quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Vamos iniciar uma série falando de grandes dramaturgos brasileiros, iniciando com Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha.


Vianinha



Vianinha chegou ao teatro pela via da militância política. Tanto o comunismo quanto a arte já estavam presentes em sua trajetória desde sua infância, uma vez que seus pais eram engajados em ambos. Nascido em junho de 1936 no Rio de Janeiro, Oduvaldo Vianna Filho era fruto do segundo casamento do pai, o dramaturgo Oduvaldo Vianna, com a radionovellista Deocélia Vianna. Os Vianna sempre foram simpatizantes do Partido Comunista Brasileiro e cediam sua casa para reuniões do partido mesmo antes de se filiarem oficialmente no curto período em que o PCB esteve na legalidade.





Vianinha




Vianinha estudou na Escola Estadual Caetano de Campos e aos 14 anos ingressou nas fileiras da União da Juventude Comunista, participando ativamente do movimento estudantil após ser nomeado presidente da Associação Metropolitana de Estudantes Secundários e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

Com a cassação do partido comunista durante o governo Dutra em 1947, a casa dos Vianna passou a funcionar como ponto de reunião dos comitês estadual e central do partido. A família mudou-se para a cidade de São Paulo e Vianinha atuou clandestinamente como secretário-geral da União Paulista dos Estudantes Secundários. Aos 17 anos, matriculou-se na Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, curso que abandonaria no terceiro ano para então se dedicar ao teatro amador.

Vianinha nasce em 04 de julho de 1936, apenas como Oduvaldo Vianna. O “filho”, aliás, foi acrescido informalmente. Por equívoco, na certidão de nascimento consta apenas Oduvaldo Vianna, o mesmo nome do pai. Por isso, no Dops (por preguiça ou negligência) foi encontrada apenas uma ficha com anotação de atividades dos dois como se fossem uma só pessoa. Não é de surpreender, pois o que esperar de uma polícia política que durante uma das exibições da peça Liberdade, Liberdade (Millôr Fernandes), foi ao teatro prender um subversivo de nome Sófocles !?

Em 1954, ingressou, junto com Gianfrancesco Guarnieri no Teatro Paulista de Estudantes (TPE). Sua concepção de arte formou-se a partir da influência do pai e do PCB, consequentemente, transformando-o em agitador cultural, pensador e militante contra o imperialismo. Era o povo brasileiro, nossa realidade que devia estar no palco. Sua referência cultura histórica: Bertolt Brecht , Gritava Vianinha: É preciso um teatro de criação e não de imitação do real; um teatro otimista, direto, violento, sátiro e revoltado como deve ser o povo brasileiro.



Teatro de Arena




O Arena teve grande importância no Movimento Cultural Brasileiro, mas teve limites. Colocou o povo no palco, mas não o levou ao teatro. Por isso, Vianinha saiu para fundar o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE); da fundação, além dele, participaram nomes de expressão tais como Guarnieri, Leon Hirszman e Carlos Estevam Martins.

Com área de encenação circular, central e circundada pelos assentos destinados ao público, nasce em 1953, o Teatro de Arena de São Paulo. A iniciativa do dramaturgo, José Renato Pécora, abria um espaço para participar popular.

O CPC levou a arte para os bairros populares, favelas, escolas, sindicatos, para as ruas. As apresentações eram uma festa multicultural, com teatro, cinema, música, literatura de cordel, etc. No chão, em cima de caminhões, onde quer que fosse. O principal era o conteúdo e a participação, não a estética; sem desprezar, porém, a qualidade artística. Era a arte buscando água terra adentro, se encharcando no lodo, “indo aonde o povo está.” Entre as obras mais importantes de Vianinha, dessa época, estão a peça Brasil Versão Brasileira (1962) e Quatro Quadras de Terra (1963), com a qual foi agraciado em Havana com o Prêmio Latino-Americano de Teatro da Casa de Las Américas.

Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, foi um dos maiores dramaturgos brasileiros, destacando-se por seu teatro político e crítico durante a ditadura militar. Suas obras mais consagradas incluem Rasga Coração (1974), Ppa Highirte (1968), Mão na Luva (1974), Chapetuba Futebol Clube (1959) e a peça coletiva Opinião (1964).


Papa Highirte



Imediatamente após o golpe militar de 1964, um grupo de artistas ligados ao CPC (posto na ilegalidade) reúne-se com o intuito de criar um foco de resistência à situação. A iniciativa obteve grande sucesso e contagiou diversos outros setores artísticos, além de artistas dispersos ligados aos movimentos de arte popular. Após uma apresentação no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1964, o grupo passou a se denominar Grupo Opinião.

Durante a década de 70, Vianinha contribuiu para a renovação da teledramaturgia com adaptações de clássicos teatrais. Em 1972, a direção da Rede Globo decidiu criar uma versão do seriado estadunidense All in the Family que retratava a vida de uma família comum cheia de humorosos conflitos. A primeira temporada da série de televisão A Grande Família, no entanto, foi criticada pelo público que não se via retratada nas situações adaptadas do programa estrangeiro. Foi somente após a inserção da intelectualidade vinculada ao PCB que a audiência do programa subiu. Vianinha, em conjunto com outros dois dramaturgos e militantes do PCB, Paulo Pontes e Armando Costa, conseguiram abrasileirar a família Silva (protagonistas do programa), tornando os problemas, os diálogos e as referências em partes da realidade brasileira.



A grande família (1ª versão)



Vianinha faleceu aos 38 anos, em 16 de julho de 1974, vítima de câncer de pulmão. Sua última peça, "Rasga Coração", foi concluída durante sua hospitalização, quando ele já se encontrava em estado terminal. Em sua homenagem, o PCB organiza o Coletivo Cultural Vianinha desde 2013 como um espaço para o campo cultural e artístico. Em 2017, a Festa Literária das Periferias teve o dramaturgo como homenageado em sua sexta edição.


Fontes:

wikipedia.org
google.com
teatroemescala.com
averdade.org.br
















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