terça-feira, 23 de maio de 2023

 Hoje 23 de Maio comemora-se em São Paulo, o início da revolta contra o governo de Getúlio Vargas chamado de M.M.D.C.


Tudo começou depois da quebra da tradição pela oligarquia paulista da chamada política do café com leite, onde membros da elite paulista e mineira se revezavam no pode central do Brasil.

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O poder financeiro das aristocracias rurais de Minas Gerais e São Paulo, crescente durante o século anterior, havia permitido que seus políticos adquirissem projeção nacional. Desta forma, a política do café com leite consolidou o poder das famílias mais abastadas, formando as oligarquias. 

O poder econômico dessas oligarquias era como um passaporte para que eles controlassem o país inteiro visando suas conveniências e acumulando mais riquezas.

A política do café com leite, como ficou conhecida essa aliança, permitiu à burguesia cafeeira paulista de controlar, no âmbito nacional, a política monetária e cambial, e a negociação no exterior de empréstimos para a compra das sacas de café excedentes, enfim, uma política de intervenção ainda mais ativa que garantia aos cafeicultores lucros seguros. Para Minas Gerais, o apoio a São Paulo garantia a nomeação dos membros da elite mineira para cargos na área federal e verbas para obras públicas, como a construção de ferrovias.

A elite paulista, no entanto, traiu os mineiros quando o presidente paulista Washington Luís apoiou outro paulista Júlio Prestes para a sua sucessão, quando a vez seria de um político mineiro.

Aproveitando-se do confronto entre paulistas e mineiros, o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas toou o poder.

A perda de poder e principalmente influência, além da quebra da Bolsa de N. York em 1929, que deixou muitos barões do café na miséria, sem a ajuda requerida do Estado fez com que políticos paulistas incitassem à população para um conflito, que muitos dizem ser de secessão com o governo central do Brasil.

Em 23 de maio de 1932, quando estudantes invadiram a sede da Liga Revolucionária, que apoiava a Revolução de 30 de Getúlio. Na ocasião houve um combate entre a polícia e os manifestantes que resultou na morte de quatro estudantes: Mario Martins de AlmeidaEuclides MiragaiaDráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade

A história de estudantes mortos é um tanto forçada, além de Dráuzio Marcondes de Souza de 14 anos, que trabalhava com seu pai na farmácia da família, que era estudante, e foi até  a sede do PPP por mera curiosidade. Os demais já eram homens feitos. Mario Martins de Almeida tinha 25 anos na época e era fazendeiro em Sertãozinho.  Euclides Bueno Miragaia tinha 21 anos e trabalhava num cartório no centro de São Paulo, ele era de São José dos Campos. Antonio Américo Camargo, era de uma tradicional família de cafeicultores de Amparo, tinha 31 anos era casado e tinha 3 filhos.


Os jovens paulistas revolucionários eram conhecidos respectivamente como Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus nomes gerariam o movimento conhecido como MMDC.




O MMDC foi o movimento clandestino que oferecia treinamento de guerrilha aos paulistas. Prestando homenagem e tomando como nome as iniciais dos quatro jovens assassinados pela organização que apoiava o governo de Getúlio Vargas em São Paulo, o MMDC procurava organizar um movimento consistente e treinado militarmente para enfrentar o governo nacional com fins de conseguir a derrubada do presidente.


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Além dos quatro jovens mortos em maio de 1932, houve outro, Orlando de Oliveira Alvarenga, que ficou gravemente ferido no confronto, mas só faleceu três meses depois. Por este motivo, é possível também encontrar a sigla MMDCA para representar o levante revolucionário. De toda forma, o certo é que o movimento revolucionário que se inspirou na morte dos jovens para definir seu nome desencadeou uma onda crescente de manifestações e enfrentamentos ao governo que culminou com os combates da Revolução Constitucionalista de 1932.


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                             Mausoléu dos mortos de 32


Em São Paulo, elos menos duas avenidas homenageiam a revolução e os mortos de 32: Av. 23 de Maio e Av. 9 de Julho.

O certo é que a ambição de manter privilégios de uma minoria, levou o Estado de S. Paulo a uma guerra insana, com  mote de uma Nova Constituição e acabar com a ditadura varguista. Esquecem, todavia, que o queria era que outra ditadura que dominava o Brasil na República Velha permanece no poder no lugar daquela.



As baixas entre os paulista passam de 1000 mortos, para ter uma comparação, na Segunda Guerra Mundial, morreram cerca de 500 brasileiros.




Fontes:
historiabrasileira.com
wikipedia.org
google.com
infoescola.com



segunda-feira, 22 de maio de 2023

 “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? 


“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?”

Segregado por seus pares, no Senado, Catilina ouve o duro discurso acusatório de Marcus Tullius Cícero - então Cônsul de Roma com poderes excepcionais conferidos pelos Senadores romanos (pintura de Cesare Maccari, 1888).




“Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? 
Quam diu etiam furor iste tuus nos eludet? 
Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia? 
Nihilne te nocturnum praesidium Palati, nihil urbis vigiliae, nihil timor populi, nihil concursus bonorum omnium, nihil hic munitissimus habendi senatus locus, nihil horum ora voltusque moverunt? 
Patere tua consilia non sentis, constrictam iam horum omnium scientia teneri coniurationem tuam non vides? 
Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris? 
O tempora, o mores! 
Senatus haec intellegit. Consul videt; hic tamen vivit. 
Vivit?”




Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?


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Marco Túlio Cícero (Marcus Tullius Cícero) (03/01/106 a.C. - 07/12/43 a.C.) foi o mais brilhante advogado romano, fantástico orador, doutrinador e humanista sensível – a ponto de sua enorme compreensão humana dos fatos políticos ter-lhe custado momentos críticos de hesitação e mudanças, isso em um período marcado por crises republicanas, ascenção da ditadura de Caio Júlio César (Caius Julius Caesar) e a consequente morte da República – que tanto defendera.

Cícero, a par de sua carreira de advogado, foi questor em 75 a.C. (com 31 anos), Edil em 69 a.C. (com 37 anos), e Pretor em 66 a.C. (com 40 anos). Presidente do Tribunal de “Reclamação” e Cônsul eleito, quando tinha apenas 43 anos.

Foi exercendo o consulado que Cícero destruiu a conspiração liderada por Lúcio Sérgio Catilina, para derrubar a República.

O Senado concedeu a Cícero o Senatus Consultum de Re Publica Defendenda – algo parecido com os poderes excepcionais no Estado de Sítio.

Nessa condição, Cícero fez Catilina deixar voluntariamente a cidade – varrido por quatro discursos memoráveis, chamados Catilinárias, que até hoje são exemplos estupendos de oratória.

As Catilinárias formam um conjunto acusatório, expondo as tramas, conspirações, corrupções e até mesmo excessos pessoais de Catilina e seus seguidores. Denunciam simpatizantes de Catilina no Senado Romano, qualificando-se como patifes, corruptos e maus pagadores, que viam Catilina como uma espécie de esperança desesperada.


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Catilina




Cícero, ao invés de decretar a execução, exigiu que Catilina e os seus seguidores deixassem a cidade. Quando acabou o seu primeiro e memorável discurso, Catilina saiu do Templo de Júpiter Estator. Nos discursos seguintes, já sem a presença de Catilina, Cícero dirigiu suas catilinárias ao Senado Romano

A crise, contudo, não se resolveu com o exílio voluntário de Catilina, pois a conspiração continuou. Entra em cena o tribuno Caio Júlio César, que impediu a aplicação da pena de morte a Catilina e seus seguidores e pregou a prisão perpétua dos conspiradores, contrariando outro grande Senador, Catão, que defendeu a pena de morte e obteve a aprovação do Senado.


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Cícero discordava de César e Catão – ele entendia que Catilina e os conspiradores, ainda que nefastos, mereciam um julgamento formal. Porém, sem outra saída senão aceitar a ordem do Senado, ordenou que os conspiradores fossem levados a Tuliano, onde foram estrangulados.

Constrangido com o espetáculo das execuções, Cícero fez questão de acompanhar o ex-consul Públio Cornélio Lêntulo Sura, um dos conspiradores, a Tuliano. Por salvar a República Romana, Cícero recebeu o título honorífico de “Pai da Pátria”. Porém, passou o resto da vida temendo ser julgado ou exilado pelo fato de ter condenado cidadãos Romanos à morte sem julgamento.


Por suas desavenças públicas com Marco Antônio, Cícero caiu em desgraça, vindo a ser assassinado quando se dirigia para o exílio na Macedônia.



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Assassinato de Cícero


O discurso de Cícero é atual até os dias de hoje, onde políticos e administradores fazem da coisa pública algo a ser fruto de seus próprios interesses, e se utilizam do poder que é emanado do povo, e deveria servir ao povo, uma coisa privada com fins de ilicitude, desperdício e corrupção.






Fontes:

arqnet.pt/portal/discursos
ambientelegal.com.br/cicero
wikipedia.org
google.com.br

sábado, 20 de maio de 2023

 Cartas de Erasmo





Constituída de sete cartas, essa obra encerra o ciclo de textos sobre política, economia e escravidão que José de Alencar compôs sob o pseudônimo de Erasmo entre 1865 e 1868. Embora aborde a Guerra do Paraguai (Cartas I, V e VI) e a política do Império em geral (Carta VII), seu principal assunto é a defesa do sistema escravista no Brasil (Cartas II, III e IV).

Sim, o grande romancista José de Alencar era um defensor da escravidão no Brasil.

O escritor apontava como única proposta possível de transição entre a escravidão e a liberdade, o cultivo das relações de dependência entre senhores e escravos, operadas por meio da mudança nos costumes e na índole da sociedade, em um processo que “adoçava” o cativeiro, transformado em servidão até chegar à ausência de amparo dos escravocratas, que resultaria na redução do domínio senhorial e, paulatinamente, assumiria a forma de “tutela benéfica” dos escravos e libertos.


No campo político, a emancipação dos escravos era um tema importante, sobretudo após a promulgação da lei de extinção do tráfico negreiro, sob pressão do governo britânico em 1850.

O debate se intensificou entre liberais e conservadores a respeito da pauta da emancipação e culminou com a aprovação da Lei do Ventre Livre (1871), cujo enunciado principal era a concessão de liberdade aos filhos de escravos.

A promulgação dessa lei sofreu forte oposição e, somente na Província do Rio de Janeiro, dos doze deputados, onze se posicionaram contrários , especialmente porque estavam ligados às oligarquias e às grandes fazendas dos latifundiários, especialmente cafeicultores. 

Compunham ainda o elenco dessas cartas, temas como Guerra do Paraguai, crise financeira e sistema moderador de representação política.


Fontes:

academia.org.br
digital.bbm.usp.br
periodicos.unifesspa.edu.br
www.encontro2016.pr.anpuh.org

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Vamos falar hoje do poema lírico do escritor, representante do arcadismo luso-brasileiro,  Tomás Antonio Gonzaga, Marília de Dirceu.





" Eu, Marília, não sou algum vaqueiro;
que viva de guardar alheio gado,
Do tosco trato, d´expressões grosseiros,
Dos frios gelos, e dos sois queimado.

Tenho próprio casal, e nelle assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite,
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília, bella,
Graças à minha Estrella"

O Arcadismo brasileiro foi um movimento do século XVIII, e teve como principais artistas, expoentes de Vila Rica, atual Ouro Preto em Minas Gerais.

Suas características no estilo lírico foram o sentimentalismo, o amor não correspondido, a terra natal, a vida campesina. Os principais expoentes dessa época foram : Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Santa Rita Durão e Basílio da Gama.

O poema Marília de Dirceu conta a história de amor de dois pastores de ovelhas.



No decorrer da obra, o eu lírico expressa seu amor pela pastora Marília e fala sobre suas expectativas futuras.

Dentro do contexto do Arcadismo, Dirceu revela a ambição de ter uma vida simples e bucólica ao lado de sua amada.

A natureza torna-se, portanto, uma forte característica, a qual é descrita em diversos momentos. No entanto, esse amor não pode ser consumado, visto que Dirceu foi exilado de seu país.

A primeira parte do poema exalta a beleza da amada.


D E  D I R C E 0. 

 Os tens olhos espalhão luz d ivin a,
 A quem a luz   do So! em vão se atreve :
Papoula, ou rosa delicada, e fina, 
Te cobre as faces , que são cor da neve.
 Os teus cabellos são huns fios d’ ouro ;
 Teu lindo corpo balsamos vapora. 
A l i ! nao , nao o  fez o Ceo , gentil Pastora 
. Graças, Marilia bella , 
■ Graça a minlia Estrella !


Na segunda parte, o tom de solidão já começa a aparecer, uma vez que o eu lírico vai para a prisão. Isso porque Dirceu esteve envolvido no movimento da Inconfidência Mineira, em Minas Gerais.


Nesta cruel masmorra tenebrosa
 Ainda vendo estou teus olhos bellos, 
A testa formosa.
 Os dentes nevados,
 Os negros cabellos.
 Vejo , Marilia , sim , e vejo ainda
 A chusma dos Cupidos, que pendentes
 Dessa bocca linda, 
Nos ares espalhão
 Suspiros ardentes. 



E, por fim, na terceira parte, o tom de melancolia, pessimismo e solidão é notório.

Exilado na África, o eu lírico revela a saudade que sente de sua amada:

Parte III, Lira IX




“Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!”

A obra foi publicada em Lisboa em 1792. Está estruturada em três partes.

Primeira parte: composta por 33 liras que foram publicadas em 1792.

Segunda parte: composta por 38 liras que foram publicadas em 1799.

Terceira parte: composta por 9 liras e 13 sonetos que foram publicadas em 1812.

Os protagonistas da história são os pastores de ovelhas: Marília e Dirceu. Ele representa a voz do poema (eu lírico).

A lira é um instrumento musical de cordas. Na literatura, ela designa uma poesia cantada. Na Grécia antiga, as poesias eram acompanhadas pela lira.







De caráter autobiográfico, Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) escreveu essa obra inspirado na sua própria história de amor.

O poeta nasceu na cidade do Porto, Portugal e morreu no exílio em Moçambique na África.

Conheceu sua musa inspiradora quando estava morando e trabalhando como Ouvidor Geral na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Seu nome era Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão.

Tomaz Antonio Gonzaga



Chegaram a ficar noivos, entretanto, Tomás foi acusado de conspiração, uma vez que estava envolvido com o movimento da Inconfidência Mineira.


Tomás e Doroteia


Sendo assim, ele foi preso e exilado na África, se afastando de sua amada. Nesse tempo, escreveu a obra que o consagraria.

O nome da cidade de Marilia, interior de São Paulo foi dado em homenagem ao poema de Tomás Antonio Gonzaga.



Fontes:

todamateria.com.br
google.com
wikipedia.org
digital.bbm.usp.br
todoestudo.com.br
portugues.com.br
Gonzaga, Tomás Antonio - Marília e Dirceu


terça-feira, 16 de maio de 2023

Vamos falar de uma das obras do período sertanista de José de Alencar, o Sertanejo, publicado em 1875.





PRIMEIRA PARTE 

 I – O comboio



 "Esta imensa campina, que se dilata por horizontes infindos, é o sertão de minha terra natal. Aí campeia o destemido vaqueiro cearense, que à unha de cavalo acossa o touro indômito no cerrado mais espesso, e o derriba pela cauda com admirável destreza. Aí, ao morrer do dia, reboa entre os mugidos das reses, a voz saudosa e plangente do rapaz que aboia o gado para o recolher aos currais no tempo da ferra. Quando te tomarei a ver, sertão da minha terra, que atravessei há muitos anos na aurora serena e feliz da minha infância? Quando tornarei a respirar tuas auras impregnadas de perfumes agrestes, nas quais o homem comunga a seiva dessa natureza possante? De dia em dia aquelas remotas regiões vão perdendo a primitiva rudeza, que tamanho encanto lhes infundia. A civilização que penetra pelo interior corta os campos de estradas, e semeia pelo vastíssimo deserto as casas e mais tarde as povoações." (p.1)




Nos primeiros capítulos do livro o narrador apresenta primeiro a paisagem do sertão, para depois aparecer com o personagem principal e enredo.





A história de O sertanejo se passa no nordeste e tem como personagem-narrador Severino, uma pessoa que tenta se definir ao longo da obra mas não consegue, então passa a ser uma figura genérica que representa o povo daquela região. Ele é representante de um povo sofrido, que luta contra a fome, sede e miséria.

O personagem principal do romance é Arnaldo Loureiro, um vaqueiro típico do sertão cearense, trabalha para o capitão mor, Arnaldo Campelo, e nutre uma paixão pela meia irmã do capitão, D. Flor, que está prometida para Leandro Barbilho, e é cortejada também por Marcos Fragoso.


"—' O capitão Marcos Fragoso, de jornada para sua fazenda do' Bar'gado com êrstes amigos que lhe fizeram o obséquio de sua com'pan'hia', 'não podia, passando a primeira vez pela Oiticica, faltar à'cortesia de saudar o sr. capitão-mor Gonçalo Pires Campelo, como vizinho, e ainda mais como filho de um velho amigo seu, o coronel Fragoso. — O capitão Marcos Fragoso e seus amigos serão sempre bem vindos à nossa casa, e nos darão prazer se quiserem receber o agasalho que lhe oferecemos de boa vontade." (p.50)

....


"— E Flor? O capitão-mor refletiu antes de responder: — Já temos pensado no seu futuro, D. Genoveva, disse o capitão-mór. — Ela está com dezenove anos. — Até os vinte não é tarde. — Mas o noivo? — Eis a dificuldade. Lembrámo-nos primeiro, de nosso sobrinho, Leandro Barbalho, de Pajeú de Flores. Agora com a vinda do Marcos Fragoso ao Bargado, estamos em dúvida, qual nos convenha melhor. — O Marcos Fragoso, sr. Campelo, o filho do coronel? Acha que Flor pode casar com êle? — Se formos a esperar que apareça um mancebo com dotes para merecer a nossa filha, D. Genoveva, ela não casará nunca, pois onde está êsse? Nem que vamos a Lisboa procurá-lo na melhor fidalguia do reino, acharemos um marido como nós o queríamos para Flor. Assim que temos de escolher entre o que há; e o Marcos Fragoso é dos poucos; as maldades do pai, êle não as herdou, com o grosso cabedal de sua casa. — Diziam tanta coisa dêsse moço no Recife! observou D. Genoveva abaixando os olhos com o recato calmo de uma senhora. — Rapaziadas que passam; quando for marido de Flor, ele não se atreverá a faltar-nos ao respeito; pois sabe que não lhe perdoaríamos o menor descomedimento. — O Leandro sempre é parente. — Mas não é tão abastado como o Marcos Fragoso; e não tem o seu porte fidalgo, respondeu o capitão-mor que era homem das formas. Lá no campanário da capela, acabava de soar a primeira badalada do toque de ave-maria. O som argentino da sineta vibrando nos ares foi repercutir ao longe no burburinho da floresta, de envolta com o mugir do gado e os rumores da herdade." (p.66)


O casamento com Leandro Barbalho, sobrinho do capitão-mor e primo de D.Flor.  Rejeitado pelo pai da donzela Fragoso engendrou um plano para atacar a fazenda e raptar a moça.

"— É uma emboscada, disse o velho. 
— A quem? perguntou Arnaldo. 
— Ao Campelo. O capitão-mor é soberbo; ofendeu ao moço, este vinga-se. 
— Mas ele pretende a filha por esposa? 
— Então é que o pai a recusou. 
— Ainda não, afirmou Arnaldo"

....

"O Fragoso não podia achar melhor instrumento para seu projeto; e até, segundo rezava a crônica de Inhamuns, não seria esse dos primeiros furtos ou raptos de moça que o Onofre fizesse por conta do patrão, o qual tinha fama de grande corredor de aventuras." (p.99)

Chegou, então  o dia esperado do casamento. A fazenda estava enfeitada, a luz do sol resplandecia a alegria dos moradores e serviçais.

"Apareceu então D. Flor. A donzela vinha radiante de formosura e graça. Debuxava-lhe o talhe airoso um vestido de lhama de ouro, justo e de estreita roda como usam-se agora à moda daquele tempo. Uma petrina de setim azul recamada de rubís como uma faixa de céu estrelado, cerrava-lhe a mimosa cintura, e recortando-se em coração, debuxava um colo do mais perfeito cinzel. Eram dessa mesma teia celeste os chapins em que se engastavam as jóias de dois pés de sílfide. A túnica de veludo carmesim, atufando-se em dois elegantes falbalás, formava a cauda que a gentil donzela arrastava com o altivo garbo de uma rainha. O toucado alto, composto de crespos que borbulhavam uns sôbre outros como as ondas de uma cascata, era coroado por um diadema de brilhantes, que cintilavam aos raios do sol nascente, sôbre aquela fronte senhoril, como se a aurora brilhasse da terra para o céu. Preso por um airão de ouro, o longo véu de alva e finíssima renda de escócia, todo semeado de raminhos de alecrim e flor de laranja, com lizes de ouro, descia-lhe até os pés, e arfando às auras matutinas, formava-lhe uma nuvem diáfana. Pousava a mão calçada com luva de sêda branca no braço de Leandro Barbalho, também trajado com apuro e riqueza e pelo mesmo teor do capitão-mór com a diferença de trazer a casaca de setim verde de Macau. A esse tempo, padre Teles vestido com os paramentos sacerdotais, saía da capela acompanhado pelo sacristão, e ia ao encontro do capitão-mor recebê-lo e à sua família de hissope e turíbulo, como era então de rigor fazer aos príncipes e governadores. D. Flor conduzida pelo cavalheiro, desceu os degraus da escada, e dirigiu-se ao altar, precedida pelo capelão e acompanhada pelo capitão-mor e D. Genoveva. Alina, Justa, e outras mulheres do serviço da casa tiveram licença para assistir à cerimônia. Faziam parte do séquito e seguiam logo após do capitão-mor, três pajens negros como azeviche, vestidos à moda antiga de pelotões de cetim amarelo os quais levavam ao ombro os bacamartes do dono da Oiticica. Os agregados da fazenda estavam surpreendidos com aquele espetáculo, cuja significação muitos ainda não atinavam. Nesse enleio, olhando a formosa donzela que passava radiante e, parecia-lhes ver a imagem de Nossa Senhora da Conceição no resplendor de sua festa." (p. 146)

Nesse momento irrompe na fazenda Marcos Fragoso, com toda a seus jagunços na intenção de raptar D.Flor. Surpreendido pelo casamento ela manda seus capangas abrirem fogo!

"— Inferno! bradou em fúria. Vão casar-se.
 — O jeito é disso, observou Daniel Ferro. 
— Fogo! ordenou o moço capitão aos seus bandeiristas. 
— E a missa? perguntou o Onofre por desencargo de consciência. 
— Leve tudo o diabo! gritou Fragoso, armando o bacamarte. — Então, minha gente, começa o fandango. Quero ver esta pontaria! Na cabeça do padre, que é a causa de tudo. Sem padre não se faz casamento. A bandeira do Onofre com o Marcos Fragoso à frente deu a primeira descarga, e carregou para avançar. João Correia e Daniel Ferro correram ao sítio onde tinham acampado a sua gente, para atacar de seu lado. Quanto ao Ourém, não tendo conseguido com a sua diplomacia resolver o casus belli, reservou-se para mais tarde ajustar a paz; e dando trégua à retórica, passou a mostrar que, sendo preciso, também exercitava-se nas lides de Marte, embora preferisse as de Calliope e Mercúrio. Ao estrondo da fuzilaria, houve no terreiro da Oiticica uma percussão geral, como era de prever; mas o capitão-mor, erguendo-se de um ímpeto e perfilando a corpulenta estatura, bradou com uma voz formidável: — Ao fogo, os da escolta. Ninguém mais se mova. Padre, acabe a cerimônia. Padre Teles compreendeu que sendo ele, não o agente, mas o instrumento da provocação imaginada pelo capitão-mor, devia tornar-se o alvo principal dos tiros do Fragoso empenhado sobretudo em impedir o casamento." (p 148)

O tiroteio foi intenso, e bem na hora da consagração do matrimônio, quando o sacerdote iria juntar as mãos dos noivos, Leandro Barbalho foi atingido e caiu morto. Nisso Arnaldo correu para o altar na intenção de proteger D. Flor e seus pais.

Arnaldo, sempre foi um fiel empregado do capitão-mor, e sempre teve um amor platônico pela filha dele, que nesse dia teve o triste infortúnio de ver-se viúva no dia do matrimônio.

O capitão-mor agradeceu toda a dedicação de Arnaldo e diante de sua família deu-lhe o nome de sua família.

 "— Tu és um homem, e de hoje em diante quero que te chames Arnaldo Louredo Campelo. Proferindo estas palavras em uma expansão de entusiasmo, o capitão-mor abraçou o sertanejo. Depois tomando a mão de Alina, deu-a ao Agrela." (p.151)

Alina sempre foi apaixonada por Arnaldo, e atitude dele pedindo a mão dela para o amigo Agrela, muito a decepcionou. Agrela, vendo a desilusão de Alina, disse-lhe que só aceitaria casar-se com ela quando esse fosse seu desejo.

Arnaldo foi consolar  D. Flor, sentada num banco próximo da casa grande.

"— Está triste, Flor? disse Arnaldo. A donzela sobressaltou-se: — Estou com pena de Leandro. 
— Queria-lhe muito? perguntou Arnaldo trêmulo. 
— Era meu primo; e morreu por minha causa.
 — Só?… 

O sertanejo interrogou o semblante de Flor, que pousando nele seus olhos aveludados, respondeu: — Deus não quer que eu me case, Arnaldo! No transporte do júbilo que inundou-lhe a alma, o sertanejo alçou as mãos cruzadas para render graças ao Deus que lhe conservava pura e imaculada a mulher de sua adoração. Flor corou; e afastou-se lentamente. Quando seu vulto gracioso passou o limiar da porta, Arnaldo ajoelhando, beijou o ar ainda impregnado da suave fragrância que a donzela derramava em sua passagem. "
(p.152)



Fontes:

dominiopublico.gov.br/o sertanejo
soestudantes.com
postliberal.com.br
]wikipedia.org
google.com

domingo, 14 de maio de 2023

 A palavra mãe em vários idiomas.


Li uma vez, que um estudo linguístico indicava que na maioria dos idiomas falados no mundo a palavra mãe tinha uma certa semelhança com o choro do bebê representado pela figura de linguagem chamada de onomatopeia ( mmmmua bua,bua).




Assim em vários idiomas o som da palavra mãe inicia-se com o vocábulo (M)

Mother (inglês)

Mère (francês)

Mutter (alemão)

 اُمٌّ (árabe) - lê-se hummm

Matka (Checo e polonês)

Madre (italiano e espanhol)

Matb (russo)

 μητέρα (grego) - lê-se mitera

Me (vietnamita) lê-se mé

母亲  (chinês) - lê-se muutin


A mulher ao se tornar mãe divide-se em duas; ela própria e o lado maternal, pronta a acudir, ajudar, acalmar, alimentar e amar o filho, não importa a idade.


Feliz Dia das Mães!

Fontes:



collinsdictionary.com/pt
google.com
grudadoemvoce.com.br
wikipedia.org

sábado, 13 de maio de 2023

 Hoje faz 135 anos da lei Áurea.




Em 13 de Maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei 3353, conhecida popularmente como Lei Áurea.

Princesa Isabel, o marido conde D´Eu e os três filhos


A princesa tinha assumida a regência do Brasil por ocasião da viagem  de seu pai D.Pedro II.

Já em 1871, durante outra viagem do imperador, ela assinou a Lei do ventre Livre, que fez com que todos filhos de escravos nascessem livres.


Isabel percebeu que a havia um movimento da opinião pública brasileira de se tornar pró-abolição. “Antes, escondida, fazia de forma reservada. Ela protegeu, por exemplo, o quilombo do Leblon, quando o Barão de Cotegipe e o desembargador Coelho Bastos, chefe da polícia, iam massacrar as pessoas. Foi ela que não deixou que isso acontecesse em 1886”, diz o pesquisador. “A Lei Áurea não é uma coisa micro. Decretou a igualdade. Ela aproveitou o momento e foi audaciosa”, diz o historiador Bruno Cerqueira.


Apesar de toda pressão dos fazendeiros e ameaças contra ela, a princesa mostrou-se firme e decidida.

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão nas Américas, e  além da pressão dos abolicionistas internos, no mundo civilizado havia uma grande pressão para a abolição.


O 13 de maio de 1888 foi de festa no Brasil, conforme explicam os historiadores. Os jornais do dia seguinte trouxeram a novidade nas manchetes. O povo em Petrópolis foi homenageá-la e ela recebeu flores, na chuva, das pessoas. No ano seguinte à Abolição, a monarquia foi destituída, e a família imperial foi para o exílio.

Os conservadores, latifundiários, religiosos, e homens de "família'' não tinham o menor pejo de manter sobre grilhões seus semelhantes.

Infelizmente esse ranço escravocrata ainda persiste até os dias de hoje. Infelizmente ainda temos noticias de trabalho escravo em pleno século XXI.

Somente em 1º de junho de 2015, a então presidente da República Dilma Rous sancionou a PEC 66/2012 de autoria do deputado Carlos Bezerra que igualava o serviço doméstico a todos os outros trabalhadores do Brasil.

Coincidência ou não, em 2016, a presidenta Dilma sofreu o impeachment.


Fontes:

wikipedia.org
brasilescola.uol.com.br
agenciabrasil.ebc.com.br

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