sexta-feira, 12 de maio de 2023

 Vamos falar da obra de José de Alencar "Til".

Til faz parte da fase regionalista de Alencar ao lado de O Gaucho, tronco de ipê e o sertanejo, e foi publicado em 1872.




“Daí em diante aquele sinal, que para o idiota era o símbolo da graça, da gentileza e do prazer, tornou-se a imagem de Berta, e não se cansava Brás de o repetir, não por palavras, mas por acenos com os meneios mais extravagantes. Dias depois, chamando-a ele pelo nome, a menina respondeu-lhe: — Não me chamo mais Berta; meu nome agora é Til” (p. 56).


Brás era sobrinho de Luís Galvão, filho de sua irmã, e com certo retardo intelectual.

Dona Ermelinda, em princípio ficou indignada com a presença do menino no seio0 de sua família, mas aceitou, por não ter mais nada oque fazer, uma vez que o menino necessitava de ajuda.

Berta, por sua vez era filha de Besita, filha bastarda de Luís Galvão e Besita. Após a morte de sua mãe, passa a viver com nhá Tudinha e seu filho Miguel. Muito bonita e graciosa, atrai o carinho e o amor de todos, tendo contato inclusive com as pessoas mais desprezadas da região. Berta é cortejada tanto por Afonso, filho de Luís Galvão, como por Miguel, filho de Nhá Tudinha, e irmão de criação de Berta. Afonso não sabe que é irmão de sangue de Berta. Além deles Brás também é apaixonado por ela.



"No ano de 1846 era de recente fundação a fazenda das Palmas, que Luís Galvão,
seu proprietário, recebera de herança paterna, ainda nas condições de simples situação,
com um velho casebre de caipira, dois cafezais e alguma pouca roça.
Tinha Luís Galvão o gênio empreendedor e gosto para a lavoura; casando com a
filha de um capitalista de Campinas, que lhe trouxe de dote algumas dezenas de contos
de réis, além do crédito, pode ele, dando alas à sua atividade, fundar uma importante
fazenda, que a muitos respeitos servia de norma e escola ao agricultor brasileiro.
Ao passo que ia se adiantando a lavra das terras, erguia-se na chapada fronteira
ao rio uma bela casa de morada em dois lances abarracados, com um pequeno mirante
no centro, sobreposto à larga portada; esta abria para o patamar, ladrilhado, de uma
pequena escada de seis degraus, que descia ao terreiro.
Formava o edifício uma face da vasta quadra, onde se fora levantado
sucessivamente casas para o administrador e feitores, senzalas para os escravos, o
engenho de cana, a fábrica do café, tulhas de feijão e milho, além de outros acessórios
do grande estabelecimento rural, que veio a tornar-se depois a fazenda das Palmas.
Do terreiro da casa partia o caminho principal da fazenda, que se estendia pelo
espigão da colina, e bifurcava-se de espaço a espaço para serventia das várias jeiras de
lavoura. O ramo principal, fugindo os alagados e descrevendo uma grande curva, ia
entroncar-se, a meia légua de Santa Bárbara, na estrada geral da Constituição a
Campinas." (p.9)


Luís Galvão, poderoso fazendeiro local, casado com Dona Ermelinda, mas dado à aventuras amorosas. Numa delas engravidou Besita, que era casada com Ribeiro.

Ribeiro ou Barroso, era casado com Besita, mas logo após a noite de núpcias parte para uma viagem, ficando anos afastado. na volta descobre que sua esposa teve uma filha, Berta, com Luís Galvão.

Jão Fera ou Bugre: capanga dos ricos da região, é um homem temido. Sem conseguir salvar Besita, por quem era apaixonado, passa a proteger Berta após a morte de sua mãe. 





"O fim da noite foi para Jão Fera um pesadelo horrível.
A todo instante fulgurava em sua alma, ao clarão de uma chama satânica, a cena atroz
do assassinato de Besita.
Mais de cem vezes, no resto da noite, reviveu esse momento de acerba angústia, no qual
toda sua existência submergia-se, como rio caudal pela estreita gorja de um precipício.
Revia com a mesma ânsia o vulto do Ribeiro, e sentia que após vinte anos ainda não cicatrizara em sua
alma o golpe que a tinha dilacerado, quando foi ele, Jão, obrigado a rasga-la, ficando junto de Besita, e
não perseguindo o assassino.
A voz da mísera mãe ressoava-lhe constantemente no íntimo, com aquele pungente grito
de desespero: - “Minha filha, Jão!... Ele... matá-la...”.
Revolvia-se o capanga na dura laje que lhe servia de leito; e tentava subtrair-se à
obsessão, lembrando que não passava aquela visão de um desvario de seu espírito.
Mas surgia-lhe a imagem de Besita, que descia do céu para implorar-lhe a salvação da
filha; e o capanga, impelido por força misteriosa, erguia-se de um ímpeto; e vagava à
toa pelo ermo, à busca do ignoto perigo que ameaçava Berta".
(p.134)



Passados quinze anos, Ribeiro volta de Portugal, agora conhecido como Barroso, e deseja terminar a sua vingança. Vai para Santa Bárbara e contrata Jão Fera para matar Luís Galvão. Nenhum dos dois se reconhece, mas Luís Galvão é salvo por intermédio de Berta. Vendo seu plano inicial fracassar, Ribeiro planeja uma vingança mais engendrada: matar Berta e Luís Galvão e tomar o lugar dele como marido de dona Ermelinda. Para isso, maquina junto com dois escravos de Luís Galvão, Faustino e Monjolo, para, na noite de São João, trancarem os negros na senzala e atearem fogo no canavial. Assim que Luís Galvão saísse para apagar o incêndio, eles o jogariam ao fogo; Ribeiro apareceria para salvar a plantação e tentaria conquistar o amor de dona Ermelinda. Jão Fera descobriu a trama e, na noite de São João, quando Luís Galvão tentava apagar o incêndio, matou Monjolo, Faustino e outro jagunço contratado por Ribeiro, o Pinta, salvando a vida de Luís Galvão. Após esse episódio, perseguiu o Ribeiro, que só sobreviveu por intermédio de Miguel e Berta. Ribeiro fugiu, mas, alguns dias depois, voltou para matar Berta. Jão Fera, que há pouco havia escapado da Justiça, pois havia se entregado às autoridades, salvou Berta e matou o Ribeiro. Berta, ainda sem saber de sua história, ficou horrorizada e Jão Fera fugiu, se entregando novamente às autoridades.



"Em véspera de partir para Campinas, impressionado um momento com os
pressentimentos de D. Ermelinda a propósito de tocaias, escreveu ele seu testamento
reconhecendo Berta. Fora esse o papel esquecido, à cata do qual voltou a pretexto de
amostrar, levando-o consigo para faze-lo aprovar por um tabelião.
Essa resolução serenara de todo seu ânimo; e o remordimento que às vezes o confrangia
de todo aplacar-se quando sobreveio a ocorrência da noite de São João perturbar, não
somente o sossego de seu espírito, como a calma felicidade de sua mulher." (p.138)



Dias depois, Luís Galvão e sua família vão para a festa do Congo na vila de Piracicaba, para onde Inhá Tudinha, Miguel e Berta também vão. Afonso escapa de seus pais para ir falar com Berta, porém aparece um homem estranho que diz: "Teu pai matou a mãe dela; tu queres matar a filha, e duas vezes!". Após isso, o estranho dirige-se a Luís Galvão e diz: "Teu sangue mau quer teu sangue bom! Toma cautela...". Então, ouve-se que a cadeia fora arrombada. O estranho era Jão Fera, que havia escapado da cadeia. No caminho de volta, Luís Galvão conta acerca do seu passado à sua esposa, e depois Berta descobre o seu passado.



"D. Ermelinda chegou-se com um triste, porém meigo sorriso, e apertando a mão do
marido, murmurou-lhe ao ouvido:
- Meu amigo, é preciso reconhecer a sua... a nossa filha!...
Arrasaram-se de lágrimas os olhos de Luís, que apertou estremecidamente a mulher ao
coração, erguendo os olhos ao céu.
- Que santa me deste tu, meu Deus, a mim que não mereço!
Logo depois do almoço, D. Ermelinda foi à casa de nhá Tudinha e pediu-lhe que
preparasse Berta para a revelação que o pai ia fazer-lhe de seu nascimento. Com o tato
de mulher e mãe quis a boa senhora poupar à enjeitada a dor que havia de curtir se
viesse a conhecer a desgraça de Besita." (p.147)



 Berta não aceita como pai Luís Galvão, por conta do que ele fez no passado, e diz que o único pai que ela conheceu fora Jão Fera, que sempre zelou por sua segurança. A única coisa que ela pede é que ele dê permissão para que Miguel se case com Linda, contra a vontade de dona Ermelinda. Miguel é enviado para estudar em São Paulo e, ao final de dois anos, voltar para se casar com Linda. Ele ainda tenta convencer Berta a ir com ele para serem felizes juntos, mas ela, por amor à amiga, não o faz. O livro acaba com Berta e Inhá Tudinha acenando para Miguel e Jão Bugre roçando a terra.


Nesse instante Miguel voltou-se além, na extrema do caminho onde ia sumir-se, e a
brisa trouxe um eco de sua voz:
- Adeus, Inhá!...
Os lábios de Berta murmuraram frouxamente:
- Para sempre! (p.151)


Fontes:

wikipedia.org
google.com
guiadoestudante.abril.com.br
livrosgratis.com.br
coladaweb.com
Alencar, José - Til - 1830




terça-feira, 9 de maio de 2023



Adeus Rita Lee.


 Rita Lee Jones de Carvalho, ou simplesmente Rita Lee.



Morreu nesta segunda-feira, dia 8, a cantora Rita Lee, maior estrela do rock brasileiro e nome que despontou durante o tropicalismo com a banda Os Mutantes, na década de 1960. Ela estava em sua casa, na capital paulista, com a família.

O velório será aberto ao público, no Planetário do parque Ibirapuera. A cerimônia está marcada para quarta-feira, dia 10, das 10h às 17h, informou a família por meio de uma publicação na página da cantora no Instagram.





Mania de você




Rita Lee (1947) foi uma cantora e compositora brasileira. Considerada uma das maiores representantes do Rock no Brasil.

Rita Lee Jones nasceu na Vila Mariana,  em São Paulo no dia 31 de dezembro de 1947. Filha do dentista Charles Fenley Jones, um imigrante americano, e da pianista Romilda Pádua Jones, com 15 anos começou a tocar bateria.

Os Mutantes

Em 1966, junto com os irmãos, Sérgio e Arnaldo Baptista, formou a banda Os Mutantes, participou do Festival Record da Canção ao lado de Gilberto Gil interpretando a música - domingo no parque.


Festival da Record - 1967




O grupo tornou-se um grande nome do rock de vanguarda da música brasileira. Participou do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis e dos discos de Gilberto Gil e Caetano Veloso em 1968.

Em 1970, acompanhada dos Mutantes, Rita gravou seu primeiro disco solo, Build Up. Nesse mesmo ano foi afastada do grupo.

Carreira Solo

Em 1972 lançou Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida. Em seguida lançou Atrás do Porto Tem Uma Cidade (1974) e Fruto Proibido (1975), que vendeu cerca de 700 mil cópias.


Ovelha Negra



Em 1976 lançou Refestança, que fez sucesso com a música Ovelha Negra, que ocupou a primeira posição nas paradas.

Em 1977, o disco Entradas e Bandeiras foi certificado com o disco de platina duplo.

Rita Lee e Roberto de Carvalho

Ainda em 1977 Rita Lee conheceu o músico Roberto de Carvalho e iniciou uma parceria musical e amorosa. Lançou Babilônia (1978) que fez sucesso com as músicas Miss Brasil 2000 e Disco Voador.

Nos anos 80, Rita Lee seguiu um caminho mais ligado ao Pop, criando canções populares e menos experimentais comparada
s aos tempos da banda Os Mutantes.

rita lee


Baila Comigo (ao fundo dançando o bailarino Ronaldo Rosenthal)

Doce Vampiro



Rita Lee estava casada com Roberto de Carvalho desde 1996 e juntos têm três filhos: Beto Lee, Antônio Lee e João Lee.

Em 2014, Rita decidiu deixar de pintar os cabelos com o tom vermelho que marcou sua imagem durante toda sua carreira, e assumiu os fios brancos. Em 2016, lançou sua autobiografia.





Em 2021 a cantora descobriu um câncer no pulmão esquerdo, ainda em fase inicial. Após o tratamento com, radioterapia a doença foi dada como vencida. No entanto nos últimos dias a cantora voltou a ser internada no Hospital Albert Einstein. Seu estado de saúde é delicado.

Infelizmente hoje foi o fim dessa luta contra a doença. Morreu a rainha do rock brasileiro, no entanto sua obra ficou para sempre.



Fontes:

wikipedia.org
youtube.com
google.com
vitat.com.br
ebiografia.com
natelinha.uol.com.br
folha.uol.com.br

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Vamos abordar o livro do escritor português José Saramago, "As intermitências da morte".





E  se a morte resolvesse tirar umas férias ?!

O livro foi publicado em 2005, pelo único  escritor de língua portuguesa a ser agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.


Pode-se dividir a obra em três partes. A primeira é a intermitência da morte, uma visão panorâmica dos fatos a partir do dia 1º de janeiro, quando ninguém mais morreu naquele país. Aqui são abordados os paradoxos da ausência da morte, conflitos, discussões e soluções para o problema dos que não morrem nem podem voltar a viver, os moribundos.





A mudança é tão rápida e profunda que a sociedade, perigosamente, tende a ceder ao caos. O governo não sabe como pagar as pensões, a igreja não sabe como manter o rebanho unido, as famílias não sabem o que fazer com os seus velhos; só as máfias parecem preparadas para tirar partido da nova desordem. Até que a morte, depois de experimentar o amor, se “rende à evidência” que tem de voltar a matar para salvar a Humanidade.

Nesta alegoria sobre a vida e sobre a morte, Saramago coloca-nos ainda perante a angustia do camponês que, em grande sofrimento causado por uma doença incurável, pede para morrer, introduzindo desta forma os complexos e delicados temas da eutanásia e do suicídio.

No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar (p.6)


Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte"

Logo a sociedade foi da alegria pela vida eterna, para o temor da imortalidade.

O cardeal ligou para o primeiro ministro, preocupado e disse-lhe:  

"... O primeiro-ministro não se tenha lembrado daquilo que constitui o alicerce, a viga mestra, a pedra angular, a chave de abóbada da nossa santa religião, Eminência, perdoe-me, temo não compreender aonde quer chegar, Sem morte, ouça-me bem, senhor primeiro-ministro, sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja, Ó diabo, Não percebi o que acaba de dizer, repita, por favor, Estava calado, eminência, provavelmente terá sido alguma interferência causada pela electricidade atmosférica, pela estática, ou mesmo um problema de cobertura, o satélite às vezes falha, dizia vossa eminência que, Dizia o que qualquer católico, e o senhor não é uma excepção, tem obrigação de saber, que sem ressurreição não há igreja, além disso, como lhe veio à cabeça que deus poderá querer o seu próprio fim, afirmá-lo é uma ideia " (p.14)

Sem ressurreição, sem deus, o que restará para a igreja ?!


....


"Muito mais que uma hecatombe. Durante sete meses, que tantos foram os que a trégua unilateral da morte havia durado, tinham-se ido acumulando em uma nunca vista lista de espera mais de sessenta mil moribundos, exactamente sessenta e dois mil quinhentos e oitenta, postos de uma vez em paz por obra de um instante único, de um átimo de tempo carregado de uma potência mortífera que só encontraria comparação em certas repreensivas acções humanas. " (p.109)


"Na tarde deste mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou à redacção do jornal uma carta da morte exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata rectificação do seu nome, senhor director, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplesmente morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem por sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem, tome nota o gramático de que eu também saberia pôr vós, os seres humanos, só conheceis esta pequena morte quotidiana que eu sou, esta que até mesmo nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão a saber o que é a Morte com letra grande, nesse momento, se ela, improvavelmente, vos desse tempo para isso, perceberíeis a diferença real que há entre o relativo e o absoluto, entre o cheio e o vazio, entre o ainda ser e o não ser já, e quando falo de diferença real estou a referirme a algo que as palavras jamais poderão exprimir, relativo, absoluto, cheio, vazio, ser ainda, não ser já, que é isso, senhor director, porque as palavras, se o não sabe, movem-se muito, mudam de um dia para o outro, são instáveis como sombras, sombras elas mesmas, que tanto estão como deixaram de estar, bolas de sabão, conchas de que mal se sente a respiração, troncos cortados, aí lhe fica a informação, é gratuita, não cobro nada por ela, entretanto preocupe-se com explicar bem aos seus leitores os comos e os porquês da vida e da morte, e, já agora, regressando ao objectivo desta carta, escrita, tal como a que foi lida na televisão, de meu punho e letra, convido-o instantemente a cumprir aquelas honradas disposições da lei de imprensa que mandam rectificar no mesmo lugar e com a mesma valorização gráfica o erro, a omissão ou o lapso cometidos, arriscando-se neste caso o senhor director, se esta carta não for publicada na íntegra, a que eu lhe despache, amanhã mesmo, com efeitos imediatos, o aviso prévio que tenho reservado para si daqui por alguns anos, não lhe direi quantos para não lhe amargar o resto da vida, sem outro assunto, subscrevo-me com a atenção devida, morte. A carta apareceu pontualíssima no dia seguinte com derramadas desculpas do director e também em duplicado, isto é, manuscrita e em letra de forma, corpo catorze e caixa. Só quando o jornal saiu à rua é que o director se atreveu a sair do bunker em que se havia encerrado a sete chaves a partir do momento em que leu a cominatória carta." (p 115)

A morte concordou em voltar, mas sobre certas exigências: não  queria ser mais destratada, e classificada com adjetivos pouco lisonjeiros.

"Passava muito da uma hora da madrugada quando o violoncelista perguntou, Quer que chame um táxi para a levar ao hotel, e a mulher respondeu, Não, ficarei contigo, e ofereceu-lhe a boca. Entraram no quarto, despiram-se e o que estava escrito que aconteceria, aconteceu enfim, e outra vez, e outra ainda. Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu" (p.215)


A morte voltou ao seu estado natural, ou seja de findar a vida, gerando lágrimas, lamentos e tristezas, mas o que aconteceria se ela realmente tirasse umas férias ?!



Fontes:

wikipedia.org
As intermitências da morte - Saramago, José - 2005
google.com
pensador.com
asdocs.net
ensina.rtp.pt


sábado, 6 de maio de 2023

Vamos falar hoje do romance do romance do escritor cearense José de Alencar, "A Pata da Gazela."




A pata da gazela José de Alencar

 I

"Estava parada na Rua da Quitanda, próximo à da Assembleia, uma linda vitória, puxada por soberbos cavalos do Cabo. Dentro do carro havia duas moças; uma delas, alta e esbelta, tinha uma presença encantadora; a outra, de pequena estatura, muito delicada de talhe, era talvez mais linda que sua companheira. Estavam ambas elegantemente vestidas, e conversavam a respeito das compras que já tinham realizado ou das que ainda pretendiam fazer. -- Daqui aonde vamos? perguntou a mais baixa, vestida de roxo claro. -- Ao escritório de papai: talvez ele queira vir conosco. Na volta passaremos pela Rua do Ouvidor, respondeu a mais esbelta, cujo talhe era desenhado por um roupão cinzento. O vestido roxo debruçou-se de modo a olhar para fora, no sentido contrário àquele em que seguia o carro, enquanto o roupão, recostando-se nas almofadas, consultava uma carteirinha de lembranças, onde naturalmente escrevera a nota de suas encomendas.''

José de Alencar



Em “A pata de Gazela”, obra de 1870, o autor retrata a sociedade brasileira, mais precisamente a carioca, do século XIX de forma irônica. Muitos consideram este livro a Cinderela brasileira.


A história envolve quatro personagens: Horácio, Leopoldo, Amélia e Laura, onde acontece um triangulo amoroso. No livro o autor tenta mostrar o quão falido é a ideia de que o belo é quem deve ser amado. Mais uma vez José de Alencar traz um pouco de realismo a um romance.





A primeira cena do livro é determinante para o seu prosseguimento. Horácio, um jovem sedutor encontra um pé de botina delicado e pequeno caído no chão, derrubado por um lacaio que passa por ele. Horácio então decide encontrar a dona daquele pequeno sapato, imaginando que a dona possua os mais perfeitos e pequenos pés, os considerados patas de uma gazela. Apaixonando-se assim pela ideia da mulher perfeita que estivesse por trás do calçado.

Do outro lado da rua durante esta cena, se encontra Leopoldo, um jovem sem uma beleza exuberante como a de Horácio, e nada sedutor, porém de bom coração, que vê Amélia passando e se apaixona por seu sorriso. Quando ela entra na carruagem, Leopoldo vê um pé aleijado que acredita ser de Amélia. Então ele cultiva um amor por ela, sem se importar se ela possuía um pé defeituoso. A história se desenrola, e ambos passam a se apaixonar por Amélia, sem saber que no mesmo dia estava junto a prima dela, Laura.


''O mancebo viu casualmente o lacaio quando passara por ele correndo, e percebeu que um objeto caíra do embrulho. Naturalmente não se dignaria abaixar para apanhá-lo, nem mesmo deitar-lhe um olhar, se não visse aparecer ao lado da vitória o rosto de uma senhora, que o aspecto da carruagem indicava pertencer à melhor sociedade. Então apressou-se, para ter ocasião de fazer uma fineza, e pretexto de conhecer a senhora, que lhe parecera bonita. Os leões são apaixonadíssimos de tais encontros; acham-lhes um sainete que destrói a monotonia das relações habituais. Quando o moço ergueu-se com o objeto na mão, já o carro dobrava a Rua Sete de Setembro. Ficou ele um momento indeciso, olhando em torno, como se esperasse alguma informação a respeito da pessoa a quem pertencia o carro. Sem dúvida a senhora era conhecida em alguma loja de fazendas; talvez tivesse aí feito compras."  (p.3)



Horácio começa a cortejar Amélia, quem ele acredita ser a dono dos sapatos, e a pede em casamento, como uma tentativa de ver seus pés. Leopoldo fica arrasado com a notícia, porém tenta não demonstrar. Certo dia, Amélia ouve Horácio contando a Leopoldo que ela nunca havia chamado sua atenção, que apenas estava com ela por acreditar que ela era a dona do sapato.

Ela então convida Horácio para ir a sua casa, e deixa aparecer um pouco dos pés mostrando um calçado para pés defeituosos. Ele foge e passa a procurar Laura, quem acreditar ser agora a dona do sapato. É então que ele descobre a verdade, que Laura possuía pés aleijados e Amélia era realmente a dona dos calçados.

Ambas eram primas e muito amigas, e usam um vestido cobrindo os pés, uma para disfarçar os pés aleijados e a outra os pés pequenos. Horácio tenta reconquistá-la, porém ela já está com Leopoldo, com quem se casa e apenas na lua de mel mostra seus pés pequenos e sem problemas.




Ao explorar a indefinição de Amélia entre o tímido Leopoldo e o sedutor Horácio, Alencar inverte a trama do conto A Cinderela: no seu romance, é a jovem, cobiçada por seu pé formoso, quem vai escolher o mais adequado entre seus pretendentes. Ajudada pela amiga Laura, ela põe os dois à prova para identificar aquele que tem a virtude de amá-la por suas características morais, e não apenas pela beleza física.

O autor cita explicitamente uma outra referência clássica: a fábula O leão amoroso de Jean de La Fontaine. Horácio, o "leão" da Rua do Ouvidor, se vê domado pela sua paixão. "O leão deixou que lhe cerceassem as garras; foi esmagado pela pata da gazela."

Horácio, considerado um príncipe da época, vê a botina na rua e apaixona-se pela misteriosa mulher com pés tão pequeninos.


"Nesse momento, porém, dobrando a Rua da Assembleia, se aproximara um moço elegante não só no traje do melhor gosto, como na graça de sua pessoa: era sem dúvida um dos príncipes da moda, um dos leões da Rua do Ouvidor; mas desse podemos assegurar pelo seu parecer distinto que não tinha usurpado o título."(p.3)



Leopoldo, menos favorecido e em luto pela perda da irmã, apaixonara-se pelo vislumbre do sorrido de Amélia.

Os dois saíram em busca da amada e Leopoldo acabou revendo-a em um teatro, depois a viu subindo em um tilburi e vislumbrou o pé da amada, que pareciam horrorosos. Isso o abalou imediatamente, mas ele não desistiu.

Horácio também a vira no teatro e depois de ver seu rastro na areia do passeio público, teve a certeza de que Amélia era a dona dos pés pequeninos e, por isso, passou a conviver com a família dela.

Amélia conhece Leopoldo na Casa de D. Clementina, e enquanto dançam ele confessa amá-la apesar de qualquer deformidade.


"Simples no traje, e pouco favorecido a respeito de beleza; os dotes naturais que excitavam nesse moço alguma atenção eram uma vasta fronte meditativa e os grandes olhos pardos, cheios do brilho profundo e fosforescente que naquele momento derramavam pelo semblante de Amélia." (p.2)

A pata da gazela é uma obra de Alencar que demonstra como o amor deve ser guiado pela alma, como Leopoldo e não pela aparência, como Horácio.


"Se com efeito o moço era Leopoldo, tinha ele sofrido grande transformação. Em vez do rapaz descuidado no seu traje, brusco em suas maneiras, sempre de cabelos arrepiados e barba revolta, aparecia um cavalheiro de boa presença, com a sóbria elegância que tão bem assenta nos homens sisudos. Essa espécie de elegância é apenas um ligeiro perfume, e não uma incrustação como a que usam os moços à moda. Com seu fino tato e longa experiência, Horácio, reconhecendo o amigo, adivinhou o segredo daquela súbita metamorfose. Ele sabia que só há um condão capaz de produzir tais encantos: é o olhar da mulher amada e amante. Ame alguém e não saiba se é retribuído. Toda sua existência se projeta nesse impulso d'alma, que se arroja para outro ser e anseia por nele infundir-se. Vive-se fora de si mesmo, alheio a seu próprio eu; como o peregrino perdido longe da pátria, o homem exilado de sua pessoa erra no espaço, em demanda de um abrigo. Desde, porém, que o homem tem certeza de ser amado, em vez de expandir-se, recolhe-se e concentra-se para saturar-se de felicidade. Já não se alheia e esquece de si; ao contrário, sente-se elevado acima do que era; respeita em sua pessoa o homem amado."



Fontes:

coladaweb.com
dominiopublico.gov.br/a-pata-da-gazela
wikipedia.org
resumopronto.site
google.com

quinta-feira, 4 de maio de 2023

 Vamos falar de Andrômeda na mitologia grega.


Andrômeda era uma bela ninfa, filha do rei da Etiópia Cefeu e de sua esposa Cassiopeia.

Empolgada com a beleza da filha, Cassiopeia disse que ela era a mais bela que as próprias Nereidas.

Furioso com a comparação o deus Poseidon ordenou que o monstro marinho Cetos destruísse a Etiópia. O nome Cetus, que significa “monstro”, é como os antigos gregos denominavam as baleias, que para eles eram monstros marinhos. Ceto é a personificação dos perigos do mar. Algumas vezes confundindo com Kraken, um monstro marinho na mitologia germânica.



Cetos


Então o rei Cefeu desesperado com o que estava acontecendo resolveu consultar o Ammon - oráculo de Zeus -, que disse que só acabaria tudo quando ele resolvesse sacrificar sua filha Andromeda - que era virgem -, dando sua filha para o monstro. E devido as circunstâncias, o rei não teve escolha, pois a sua terra já estava bastante devastada. Andromeda foi acorrentada em uma rochedo para que Cetus, o monstro, a devorasse.

Andrômeda acorrentada ao rochedo - Gustave Dorê

O herói Perseu soube do triste destino da jovem e diante de sua beleza resolveu resgatá-la do terrível destino.

Perseu pediu para se casar com Andrômeda, e seus pais disseram que se ele salvasse sua filha eles consentiriam no casamento.

Com a cabeça da Medusa, Perseu petrificou o monstro marinho e ficou a princesa.

Perseu e Andrômeda


Perseu desposou Andrômeda, mas não quis prolongar sua permanência no palácio de Cefeu, pois precisava voltar à Grécia. Com lágrimas nos olhos, Andrômeda se despediu dos pais e acompanhou o marido.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
infoescola.com
mitologiahelenica.wordpress.com

terça-feira, 2 de maio de 2023

Vamos falar do período que na Historia é chamado de Idade Média.



O termo Idade Média, por vezes soa meio pejorativo, por indicar um período que se iniciou com a queda do Império Romano, um período de conquistas territoriais, cultura, artes e descobrimentos, para um período sombrio, onde a Igreja Católica determinava os valores a serem seguidos pela sociedade, calcada na existência de um deus único e relegando a ciência e os avanços obtidos desde a cultura grega ao esquecimento.

Era uma fase dos senhores feudais com seus castelos e seu domínio absoluto.




Por conta desse sentido pejorativo, chamou-se também a Idade Média de “Idade das Trevas”. Além de ser um intervalo, o período medieval era tido como obscuro, tomado pelas crenças ditadas pela Igreja Católica, que desprezava o pensamento racional, e que não teve produções intelectuais de relevo.

No entanto, o termo Idade das Trevas já não é mais utilizado pela historiografia. Reconhece-se hoje a vasta produção cultural da época medieval, a importância da filosofia medieval para o conhecimento humano e a importância dos livros e documentos da Antiguidade Clássica terem sido preservados da destruição ao serem guardados nos mosteiros.

Além disso não podemos esquecer que nessa época viveram e produziram artistas como Bocaccio, Dante Alighiere, Petrarco, Mighelangelo, e outros.

O fim da Idade Média é costumeiramente determinado após a que em da de Constantinopla pelo Império Otamano em 1453.






Fontes:

wikipedia.org
google.com
mundoeducacao.uol.com.br
querobolsa.com.br
culturagenial.com

segunda-feira, 1 de maio de 2023

First of May - Andy Gibb e Lulu



Hoje é primeiro de Maio e comemora-se o Dia do Trabalhador. Me lembro que na minha infância um programa obrigatório para o dia era assistir os desfiles de escolas de ensino do ginasial e colegial no bairro de Ermelino Matarazzo em São Paulo.


Desfile de 1º de maio


A origem da data remonta ao ano de 1886 durante uma greve em Chicago - EUA.



Nos Estados Unidos, durante o congresso de 1884, os sindicatos estabeleceram o prazo de dois anos para conseguir impor aos empregadores a limitação da jornada de trabalho para oito horas. Eles iniciaram a campanha em 1 de maio, quando muitas empresas começavam o seu ano contábil, os contratos de trabalho terminavam e os trabalhadores buscavam outros empregos. Estimulada pelos anarquistas, a adesão à greve geral de 1 de maio de 1886 foi ampla, envolvendo cerca de 340 000 trabalhadores em todo o país.



Em Chicago, a greve atingiu várias empresas. No dia 3 de maio, durante uma manifestação, grevistas da fábrica McCormick saíram em perseguição dos indivíduos contratados pela empresa para furar a greve. São recebidos pelos detetives da agência Pinkerton e policias armados de espingardas. O confronto resultou em três trabalhadores mortos. No dia seguinte, realizou-se uma marcha de protesto e, à noite, após a multidão se ter dispersado na Haymarket Square, restaram cerca de duzentos manifestantes e o mesmo número de policias. Foi quando uma bomba explodiu perto dos policias, matando um deles. Sete outros foram mortos no confronto que se seguiu.

Em consequência desses eventos, os sindicalistas anarquistas Albert Parson, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg, foram condenados à forca, apesar da inexistência de provas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão, ingerindo uma cápsula explosiva. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido como Black Friday.

Albert Parson

Adolph Fischer

George Engel

August Spies


Louis Lingg

No Brasil a primeira greve geral ocorreu em 1917. 


As oficinas eram insalubres. A jornada de trabalho girava em torno de 14 horas. Não havia descanso remunerado. Era ruim para todo mundo, mas mulheres e crianças sofriam ainda mais. Trabalhavam o mesmo tanto e recebiam menos que os homens. Junte-se a isso uma guerra na Europa, escassez nas prateleiras e carestia galopante.

A primeira fábrica a parar foi a Crespi, como era conhecido o Cotonifício Rodolfo Crespi, uma das maiores indústrias têxteis de São Paulo. Inaugurada em 1897, ficava perto da Hospedaria dos Imigrantes, primeira parada dos estrangeiros que chegavam à cidade em busca de uma vida melhor. Cerca de 75% dos trabalhadores da Crespi eram de origem italiana.

Em junho de 1917, os operários da tecelagem pediram 20% de aumento e melhores condições de trabalho. Não levaram. Foi o estopim para a primeira greve geral de São Paulo. Poucos dias depois, a Antártica parou. Na sequência, a greve se generalizou, inspirada no socialismo e anarquismo difundidos por militantes como o jornalista Edgard Leuenroth.

Greve geral 1917 - Cotonifício Rodolfo Crespi



Apontado pela polícia como autor “psíquico-intelectual” da greve, Leuenroth registrou o momento: “Paralisava-se a vida laboriosa de São Paulo que não pode parar, para dar lugar a uma convulsão popular sem precedentes na vida paulistana. A polícia entrou em ação. Começaram os choques com as multidões. Dos encontros resultaram vítimas de ambos os lados”.


Uma das vítimas foi o sapateiro Jose Martinez, militante anarquista espanhol de 21 anos, morto durante manifestação em frente à tecelagem Mariângela, no Brás. Calcula-se que mais de dez mil pessoas acompanharam seu enterro pelas ruas de São Paulo, até o cemitério do Araxá, onde oradores inflamados se revezaram à beira do túmulo.



As grandes greves do ABC lideradas pelo sindicalista Luís Inácio Lula da Silva, durante a ditadura militar, foram marcos da luta sindical de todos os trabalhadores.



Por isso numa relação capital e emprego as lutas vividas e as conquistas conseguidas com muita luta e até mortes, não devem ser ignoradas.

Hoje em pleno 2023 ainda temos várias notícias de trabalho escravo no Brasil. Infelizmente a cultura escravocrata ainda não foi de toda eliminada. Por isso é importante a criação de empregos de qualidade onde o profissional receba o justo por seu trabalho.




Fontes:

wikipedia.org
google.com
youtube.com
artebrasileiros.com.br




Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...