Batalha de Itararé, aquela que foi sem nunca ter sido, a maior batalha da Revolução de 1930.
Esse é um blog sobre curiosidades de português, história e cultura de maneira geral.
quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Itararé situa-se em uma área conhecida como Campos de São Pedro, que vai do rio Verde até o rio Itararé, que dá o nome ao município.
Itararé em tupi-guarani significa “pedra que o rio cavou”, pois o rio Itararé corre em um leito rochoso que foi sendo desgastado pela correnteza formando altos paredões, grandes cachoeiras e belas grutas.
Inicialmente habitado por índios Guainazes, tornou-se ponto conhecido de bandeirantes, exploradores, jesuítas e estudiosos, firmando-se como um dos pontos de descanso dos tropeiros que convergiam do sul levando animais para a feira de Sorocaba pelo conhecido Caminho das Tropas.
A Barreira de Itararé, é o ponto onde o rio se estreita e suas margens se unem, o que fornecia aos viajantes uma passagem natural, evitando um rio caudaloso e perigoso de atravessar. O rio foi estabelecido como divisa entre as vilas de Sorocaba e Curitiba, então Quinta comarca de São Paulo, que com sua emancipação em 1853, tornou Província do Paraná, passando o rio Itararé a ser a divisa.
Itararé dá nome também a uma grande batalha, a grande batalha do movimento político de 1930, que colocaria frente a frente as tropas simpáticas ao grupo revolucionário liderado por Getúlio Vargas e os esquadrões fiéis ao presidente Washington Luís.
A notícia desse confronto inevitável correu de boca em boca, foi citada na imprensa e ajudou a formar um tenebroso clima de guerra civil. Soldados se dirigiam para o front, mães rezavam por seus filhos, crianças ficaram à beira da orfandade e mulheres anteviam os dias da viuvez.
Os dois exércitos marchavam um ao encontro do outro e, pelos cálculos dos estrategistas, a grande carnificina deveria acontecer em Itararé. Quando o rio de sangue deveria começar a correr, no entanto, intensos boatos começaram a chegar às trincheiras: eles davam conta de que o movimento revolucionário ganhara a simpatia do povo, o presidente fora deposto e as tropas leais ao governo estavam desertando. Diante dos novos fatos, o exército pró-Washington Luís resolveu aderir ao espírito do tempo.
Assim, o terrível, o tão anunciado confronto não aconteceu.
Getúlio desfilou de trem por São Paulo, sendo ovacionado pelo povo e seguiu para a capital federal, Rio de Janeiro.
A Batalha de Itararé acabou entrando para a a história como a "Batalha Que Não Houve!!!". Exageros a parte pode-se afirmar que houve combates importantes naquele outubro de 1930 que fizeram parte de um conjunto ao qual a batalha final pela cidade de Itararé, em São Paulo se insere. O combate decisivo foi evitado pela decisão do Coronel Paes de Andrade que resolveu parlamentar com o General Miguel Costa, comandante revolucionário. Ocorreram combates em Quatiguá, Capela da Ribeira e na Fazenda Morungava. Em todos são registrados mortos.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
itarare.sp.gov.br
robertobondarik.blogspot.com
atlas.fgv.br
folha.uol.com.br
terça-feira, 16 de setembro de 2025
Robert Redford, ator, diretor e ativista, morreu aos 89 anos em sua casa em Utah, nos Estados Unidos. A morte foi anunciada em um comunicado de Cindi Berger, diretora-executiva da empresa de publicidade Rogers & Cowan PMK, enviado ao NY Times.
O eterno Sundance Kid, do filme de 1969, Butch Cassidy and Sundance Kid.
A causa da morte não foi revelada, mas Redford morreu enquanto dormia.
Robert Redford atuou em mais de 50 filmes e ganhou dois Oscars.
A primeira aparição creditada de Robert Redford diante das câmeras é datada em 1960, quando ele desempenhou um pequeno papel na série de televisão Maverick. Na época, o ator tinha 24 anos e não imaginava que se tornaria um dos maiores galãs de Hollywood - além de ganhar dois Oscars e trabalhar com os nomes mais conceituados da grande indústria.
O sucesso de Redford no cinema se materializou após alguns papéis na Broadway, onde ele estrelou o longa-metragem de 1962, Obsessão de Matar, de Denis Sanders. Após este projeto, ele escalou um pouco mais com Descalços no Parque, uma comédia romântica que adaptou uma peça de mesmo nome e foi protagonizada por Jane Fonda.
Já famoso o estouro veio com Butch Cassidy, um faroeste de 1969 coestrelado com Paul Newman.
A partir daí, a ascensão de Redford foi implacável. Butch Cassidy foi seguido de outros títulos de sucesso como O candidato, Mais forte que a vingança, Nosso amor de ontem, Golpe de mestre, Todos os Homens do presidente, Proposta indecente, a última fortaleza e entre dois amores.
Com Golpe de Mestre, ele recebeu a primeira de suas quatro indicações ao Oscar, mas saiu do evento de mãos abanando.
Robert nasceu na Califórnia, filho de dois trabalhadores de origem britânica. Ele cresceu em um bairro de Los Angeles, onde frequentou a escola pública da cidade. Desde pequeno tirava notas ruins na escola, mas acabou se interessando muito por artes e esporte.
Depois de terminar o colegial, ele ingressou na faculdade em 1954, mas foi expulso no ano seguinte. Então decidiu viajar para a Europa e quando retornou aos Estados Unidos, estudou pintura e artes dramáticas em Nova York.
Um dos maiores galãs de Hollywood, Robert Redford ganhou dois Oscars e teve uma carreira de sete décadas, até anunciar a aposentadoria em 2018.
Fontes:
wikiupedia.org
uol.com.br
google.com
adorocinema.com
cinema10.com.br
Isaac ou Isaque (em hebraico: יִצְחָק; romaniz: Yiṣḥāq; em siríaco: ܐܝܼܣܚܵܩ ; romaniz.: ʔĪsḥāq; em árabe: إِسْحَاقُ; romaniz: ʔĪsḥāq; em grego clássico: Ἰσαάκ; romaniz.: Isaák) assim como descrito na Bíblia Hebraica, foi o único filho de Abraão com sua esposa Sara e foi o pai de Esaú e Jacó. Isaac foi um dos três patriarcas israelitas. Segundo o livro de Gênesis, Abraão tinha 100 anos quando Isaac nasceu e Sara já havia cessado o período fértil.
Um fato interessante em relação ao significado de Isaque, é que quando Deus prometeu que Abraão e Sara teriam um filho, Abraão riu dessa promessa (Gênesis 17:17). Depois, quando Deus repetiu a mesma promessa, Sara também riu devido a certa incredulidade (Gênesis 18). Mais tarde, após o nascimento de Isaque, Sara reconheceu que Deus lhe havia dado uma causa de riso, e que todos que soubessem iriam rir com ela (Gênesis 21:6).
O nome Isaque significa “riso”, “aquele que ri” ou “ele ri”, do hebraico Yitshaq. Foi o próprio Deus que ordenou a Abraão que este deveria ser o nome do menino
Abraão já tinha 100 anos de idade, e sua esposa, Sara, 90 anos, quando Isaque nasceu. Em reconhecimento à promessa da aliança, Isaque foi circuncidado quando tinha 8 dias de nascido (Gênesis 21:4; cf. Gênesis 17).
Além desse fato, a Bíblia não fornece mais nenhuma referência sobre a infância e juventude de Isaque. A próxima referência a Isaque já o mostra subindo o Monte Moriá com seu pai.
No capítulo 22 de Gênesis, para manifestar a fé de Abraão, Deus o prova, ordenando-lhe que oferecesse seu filho Isaque em holocausto. É difícil determinar a idade de Isaque no momento do sacrifício, mas segundo o historiador Flávio Josefo, acredita-se que Isaque tinha cerca de 25 anos naquela ocasião. Isso condiz com o relato bíblico de que ele já era forte o suficiente para carregar a madeira para o holocausto.
Durante o caminho, a Bíblia relata que Isaque não sabia que ele seria sacrificado (Gênesis 22:7). Quando chagaram ao local ordenado por Deus, Abraão amarrou Isaque no altar para imola-lo, porém foi impedido.
A história também se refere ao sacrifício de Ifigênia, filha de Agamenon e Clitemnestra. A deusa Artemis obriga Agamenon sacrificar sua filha Ifigênia, para que a deusa propiciasse ventos favoráveis para a armada que ia para a Guerra de Tróia.
Na hora do ato, Artemis, substitui Ifigênia por um servo.
Abraão e sua serva Agar, uma egípcia, com quem Abraão teve um filho aos 86 anos, após Sara, sua esposa, não conseguir gerar um herdeiro e ceder sua serva. Ismael é considerado o filho primogênito de Abraão e o ancestral dos povos árabes.
Quando, porém Sara fica grávida, Ismael e a serva Agar são expulsos da casa de Abraão.
Agar no deserto com seu filho Ismael
Isaac é considerado o pai do povo hebreu e Ismael é considerado o pai do povo árabe.
Fontes:
wikpedia.org
google.com
estiloadoracao.com
bibliaon.com
segunda-feira, 15 de setembro de 2025
Jean-Jacques Rousseau
Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de junho de 1712 – Ermenonville, 2 de julho de 1778), foi um importante filósofo, teórico politico, escritor e compositor de Genebra, Suíça. As ideias de Rousseau influenciaram profundamente todo o Direito e outras áreas das ciências humanas na medida em que desenvolveram e aprofundaram conceitos como Estado, poder e soberania, tais quais conhecemos atualmente.
Autor de algumas frases famosas como :
"Enquanto existirem pessoas se esbaldando no supérfluo, haverá muita gente carente do necessário".
"O homem nasce bom, e a sociedade o corrompe".
Sua obra principal, "O Contrato Social", serviu de verdadeiro catecismo para a Revolução Francesa e exerceu grande influência no chamado liberalismo político.
Defensor ardoroso dos princípios de “liberdade, igualdade e fraternidade”, o lema da revolução, é visto como o “profeta” do movimento.
Em 1732, Rousseau muda-se para Paris, onde conhece Madame Warens e ao lado dela, como autodidata, conquista grande parte de sua instrução.
Ao deixá-la, em 1740, vive como andarilho, até que em 1742 conhece outra senhora ilustre que ajuda o filósofo.
Graças a sua protetora torna-se secretário do embaixador da França, em Veneza. Dedica-se ao estudo e compreensão da política.
Em 1744, volta à Paris e no ano seguinte escreve um tema para balé, “As Musas Galantes”. Conhece Thérèse Lavasseur, criada de um hotel, vivem juntos e têm cinco filhos, todos enviados a orfanatos públicos.
Embora não totalmente esclarecido, uma das hipóteses é que Rousseau acreditava que os seus filhos teriam um futuro melhor numa vida de trabalho ao ar livre e harmonia com a natureza, longe da sociedade corruptora da época. No entanto, a decisão é vista por muitos como um ato de abandono e uma grande hipocrisia, dado o seu trabalho sobre a educação e o valor da infância.
Morando em Paris, descobre o Iluminismo ( Surgido na Europa, especialmente na França, a principal característica desta corrente de pensamento foi defender o uso da razão sobre o da fé para entender e solucionar os problemas da sociedade.) e passa a colaborar com o movimento. Torna-se conhecido por seus trabalhos sobre política, filosofia e música.
Rousseau em Genebra
O período de efervescência intelectual de Rousseau era também o do iluminismo. Os iluministas criticavam o antigo regime (a monarquia absolutista), o que rendeu duras perseguições da Coroa francesa e da Igreja em cima desses pensadores, como Rousseau, Voltaire e Diderot. Com Denis Diderot foi um dos criadores da Enciclopédia.
Contendo mais de 70 000 artigos e verbetes, a obra é um inventário de todo o conhecimento humano da época, nas mais diversas áreas: filosofia, ciências, matemática, história, religião, artes, entre outros. Outros volumes foram escritos por autores famosos da época como : Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Buffon, Quesnay, Grimm, d·Holbach e muitos outros. Durante a confecção da Enciclopédia, Diderot recebeu com frequência contribuições espontâneas, às vezes de autores anônimos, com memórias, informações, observações, conselhos e esclarecimentos, muitos dos quais incluídos na obra final.
Segundo Rousseau, quanto mais distante o ser humano se encontra da natureza, mais corrompido ele fica. Ele atribui a corrupção moral e intelectual do indivíduo ao distanciamento que o ser humano toma da natureza com a imersão na sociedade, nos costumes e nas convenções sociais. Acontece que as convenções sociais e as criações humanas levam cada vez mais a um distanciamento da natureza. Como convenções sociais e criações humanas, podemos citar: as ciências, as artes, a filosofia, os costumes.
Como afirma Rousseau o Contrato Social é um acordo firmado entre as pessoas de colaboração, e não submissão, que vem substituir, o Estado da Natureza, onde o homem viva por conta própria, livre, mas sem nenhuma proteção. A partir do momento em que o homem passou a viver em sociedade ele firmou um contrato de convivência com outras pessoas.
Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo contratualista. Ele estava inserido em um contexto de pensadores que separam a humanidade em dois estágios: um estágio hipotético chamado de estado de natureza; e o outro que é demarcado pela criação da sociedade civil, com leis e códigos, que dão origem à nossa formação social. Essa criação é estabelecida por um contrato ou pacto social que nos forma, nos molda, colocando, inclusive, as normas sociais, políticas e morais que determinam a nossa sociedade.
Para o filósofo inglês Thomas Hobbes, o estado de natureza humano é marcado pelo caos. Rousseau percorre a linha contrária. Para ele, o estado de natureza humano é o estado de proximidade com a completa liberdade e a não corrupção do ser humano.
Muitas pessoas acabam reduzindo a teoria contratualista de Rousseau à afirmação de que o ser humano é “bom por natureza”. Essa afirmação não está incorreta, no entanto, é necessário cautela para compreendê-la, pois não há moralidade no estado de natureza. Dizer que o ser humano é bom por natureza, levando-se em consideração o termo bom como algo moralmente aprovável, é incorreto. A corrupção começa com a criação do estado civil por meio do pacto social.
Fontes:
wikipedia.org
pensador.com
google.com
super.abril.com.br
brasilescola.uol.com.br
todamateria.com.br
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Na língua portuguesa, alguns dos erros mais comuns incluem o uso inadequado de "a" e "há", "mal" e "mau", "onde" e "aonde", além de confusões na concordância verbal e nominal. Também é comum a utilização incorreta de "em vez de" e "ao invés de", e a redundância em frases como "há muitos anos atrás".
Erros comuns:
1. "A" e "Há":
"A" é usado para indicar tempo futuro ou distância, enquanto "há" indica tempo passado, podendo ser substituído por "faz". Ex: "Daqui a pouco tempo" (futuro), "Há muitos anos" (passado, pode ser "Faz muitos anos").
2. "Mal" e "Mau":
"Mal" opõe-se a "bem", e "mau" opõe-se a "bom". Ex: "Ele é mau (bom) caráter", "Ele age mal (bem)".
3. "Onde" e "Aonde":
"Onde" indica lugar fixo, enquanto "aonde" indica movimento em direção a um lugar. Ex: "Onde você mora?" (lugar fixo), "Aonde você vai?" (movimento).
4. Concordância Verbal:
Erros de concordância ocorrem quando o verbo não concorda em número e pessoa com o sujeito. Ex: "As meninas foram ao cinema" (correto), "As meninas foi ao cinema" (incorreto).
5. Concordância Nominal:
Erros de concordância nominal ocorrem quando adjetivos, artigos, pronomes e numerais não concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. Ex: "As casas novas" (correto), "As casas novo" (incorreto).
6. "Em vez de" e "Ao invés de":
"Em vez de" significa "em lugar de", enquanto "ao invés de" significa "ao contrário". Ex: "Em vez de ir ao cinema, vou ficar em casa" (em lugar de), "Ao invés de chover, fez sol" (ao contrário).
7. "Há muitos anos atrás":
É redundante usar "há" e "atrás" juntos, pois ambos indicam tempo passado. A forma correta é usar apenas um deles: "há muitos anos" ou "muitos anos atrás". `Eu nasci há muitos anos atrás` (Raul Seixas) - gramaticalmente a frase está errada.
8. "Para mim" e "Para eu":
"Para mim" é usado quando "mim" é objeto da ação, enquanto "para eu" é usado quando "eu" é sujeito da ação. Ex: "Isso é para mim" (objeto), "Isso é para eu fazer" (sujeito).
9. "Impresso" e "Imprimido":
"Impresso" é usado com os verbos "ser" e "estar", enquanto "imprimido" é usado com os verbos "ter" e "haver". Ex: "O documento foi impresso" (ser), "Eu tinha imprimido o documento" (ter).
10. "Mas" e "Mais":
"Mas" é uma conjunção adversativa (oposição), enquanto "mais" indica adição ou intensidade. Ex: "Eu queria ir, mas estava cansado" (oposição), "Eu quero mais bolo" (adição).
11. Menos e Menas - A palavra Menas não existe. Menos é um advérbio de quantidade e os advérbios são invariáveis, ou seja não se flexionam com o substantivo.
Tem menos gente hoje (correto) Tem menas gente hoje (errado).
Os verbos fazer e haver no sentido de tempo e de existir são impessoais, ou seja ficam na terceira pessoa do singular.
Assim: Faz dez anos da Copa do Mundo no Brasil (correto)
Fazem dez anos da Copa do Mundo no Brasil (errado)
Haviam muitas pessoas na sala (errado)
Havia muitas pessoas na sala (correto)
Fontes:
guiadoestudante.abril.com.br
todamateira.com.br
poirtugues.com.br
google.com
noirmaculta.com.br
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
Hoje vamos falar de uma figura controvertida da História do Brasil, D.João VI, que em 1808 partiu com a família real de Portugal para o Brasil, para escapar de Napoleão Bonaparte.
D.João VI
A propósito recomendo a leitura do livro do Laurentino Gomes 1808, uma visão divertida e esclarecedora desse período da história.
D.João nasceu em 13 de maio de 1767 em Lisboa, data que 121 anos depois foi proclamada a Lei Áurea, pela princesa Isabel, filha de D.Pedro II e sua bisneta.
D. João era filho de D.Maria, a louca, e de D.Pedro III
Casou-se com D. Carlota Joaquina e teve 9 filhos dentre eles D.Pedro IV, que se tornou D.Pedro I no Brasil, primeiro monarca brasileiro depois da Independência.
Com o perigo de uma invasão francesa em Portugal pelas tropas de Napoleão, D.João VI e numerosa comitiva partiu para o Brasil, deixando o povo português à mercê dos invasores.
Chegada da família real ao Brasil
Ao longo de sua permanência no Brasil de 1808 a 1821, D.João criou um grande número de instituições e serviços público, como banco do Brasil, e Biblioteca Nacional, ao mesmo tempo várias crises foram eradas durante seu reinado, e farta distribuição de títulos hereditários, para obter apoio dos nobres da época.
São fatos populares a descrição do rei como indolente, trapalhão, meio abobalhado, dominado pela mulher, comilão, com poucas noções de higiene pessoal (diziam que guardava pedaços de frango em suas vestes, para come-los quando tivesse vontade)
A despeito dessa descrição, segundo Laurentino Gomes em seu livro 1808, segundo Napoleão ele foi o único monarca que o enganou, fazendo tratativas de paz , enquanto preparava sua fuga para o Brasil.
"Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil."
Assim Laurentino Gomes começa o seu livro 1808, que conta a saga da família real portuguesa e sua viagem para o Brasil fugindo de Napoleão Bonaparte.
Tudo começa quando Napoleão Bonaparte declara o Bloqueio Continental, o qual nenhum país europeu poderia comercializar com a Inglaterra. Desobedecendo a esse bloqueio, Portugal decide continuar comercializando com a mesma.
Quando Napoleão estava pronto para atacar Portugal, a família real e grande parte da nobreza decide fugir para o Brasil (sua maior colônia) com a proteção da marinha inglesa. Levam consigo todas as riquezas portuguesas com eles (deixando o povo totalmente indefeso e abandonado). A fuga da família real para o Brasil refletiu no processo de independência do país.
A viagem foi complicada. Estavam em navios veleiros e quase não chegaram ao Brasil, passando meses em alto mar. O estoque de comida e bebidas estava chegando ao fim e havia ratos e baratas nos navios causados pela falta de higiene e transmitiram doenças. Quase todos pegaram carrapatos!
No dia 22 de janeiro de 1808, a família real portuguesa chegou ao Brasil, na costa da Bahia. O desembarque da comitiva real, contudo, só aconteceu no dia 24, às cinco horas da tarde, em uma grande solenidade. Aportaram em território brasileiro cerca de 14 navios com 15 mil pessoas, após uma viagem que teve início no dia 29 de novembro do ano anterior. Depos de Salvador, a comitiva seguiu para o Rio de Janeiro no dia 8 de março, transformando a cidade em residência fixa da corte portuguesa. Com a vinda da família real, várias mudanças ocorreram na então colonia: a abertura dos portos brasileiros, a instalação do Banco do Brasil e da Casa da Moeda, a criação de um jornal, além de melhorias culturais e educacionais. Toda a corte portuguesa foi obrigada a deixar Portugal por conta da dominação de Napoleão Bonaparte na Europa.
Imagine a população de Portugal deixada para trás por seu rei e toda a comitiva real à mercê de Napoleão e seu exército.
Ele queria dominar todo o continente, mas não conseguiu passar pelas forças militares e pelos navios da Inglaterra. Como medida econômica e política, Napoleão determinou o bloqueio continental, no qual todos os países da Europa estavam impedidos de negociar com a Inglaterra.
D.João VI e Maria Carlota
Essa ordem deixou o herdeiro da coroa portuguesa, Dom João, em uma situação delicada, já que Portugal e Inglaterra eram antigos aliados. Outra alternativa era enfrentar o exército francês e correr o risco de ser invadido. A solução encontrada, com a ajuda dos ingleses, foi trazer a corte portuguesa para o Brasil. E foi isso que aconteceu, com uma longa viagem pelo oceano, sob proteção da força naval inglesa.
Os portugueses chegaram dia 22 mas só desembarcaram em Salvador em meio a muita comemoração em 23 de Janeiro de 1808. Passaram o primeiro mês de sua estadia no país descansando, aproveitando as festas e tomando algumas decisões que já começariam a transformar o Brasil em definitivo. A primeira delas foi lançada logo cinco dias após a chegada da corte, quando D. João redigiu a carta regia de abertura dos portos ao comércio de todas as nações amigas. Esse ato foi um verdadeiro presente para os aliados que auxiliaram na fuga para a colônia, já que desse modo era possível driblar o Bloqueio Continental sem maiores problemas. Em 7 de Março do mesmo ano eles enfim chegaram ao Rio de Janeiro, que seria nomeado a sede oficial da coroa.
Quando a corte de Dom João se instalou no Rio de Janeiro, muitos moradores foram despejados por ordem do rei, para liberar seus imóveis para os funcionários da corte. Fato que gerou revolta na população da capital brasileira neste primeiro momento.
A partir da instalação da família real no Brasil, iniciou-se um ciclo de mudanças que não parou mais e atingiu diversos âmbitos do nosso país, como o cultural, o econômico e o político. Entre as transformações mais importantes e significativas podemos elencar:
A criação da Academia Real Militar, da Academia da Marinha, da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, de dois Colégios de Medicina e Cirurgia e da Escola do Comércio;
A fundação do Museu Nacional e da Biblioteca Real;
A inauguração do Real Teatro de São João e do Jardim Botânico;
O Lançamento do primeiro exemplar da Gazeta do Rio de Janeiro;
A criação de três ministérios, o da Guerra e Estrangeiros, o da Marinha e o da Fazenda e Interior;
A Instalação do Banco do Brasil e da Casa da Moeda;

A aclamação do príncipe regente em D. João VI, após a morte de D. Maria I;
A abertura e melhora dos portos;
A permissão para a criação de industrias, que se concentrou na instalação de fábricas de tecido;
A construção de estradas conectando as províncias;
O crescimento da produção agrícola, concentrada principalmente no algodão e no açúcar;
O início da produção em larga escala do café, que viria a ser nosso grande produto de exportação;
Todos esses eventos acabariam culminando 14 anos após a chegada da família real ao Brasil na proclamação da nossa Independência, realizada pelo filho de D. João VI e então regente D. Pedro I.
Fontes:
seuhistory.com
1808 - Laurentino Gomes
google.com
historiafacil.com.br
wikipedia.org
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
Revolta da Vacina

Quando o presidente Rodrigues Alves assumiu o governo, em 1902, nas ruas da cidade do Rio de Janeiro acumulavam-se toneladas de lixo.
Desta maneira, o vírus da varíola se espalhava. Proliferavam ratos e mosquitos transmissores de doenças fatais como a peste bubônica e a febre amarela, que matavam milhares de pessoas anualmente.
Decidido a reurbanizar e sanear a cidade, Rodrigues Alves nomeou o engenheiro Pereira Passos para prefeito e o médico Oswaldo Cruz para Diretor da Saúde Pública.
Com isso, iniciou a construção de grandes obras públicas, o alargamento das ruas e avenidas e o combate às doenças.

A reurbanização do Rio de Janeiro, no entanto, sacrificou as camadas mais pobres da cidade, que foram desalojadas, pois tiveram seus casebres e cortiços demolidos.
Sem consultar a população, foram demolidas em menos de um ano, cerca de 600 habitações coletivas e 700 casas no centro da cidade.
Isso deixou sem teto pelo menos 14 mil pessoas. Os desabrigados foram para os cortiços, morros e mangues, com o fim de construir casas de tábuas.
A população foi obrigada a mudar para longe do trabalho e para os morros, incrementando a construção das favelas.
Como resultado das demolições, os aluguéis subiram de preço deixando a população cada vez mais indignada.

Era necessário combater o mosquito e o rato, transmissores das principais doenças. Por isso, o intuito central da campanha era precisamente acabar com os focos das doenças e o lixo acumulado pela cidade.

Primeiro, o governo anunciou que pagaria a população por cada rato que fosse entregue às autoridades. O resultado foi o surgimento de criadores desses roedores a fim de conseguirem uma renda extra.
Iniciou-se então uma campanha de saneamento autoritária, onde as casas eram invadidas e vasculhadas. Faltou um esclarecimento prévio sobre a importância da vacina ou da higiene.
Além do mais, as pessoas eram obrigadas a se vacinarem compulsoriamente. Os agentes entravam nas casas e pegavam à força quem se recusasse.
Os pais e maridos ficaram indignados, nesse ínterim, ao verem estranhos tocando no corpo das mulheres da casa.
A insatisfação da população contra o governo foi generalizada e isso desencadeou a Revolta da Vacina.
A oposição política ao governo se recusou a vacinar e ainda incitava o povo a resistir. Na imprensa, Oswaldo Cruz era ironizado em charges.

Os ânimos se exaltaram e policiais passaram a proteger os agentes de saúde, que invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força.
O descontentamento com a vacina, mais os problemas de moradia e do custo de vida, resultaram na Revolta da Vacina.
Entre 10 e 16 de novembro de 1904, o povo pobre do Rio de Janeiro enfrentou os agentes da saúde pública e a polícia.
O centro da capital carioca se tornou uma praça de guerra, com bondes virados e prédios atacados. Alguns militares que tencionavam derrubar o presidente, incitavam o povo.
A repressão do governo foi forte, e resultou na prisão de 945 pessoas na Ilha de Cobras, 40 mortos, 110 feridos e 461 deportações para o Estado do Acre.
A oposição espalhou o boato de que a vacina deveria ser aplicada nas partes íntimas do corpo e as mulheres deveriam se despir diante dos vacinadores.
Após o movimento, a Lei da Vacina Obrigatória foi modificada, tornando facultativo o seu uso.
No dia 14 de novembro de 1904, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se revoltaram contra as medidas tomadas pelo governo e passaram a apoiar a população.
Foi demonstrado mais uma vez que a falta de informação confiável e a utilização de medidas autoritárias, mesmo que necessárias, desalojando milhares de pessoas de suas casas e obrigando que as mesmas fossem para bairros periféricos e favelas beneficiando especuladores imobiliários incitou a população à revolta.
Hoje já passamos por algo semelhante com a pandemia do Coronavírus. As pessoas desobedeciam o isolamento, ora pelo espírito de sobrevivência, uma vez que as autoridades do Estado não assumiram o papel de liderança que lhes era cabido e outras vezes pela própria guerra política que se impôs no meio de uma grave crise sanitária mostrando que os dirigentes se preocupavam muito mais com seus interesses do que com a população. A desinformação e a ignorância também ajudaram ao combate da pandemia.
No dia 16 de novembro de 1904 chegava ao fim a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro. O movimento, inciado no dia 10 do mesmo mês, aconteceu por conta da rejeição popular à vacina obrigatória contra a varíola, projeto proposto pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Por conta disso, as brigadas sanitárias, acompanhadas por policiais, poderiam entrar nas casas e aplicar a vacina à força. A resistência popular começou com uma manifestação estudantil e foi aumentando, chegando ao ponto de, no dia 13, tomar uma proporção que transformou o centro do Rio de Janeiro em campo de batalha.
A população, que não tinha plena informação de como seria o processo de aplicação da vacina, depredou lojas, incendiou bondes, quebrou postes e atacou a polícia com pedras, paus e pedaços de ferro. Por conta da revolta, o governo suspendeu a obrigatoriedade da vacina e declarou estado de sítio no dia 16 de novembro. Ao final da revolta, 30 pessoas morreram e outras 110 ficaram feridas. Depois, com a situação sob controle, o processo de vacinação foi reiniciado. Em pouco tempo, a varíola foi erradicada da então capital do Brasil.
Fontes:
conhecimentocientifico.r7.com
todamateria.com.br
google.com
wikipedia.org
brasilescola.uol.com.br
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