sexta-feira, 2 de junho de 2023

Vamos falar da obra de Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay,ou simplesmente Visconde de Taunay, Inocência.



Visconde de Taunay




Romance regionalista brasileiro publicado em 1872, retrata os costumes e ambientes de Paranaíba no Mato Grosso do Sul.






Capítulo I


Corta extensa e quase despovoada zona da parte sul-oriental da vastíssima Província de Mato Grosso a estrada que da Vila de Sant’Ana do Paranaíba vai ter ao sítio abandonado de Camapuã. Desde aquela povoação, assente próximo ao vértice do ângulo em que confinam os territórios de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso até ao Rio Sucuriú, afluente do majestoso Paraná, isto é, no desenvolvimento de muitas dezenas de léguas, anda-se comodamente, de habitação em habitação, mais ou menos chegadas umas às outras, rareiam, porém, depois as casas, mais e mais, caminham-se largas horas, dias inteiros sem se ver morada nem gente até ao retiro de João Pereira, guarda avançada daquelas solidões, homem chão e hospitaleiro, que acolhe com carinho o viajante desses alongados páramos¹ , oferece-lhe momentâneo agasalho e o provê da matalotagem precisa para alcançar os campos de Miranda e Pequiri, ou da Vacaria e Nioac, no Baixo Paraguai. Ali começa o sertão chamado bruto.

¹ - Local deserto e exposto às intemperes do tempo e da Natureza

Resumo


Sertão de Santana do Parnaíba, 1860. Pereira (Martinho dos Santos Pereira) vive na fazenda com Inocência, sua filha de 18 anos. Seu pai exige-lhe obediência total, num regime antigo e educada longe do mundo. Escolhe para ela o noivo, Manecão, um homem criado no sertão bruto, de índole violenta.

Maria Conga é escrava de Pereira. Tico é o guarda da moça Inocência, bastante fiel apesar de ser mudo. Um dia, Pereira encontrou-se com um rapaz que percorria os caminhos do sertão a medicar. Havia feitos estudos no colégio do Caraça e iniciado Farmácia em Ouro Preto. Chamavam-no de “doutor”, título que não menosprezava. Seu nome era Cirino Ferreira dos Santos (Dr. Cirino).


Nascera Cirino de Campos, como dissera a Pereira, na província de São Paulo, na sossegada e bonita Vila de Casa Branca, a qual demora umas 50 léguas do litoral. Filho de um vendedor de drogas, que se intitulava boticário e a esse oficio acumulava o importante cargo de administrador do correio, crescera debaixo das vistas paternas até a idade de doze anos completos, quando fora enviado, em tempos de festas e a título de recordações saudosas, a um velho tio e padrinho, morador na cidade de Ouro Preto. Esse parente, solteirão, de gênio rabugento, misantropo, e dado às práticas da mais extrema carolice, recebeu o pequeno com mau modo e manifesto descontentamento, tanto mais quanto à presença de um estranho vinha interromper os hábitos de completa solidão a que se acostumara desde longos anos. Era homem que trajava ainda à moda antiga, usando de sapatos de fivela, calções de braguilha, e cabeleira empoada com o competente rabicho. A sua reputação de pessoa abastada era, em toda a cidade de Ouro Preto, tão bem firmada quanto a de refinado sovina, chegando a voz público a afirmar que o seu dinheiro, e não pouco, estava todo enterrado em numerosos buracos no chão da alcova de dormir. (p.8)


Inocência estava doente de “uma febre braba” e o “doutor” curou-a . Os dois apaixonaram-se mais tarde: eram demasiados os cuidados que o “doutor” tinha para com ela. Amavam-se às escondidas e o laranjal era local de encontros proibidos. Pensavam que ninguém poderiam desconfiar… mas Tico, o anãozinho mudo, estava atento… Nesse ínterim, Pereira andava desconfiado do Dr. Meyer, um caçador de borboletas, que por lá aparecera!


—Sr. Cirino, eu cá sou homem muito bom de gênio, multo amigo de todos, muito acomodado e que tenho o coração perto da boca, como vosmecê deve ter visto... —Por certo, concordou o outro. —Pois bem, mas... tenho um grande defeito; sou muito desconfiado. Vai o doutor entrar no interior da minha casa e... deve portar-se como... —Oh, Sr Pereira! atalhou Cirino com animação, mas sem grande estranheza, pois conhecia o zelo com que os homens do sertão guardam da vista dos profanos os seus aposentos domésticos, posso gabar-me de ter sido recebido no seio de muita família honesta e sei proceder como devo. Expandiu-se um tanto o rosto do mineiro. —Vejo, disse ele com algum acanhamento, que o doutor não e nenhum pé-rapado, mas nunca é bom facilitar... E já que não há outro remédio, vou dizer-lhe todos os meus segredos... Não metem vergonha a ninguém, com o favor de Deus; mas em negócios da minha casa não gosto de bater língua... Minha filha Nocência fez 18 anos pelo Natal, e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos mas bonita e boa deveras... Coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões. Tenho outro filho, este um latagão, barbudo e grosso que está trabalhando agora em porcadas para as bandas do Rio.(p.12)



Desconfiava a tal ponto que o ilustre entomólogo passou a ser “persona non grata”. Dr. Meyer tinha por objetivo descobrir espécimes novos para museus europeus. Respeitava com muito carinho e muita atenção a bonita Inocência. José Pinho (Juque), ajudante de Dr. Meyer, explicava a função de seu patrão: procurar insetos. E isso durante quase dois anos…

Garcia, leproso, aparece na fazenda do Sr. Pereira. Quer falar com Dr. Cirino. O “médico” diz-lhe que a doença e incurável e contagiosa.

Inocência foi maltratada pelo pai, quando este soube de seu amor com o doutor. Foi atirada contra a parede. Resistiu e jurou não se casar com Manecão, o sertanejo violento. Mas o pai – Sr. Pereira – achou que a filha estava de “mau olhado”, por causa do Dr. Meyer.



Descrever o abalo que sofreu Inocência ao dar, cara a cara com Manecão fora impossível Debuxaram-se-lhe tão vivos na fisionomia o espanto e o terror, que o reparo, não só da parte do noivo, como do próprio pai, habitualmente tão despreocupado, foi repentino, —Que tem você? perguntou Pereira apressadamente. —Homem, a modos, observou Manecão com tristeza, que meto medo à senhora dona... Batiam de comoção os queixos da pobrezinha: nervoso estremecimento balanceava-lhe o corpo todo. A ela se achegou o mineiro e pegou-lhe no braço. —Mas você não tem febre?... Que é isto, rapariga de Deus? Depois, meio risonho e voltando-se para Manecão: —Já sei o que é... Ficou toda fora de si... vendo o que não contava ver... Vamos, Nocência, deixe-se de tolices. —Eu quero, murmurou ela, voltar para o meu quarto (p.56)


E encontrou uma solução: ele ou Manecão mataria o intruso alemão. Dr. Meyer não deu ouvidos a Pereira, zombado de sua ameaça. Tomou-se de vergonha: era ofensa demais. Tico, após testemunhar o amor existente entre Inocência e Cirino, explicou ao Sr. Pereira tudo que se passava…


—Mas quem é o Sr.? perguntou Cirino. —Eu? —Sim!... sim!... —Então não me conhece? —Não, balbuciou Cirino. —Conhece Nocência? uivou Manecão com voz terrível E de supetão tirando uma garrucha da cintura, desfechou-a à queima-roupa em Cirino. Varou a bala o corpo do infeliz e o fez baquear por terra. Dois gritos estrugiram. Um de agonia, outro de triunfo. Ficara Cirino estendido de bruços. Reunindo as forças, que se lhe escapavam com o sangue, voltou-se de costas e prorrompeu em vociferações contra o inimigo, que o contemplava sardônico. —Matador!. vil! .. sim! .. conheço Inocência... Ela é minha .. Infame! (p.65)


Manecão começou a seguir os passos de Cirino. Até um dia interpelou-o . Tirou uma garrucha da cintura e… Cirino caiu por terra, pedindo água e sussurrando o nome de Inocência. Agonizante, exigia do mineiro Antônio Cesário que não deixasse Inocência casar-se com Manecão…



—Eu? .. Casar com o senhor?! Antes uma boa morte!... Não quero... não quero... Nunca... Nunca... Manecão bambaleou. Pereira quis por-se de pé, mas por instantes não pôde. —Está doida, balbuciou, está doida. E, segurando-se à mesa, ergueu-se terrível. —Então, você não quer? perguntou com os queixos a bater de raiva. —Não, disse a moça com desespero, quero antes... Não pode terminar. O pai agarrara-a pela mão, obrigando-a a curvar-se toda. Depois, com violento empurrão, arrojou-a longe, de encontro à parede. Caiu a infeliz com abafado gemido e ficou estendida por terra, amparando o peito com as mãos. Mortal palidez cobria-lhe as faces e de ligeira brecha que se abrira na testa deslizavam gotas de sangue Ia Pereira precipitar-se sobre ela como para esmagá-la debaixo dos pés, mas parou de repente e, levando as mãos ao rosto, ocultou as lágrimas que dos olhos lhe saltavam a flux. Manecão não fizera o menor gesto. Extático assistira a toda essa dolorosa cena. A fisionomia estava impassível, mas, por dentro, seu coração era um vulcão. Lúgubre silencio reinou por algum tempo naquela sala. O anão chegara-se a Inocência, tomando-lhe uma das mãos: depois, a fizera sentar e, no meio de carinhos, mostrara-lhe por sinais a necessidade de retirar-se. A custo pôde ela seguir aquele conselho. Quase de rastos e ajudada por Tico é que saiu da presença do pai e de seu perseguidor (p.62)




Dr. Guilherme Tembel Meyer, em 1863, apresentava aos entomólogos do mundo a sua mais recente descoberta: uma borboleta até então desconhecida: “Papilio Innocentia:” em homenagem à Inocência, a moça do sertão de Santana do Paranaíba, da Parte sul oriental do Mato Grosso.

Inocência, coitadinha…

Exatamente nesse dia dois anos faria que seu gentil corpo fora entregue à terra, no intenso sertão de Santana do Parnaíba, para dormir o sono da eternidade…(p.67)



Fontes:

mundovestibular.com.br
objdigital.bn.br
wikipedia.org
google.com


quinta-feira, 1 de junho de 2023

 

A mão e a Luva



"- Mas que pretendes fazer agora? - Morrer. - Morrer? Que ideia! Deixa-te disso, Estêvão. Não se morre por tão pouco... - Morre-se. Quem não padece estas dores não as pode avaliar. O golpe foi profundo, e o meu coração é pusilânime; por mais aborrecível que pareça a ideia da morte, pior, muito pior do que ela, é a de viver. Ah! tu não sabes o que isto é? - Sei: um namoro gorado... "

Assim começa o romance "A mão e a luva! de Machado de Assis.




A mão e a Luva ♥ Machado de Assis - Capítulo 18 - Wattpad


Obra do escritor Machado de Assis, o romance A Mão e a Luva foi publicado no ano de 1874.




Na história de A Mão e a Luva, os dois amigos Luis Alves e Estevão cursam faculdade. Estevão era apaixonado por Guiomar, que não lhe correspondia. Irritado e sem motivação, ele quase abandona o curso mas volta após Luis Alves lhe ajudar com uma conversa.




Estevão a ama loucamente de forma pura e inocente. Jorge, sobrinho da baronesa deseja ascender socialmente e tem por Guiomar um amor “pueril e lascivo”. Com Luís Alves é diferente, ele só passa a admirar a moça com o decorrer do tempo, mas é um homem resolvido e ambicioso.


Jorge tem o apoio da baronesa e de sua empregada inglesa, Mrs. Oswald e pede a mão de Guiomar. Luís Alves faz o mesmo no dia seguinte. A baronesa pede a Guiomar que se decida entre os dois e a moça escolhe Jorge para não ver a madrinha zangada, mas a baronesa sabe que o desejo da afilhada é casar-se com Luís Alves.

Então, Guiomar e Luís Alves se casam. Jorge se conforma com a escolha da amada e Estevão sonha com seu suicídio durante o casamento. Entretanto, nada disso interrompe os planos do jovem e ambicioso casal que se unem felizmente.




O fim do livro justifica o título da obra. Veja:


"— Mas que me dá você em paga? um lugar na câmara? uma pasta de ministro?

— O lustre do meu nome, respondeu ele."

Guiomar, que estava de pé defronte dele, com as mãos presas nas suas, deixou-se cair lentamente sobre os joelhos do marido, e as duas ambições trocaram o ósculo fraternal. Ajustavam-se ambas, como se aquela luva tivesse sido feita para aquela mão.


"O casamento fez-se, enfim. As lágrimas que a baronesa derramou, quando viu Guiomar ligada para sempre, foram as mais belas jóias que lhe podia dar. Nenhuma mãe as verteu mais sinceras; e, seja dito em honra de Guiomar, nenhuma filha as recebeu mais dentro do coração. Na noite do casamento, quem olhasse para o lado do mar, veria pouco distante dos grupos de curiosos, atraídos pela festa de uma casa grande e rica, um vulto de homem sentado sobre uma lájea que acaso topara ali. Quem está afeito a ler romances, e leu esta narrativa desde o começo, supõe logo que esse homem podia ser Estêvão. Era ele. Talvez o leitor, em lance idêntico, fosse refugiar-se em sítio tão remoto, que mal pudesse acompanhá-lo a lembrança do passado. A alma de Estêvão sentiu uma necessidade cruel e singular, o gosto de revolver o ferro na ferida, uma coisa a que chamaremos - voluptuosidade da dor, em falta de melhor denominação. E foi para ali, contemplar com os indiferentes e ociosos aquela casa onde reinava o gozo e a vida, e naquela hora que lhe afundava o passado e o futuro de que vivera. "

O título do romance, A Mãe e a Luva, foi escolhido de forma rigorosa por Machado de Assis e sintetiza o intuito da obra. Simboliza a perfeita união entre uma luva criada na medida de uma mão. Seria o casamento entre Luis e Guiomar.


Fontes:
infoescola.com
coladaweb.com
dominiopublico.gov.br
wikipedia.org

terça-feira, 30 de maio de 2023

Vamos falar de um marco cultural importante na luta pela democracia e contra a ditadura militar, a peça Roda Viva de Chico Buarque de Holanda.




A peça é primeira obra teatral de Chico Buarque, e estrou no Rio de Janeiro, no teatro Princesa Isabel,  sob direção de José Celso Martinez em 1968, com Marieta Severo, Heleno Prestes e Antônio Pedro.







Num jeito inovador para época os atores interagiam com a plateia, causando por vezes atritos. Em São Paulo a peça foi apresentada no Teatro Ruth Escobar e contou com Marília Pera, André Valli e Rodrigo Santiago.

Nessa ocasião o grupo terrorista de extrema direita denominado CCC (Comando de Caça aos Comunistas) invadiu, o camarim do teatro, com cerca de 20 marginais, e de forma covarde  e abjeta, agrediram os atores e quebraram o teatro.


Camarim destruído 


No decorrer dos anos 60, muitos artistas, especialmente jovens talentos, produziram uma arte preocupada com a situação política e social do país, tratava-se de uma arte que se colocava contra o regime autoritário e opressor, havia profundo posicionamento crítico.

Bastante próximo desse grupo de “frente de oposição” estava Chico Buarque de Holanda, dono de uma produção artística vasta e de repercussão. Sua carreira nas artes começou no ano do último golpe militar, 1964. Suas obras produzidas durante o regime militar, sobretudo o teatro, dialogaram com o contexto histórico de seu tempo, fazendo com elas tenham um caráter de biografia de uma geração. Sua trajetória como dramaturgo iniciou em 1967 com a escrita de Roda viva, que foi montada no ano seguinte, 1968, sob a direção de José Celso Martinez Correa, mais conhecido como “Zé Celso”.


Teatro Ruth Escobar - Rua dos Ingleses



A peça, que possui dois atos, denuncia os bastidores do show business, o que causou enorme escândalo devido à encenação. Nela, temos Benedito da Silva, um cantor sem nenhum talento, mas que é tragado pela indústria do entretenimento. Graças ao Anjo, que é uma espécie de empresário abusivo e de mau caráter, Benedito torna-se um cantor famoso, um ídolo cultuado por inúmeros fãs. Acaba mudando de nome duas vezes, para o “bem” de sua imagem e propaganda, e é levado a cometer suicídio. Tendo isto acontecido, sua esposa, Juliana, que no início não gostava da ideia de seu marido como estrela e nem gostava de seu Anjo, substitui-o na condição de estrela moldada e fabricada, mantendo assim o jogo de interesses financeiros e mercadológicos de empresários do show business.





Os personagens da peça são: Benedito da Silva, um artista absoluto, cantor magnífico e ator principal. Bem Silver, pseudônimo de Benedito, é um nome de propaganda, um nome americanizado (porque isso faz sucesso). Benedito Lampião, por sua vez, nasce com a morte de Benedito da Silva e Ben Silver, é músico brasileiro, ídolo nacional, reacionário e alienado, revisionista e passivo, um homem do povo que vai cantar nos Estados Unidos. Anjo: responsável por fazer de Benedito um homem famoso, estiloso, de boa aparência e um ídolo, sobretudo para as mulheres; ele cobra por este “serviço”: 20% de tudo e é o “velho amigo” do Capeta, vive dando dinheiro a ele para que ele não suje a imagem de Benedito. Juliana é a mulher de Benedito, ela julga o Anjo indecente e aproveitador, acha que a mudança de Benedito fez com que ele virasse uma cintilante “bicha louca”. Capeta, “velho amigo” do Anjo, passa o tempo todo tentando estragar a imagem de Benedito e, para que isso não aconteça, vive “ganhando” dinheiro do Anjo para ficar quieto. Mané é amigo de Benedito de longa data e vive bebendo em bares. Coro, Vozes Femininas, Voz, Músicos e Povo, embora pareçam ser meros figurantes, atores, pessoas que cantam “Roda Viva” e pessoas que integram a procissão, são os responsáveis, dentro da peça, por exercer comentários, crítica e até julgamentos, ou seja, dão à peça um viés crítico, mas não de modo explícito.


Roda Viva - Festival de 1967 - TV Record
Chico Buarque e MPB 4





O nome da peça, partindo do sentido do texto, remete a um fatalismo dos dias, devido ao fato de que o sistema capitalista tudo devora, e sempre em proporções gigantescas, sobretudo os sonhos, as ideias e modos de pensar das pessoas. Essa “Roda viva” também remete à ditadura militar e toda a sua opressão.




Cenas como um soldado defecando num capacete militar, uma atriz representando a virgem Maria de biquíni, e o coro devorando um fígado de boi ao vivo, espirrando sangue,  numa alusão à violência da ditadura militar e ao conservadorismo da sociedade da década de 60, irritaram os reacionários gerando conflitos e críticas.



Fontes:

wikipdia.org
google.com
memoriasdaditadura.org.br
homolitaratus.com
metropoles.com
youtube.com

sábado, 27 de maio de 2023

 Vamos voltar ao tema de análise morfológica e análise sintática.



morfologia é a parte da gramática que estuda as palavras de acordo com a classe gramatical à qual elas pertencem.

sintaxe é a parte que estuda a função que as palavras desempenham dentro da oração.


A manhã está ensolarada.

Análise morfológica:

A - artigo definido singular feminino
Manhã - substantivo, comum, singular, feminino
Está  - verbo ser, terceira pessoa singular do presente do indicativo
Ensolarada - adjetivo, feminino, singular

Análise sintática

A manhã - sujeito simples
Está ensolarada - predicado nominal, pois o verbo estar é um verbo de ligação.( porque significa o estado da manhã).
Ensolarada - predicativo do sujeito, porque revela uma característica da manhã que está ensolarada.

Marcos e Paulo gostam de estudar todos os dias.

Análise morfológica

Marcos - substantivo próprio, singular, masculino.
Paulo - substantivo próprio, singular, masculino
e - conjunção
gostam - verbo gostar terceira pessoa plural, indicativo presente.
de - preposição
estudar - verbo estudar no infinitivo (forma original)
todos - pronome indefinido
os - artigo definido, masculino , plural.
dias -  substantivo, comum, plural, masculino.

Análise sintática

Marcos e Paulo - sujeito composto
gostam de estudar todos os dias - predicado verbal.
de estudar - objeto direto, complemento do verbo gostar que é transitivo direto.
todos os dias - adjunto adverbial de tempo.

Como vimos, a análise morfológica analisa palavra por palavra, e análise sintática analisa os termos da oração de acordo com a sua função.

Maria comprou um carro.

Morfológica

Maria -substantivo feminino, singular, comum
comprou - verbo comprar terceira pessoa singular do pretérito perfeito.
um - artigo indefinido
carro - substantivo simples, masculino, comum

Análise sintática

Maria - sujeito ( quem faz a ação)
comprou um - predicado verbal
carro - objeto direto (verbo comprar é um verbo transitivo direto).

Espero que tenham achado útil.

Fontes:
infoescola.com/portugues/analise
brasilescola.uol.com.br/portugues/analise





sexta-feira, 26 de maio de 2023

 Decameron de Bocacccio

Boccaccio



Em uma referência ao que existiu nas escrituras bíblicas em propagar, por meio dos santos homens da igreja, a criação do mundo em seis dias (Hexameron), Giovanni Boccaccio criou o seu próprio jeito de contar a (re)criação de uma nova sociedade, a partir da narrativa, pelo qual vinha acontecendo na Europa com a vastidão ao qual a peste negra (1348) vinha atuando.




"Esta peste foi de extrema violência: pois ela atirava-se contra os sãos, a partir dos doentes, sempre que doentes e sãos estivessem juntos"

Estamos vivenciando algo parecido na atualidade, mas estamos falando aqui da peste negra.



Escrito em meados do século XIV (1353), ‘Decameron’ estabelece um padrão para o que viria a ser o conto ficcional. O livro reúne cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, a fim de escapar da peste que assolava Florença, se recolhem e, para passar o tempo e celebrar a vida, narram histórias uns aos outros. 


Giovanni Boccaccio nasceu em 1313 em Certaldo, Itália. Foi um filho fora do casamento que desde muito cedo precisou aprender o oficio pelo qual a família se subsidiava, sendo bancário. O ainda não renomado escritor, pertencente de uma família rica teve seus primeiros contatos com a corte por conta do seu emprego e dali em diante, por ter sido autodidata, amante da literatura e voraz nas leituras, foi se acostumando com o lugar de onde mantinha contatos nobres até se tornar, na literatura, em primeiro lugar, poeta.


Considerado o escritor participante da tríade das coroas da literatura, junto de Dante e Petrarca, seu nome é muito famoso na literatura por ser o fundador da narrativa moderna, não restritiva somente na Itália, mas sim em toda a Europa.

É trazido para sua obra, muito do que estava sendo vivenciado na Europa, a peste negra. Assim como os jovens , Boccaccio também precisou fugir da peste negra para escrever Decamerão e, ao acabar todo o seu trabalho, sofreu várias críticas da Igreja por ter escrito tamanha obra, mas sábio foi Petrarca que o aconselhou a deixar as críticas de lado, afinal, o que ele tinha escrito era literatura.

Totalmente irônico na crítica à sociedade da época e detalhista em retratar os direitos do povo, Boccaccio cria um mundo repleto de interpretações mil. 


Não vai faltar amor do começo ao fim da leitura, afinal, é isso o que esses jovens, além de contar causos, buscam: criar um mundo a partir de um amor carnal, mas também humano.


A edição que possuo é uma edição da Editora Abril de 1979, traduzida por Torrieri Guimarães.




O Decamerão, rompendo com a mítica literatura medieval, é considerado o primeiro livro realista da literatura.

Como as obras da idade medieval em geral, Decamerão tem material sobre numerologia e misticismo. Acredita-se, por exemplo, que as Sete Moças representem as Quatro Virtudes Cardinais – Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança – e as Três Virtudes Teologais – Fé, Esperança e Caridade. Os três homens significariam a divisão da alma em três partes: Razão, Ira e Luxúria da tradição helênica.

O livro começa com uma descrição terrível da peste e suas consequências:

"Em Florença, apareciam no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou na axila, algumas inchações. Algumas delas cresciam como maçãs; outras como um ovo; cresciam umas mais, outras menos; chamava-as o populacho de bubões."

O autor continua narrando que o número de mortes e a velocidade como ocorrem deixaram várias famílias exterminadas e as cidades vazias.

Na Igreja de Santa Maria Novela, numa tarde de terça-feira, sete jovens se achavam praticamente sozinhas no templo onde tinham acabado de ouvir, com "roupas lúgubres" os ofícios religiosos.
"Eram todas bem comportadas  e de sangue nobre; bonitas de forma, costumes prendados, e de comportamento honesto."

Tinham entre 18 e 28 anos, e o autor querendo omitir suas verdadeiras identidades dá-lhes outras denominações. Lembremos que elas estavam na Igreja sozinhas, ou por que tinham sido abandonadas por suas famílias ansiosas para se salvarem da pandemia, ou mesmo porque seus familiares sucumbiram perante a peste.

"Agrupadas ali, não por prévia combinação, mas por acaso, em uma das dependências da igreja, sentaram-se formando quase um círculo." 


Ficaram conhecidas então como: Pampinéia ( a mais velha); Fiammetta; Filomena; Emília; Laurinha; Neífile e Elisa.

Pampinéia, a mais velha, assume um discurso em favor de que todas procurem um abrigo seguro longe da cidade, e como isso será difícil, por questões de comportamento e da moral da época, sete jovens mulheres e solteiras vivendo num lugar sozinhas.

"Não pode haver nenhuma censura ao ato de se seguir o meu conselho...". "... Lembro-lhes que o ato de nos afastarmos honestamente desta cidade não nos traz nenhum desdouro mais do que à maioria das demais mulheres o de aqui ficarem desonestamente."

 

Filomena, que era a mais discreta de todas exclamou, então: 

"Recordo-lhes que somos todas mulheres. Nenhuma mulher há tão tola, que não saiba bem como as mulheres, quando se juntam. são pouco providas de juízo, e mal sabem governar-se sem o auxílio de um homem."


Ao que concluiu Elisa:

"- Realmente são os homens a cabeça das mulheres; sem a ordem deles, raramente chega alguma obra nossa a um fim digno de elogio"

Nos dias de hoje essas palavras fariam estarrecer quaisquer mulheres, mas naquela época o homem era realmente tido como superior, pela sociedade, pela igreja e pelas próprias mulheres. Encontramos aqui um traço da sátira do autor, retratando o pensamento feminino do século XIV.

No momento em que as mulheres discutiam, entraram na igreja três rapazes, sendo que o mais novo devia beirar os 25 anos, não sendo assim, para época, tão jovens assim.

Seus nomes eram : Pânfilo; Filóstrato; e Dionéio, os três procuravam refúgio e por acaso, encontraram dentre as sete mulheres, três que eram suas amadas. Todos eram conhecidos, e alguns parentes entre si.

Estava pois resolvido o receio das mulheres de procurarem refúgio desprotegidas.

Combinaram, no dia seguinte irem para um sítio, sem que as aflições sobre os costumes a honestidade e a honra delas e o que as outras pessoas iriam falar, importasse mais que a própria sobrevivência.



No sítio, começa realmente a novela. Lá,  Pampinéia, foi eleita a primeira chefe, a rainha, como se estivessem num castelo, distribui as tarefas corriqueiras de cada um para a boa convivência de todos. Cada um tinha uma tarefa específica na cozinha, na arrumação em conseguir alimentos e água. Também foi acertado que deveriam tentar viver sem as lembranças terríveis que deixaram pra trás. Assim a forma que acharam para se divertirem foi contar histórias um para o outro.



A primeira novela coube a Pânfilo, e ele contou sobre um certo Senhor Ciappelletto que engana um santo frade fazendo-lhe uma falsa confissão; e morre. Em vida tendo sido um homem muito mau, e considerado santo após a morte, passando a ser chamado São Ciappelletto.

Outra crítica de Boccaccio contra a Igreja e suas famosas indulgências que tornava santo os poderosos ou seus filhos, desde que pudessem pagar.



A Segunda Jornada (Segundo Dia)  de Decameron começa sob o império de Filomena.

Nesse dia mais dez novelas são contadas, coube a Laurinha contar a quarta novela, sobre Landolfo Ruffolo que depois de ficar muito pobre torna-se corsário. Preso pelos genoveses, foge para o mar. Salva-se em cima de uma caixa cheia de joias caríssimas. Em Corfu salva-o uma mulher; e ele retorna para casa riquíssimo.






Durante os dias dias em que passam no sítio 100 histórias (novelas) são contadas, algumas eróticas que chegam a corar as moças presentes, como a contada por Filóstrato, sobre Masetto de Lamporecchio que finge-se de mudo e torna-se jardineiro num convento de mulheres que disputam entre si para deitarem-se com ele.

"Pobre de mim! exclamou a outra - que coisas diz você? Ignora, então, que prometemos a nossa virgindade a Deus ?

Ora! comentou a outra - quantas contas que lhe são prometidas todos os dias, sem que se cumpram nenhuma promessa ?"

" A jovem, como companheira leal, assim que recebeu o que queria receber cedeu o seu posto à outra; e Mansetto, mesmo continuando a parecer simplório, fez a vontade das duas; pois, antes de se afastarem dali, mais de uma vez elas quiseram constatar que o mudo sabia cavalgar.."




O livro recebeu diversas críticas, especialmente da Igreja Católica, devido às críticas ironias recebidas e ao seu conteúdo erótico.




Finda a última novela, Dionéio toma as providências para a partida no dia seguinte. Após o jantar o grupo cantou e dançou, entoando Fiammeta, por ordem "real", uma canção. Após ela, outras tantas foram entoadas. No dia seguinte, todos voltaram a Florença, onde se despediram.




A obra encerra-se com este último item, em que Boccaccio diz ter seguido a narrativa de algo como se tivera ocorrido de fato: "Contudo, eu não podia nem devia escrever senão as novelas narradas" e "...ainda que se queira pressupor que eu seja o inventor e o escritor delas - coisas que não fui -, declaro que não sentiria vergonha do fato de nem todas serem lindas".

Conclui Boccaccio sua obra, com uma exortação: "E vocês, agradáveis mulheres, vivam na paz de Deus; e lembrem-se de mim, se, por alguma coisa, alguma de minhas novelas lhes deu a recompensa de a terem lido". 








Fontes:
lelivros.com
wikpedia.org
google.com
umadosedecacto.com.br
mundodelivros .com
Deamerão - Boccaccio, Giovanni - editora Abril - 1979
enchantedbooklet.com/decameron/

quarta-feira, 24 de maio de 2023

 

Private Dancer


Morreu aos 83 anos a cantora Tina Turner. Considerada um dos maiores vocais do rock, a cantora morreu na Suíça, em sua casa, na cidade de Kusnacht, perto da capital, Zurique. A informação foi confirmada pelos seus assessores ao site Sky News. "Tina Turner, a Rainha do Rock'n Roll, morreu em paz hoje aos 84 anos após uma longa doença", confirmou o porta-voz da cantora. "Com ela, o mundo perde uma lenda da música e um modelo a ser seguido."


I don`t wanna loose you


Nascida Anna Mae Bullock em 26 de novembro de 1939 nos Estados Unidos, Tina Turner é filha de Zelma Priscilla Currie e Floyd Richard Bullock. Sua família morava em uma comunidade rural do Tennessee e, durante a infância, Tina chegou a colher algodão nos campos com a família. A mais nova de três irmãs, Tina foi uma das vozes mais adoradas da música. Seus grandes sucessos incluem músicas como "What's Love Got to Do with It", "The Best", "Proud Mary" e "I Don't Wanna Lose You". O início da carreira Tina foi por volta de 1957, quando foi descoberta por Ike Turner em um clube noturno que frequentava com as irmãs. A partir de então, ela começou a cantar com ele e, a partir da década de 1960, os dois saíram em turnê no duo Ike & Tina Turner. A dupla ganhou notoriedade em todos os Estados Unidos, embalando sons de R&B e rock. O enorme sucesso dos dois enquanto dupla chegou ao fim em virtude do vício de Ike em cocaína, e dos anos de abuso físico e emocional pelos quais ela passou ao lado dele. Ela pediu o divórcio em julho de 1976 e, nesta época, já começava a preparar sua carreira solo. Entre 1974 e 1979, Tina lançou quatro álbuns de estúdio. O primeiro rendeu a ela uma indicação ao Grammy e o segundo veio na esteira do sucesso.




Em 1988, Tina entrou para o Guinness Book como o maior show já feito por uma cantora solo, no Maracanã, Rio de Janeiro.




Homenagem a Airton Senna em show em Adelaide - Australia em 1993.


Embora a causa da morte não tenha sido anunciada, Tina passou por problemas de saúde recentes. Em 2016, ela foi diagnosticada com câncer no intestino e, no mesmo ano, sofreu um AVC. Em 2017, precisou passar por um transplante de rim. O órgão foi doado por seu marido, o produtor musical Erwin Bach, com quem era casada desde 2013.


Fontes:

uol.com.br
gshow.globo.com
youtube.com
google.com

 Em 24 de Maio de 1866 deu-se a primeira Batalha do Tuiuti, durante a Guerra do Paraguai.








A Batalha de Tuiuti foi uma das mais importantes e sangrentas da história da Guerra do Paraguai (1864 a 1870). Ocorreu no dia 24 de maio de 1866 em território paraguaio, mais especificamente às margens do lago Tuiuti. Nesta batalha campal, houve o confronto militar entre os combatentes do Paraguai contra os da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai).



Após cerca de seis horas de intensos combates, a Tríplice Aliança obteve uma importante vitória no contexto da Guerra do Paraguai. Muitos historiadores afirmam que a vitória deu mais força e confiança aos aliados, enquanto os paraguaios sofreram efeito contrário após a derrota.



Informações sobre a Batalha de Tuiuti



- Cerca de cinquenta e cinco mil homens participaram desta batalha.









- As forças paraguaias foram comandadas pelo general José E. Díaz. Já os combatentes da Tríplice Aliança foram comandados por Manuel Luís Osório (marechal brasileiro), Bartolomé Mitre (militar argentino) e Venâncio Flores (general uruguaio).




Os voluntários da Pátria

Um momento muito marcante para o Exército Brasileiro no conflito foi a criação do programa “Voluntários da Pátria”.

Devido à limitação tanto de estrutura, quanto de efetivo da corporação, o Império brasileiro decidiu convocar civis para lutar junto ao Exército. Muitos escravos fugitivos entraram para o programão em busca de sua carta de alforria. Outros foram substituindo seus “donos”.

Outros foram convidados para uma festança com muita bebida e quando estavam muito embriagados assinavam o termo de voluntários da pátria.



Após alguns meses que contaram com conflitos épicos, com destaque para a Batalha Naval do Riachuelo, o Exército de Solano estava cada vez mais enfraquecido. Aproveitando-se disso, em abril de 1866, as tropas da Tríplice Aliança – formadas predominantemente por brasileiros – avançaram para dentro do território paraguaio rumo à fortaleza de Humaitá.


Forte de Humaitá


No início da jornada, os 35 mil homens instalaram-se em Tuiuti. Devido à desorganização e à falta de higiene dos acampamentos, o início da campanha em território inimigo foi marcado pela intensa contaminação por cólera.

Apesar de as tropas brasileiras estarem em uma posição estratégica que dificultaria qualquer ataque inimigo, Solano ordenou que suas tropas destruíssem o Quartel-General da Tríplice Aliança, valendo-se do efeito surpresa.

No dia 24 de maio de 1866, o Exército paraguaio invadiu o acampamento brasileiro. Chegar de surpresa representou uma grande vantagem no momento inicial do conflito. Contudo, com toda valentia do Exército Brasileiro e contando com brilhante atuação do General Osório e de Emílio Mallet, o Exército Aliado conseguiu reverter o cenário do conflito.


Emílio Malet
Gal. Osório





Com a virada brasileira, o Paraguai perdeu cerca de 13 mil homens, que representavam o melhor de seu efetivo.

A Batalha do Tuiuti foi o maior e o mais destacado conflito da Guerra do Paraguai, tendo em vista sua importância e seu saldo de mortos.

A segunda Batalha do Tuiuti deu-se em 3 de novembro de 1867.

O nome da Rua 24 de Maio em São Paulo é uma homenagem dessa importante batalha na Guerra do Paraguai.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
militares.estrategia.com
historiadobrasil.net
dgp.eb.mil.br

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