Vamos falar hoje da personagem bíblica Jezebel ou Jezabel
Jezabel foi esposa de Acabe, que reinou sobre as dez tribos do norte de Israel de 874 a 853 a.C. Acabe destacou-se pelo sucesso militar e político, mas era “fraco em questões religiosas”, pois: “fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o Senhor, mais do que todos os que foram antes dele” (1 Reis 6:30). Ele escolheu casar-se com Jezabel, filha de Etbaal, um sumo sacerdote e rei pagão.
Conforme o relato bíblico referente a Acabe: “tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou” (1 Reis 16:30-31). “A malvada esposa de Acabe, Jezabel, provinha da cidade Fenícia de Tiro, de onde seu pai havia sido sumo sacerdote e rei. Jezabel adorava ao deus Baal”. Tomando em conta que Baal simplesmente significa “senhor”, Jezabel e Acabe introduziram uma contrafação de Deus e de sua religião em Israel. Portanto, Acabe, “incitado por Jezabel”, introduziu o culto a Baal em Israel (1 Reis 21:25-26).
Para agradar a esposa, Acabe edificou um templo e um altar para Baal (16:32). E promoveu, assim, a idolatria, “até que quase todo Israel estava indo após Baal”. “O Baal mencionado aqui era considerado o deus que enviava chuva e fazia as colheitas crescerem. Os adoradores de Baal se envolviam em uma espécie de fornicação sagrada no templo para louvá-lo como a fonte da vida. Às vezes o povo até oferecia seus filhos a Baal como sacrifícios queimados (Jeremias 19:5)”. O casamento de Acabe com Jezabel cumpriu uma agenda política e interesseira, mas não a vontade de Deus. Biblicamente, aquela união foi um adultério espiritual e uma traição a Deus. A influência deles, como lepra, aprofundou o sincretismo religioso e a apostasia da nação. Ao mesmo tempo que o povo professava servir a Jeová, também servia a Baal. Eles “coxeavam entre dois pensamentos” (1 Reis 18:21).
Sabemos que o Apocalipse também menciona Jezabel e faz uma conexão dela à apostasia. O que significa isso?
Na mensagem de Cristo à Igreja de Tiatira, Jezabel é citada: “Tenho, porém, contra ti o tolerares essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita” (Apocalipse 2:20-22).
Segundo o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, “assim como Jezabel propagou a adoração a Baal em Israel (1 Reis 21:25), alguma falsa profetisa da época de João estaria desencaminhando a igreja de Tiatira”. Só que deve se considerar que as cartas às sete igrejas do Apocalipse também tem aplicação profética a sete fases definidas da história do cristianismo. Quando “aplicada ao período de Tiatira na história cristã, a figura de Jezabel representa o poder que causou a grande apostasia medieval”.
Que três lições a vida de Acabe, Jezabel e Elias nos deixam?
Sobre Acabe, “ele era fraco em capacidade moral. Sua união por casamento com uma mulher idólatra de caráter decidido e temperamento definido resultou em desastre tanto para ele como para a nação”. A utilidade de um homem para servir a Deus e seu povo está intimamente relacionada com o caráter da pessoa que ele escolheu para ser sua esposa e companheira.
A respeito de Jezabel, podemos perceber o mal que esta mulher causou à vida de Acabe e ao povo de Israel. Não é difícil concluir, portanto, que a influência de uma mulher para o bem ou para o mal é comprovadamente decisiva. Por outro lado, tomando em conta que Jezabel é usada biblicamente como um tipo do “poder que causou a grande apostasia medieval”9, deveríamos evitar uma religião sincrética que faz casamento entre cristianismo e paganismo, entre a verdade e a mentira, e promove o adultério espiritual. “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2 Coríntios 6:14-15).
Sobre o profeta Elias, devemos lembrar que nos dias de Jezabel havia em Israel centenas de falsos profetas e apenas um profeta verdadeiro. “Então, disse Elias ao povo: Só eu fiquei dos profetas do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens” (1 Reis 18:22). Foi a presença e atuação desse verdadeiro profeta de Deus que conteve a maré da apostasia em Israel.
Profeta Elias
O profeta Elias , segundo a bíblia, foi um dos profetas arrebatados para o céu, o outro foi o profeta Enoque.
Jezabel é descrita como uma sacerdotisa dominadora e potencialmente religiosa e se denominava porta-voz dos deuses. Isso a categorizava como profetisa. Obs. A bíblia não diz que Jezabel era sarcedotisa, e nem profetisa, pois em Apocalipse está se referindo a uma mulher com o espírito de Jezabel pois levava os membros da igreja a se prostituirem à comer e beber de coisas sacrificadas a ídolos, e a mesma se intitulava profetisa. Quem diz que Jezabel era uma sacerdotisa é o historiador Flávio Josefo, um termo que não tem nenhum fundamento bíblico e nem de relato histórico em outro lugar, pois o mesmo não viveu nesse período.
Ao casar-se com o Rei de Israel, ela passou a governar de acordo com a sua cultura e religião. Como mística, ela passou a ser considerada sacerdotisa e ensinadora. Em nenhum momento se sabe sobre sua conduta como uma prostituta, isso porque sua imagem mística impedia.
Teve, com o Rei Acabe, três filhos e portava-se como uma verdadeira mãe e dona de casa.
Sua influência foi abalizada pelo rei Acabe, e cresceu superando os próprios rabinos e sacerdotes, submetendo-os as suas ordens. Israel, que já teocrático, passou a adorar Baal e Jezabel cresceu politicamente e ordenava sobre o clero sacerdotal, obrigando os próprios sacerdotes israelitas a cultuar a Baal.
Suprimindo os rituais mosaicos, Jezabel passou a cultuar Baal de forma ostensiva e dominadora, sacrificando crianças em nome da santidade e inocência. Sua atuação mística superava as expectativas dos Israelitas que aceitavam tudo de forma normal.
Mulher de energia feroz, ela tentou destruir aqueles que se opunham a ela; a maioria dos profetas de Javé foi morta por sua ordem. Essas ações cruéis e despóticas provocaram a justa ira de Elias; de acordo com 1 Reis 17, ele profetizou com precisão o início de uma severa seca como punição divina.
Algum tempo depois, Elias mandou matar os sacerdotes de Baal , após eles perderem uma disputa com ele para ver qual deus atenderia às orações para incendiar um novilho, Baal ou Javé. Quando Jezabel soube do massacre, jurou furiosamente que mandaria matar Elias, obrigando-o a fugir para salvar a vida (1 Reis 18:19–19:3).
O último ato perverso atribuído a Jezabel está registrado em 1 Reis 21:5-16. Ao lado do palácio de Acabe havia uma vinha, que ele cobiçava; pertencia a um plebeu, Nabote de Jezreel (uma antiga cidade ao pé do Monte Gilboa, provavelmente o local do atual assentamento israelense de mesmo nome). Quando Nabote se recusou a entregar sua vinha ("a herança de meus pais"), Jezabel o acusou falsamente de blasfemar contra "Deus e o rei", o que levou à morte de Nabote por apedrejamento. Elias confrontou Acabe na vinha, prevendo que ele e todos os seus herdeiros seriam destruídos e que os cães de Jezreel devorariam Jezabel.
Existe evidência arqueológica e histórica que aponta para a existência real de Jezabel, a rainha fenícia mencionada no Antigo Testamento (1 Reis) como esposa do rei Acabe de Israel, no século IX a.C. Embora o relato bíblico seja a fonte primária, descobertas arqueológicas deram peso à sua historicidade.
As principais evidências incluem:
O "Selo de Jezabel": Em 1964, o arqueólogo Nahman Avigad identificou um selo de opala do século IX a.C., de origem fenícia, contendo letras em hebraico antigo que formam o nome "Yzbl" (Jezabel).
Indícios de Realeza e Gênero: O selo é incomumente grande e traz símbolos de realeza feminina (uma esfinge alada com coroa, lotus, falcão), sugerindo fortemente que pertenceu a uma rainha de alta posição, condizente com a Jezabel histórica.
Contexto Arqueológico: Escavações em Samaria (capital do Reino do Norte) confirmaram a existência de um templo dedicado a Baal e Aserá durante o período do reinado de Acabe, o que corrobora o relato bíblico de que Jezabel introduziu o culto a divindades fenícias em Israel.
Cenário Histórico: A aliança entre o Reino de Israel (sob Acabe) e a Fenícia (sob Etbaal, pai de Jezabel) é um fato histórico documentado, e o casamento entre eles teria sido uma prática comum de aliança política, como menciona a bíblia.
Debate Acadêmico:
Apesar do selo, alguns especialistas notam que ele não foi encontrado em uma escavação "fechada" (contexto arqueológico confiável), o que gera debates. A grafia no selo difere ligeiramente da grafia bíblica (o que é normal em inscrições antigas), mas a maioria dos pesquisadores concorda que o selo reflete uma mulher de alto poder na época exata da rainha bíblica.
Portanto, a evidência indica que Jezabel foi uma figura histórica real, uma influente rainha fenícia casada com Acabe, cujo retrato bíblico é uma interpretação teológica de suas ações políticas e religiosas.
Fontes:
A morte de Jezebel
Um comandante chamado Jéu liderou uma revolta contra a família real, na qual matou o filho de Jezabel, Jorão. Quando Jezabel soube da revolta pintou os olhos e adornou a cabeça, desafiando Jeú da janela do palácio. Este ordenou aos eunucos da corte que a atirassem da janela (defenestração): Jezabel morreu, tendo o seu sangue atingido as paredes e os cavalos. Uns cães que por ali passavam devoraram o corpo de Jezabel, exatamente como Elias profetizou.
Depois de ter feito uma refeição no palácio, Jeú ordenou que Jezabel fosse sepultada, dado que se tratava da filha de um rei. De acordo com o Segundo Livro de Reis, os servos do palácio apenas encontraram o crânio (a cabeça), os pés e as mãos intactos. O texto sagrado aponta que os cães não comeram as carnes destes três membros.
Por causa desta mulher o nome "Jezabel" está associado na cultura popular a uma mulher sedutora sem escrúpulos.
A mitologia hebraica, representada pelo Velho Testamento, relata a saga dos hebreus e dos reis e rainhas da época, dentre eles Jezebel e Acabe.
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