segunda-feira, 8 de julho de 2024

Vamos falar hoje da história do jornal "O Estado de São Paulo".





Fundado em 4 de janeiro de  1875, como a "Província de São Paulo, por Manoel Ferraz de Campos Salles e Américo Braziliense, era um jornal que combatia a escravidão e oposição da monarquia.




A Redação, administração e oficinas foram instaladas em um sobrado da Rua do Palácio, n.º14, antiga Rua das Casinhas, atualmente Rua do Tesouro, esquina com a Rua do Comércio (atual Álvares Penteado), no Centro velho de São Paulo. Entre os proprietários do novo jornal, destacavam-se Américo de Campos e Francisco Rangel Pestana. O administrador era José Maria Lisboa, que morava com a família nos fundos do prédio.

EX-Libris (dos Livros)

A venda avulsa foi impulsionada pelo imigrante francês Bernard Gregoire, que saía às ruas montado num cavalo e tocando uma corneta para chamar a atenção do público — e que, décadas depois, viraria o próprio símbolo do jornal — aumentou a tiragem do jornal. Ao final do século XIX, o Estado já era o maior jornal de São Paulo.

Com aumento das exportações do café, o jornal sentiu a necessidade de abrir uma sucursal em Santos na Rua XV de novembro.


Ao final do século XIX, o Estado já era o maior jornal de São Paulo, superando em muito o Correio Paulistano. Propriedade exclusiva da família Mesquita a partir de 1902, o Estado apoiou a causa aliada na Primeira Guerra Mundial, sofrendo represália da comunidade alemã na cidade, que retira todos os anúncios do jornal. Mesmo assim, Mesquita mantém a posição de seu diário. Nas mesmas circunstâncias, sofreu censura por parte do governo, que cortava matérias relacionadas às suas ações ou às questões nacionais. Durante a guerra, passa a circular a edição vespertina do jornal, conhecida como "Estadinho", dirigida pelo então jovem Júlio de Mesquita Filho.

Da esquerda para a direita: Júlio de Mesquita Filho, Rangel Pestana e Sr. Comora, representante da United Press




Em 1924, o Estado foi impedido de circular pela primeira vez, entre os dias 28 de julho e 17 de agosto. A censura veio primeiramente do lado dos revoltosos, quando ocuparam a cidade, e depois do governo federal, após expulsar os rebeldes. Julio Mesquita foi preso e enviado ao Rio de Janeiro, sendo libertado pouco depois.


Com a morte do velho diretor em 1927, seu filho Júlio de Mesquita Filho assumiu a redação com o irmão Francisco, este à frente da parte financeira do jornal.

Em 1930, o Estado, ligado ao Partido Democrático, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas pela Aliança Liberal. Vargas foi derrotado nas eleições, mas assumiu o poder com a Revolução de 1930, saudada pelo jornal como um marco do fim de um sistema oligárquico.

O chamado Grupo Estado assumiu em 1932 a liderança da revolução constitucionalista e, com sua derrota, boa parte da diretoria foi enviada ao exílio — Júlio e Francisco foram para Portugal e lá permaneceram até novembro de 1933, quando Getúlio nomeou Armando de Salles Oliveira, amigo dos diretores, como interventor de São Paulo.


Armando de Salles Oliveira



Durante a Revolução de 32 ou a Guerra Paulista, o evento contou com o apoio do jornal.




“A revolução contou com o apoio de quase toda a imprensa paulista”, segundo o jornalista Oscar Pilagallo. Um dia após o início da revolução, em 10 de julho, o jornal O Estado de S. Paulo publica a seguinte manchete na primeira página: “Está vitorioso em todo o Estado o movimento revolucionário de caráter constitucionalista”. A Gazeta afirmava: “De São Paulo partiu o brado da Independência; de São Paulo também parte, agora, o brado pela Constituição”. Os dois jornais de Chateaubriand, O Diário de S. Paulo e o Diário da Noite, também exaltavam os paulistas.





Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Estado viu enorme progresso, com o aumento da tiragem e de seu prestígio nacional. A administração dos interventores mostrou-se financeiramente eficiente e o periódico gozava de ótima situação financeira.




Durante a República Nova (1946–1964) o Estado alinhou-se à União Democrática Nacional, um partido de extrema direita,  de Carlos Lacerda e fez oposição a todos os governos, em especial o de João Goulart. Em 1962, o diretor Júlio de Mesquita Filho chegou a escrever o "Roteiro da Revolução", procurando unir a oposição civil aos militares, o chamado "partido fardado", que desde o início da República costumava intervir na política brasileira. Em 1964, o Estado apoiou o golpe militar — descrito como "contragolpe" por Ruy Mesquita — e a eleição indireta de Castelo Branco. No dia 1 de abril daquele ano publicou texto de apoio à derrubada de João Goulart, traçando um paralelo com a Revolução Constitucionalista de 1932:

“ Minas desta vez está conosco... Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições. ”





Logo após o Ato Institucional Número Dois, de 1965, que dissolveu os partidos políticos, o jornal rompeu com o regime.



Após esse fato o jornal, como outros órgãos da imprensa, sofreu forte censura, sendo obrigado a publicar poemas de Camões e receitas culinárias no lugar das matérias censuradas.




O Jornal sempre foi ligado ao liberalismo econômico e à elite brasileira, sempre combatendo ideias progressistas que ensejam a diminuição das desigualdades sociais e a inclusão dos mais pobres no mercado de consumo.

Icônica sede na Major Quedinho


Sede atual (Marginal Tietê)







O jornal era o quarto em circulação no Brasil em 2015, com uma média diária de 157.761 mil exemplares e terceiro na versão digital com 78.410 visitas, e o segundo na Grande São Paulo, com média diária de 159,9 mil exemplares em 2007. Sofre, no entanto, uma queda acelerada no número de leitores, assim como outras grandes publicações brasileiras.




Fontes:
arquivodoestado.sp.gov.br
wikipedia.org
acervo.estadao.com.br
google.com
memorialdaresistenciasp.org.br

sábado, 6 de julho de 2024

Por que usamos a letra M antes das letras P e B ?


O mais aceito gramaticalmente é que P e B são fonemas bilabiais que se assimilam melhor com a junção da letra M.









O uso da consoante M é obrigatório antes das consoantes P e B, sendo essa uma regra da língua portuguesa. Percebemos que, ao produzir o som das letras M/P/B, nossos lábios se juntam, por isso elas são chamadas de consoantes bilabiais.

É importante saber que, na língua portuguesa, temos fonemas e letras. Os fonemas são os sons que ouvimos ao falarmos uma palavra, e as letras são a forma como o fonema é escrito. Assim, as letras, quando as escrevemos, representam graficamente os sons (fonemas) que pronunciamos quando falamos.




Quando se pronuncia a primeira sílaba  da palavra embora, por exemplo, a consoante m nasala  o e e prolonga-se até à articulação do b, havendo como que um instante de fusão entre as duas. Mas se reparar no modo como pronuncia dente, verificará que o ponto de articulação do n está próximo do ponto de articulação do t.

Com base na "física" das palavras, a Ortografia convencionou o uso da nasal m antes de p e b, e da nasal n antes de outras consoantes.


Fontes:

escolakids.uolo.com.br
recantodasletras.com.br
ciberduvidas.iscte-iul.pt
google.com

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Vamos abordar hoje a história da Revolução tenentista de 1924, onde a cidade de São Paulo foi bombardeada  pelas forças legalistas,  e o bairro da Penha tornou-se a sede do governo paulista.




Quando eu era criança, minha avó materna,  já contava essa história de como ela viu muitos corpos no centro de São Paulo, na região do mercado da Cantareira e arredores.



Uma chaminé da antiga Usina de Força, no bairro da Luz, é o único resquício do maior conflito bélico ocorrido na cidade. Foram 504 mortos e quase 5 000 feridos durante os 23 dias em que as tropas federais do presidente Arthur Bernardes atacaram militares rebeldes que tentavam destituí-lo do poder, em 1924. Apesar do alto grau de letalidade, o confronto sempre esteve às sombras da guerra civil de 1932 nos registros históricos e, por isso, é chamado de Revolução Esquecida de 1924. 

A Revolta Paulista de 1924 foi uma revolta tenentista que aconteceu em São Paulo em julho de 1924. Foi a segunda revolta tenentista do período e tinha como objetivo a derrubada do governo de Artur Bernardes, o então presidente do Brasil. A cidade de São Paulo foi intensamente bombardeada, o que forçou os tenentistas a abandonarem a cidade dias depois.

Hoje faz 100 anos do inicio da revolta, que iniciou-se em 5 de julho de 1924.

Durante a Revolução de 1924, o presidente (governador) do Estado, Carlos de Campos, fugiu do Palácio do Governo, localizado nos Campos Elíseos, Região Central, que havia sido atacado pelos revoltosos, e se refugiou na estação de trem que hoje leva seu nome, para comandar a resistência.

Igreja de N.S. da Penha - 1924


A rua Guaiaúna, onde ficava a estação de trem citada, que na época também se chamava Guayauna, foi um dos centros de ataque aos rebeldes, pelas tropas federais comandadas pelo General Eduardo Artur Sócrates.


Mansão Maria Carlota, ladeira Cel. Rodovalho 
refúgio do governador, Carlos de Campos, se refugiou


Antecedentes da Revolta Paulista de 1924

A década de 1920 presenciou a decadência das oligarquias, modelo político que caracterizou a Primeira República, período que se estendeu de 1889 a 1930. O jogo político das oligarquias se tornou incapaz de atender às demandas da sociedade brasileira, e isso deu origem a uma série de movimentos de contestação.

Nesse cenário, o grande destaque foi o movimento tenentista, uma moção política que se iniciou entre os soldados de baixa patente do exército brasileiro. Esse movimento surgiu durante a campanha eleitoral para presidente em 1922 e tinha como objetivo colocar fim ao domínio das oligarquias na política brasileira.


Governador Carlos de Campos




O tenentismo teve relação direta com a decadência do modelo político da Primeira República e, inclusive, seus adeptos estiveram envolvidos com a Revolução de 1930, que colocou fim definitivo a essa fase. A atuação dos tenentistas no cenário político brasileiro se deu porque os militares entendiam que era papel deles interferir na política para salvar os rumos do país, se fosse necessário.

Dentre alguns dos interesses dos tenentistas, estavam:

construir uma república politicamente autoritária e economicamente liberal;

realizar uma reforma educacional;

desenvolver um sistema eleitoral mais eficaz para evitar que fraudes acontecessem. Nessa época o voto não era secreto, com isso existia o chamado ''voto de cabresto";  onde patrões forçavam seus empregados a votarem naqueles que eles indicassem.




A primeira revolta tenentista aconteceu no Rio de Janeiro em 1922 e ficou conhecida como Revolta do Forte de Copacabana. O movimento fracassou, e um ano depois os rebeldes já planejavam realizar outra revolta no Brasil. Essa conspiração, que seria a Revolta Paulista de 1924, era encabeçada pelo general da reserva Isidoro Dias Lopes e os tenentes Joaquim e Juarez Távora.

Eles desejavam iniciar um movimento que fosse capaz de derrubar o presidente. Para isso, planejaram revoltas em uma série de locais diferentes do país. Os tenentistas decidiram que a revolta organizada por eles deveria ter um grande impacto e, por isso, escolheram fazê-la na maior cidade do Brasil: São Paulo.


Casa destruída na Rua Caetano Pinto


Depois disso, revoltas tenentistas aconteceram em outros estados. Como forma de homenagem à Revolta do Forte de Copacabana (que aconteceu em 5 de julho de 1922), a Revolta Paulista foi iniciada no dia 5 de julho de 1924. Tiroteios e bombas começaram a ser ouvidos já na madrugada do dia 5, e os tenentistas conseguiram conquistar locais importantes, como quartéis do exército e da Força Pública.

Logo após isso, o presidente do estado de São Paulo, Carlos de Campos, recebeu o conselho de abandonar o palácio que residia, o Campos Elísios. Isso porque o local seria um importante alvo dos revoltosos, e, por medida de segurança, o ideal era abandoná-lo. Ele assim o fez e se instalou na Zona Leste de São Paulo, em um local mais distante do raio de ação dos rebeldes.


Palácio dos Campos Elíseos 1924


Quando os revoltosos chegaram ao palácio, o encontraram vazio. Durante cinco dias, houve intensos combates nas ruas de São Paulo, e, no final, os tenentistas tomaram o controle da cidade, ao menos de locais estratégicos. Enquanto isso, o presidente do Brasil já tinha deliberado ações para reprimir o movimento, enviando milhares de soldados a São Paulo para conter a revolta.



A Revolta de São Paulo de 1924 ficou marcada por ser o maior conflito armado já presenciado pela maior cidade brasileira. Isso porque o governo de Artur Bernardes não poupou esforços para derrotar o movimento e realizou uma repressão violenta contra São Paulo. O presidente autorizou uma campanha de bombardeio severa.

Os bombardeios eram indiscriminados e não visavam atingir alvos ocupados pelos revoltosos especificamente. Com isso, os civis também se tornaram alvo, o que fez com que a população entrasse em pânico. Cerca de 300 mil pessoas abandonaram a capital paulista e muitas se deslocaram para zonas periféricas.

Esses ataques seguiram por todo o período em que a cidade esteve nas mãos dos revoltosos, causando mortes e destruição. Estima-se que cerca de 4000 pessoas ficaram feridas. Destaca-se o fato de que os ataques aconteceram em bairros de trabalhadores e imigrantes, isto é, bairros de pessoas de classe econômica baixa.

Estima-se que o número de mortos foi de 503, segundo dados oficiais, porém existem estudos que esse número poderia teria chegados a mais de 800 mortos. O número de feridos também foi alto 4846, muitos estimam esse número em 5.000 feridos.

Cotonifício Crespi no bairro da Mooca



A situação dos rebeldes se agravou porque o cerco a São Paulo, somado aos bombardeios, colocou a cidade em uma posição muito ruim e afetou diretamente a vida das pessoas. Assim, uma série de inocentes morreram e, além disso, a cidade começou a sofrer com falta de alimentos, o que ocasionou saques nas regiões mais prejudicadas.


Saque ao depósito da Cia. Puglisi



Isso afetou o moral dos revoltosos, que se viram em uma situação muito delicada. Assim, no dia 27 de julho, eles planejaram fugir de São Paulo e o fizeram no dia 28 de julho. Com a fuga, eles se uniram a tenentistas rebeldes no interior do estado e partiram em direção ao oeste do Paraná.

No Paraná, eles encontraram os tenentistas que haviam se rebelado no Sul, no estado do Rio Grande do Sul. O encontro dos paulistas liderados por Miguel Costa com o grupo liderado por Luís Carlos Prestes deu início à Coluna Miguel Costa- Prestes, que ficou conhecida mais tarde somente como Coluna Prestes, um agrupamento de centenas de homens que marchou pelo interior do país, entre 1925 e 1927, lutando contra as tropas do governo.

A Revolução durou 23 dias de 5 de julho à 28 de julho de 1924.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
mundoeducacao.uol.com.br
historiadesaopaulo.blogspot.com
veja.abril.com.br
avidanocentro.com.br

quarta-feira, 3 de julho de 2024







Marina Colasanti nasceu em 26 de setembro de 1937 Asmara, capital da Eritreia, continente africano. Passou parte da infância em Trípoli, na Líbia, e também na Itália. Em razão da difícil situação vivida na Europa após a Segunda Guerra Mundial, Colasanti e sua família emigram para o Brasil em 1948, fixando residência no Rio de Janeiro A sua mãe faleceu aos 40 anos quando Marina tinha 16 anos.

Nascida numa família de artistas, neta de um professor de uma escola de artes, crítico de arte e escritor, filha de Manfredo Colasanti e irmã de Arduino Colasanti, ambos atores, e sobrinha-neta de Gabriela Besanzoni, cantora lírica, Colasanti esteve sempre cercada por arte. Durante os anos de 1952 e 1956, estudou pintura com Caterina Baratelli, e em 1956 entra para a  Escola Nacional de Belas Artes, na cadeira de Professorado de Desenho. A sua formação como artista plástica possibilitou que ela mesma pudesse, mais tarde, ilustrar suas obras.

Em 1962, começou a trabalhar como jornalista no Jornal do Brasil, onde trabalhou por 11 anos e em diversas funções: redatora, repórter, editora, colunista e cronista. Depois, foi trabalhar na Editora Abril, na Revista Nova,  onde passou 18 anos, mas paralelamente foi publicando seus livros.

Ela escreveu para vários veículos, apresentou programas inúmeros televisivos em que conseguiu notoriedade na mídia e criou alguns roteiros para filmes e novelas que não lhe renderam muito bem. Ao mesmo tempo ela se devotou ao universo literário e lançou sua primeira obra, Eu Sozinha, em 1968. 





Traduziu importantes textos da Literatura italiana. Como escritora, publicou mais de 70 livros, entre contos, poesia, prosa, literatura infantil e infanto-juvenil.

Conhecida por seus livros infantis, Colasanti já recebeu dezenas de prêmios literários, como o Jabuti em 1993, 1994, 1997, 2009, 2010, 2011 e, em 2014, venceu o prêmio na categoria Livro do Ano de Ficção. Seu livro de contos Uma Ideia Toda Azul recebeu o prêmio O Melhor para o Jovem, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2010, recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro Passageira em trânsito. Em 2017, ela recebeu o 13º Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil.







A vasta produção literária de Marina Colasanti abrange mais de cinquenta títulos de poesia, contos e crônicas, publicados no Brasil e traduzidos em diversas outras línguas. Suas obras são bastante variadas e atraem leitores de diversas faixas etárias. Os temas sobre os quais a autora reflete em suas obras também são os mais diversos, como histórias de amor, o papel da mulher na sociedade, os relacionamentos interpessoais, entre outros. A autora também é ilustradora de suas próprias obras.

"Meu amado me diz
que sou como maçã
cortada ao meio.
As sementes eu tenho
é bem verdade.
E a simetria das curvas.
Tive um certo rubor
na pele lisa
que não sei
se ainda tenho.
Mas se em abril floresce
a macieira
eu maçã feita
e pra lá de madura
ainda me desdobro
em brancas flores
cada vez que sua faca
me traspassa."





Fontes:

wikipedia.org
google.com
marinacolasanti.com
brasilescola.uol.com.br

terça-feira, 2 de julho de 2024

Vamos tratar hoje das diferenças entre do português falado em Portugal e o falado no Brasil.



A língua portuguesa é a quinta língua mais falada do mundo. Embora Portugal seja o país de origem do português, a variante brasileira é a mais utilizada, com mais de 200 milhões de falantes.



Será que você consegue entender o que se passou aqui?

“Fui levar o cão à rua e oiço uma mãe com uma miúda a sair de uma carrinha. A miúda muito gira saltitava com plasticines e uma grande esferovite na mão até que não viu o degrau do passeio e tropeçou. A mãe piurça deu-lhe um raspanete e ainda a mandou pôr o rabo no passeio enquanto apanhava as tralhas caídas. As quadrilheiras já foram espreitar à janela para ficarem a par do ocorrido”.

Fui levar o cachorro passear e ouço uma mãe sair do carro com uma menina. A menina era muito bonita e pulava com massinhas de modelar e uma bola grande de isopor, até que não viu a guia e tropeçou na calçada. A mãe ficou muito brava, passou um sermão e mandou que ela sentasse na calçada enquanto ela pegava os objetos caídos. As fofoqueiras já foram à janela para ver o que tinha acontecido.

Diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal


A maneira de falar



Os portugueses possuem uma fonética um pouco diferente da nossa. O “l”, por exemplo, é mais carregado e alguns sons de determinadas palavras também podem sair diferentes, com vogais tônicas sendo mais pronunciadas. Ex: m’nino, esp’rança (Portugal), menino, esperança (Brasil).


A relação com o gerúndio



Uma coisa que você dificilmente vai ver é um português falar o gerúndio. Em Portugal, a preferência é dada para o infinitivo, modificando até conjugações em tempos como o passado e o futuro. Ex: Estou a sair agora. Ela estará a conversar com meu pai.


Os pronomes mais presentes



Você já deve ter reparado também que o português de Portugal utiliza mais pronomes que o nosso. Na língua falada, o pronome oblíquo aparece depois, e não antes, como os brasileiros costumam dizer. Ex: Faz-me um favor? (Portugal), Me faz um favor? (Brasil).

Em Portugal, também é comum usar o “tu” para amigos, família e em situações casuais, diferente do Brasil, que utiliza mais o “você”.

Minha avó materna era portuguesa e dizia que só usavam o pronome "você" numa discussão, como forma de ofensa à outra pessoa.


Algumas expressões curiosas



Estou! Sabia que é assim que os portugueses atendem às suas ligações telefônicas? Pois é, se você ligar para algum amigo de Portugal e ele responder dessa forma, não estranhe. É assim que eles atendem ao telefone por lá. No Brasil, isso equivale ao nosso famoso “alô!”


Algumas palavras que se diferenciam na Língua Portuguesa


Português do Brasil Português de Portugal

café da manhã -  pequeno almoço                  
celular -  telemóvel                                
sorvete - gelado                               
criança -   miúdo                            
trem  - comboio                                  
equipe - equipa                              
camiseta  - camisola    
faixa de pedestre - passadeira
açougue - talho
aeromoça - hospedeira de bordo
conversível - descapotado
carro - máquina
calcinha - cueca
                

Algumas palavras podem até mesmo causar uma grande confusão se usadas em terras brasileiras ou em solo lusitano. É o caso da palavra “cueca”, usada no Brasil para se referir à roupa íntima masculina, enquanto em Portugal refere-se à roupa íntima feminina (calcinha).

A jovem portuguesa é conhecida por rapariga no português de Portugal. No Brasil, essa palavra tem uma conotação de prostituta.

Por isso, é preciso ficar atento para não cometer esses deslizes de vocabulário e saber que as distinções também podem gerar algum mal-entendido.

Outra diferença marcante é que em Portugal, as vogais são pronunciadas de maneira aberta e no Brasil de forma fechada.

Há um fechar das vogais à medida que vamos de Norte para Sul, semelhante ao que acontece no Brasil com o “précisu cómê minhá cómida” no Nordeste e o “prêcisu cumê minhã cumida” no Rio de Janeiro, por exemplo.

Na forma de escrever também notamos diferenças: No Brasil escrevemos - bebê, em Portugal - bebé . Escrevemos bônus no Brasil e em Portugal - bónus.



Algumas expressões no português de Portugal: 

Em águas de bacalhau: Em banho-maria, deixar de molho.

Vista d’olhos: dar uma espiada.

Tás a ver?: Tá vendo? Entende?

Alfacinhas: quem é nascido em Lisboa.

Tripeiros: quem é nascido no Porto.

Bico de obra: situação ou pessoa difícil

Você está louco?: Você está com raiva?

Azeiteiro: brega, cafona



Diferença na colocação pronominal

No português do Brasil, há um predomínio da próclise, ou seja, da colocação pronominal antes do verbo, principalmente em linguagem informal.

No português de Portugal há um predomínio da ênclise, ou seja, da colocação pronominal após o verbo.

Português do Brasil (próclise)Português de Portugal (ênclise)

Filho, me dá um abraço! Filho, dá-me um abraço!

Ele se arrependeu do que fez. Ele arrependeu-se do que fez.

O professor me pediu um favor. O professor pediu-me um favor.

Ela me avisou da alteração. Ela avisou-me da alteração.



Fontes:

mundoescrito.com.br
pt.quora.com
dicio.com.br
nacionalidadeportuguesa.com.br


Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...