terça-feira, 19 de agosto de 2025

 

Hoje vamos falar do clássico de Júlio Diniz, "As pupilas do senhor reitor "








Livro publicado em 1866 na forma de folhetim e em 1867 já na forma de livro, representa o início movimento literário realista português.


Júlio Diniz é o pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1838-1871)




Júlio Diniz



O livro dedicado as camadas mais populares, é escrito de forma simples como todos os folhetins, que originaram as telenovelas atuais.

No Brasil a telenovela com o mesmo nome fez muito sucesso.

O reitor no caso vem do latim rector, aqueles que dirige, nesse caso trata-se do sacerdote local na aldeia de Ovar, que torna-se responsável das irmãs Clara e Margarida.


O romance gira em torno da tese segundo a qual a vida simples e natural torna as pessoas alegres e felizes. Júlio Diniz descreve o campo, os tipos humanos, os hábitos e as idéias, desenvolvendo toda uma problemática pequeno-burguesa, com o "propósito de pregar uma moralização de costumes pela vida rural e pela influência de um clero convertido ao liberalismo".







O foco narrativo organiza-se através de um narrador que conta a história em terceira pessoa, sem se confundir com nenhum dos personagens, a respeito dos quais tem uma visão onisciente. Assim, conhece-os de forma absoluta, em seu mundo interior e exterior, em suas ações e motivações íntimas.




A forma didática como o narrador conduz a leitura da obra, ora descrevendo a interioridade de um personagem, ora se colocando como mero cronista que registra os acontecimentos, caracteriza-o como alguém que narra para um tipo específico de leitor: o leitor de jornal, que lê o romance de maneira descontínua e cuja atenção deve ser constantemente alimentada.



O tempo histórico é o presente, como convinha a um autor pré-Realista que preconizava a substituição do maravilhoso psicológico pelo romance de costumes. E presente, neste caso, é o início da segunda metade do século XIX.








Resumo da obra:


As moças Margarida e Clara têm como tutor o reitor da aldeia, e os dois rapazes são filhos do fazendeiro José das Domas. Clara é expansiva e alegre, feliz, às vezes, leviana.


Margarida é reservada, introspectiva. Pedro é forte, rude, ajustado aos trabalhos agrícolas. Daniel é delicado, sentimental.


Quando crianças, Margarida e Daniel se afeiçoam, mas o pai do jovem, ao descobrir o namoro, manda-o estudar medicina no Porto.


O jovem parte para a cidade grande, levando na memória a imagem de Margarida.


Anos depois, Clara e Pedro apaixonam-se e ficam noivos. Daniel termina o curso e volta à aldeia, esquecido de seu amor por Margarida.






Ela, por sua vez, agora uma professora de crianças, ainda alimenta a paixão por Daniel.


Daniel provoca alvoroço entre as jovens da aldeia, agitando inclusive o coração de Clara, sua futura cunhada. Clara incentiva o interesse de Daniel por ela, e o caso começa a tomar outras proporções. Um dia, os dois são surpreendidos por Pedro. Diante da tragédia iminente,


Margarida assume o lugar da irmã, mesmo correndo o risco de ser malfalada pelos moradores da aldeia. Daniel, admirado da coragem de Margarida, acaba por lembrar-se do namoro de infância, das recordações que levou consigo para o Porto, e volta a apaixonar- se por Margarida.


Graças à atuação de Clara, de José das Domas e do reitor, Margarida, a muito custo, acaba por aceitar o pedido de casamento de Daniel, para a felicidade de todos.


O livro teve duas adaptações para novelas no Brasil; a primeira de 23 de março de 1970 a 6 de março de 1971 pela TV Record.








No elenco teve as participações principais de Dionísio Azevedo como reitor; Marcia Maria como Margarida; Georgia Gomide como Clara (depois substitupida pela atriz Maria Estela)
Agnaldo Rayol como Daniel e Fúlvio Stefanini como Pedro.


Agnaldo Rayol e Marcia Maria


A outra versão de 6 de dezembro de 1994 a 8 de julho de 1995 com direção de Nilton Travesso, teve no elenco: Juca de Oliveira, reitor; Débora Bloch, Margarida; Eduardo Moscovis como Daniel; Luciana Braga, Clara; e Tuca Andrade como Pedro.






Fontes:
wikipedia.org
google.com.br
coladaweb.com
passeiweb.com

segunda-feira, 18 de agosto de 2025



Hoje vamos falar da obra de Machado de Assis, Quincas Borba.



“Quincas Borba" é o segundo livro da trilogia realista escrita por Machado de Assis. Sucede a polêmica obra Memórias Póstumas de Brás Cubas e é sucedido por Dom Casmurro.






Quincas Borba explica sua filosofia e Brás escuta admirado a sua lógica, bem como a clareza da exposição de Borba.
“Conta três fases Humanitas: a estática, anterior a toda a criação; a expansiva, começo das coisas; a dispersiva, aparecimento do homem; e contará mais uma, a contrativa, absorção do homem e das coisas. A expansão, iniciando o universo, sugeriu a Humanitas o desejo de o gozar, e daí a dispersão, que não é mais do que a multiplicação personificada da substância original.” Quincas Borba é um personagem do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, mais tarde Machado escreve um livro dedicado a essa personagem.






Após a morte de Quincas Borba, narrada no livro Memórias póstumas de Brás Cubas, a fortuna herdada por ele foi deixada para seu amigo Rubião, professor de Barbacena, cidade onde residia o filósofo. O dinheiro vem acompanhado do compromisso de cuidar do cachorro, também chamado Quincas Borba.


O romance a ascensão social de Rubião que, após receber toda a herança do filósofo louco Quincas Borba - criador da filosofia "Humanista" e muda-se para a Corte no final do século XlX. Na viagem de trem rumo à capital, Rubião conhece o casal Sofia e Cristiano Palha, que percebe estar diante de um ingênuo - e agora rico - provinciano: impressão que também é compartilhada por todos os que estão ao seu redor. As desventuras de Rubião e sua relação com os amigos parasitários dão a tônica da obra, que critica o convívio social e os valores morais e éticos vigentes na época.


"Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade."





Subitamente enriquecido, Rubião se muda para o Rio de Janeiro e já na viagem conhece o casal Sofia e Cristiano Palha, que se comprometem a apresentar-lhe a corte e cuidar para que ele não seja alvo de aproveitadores. De fato, Sofia e Cristiano logo incluem Rubião em seu círculo de amizades.



Com a convivência, nasce o interesse de Rubião pela bela Sofia. Ela logo percebe a paixão que provoca, utilizando-se disso para envolver ainda mais o milionário. Acreditando-se correspondido, Rubião se declara à amada durante um baile. Sofia comenta com o marido a ousadia do convidado, mas Cristiano tenta diminuir a ira da esposa, comentando que já devia muito dinheiro a Rubião. O marido ainda sugere que ela alimente aquele sentimento, para que eles possam continuar a explorar o pobre milionário.









Frustradas suas tentativas amorosas, Rubião decide deixar o Rio de Janeiro. Cristiano fica preocupado com a notícia, que o afasta de sua principal fonte de renda. Por isso, insiste com o amigo para que fique, acenando com futuros reencontros com Sofia. Acompanha-o nessa tentativa certo Camacho, político que também tira vantagem da bondade e da ingenuidade de Rubião. Convencido, este decide permanecer no Rio de Janeiro.










Rubião e Cristiano se tornam sócios em uma importadora, Palha & Cia. Com o tempo, o capitalista passa a administrar os bens e a fortuna do mineiro. A condição de vida do casal Palha melhora a olhos vistos. Rubião continua a frequentar-lhes a casa. Passa a sentir ciúmes crescentes do jovem Carlos Maria, que dirige gracejos a Sofia. Atingindo o estado de desespero, Rubião chega certa vez a gritar com Sofia, insinuando o adultério. A mulher contorna a situação e prova sua inocência, posteriormente confirmada com o casamento de Carlos Maria com Maria Benedita, prima de Sofia.





Cristiano rompe a sociedade com Rubião, alegando a necessidade de desligar-se da empresa a fim de capacitar-se a assumir cargos no sistema financeiro. Na verdade, já estabelecido, Cristiano quer continuar a conduzir sozinho os seus negócios. Sofia também se afasta de Rubião, recusando seus insistentes convites para passeios.




Enlouquecido de desejo, Rubião visita Sofia, mas a encontra de saída. Quando ela sobe na carruagem que a espera, ele também entra, intempestivamente, baixando em seguida as cortinas. Mais uma vez, declara-se a ela, desta vez acrescentando ser Napoleão III e ela, sua amante. Sofia percebe a demência de Rubião.





Logo, a notícia se espalha por toda a cidade. Seus delírios se acentuam à mesma proporção em que seu patrimônio diminui. Por insistência de amigos, os Palha assumem a responsabilidade de cuidar do doente. Como primeira providência, transferem-no para uma casa mais humilde. Os acessos de loucura continuam e Rubião acaba internado em um hospício.











Rubião foge e, acompanhado do cão, retorna a Barbacena. Ninguém os recebe e os dois acabam dormindo na rua. No dia seguinte, Rubião morre, ainda acreditando ser um imperador francês.






Fontes:
livrariasfamiliacristã.om.br
educacaoglobo.com
todamateria.com.br
machado.mec.gov.br
google.com

sexta-feira, 15 de agosto de 2025



Muitas pessoas têm dúvidas ao utilizar as letras C, Ç, S, SS, Cs, Z e X na língua portuguesa. Essas letras têm sons diferentes e podem alterar significativamente o sentido das palavras; por isso, é importante saber utilizá-las corretamente.


A seguir, vamos abordar as principais dúvidas e dar dicas de como saber que letra usar em cada caso.


C, Ç ou SS?

A letra C pode representar dois sons diferentes: o som de “k”, como em “casa”, ou o som de “s”, como em “cinco”.

Já o Ç representa exclusivamente o som de “s”, como em “maçã”.

E o SS também representa o som de “s”, como em “sala”. Então, como saber qual letra usar? Em geral, a regra é:

Usa-se SS:Na terminação dos superlativos sintéticos e do imperfeito de todos os verbos.
Exemplo: lindíssimo, colhêssemos.Palavras ou radicais iniciados por s quando há formação de palavras derivadas ou compostas.
Exemplo: heterossexual


Usa-se Ç:

Palavras derivadas de primitivas escritas com Ç
Verbos terminados em ‘ecer’ e ‘escer’.

Ex. cresça (crescer)
Palavras de origem indígena ,árabe e africana.
Ex. paçoca, muçulmano, miçanga



CH ou X?

A junção CH é bastante na língua portuguesa e representa o som de “X”.

Já o X por si só, pode representar dois sons diferentes, o de “ks”, como em “xérox”, e o igual ao de “ch”, como em “xícara”.

Vamos para as regrinhas:

Emprega-se o “X” depois de ditongos (encontro de duas vogais na mesma sílaba).

Exemplo: faixa, baixo, deixa, peixe, trouxa, frouxo. Todas as vezes que uma palavra iniciar com a sílaba “me”, usa-se o “X” após essa sílaba.

Exemplo: México, mexerica, mexilhão, mexer.

Também faz o uso do “X” quando um termo inicia-se com a sílaba “en”: Exemplo: enxada, enxaqueca, enxergar.

Alguns termos de origem indígena também exigem o uso de X.
Exemplo: abacaxi, capixaba, xerife


Z ou S?

Em geral, as regras são:

– Use “s” quando as palavras derivarem de outras que sejam escritas com “s”.
Exemplo: avisar, que deriva de aviso.

–Use “s” em nacionalidades, adjetivos, origem ou título e profissão feminina.
Exemplo: dinamarquesa – glorioso – princesa

Para saber qual letra usar, é importante observar a função da palavra na frase e as regras de ortografia.

Com um pouco de prática e estudo, é possível dominar o uso dessas letras e escrever corretamente em português. Lembre-se de ler bastante para expandir vocabulário e conseguir se lembrar melhor sobre as regras de cada termo.


Na língua portuguesa existem diversas palavras com sc. Segundo as regras fonéticas do português, a sequência sc pode ser considerada um dígrafo ou um encontro consonantal.

Sc é um dígrafo quando seguido das vogais e ou i. Representa um único som, assumindo o valor fonético /s/: nascer, piscina, descida.

Sc é um encontro consonantal quando seguido das vogais a, o ou u e de outras consoantes, com r ou l. Representando dois sons distintos: descoberta, escrever, ofuscar.







Fontes:

normaculta.com.br

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

 Prefácio interessantíssimo - Mário de Andrade.




`Está fundado o Desvairismo.

Este prefácio, apesar de interessante, inútil.

Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão o prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para que me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou.

Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo.

Aliás muito difícil nesta prosa saber onde termina a blague, onde principia a seriedade. Nem eu sei.

E desculpem-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos atuais. Sou passadista, confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita si pretendesse representar orientação moderna que ainda não compreende bem.

Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do artigo e deixei que saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que se discutiram minhas ideias (que nem são minhas): discutiram minhas intenções. Já agora não me calo. Tanto ridicularizaram meu silêncio como esta grita. Andarei a vida de braços no ar, como indiferente de Watteau.

Um pouco de teoria?
Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada.

A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer empecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia, não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisa-lo das pedras e cercas de arame do caminho. Deixe que tropece, caia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades românticas, de pormenores inúteis ou inexpressivos.

Que Arte não seja porém limpar versos de exageros coloridos. Exagero: símbolo sempre novo da vida como sonho. Por ele vida e sonho se irmanaram. E, consciente, não é defeito, mas meio legítimo de expressão.´


O "Prefácio Interessantíssimo" de Mário de Andrade, que acompanha a obra Paulicéia Desvairada, é um texto complexo e instigante que funciona como uma espécie de "manual de instruções" para a leitura da poesia modernista do autor. Nele, Mário de Andrade explora temas como a liberdade de expressão na poesia, a relação entre literatura e música, e a influência do modernismo europeu na produção brasileira, tudo com um tom irônico e provocativo.

Nele, Mário de Andrade, expõe como é tratada esse novo estilo de Literatura e de poesia, desgarrando das formas tradicionais, estilizadas e cheias de normas.

(Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo.)

O prefácio também apresenta o "Desvairismo", uma espécie de movimento poético que busca a renovação da poesia brasileira, valorizando a subjetividade e a expe ¹ rimentação.

O poeta tenta desvincular nossa poesia de influência europeia:

(Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do artigo e deixei que saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade.)  ¹ 

¹ - Manifesto Futurista de Filippo Tommaso Marinetti de 1909.


Em resumo, o "Prefácio Interessantíssimo" é um texto fundamental para a compreensão da obra de Mário de Andrade e do modernismo brasileiro, pois oferece um guia para a leitura da poesia de Pauliceia Desvairada e para a reflexão sobre a arte e a cultura da época, tudo isso com um toque de ironia e irreverência.



Fontes:

google.com
mac.usp.br
guiadoestudante.abril.com.br
wikipedia.org

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Vamos abordar hoje a obra do escritor  Menotti Del Picchia, Juca Mulato.

Menoti Del Picchia



Juca Mulato (1917) é um dos primeiros livros de poesia publicados pelo poeta brasileiro Menotti Del Picchia. Publicado em 1917, antes da Semana de 22. Juca Mulato lançou Menotti no mundo literário, sendo reproduzido em jornais de todo o Brasil, fazendo do autor um nome nacional.

Tema

Juca Mulato conta sobre o caboclo Juca, trabalhador de uma fazenda, descrito nos primeiros versos como em estado de comunhão com a natureza, que sente uma "cisma" - sentimento de inadequação racial, aumentado desde o dia em que flagra a filha da patroa o contemplando.

A personagem integra o rol de tipos populares rurais, desenhados por escritores e artistas desde o final do século XIX, assemelhando-se pelo sentimentalismo, ao violeiro caipira de Almeida Júnior e pelo aspecto de desolação, ao Jeca de Monteiro Lobato.  Juca Mulato insere-se em uma corrente de primitivismo que começa com O Guarani de José de Alencar e vai até Jubiabá de Jorge Amado.

O poema Juca Mulato (1.917) de Menotti Del Picchia é uma obra ímpar no contexto modernista. O autor faz uso dos temas: Germinal, A Serenata, Alma Alheia, Fascinação, Lamentação, Presságios, A Mandinga, A Voz das Coisas e a Ressurreição para narrar à história de amor de um caboclo, que se apaixonou pela filha da patroa.


E a Filha da Patroa ?

Essa, ainda hoje, nascerá no coração de cada leitor do poema quando haja atingido a idade do amor. É uma idéia e um sonho. Continuará a lembrar, vida afora, a criatura que teria sido o complemento do seu ser, realização sempre sonhada e impossível de um perfeito amor ideal.








Juca Mulato nasceu em Itapira, cidade da zona mogiana do Estado de São Paulo, em 1917. Seu pai, recém-formado em Direito e fazendeiro nessa cidade, acabara de publicar na Capital paulista seu poema Moisés. Exercia agora uma vaga advocacia numa terra quase sem demandas e dirigia o jornal local, Cidade de Itapira, em cujos prelos imprimiu o primeiro exemplar do seu poema.

Foi no ambiente da fazenda Santa Catarina da Capoeira do Meio e na paz e no silêncio do parque que se debruça sobre o Cubatão, bairro no qual serpeja o Rio da Penha, em cujas margens bivacavam ciganos, que a imagem do caboclo do Mato e sua alma lírica empolgaram o advogado-poeta.


Compõem o poema o Céu e a Terra. Todas as coisas telúricas e celestes, o chão que abriga o homem e o alimenta e o que há no mistério do azul quando ele olha para as estrelas. Ali descobre uma nova e mágica dimensão do universo: os animais, como o prudente e confidente Pigarço e os lerdos bois pensativos e decorativos; o galo, clarim do dia que ilumina as coisas para a vida e oferece as maravilhas do mundo ao homem que acorda.

A fala do "Juca" é coloquial e divina. Sai da boca do homem e vem da conexão mágica que ele tem com as coisas. É que o universo é um eterno diálogo de vozes mudas. Cabe-lhe comunicá-las às demais criaturas. Ele é o intérprete da formidável comunhão espiritual que nos envolve numa harmoniosa coesão de vivências e mistérios regida pela fatalidade dessa divina força que é o amor ("...Che muove il sole e l`altre stelle...")



Fontes:

wikipedia.org
google.com
jornaldepoesia.jor.br
Delos+079.pdf


Vamos falar hoje de objeto direto e objeto indireto. O objeto direto e o indireto são termos integrantes da oração que completam o se...