terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 Teogonia de Hesíodo




Hesíodo foi um dos maiores poetas gregos da Idade Arcaica. Viveu aproximadamente no ano 800 a.C. na Beócia, no centro da Grécia. Passou parte de sua vida na sua cidade natal, a aldeia de Ascra.





Sua obra se encontra ao lado da de Homero, e os dois se destacam por serem os pilares da cultura grega antiga.

De acordo com as informações dadas pelo próprio poeta, na obra Trabalhos e Dias, depois da morte do pai, entrou em confronto com seu irmão Perses, pois este corrompeu os juízes locais e tomou a maior parte da herança que correspondia aos dois. Esse fato marcou sua vida e, em suas obras, Hesíodo enaltece a virtude da justiça, cujo símbolo atribui a Zeus.





Na obra Teogonia, Hesíodo descreve a criação do mundo e a seguir relaciona, cronologicamente, cada uma das gerações divinas.

Após um hino às Musas, Hesíodo relata como as deusas inspiraram seu canto ao cuidar de ovelhas perto do Monte Hélicon. As musas então deram a ele um conhecimento sobrenatural capaz de conhecer as coisas presentes, passadas e futuras e ensinaram-no a cantar, para que ele cantando celebrasse os deuses imortais, as façanhas dos homens antigos e também a elas próprias no começo e no fim das canções.

Segue-se, daí, a narração a origem dos primeiros deuses, que personificavam os elementos primordiais do Universo: Caos, o vazio primitivo; Gaia, a terra; Eros, a atração amorosa.

Os descendentes imediatos são também relacionados: Hemêra, o dia; Nix, a noite; Urano, o céu; Ponto, a água primordial.

Há três grandes linhagens divinas: a descendência do Caos, a do Mar e a do Céu. Do Caos provêm todos os males que atormentam a vida humana; os mais importantes deles são os terríveis filhos da deusa Noite. Na família do deus Mar há monstros de estranhas formas, que habitam as águas marinhas e as regiões subterrâneas. Na família do Céu há a sucessão dos reis divinos Cronos e Zeus









O Livro a Teogonia de Hesíodo, tradução do Professor Doutor José Antônio Alves Torrano da FFLCH USP, de quem tive o privilégio de ser aluno de Literatura Grega - Letras USP,  traz, segundo o Professor Torrano, um documento do pensamento religioso grego, sob quatro aspectos interligados, a saber:


1)A noção mítica da linguagem como manifestação divina. As Deusas Musas, filhas de Zeus e de Mnemosýne ("Memória"), manifestam-se no canto e na dança e em forma de canto e de dança. Elas constituem o fundamento transcendente dos cantos e, ao mesmo tempo, a garantia divina da verdade que nesses cantos se revela. 

2)A noção mítica da verdade como "revelações" (alethéa). A epifania das Musas a Hesíodo coloca em termos míticos o problema lógico e ontológico da verdade. Entre "muitas mentiras símeis aos fatos", as Musas, quando querem, sabem dizer a verdade, ou melhor: "revelações" (alethéa). Quem poderia distinguir entre tais "mentiras" e "revelações"? - Para a piedade hesiódica, a Verdade é um dom dos Deuses, e assim depende da vontade deles se ela se apresenta ou não aos homens -, mas, apresentando-se, ela traz consigo o sinal inequívoco de sua autenticidade: o esplendor divino. Quem poderia jamais deixar de percebê-lo, se assim querem as Deusas? 

3)A noção mítica do tempo como temporalidade da Presença divina. Os gregos hesiódicos vivem na proximidade dos Deuses, num tempo cujos dias não se deixam medir por quaisquer números, pois cada dia então se mostra com as características e qualidades mesmas do Deus que nesse dia se manifesta e se comemora. 





4)A noção mítica do mundo como um conjunto único, uno e múltiplo de teofanias. O mundo, para os gregos hesiódicos, é um conjunto único de inesgotáveis aparições divinas (teofanias); no entanto, é um mundo lógico, em termos míticos e na lógica própria do pensamento mítico - um mundo real e perigoso, que se deixa conhecer através das genealogias divinas, das linhagens e famílias de Deuses ciosos de suas prerrogativas e vigilantes de que elas sejam observadas.




Há na Teogonia duas formas de procriação: por união amorosa e por cissiparidade (relação assexuada). 

Mais tarde na mitologia cristã, a cissiparidade volta a ser descrita no Novo Testamento.




Os primeiros seres nascem todos por cissiparidade: uma Divindade originária biparte-se, permanecendo ela própria ao mesmo tempo que dela surge por esquizogênese uma outra Divindade. Assim Érebos e Noite nasceram do Kháos (v. 123). Assim Terra primeiro pariu igual a si mesma o Céu constelado, pariu as altas Montanhas e depois o Mar infértil (vv. 126-32). Toda a descendência de Kháos nasce por cissiparidade, exceto Éter e Dia, que constituem exceção também por serem dentro desta linhagem os únicos positivos e luminosos. Tudo o que provém de Kháos pertence à esfera do não-ser; todos os seus filhos, netos e bisnetos (exceto Éter e Dia) são potências tenebrosas, são forças de negação da vida e da ordem. Seus filhos são Érebos e Noite. Érebos é uma espécie de antecâmara do Tártaro e do reino do que é morto. Noite, após parir Éter e Dia unida a Érebos em amor, procria por cissiparidade as forças da debilitação, da penúria, da dor, do esquecimento, do enfraquecimento, da aniquilação, da desordem, do tormento, do engano, da desaparição e da morte — em suma, tudo o que tem a marca do Não-Ser. Estas potências negativas, toda a linhagem de Kháos, são geradas por cissiparidade; Éter e Dia, potências positivas, são exceções desta linhagem e geradas por união amorosa.



O poeta também descreve a Criação do Mundo e dos Deuses. como Cronos assumiu o poder e inadvertidamente deu origem a Afrodite, deusa do amor sensual; relaciona os descendentes de Nix, entre eles Tânato, a morte, Hipno, o sono, e Morfeu, o sonho.

Os descendentes de Ponto, entre eles Nereu, o mais antigo deus do mar e pai das nereidas e Fórcis, progenitor de monstros como as Górgonas, Equidna, com tronco de mulher e cauda de serpente, e a Esfinge.

Os descendentes de Oceanos, entre eles os rios e fontes, as ninfas da terra firme, os ventos, Métis, a sabedoria, e Hélio, o sol; os descendentes de Ceos, especialmente Hécate, a dádiva.






Uma profecia da Terra e do Céu avisara de que era destino de Cronos ser destronado por um filho e ele engolindo-os prevenia-se.

Quando Réia, sua esposa, devia dar à luz Zeus, ela suplicou a seus pais, Terra e Céu, que lhe aconselhassem um refúgio para que ela pudesse salvar esse filho. Eles atenderam ao seu pedido e, encoberta pela noite, Réia escondeu seu filho em uma gruta em Creta, confiando-o à deusa Terra, para que ela o nutrisse e criasse. Seguindo as instruções de seus pais, Réia envolveu uma grande pedra em um pano e entregou-a a Cronos. O deus, implacável, engoliu-a, sem desconfiar de nada.

Zeus cresceu rapidamente, libertou das prisões subterrâneas os seus tios paternos Ciclopes e Centímanos, e aliando-se a eles travou contra seu pai Cronos a luta pelo poder. Vencido, o velho deus Cronos vomitou primeiro a pedra por último engolida. Zeus a cravou em Delfos, para que os homens mortais aí a admirassem.





Fontes:
assisprofessor.com.br
infoescola.com
google.com
wikipedia.org
mundoeducacao.uol.com.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Hoje 7 de dezembro foi o dia do ataque japonês à base americana de Pearl Harbor.



Em 7 de dezembro de 1941, incrivelmente, a frota japonesa composta de 6 porta-aviões e mais de 400 navios, viajou milhares de quilômetros sem ser percebida pelas forças americanas.

Muito já se falou à respeito do ataque do Japão, filmes foram feitos contando a história.




O número de mortos oficial foi de 2403 militares e 68 civis mortos; talvez um número subestimado de mortos.

Foram de 5 navios afundados e vários outros danificados além da destruição de 188 aviões.



Presidente Roosevelt



O presidente americano Franklin D. Roosevelt conclamava o povo americano à guerra na Europa mas seus pedidos não eram bem aceitos pela população e pelo Congresso. A partir daí surgiram inúmeros relatos de que o ataque foi "desejado" pelo governo para que assim pudessem declarar a tão esperada guerra ao Eixo.






"O que é ensinado às crianças nas escolas: “Na manhã de domingo, 07 de dezembro de 1941, os japoneses lançaram um ataque surpresa contra Pearl Harbor, que dizimou a frota americana no Oceano Pacífico e forçou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra Mundial.” 






"Mas, com exceção para a data, tudo o que você acabou de ler é uma farsa. Na realidade, não houve ataque furtivo. A Frota do Pacífico estava longe de ser destruída. E, além disso, os Estados Unidos fez um grande esforço para facilitar o ataque".

"No dia 27 de janeiro de 1941, Joseph C. Grew, o embaixador dos EUA para o Japão, enviou uma mensagem para Washington afirmando que ele tinha descoberto que o Japão estava se preparando para ataca Pearl Harbor". 

"Em 7 de outubro de 1940, um dos conselheiros militares de Roosevelt, o tenente-comandante Arthur McCollum, escreveu um memorando detalhando um plano de 8 etapas que provocaria o ataque do Japão aos Estados Unidos".




"Algumas dessas expedições, em particular a mensagem do almirante Yamamoto, não deixou dúvidas de que Pearl Harbor era o alvo de um ataque japonês: “A força-tarefa, mantendo o seu movimento estritamente secreto e mantendo estreita guarda contra submarinos e aviões, deve avançar para as águas havaianas, e, para abrir as hostilidades, deve atacar a principal força da frota dos Estados Unidos e aplicar um golpe mortal. O primeiro ataque aéreo está previsto para a madrugada de X-dia – data exata a ser dada pela ordenança mais tarde”.






"Inclusive, na mesma noite antes do ataque, a inteligência dos EUA decodificou uma mensagem apontando para domingo de manhã, como o prazo estabelecido para algum tipo de ação japonesa". 

A mensagem foi entregue ao alto comando em Washington mais de quatro horas antes do ataque a Pearl Harbour.

Essas conclusões foram extraídas do Jornal GGN numa reportagem do jornalista  Luís Queiros de 17.01.2015, baseado em reportagens do Jornal americano The Washington Post, além de investigações do Congresso dos EUA com suas atas extraídas do site americano archive.org e o site historynet.com.

De qualquer forma os porta-aviões americanos e a maioria de sua frota não estavam em Pearl Harbor e em termos militares o ataque não foi tão devastador assim, apesar do grande número de vítimas.

Enfim o ataque aconteceu há 79 anos. A partir dele os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, como queria Roosevelt. O resto pode ser outra teoria da conspiração como no caso do ataque de 11 de setembro de 2001.


Fontes:
seuhistory.com
wikipedia.,org
google.com
historiadomundo.com.br
historynet.com
archive.org
mundoeducacao.uol.com.br

domingo, 6 de dezembro de 2020



Um dos líderes da Revolta da Chibata, João Cândido Felisberto, também chamado de Almirante Negro, morria, aos 89 anos, em um dia como este, no ano de 1969, no Rio de Janeiro. Ele liderou a revolta da Chibata, que denunciou o uso sistemático da violência dentro da Marinha do Brasil contra marinheiros de baixa patente. Entre as reivindicações dos rebelados estavam o fim dos castigos físicos contra os marinheiros, melhor alimentação e a adoção da lei de ajustes de horários, aprovada pelo Congresso.




A gota d´água para o movimento foi a punição de 250 chibatadas imposta ao cabo Marcelino Rodrigues, condenado por ferir um marinheiro a bordo do Minas Gerais, embarcação que foi capturada pelos revoltados. No dia 22 de novembro de 1910, o grupo liderado pelo cabo João Cândido tomou o controle do navio, matou o comandante e mais três resistentes ao movimento, causando pânico geral na cidade do Rio de Janeiro. Como o levante havia sido planejado, outros navios aderiram ao movimento: o Bahia, o São Paulo e o Deodoro. Os marinheiros viraram os canhões dos navios em direção ao Rio de Janeiro e forçaram o presidente Hermes da Fonseca a negociar com os rebeldes. A revolta terminou no dia 26 de novembro, com o anúncio de uma trégua: foi prometido o fim dos castigos físicos e também a anistia dos rebeldes.




Porém, depois que os marinheiros entregaram as armas, eles foram traídos pelo governante, que expulsou os revoltosos das Forças Armadas. A traição resultou em outro levante, em dezembro, na Ilha das Cobras. Contudo, esta última não teve grande apoio, e os revoltosos foram massacrados. Dois anos depois, os marinheiros presos que sobreviveram às torturas foram absolvidos. Após as rebeliões, finalmente, o governo deu fim às punições físicas em alto mar e aprovou melhorias na condição de trabalho dos marinheiros. João Cândido, o líder da Revolta da Chibata, conseguiu anistia. Apesar de seu feito heroico, morreu anônimo e pobre, como carregador de peixes no Rio, em 1969. A conhecida música "O Mestre-sala dos mares", de João Bosco e Aldir Blanc, foi composta em homenagem a João Cândido.

A música também presta homenagem a Manoel Olímpio Meira, o Jacaré, que de jangada fez uma viagem de Mucuripe, Fortaleza para a cidade do Rio de Janeiro, para prestar queixas das péssimas condições de trabalho e de vida dos pescadores cearenses.

Mestre Manoel Olimpio de Meira, o Jacaré, Mestre Jerônimo, Tatá, e Mané Preto


Mestre sala dos mares
João Bosco e Aldir Blanc




Fontes:
seuhistory.com
youtube.com
google.com
marsemfim.com.br

sábado, 5 de dezembro de 2020

 Vamos falar do romance Lord Jim de Joseph Conrad.



Em nota no começo do livro o autor diz:

"Quando este romance apareceu pela primeira vez em volume, espalhou-se que eu me deixara dominar pelo assunto. Críticos afirmaram que a obra, destinada a fornecer uma curta novela, tinha escapado ao controle de seus autor; e alguns pareceram mesmo comprazer-se em descobrir as provas certas de tal fato.
Fundavam-se na duração da narrativa, pretendendo que nenhum homem poderia falar tão longamente, nem tampouco prender por tanto tempo a atenção de um auditório. Não era coisa muito crível."


Jim é um jovem ambicioso e sonhador, em busca de fama e sucesso que entra para marinha mercante. Começa a servir no navio Patna que conduz grande números de muçulmanos para Meca. No caminho o navio sofre um acidente e começa a naufragar. Junto com os demais tripulantes ele foge e deixa os passageiros à própria sorte.

O navio se salva, mas ele é desonrado e expulso da marinha e vive em eterno conflito e culpa pelo ocorrido.

Joseph Conrad


Joseph Conrad um polonês naturalizado inglês tem entre outras características o esmiuçar das contradições humanas, e não é diferente em Lord Jim livro publicado em 1900.

O jovem Jim passa a vida se arrependendo de um ato impensado cometido num momento de desespero e medo.

Chegados a Singapura, os colegas de Jim ­fogem ao julgamento por deserção, deixando-o só a assumir a ­responsabilidade de um processo que o mancha para o resto da ­vida. Marlow assiste às audiências, interessa-se pelo jovem­ e procura ajudá-lo, arranjando-lhe um emprego: oferece-lhe ­uma segunda oportunidade que lhe proporcionar uma hipótese ­de redenção.

Jim recebe uma segunda oportunidade. A chance de redenção vem quando ele é oferecido um trabalho perigoso: transporte de pólvora e rifles pelo rio para uma aldeia que esta se defendendo contra bandidos. Jim lidera a luta, ganhando a gratidão dos moradores.


A edição que tenho tem a tradução de Mário Quintana.

O livro foi transformado em filme de 1965 com direção de Richard Brooks com Peter O´Toole, Daliah Lavi e James Mason.

Lord Jim trailer






Fontes:



wikipedia.org
google.com
leitordeprofissao.blogspot.com
portaldaliteratura.com
escritashbarbas.pbworks.com

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020



Em 4 de dezembro de 1942, em Varsóvia, cristãos poloneses colocaram suas próprias vidas em risco quando estabeleceram o Conselho de Assistência aos Judeus. O grupo foi liderado por duas mulheres, Zofia Kossak e Wanda Filipowicz.


Zofia Kossak e Wanda Filipowicz



Desde a invasão alemã da Polônia, em 1939, a população judaica havia sido assassinada ou levada para guetos e campos de concentração e trabalho. Casas e lojas judaicas foram confiscadas e sinagogas foram incendiadas. A notícia sobre o destino desses judeus finalmente veio à tona em junho de 1942, quando um jornal alternativo de Varsóvia noticiou que dezenas de milhares de judeus estavam sendo mortos em Chelmno, um campo de concentração na Polônia – quase sete meses após o início do extermínio.


Judeus indo para o Gueto de Varsóvia


Apesar do crescente conhecimento público da “Solução Final”, o extermínio em massa dos judeus europeus e a expansão das redes de campos de exterminação na Polônia, muito pouco foi feito para combater esses horrores. Fora da Polônia, havia apenas discursos raivosos de políticos e promessas de represálias pós-guerra. Na Polônia, poloneses não judeus também eram objetos de perseguição e trabalho forçado pelas mãos dos invasores nazistas. Sendo eslavos, eles também eram considerados “inferiores” aos alemães arianos. 


Gueto de Varsóvia




Mas isso não deteve Zofia Kossak e Wanda Filipowicz, duas polonesas cristãs que estavam determinadas a fazer o que pudessem para proteger seus vizinhos judeus. Não se sabe ao certo se a missão de Kossak e Filipowicz foi bem-sucedida, mas somente o fato de terem criado o Conselho já evidencia que algumas almas corajosas estavam dispostas a arriscar a vida para ajudar os judeus perseguidos.

Zegota era o codinome secreto do Conselho de Ajuda aos Judeus. Foi criado por meio dos esforços de duas
mulheres católicas polonesas: Zofia Kossak e Wanda Krahelska-Filipowicz, ambas dedicadas à missão de ajudar a
proteger os judeus da perseguição alemã. Ambas as mulheres eram ativistas há muito tempo e eram extremamente bem relacionadas com membros importantes da Resistência polonesa, que também estavam envolvidos na mesma missão. 

Juntos, eles formaram uma rede formidável. Grande parte do financiamento que receberam veio do governo polonês no exílio em Londres, bem como de outras fontes.



Elas, no entanto, não estavam sozinhas. Apenas dois dias após a criação do Conselho, a SS trancou 23 homens, mulheres e crianças em celeiros e cabanas e os queimou vivos. A acusação: todos eram suspeitos do crime de abrigar judeus. 

Apesar da bravura de alguns cristãos poloneses e combatentes judeus nos guetos de Varsóvia, que se rebelaram em 1943 (alguns dos quais tendo se refugiado em lares de vizinhos cristãos), a máquina de morte nazista se mostrou esmagadora. A Polônia se tornou um campo de morte não somente para judeus poloneses, mas de grande parte da Europa: aproximadamente 4,5 milhões de judeus foram mortos nos campos de extermínio da Polônia no final da guerra.


Revolta do Gueto de Varsóvia



Fontes:
seuhistory.com
google.com
www.polishgreatness.com/zegota

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Vamos abordar hoje um tema importante na Língua Portuguesa, especialmente em fonética, as consoantes bilabiais.





As consoantes bilabiais são as consoantes que têm o som formado pelo encontro dos lábios (lábio contra lábio): /p/, /b/, /m/.

É aquela em que a obstrução à passagem do ar resulta do movimento de um lábio contra o outro. Ex: quando pronunciamos a letra M, há o encontro com os lábios para que possa sair o som.

Então como a consoante M e as consoantes B e P são todas bilabiais esse é o motivo que antes de B e P usamos a consoante M e não a consoante N.





Classificação quanto ao modo de articulação:

1 - Consoantes oclusivas

As consoantes oclusivas são pronunciadas com o aparelho fonador fechado, bloqueando a saída do ar.

Exemplos: /p/, /b/, /m/.

2 - Consoantes constritivas

As consoantes constritivas são pronunciadas com o aparelho fonador fechado, bloqueando parcialmente a passagem do ar. Elas são classificadas em fricativas, laterais, vibrantes ou nasais.

Fricativas – São as consoantes pronunciadas a partir da fricção do ar em um obstáculo.

Exemplos: /f/, /v/, /s/, /z/, /x/, /j/.

Laterais – São as consoantes pronunciadas a partir da passagem do ar pelo canto da boca.

Exemplos: /l/, /lh/.

Vibrantes – São as consoantes pronunciadas a partir da vibração de algum dos elementos do aparelho fonador.

Exemplos: /r/, /rr/.

Nasais – São as consoantes pronunciadas a partir da saída do ar pelo nariz.

Exemplos: /m/, /n/, /nh/.

Classificação quanto ao ponto de articulação:

O ponto de articulação é o lugar onde a corrente de ar é articulada: nos lábios, nos dentes, no palato, entre outros.

Bilabiais – São as consoantes pronunciadas a partir do contato entre o lábio superior e o lábio inferior.

Exemplos: /p/, /b/, /m/.

Dentais – São as consoantes pronunciadas pelo contato entre a língua e os dentes.

Exemplos: /t/, /d/.

Alveolares – São as consoantes pronunciadas pelo contato entre a língua e os alvéolos dos dentes.

Exemplos: /s/, /z/, /l/, /r/, /rr/.

Labiodentais – São as consoantes pronunciadas pelo contato entre os lábios e a arcada superior dos dentes.

Exemplos: /f/, /v/.

Palatais – São as consoantes pronunciadas pelo contato entre a língua e o palato (dorso da língua + céu da boca).

Exemplos: /x/, /j/, /lh/, /nh/.

Velares – São as consoantes pronunciadas pelo contato entre a parte traseira da língua e o véu palatino (parte superior da língua + palato mole).

Exemplos: /k/, /g/.





Fontes:
portuguese.stackexchange.com
wikipedia.org
preparaenem.com
google.com

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Vamos falar hoje do romance autobiográfico "Memórias do Cárcere" de Graciliano Ramos.




Graciliano Ramos nasceu em 27 de Outubro de 1892 em Quebrangulo, Alagoas.

Entre 1914 e 1915 trabalha no Rio de Janeiro em diversos jornais e se vê obrigado a retornar para Alagoas devido à morte de seus irmãos pela peste bubônica.

Em 1928 assume a prefeitura de Palmeiras dos Índios em Alagoas e em 1936 é preso sem acusação formal devido a sua simpatia por ideais do Partido Comunista Brasileiro, na esteira das inúmeras prisões ocorridas devido a chamada "Intentona Comunista" de 1935.


Graciliano Ramos



Dessa prisão de 1936 a 1937 na Ilha Grande , Rio de Janeiro, nasce a obra "Memórias do Cárcere" escrita 10 anos após a prisão e publicada após a sua morte em 1953.


“O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamos de cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, fantasmas prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolhermo-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas ideias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas”




Escrito em quatro volumes (sem o capítulo final, pois Graciliano faleceu antes de concluí-lo), Memórias do Cárcere narra acontecimentos da vida de Graciliano Ramos e de outras pessoas que estiveram presas durante o Estado Novo. A narrativa é amarga, mas sem exageros ou invenções, nessa obra Graciliano Ramos é fiel aos acontecimentos. Se há amarguras e sordidez, é porque as situações vividas foram sórdidas e amarguradas.

A narrativa de Graciliano Ramos, pela exposição de motivos contida no capítulo de abertura da obra, dá ao texto uma autenticidade autobiográfica, sobretudo se a ela somarmos a "explicação final" de Ricardo Ramos, na qual ficam esclarecidas as dificuldades que impediram o autor de dar definitivamente o texto por concluído. Essa narrativa, característica do relato autobiográfico, oferece a típica junção autor-narrador-personagem, sendo possível percebê-la como resultado da experiência vivida, o que aproxima Graciliano Ramos da noção de narrador clássico.

'Realmente há entre os meus companheiros sujeitos de mérito, capazes de fazer sobre os sucessos a que vou referir-me obras valiosas. Mas são especialistas, eruditos, inteligências confinadas à escrupulosa análise do pormenor, olhos afeitos a investigações em profundidade. Há também narradores, e um já nos deu há tempo excelente reportagem, dessas em que é preciso dizer tudo com rapidez. Em relação a eles, acho-me por acaso em situação vantajosa. Tendo exercido vários ofícios, esqueci todos e assim posso mover-me sem nenhum constrangimento. [...] Posso andar para a direita e para a esquerda como um vagabundo, deter-me em longas paradas, saltar passagens desprovidas de interesse, passear, correr, voltar a lugares conhecidos. Omitirei acontecimentos essenciais ou mencioná-los-ei de relance, como se os enxergasse pelos vidros pequenos de um binóculo; ampliarei insignificâncias, repetidas até cansar, se isto me parecer conveniente.'
O período em que se passa a ação é a década de 30, após a revolução tenentista e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder culminando com o Estado Novo de 1937 a 1945. Um período onde imperava o autoritarismo e a opressão.

Graciliano Ramos é também o autor de Caetés, São Bernardo, Angustia e Vidas Secas.


Fontes:
passeiweb.com
wikipedia.org
google.com
record.com.br
dhnet.org.br
algosovbre.com.br


Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...