sábado, 11 de março de 2023

 O nome da rosa de Humberto Eco.


Humberto Eco



O nome da rosa é um livro de 1980 escrito pelo escritor italiano Umberto Eco.

"O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem".

Willian Shakespeare

Umas das grandes curiosidades acerca da obra está relacionada com a escolha do título. O nome da rosa parece ter sido escolhido a fim de deixar que o próprio leitor desse uma interpretação.

Além disso, a expressão "o nome da rosa" era na época medieval uma maneira simbólica de expressar o enorme poder das palavras.

Sendo assim, a biblioteca e as obras proibidas pela Igreja teria total relação com o nome dessa grande obra da literatura.

A narrativa se passa na Itália no período medieval. O cenário é um mosteiro beneditino, onde um frei é chamado para fazer parte de um concílio do clero que investiga crimes de heresia. Entretanto, assassinatos misteriosos começam a ocorrer.

O enredo d'O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval.


'''- Muito me agradou saber - acrescentou o Abade - que em numerosos casos vós haveis decidido pela inocência do acusado. Creio, e mais do que nunca nestes dias tristíssimos, na presença constante do maligno nas coisas humanas - e olhou em torno, imperceptivelmente, como se o inimigo vagueasse entre aquelas paredes -, mas creio também que muitas vezes o maligno opera por causas segundas. E sei que pode impelir as suas vítimas a fazer o mal de tal modo que a culpa recaia sobre um justo, gozando com o fato que o justo seja queimado em lugar do seu súcubo. Freqüentemente, os inquisidores, para darem prova de diligência, arrancam a todo o custo uma confissão ao acusado, pensando que só é bom inquisidor aquele que conclui o processo encontrando um bode-expiatório... - Até um inquisidor pode ser movido pelo diabo - disse Guilherme. - É possível - admitiu o Abade com muita cautela -, porque os desígnios do Altíssimo são imperscrutáveis, mas não serei eu a lançar a sombra da suspeita sobre homens tão beneméritos. É mesmo de vós, como um deles, que eu hoje tenho necessidade."
(p.19)





Quando o monge franciscano Guilherme de Baskerville chega a um monastério beneditino no norte da Itália, em 1327, ele não imaginava o que iria viver nos próximos dias.

Guilherme leva consigo o noviço Adso de Melk, um jovem vindo de uma família da elite que está sob sua tutoria.O narrador da história é o velho Adso, que relembra os acontecimentos em sua juventude. Aqui já é possível perceber o contraste entre a juventude e a velhice, ao colocar a mesma personagem em dois momentos da vida diferentes.

Os dois chegam à cavalo ao enorme mosteiro e são levados a um aposento em que da janela é possível ver um pequeno cemitério. Guilherme observa um urubu rondando uma cova recém coberta e fica sabendo que um jovem pároco havia falecido há pouco tempo em circunstâncias duvidosas.
A investigação

A partir de então, mestre e aprendiz iniciam uma investigação sobre o caso, que é visto como obra do demônio pelos demais religiosos.

Com o passar do tempo, outras mortes ocorrem e Guilherme e Adso buscam relacioná-las e entender o mistério que ronda a instituição religiosa.

Assim, eles descobrem que a existência de uma biblioteca secreta estava interligada aos acontecimentos mórbidos do lugar. Tal biblioteca guardava livros e escrituras considerados perigosos para a Igreja Católica.




Isso porque tais registros continham ensinamentos e reflexões da antiguidade clássica que colocavam em cheque os dogmas católicos e a fé cristã.

Uma das crenças difundidas pelos poderosos do alto clero era a de que o riso, a diversão e a comédia desvirtuavam a sociedade, tirando o foco da espiritualidade e o temor à Deus. Assim, não era recomendado que os religiosos rissem.




Um dos livros proibidos que estava na biblioteca era uma suposta obra do pensador grego Aristóteles que versava justamente sobre o riso.

Guilherme e Adso conseguem, através do pensamento racional e investigativo, chegar até a biblioteca, um local que continha um enorme número de obras. A construção de tal lugar era bastante complexa, o que a transformava em um verdadeiro labirinto.

Os abusos da Igreja e a paixão de Adso.

A trama conta também com cenas que denunciam os abusos da Igreja cometidos contra os camponeses. Eles costumavam fazer doações de comida ao povo pobre em troca de exploração sexual.

Em dado momento, Adso depara-se com uma jovem mulher (a única que aparece no enredo), e os dois envolvem-se sexualmente, em uma cena cheia de erotismo e culpa. Adso passa a desenvolver sentimentos amorosos pela camponesa.



'' Só o bibliotecário recebeu o seu segredo do bibliotecário que o precedeu, e comunica-o, ainda em vida, ao bibliotecário ajudante, de modo que a morte não o surpreenda privando a comunidade daquele saber. E os lábios de ambos estão selados pelo segredo. Só o bibliotecário, além de saber, tem o direito de se mover no labirinto dos livros, só ele sabe onde encontrá-los e onde repô-los, só ele é responsável pela sua conservação. Os outros monges trabalham no scriptorium e podem conhecer o elenco dos volumes que a biblioteca encerra. Mas um elenco de títulos freqüentemente diz muito pouco, só o bibliotecário sabe, pela colocação do volume, pelo grau da sua inacessibilidade, que tipo de segredos, de verdades ou de mentiras o volume encerra. Só ele decide como, quando e se o fornece ao monge que faz a sua requisição, por vezes depois de me ter consultado. Porque nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais por um espírito piedoso, e os monges, enfim, estão no scriptorium para levar a cabo uma obra precisa, para a qual devem ler certos volumes e não outros, e não para seguir qualquer insensata curiosidade que os colha, quer por debilidade da mente, quer por soberba, quer por sugestão diabólica. - Portanto, também há na biblioteca livros que contêm mentiras..."
(p.27)



A hegemonia da Igreja Católica, cujo apogeu se deu durante o período medieval, estaria em risco se fossem reveladas as contradições e a hipocrisia existentes no mosteiro. Adso e seu mestre descobrem os autores dos assassinatos que impediam o acesso à biblioteca dos monges pois os livros continham informações que os incriminavam. As pessoas, ao manusearem um livro que esclarecia os acontecimentos, eram envenenadas por uma substância mortífera.

O ponto forte para a solução do mistério foram as manchas pretas na língua e no dedo dos monges causado pelo veneno posto na obra.



Eis que chega ao monastério um antigo desafeto de Guilherme, Bernardo Gui, um poderoso frei que é um dos braços da Santa Inquisição. Ele vai até lá para apurar denúncias de atos hereges e bruxarias.

Bernardo se coloca então como um obstáculo para que Baskerville e Adso concluam suas investigações, que já estão causando problemas entre a alta cúpula.

Alguns acontecimentos ocorrem envolvendo dois frades e a camponesa por quem Adso é apaixonado. Os três são indiciados como hereges, sendo que a moça é vista como bruxa.

Um tribunal é realizado com a intenção de que eles confessem os assassinatos e sejam posteriormente queimados na fogueira.

No momento em que os réus são colocados na fogueira e a maioria das pessoas acompanhava o desenrolar dos fatos, Guilherme e Adso vão até a biblioteca para resgatar algumas obras.

O desenrolar dos fatos

Lá eles se deparam com Jorge de Burgos, um dos párocos mais idosos do mosteiro, que mesmo cego e decrépito era o verdadeiro "guardião" da biblioteca. Guilherme então se dá conta de que todas as mortes tinham como responsável o velho Jorge.Em um momento de confusão, inicia-se um grande incêndio na biblioteca, onde Jorge de Burgos acaba morrendo e Adso e seu mestre saem com vida carregando alguns livros. Por conta do incêndio no mosteiro, as atenções são desviadas do julgamento e das fogueiras, assim, a camponesa consegue escapar.


Incêndio na biblioteca





Adso e Guilherme saem do local e seguem rumos distintos na vida, nunca mais encontrando-se. Resta a Adso os óculos de seu mestre e a lembrança da paixão pela camponesa, que ele nunca soube o nome.

O livro foi levado ao cinema em 1986 com direção de Jean-Jacques Annaud, estrelando : Sean Connery, Christian Slater, Elva Baskin.


O nome da rosa - trailer



'''Não me resta senão calar-me. O quam salubre, quam iucundum et suave est sedere in solitudine et tacere et loqui cum Deo! Dentro em pouco reunir-me-ei ao meu principio, e já não creio que seja o Deus da glória de que me tinham falado os abades da minha ordem, ou de alegria, como julgavam os menoritas de então, talvez nem sequer de piedade. Gott ist ein lautes Nichts, ihn rührt kein Nun noch Hier... Em breve me entranharei neste deserto amplíssimo, perfeitamente plano e incomensurável, em que o coração verdadeiramente pio sucumbe bem-aventurado. Afundar-me-ei na treva divina, num silêncio mudo e numa união inefável, e neste afundar-se se perderá toda a igualdade e toda a desigualdade, e nesse abismo o meu espírito se perderá a si mesmo, e não conhecerá nem o igual nem o desigual, nem mais nada: e serão esquecidas todas as diferenças, estarei no fundamento simples, no deserto silencioso onde jamais se vê diversidade, no íntimo onde ninguém se encontra no seu próprio lugar. Cairei na divindade silenciosa e desabitada onde não há obra nem imagem."
(p.405)






Fontes:

wikipedia.org
pensador.com
revistaprosaversoearte.com
knook.com.br
meuartigo.brasilescola.com.br
culturagenial.com
adorocinema.com
youtube.com
google.com

sexta-feira, 10 de março de 2023

D.João


Vamos falar hoje do Primeiro Reinado no Brasil.



Em 1808 a família real portuguesa foge de Portugal para o Brasil, escapando das garras de Napoleão Bonaparte.

Com o rei de Portugal, D. João VI, sua esposa Carlota Joaquina, seus filhos, vieram também muitos séquitos e nobres, com medo do destino que lhes seria reservado em caso de uma invasão francesa em Portugal.

D. João VI transformou o Brasil de uma simples colônia em um dos países do chamado Reino Unido de Portugal, Brasil  e Algarves.





A situação de Portugal naquele momento era muito ruim, pois o país enfrentava uma crise política e econômica em consequência da invasão francesa. Para agravar a situação dos portugueses, o rei d. João VI estava no Rio de Janeiro, distante demais dos problemas da metrópole.

Em agosto de 1810, o exército francês entraria em Portugal novamente. Os franceses apoderaram-se de Coimbra, mas foram obrigados a recuar. Travou-se então prolongada guerra de usura, recorrendo os dois lados à tática de terra arrasada, o que provocou fome e devastação entre os portugueses, mas que também desgastou as tropas napoleônicas. Nessa situação, as tropas francesas começaram sua retirada, em março de 1811, embora só em outubro tenham atravessado a fronteira espanhola.

A burguesia portuguesa, então,  organizou-se nas Cortes, instituição política que se baseou em princípios liberais. Daí nasceu a Revolução Liberal do Porto, que defendia a realização de reformas em Portugal. A grande exigência dos liberais portugueses era que Portugal, e não o Brasil, deveria ser a sede do reino português.

Dentro desse contexto, os liberais portugueses passaram a exigir o retorno do rei para Portugal, no entanto,  D. João VI não tinha nenhuma intenção de fazê-lo. Os portugueses também exigiram que o monopólio comercial fosse restabelecido no Brasil, e essas exigências demonstraram para a elite brasileira o desejo dos portugueses de restaurarem os laços coloniais com a colônia.

O rei português passou a ser ameaçado de ser destituído do trono se não retornasse, e, assim, acabou retornando para Portugal, em 26 de abril de 1821. Seu filho, Pedro de Alcântara, foi deixado no Rio de Janeiro como príncipe regente do Brasil. 





A independência do Brasil aconteceu na medida em que a elite brasileira percebeu que o desejo dos portugueses era restabelecer os laços coloniais. Quando a relação ficou insustentável, o separatismo surgiu como opção política, e o príncipe regente acabou sendo convencido a seguir esse caminho.

As Cortes de Portugal tomaram medidas que foram impopulares aqui no Brasil, tais como a exigência do retorno do príncipe regente e a instalação de mais tropas no Rio de Janeiro. Além disso, a relação azedava também porque os portugueses tratavam os representantes brasileiros que iam a Portugal para negociar com desdém.

Quando os portugueses exigiram o retorno do príncipe à Portugal, foi organizado um movimento de resistência contra a medida. Dessa forma, foi criado aqui no Brasil o Clube da Resistência, e o Senado brasileiro recebeu uma carta contendo milhares de assinaturas que defendiam que príncipe ficasse aqui. Dia do Fico 9 de janeiro de 1822.

Em 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga, D.Pedro declarou a Independência do Brasil de Portugal, começando assim o Primeiro Reinado.





O Primeiro Reinado no Brasil foi o período em que Dom Pedro I foi Imperador, começando em 1822, logo após a Independência do país, e que durou até 7 de abril de 1831, quando Pedro abdicou de seu trono. A rua 7 de Abril em São Paulo tem esse nome por causa disso.

Os primeiros países a reconhecerem que o Brasil não era mais uma colônia portuguesa foram os Estados Unidos e a Inglaterra. Portugal mesmo só reconheceu em 1825, mediante uma indenização e a garantia de que o Brasil não liderasse ou incentivasse a independência das demais colônias portuguesas.

Mas por que o país virou uma monarquia e não uma república, como o restante das ex-colônias espanholas da América do Sul? Bom, os idealizadores da independência tinham medo de que as terras brasileiras se fragmentassem caso houvesse a instauração de uma república por aqui. Além disso, a elite brasileira era acostumada com as tradições monarquistas portuguesas.

Em 25 de março de 1824, D. Pedro I promulgou a Primeira Constituição Brasileira. A rua 25 de Março em São Paulo recebeu esse nome por causa desse fato.

O imperador, no entanto vinha recebendo muitas críticas da elite brasileira, e sua popularidade vinha diminuindo, culminando como o assassinato de Líbero Badaró, um jornalista que era desafeto de D. Pedro I, e cujo assassinato foi computado ao imperador.

Diversas revoltas se instauraram no Brasil no Primeiro reinado, como a Confederação do Equador e a Revolta Cisplatina, além da imposição de uma Constituição que continha o voto censitário, ou seja, somente aqueles com uma renda mínima anual acima de 100 mil réis e serem maiores de 25 anos. O voto censitário também foi adotado na Constituição americana e francesa.



Como vimos, o governo de Dom Pedro I foi cheio de revoltas e conflitos. Após o episódio de desordem pública nas ruas do Rio de Janeiro, por causa do assassinato do jornalista, a nobreza e o Exército retiraram o apoio ao governo, abandonando o Imperador. Isso fez com que a situação política ficasse insustentável, obrigando Dom Pedro a abdicar do trono.


D.Pedro II




Quem assumiu o cargo foi Dom Pedro II, seu filho. Entretanto, como o primogênito só tinha 5 anos na época, uma Regência governou o país até que ele completasse a maioridade. Esse momento foi chamado de Período Regencial, que durou até 1840, quando o novo Imperador pode tomar o governo, dando início ao Segundo Reinado.

D.Pedro II


Fontes:

stoodi.com.br
brasilescola.uol.com.br
mundoeducacao.uol.com.br
google.com
bndigital.bn.gov.br

quinta-feira, 9 de março de 2023

 Hoje vamos falar dos verbos transitivos e intransitivos, objeto direto e objeto indireto.






No exemplos acima, vemos que no primeiro, o verbo receber é transitivo direto, porque precisa de um complemento. Quem recebe, recebe  alguma coisa. 

O complemento do verbo receber, na oração, é "um sim".
Poderia ser "flores", "um aumento", "elogios"
Note que todos os complementos são ligados diretamente ao verbo, sem auxílio de preposições, logo são chamado de objeto direto.

No segundo exemplo o verbo "confiar" é transitivo indireto, porque também precisam de complemento, mas acompanhado de preposição.

Quem confia, confia em alguma coisa ou em alguém.
No exemplo acima "Ela confia na amiga"
Poderia ser : ela confia em Deus.
O complemento desses verbos são chamados de objetos indireto, porque não se ligam ao verbo diretamente, mas através de uma preposição.

Mas o que são verbos transitivos ?

Os verbos transitivos, como o próprio nome diz, são verbos que transitam de uma pessoa para uma coisa, de uma pessoa para outra pessoa, de uma pessoa para um animal.

A palavra transitivo vem do latim transitivus, transitare, que significa passar, decorrer.
Portanto o verbo transitivo é aquele que transita, ou passa de uma pessoa para outra pessoa, coisa ou animal, ou melhor que precisa de um complemento para ter um significado.

Se eu disser : "eu comprei" você me dirá: "comprou o quê ?"
o verbo comprar precisa de um complemento, então ele é um verbo transitivo.



Quem confia, confia em alguém ou em alguma coisa, portanto o verbo confiar é transitivo.

Os verbos intransitivos, ao contrário, não requerem complemento. Ele não transita, tem sentido definido.

Ex: a criança dormiu. O verbo dormiu não requer complemento.
João caiu!  O verbo cair também não precisa complemento. Você pode até perguntar: Caiu onde ? ou caiu como ?. Mas o simples fato de falar que alguém caiu, o interlocutor já vai entender a ação.



Fontes:

www.flip.pt/FLiP-On-line/Gramatica/Morfologia
www.coladaweb.com/portugues/verbos-transitivos
www.recantodasletras.com.br/gramatica
brasilescola.uol.com.br/gramatica/objeto-direto-objeto-indireto

quarta-feira, 8 de março de 2023

 8 é comemorado o Dia Internacional da Mulher.


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A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (naa maioria, judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.


                         A Thousand years - Cristina Perri



Desde o final do século XIX ,no entanto,  organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.







O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.


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Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.


Cor de rosa choque - Rita Lee



Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

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Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países, mas uma data específica em si não determina avanços que devem ser alcançados durante o ano inteiro. Cada vez que uma mulher é agredida fisicamente, moralmente ou sexualmente, essa agressão deve ser considerada contra todas as mulheres. Hoje Leis como  "Maria da Penha" e delegacias específicas para mulheres já atenuam um pouco o problema, mas o ideal seria o dia em que não precisássemos de Leis para igualar os Direitos.


Protestos das sufragistas pelo direito de votar nos Estados Unidos em 1913

A luta e as reivindicações que sempre partiram de movimentos progressistas devem ser encampados por todas as mulheres de todas ideologias políticas e de fé.

A morte da vereadora Marielle Franco completa dois anos no próximo dia 14 de março e até agora não foram identificados os mandantes.

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Fontes:
novaescola.org.br
bbc.com/portuguese
wikipedia.org
google.com
youtube.com

Outro clássico da literatura mundial é "A religiosa" de Denis Diderot, escrita em 1760.


Denis Diderot, escritor e filósofo francês, nasceu em Langres em 8 de outubro de 1713, e morreu em Paris em 31 de julho de 1794.

Educado num colégio jesuíta, foi um aluno dedicado e brilhante, recebendo sólida educação humanística.




Suzanne Simonin é uma jovem burguesa forçada por seus pais a realizar os votos religiosos. O motivo que a leva a ser enclausurada em seu primeiro convento é, desde o início, imposto externamente: o pretendente e futuro marido de sua irmã mais velha direcionava gracejos à jovem Suzanne, a qual prontamente advertiu sua mãe sobre o despudor do rapaz . Senhora Simonin, visando garantir o casamento da filha mais velha, afasta Suzanne do ambiente familiar encaminhando-a ao convento de Sainte-Marie. Em meio a este drama familiar, dois episódios contíguos marcam a passagem da jovem religiosa em seu primeiro convento: a visão da loucura como efeito da vida claustral e a primeira recusa dos votos.


" Marie-Suzanne Simonin, prometeis dizer a verdade ?
 -  Prometo
- É de bom grado e de livre e espontânea vontade que estais aqui ?
- Eu disse não; mas as que me acompanhavam disseram, por mim, sim.
- Marie-Suzanne Simonin, prometeis a Deus castidae, pobreza e obediência ?
- Hesitei um momento; o padre esperava; e respondi:
Não senhor!" (A religiosa - p.47)


Além disso, devido à sua origem bastarda a mãe temia que mais tarde, Suzanne reivindicasse a herança da família.

" Tanta desumanidade, tanta obstinação por parte de meus pais acabaram por certificar-me sobre o que eu suspeitava a respeito de meu nascimento; nunca pude encontrar outro meio de escusá-los. Minha mãe temia aparentemente que eu viesse um dia a pedir a partilha dos  bens..."  (p.49)


Depois de professar, Suzanne recorre à Justiça para romper seus votos, perde o processo, acaba evadindo-se do convento, refugia-se em Paris, pede socorro ao marquês de Croismare, que supostamente se interessara por ela durante a ação judicial, e para ele escreve sua história, em forma de memórias.






Um argumento simples: uma religiosa sem vocação, em luta contra a sentença do destino.

Trata-se de um romance anticlerical ? Mais que isso, anticristão? O romance não prega a antirreligião, nem o anticristaníssimo, nem sequer o anticlericalismo. O alvo principal de Diderot, segundo suas próprias  declarações, é a instituição do claustro. Contra os conventos, o romance sustenta duas acusações diferentes, ambas materialistas: a de serem cúmplices de uma ordem social e política iníqua e a de fundarem-se num regime que contesta a ordem da natureza. Para Diderot, a sociabilidade é o mais forte pendor da natureza humana.


Diderot chama a atenção para a obrigatoriedade da vida enclausurada e a hipocrisia entre a religião e a moral cristã.




Outra leitura mais recente, de Catherine Cusset, no romance Diderot examinaria “as relações entre o corpo, a razão e o imaginário” e redefiniria sua noção de liberdade. É por intermédio do corpo que as jovens religiosas e as superioras enlouquecem.

A essa linguagem afetiva que vem do corpo se opõe “a linguagem racional” dos personagens masculinos. O poder dos homens se exerce pela palavra regida por um código, o da justiça humana ou divina. Ora, contra “a alienação histérica” e as paixões desregradas, Suzanne alia-se à “lei”, à civil ou àquela que rege a vida monástica. Essa espécie de “ceticismo racional” a leva a resistir a todas as seduções. A instituição monástica é desumana porque contraria aquilo que Diderot chama de “a inclinação geral da natureza”, “os germes das paixões”, “a natureza” ou “a economia animal”.


Suzanne é não só uma religiosa exemplar como desconhece completamente a “economia animal”, sobretudo na última parte do livro, quando Diderot insiste em sua “inocência”. Para Cusset, não se pode explicar esse “paradoxo” com a alegação de que Diderot escolheu uma personagem pura de qualquer desejo a fim de tornar moralmente inatacável seu desejo de liberdade. Essa “incoerência” se aprofundará justamente no convento de Saint-Eutrope, quando o bem e o mal, até então claramente distinguidos, passam a se confundir. A relação da heroína com a superiora já não é mais uma simples relação de poder, mas uma relação de desejo. É por intermédio do olhar inocente de Suzanne, Diderot se põe a descrever cenas de prazer, fazendo de -A religiosa- um “romance erótico” e do leitor uma espécie de voyeur.




O romance pode ser lido, assim, como o estudo clínico que prova como a clausura leva necessariamente ao desarranjo da “delicada máquina” humana. 

" Fazer voto de pobreza é dedicar-se por juramente a ser preguiçoso e ladrão;  fazer voto de castidade é prometer a Deus a infração constante da mais bela e mais importante de suas leis; fazer  votos de obediência é renunciar à prerrogativa inalienável do homem, a liberdade." (p.115)



Diante da resistência de Suzanne, a supersticiosa e despótica madre Cristina entrega-se a uma fúria que tem sido comparada às figuras do marquês de Sade; madre de Moni,   sucumbe cada qual a seu modo: a superiora iluminada, a quem o dom de consolação jamais faltara, não resiste à absoluta falta de vocação de Suzanne, interpretando-a como o insondável ocultamento de Deus; quanto à libertina, ela se perde diante da inocência e virtude inflexíveis de Suzanne: enlouquece, primeiro de amores, em seguida aterrorizada pelas penas do inferno.

" Não , não é necessário que te levantes , afasta somente um pouco a coberta, a fim de que me aproxime de ti. Querida madre, tornei, mas isso é proibido. Que diriam se o soubessem? Vi religiosas em penitência por coisas menos graves."


"Aqui, as memórias da irmã Susana interrompem-se. O que se segue são simples notas que, muito possivelmente, se propunha usar no resto do seu relato. Parece que a sua superiora enlouqueceu, e é a esse infeliz estado que é preciso aplicar os fragmentos que vou transcrever. Depois desta confissão tivemos alguns dias de serenidade. A alegria voltou a entrar na comunidade e por causa disso fazem-me cumprimentos que eu rejeito com indignação. Ela não me evitava; observava-me, mas a minha presença já não parecia causar-lhe transtorno. Eu tentava esconder o terror que me inspirava desde que, por uma feliz ou fatal curiosidade, tinha aprendido a conhecê-la melhor. Depressa se tornou silenciosa; só diz sim ou não; passeia sozinha. Recusa os alimentos. O sangue aquece-lhe,  fica com febre, e o delírio sucede à febre. Sozinha na sua cama, vê-me, fala-me, convida-me a aproximar-me e dirige-me as frases mais ternas. Se ouve alguém próximo do seu quarto, grita: “É ela que passa, são os seus passos, reconheço-os. Chamem-na... Não, não, deixem-na.” (188/189



O conteúdo do livro, diz ele, é de natureza moral e social: o que interessa a Diderot não é a religião, mas “a profissão religiosa” — ou, ainda, as relações da “pessoa humana” com a religião. Mais precisamente, haveria em A religiosa um duplo tema: o das “vocações forçadas” e o da “vida monástica”, tratados de um ponto de vista ao mesmo tempo psicológico e social ou, se quisermos, da perspectiva da moral individual e da moral social.
O alvo principal de Diderot, segundo suas próprias declarações, é assim a instituição do claustro. Contra os conventos, o romance sustenta duas acusações diferentes, ambas materialistas à sua maneira: a de serem cúmplices de uma ordem social e política iníqua e a de fundarem-se num regime que contesta a ordem da natureza.
Quanto à primeira denúncia, Diderot detém-se no tema da vocação. Não é por um movimento espontâneo que a maioria das moças assume a vida monástica, mas por “coação familiar”, por questões de honra e dinheiro. Ainda segundo Mauzi, eis um dos pontos precisos em que se detém a cólera de Diderot:

o conluio entre a Igreja e o mundo, entre uma instituição pretensamente sagrada e as preocupações mais profanas, os ódios mais sórdidos. Os conventos tendiam com efeito a se tornar uma maneira de abuso social comparável às lettres de cachet. Era o duplo recurso concedido pelo poder real às famílias da nobreza e da alta burguesia para fazer desaparecer seus filhos indignos, aqueles cuja conduta provocava escândalo ou que um nascimento vergonhoso frustrava de uma plena existência social.



Fontes:

A religiosa, Diderot, Denis - tradução: Antônio Bulhões e Miécio Tati - Editora Abril Cultural  - 1980
aterraeredonda.com.br/a-religiosa/
artepensamento.ims.com.br
google.com
artepensamento.ims.com.br


terça-feira, 7 de março de 2023



Pantomima (do grego antigo παντόμῑμος, transl. pantómīmos: literalmente 'que imita em tudo') é um teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e o maior uso de gestos através da mímica. É a arte de narrar com o corpo. É uma modalidade cênica que se diferencia da expressão corporal e da dança, basicamente é a arte objetiva da mímica, é um excelente artifício para comediantes, cômicos, palhaços, atores, bailarinos, enfim, os intérpretes.






Pode-se dizer que a pantomima é tão antiga quanto a dramaturgia, e ambas têm a mesma origem: Grécia Antiga. Foram encontrados indícios de pantomima também em rituais religiosos sumérios, hindus e egípcios, além dos gregos, há mais de cinco mil anos. 




O imperador romano Augusto promoveu os pantomímicos. Os festivais realizados no Palácio dos Esportes eram assistidos por 40.000 pessoas. Muito foi escrito sobre esse apogeu da pantomima. O poeta Lívio Andrônico é considerado o primeiro one-man-show da história do teatro.


Lívio Andrônico






 Foi inventor da pantomima romana. Ele fez a ponte entre a pantomima grega e a latina. Também vale reportar a citação de Cícero sobre a interpretação de dois grandes pantomímicos romanos, Bathylle e Pylade, quando apresentaram suas versões para a tragédia grega Prometeu, de Ésquilo, - Como se existisse uma língua em cada ponta de seus dedos. Essa foi a pantomima clássica.




O artista que se dedica à pantomima enquanto atuação cênica é conhecido como mimo. Seu ponto de atuação consiste em não fazer uso da linguagem oral durante sua atuação. Alguns mimos conseguem abster-se de produzir qualquer tipo de som.

Os mimos geralmente atuam de forma individual, ou seja, não costumam participar de espetáculos com vários artistas, limitando-se a imitar pessoas ou coisas com a sua mímica.

Durante suas apresentações, a intenção é expressar-se ao máximo apenas utilizando os gestos. Entretanto, ainda que o foco das apresentações de pantomima não sejam as falas, os espetáculos podem incluir números musicais e até mesmo o canto.




Expressão corporal

Lista de alguns exemplos de expressão corporal utilizados na pantomima.Sinal de franqueza: Mãos espalmadas para cima, pode vir com braços abertos;
Sinal de autoridade: Mãos espalmadas para baixo, ou dedo apontado;
Em desacordo ou insegurança: Braços cruzados ou coçar/bater na cabeça ou pernas cruzadas;
Atitude hostil: Braços cruzados fortemente com punhos cerrados;
Resistente: Braços cruzados com as mãos agarrando os braços;
Confiante, porém defensivo: Braços cruzados com os polegares para cima;
Nervosismo: mexendo no punho da camiseta, na bolsa, no relógio, enfim, em algum lugar que possa formar uma barreira entre o mundo exterior e o pantomímico;
Pessoa aberta: Braços paralelos apontando para frente;
Pessoa fechada: braços sobrepostos, cruzando-se, criando uma barreira;
Pessoa tomando decisão: Alisar o queixo;
Pessoa neutra: pernas (em pé ou sentado) em posição de sentido, retas e juntas;
Homem dominador: Pernas abertas;
Pessoa emocionalmente retirada (“no mundo da lua”): Pernas e braços cruzados ao mesmo tempo;
Homem competitivo: Pernas cruzadas com os tornozelos sobre o joelho;
Pessoa reprimida: tornozelos trançados (homem com joelhos afastados, mulheres com joelhos abertos);
Preparado para uma atitude ofensiva ou de ataque: Mãos sobre a cintura;
Se achando “o macho”: Postura de cowboy, isso é, polegares enfiados no cinto, ou no alto dos bolsos;
Controlador ou manipulador: Montar na cadeira, isso é, virar a cadeira, sentar e manter as costas da cadeira na sua frente, apoiando o braço. Sentar ao contrário;
Confiante, pessoa que acha que tem o segredo do sucesso: Catapulta, ou seja, mãos na nuca da cabeça, sentado com as pernas cruzadas com o tornozelo sobre o joelho;
A postos: sentado, inclinar-se para frente com as mãos no joelhos;
Fumante confiante, superior, positivo: Baforada para cima;
Fumante negativo, reservado, desconfiado: Baforada para baixo;
Pessoa que usa óculos e quer ganhar tempo: Um braço da armação na boca;
Pessoa intimidadora que usa óculos: Olhar por cima dos óculos.






Na  era do cinema mudo os atores se faziam interpretar através da pantomima, um dos ícones foi o personagem Carlito de Charles Chaplin.

Tempos modernos 1936




Além Stan Laurel e Oliver Hardy, o gordo e o magro.







O herói do navio - 1927






Fontes:

wikipedia.org
google.com
significados.com.br
youtube.com

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