terça-feira, 11 de março de 2025

 

Metrificação e Versificação







Metrificação é a forma utilizada na Poética para medição de versos (metro), sendo, portanto, o estudo dessa medida.

Ela é feita mediante a escansão - que consiste na contagem dos sons e dos versos a partir da elevação de ritmo ou tonicidade das palavras - e, uma vez que a poesia teria originalmente a função de ser cantada, esses fatores desempenhavam particular importância, visto que os efeitos desejados eram obtidos através da regularidade dos versos, bem como das rimas.


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Assim,
Metro = medida do verso.
Metrificação = estudo do metro.
Recursos Utilizados

A medição de versos obedece às seguintes particularidades:

Sinalefa: Junção de duas sílabas numa só, por elisão, crase ou sinérese.

Elisão: Supressão da vogal final átona quando esta estiver diante da vogal que inicia a palavra que se segue.
Ex:
de água - d'água
Santa Ana - Sant'Ana

Crase: Fusão de vogais iguais.

Ex:
Iremos à casa de Maria. Iremos a (a) casa de Maria
                                        preposição   artigo

Sinérese: Contração de duas vogais contíguas em um ditongo.

Ex:
Su- a- ve     -    Sua -  ve

A palavra suave pode ser pronunciada como um hiato (su-a-ve) ou como um ditongo (sua-ve); no segundo aso temos uma sinérese.

Diérese: Separação de vogais numa mesma palavra, constituindo duas sílabas distintas.

o contrário da sinérese, a diérese é a leitura de uma palavra de ditongo para hiato.

Ex: sau-do-so (ditongo) na diérese a palavra é pronunciada como um hiato sa-u-do-so.

Hiato: Encontro de duas vogais átonas, constituindo uma única sílaba.

Duas vogais juntas em silabas separadas:

Ex:

saúde - sa-ú-de
Paraíba - Pa-ra-í-ba


Sílabas Literárias X Sílabas Gramaticais

A contagem das sílabas literárias, ou poéticas, se distingue da contagem das sílabas gramaticais. Isso porque enquanto na gramática se considera o número de sílabas gráficas, na literatura se considera o número de sílabas sonoras.


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Há duas regras que diferenciam as sílabas literárias:
Contar somente até a última sílaba tônica de cada verso;
Unir sílabas quando houver som fraco e forte ou vice versa.

Exemplos: (Poema Autopsicografia de Fernando Pessoa)

O/ poe/ ta é/ um/ fin/ gi/ dor - 7 Sílabas literárias

O/ po/ e/ ta/ é/ um/ fin/ gi/ dor - 9 Sílabas gramaticais

_____________________________________________

Fin/ ge/ tão/ com/ ple/ ta/ men/ te - 7 Sílabas literárias

Fin/ ge/ tão/ com/ ple/ ta/ men/ te - 8 Sílabas gramaticais

Que/ che/ ga a/ fin/ gir/ que é/ dor - 7 sílabas literárias

Que/ che/ ga/ a/ fin/ gir/ que/ é/ dor - 9 Sílabas gramaticais



Classificação dos Versos

Mediante o número de sílabas poéticas, os versos são classificados da seguinte forma:

Monossílabos - 1 sílaba
Dissílabos - 2 sílabas
Trissílabos - 3 sílabas
Tetrassílabos - 4 sílabas
Pentassílabos (ou Redondilha Menor) - 5 sílabas
Hexassílabos (ou Heróico Quebrado) - 6 sílabas
Heptassílabos (Redondilha Maior) - 7 sílabas
Octossílabos - 8 sílabas
Eneassílabos - 9 sílabas
Decassílabos - 10 sílabas
Hendecassílabos - 11 sílabas
Dodecassílabos - 12 sílabas
Bárbaros - mais do que 12 sílabas


Versificação é o conjunto de métodos utilizados na arte de compor versos, fazendo uso, para o efeito, de alguns elementos que concorrem para a harmonização e beleza do gênero lírico, tais como: ritmo, metrificação, rima, entre outros.

Versos e Estrofes

Cada linha de um poema corresponde a um verso, os quais são classificados de acordo com as sílabas poéticas que apresentam.

O agrupamento de versos, por sua vez, compõe as estrofes. As estrofes são classificadas mediante o número de versos.

Assim, quanto às estrofes, temos:
Monóstico - estrofe com um verso
Dístico - estrofe com dois versos
Terceto - estrofe com três versos
Quadra ou Quarteto - estrofe com quatro versos
Quintilha - estrofe com cinco versos
Sextilha - estrofe com seis versos

Septilha - estrofe com sete versos
Oitava - estrofe com oito versos
Nona - estrofe com nove versos
Décima - estrofe com dez versos.


Os sonetos são poemas que obedecem uma forma fixa, são compostos por quatorze versos (dois quartetos e dois tercetos).

A criação do soneto é controversa: geralmente é atribuída ao humanista Francesco Petrarca, do século XIV; porém, atualmente sabe-se que esta forma lírica já era praticada um século antes por Giacomo de Lentino, tendo sido elaborado a partir da poesia popular da Sicília. Este gênero lírico foi introduzido em Portugal por Sá de Miranda, no ano de 1527, e Luís de Camões foi o responsável por torná-lo popular e pelo seu sucesso.


Os sonetos podem ser apresentados em três formas de distribuição de versos, a saber:

Soneto petrarquiano ou italiano: possui duas estrofes de quatro versos (denominados quartetos) e duas de três versos (denominados tercetos);

Soneto inglês ou Shakespeariano: esta forma de soneto apresenta três quartetos e um dístico;

Soneto monostrófico: estrutura composta por uma única estrofe de 14 versos.

Encadeamento

O Encadeamento ou Enjambement é o nome que se dá à necessidade de não fazer pausa em um verso, continuando a sua leitura com o verso seguinte de forma a completar, assim, o seu sentido.


"E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.”

(Retirado de Nel mezzo del cammin, de Olavo Bilac)


Rimas

A rima é mais um dos recursos utilizados para dar melodia ao verso.

Há, todavia, versos que não apresentam rimas. São os chamados versos brancos ou soltos.

“Não quero ser Deus, nem Pai nem Mãe de Deus,
Não quero nem lírios nem mundos
Sou pobre e superficial como a Rua do Catete.
Quero a pequena e amada agitação,
A inquieta esquina, aves e ovos, pensões,
Os bondes e tinturarias, os postes,
Os transeuntes, o ônibus Laranjeiras,
Único no mundo que tem a honra de pisar na Rua do Catete.”

(Rubem Braga)


Classificação das Rimas

As rimas são classificadas mediante disposição, extensão, acentuação e vocabulário.
Disposição das Rimas

(ABAB) Cruzada ou Alternada



Rimas entre versos pares e, por outro lado, entre versos ímpares. Assim, ocorrem entre o primeiro e o terceiro versos e, entre o segundo e o quarto versos.

A "Tu és um beijo materno!
B Tu és um riso infantil,
A Sol entre as nuvens de inverno,
B Rosa entre as flores de abril!"

(João de Deus)

(ABBA) Interpolada ou Oposta

Rimas que ocorrem entre o primeiro e o quarto versos e, entre o segundo e o terceiro versos.

A "Amor é fogo que arde sem se ver;
B É ferida que dói, e não se sente;
B É um contentamento descontente;
A É dor que desatina sem doer."

(Luís de Camões)

(AABB) Emparelhada

Rimas que se sucedem duas a duas. Assim, ocorrem entre o primeiro e o segundo versos e, entre o terceiro e o quarto versos.

A "Ele deixava atrás tanta recordação!
A E o pesar, a saudade até no próprio chão,
B Debaixo dos seus pés, parece que gemia


B Levantava-se o sol, vinha rompendo o dia,

C E o bosque, a selva, o campo, a pradaria em flor
C Vestiam-se de luz, como um peito de amor."



(Alberto de Oliveira)

Rimas internas

Rimas que ocorrem no interior dos versos.

"Como são cheirosas as primeira rosas!"



(Alphonsus de Guimaraens)


Extensão das Rimas

Consoante: rimas que ocorrem em palavras cuja similaridade sonora é total. Exemplos: carinho - sozinho; celeste - veste.
Toante: rimas que ocorrem em palavras cuja similaridade sonora é parcial. Exemplos: trouxe - doce; benfazejo - beijo.

Acentuação das Rimas

Esdrúxula: rimas que ocorrem entre palavras proparoxítonas. Exemplos: aromática - dalmática; anêmona - trêmula.

Grave: rimas que ocorrem entre palavras paroxítonas. Exemplos: flores - dores; pranto - canto.

Aguda: rimas que ocorrem entre palavras oxítonas ou monossílabas. Exemplos: pomar - luar; tez - inglês

Vocabulário das Rimas

Pobre: rimas que ocorrem entre palavras da mesma classe gramatical. Exemplos: amor - desamor (substantivos); cantar - amar (verbos).
Rica: rimas que ocorrem entre palavras com classes gramaticais diferentes. Exemplos: irradia (verbo) - dia (substantivo); dúzia (numeral) - Lúcia (substantivo)






Fontes:
todamateria.com.br
wikipedia.org
infoescola.com.br
lexico.pt
estudopratico.com.br
google.com

segunda-feira, 10 de março de 2025

No dia 10 de março de 1876, foi realizada a primeira bem-sucedida transmissão elétrica de voz por um aparelho inventado pelo homem. O realizador dessa façanha foi o cientista e empresário escocês Alexander Graham Bell. O nome atribuído ao aparelho foi telefone. É por esse motivo que o dia do telefone é celebrado em 10 de março.


Graham Bell


Alexander Graham Bell nasceu em Edimburgo, na Escócia, no dia 3 de março de 1847. Filho de Alexander Melville Bell, educador de surdos-mudos, e de Eliza Grace Symonds, que ficou surda ainda jovem.



Graham Bell foi educado em casa até os onze anos, quando entrou para a High School Real de Edimburgo, onde permaneceu por quatro anos.

Além de ser autodidata, ele aprendeu muito com seu pai e seu avô, que eram autoridades na correção da fala e no treinamento de portadores de deficiência auditiva.

Em 1861, passou a assistir as conferências realizadas na Universidade de Edimburgo e na University College, em Londres. Nesse mesmo ano passou a ensinar música e dicção na Academia Weston House, em Elgin, na Escócia.

A partir de 1864, tornou-se mestre e residente da Academia Weston House, estudando e ensinando técnicas de correção da fala.





Em 1868, em Londres, tornou-se assistente do pai e assumia seu lugar quando ele viajava para os Estados Unidos, para ministrar cursos sobre terapia da fala.
Alexander Graham Bell patenteou e desenvolveu o primeiro dispositivo prático capaz de transportar o som da voz humana por meio de impulsos elétricos. A máquina que ficou conhecida como telefone foi um sensação imediata e tornou seu criador famoso e rico. Apesar disso, seu inventor achava que toda a atenção despertada pelo aparelho causava danos à sua reputação por ofuscar o resto do seu trabalho.






O interesse por esse campo de pesquisa foi resultado de circunstâncias familiares. Sua mãe começou a perder a audição quando ele tinha 12 anos, o que o motivou a estudar acústica. Ainda jovem, ele chegou a desenvolver uma técnica para falar com sua mãe, com tons modulados, pronunciados diretamente em sua testa, o que permitia que ela ainda o ouvisse (com o som se propagando como vibrações através do crânio, mecanismo usado hoje em aparelhos de amplificação da audição).





É correto dizer, porém, que, antes de Graham Bell e de seu assistente, Thomas Augustus Watson, conseguirem definir, com êxito, o primeiro protótipo do telefone, outras tentativas de se chegar ao mesmo resultado já haviam sido realizadas. Foi o caso, por exemplo, das pesquisas do alemão Johann Philipp Reis, que foi um dos pioneiros a lidar com aquilo que hoje concebemos como telecomunicações. No entanto, as pesquisas de Reis não tiveram êxito técnico tão avançado como as de Bell. Todavia, devemos dizer também que Bell teve um concorrente à altura na década de 1870. Tratava-se do engenheiro eletricista Elisha Gray (1835-1901).



Fontes:

wikipedia.org
mundoeducacao.uol.com.br
super.abril.com.br
ebiografia.com
google.com

sexta-feira, 7 de março de 2025

 Pagão


No cristianismo, pagão é aquele que não foi batizado. Noutras religiões, pagão é aquele que não acredita em deuses.


Oferenda à deusa Vesta



A palavra "pagão" provém do latim paganus, cujo significado é o de uma pessoa que viveu numa aldeia, num dado país, um rústico. O uso mais comum da palavra no latim clássico era utilizado para designar um civil, alguém que não era um soldado. Em torno do século IV, o termo paganus começou a ser utilizado entre os cristãos no Império Romano, para se referir a uma pessoa que não era um cristão e que ainda acreditava nos antigos deuses romanos.




É importante frisar que os pagãos não eram um povo à parte. Eles eram cidadãos romanos que viviam na zona rural. Por isso, tinham uma relação mais forte com a natureza, e prestavam-lhe homenagem assim como prestavam adoração aos diversos deuses romanos.

Desta maneira, cultuavam as forças da natureza como o vento, sol, água, fogo e tudo o que fosse necessário para garantir a sobrevivência diária como o êxito das colheitas e a fertilidade dos animais.






Dentre algumas características desta religião podemos citar:

A natureza é parte da essência divina;

tudo o que existe na Terra é uma partícula do divino;

os ciclos da natureza são respeitados e celebrados com festas;

alguns praticam o animismo ou seja: as forças da natureza são personificadas e adoradas como deuses.

O próprio cristianismo ainda mantém algumas festas de origens pagã.  Como por exemplo a comemoração do Natal, o feriado de Carnaval e a Páscoa.

Vamos ver o exemplo da principal festa cristã, o Natal. Seu significado é a renovação o nascimento de um Cristo, de um salvador. Diversas festas pagãs eram realizadas nessa mesma época.



Saturnália
Festa romana que homenageava Saturno, o deus do tempo, da agricultura e do sobrenatural. Era celebrada entre 17 e 25 de dezembro.

Dies Natalis Solis Invicti
Festa romana que celebrava o Sol Invicto, um deus romano. Era realizada no dia 25 de dezembro.

Yule
Festa pagã dos povos germânicos, como os vikings, que homenageavam o solstício de inverno e Odin, o deus supremo da religião nórdica.


Fontes:

wikipedia.org
todamateria.com.br
wikipedia.org
google.com
educador.brasilescola.com.br


quinta-feira, 6 de março de 2025

 Anacoluto



Anacoluto é uma figura de linguagem que altera a sequência lógica da frase, e isola um dos elementos descaracterizando sua função sintática.




"Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão”

(Alceu Valença)




No exemplo acima, extraído da canção “Como dois animais”, de Alceu Valença, a expressão “Uma onça pintada” fica desconectada do restante do enunciado, sendo, porém, o tópico dele: na construção “o seu tiro certeiro deixou os meus nervos de aço no chão”, o tiro certeiro é da onça-pintada, que foi substituída no enunciado pelo pronome “seu”."

Exemplo 2 

Esse seu jeito, sua forma de falar  me incomoda!

Esse seu jeito - sem função sintática
sua forma de falar - sujeito
me - objeto direto
incomoda - verbo transitivo direto.



Outros exemplos:




“Eu, porque fui demitido, fico o dia todo em casa”.

“Meu pai, as leituras deixavam-no acordado a noite toda”.

“Adolescentes, como são difíceis de controlar”.

“O relógio da parede eu estou acostumado com ele, mas você precisa mais de relógio do que eu”. (Rubem Braga).



Fontes:

todamateria.com.br
brasilescola.uol.com.br
portugues.com.br
significados.com.br

quarta-feira, 5 de março de 2025

  Quarta-feira de cinzas.


Quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da quaresma, e as cinzas utilizadas nas missas católicas de cinzas são os ramos queimados do último domingo de ramos, misturada com água benta, que é passada com sinal da cruz na testa dos devotos, para lembrar-lhes que vieram do pó e para o pó retornarão.

Depois do carnaval (carne vale) vem o período de abstinência, ou depois do pecado o arrependimento, isso é claro se você for cristão.




Serve também para o devoto fazer uma reflexão sobre sua vida, seus valores, e reafirmar seus votos com a fé cristã.

Na verdade, há muito tempo, que a quarta-feira de cinzas não é mais resguardada como era antes.

Os bailes de carnaval no país inteiro terminavam meia-noite da terça-feira gorda, e depois por quarenta dias (quaresma), nas rádios só eram tocadas músicas sacras, e muitos devotos faziam jejum de carne na quarta-feira de cinzas e em todas as sextas-feiras da quaresma. Quando eu era criança, durante toda a quaresma só se ouviam músicas instrumentais nas rádios.

Os tempos agora são outros, não quer dizer que são mais certos ou errados, só que o tempo passas e os costumes com ele.




Manuel Bandeira escreveu um poema de quarta-feira de cinzas:


Poema de uma quarta-feira de cinzas




Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça...


O seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa...
indiferente a tais ataques,


Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça...


Manuel Bandeira
(do livro Carnaval, 1919)



Marcha da quarta-feira de cinzas
compositores:
Vinícius de Moraes e Carlos Lyra


Fontes:

wikipedia.org.
youtube.com.br
significados.com.br/quaresma
google.com

terça-feira, 4 de março de 2025

 A Montanha Mágica - Thomas Mann





Thomas Mann iniciou a escrita de "A montanha mágica" em 1912, o mesmo ano em que sua mulher Katharina Mann (Katia) foi internada num sanatório de Davos na Suíça, para se curar de uma tuberculose. O livro teria sido inspirado nesse episódio.

O autor, que escreveu também Dr. Fausto e Morte em Veneza, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1929.



A obra trata da história de um jovem estudante de engenharia naval, alemão de Hamburgo, chamado Hans Castorp. Ele visita o primo Joachim Ziemssen num sanatório destinado ao tratamento de doenças respiratórias localizado em Davos, nos Alpes suíços, pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ser encaminhado ao sanatório apenas para uma visita e para tratar uma anemia, Hans Castorp vai aos poucos mostrando sinais de que tem tuberculose pulmonar e acaba estendendo sua visita ao sanatório por meses e anos, pois sua saída é sempre adiada por causa da doença.


Alpes suíços



Nesse período, Castorp, pouco a pouco, afasta-se da vida "na planície" e conquista o que chama de liberdade da vida normal. Desliga-se do tempo, da carreira e da família e é atraído pela doença, pela introspecção e pela morte. Ao mesmo tempo, amadurece e trava contato mais profundo com a política, a arte, a cultura, a religião, a filosofia, a fragilidade humana (incluindo a morte e o suicídio), o caráter subjetivo do tempo (um dos temas mais importantes da obra) e o amor.

O sanatório forma um microcosmo europeu. As numerosas personagens do livro, muitas com descrições e reflexões detalhadas, são representações de tendências e pensamentos que predominavam na Europa do pré-grande-guerra, conhecido como o período dos anos loucos. Em particular as personagens Lodovico Settembrini (humanista e enciclopedista) e Leo Naphta (um jesuíta totalitário).

Também se destacam o hedonista Mynheer Peeperkorn e Madame Clawdia Chauchat, por quem Castorp desenvolve interesse romântico e sutilmente sensual, cujo climax está genialmente descrito por Mann em páginas verdadeiramente universais.




A subjetividade da passagem do tempo abordada por Mann reflete-se na estrutura do livro. A narrativa é ordenada cronologicamente, mas acelera ao longo do romance. Desse modo, os primeiros cinco capítulos relatam apenas o primeiro dos anos de Castorp no sanatório, em grande detalhe. Os restantes seis anos, marcados pela monotonia e pela rotina, são descritos nos últimos dois capítulos. Essa assimetria corresponde à própria percepção distorcida de Castorp quanto à passagem do tempo.

No final da narrativa, inicia-se a Grande Guerra, Castorp une-se às fileiras do exército, e sua morte iminente no campo de batalha é sugerida. Apesar do processo de amadurecimento da personagem ao longo do livro, não está claro, na parte final, se ele formou uma sólida individualidade, e sua última aparição se dá como um soldado anônimo, entre milhares, em um campo de batalha qualquer da Primeira Guerra Mundial.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
companhiadasletras.com.br

segunda-feira, 3 de março de 2025

 O nome da rosa de Humberto Eco.


Humberto Eco



O nome da rosa é um livro de 1980 escrito pelo escritor italiano Umberto Eco.

"O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem".

Willian Shakespeare





Um dos trechos mais importantes da obra:



Umas das grandes curiosidades acerca da obra está relacionada com a escolha do título. O nome da rosa parece ter sido escolhido a fim de deixar que o próprio leitor desse uma interpretação.

Além disso, a expressão "o nome da rosa" era na época medieval uma maneira simbólica de expressar o enorme poder das palavras.

Sendo assim, a biblioteca e as obras proibidas pela Igreja teria total relação com o nome dessa grande obra da literatura.

A narrativa se passa na Itália no período medieval. O cenário é um mosteiro beneditino, onde um frei é chamado para fazer parte de um concílio do clero que investiga crimes de heresia. Entretanto, assassinatos misteriosos começam a ocorrer.

O enredo d'O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval.


'''- Muito me agradou saber - acrescentou o Abade - que em numerosos casos vós haveis decidido pela inocência do acusado. Creio, e mais do que nunca nestes dias tristíssimos, na presença constante do maligno nas coisas humanas - e olhou em torno, imperceptivelmente, como se o inimigo vagueasse entre aquelas paredes -, mas creio também que muitas vezes o maligno opera por causas segundas. E sei que pode impelir as suas vítimas a fazer o mal de tal modo que a culpa recaia sobre um justo, gozando com o fato que o justo seja queimado em lugar do seu súcubo. Frequentemente, os inquisidores, para darem prova de diligência, arrancam a todo o custo uma confissão ao acusado, pensando que só é bom inquisidor aquele que conclui o processo encontrando um bode-expiatório... - Até um inquisidor pode ser movido pelo diabo - disse Guilherme. - É possível - admitiu o Abade com muita cautela -, porque os desígnios do Altíssimo são imperscrutáveis, mas não serei eu a lançar a sombra da suspeita sobre homens tão beneméritos. É mesmo de vós, como um deles, que eu hoje tenho necessidade."
(p.19)





Quando o monge franciscano Guilherme de Baskerville chega a um monastério beneditino no norte da Itália, em 1327, ele não imaginava o que iria viver nos próximos dias.

Guilherme leva consigo o noviço Adso de Melk, um jovem vindo de uma família da elite que está sob sua tutoria.O narrador da história é o velho Adso, que relembra os acontecimentos em sua juventude. Aqui já é possível perceber o contraste entre a juventude e a velhice, ao colocar a mesma personagem em dois momentos da vida diferentes.

Os dois chegam à cavalo ao enorme mosteiro e são levados a um aposento em que da janela é possível ver um pequeno cemitério. Guilherme observa um urubu rondando uma cova recém coberta e fica sabendo que um jovem pároco havia falecido há pouco tempo em circunstâncias duvidosas.
A investigação

A partir de então, mestre e aprendiz iniciam uma investigação sobre o caso, que é visto como obra do demônio pelos demais religiosos.

Com o passar do tempo, outras mortes ocorrem e Guilherme e Adso buscam relacioná-las e entender o mistério que ronda a instituição religiosa.

Assim, eles descobrem que a existência de uma biblioteca secreta estava interligada aos acontecimentos mórbidos do lugar. Tal biblioteca guardava livros e escrituras considerados perigosos para a Igreja Católica.




Isso porque tais registros continham ensinamentos e reflexões da antiguidade clássica que colocavam em cheque os dogmas católicos e a fé cristã.

Uma das crenças difundidas pelos poderosos do alto clero era a de que o riso, a diversão e a comédia desvirtuavam a sociedade, tirando o foco da espiritualidade e o temor à Deus. Assim, não era recomendado que os religiosos rissem.

Um dos livros proibidos que estava na biblioteca era uma suposta obra do pensador grego Aristóteles que versava justamente sobre o riso.






O abade cego pergunta ao investigador William de Baskerville: 

"Que almejam verdadeiramente?"

Baskerville responde: " Eu quero o livro grego, aquele que, segundo vocês, nunca foi escrito. Um livro que só trata de comédia, que odeiam tanto quanto risos.

Provavelmente é o único exemplar conservado de um livro de poesia de Aristóteles. Existem muitos livros que tratam de comédia. Por que esse livro é precisamente tão perigoso?"

O abade responde: " Porque é de Aristóteles e vai fazer rir

Baskerville replica: " O que há de perturbador no fato de os homens poderem rir?"

O abade: "O riso mata o medo, e SEM MEDO NÃO PODE HAVER FÉ. Aquele que não teme o demônio não precisa mais de Deus".









Guilherme e Adso conseguem, através do pensamento racional e investigativo, chegar até a biblioteca, um local que continha um enorme número de obras. A construção de tal lugar era bastante complexa, o que a transformava em um verdadeiro labirinto.

Os abusos da Igreja e a paixão de Adso.

A trama conta também com cenas que denunciam os abusos da Igreja cometidos contra os camponeses. Eles costumavam fazer doações de comida ao povo pobre em troca de exploração sexual.

Em dado momento, Adso depara-se com uma jovem mulher (a única que aparece no enredo), e os dois envolvem-se sexualmente, em uma cena cheia de erotismo e culpa. Adso passa a desenvolver sentimentos amorosos pela camponesa.



'' Só o bibliotecário recebeu o seu segredo do bibliotecário que o precedeu, e comunica-o, ainda em vida, ao bibliotecário ajudante, de modo que a morte não o surpreenda privando a comunidade daquele saber. E os lábios de ambos estão selados pelo segredo. Só o bibliotecário, além de saber, tem o direito de se mover no labirinto dos livros, só ele sabe onde encontrá-los e onde repô-los, só ele é responsável pela sua conservação. Os outros monges trabalham no scriptorium e podem conhecer o elenco dos volumes que a biblioteca encerra. Mas um elenco de títulos freqüentemente diz muito pouco, só o bibliotecário sabe, pela colocação do volume, pelo grau da sua inacessibilidade, que tipo de segredos, de verdades ou de mentiras o volume encerra. Só ele decide como, quando e se o fornece ao monge que faz a sua requisição, por vezes depois de me ter consultado. Porque nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais por um espírito piedoso, e os monges, enfim, estão no scriptorium para levar a cabo uma obra precisa, para a qual devem ler certos volumes e não outros, e não para seguir qualquer insensata curiosidade que os colha, quer por debilidade da mente, quer por soberba, quer por sugestão diabólica. - Portanto, também há na biblioteca livros que contêm mentiras..."
(p.27)



A hegemonia da Igreja Católica, cujo apogeu se deu durante o período medieval, estaria em risco se fossem reveladas as contradições e a hipocrisia existentes no mosteiro. Adso e seu mestre descobrem os autores dos assassinatos que impediam o acesso à biblioteca dos monges pois os livros continham informações que os incriminavam. As pessoas, ao manusearem um livro que esclarecia os acontecimentos, eram envenenadas por uma substância mortífera.

O ponto forte para a solução do mistério foram as manchas pretas na língua e no dedo dos monges causado pelo veneno posto na obra.




Eis que chega ao monastério um antigo desafeto de Guilherme, Bernardo Gui, um poderoso frei que é um dos braços da Santa Inquisição. Ele vai até lá para apurar denúncias de atos hereges e bruxarias.

Bernardo se coloca então como um obstáculo para que Baskerville e Adso concluam suas investigações, que já estão causando problemas entre a alta cúpula.

Alguns acontecimentos ocorrem envolvendo dois frades e a camponesa por quem Adso é apaixonado. Os três são indiciados como hereges, sendo que a moça é vista como bruxa.

Um tribunal é realizado com a intenção de que eles confessem os assassinatos e sejam posteriormente queimados na fogueira.

No momento em que os réus são colocados na fogueira e a maioria das pessoas acompanhava o desenrolar dos fatos, Guilherme e Adso vão até a biblioteca para resgatar algumas obras.

O desenrolar dos fatos

Lá eles se deparam com Jorge de Burgos, um dos párocos mais idosos do mosteiro, que mesmo cego e decrépito era o verdadeiro "guardião" da biblioteca. Guilherme então se dá conta de que todas as mortes tinham como responsável o velho Jorge. Em um momento de confusão, inicia-se um grande incêndio na biblioteca, onde Jorge de Burgos acaba morrendo e Adso e seu mestre saem com vida carregando alguns livros. Por conta do incêndio no mosteiro, as atenções são desviadas do julgamento e das fogueiras, assim, a camponesa consegue escapar.


Incêndio na biblioteca





Adso e Guilherme saem do local e seguem rumos distintos na vida, nunca mais encontrando-se. Resta a Adso os óculos de seu mestre e a lembrança da paixão pela camponesa, que ele nunca soube o nome.

O livro foi levado ao cinema em 1986 com direção de Jean-Jacques Annaud, estrelando : Sean Connery, Christian Slater, Elva Baskin.


O nome da rosa - trailer



'''Não me resta senão calar-me. O quam salubre, quam iucundum et suave est sedere in solitudine et tacere et loqui cum Deo! Dentro em pouco reunir-me-ei ao meu principio, e já não creio que seja o Deus da glória de que me tinham falado os abades da minha ordem, ou de alegria, como julgavam os menoritas de então, talvez nem sequer de piedade. Gott ist ein lautes Nichts, ihn rührt kein Nun noch Hier... Em breve me entranharei neste deserto amplíssimo, perfeitamente plano e incomensurável, em que o coração verdadeiramente pio sucumbe bem-aventurado. Afundar-me-ei na treva divina, num silêncio mudo e numa união inefável, e neste afundar-se se perderá toda a igualdade e toda a desigualdade, e nesse abismo o meu espírito se perderá a si mesmo, e não conhecerá nem o igual nem o desigual, nem mais nada: e serão esquecidas todas as diferenças, estarei no fundamento simples, no deserto silencioso onde jamais se vê diversidade, no íntimo onde ninguém se encontra no seu próprio lugar. Cairei na divindade silenciosa e desabitada onde não há obra nem imagem."
(p.405)






Fontes:

wikipedia.org
pensador.com
revistaprosaversoearte.com
knook.com.br
meuartigo.brasilescola.com.br
culturagenial.com
adorocinema.com
youtube.com
google.com

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