sexta-feira, 17 de março de 2023

David Nasser, foi um jornalista e compositor. Ao lado de Herivelto Martins compôs a belíssima "Atirastes uma pedra".



Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil





David Nasser, nasceu em Jaú, São Paulo, em 1 de janeiro de 1917 e morreu no Rio de Janeiro em 10 de dezembro de 1980.

Filho de imigrantes libaneses, foi mascate, vendedor de loja, até que um dia conheceu o grande Francisco Alves.



Como teve meningite quando criança, dedicou-se a ler e escrever histórias. Começou a trabalhar aos 14 anos, em 1934 como contínuo das empresas Diários Associados de Assis Chateaubriand. O conglomerado jornalístico reunia no mesmo prédio a redação dos jornais "Diário da Noite" e "O Jornal", e a revista "O Cruzeiro".




Aos poucos, tornou-se jornalista das empresas dos Diários Associados. Iniciou-se profissionalmente depois do golpe do Estado Novo de Getúlio Vargas em 1937, e segundo livro "Cobras criadas", de Luís Maklouf Carvalho, David Nasser apoiou a ditadura Vargas e fez parte do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) da ditadura Vargas.

Como jornalista fazia de tudo por uma boa manchete. ''Como se vê, escrúpulo, ética, compromisso com a verdade e profissionalismo no exercício da profissão passaram ao largo da carreira de David Nasser." (Cobras criadas)




Uma das reportagens mais famosas da dupla foi “Barreto Pinto sem máscara”, publicada em 29 de junho de 1946. Exibia o deputado federal Edmundo Barreto Pinto, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), trajando cueca samba-canção e fraque. O deputado acabaria cassado por quebra de decoro parlamentar. Na versão de Barreto Pinto, a dupla havia prometido que só usaria a imagem da barriga para cima, como conta Luiz Maklouf Carvalho, no livro Cobras Criadas, que descreve a carreira da dupla em O Cruzeiro.





Como “grande ilusionista” do jornalismo, Nasser escreveu sobre uma visita que fez junto com Manzon a aldeia xavante, onde os índios teriam sido fotografados pela primeira vez. A matéria trazia 26 fotos em 20 páginas. O fato é que eles nunca chegaram perto dos indígenas. Duvida-se até mesmo que Manzon tenha de fato feito as fotos. O material teria sido aproveitado de um filme feito pelo DIP, departamento de propaganda do Estado Novo, onde Manzon havia trabalhado.





A dupla conseguiu fotografar May-lin Soonn Chiang, mulher de Chiang Kai-shek, o líder chinês, que esteve no Brasil em 1944. Era um furo. Ao que se apura, o próprio David Nasser, vestido de mulher, se fez passar pela chinesa. Numa ”reportagem” de 1944 (43 dias nas selvas amazônicas), ele diz ter passado longa temporada na selva, sem ter colocado os pés fora do Rio de Janeiro.

Para concorrer com Nelson Rodrigues, que publicava o folhetim Meu Destino É Pecar, em O Jornal, sob o pseudônimo de Suzana Flag, David Nasser inventou uma personagem para o Diário da Noite, outra publicação dos Diários Associados: Giselle – A Espiã Nua Que Abalou Paris. O Diário da Noite anunciou que comprara “com exclusividade” as memórias da bela mulher que dormia com nazistas obtendo informações para as forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Para garantir a verossimilhança, o Diário chamou a série de “documentário” traduzido do original francês por um certo jornalista italiano chamado Carlos Tancini, que estaria de passagem pelo Rio de Janeiro – e que nunca existiu. A série escrita por David Nasser teve 59 capítulos. Jean Manzon, era o encarregado de produzir as fotos de Giselle. Segundo Freddy Chateaubriand, “nunca houve Giselle, ela nunca abalou Paris, mas o Diário da Noite foi o jornal de maior circulação daquela época. O Manzon trazia aquelas fotos não sei de onde, e o David escrevia com aquela facilidade”.




Com o golpe de 1964, estreitou relações com os militares, fazendo ampla defesa do regime e aderindo ao discurso ufanista. Tornou-se guru de Mário Andreazza, ministro dos Transportes, e foi abastecido por informações sigilosas sobre guerrilha urbana. Suas relações com militares, fazendeiros e empreiteiros influentes contribuíram para seu crescimento financeiro durante o período.

Durante as décadas de 1960 e 1970, Nasser defendeu publicamente a atuação dos “empreiteiros de Jesus”, como chamava os esquadrões da morte de policiais. No Rio de Janeiro, foi criada o grupo Scuderie Le Cocq, uma homenagem ao detetive Milton Le Cocq, morto em 27 de agosto de 1964. Quando a Scuderie Le Cocq foi legalizada, em 1971, Nasser foi oficialmente escolhido seu presidente de honra.






David Nasser nunca primou pelo bom jornalismo e valeu-se de amizades com políticos e autoridades para praticar a chamada imprensa marrom, recheada de noticiais falsas, que tinham o único intuito que era vender revistas e jornais.

Como compositor escreveu a linda Canta Brasil ao lado de Alcyr Pires Vermelho, Nega do cabelo duro com Rubens Lacerda e Normalista em parceira com Benedito Lacerda.  Apesar que dado ao seu lado pouco ético de agir,  não podemos dizer se realmente as parcerias eram dele mesmo ou se apenas se apossou delas.



Canta Brasil - Gal Costa



Deixou uma fortuna em imóveis e fazendas à esposa, Isabel, quando faleceu em 10 de dezembro de 1980, vítima de câncer de fígado. Seu corpo foi velado no prédio da Manchete. Atendendo a um desejo seu, a bandeira da Scuderie Le Cocq guarneceu o caixão.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
revistapress.com.br
dgabc.com.br

quarta-feira, 15 de março de 2023

Vamos falar hoje do Padre Antônio Vieira, escritor importante do período Barroco no Brasil, especialmente devido aos seus famosos Sermões.




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Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum: Hodie mecum eris in Paradiso

Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino. Hoje estareis comigo no Paraíso.

Sermão do Bom Ladrão.




Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu na Bahia, em 1697. Com sete anos de idade, veio para o Brasil e entrou para a Companhia de Jesus.

Por defender posições favoráveis aos índios e aos judeus, foi condenado à prisão pela Inquisição, onde ficou por dois anos.

Responsável pelo desenvolvimento da prosa no período do barroco, Padre Antônio Vieira é conhecido por seus sermões polêmicos em que critica, entre outras coisas, o despotismo dos colonos portugueses, a influencia negativa que o Protestantismo exerceria na colônia, os pregadores que não cumpriam com seu ofício de catequizar e evangelizar (seus adversários católicos) e a própria Inquisição.


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Além disso, defendia os índios e sua evangelização, condenando os horrores vivenciados por eles nas mãos de colonos e os cristãos-novos (judeus convertidos ao Catolicismo) que aqui se instalaram. Famoso por seus sermões, padre Antônio Vieira também se dedicou a escrever cartas e profecias.


Mito do Sebastianismo

Com o desenvolvimento do mercado marítimo, Portugal vivenciou um período de ascensão e grandeza. Porém, com o declínio do comércio no Oriente, Portugal viveu uma crise econômica e dinástica. Como consequência, o então rei de Portugal D. Sebastião resolve colocar em prática seu plano de organizar uma cruzada em Marrocos e levar à batalha de Alcacer-Quibir em 1578.



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A derrota na batalha e seu desaparecimento (provável morte em batalha) geraram especulações acerca de seu paradeiro. A partir de então, originou-se a crença de que o rei retornaria para transformar Portugal novamente em uma grande potência econômica. Padre Antônio Vieira era um dos que acreditavam no Sebastianismo e, mais adiante, Antônio Conselheiro anunciava o retorno de D. Sebastião nos episódios da Guerra de Canudos.

Os sermões

Escreveu cerca de duzentos sermões em estilo conceptista, isto é, que privilegia a retórica e o encadeamento lógico de ideias e conceitos. Estão formalmente divididos em três partes:

Introito ou Exórdio: a apresentação, introdução do assunto.

Desenvolvimento ou argumento: defesa de uma ideia com base na argumentação.

Peroração: parte final, conclusão.

Seus sermões mais mais famosos são:

Sermão da Sexagésima (1655)

O sermão, dividido em dez partes, é conhecido por tratar da arte de pregar. Nele, Padre Antônio Vieira condena aqueles que apenas pregam a palavra de Deus de maneira vazia. Para ele, a palavra de Deus era como uma semente, que deveria ser semeada pelo pregador. Por fim, o padre chega à conclusão de que, se a palavra de Deus não dá frutos no plano terrreno a culpa é única e exclusivamente dos pregadores que não cumprem direito a sua função. Leia um trecho do sermão:

Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que "saiu o pregador evangélico a semear" a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus ão só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. (...) Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare. (...) Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (...)


Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (1640)

Neste sermão, o padre incita os seguidores a reagir contra as invasões Holandesas, alegando que a presença dos protestantes na colônia resultaria em uma série de depredações à colônia. Leia um trecho do sermão:

Se acaso for assim — o que vós não permitais — e está determinado em vosso secreto juízo, que entrem os hereges na Bahia, o que só vos represento humildemente, e muito deveras, é que, antes da execução da sentença, repareis bem, Senhor, no que vos pode suceder depois, e que o consulteis com vosso coração enquanto é tempo, porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remédio. Bem estais na intenção e alusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Também antes do dilúvio estáveis vós mui colérico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aqueles cem anos, nunca houve remédio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se enfim as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já estaria satisfeita vossa justiça, senão quando ao terceiro dia começaram a boiar os corpos mortos, e a surgir e aparecer em multidão infinita aquelas figuras pálidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragédia que nunca viram os anjos, que homens que a vissem, não os havia.


Sermão de Santo Antônio (1654)

Também conhecido como "O Sermão dos Peixes", pois nele o padre usa a imagem dos peixes como símbolo para fazer uma crítica aos vícios dos colonos portugueses que se aproveitavam da condição dos índios para escravizá-los e sujeitá-los ao seu poder. Leia um trecho do sermão:

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? (...) Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar o Pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo costume quase se não sente (...) Suposto isto, para que procedamos com clareza, dividirei, peixes, o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas atitudes, no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. (...)

Seus textos ficaram famosos no mundo inteiro. Antonio Vieira exprimia a sua opinião política e religiosa por meio de profecias, cartas e sermões. As 
profecias eram constituídas de três obras: História do Futuro, Clavis Propheratum e Esperanças de Portugal. Em sua vida, Vieira escreveu mais de 500 cartas, considerados documentos históricos, e aproximadamente 200 sermões.

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Fontes:
soliterattura.com.br
lendo.org/sermoes
noticias.universia.com.br
google.com.br

segunda-feira, 13 de março de 2023

 Bicho da seda.




O bicho-da-seda é a larva ou lagarta da mariposa doméstica Bombyx mori (latim: "bicho-da-seda da amoreira"). É um inseto economicamente importante, sendo um produtor primário da seda. A comida preferida do bicho-da-seda é a amoreira branca, embora comam outras espécies de amoreira e até mesmo laranja de osage.


laranja de osage


O bicho-da-seda é coberto por pelos, tem corpo de coloração branca e não pode voar. Ainda que vivam apenas entre 10 e 16 duas, podem colocar de 300 a 400 ovos, que se chocam dentro de 15 dias, em média.

Para a produção do casulo, cada larva de bicho-da-seda tece um fio único que pode ter 1,3 km de comprimento. Em três dias o casulo fica pronto e protege a lagarta por 10 a 15 dias, quando ela se transforma em crisálida.







Mariposas domésticas são intimamente dependentes de seres humanos para a reprodução, como resultado de milênios de reprodução seletiva. As selvagens são diferentes de suas primas domésticas, pois não foram criadas seletivamente; elas não são comercialmente viáveis na produção de seda.




Na indústria, Logo após a formação dos casulos, os bichos-da-seda são abatidos antes que possam danificar os fios de seda. Para isso, eles vão para um calor de até 105 ºC, capaz de desidratar as criaturas.

Depois de secos, os casulos são cozinhados em água para que possam ser reidratados e desenrolados. Os fios, então, são separados em meadas de 300 gramas. Em média, cada kg do fio pode valer entre US$ 80 e 90.

Por outro lado, as larvas mortas de bicho-da-seda são novamente úteis no processo de fabricação de ração para animais.

Os primeiros a conhecer a seda foram os chineses. Diz-se que foi Fo Xi, o primeiro imperador da China, que ensinou o seu povo a cultivar amoreiras e a criar bichos-da-seda, embora tenha sido Hsi-Ling, esposa do imperador amarelo Huang-Ti, que ficou historicamente associada à descoberta da fiação da seda, sendo mesmo adorada, segundo reza a lenda, como a deusa do bicho-da-seda. Conta-se que Hsi-Ling descansava no jardim quando um casulo caiu dentro da sua chávena de chá quente.






 Observando o desenrolar do fio da seda, Hsi-Ling interessou-se pela arte de criar casulos e levou as lagartas do bicho-da-seda para os aposentos reais onde as protegeu dos seus inimigos naturais e do tempo inclemente, inaugurando assim a cultura doméstica do bicho-da-seda.




O reinado do imperador amarelo é datado tradicionalmente entre 2677-2597 a.C. mas sabe-se hoje que, apesar desta lenda, por essa altura a sericicultura já era uma atividade desenvolvida. Graças ao aperfeiçoamento das técnicas de exploração arqueológica e de conservação dos materiais tornou-se possível resgatar têxteis que, no passado, teriam entrado em decomposição imediata assim que expostos ao ar e à luz. Assim, descobriram-se em Zhejiang vários laços, fios e fragmentos de tecido tingidos de vermelho e datados de 3000 a.C., assim como foram encontradas sedas muito antigas num cesto de bambu durante as escavações de Chekiang. Um desses fragmentos era de seda produzida pelo bicho-da-seda doméstico, o Bombyx mori.




Na verdade, existem muitas espécies de bichos-da-seda selvagens encontrados em diversos países mas a chave para a compreensão do domínio da China, na manufatura da seda, reside apenas numa espécie: a borboleta cega e incapaz de voar denominada Bombyx mori. A sua antecessora selvagem é provavelmente a Bombyx mandarina Moore, uma borboleta que vive apenas nas amoreiras brancas da China. Durante milhares de anos, os chineses estudaram todos os tipos de bichos-da-seda e desenvolveram a sericicultura, fazendo com que a Bombyx mori evoluísse no sentido de se tornar a produtora especializada de seda dos dias de hoje: uma borboleta cuja vida tão breve se resume ao acasalamento e à produção dos ovos, que darão vida às gerações seguintes de bichos-da-seda.



A cultura do bicho-da-seda e o labor do seu fio foram segredos preciosamente guardados e sanções sem piedade esperavam aqueles que violassem o sigilo. O terror e o negócio perpetuaram o segredo. A seda era vendida pelos chineses, sendo transportada por terra, através dos Himalaias, da Índia e da Pérsia até chegar à Turquia, à Grécia e a Roma. Eram as famosas Rotas da Seda, fundadas no tempo do imperador Han Wu e do império romano, que constituíram um dos fatores mais decisivos de expansão e de encontro entre culturas.



Por volta do ano 550, aquando do reinado do imperador bizantino Justiniano, dois missionários viajaram à China e conseguiram trazer, para Constantinopla, ovos de bichos-da-seda escondidos dentro de bengalas de bambu.

Começa assim, gradualmente, a divulgar-se a sericicultura no mundo ocidental que há muito cobiçava este negócio precioso o qual, no entanto, tardou em explorar e dominar. Em Portugal, a mais antiga referência à cultura do bicho-da-seda diz respeito a Trás-os-Montes, no século XIII, sendo que Bragança, no século XV, surge como o berço do fabrico da seda. A partir de finais do século XVII, o cultivo da amoreira, a criação dos bichos-da-seda e a manufatura de tecidos em seda conheceu um importante desenvolvimento no nordeste transmontano.





Em Trás-os-Montes, e particularmente no distrito de Bragança, a criação e venda dos casulos gerou lucros substanciais, que permitiram atenuar as dificuldades reais de uma região quase exclusivamente dedicada à agricultura. Ora, na penúltima década do século XIX, deu-se o afundamento da sericicultura, com as doenças do bicho-da-seda, e instalou-se a crise vinícola vivendo-se, na região de Trás-os-Montes, momentos dramáticos em que famílias inteiras emigraram, devido à fome e à miséria, aumentando consideravelmente a mortalidade infantil e a pobreza.

Trás os montes - Portugal



Com efeito, após 1870-1875, a história da indústria das sedas no nordeste transmontano foi uma história de sucessivas tentativas de recuperação desta indústria, por parte do Estado. No início do século XX, persistiram algumas medidas que visavam reanimar a sericicultura, mas esta já não tinha condições de desenvolvimento. Foi assim que a indústria da seda em Trás-os-Montes se tendeu a esbater no século XX, tornando-se o labor do fio da seda uma atividade cada vez mais artesanal e rara, dependente da proteção dos municípios e das populações locais.



Fontes:
wikipedia.org
google.com
braganca.cienciaviva.pt
segredosdomundo.r7.com

domingo, 12 de março de 2023

 Tales de Mileto







Tales de Mileto (624-558 a.C.) foi um filósofo, matemático e astrônomo grego, considerado um dos mais importantes representantes da primeira fase da filosofia grega, chamada de Pré-Socrática ou Cosmológica.

Tales de Mileto nasceu em Mileto, antiga colônia grega da Ásia Menor, região da Jônia, na atual Turquia, por volta de 624 a. C.

Acredita-se que começou sua vida como mercador, enriquecendo o suficiente para se dedicar ao estudo e realizar algumas viagens. Supõe-se que esteve no Egito onde aprendeu geometria e na Babilônia onde entrou em contato com tabelas e instrumentos astronômicos.

Sabe-se que Tales desempenhou funções políticas em sua cidade e que realizou trabalhos nas áreas da filosofia, geometria e astronomia.
A filosofia pré-socrática

A filosofia grega compreende três períodos: pré-socrático, socrático e pós-socrático. O período pré-socrático compreende os primeiros filósofos propriamente ditos, ou seja, os que procuravam explicar racionalmente o universo, sem recorrer a entidades sobrenaturais.

Os filósofos pré-socráticos foram reunidos em diversas escolas de pensamentos: Escola Jônica (ou Escola de Mileto), Escola Itálica, Escola Eleática, Escola Atomística e Os Sofistas.

A Escola Jônica foi desenvolvida na colônia grega de Jônia, na Ásia Menor, na atual Turquia. Os principais filósofos da Escola Jônica foram: Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes.

A preocupação desses filósofos era perguntar e compreende a natureza do mundo.


Matemático

Para alguns historiadores da matemática antiga, a geometria demonstrativa iniciou-se com Tales de Mileto.

Apesar de não ter deixado nenhuma obra, o que chegou até nós é baseado em antigas referências gregas, que atribuem a ele um bom número de descobertas matemáticas definidas.

Foi atribuído a Tales de Mileto os seguintes fatos geométricos:A demonstração de que os ângulos da base de dois triângulos isósceles são iguais.
A demonstração do seguinte teorema: se dois triângulos têm dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então são iguais.
A demonstração de que todo diâmetro divide um círculo em duas partes iguais. A demonstração de que ao unir-se qualquer ponto de uma circunferência aos extremos de um diâmetro AB obtém-se um triângulo retângulo em C., entre outros.
Astrônomo

Como astrônomo, atribui-se a Tales de Mileto os seguintes feitos:Previu com grande antecedência, do eclipse do Sol observada em 28 de maio de 585 a.C., embora, muitos historiadores duvidem que os meios existentes na época permitissem tal façanha.
Verificou não ser uniforme o círculo da Terra entre os solstícios.
Dividiu o ano em 365 dias.
Estabeleceu o diâmetro do Sol, acreditava ser a terra um disco achatado. Realizou o cálculo da altura das pirâmides, entre outros.

Tales de Mileto faleceu em Mileto, Grécia, no ano de 558 a. C.
Frases de Tales de Mileto


"Muitas palavras não indicam necessariamente muita sabedoria."

"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem."

"Procure sempre uma ocupação; quando o tiver não pense em outra coisa além de procurar fazê-lo bem feito."

"O maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo. O mais veloz é o intelecto porque passa através de tudo. A mais forte é a necessidade porque tudo domina. O mais sábio é o tempo porque tudo revela."



Teorema de Tales de Mileto


Teorema de Tales de Mileto. (Foto:Wikipédia)

Aplicado na geometria , o teorema de Tales surgiu no momento que o matemático foi convidado para medir a estrutura da pirâmide de Quéops, no Egito, por meio da sombra que ela projetava.

A teoria foi desenvolvida a partir dessa sombra, obtendo êxito em dimensionar sua altura. O teorema tem como base a seguinte afirmação: “a interseção entre duas retas paralelas e transversais formam segmentos proporcionais. ” 

A partir dessa lógica, entende-se que as retas transversais interceptam retas paralelas em um ponto comum. O teorema de Tales também pode ser aplicado para medir a área do triângulo. 




Aplicação do teorema de Tales de Mileto em triângulos. (Foto: Wikipédia)



 Descobertas importantes na geometria

Além do teorema, outras atribuições são atribuídas no campo da geometria, dentre eles:

•Os ângulos que ficam na base dos triângulos isósceles são iguais;
•Considerando que dois triângulos tenham dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então estes são iguais;
•Todo e qualquer diâmetro divide um círculo em duas metades idênticas;
•A união de pontos de uma circunferência aos seus extremos AB, forma um triângulo retângulo em C.



Fontes:

ebiografia.com
educamaisbrasil.com.br
google.com
wikipedia.org

sábado, 11 de março de 2023

 O nome da rosa de Humberto Eco.


Humberto Eco



O nome da rosa é um livro de 1980 escrito pelo escritor italiano Umberto Eco.

"O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem".

Willian Shakespeare

Umas das grandes curiosidades acerca da obra está relacionada com a escolha do título. O nome da rosa parece ter sido escolhido a fim de deixar que o próprio leitor desse uma interpretação.

Além disso, a expressão "o nome da rosa" era na época medieval uma maneira simbólica de expressar o enorme poder das palavras.

Sendo assim, a biblioteca e as obras proibidas pela Igreja teria total relação com o nome dessa grande obra da literatura.

A narrativa se passa na Itália no período medieval. O cenário é um mosteiro beneditino, onde um frei é chamado para fazer parte de um concílio do clero que investiga crimes de heresia. Entretanto, assassinatos misteriosos começam a ocorrer.

O enredo d'O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval.


'''- Muito me agradou saber - acrescentou o Abade - que em numerosos casos vós haveis decidido pela inocência do acusado. Creio, e mais do que nunca nestes dias tristíssimos, na presença constante do maligno nas coisas humanas - e olhou em torno, imperceptivelmente, como se o inimigo vagueasse entre aquelas paredes -, mas creio também que muitas vezes o maligno opera por causas segundas. E sei que pode impelir as suas vítimas a fazer o mal de tal modo que a culpa recaia sobre um justo, gozando com o fato que o justo seja queimado em lugar do seu súcubo. Freqüentemente, os inquisidores, para darem prova de diligência, arrancam a todo o custo uma confissão ao acusado, pensando que só é bom inquisidor aquele que conclui o processo encontrando um bode-expiatório... - Até um inquisidor pode ser movido pelo diabo - disse Guilherme. - É possível - admitiu o Abade com muita cautela -, porque os desígnios do Altíssimo são imperscrutáveis, mas não serei eu a lançar a sombra da suspeita sobre homens tão beneméritos. É mesmo de vós, como um deles, que eu hoje tenho necessidade."
(p.19)





Quando o monge franciscano Guilherme de Baskerville chega a um monastério beneditino no norte da Itália, em 1327, ele não imaginava o que iria viver nos próximos dias.

Guilherme leva consigo o noviço Adso de Melk, um jovem vindo de uma família da elite que está sob sua tutoria.O narrador da história é o velho Adso, que relembra os acontecimentos em sua juventude. Aqui já é possível perceber o contraste entre a juventude e a velhice, ao colocar a mesma personagem em dois momentos da vida diferentes.

Os dois chegam à cavalo ao enorme mosteiro e são levados a um aposento em que da janela é possível ver um pequeno cemitério. Guilherme observa um urubu rondando uma cova recém coberta e fica sabendo que um jovem pároco havia falecido há pouco tempo em circunstâncias duvidosas.
A investigação

A partir de então, mestre e aprendiz iniciam uma investigação sobre o caso, que é visto como obra do demônio pelos demais religiosos.

Com o passar do tempo, outras mortes ocorrem e Guilherme e Adso buscam relacioná-las e entender o mistério que ronda a instituição religiosa.

Assim, eles descobrem que a existência de uma biblioteca secreta estava interligada aos acontecimentos mórbidos do lugar. Tal biblioteca guardava livros e escrituras considerados perigosos para a Igreja Católica.




Isso porque tais registros continham ensinamentos e reflexões da antiguidade clássica que colocavam em cheque os dogmas católicos e a fé cristã.

Uma das crenças difundidas pelos poderosos do alto clero era a de que o riso, a diversão e a comédia desvirtuavam a sociedade, tirando o foco da espiritualidade e o temor à Deus. Assim, não era recomendado que os religiosos rissem.




Um dos livros proibidos que estava na biblioteca era uma suposta obra do pensador grego Aristóteles que versava justamente sobre o riso.

Guilherme e Adso conseguem, através do pensamento racional e investigativo, chegar até a biblioteca, um local que continha um enorme número de obras. A construção de tal lugar era bastante complexa, o que a transformava em um verdadeiro labirinto.

Os abusos da Igreja e a paixão de Adso.

A trama conta também com cenas que denunciam os abusos da Igreja cometidos contra os camponeses. Eles costumavam fazer doações de comida ao povo pobre em troca de exploração sexual.

Em dado momento, Adso depara-se com uma jovem mulher (a única que aparece no enredo), e os dois envolvem-se sexualmente, em uma cena cheia de erotismo e culpa. Adso passa a desenvolver sentimentos amorosos pela camponesa.



'' Só o bibliotecário recebeu o seu segredo do bibliotecário que o precedeu, e comunica-o, ainda em vida, ao bibliotecário ajudante, de modo que a morte não o surpreenda privando a comunidade daquele saber. E os lábios de ambos estão selados pelo segredo. Só o bibliotecário, além de saber, tem o direito de se mover no labirinto dos livros, só ele sabe onde encontrá-los e onde repô-los, só ele é responsável pela sua conservação. Os outros monges trabalham no scriptorium e podem conhecer o elenco dos volumes que a biblioteca encerra. Mas um elenco de títulos freqüentemente diz muito pouco, só o bibliotecário sabe, pela colocação do volume, pelo grau da sua inacessibilidade, que tipo de segredos, de verdades ou de mentiras o volume encerra. Só ele decide como, quando e se o fornece ao monge que faz a sua requisição, por vezes depois de me ter consultado. Porque nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais por um espírito piedoso, e os monges, enfim, estão no scriptorium para levar a cabo uma obra precisa, para a qual devem ler certos volumes e não outros, e não para seguir qualquer insensata curiosidade que os colha, quer por debilidade da mente, quer por soberba, quer por sugestão diabólica. - Portanto, também há na biblioteca livros que contêm mentiras..."
(p.27)



A hegemonia da Igreja Católica, cujo apogeu se deu durante o período medieval, estaria em risco se fossem reveladas as contradições e a hipocrisia existentes no mosteiro. Adso e seu mestre descobrem os autores dos assassinatos que impediam o acesso à biblioteca dos monges pois os livros continham informações que os incriminavam. As pessoas, ao manusearem um livro que esclarecia os acontecimentos, eram envenenadas por uma substância mortífera.

O ponto forte para a solução do mistério foram as manchas pretas na língua e no dedo dos monges causado pelo veneno posto na obra.



Eis que chega ao monastério um antigo desafeto de Guilherme, Bernardo Gui, um poderoso frei que é um dos braços da Santa Inquisição. Ele vai até lá para apurar denúncias de atos hereges e bruxarias.

Bernardo se coloca então como um obstáculo para que Baskerville e Adso concluam suas investigações, que já estão causando problemas entre a alta cúpula.

Alguns acontecimentos ocorrem envolvendo dois frades e a camponesa por quem Adso é apaixonado. Os três são indiciados como hereges, sendo que a moça é vista como bruxa.

Um tribunal é realizado com a intenção de que eles confessem os assassinatos e sejam posteriormente queimados na fogueira.

No momento em que os réus são colocados na fogueira e a maioria das pessoas acompanhava o desenrolar dos fatos, Guilherme e Adso vão até a biblioteca para resgatar algumas obras.

O desenrolar dos fatos

Lá eles se deparam com Jorge de Burgos, um dos párocos mais idosos do mosteiro, que mesmo cego e decrépito era o verdadeiro "guardião" da biblioteca. Guilherme então se dá conta de que todas as mortes tinham como responsável o velho Jorge.Em um momento de confusão, inicia-se um grande incêndio na biblioteca, onde Jorge de Burgos acaba morrendo e Adso e seu mestre saem com vida carregando alguns livros. Por conta do incêndio no mosteiro, as atenções são desviadas do julgamento e das fogueiras, assim, a camponesa consegue escapar.


Incêndio na biblioteca





Adso e Guilherme saem do local e seguem rumos distintos na vida, nunca mais encontrando-se. Resta a Adso os óculos de seu mestre e a lembrança da paixão pela camponesa, que ele nunca soube o nome.

O livro foi levado ao cinema em 1986 com direção de Jean-Jacques Annaud, estrelando : Sean Connery, Christian Slater, Elva Baskin.


O nome da rosa - trailer



'''Não me resta senão calar-me. O quam salubre, quam iucundum et suave est sedere in solitudine et tacere et loqui cum Deo! Dentro em pouco reunir-me-ei ao meu principio, e já não creio que seja o Deus da glória de que me tinham falado os abades da minha ordem, ou de alegria, como julgavam os menoritas de então, talvez nem sequer de piedade. Gott ist ein lautes Nichts, ihn rührt kein Nun noch Hier... Em breve me entranharei neste deserto amplíssimo, perfeitamente plano e incomensurável, em que o coração verdadeiramente pio sucumbe bem-aventurado. Afundar-me-ei na treva divina, num silêncio mudo e numa união inefável, e neste afundar-se se perderá toda a igualdade e toda a desigualdade, e nesse abismo o meu espírito se perderá a si mesmo, e não conhecerá nem o igual nem o desigual, nem mais nada: e serão esquecidas todas as diferenças, estarei no fundamento simples, no deserto silencioso onde jamais se vê diversidade, no íntimo onde ninguém se encontra no seu próprio lugar. Cairei na divindade silenciosa e desabitada onde não há obra nem imagem."
(p.405)






Fontes:

wikipedia.org
pensador.com
revistaprosaversoearte.com
knook.com.br
meuartigo.brasilescola.com.br
culturagenial.com
adorocinema.com
youtube.com
google.com

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