam condizentes com a realidade.

Desse modo, estabeleceu os fundamentos do método de trabalho da “Sociologia Moderna”, uma base para se construir modelos teóricos centrados na análise e na discussão sobre conceitos rigorosos.

"Tendo sido precedido por outros dois grandes pensadores da área da Sociologia, Karl Marx e Émile Durkheim, Weber também tentou compreender as mudanças sociais que se desenvolviam no cerne das grandes cidades que viviam a Revolução Industrial. Por meio de estudos com base em observações empíricas, Weber identificou pontos centrais sobre os quais construiu conceitos-chave que serviram como base do restante de suas teorias."


Karl Max e Max Weber




Sua obra mais famosa são os dois artigos que compõem "A ética protestante e o espirito do capitalismo" com o qual começou suas reflexões sobre a sociologia da religião argumentou que a religião era uma das razões não exclusivas do porquê as culturas do Ocidente e o do Oritente se desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo  ascético, que levou ao nascimento do capitalismo, da burocracia e do  estado racional e legal nos países ocidentais. Em outro trabalho importante, "A política como vocação", Weber definiu o Estado como "uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da força física", uma definição que se tornou central no estudo da moderna ciência política no Ocidente. Em suas contribuições mais conhecidas são muitas vezes referidas como a "Tese de Weber".


A ética protestante e o espírito do capitalismo




Weber acredita que o materialismo histórico é extremamente importante. Mas diferente de Marx, sugere que sua aplicabilidade é condicionante e não determinante como no viés de Marx. Assim, Weber critica o marxismo dizendo que ele está muito preso na economia, ou seja, a economia determina as condições sociais, políticas e culturais. Para Weber a economia não é tão determinista, a economia também pode sofrer algum tipo de influência, não é apenas a economia que determina.

Weber quer pensar o capitalismo de acordo com suas influências na questão social e cultural, como uma ética profissional o capitalismo vai racionalizando a vida de acordo com suas funções, ou seja, nesse caso o materialismo histórico seria condicional e não determinante,



Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasilescola.uol.com.br
ebiografia.com
pragmatismopolitico.com.br

sexta-feira, 17 de março de 2023

David Nasser, foi um jornalista e compositor. Ao lado de Herivelto Martins compôs a belíssima "Atirastes uma pedra".



Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil





David Nasser, nasceu em Jaú, São Paulo, em 1 de janeiro de 1917 e morreu no Rio de Janeiro em 10 de dezembro de 1980.

Filho de imigrantes libaneses, foi mascate, vendedor de loja, até que um dia conheceu o grande Francisco Alves.



Como teve meningite quando criança, dedicou-se a ler e escrever histórias. Começou a trabalhar aos 14 anos, em 1934 como contínuo das empresas Diários Associados de Assis Chateaubriand. O conglomerado jornalístico reunia no mesmo prédio a redação dos jornais "Diário da Noite" e "O Jornal", e a revista "O Cruzeiro".




Aos poucos, tornou-se jornalista das empresas dos Diários Associados. Iniciou-se profissionalmente depois do golpe do Estado Novo de Getúlio Vargas em 1937, e segundo livro "Cobras criadas", de Luís Maklouf Carvalho, David Nasser apoiou a ditadura Vargas e fez parte do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) da ditadura Vargas.

Como jornalista fazia de tudo por uma boa manchete. ''Como se vê, escrúpulo, ética, compromisso com a verdade e profissionalismo no exercício da profissão passaram ao largo da carreira de David Nasser." (Cobras criadas)




Uma das reportagens mais famosas da dupla foi “Barreto Pinto sem máscara”, publicada em 29 de junho de 1946. Exibia o deputado federal Edmundo Barreto Pinto, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), trajando cueca samba-canção e fraque. O deputado acabaria cassado por quebra de decoro parlamentar. Na versão de Barreto Pinto, a dupla havia prometido que só usaria a imagem da barriga para cima, como conta Luiz Maklouf Carvalho, no livro Cobras Criadas, que descreve a carreira da dupla em O Cruzeiro.





Como “grande ilusionista” do jornalismo, Nasser escreveu sobre uma visita que fez junto com Manzon a aldeia xavante, onde os índios teriam sido fotografados pela primeira vez. A matéria trazia 26 fotos em 20 páginas. O fato é que eles nunca chegaram perto dos indígenas. Duvida-se até mesmo que Manzon tenha de fato feito as fotos. O material teria sido aproveitado de um filme feito pelo DIP, departamento de propaganda do Estado Novo, onde Manzon havia trabalhado.





A dupla conseguiu fotografar May-lin Soonn Chiang, mulher de Chiang Kai-shek, o líder chinês, que esteve no Brasil em 1944. Era um furo. Ao que se apura, o próprio David Nasser, vestido de mulher, se fez passar pela chinesa. Numa ”reportagem” de 1944 (43 dias nas selvas amazônicas), ele diz ter passado longa temporada na selva, sem ter colocado os pés fora do Rio de Janeiro.

Para concorrer com Nelson Rodrigues, que publicava o folhetim Meu Destino É Pecar, em O Jornal, sob o pseudônimo de Suzana Flag, David Nasser inventou uma personagem para o Diário da Noite, outra publicação dos Diários Associados: Giselle – A Espiã Nua Que Abalou Paris. O Diário da Noite anunciou que comprara “com exclusividade” as memórias da bela mulher que dormia com nazistas obtendo informações para as forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Para garantir a verossimilhança, o Diário chamou a série de “documentário” traduzido do original francês por um certo jornalista italiano chamado Carlos Tancini, que estaria de passagem pelo Rio de Janeiro – e que nunca existiu. A série escrita por David Nasser teve 59 capítulos. Jean Manzon, era o encarregado de produzir as fotos de Giselle. Segundo Freddy Chateaubriand, “nunca houve Giselle, ela nunca abalou Paris, mas o Diário da Noite foi o jornal de maior circulação daquela época. O Manzon trazia aquelas fotos não sei de onde, e o David escrevia com aquela facilidade”.




Com o golpe de 1964, estreitou relações com os militares, fazendo ampla defesa do regime e aderindo ao discurso ufanista. Tornou-se guru de Mário Andreazza, ministro dos Transportes, e foi abastecido por informações sigilosas sobre guerrilha urbana. Suas relações com militares, fazendeiros e empreiteiros influentes contribuíram para seu crescimento financeiro durante o período.

Durante as décadas de 1960 e 1970, Nasser defendeu publicamente a atuação dos “empreiteiros de Jesus”, como chamava os esquadrões da morte de policiais. No Rio de Janeiro, foi criada o grupo Scuderie Le Cocq, uma homenagem ao detetive Milton Le Cocq, morto em 27 de agosto de 1964. Quando a Scuderie Le Cocq foi legalizada, em 1971, Nasser foi oficialmente escolhido seu presidente de honra.






David Nasser nunca primou pelo bom jornalismo e valeu-se de amizades com políticos e autoridades para praticar a chamada imprensa marrom, recheada de noticiais falsas, que tinham o único intuito que era vender revistas e jornais.

Como compositor escreveu a linda Canta Brasil ao lado de Alcyr Pires Vermelho, Nega do cabelo duro com Rubens Lacerda e Normalista em parceira com Benedito Lacerda.  Apesar que dado ao seu lado pouco ético de agir,  não podemos dizer se realmente as parcerias eram dele mesmo ou se apenas se apossou delas.



Canta Brasil - Gal Costa



Deixou uma fortuna em imóveis e fazendas à esposa, Isabel, quando faleceu em 10 de dezembro de 1980, vítima de câncer de fígado. Seu corpo foi velado no prédio da Manchete. Atendendo a um desejo seu, a bandeira da Scuderie Le Cocq guarneceu o caixão.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
revistapress.com.br
dgabc.com.br

quarta-feira, 15 de março de 2023

Vamos falar hoje do Padre Antônio Vieira, escritor importante do período Barroco no Brasil, especialmente devido aos seus famosos Sermões.




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Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum: Hodie mecum eris in Paradiso

Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino. Hoje estareis comigo no Paraíso.

Sermão do Bom Ladrão.




Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu na Bahia, em 1697. Com sete anos de idade, veio para o Brasil e entrou para a Companhia de Jesus.

Por defender posições favoráveis aos índios e aos judeus, foi condenado à prisão pela Inquisição, onde ficou por dois anos.

Responsável pelo desenvolvimento da prosa no período do barroco, Padre Antônio Vieira é conhecido por seus sermões polêmicos em que critica, entre outras coisas, o despotismo dos colonos portugueses, a influencia negativa que o Protestantismo exerceria na colônia, os pregadores que não cumpriam com seu ofício de catequizar e evangelizar (seus adversários católicos) e a própria Inquisição.


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Além disso, defendia os índios e sua evangelização, condenando os horrores vivenciados por eles nas mãos de colonos e os cristãos-novos (judeus convertidos ao Catolicismo) que aqui se instalaram. Famoso por seus sermões, padre Antônio Vieira também se dedicou a escrever cartas e profecias.


Mito do Sebastianismo

Com o desenvolvimento do mercado marítimo, Portugal vivenciou um período de ascensão e grandeza. Porém, com o declínio do comércio no Oriente, Portugal viveu uma crise econômica e dinástica. Como consequência, o então rei de Portugal D. Sebastião resolve colocar em prática seu plano de organizar uma cruzada em Marrocos e levar à batalha de Alcacer-Quibir em 1578.



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A derrota na batalha e seu desaparecimento (provável morte em batalha) geraram especulações acerca de seu paradeiro. A partir de então, originou-se a crença de que o rei retornaria para transformar Portugal novamente em uma grande potência econômica. Padre Antônio Vieira era um dos que acreditavam no Sebastianismo e, mais adiante, Antônio Conselheiro anunciava o retorno de D. Sebastião nos episódios da Guerra de Canudos.

Os sermões

Escreveu cerca de duzentos sermões em estilo conceptista, isto é, que privilegia a retórica e o encadeamento lógico de ideias e conceitos. Estão formalmente divididos em três partes:

Introito ou Exórdio: a apresentação, introdução do assunto.

Desenvolvimento ou argumento: defesa de uma ideia com base na argumentação.

Peroração: parte final, conclusão.

Seus sermões mais mais famosos são:

Sermão da Sexagésima (1655)

O sermão, dividido em dez partes, é conhecido por tratar da arte de pregar. Nele, Padre Antônio Vieira condena aqueles que apenas pregam a palavra de Deus de maneira vazia. Para ele, a palavra de Deus era como uma semente, que deveria ser semeada pelo pregador. Por fim, o padre chega à conclusão de que, se a palavra de Deus não dá frutos no plano terrreno a culpa é única e exclusivamente dos pregadores que não cumprem direito a sua função. Leia um trecho do sermão:

Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que "saiu o pregador evangélico a semear" a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus ão só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. (...) Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare. (...) Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (...)


Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (1640)

Neste sermão, o padre incita os seguidores a reagir contra as invasões Holandesas, alegando que a presença dos protestantes na colônia resultaria em uma série de depredações à colônia. Leia um trecho do sermão:

Se acaso for assim — o que vós não permitais — e está determinado em vosso secreto juízo, que entrem os hereges na Bahia, o que só vos represento humildemente, e muito deveras, é que, antes da execução da sentença, repareis bem, Senhor, no que vos pode suceder depois, e que o consulteis com vosso coração enquanto é tempo, porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remédio. Bem estais na intenção e alusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Também antes do dilúvio estáveis vós mui colérico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aqueles cem anos, nunca houve remédio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se enfim as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já estaria satisfeita vossa justiça, senão quando ao terceiro dia começaram a boiar os corpos mortos, e a surgir e aparecer em multidão infinita aquelas figuras pálidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragédia que nunca viram os anjos, que homens que a vissem, não os havia.


Sermão de Santo Antônio (1654)

Também conhecido como "O Sermão dos Peixes", pois nele o padre usa a imagem dos peixes como símbolo para fazer uma crítica aos vícios dos colonos portugueses que se aproveitavam da condição dos índios para escravizá-los e sujeitá-los ao seu poder. Leia um trecho do sermão:

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? (...) Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar o Pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo costume quase se não sente (...) Suposto isto, para que procedamos com clareza, dividirei, peixes, o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas atitudes, no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. (...)

Seus textos ficaram famosos no mundo inteiro. Antonio Vieira exprimia a sua opinião política e religiosa por meio de profecias, cartas e sermões. As 
profecias eram constituídas de três obras: História do Futuro, Clavis Propheratum e Esperanças de Portugal. Em sua vida, Vieira escreveu mais de 500 cartas, considerados documentos históricos, e aproximadamente 200 sermões.

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Fontes:
soliterattura.com.br
lendo.org/sermoes
noticias.universia.com.br
google.com.br

segunda-feira, 13 de março de 2023

 Bicho da seda.




O bicho-da-seda é a larva ou lagarta da mariposa doméstica Bombyx mori (latim: "bicho-da-seda da amoreira"). É um inseto economicamente importante, sendo um produtor primário da seda. A comida preferida do bicho-da-seda é a amoreira branca, embora comam outras espécies de amoreira e até mesmo laranja de osage.


laranja de osage


O bicho-da-seda é coberto por pelos, tem corpo de coloração branca e não pode voar. Ainda que vivam apenas entre 10 e 16 duas, podem colocar de 300 a 400 ovos, que se chocam dentro de 15 dias, em média.

Para a produção do casulo, cada larva de bicho-da-seda tece um fio único que pode ter 1,3 km de comprimento. Em três dias o casulo fica pronto e protege a lagarta por 10 a 15 dias, quando ela se transforma em crisálida.







Mariposas domésticas são intimamente dependentes de seres humanos para a reprodução, como resultado de milênios de reprodução seletiva. As selvagens são diferentes de suas primas domésticas, pois não foram criadas seletivamente; elas não são comercialmente viáveis na produção de seda.




Na indústria, Logo após a formação dos casulos, os bichos-da-seda são abatidos antes que possam danificar os fios de seda. Para isso, eles vão para um calor de até 105 ºC, capaz de desidratar as criaturas.

Depois de secos, os casulos são cozinhados em água para que possam ser reidratados e desenrolados. Os fios, então, são separados em meadas de 300 gramas. Em média, cada kg do fio pode valer entre US$ 80 e 90.

Por outro lado, as larvas mortas de bicho-da-seda são novamente úteis no processo de fabricação de ração para animais.

Os primeiros a conhecer a seda foram os chineses. Diz-se que foi Fo Xi, o primeiro imperador da China, que ensinou o seu povo a cultivar amoreiras e a criar bichos-da-seda, embora tenha sido Hsi-Ling, esposa do imperador amarelo Huang-Ti, que ficou historicamente associada à descoberta da fiação da seda, sendo mesmo adorada, segundo reza a lenda, como a deusa do bicho-da-seda. Conta-se que Hsi-Ling descansava no jardim quando um casulo caiu dentro da sua chávena de chá quente.






 Observando o desenrolar do fio da seda, Hsi-Ling interessou-se pela arte de criar casulos e levou as lagartas do bicho-da-seda para os aposentos reais onde as protegeu dos seus inimigos naturais e do tempo inclemente, inaugurando assim a cultura doméstica do bicho-da-seda.




O reinado do imperador amarelo é datado tradicionalmente entre 2677-2597 a.C. mas sabe-se hoje que, apesar desta lenda, por essa altura a sericicultura já era uma atividade desenvolvida. Graças ao aperfeiçoamento das técnicas de exploração arqueológica e de conservação dos materiais tornou-se possível resgatar têxteis que, no passado, teriam entrado em decomposição imediata assim que expostos ao ar e à luz. Assim, descobriram-se em Zhejiang vários laços, fios e fragmentos de tecido tingidos de vermelho e datados de 3000 a.C., assim como foram encontradas sedas muito antigas num cesto de bambu durante as escavações de Chekiang. Um desses fragmentos era de seda produzida pelo bicho-da-seda doméstico, o Bombyx mori.




Na verdade, existem muitas espécies de bichos-da-seda selvagens encontrados em diversos países mas a chave para a compreensão do domínio da China, na manufatura da seda, reside apenas numa espécie: a borboleta cega e incapaz de voar denominada Bombyx mori. A sua antecessora selvagem é provavelmente a Bombyx mandarina Moore, uma borboleta que vive apenas nas amoreiras brancas da China. Durante milhares de anos, os chineses estudaram todos os tipos de bichos-da-seda e desenvolveram a sericicultura, fazendo com que a Bombyx mori evoluísse no sentido de se tornar a produtora especializada de seda dos dias de hoje: uma borboleta cuja vida tão breve se resume ao acasalamento e à produção dos ovos, que darão vida às gerações seguintes de bichos-da-seda.



A cultura do bicho-da-seda e o labor do seu fio foram segredos preciosamente guardados e sanções sem piedade esperavam aqueles que violassem o sigilo. O terror e o negócio perpetuaram o segredo. A seda era vendida pelos chineses, sendo transportada por terra, através dos Himalaias, da Índia e da Pérsia até chegar à Turquia, à Grécia e a Roma. Eram as famosas Rotas da Seda, fundadas no tempo do imperador Han Wu e do império romano, que constituíram um dos fatores mais decisivos de expansão e de encontro entre culturas.



Por volta do ano 550, aquando do reinado do imperador bizantino Justiniano, dois missionários viajaram à China e conseguiram trazer, para Constantinopla, ovos de bichos-da-seda escondidos dentro de bengalas de bambu.

Começa assim, gradualmente, a divulgar-se a sericicultura no mundo ocidental que há muito cobiçava este negócio precioso o qual, no entanto, tardou em explorar e dominar. Em Portugal, a mais antiga referência à cultura do bicho-da-seda diz respeito a Trás-os-Montes, no século XIII, sendo que Bragança, no século XV, surge como o berço do fabrico da seda. A partir de finais do século XVII, o cultivo da amoreira, a criação dos bichos-da-seda e a manufatura de tecidos em seda conheceu um importante desenvolvimento no nordeste transmontano.





Em Trás-os-Montes, e particularmente no distrito de Bragança, a criação e venda dos casulos gerou lucros substanciais, que permitiram atenuar as dificuldades reais de uma região quase exclusivamente dedicada à agricultura. Ora, na penúltima década do século XIX, deu-se o afundamento da sericicultura, com as doenças do bicho-da-seda, e instalou-se a crise vinícola vivendo-se, na região de Trás-os-Montes, momentos dramáticos em que famílias inteiras emigraram, devido à fome e à miséria, aumentando consideravelmente a mortalidade infantil e a pobreza.

Trás os montes - Portugal



Com efeito, após 1870-1875, a história da indústria das sedas no nordeste transmontano foi uma história de sucessivas tentativas de recuperação desta indústria, por parte do Estado. No início do século XX, persistiram algumas medidas que visavam reanimar a sericicultura, mas esta já não tinha condições de desenvolvimento. Foi assim que a indústria da seda em Trás-os-Montes se tendeu a esbater no século XX, tornando-se o labor do fio da seda uma atividade cada vez mais artesanal e rara, dependente da proteção dos municípios e das populações locais.



Fontes:
wikipedia.org
google.com
braganca.cienciaviva.pt
segredosdomundo.r7.com

domingo, 12 de março de 2023

 Tales de Mileto







Tales de Mileto (624-558 a.C.) foi um filósofo, matemático e astrônomo grego, considerado um dos mais importantes representantes da primeira fase da filosofia grega, chamada de Pré-Socrática ou Cosmológica.

Tales de Mileto nasceu em Mileto, antiga colônia grega da Ásia Menor, região da Jônia, na atual Turquia, por volta de 624 a. C.

Acredita-se que começou sua vida como mercador, enriquecendo o suficiente para se dedicar ao estudo e realizar algumas viagens. Supõe-se que esteve no Egito onde aprendeu geometria e na Babilônia onde entrou em contato com tabelas e instrumentos astronômicos.

Sabe-se que Tales desempenhou funções políticas em sua cidade e que realizou trabalhos nas áreas da filosofia, geometria e astronomia.
A filosofia pré-socrática

A filosofia grega compreende três períodos: pré-socrático, socrático e pós-socrático. O período pré-socrático compreende os primeiros filósofos propriamente ditos, ou seja, os que procuravam explicar racionalmente o universo, sem recorrer a entidades sobrenaturais.

Os filósofos pré-socráticos foram reunidos em diversas escolas de pensamentos: Escola Jônica (ou Escola de Mileto), Escola Itálica, Escola Eleática, Escola Atomística e Os Sofistas.

A Escola Jônica foi desenvolvida na colônia grega de Jônia, na Ásia Menor, na atual Turquia. Os principais filósofos da Escola Jônica foram: Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes.

A preocupação desses filósofos era perguntar e compreende a natureza do mundo.


Matemático

Para alguns historiadores da matemática antiga, a geometria demonstrativa iniciou-se com Tales de Mileto.

Apesar de não ter deixado nenhuma obra, o que chegou até nós é baseado em antigas referências gregas, que atribuem a ele um bom número de descobertas matemáticas definidas.

Foi atribuído a Tales de Mileto os seguintes fatos geométricos:A demonstração de que os ângulos da base de dois triângulos isósceles são iguais.
A demonstração do seguinte teorema: se dois triângulos têm dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então são iguais.
A demonstração de que todo diâmetro divide um círculo em duas partes iguais. A demonstração de que ao unir-se qualquer ponto de uma circunferência aos extremos de um diâmetro AB obtém-se um triângulo retângulo em C., entre outros.
Astrônomo

Como astrônomo, atribui-se a Tales de Mileto os seguintes feitos:Previu com grande antecedência, do eclipse do Sol observada em 28 de maio de 585 a.C., embora, muitos historiadores duvidem que os meios existentes na época permitissem tal façanha.
Verificou não ser uniforme o círculo da Terra entre os solstícios.
Dividiu o ano em 365 dias.
Estabeleceu o diâmetro do Sol, acreditava ser a terra um disco achatado. Realizou o cálculo da altura das pirâmides, entre outros.

Tales de Mileto faleceu em Mileto, Grécia, no ano de 558 a. C.
Frases de Tales de Mileto


"Muitas palavras não indicam necessariamente muita sabedoria."

"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem."

"Procure sempre uma ocupação; quando o tiver não pense em outra coisa além de procurar fazê-lo bem feito."

"O maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo. O mais veloz é o intelecto porque passa através de tudo. A mais forte é a necessidade porque tudo domina. O mais sábio é o tempo porque tudo revela."



Teorema de Tales de Mileto


Teorema de Tales de Mileto. (Foto:Wikipédia)

Aplicado na geometria , o teorema de Tales surgiu no momento que o matemático foi convidado para medir a estrutura da pirâmide de Quéops, no Egito, por meio da sombra que ela projetava.

A teoria foi desenvolvida a partir dessa sombra, obtendo êxito em dimensionar sua altura. O teorema tem como base a seguinte afirmação: “a interseção entre duas retas paralelas e transversais formam segmentos proporcionais. ” 

A partir dessa lógica, entende-se que as retas transversais interceptam retas paralelas em um ponto comum. O teorema de Tales também pode ser aplicado para medir a área do triângulo. 




Aplicação do teorema de Tales de Mileto em triângulos. (Foto: Wikipédia)



 Descobertas importantes na geometria

Além do teorema, outras atribuições são atribuídas no campo da geometria, dentre eles:

•Os ângulos que ficam na base dos triângulos isósceles são iguais;
•Considerando que dois triângulos tenham dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então estes são iguais;
•Todo e qualquer diâmetro divide um círculo em duas metades idênticas;
•A união de pontos de uma circunferência aos seus extremos AB, forma um triângulo retângulo em C.



Fontes:

ebiografia.com
educamaisbrasil.com.br
google.com
wikipedia.org

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