terça-feira, 30 de junho de 2026

Em 30 de junho de 1936, foi publicado o romance de Margaret Mitchell, E O Vento Levou. Um best seller imediato, o livro torna-se um dos mais populares do século.




Disposta cronologicamente, a sua história, passada no Sul dos Estados Unidos, retrata a vida de Scarlett O`Hara, filha mimada de um rico dono de plantação algodoeira, que deve usar todos os meios à sua disposição para sobreviver durante a Guerra Civil Americana e, posteriormente, ao período da reconstrução. Apesar de extensa, a obra é conhecida pela sua clareza e legibilidade, com temas comuns à literatura popular — aventura, guerra, paixão e turbulência social.







Mitchell começou a escrevê-lo em 1926 para passar o tempo, enquanto se recuperava de alguns problemas de saúde. O processo de escrita levou quase dez anos, e em 1935, a editora Macmillan adquiriu os direitos de publicação do volume. Entrou rapidamente para as listas de mais vendidos e, pouco depois de seu lançamento, teve os seus direitos de filmagem comprados pelo produtor David O. Selnick. Lançada em 1939, a longa metragem homônima, interpretada nos papéis principais por Vivien Leigh e Clark Gable, foi um sucesso de público e de crítica. A obra também tem sido frequentemente adaptada para os palcos sob a forma de musicais, em diferentes produções do Japão, França e Inglaterra.


Capítulo 1

Scarlett O’Hara não era linda, mas os homens raramente se davam conta disso quando enredados por seu encanto, como acontecia aos gêmeos Tarleton. Em seu rosto, os traços delicados da mãe, uma aristocrata litorânea de ascendência francesa, combinavam-se com excessiva nitidez aos do pai irlandês, mais grosseiros. Mas era um rosto arrebatador, de queixo pontudo e maxilar quadrado. Os olhos eram verde-claros, sem qualquer toque de castanho, sombreados por profusos cílios negros de pontas levemente arqueadas. As sobrancelhas espessas e escuras, um tanto oblíquas, sobressaíam-se na pele alva como a magnólia, aquela pele tão apreciada pelas mulheres sulistas, e muito bem protegida contra o sol quente da Geórgia por chapéus de sol, véus e luvas. Sentada com Stuart e Brent Tarleton à sombra fresca da varanda de Tara, a fazenda de seu pai, naquela iluminada tarde de abril de 1861, ela fazia uma bela figura. Seu novo vestido florido de musselina verde espalhava dez metros de tecido ondulante à sua volta e combinava perfeitamente com as sapatilhas de pelica que o pai lhe trouxera recentemente de Atlanta. O vestido se ajustava com exatidão à cintura de 43 centímetros, a menor em três condados, e o corpete justo revelava seios maduros para seus 16 anos. Mas, apesar de toda a modéstia das saias espalhadas, do recato do cabelo preso em um coque suave e da tranquilidade das pequenas mãos brancas cruzadas sobre o colo, sua verdadeira personalidade não ficava oculta. Os olhos verdes no rosto meigo eram turbulentos, voluntariosos, cheios de vida, em desacordo com seu ar decoroso. As boas maneiras lhe haviam sido impostas pelas gentis repreensões maternas e pela disciplina mais severa de sua babá negra, Mammy;  os olhos, entretanto, lhe pertenciam. De cada lado dela, os gêmeos se reclinavam confortavelmente em suas cadeiras, olhos apertados sob a luz do sol, segurando copos altos decorados com folhas de hortelãenquanto riam e conversavam; as longas pernas, com botas até os joelhos, cruzavam-se com negligência, revelando os músculos construídos em cima da sela. Dezenove anos, 1,85m, ossos longos e robustos, rostos bronzeados e cabelos castanho-avermelhados. Os olhos eram alegres e arrogantes, e eles vestiam-se com idênticos casacos azuis e culotes cor de mostarda. Eram tão iguais quanto dois caroços de algodão. Lá fora, o sol do fim de tarde se inclinava sobre o pátio, iluminando os botões brancos dos alfeneiros contra a relva nova. Os cavalos dos gêmeos estavam amarrados no caminho de entrada, animais grandes, castanho-avermelhados como os cabelos de seus donos; e, em torno de suas patas, altercava-se a matilha de esbeltos e nervosos cães de caça que sempre acompanhava Stuart e Brent. Um pouco distanciado, como convém a um aristocrata, estava um dálmata, focinho descansando sobre as patas, pacientemente esperando que os rapazes fossem para casa jantar.




A linguagem doce e poderosa de Margaret Mitchell nos apresenta personagens ricos e complexos, cujas histórias se entrelaçam de maneira magistral. Conheça Rhett Butler, o enigmático e carismático anti-herói que se torna o objeto do desejo de Scarlett. Vivencie o amor proibido entre Ashley Wilkes e Melanie Hamilton, um casal que enfrenta a adversidade com graça e compaixão. E descubra as alegrias e tristezas de Mammy, a fiel governanta da família O'Hara, cuja sabedoria e força são a base do lar.

Ao longo das 1500 páginas deste livro marcante, mergulhe na rica tapeçaria da vida sulista, onde a honra, a lealdade e o amor são colocados à prova. Sinta o ritmo lento e encantador do sul, com seus bailes suntuosos, suas plantações exuberantes e sua hospitalidade inigualável. Aprenda sobre a devastação causada pela guerra e as cicatrizes que ela deixou no coração e na alma dos personagens, enquanto eles lutam para se adaptar a um mundo em constante mudança.




Capítulo 6

— Ah, Scarlett, ele tem a pior das reputações. Chama-se Rhett Butler e é de Charleston, e a família dele é uma das melhores de lá, mas nem falam com ele. Caro Rhett me falou dele no verão passado. Ele não se dá com a família dela, mas ela sabe tudo a respeito dele, todo mundo sabe. Ele foi expulso de West Point! Imagine só! E por causa de coisas ruins demais para Caro saber. E depois teve aquele negócio da moça com quem ele não se casou. — Conte! — Querida, você não sabe de nada?

Caro me contou tudo no verão passado e a mãe dela teria um ataque se sonhasse que Caro sabe disso. Bem, esse Sr. Butler levou uma moça de Charleston para passear de charrete. Eu nunca fiquei sabendo quem ela era, mas tenho minhas desconfianças. Ela não devia ser muito distinta ou não teria saído com ele ao entardecer sem acompanhante. E, minha querida, eles ficaram fora quase toda a noite e acabaram indo para casa a pé, dizendo que o cavalo tinha fugido e despedaçado a charrete, e eles tinham ficado perdidos na mata. E adivinhe... — Não consigo adivinhar. Conte — disse Scarlett, entusiasmada, esperando pelo pior. — Ele se recusou a se casar com ela no dia seguinte! — Ah! — disse Scarlett, suas esperanças frustradas.

 — Ele disse que não tinha... hã... feito nada a ela e não via por que deveria se casar. E, é claro, o irmão dela o desafiou e o Sr. Butler disse que preferia morrer a se casar. (p.102)



Gone with the Wind apresenta certos elementos ideológicos e, devido à sua imensa popularidade, difundiu no imaginário popular uma fascinante nostalgia para as fazendas sulistas, onde há uma sociedade hierárquica em que os negros são parte da "família" e há uma ligação mística entre os latifundiários e o solo fértil onde aqueles escravos trabalham. Trata-se de uma visão romantizada e distorcida no cinema, na televisão e em outras obras de ficção, conhecida nos Estados Unidos como "Velho Sul".  Na realidade, o cultivo de tabaco, algodão, açúcar e cânhamo foi primitivo e muito destrutivo para o solo, tanto por esgotamento quanto pela erosão; não havia "classe média", uma vez que os plantadores consideravam que imigrantes judeus, alemães ou irlandeses estavam "abaixo deles" — de forma que estavam relegados a um estilo de vida rude, com uma dieta ruim e onde eram frequentes doenças como a pelagra e o raquitismo; Várias comunidades de povos nativos-americanos — como os cherokees na Georgia e os chickasaws, creeks e choctaws em Alabama e Mississipi — foram expulsos de suas terras, além de sofrerem com a limpeza étnica que os impulsionou impiedosamente para oeste de Oclahoma (onde foram, mais tarde, roubados novamente).

Era uma sociedade preconceituosa e racista, que dependia totalmente da mão de obra escrava para alcançar a riqueza. Por isso foram totalmente contra a abolição da escravatura, o que levou a uma guerra fraticida.

O livro que depois foi levado ao cinema, mostra com clareza o auge e fim da sociedade sulista norte-americana.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
livroresumido.com.br
osaverdigital.com.br

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