sexta-feira, 4 de abril de 2025

 Vamos falar do mito do Gigante Adamastor.




Segundo a lenda, Adamastor era um gigante filho da deusa Terra, (Gaia em grego) , que se revoltou, com outros gigantes, contra Zeus, o Deus supremo dos Gregos. Furioso, Zeus fulminou-os com um raio condenando-os a vaguear de costa em costa. Foi assim que Adamastor conheceu Thetis, uma ninfa dos oceanos, mãe de Aquiles, e por ela se apaixonou. Mas o Gigante sabia que era feio demais para conquistá-la e por isso decidiu resolver o assunto pela força. Apavorada, Dóris mãe de Thetis, tentou desesperadamente convencer a filha a aceitar o Adamastor como companheiro mas perante a recusa desta, teve de encontrar outra solução. Depois de muito pensar, mãe e filha decidem, então, com a ajuda de Zeus, montar uma armadilha ao Gigante, dizendo-lhe que Thétis ficaria com ele, se ambas fossem poupadas.






Cheio de esperanças, Adamastor põe fim à guerra e pede um encontro com Thétis. Ela aparece-lhe, mas quando este a abraça e beija, vê-se de repente agarrado ao cume de um monte acabando por se tornar numa parte desse monte: o Cabo das Tormentas. Esse mesmo. O cabo que tanto assombrou a imaginação dos marinheiros portugueses durante a época dos descobrimentos.

No famoso poema "Os Lusíadas", Camões fala do gigante em seu canto V:



37




Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca d'outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando ua noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Ua nuvem que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.



38

Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo, o negro mar de longe brada,
Como se desse em vão nalgum rochedo.
- «Ó Potestade (disse) sublimada:
Que ameaço divino ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?»



39

Não acabava, quando ua figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.



40

«Tão grande era de membros que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!



41

E disse: - «Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
E navegar meus longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados d'estranho ou próprio lenho;


Adamastor revela a força da Natureza contra a audácia dos navegadores por mares nunca antes navegados, denominado por Bartolomeu Dias, que o dobrou em 1488,  como Cabo das Tormentas, hoje Cabo da Boa Esperança.

O poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage também se referiu ao gigante Adamastor num de seus poemas:


Adamastor cruel!... De teus furores
Quantas vezes me lembro horrorizado!
Ó monstro! Quantas vezes tens tragado
Do soberbo Oriente dos domadores!Parece-me que entregue a vis traidores
Estou vendo Sepúlveda afamado,
Com a esposa, e com os filhinhos abraçado
Qual Mavorte com Vênus e os Amores.
Parece-me que vejo o triste esposo,
Perdida a tenra prole e a bela dama,
Às garras dos leões correr furioso.Bem te vingaste em nós do afouto Gama!
Pelos nossos desastres és famoso:
Maldito Adamastor! Maldita fama!






Fontes:
portuguesnalinha.blogs.sapo.pt
wikipedia.org
historiarn.blogs.sapo.pt/
oportugues.freehostia.com
infopedia,pt
google.com

quinta-feira, 3 de abril de 2025

 Colosso de Rhodes.





Considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Colosso de Rodes foi uma grande estátua construída na Grécia, próximo do Mar Mediterrâneo. O escultor Carés de Lindos demorou mais de dez anos para concluir o monumento: iniciou em 292 a.C. e só conseguiu terminar em 280 a.C.


Com 30 metros de altura e cerca de 70 toneladas de peso, a estátua servia como porta de entrada à Ilha de Rodes e representava o deus sol Hélios. Segundo alguns historiadores, as pernas do Colosso ligavam as margens do canal. Em uma das mãos do colosso, havia um farol que servia para iluminar as embarcações noturnas.

O monumento foi construído para comemorar a vitória dos gregos da ilha de Rodes contra o rei macedônico Demétrio I, que tentou invadi-la em 305 a.C.






1. Pé no mármore

O Colosso foi construído sobre uma base de mármore de 3 metros de altura. As primeiras partes a serem fixadas da estátua, claro, foram os pés, que eram ocos, e os tornozelos. De acordo com relatos do matemático Philon de Bizâncio, 8 toneladas de ferro foram usadas na construção – as vigas do material sustentavam a estrutura interna.

2. Caneleira de pedra

A estrutura da estátua era também mantida por colunas de pedra, que envolviam as vigas de ferro das pernas. Cada um dos pilares de pedra tinha cerca de 1,5 metro de diâmetro. O escultor queria evitar que o Colosso perdesse o equilíbrio e tombasse – por isso adicionou mais peso às porções mais baixas da estátua.

3. Montanha artificial

Para facilitar a construção, os operários fizeram rampas de terra e madeira ao redor da estátua. Cerca de 13 toneladas de bronze foram usadas no revestimento do monumento. Cada placa de bronze tinha que ser cuidadosamente fundida e martelada no formato certo. Elas eram então levadas até a posição correta na estátua por cordas e um sistema de roldanas.

4. Ajuda dos inimigos

O ferro e o bronze utilizados na construção da estátua foram provavelmente obtidos com a fundição e venda dos armamentos deixados pelos inimigos na invasão frustrada. Há também a possibilidade de existirem na ilha minas de cobre, estanho (base para o bronze) e ferro – a maior parte deste material foi usada em vigas nas pernas do monumento e em barras diagonais colocadas a partir da barriga da estátua.

5. Braço de ferro

Partes ocas da estátua, como os braços, foram preenchidas com uma mistura de entulho e pedras. Embora não exista registro preciso sobre a aparência do Colosso, ele provavelmente segurava um manto com a mão esquerda, usava uma coroa e tinha a mão direita sobre os olhos (que representava o direcionamento de seus raios de luz).

6. Operário padrão

Por causa da altura do monumento, é provável que grande parte do bronze tenha sido esculpida nas rampas de terra construídas pelos operários. Não há registro sobre o número de trabalhadores – calcula-se que centenas foram contratados também com o dinheiro da venda dos armamentos e objetos abandonados pelos invasores.

7. Cabeça para fora 

No final da construção, rampas tão altas quanto a cabeça do monumento foram erguidas – o restante da estátua ficou totalmente coberto pela terra. Quando a obra foi concluída, toda a terra teve que ser removida e o bronze foi limpo e polido pelos operários.




A estátua ficou em pé por 54 anos até que Rodes foi atingida por um terremoto em 226 a.C., quando danos significativos também foram feitos em grandes porções da cidade, incluindo o porto e edifícios comerciais, que foram destruídos. A estátua teve os joelhos quebrados e caiu sobre o chão. Ptolomeu III ofereceu-se para pagar a reconstrução da estátua, mas o oráculos de Delfos fez os ródios recearem que eles tinham ofendido Hélios e eles se recusaram a reconstruir o monumento.

Os restos ficaram no chão como descrito por Estrabão, filósofo grego,  (xiv.2.5) por mais de 800 anos e, mesmo quebrados, eles eram tão impressionantes que muitos viajaram apenas para vê-los. Plínio, o Velho, observou que poucas pessoas poderiam envolver seus braços ao redor do polegar caído e que cada um de seus dedos era maior que a maioria das estátuas.

Em 653, uma força árabe sob o comando do califa omíada Moáuia I capturou Rodes e, de acordo com A Crônica de Teófanes, o Confessor, a estátua foi derretida e vendida a um comerciante judeu de Edessa que carregou o bronze em 900 camelo. A destruição árabe e a suposta venda a um judeu possivelmente se originaram como uma metáfora poderosa para o sonho de Nabucodonosor II de destruir uma grande estátua.

A mesma história é registrada por  Gregório Bar Hebreu, filósofo sírio,  que escreveu em siríaco no século XIII em Edessa: (após o saque árabe de Rodes) "E um grande número de homens puxou cordas fortes que estavam amarradas ao Colosso de bronze que havia na cidade e puxaram-no para baixo, e pesaram três mil cargas de bronze de Corinto, e venderam-na a um certo judeu de Emesa" (a atual cidade síria de Homs). Teófanes é a única fonte desse relato e todas as outras fontes podem ser rastreadas até ele.


Fontes:

infoescola.com
wikipedia.org
google.com
aventurasnahistoria,.com.br

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Santiago de Compostela



Os Caminhos de Santiago são os percursos dos peregrinos que afluem a Santiago de Compostela desde o século IX para venerar as relíquias do apóstolo Santiago Maior, cujo suposto sepulcro se encontra na catedral de Santiago de Compostela.

Apóstolo Santiago




A peregrinação foi uma das mais concorridas da Europa medieval, cuja importância só era superada pela Via Francigena (com destino a Roma) e Jerusalém, sendo concedida indulgência plena a quem a fizesse.

Era o ano 829, segundo a lenda. Um pastor encontra um estranho sepulcro num lugar remoto da Galícia. Informa ao bispo Teodomiro, que por sua vez se comunica com o rei Afonso II, o Casto, então governante de um pequeno reino cristão isolado entre as montanhas. O monarca decide ir pessoalmente ao lugar para comprovar a descoberta, que pode significar uma mudança drástica na situação de isolamento de seu reino. Reúne seu séquito e se envereda pela trilha que até então era o único caminho de Oviedo a Galícia. O trajeto passava por Grado, Cornellana, Salas e o porto do Palo até entrar na Galícia por A Fonsagrada. É o que agora chamamos de Caminho Primitivo e considerado, portanto, a mais antiga das rotas de peregrinação a Compostela.


Afonso II



Depois de vários séculos relativamente esquecida, desde os anos 1980 que a popularidade da peregrinação tem crescido substancialmente, embora grande parte das pessoas que fazem o Caminho — nome pelo qual é também conhecida a peregrinação — atualmente não o façam por motivos religiosos. O Caminho tornou-se um itinerário espiritual e cultural de primeira ordem, que é percorrido por dezenas ou centenas de milhares de pessoas todos os anos. Foi declarado Primeiro Itinerário Cultural Europeu em 1987 e Patrimônio da Humanidade (na Espanha em 1993 e na França em 1998).




Fazer o Caminho de Santiago é uma experiência única e que tem atraído milhares de pessoas de todo o mundo há mais de 1.000 anos. O objetivo dessas pessoas é quase sempre o mesmo: ressignificar suas vidas.

Embora o Caminho de Santiago tenha raízes religiosas, pois acredita-se que os restos mortais do apóstolo São Tiago estão enterrados na Catedral de Santiago de Compostela, a peregrinação se tornou mais secular ao longo dos anos, atraindo pessoas de todas as crenças, nacionalidades e origens.

Para muitos, o Caminho de Santiago é uma oportunidade de desconectar-se do mundo moderno e refletir sobre suas vidas. Durante a caminhada, os peregrinos são convidados a enfrentar desafios físicos e emocionais, encontrar novos amigos e descobrir lugares históricos e culturais fascinantes.

Além disso, o Caminho de Santiago é considerado uma jornada espiritual para alguns peregrinos. Muitos sentem-se encorajados a meditar e refletir durante a caminhada, a fim de encontrar respostas para questões pessoais e espirituais. Há relatos de participantes sobre experiências profundas e transformadoras durante a peregrinação.

O Caminho de Santiago também é uma oportunidade para aprender e apreciar a cultura europeia. Os peregrinos passam por pequenas aldeias, cidades históricas e paisagens naturais deslumbrantes, experimentando a gastronomia local e conhecendo as tradições culturais da região.

Caminho de Santiago de Compostela: onde fica?

Vale frisar que não existe apenas um único Caminho de Santiago, mas sim diversos roteiros por caminhos diversos que levam à cidade de Santiago de Compostela, na região da Galícia, localizada no noroeste da Espanha, próximo da costa atlântica deste belíssimo país.

Um dos caminhos mais tradicionais inicia na cidade de Madri, a capital da Espanha, e o trajeto a ser percorrido é de 600 km de extensão. Há outra opção para sair de Lisboa, em Portugal, e o trajeto a ser percorrido é de 540 km, ou ainda saindo da cidade de Porto e o trajeto a ser percorrido é de 230 km.

Na chegada à Catedral de Santiago, os peregrinos experimentam uma sensação de realização pessoal e uma conexão profunda com o Caminho e seus participantes. É uma experiência que transforma a vida das pessoas e que permanece com elas para sempre.

Por todos esses motivos, fazer o Caminho de Santiago é uma experiência muito íntima, e cujos resultados podem ser surpreendentes de maneiras diferentes para cada um. É uma oportunidade para se conectar com a natureza, aprender sobre a cultura europeia, encontrar respostas para os seus “porquês”, ou simplesmente caminhar e encontrar novos amigos.

Rotas de Santiago de Compostela








Caminho Francês

A rota mais famosa do Caminho de Santiago, com cerca de 930 km. O início oficial pode ser em Orreaga-Roncesvalles (Navarra) ou Somport (Aragão).
Caminho do Norte

Também conhecido como Caminho da Costa, tem cerca de 825 km. Começa em San Sebastián, no País Basco, e atravessa as regiões do País Basco, Cantábria, Astúrias e Galícia.Caminho Primitivo

A rota mais antiga para Santiago de Compostela, com cerca de 320 km. Começa em Oviedo.
Caminho Português


O segundo percurso mais popular, com cerca de 610 km a partir da catedral de Lisboa ou cerca de 227 km a partir da catedral do Porto.
Caminho de la Plata


O trajeto mais longo, com cerca de 980 km. Une-se ao Caminho Francês em Astorga.
O tempo necessário para percorrer o Caminho de Santiago varia de acordo com a distância e a velocidade do peregrino.



Fontes:

wikipedia.org
google.com
brasil.elpais.com
memorialparquejaragua.com.br

terça-feira, 1 de abril de 2025

 Copacabana




O nome Copacabana, bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro, tem suas origens na homônima cidade da Bolívia.


Basílica de N. Senhora de Copacabana - Bolivia



Segundo a lenda, após a chegada dos espanhóis à região da Copacabana boliviana, Nossa Senhora teria aparecido no local para Francisco Tito Yupanqui, um jovem pescador, que, em sua homenagem, teria esculpido uma imagem da santa que ficou conhecida como Nossa Senhora de Copacabana: a Virgem vestida de dourado pousada sobre uma meia-lua. No século XVII, comerciantes peruanos de prata (chamados na época de "peruleiros") trouxeram uma réplica dessa imagem para a praia do Rio de Janeiro então chamada de Sacopenapã (nome tupi que significa "caminho de socós" aves diurnas). Sobre um rochedo dessa praia, construíram uma capela em homenagem à santa. Tal capela, com o tempo, passou a designar a praia e o bairro e demolida em 1918, para ser erguido, em seu lugar, o atual Forte de Copacabana.

Forte de Copacabana



Outra vertente da história é confirmada por historiadores que relatam que a Igrejinha de Copacabana, que batizou o bairro e a praia (que na época se chamava "Sacopenapã"), foi construída por pescadores no início do século XVIII em homenagem a Nossa Senhora de Copacabana. A imagem de Nuestra Señora de Copacabana, que ficava na igreja, foi trazida da Bolívia no final do século XVIII. Com a demolição do pequeno templo em 1918, a imagem foi recolhida pela família Teffé e colocada na capela do Castelo São Manoel, propriedade da família Teffé em Petrópolis. A mesma imagem retornou para a nova Igrejinha de Copacabana, no Posto 6 junto ao Forte, em 8 de dezembro de 1953, quando o novo templo ainda era construído.

Copacabana, a colônia de pescadores que tornou-se o principal polo de negócios e serviços, gastronomia e dos melhores hotéis no Rio de Janeiro.


Evoluiu da decadência do fechamento dos cassinos para centro da noite carioca dos anos 1950 (no auge com a Boate Vogue) e 1960 através da revolução musical que aconteceu no Beco das Garrafas!





Símbolo de Copacabana e do luxo e requinte, o Hotel Copacabana Palace, reina na paisagem da praia famosa.







Com um século de existência, o Belmond Copacabana Palace continua a ser um dos mais importantes estabelecimentos hoteleiros da cidade e do Brasil, com duzentos e trinta e nove apartamentos e suítes, divididos entre o prédio principal e anexo, em uma área de onze mil metros quadrados.

O Belmond Copacabana Palace é conhecido em todo o Brasil por hospedar celebridades internacionais que visitam a cidade do Rio de Janeiro. Além disso, o hotel também é conhecido por realizar alguns dos mais badalados eventos sociais do Brasil.

Músicas foram feitas para exaltar a beleza da praia.


Copacabana princesinha do mar
João de Barro/Alberto Ribeiro


O cantor Barry Manilow também canta uma música de nome Copacabana, mas refere-se a uma boate de Nova York.


Copacabana - Barry Manilow



Fontes:

wikipedia.org
google.com
copacabana.com
letras.mus.br
youtube.com
dosmanosperu.com




Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...