segunda-feira, 7 de setembro de 2026






Hoje, 7 de setembro de 2026, comemora-se 204 da Independência do Brasil.

A História é bem conhecida; D.Pedro I  subia a serra do mar em direção à cidade de São Paulo, vindo do Rio de Janeiro, quando dois mensageiros com cartas de D. Leopoldina, dizia que Portugal questionava suas ordens.



D.Pedro I






Carta de D. Leopoldina para D.Pedro I


São Cristóvão, 28 de agosto de 1822

Meu querido e muito amado esposo

Perdoe mil vezes que eu ralhei na minha última carta, mas deve ser-lhe prova de amizade de ser muito triste de ter me deixado faltar notícias suas; agora estou contentíssima com suas regras de Lorena; não é preciso recomendar-me as suas qualidades; seja persuadido, depois de dar-me tantas provas de confiança antes perder tudo que faltar aos meus deveres e bem do Brasil; os papéis se vão imprimir na Gazeta.

Sinto muito dar-lhe notícias desagradáveis, mas não quero faltar à verdade, mesmo se é penoso a meu coração; a tropa de Lisboa entrou na Bahia, e dizem que desembarcou; a nossa esquadra não se sabe o que fez, se é falta de ânimo dela é preciso o mais rigoroso castigo, chegarão três navios de Lisboa, os quais dão notícias de que os abomináveis portugueses querem sua ida para lá mesmo se voltasse ao Brasil outra vez, e que ia ao poder executivo a decidir se deve vir mais tropa para cá, é certo que aprontem a toda pressa dois navios; ontem deram a falsa notícia que estava uma esquadra de Lisboa fora da Barra de modo que todo se aprontou para recebê-la com fogo e bala.

O Abregé106 tem tido uma questão com o Martim Francisco107, o último deve [ter] toda a razão, e o primeiro tem sido muito atrevido, de modo que era preciso eu o fazer calar; eu lhe escrevo isto porque penso que lhe representaram em baixo de outro modo falso.

Deram um tiro no autor do Diário108, e o General Usley na qual diz irão que haviam de dar outro no amigo José Bonifácio; a Polícia já anda vigiando este negócio.

Mandou-se dar castigo ao autor do Correio que estas três últimas vezes tem sido o mais que possível.

Chegou um certo Veríssimo109, dizendo que foi nomeado Encarregado dos Negócios dos Estados Unidos pelo Congresso de Lisboa; ele vem falar-me e o José Bonifácio me disse de eu ver se podia tirar-lhe alguma coisa pois soube que saiu mandado pelas Cortes, três meses faz de Lisboa, desembarcou na América inglesa, tratando de negócios deles, e por ordem dos mesmos veio para cá até mais ordenar, é muito mau sujeito, e espertíssimo, de modo que anda sempre em companhia de espias nossos.

O povo e muitos outros falam no por os esquadrões da cavalaria a pé com muito atrevimento e barulho crê que era bom deixar este negócio em esquecimento. O José Bonifácio mais lhe falará.

Recebo neste instante sua carta de Taubaté que muito lhe agradeço em lhe merecer a amizade que me prova sendo certamente todo meu ser, não falando das muitas saudades suas que eu tenho, pedindo-lhe que não fique mais ausente que um mês; o José Bonifácio lhe dirá o mesmo; a sua presença é muito preciso sendo São Paulo muito longe para dar prontas.

Receba mil abraços e as expressões do mais terno amor e amizade desta sua esposa que o ama ao extremo

Leopoldina

D. Leopoldina - Imperatriz do Brasil



Irritado com a corte portuguesa, D.Pedro, montado, provavelmente numa mula, desembaciou a espada e deu o famoso ¨grito do Ipiranga¨



Um documento do coronel Manuel Marcondes de Oliveira e Melo, barão de Pindamonhangaba e comandante da guarda de honra de D. Pedro, descreve:

“Diante da guarda, que descrevia um semicírculo, com a espada desembainhada [o Príncipe Regente], bradou: ‘Amigos! Estão, para sempre, quebrados os laços que nos ligavam ao governo português! E bradou ainda o príncipe: ‘Será nossa divisa de ora em diante: Independência ou morte! E as nossas cores, verde e amarelo, em substituição às das cortes”


Famoso quadro de Pedro Américo





Contudo, outros historiadores explicam que, segundo relatos do Padre Belchior de Oliveira, conselheiro de D. Pedro I, que viajava com a comitiva na época, o príncipe teria gritado: “Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal”.

De qualquer forma, aquele ato rompeu definitivamente o Brasil com a Corte Portuguesa, e tornou o Brasil uma nação independente.






Fontres:

wikipedia.org
google.com
youtube.com
todoestudo.com.br
www.labcidade.fau.usp.br
tempo.com

 

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