segunda-feira, 23 de novembro de 2020

 





A tradução da Tabula Smaragdina':

(1) É verdade, certo e muito verdadeiro:
(2) O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
(3) E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
(4) O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua nutridora;
(5) O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
(6) Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
(7) Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
(8) Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
(9) Desse modo obterás a glória do mundo.
(10) E se afastarão de ti todas as trevas.
(11) Nisso consiste o poder poderoso de todo poder: Vencerás todas as coisas sutis e penetrarás em tudo o que é sólido.
(12) Assim o mundo foi criado.
(13) Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.(14) Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegisto, pois possuo as três partes da filosofia universal.
(15) O que eu disse da Obra Solar é completo.

Hoje vamos falar da Tábua de esmeralda. 

A Tábua de Esmeralda (também conhecida por Tabula Smaragdina ou Tábua Esmeraldina), é um texto que se pensa ter sido escrito pelo ícone helenístico Hermes Trismegisto, que revela os segredos sobre substância primordial (aquilo que é omnipresente em tudo que forma o universo), e todas as suas formas e potencialidades. É um texto com enorme relevância nos dias de hoje por revelar o conhecimento antigo sobre o Universo, que tem se revelado verdadeiro por inúmeras ciências.



Hermes Trimegisto



Hermes Trismegisto é um dos indivíduos principais na história das culturas herméticas. Ninguém consegue definir ao certo quem era Hermes Trismegisto, existem várias interpretações semelhantes do mesmo. Não existem dúvida que para além de ser escritor de vários dos textos em cultura Hermética, foi também um dos maiores ícones na própria cultura Hermética: como professor, Deus e um exemplo a seguir em toda a esfera do Hermetismo.

Hermetismo significa um  conjunto de doutrinas míticas, astrológicas, alquímicas, mágicas atribuídas ao deus mitológico Hermes Trimegisto.

A existência de Hermes Trimegisto é questionada por diversos estudiosos, uns afirmam que ele era contemporâneo  do profeta Abraão. Outros que ele foi mestre de Moisés.





O primeiro vestígio documentado sobre a Tábua de Esmeralda pode ser encontrado numa carta de Aristóteles a Alexandre o Grande durante a sua campanha na Pérsia. Esta carta integra na versão em latim da grande obra “Secretum Secretorum” (“Segredo dos Segredos”); traduzida a partir do original em Árabe “Kitab Sirr al-Asrar”, que é um gênero de livro de conselhos, tratado e enciclopédia para todos os grandes governantes da época. 


Este livro fala sobre as ciências que regem o universo, e foi um dos livros mais lidos da idade média por conter os maiores e mais poderosos segredos sobre o universo; desde a astrologia e propriedades mágicas e medicinais de plantas e minerais, numerologia, e acima de tudo, o segredo sobre uma ciência unificada. Outros vestígios sobre a Tábua de Esmeralda são documentados após séculos deste, o que apenas prova que o texto existe e foi uma grande influência para muitas culturas. Hoje, o texto é visto por conter uma das maiores verdades sobre o nosso universo, que é provado pela comunidade científica e pelas ciências da física quântica.

Apesar da veracidade da existência física de uma tábua de esmeralda ter sido sempre questionada e negada por filósofos e estudiosos, a importância de seu conteúdo foi de muita valia para elaboração de teorias filosóficas e do hermetismo que se iniciou na Idade Média.

Hoje, o texto é visto por conter uma das maiores verdades sobre o nosso universo, que é provado pela comunidade científica e pelas ciências da física quântica. É também guia de muitos outros ensinamentos e programas em séculos mais recentes, e que defendem a existência de leis universais como A Lei  da  Atração  e Lei da Vibração.





Os alquimistas estão chegando
Álbum a tábua de esmeralda 


Outra citação conhecida da tábua de esmeralda é a música de Jorge Ben Jor " Hermes Trismegisto" de 1974, do álbum "A tábua de esmeralda". Na música o cantor e compositor narra os ensinamentos  da Tábua de Esmeralda. Nesse álbum temos a música "Os alquimistas estão chegando"





O poeta e crítico mexicano Octavio Paz descreve Hermes Trismegisto como um amálgama helenístico do deus grego Hermes com o deus egípcio Thoth. Hermes é o deus mensageiro dos gregos, o de asinhas nas sandálias (ou no boné), que intermedia tanto a viagem de almas para o Hades quanto a comunicação com outros deuses (o que acabou dando no nome “hermenêutica”) além de presidir encruzilhadas, inventar a lira e, roubando o gado de Apolo.

Deus Hermes/Mercúrio




Thoth é o deus egípcio que às vezes tem cabeça de pássaro, às vezes de babuíno, normalmente tido como responsável pelo desenvolvimento tanto da escrita e das leis quanto da magia, além de exercer papel importante no tráfego das almas até o além e no juízo sobre as almas defuntas (nos hieróglifos encontrados em sarcófagos aos quais se costuma dar o nome, no Ocidente, do Livro Egípcio dos Mortos, alguns deles se assemelhando tremendamente a receitas mágicas, com fórmulas de nomes de entidades que se precisa conhecer, assim como a forma direita de endereçá-los, boa parte das narrativas imagéticas ilustradas parecendo configurar uma narrativa didática progressiva, e aventuresca, do que uma alma precisa fazer ao chegar no além-mundo).

Deus Toth



A essa figura, obviamente um tanto fantástica, são atribuídos os textos do chamado Corpus Hermeticum, um apanhado relativamente misterioso de diversos tratados filosóficos, místicos e teúrgicos datando dos últimos séculos a.C. até os primeiros séculos d.C. 
Trismegisto significa “três vezes grande”, e achou-se por muito tempo que o autor desse grupo de textos seria um grande sábio egípcio, por vezes descrito como um mago, ou um grande herói cultural prometeico, anterior à Platão e Pitágoras (em algumas versões, contemporâneo de Moisés). Encontravam tremendas relações entre textos do Corpus Hermeticum com Gênesis, e por toda parte prefigurações de Cristo e da trindade.




A sua fama era tamanha que quando os textos do Corpus Hermeticum chegaram às mãos de Cosimo Médici ele mandou interromper as traduções pioneiras dos diálogos de Platão que estava bancando para que os textos de Hermes pudessem ser traduzidos (já que Hermes seria não só anterior a Platão, mas de maior estatura histórica, com gente chegando a supor que ele teria sido o inventor da língua egípcia, ou mesmo da linguagem como um todo).

Não é tão claro quando ou em que termos que essa conjunção se formou. No chamado Livro de Thoth, compilação de escrita egípcia demótica, o deus é chamado de três-vezes-grande. No seu Da Natureza dos Deuses (De Natura Deorum), Cícero enumera cinco versões diferentes de Mercúrio (o Hermes romano), e a quinta delas é descrita como tendo ido para o Egito, criado as letras e as leis egípcias e se tornado Thoth.






Fontes:
wikipedia.org
dicio.com.br
jungnapratica.com.br
osefgredo.com.br
google.com
youtube.com
fitabruta.com.br
Nova Acrópole -palestra da Professora Lucia Helena Galvão

domingo, 22 de novembro de 2020

 



Vamos falar da obra de Italo Svevo, pseudônimo de Aron Hector Schimitz, nascido em Trieste Itália em 19 de dezembro de 1861. Morreu em 13 de setembro de 1918 em Motta de Livenza - Itália.







Já no prefácio do livro, escrito pelo psicanalista de Zeno, nos mostra a personalidade titubeante do personagem, que tem dificuldades em terminar as coisas que começa e em tomar decisões importantes.




Prefácio


"Sou o médico de quem às vezes se fala neste romance com palavras pouco lisonjeiras. Quem entende de psicanálise sabe como interpretar a antipatia que o paciente me dedica. Não me ocuparei de psicanálise porque já se fala dela o suficiente neste livro. Devo escusar-me por haver induzido meu paciente a escrever sua autobiografia; os estudiosos de psicanálise torcerão o nariz a tamanha novidade. Mas ele era velho, e eu supunha que com tal evocação o seu passado reflorisse e que a autobiografia se mostrasse um bom prelúdio ao tratamento. Até hoje a ideia me parece boa, pois forneceu-me resultados inesperados, os quais teriam sido ainda melhores se o paciente, no momento crítico, não se tivesse subtraído à cura, furtando-me assim os frutos da longa e paciente análise destas memórias. Publico-as por vingança e espero que o autor se aborreça. Seja dito, porém, que estou pronto a dividir com ele os direitos autorais desta publicação, desde que ele reinicie o tratamento. Parecia tão curioso de si mesmo! Se soubesse quantas surpresas poderiam resultar do comentário de todas as verdades e mentiras que ele aqui acumulou!... "DOUTOR S

O título já indica o tratamento irônico da narrativa confessional de Zeno Cosini, levada a termo por sugestão do analista, o doutor S. Ao assinar o prefácio, este se considera coautor do livro, por ter encaminhado os originais para publicação, sem o conhecimento do autor e como vingança pela interrupção da terapia do analisando. A consciência refere-se à determinação da personagem em se apresentar como curado diante do doutor S., por estar gozando de uma "saúde sólida, perfeita", e não mais se comportar como doente imaginário.




A natureza da doença de que sofre Cosini é da ordem do imaginário, constituindo-se seja pelo vício do fumo, seja por inquietações próprias a todo ser humano: o medo de envelhecer e de morrer, o tédio de viver e o adultério, como entrega às pulsões e relações perigosas. Segundo Cosini, o comércio foi a causa de sua cura. Entregar-se ao comércio -no seu sentido literal e metafórico- foi a saída para os problemas existenciais, ao se convencer de que na compra indiscriminada de qualquer mercadoria reside o sistema de trocas e de substituições dos valores. Alcança-se a saúde e o lucro nas transações comerciais- graças ao mecanismo de sublimação efetuado no interior das relações humanas: o que se perde é logo superado por outro objeto de desejo. Convencida de ter criado durante a vida um pacto comercial com os outros, de ter vivido o desejo alheio, a personagem aceita ainda fazer e entregar o diário ao doutor S., o que confirma a promoção do desejo do analista.


Freud



O livro foi escrito após a Primeira Guerra Mundial, início do século XX. Italo Svevo nasceu no final do século XIX, e as ideias de Sigmund Freud sobre a psicanalise inovavam na Europa como uma nova abordagem do ser humano. 

Esta obra considerada como uma das precursoras do romance moderno e também “o primeiro romance psicanalítico”, pois faz uma aproximação entre aspectos da literatura a partir do século XX e transfere a atenção da análise psicológica da tradição realista às lições de Freud. A História de Zeno Cosini não é o resultado final de acontecimentos exteriores, mas a análise que o personagem faz de si mesmo embora as incursões sempre deem margem à ironia, uma vez que a obra é uma grande crítica à psicanálise e suas pretensões.

Zeno acaba por se desentender com seu psicanalista, que publica como vingança! – numa atitude antiética e antiprofissional, sua autobiografia. As situações mostram a total falta de controle do personagem, não sobre um mundo com o qual se desentende, mas sobre o rumo de sua própria vida.

O FUMO

 

"O médico com quem falei a esse respeito disse-me que iniciasse meu trabalho com uma análise histórica da minha propensão ao fumo. — Escreva! Escreva! O que acontecerá, então, é que você vai se ver por inteiro. Acredito, inclusive, que a respeito do fumo posso escrever aqui mesmo, à minha mesa, sem necessidade de ir sonhar ali naquela poltrona. Não sei como começar e invoco a assistência de todos os cigarros, todos iguais àquele que tenho na mão."



Outro personagem curioso é Guido Speier, um violinista ridículo, seu concunhado, sócio e rival, tendo desposando Ada, mulher que ele almejava se casar e igualmente inepto para a vida, caindo em falência e morrendo após fingir seu próprio suicídio. Na conclusão do romance, parece que apenas a ruína trazida pela I Guerra Mundial apraz Zeno e lhe traz sinais de redenção. Vemos Zeno, nas últimas páginas do livro, como um pai feliz e extremamente viciado em cigarros.

No final, o leitor poderá observar que o narrador responde ao enigma da vida dizendo que o Freudismo é tão inútil para responder ao enigma da vida quanto qualquer outra filosofia ou guia. Zeno perdoa seu psicanalista dizendo:

“A vida assemelha-se um pouco à enfermidade, à medida que procede por crises e deslizes e tem seus altos e baixos cotidianos. À diferença das outras moléstias, a vida é sempre mortal. Não admite tratamento. Seria como querer tapar os orifícios que temos no corpo, imaginando que sejam feridas. No fim da cura estaremos sufocados”.



A morte do pai

Não poderíamos dizer que a relação entre Zeno e o pai fosse afetuosa. O pai simplesmente não via nele habilidade alguma, tanto que nomeou um tutor para cuidar da herança da família.


"— Estou morrendo!


E ergueu-se da cama. Por minha vez, surpreendido com o grito, relaxei a pressão dos dedos, o que lhe permitiu sentar-se à beira da cama, bem à minha frente. Creio que então sua ira aumentou ao ver-se — ainda que apenas por um instante — constrangido em seus movimentos; decerto pareceu-lhe que eu não só lhe tolhia o ar de que tanto precisava como também lhe roubava a luz, interpondo-me entre ele e a janela. Com um esforço supremo conseguiu ficar de pé, ergueu a mão o mais alto que pôde, como se soubesse que não conseguiria comunicar-lhe outra força senão a de seu próprio peso, e deixou-a cair contra a minha face. Depois tombou sobre o leito e dele para o chão. Estava morto! "


Para Zeno o último ato de seu pai para com ele foi um tapa na cara. 





A narrativa autobiográfica desconstrói o limite rígido entre ciência e ficção, ao apontar a potencialidade enganosa e fugidia do ato de linguagem, praticada tanto pela literatura quanto pela psicanálise. Joyce encarnaria, no texto de Manonni, o alerta para a presença da alteridade como constituinte do sujeito-autor, assim como o teor plagiário da escrita que se impõe como escrita do outro. A autenticidade autoral do livro de Svevo já é desmitificada no prefácio de doutor S., que se coloca como responsável pela edição do romance.

Para finalizar, qualifico “A Consciência de Zeno” como uma obra prima atemporal que se recusa a aceitar os clichês, as abstrações, as explicações pseudocientíficas sobre o significado da vida ou a instrução de especialistas sobre como vivê-la. Italo Svevo, longe de ficar triste ou mal-humorado sobre a situação, ri da nossa desesperança e nós rimos com ele.



Fontes:
wikipedia.org
google.com
bonslivrosparaler.com.br
folha.uol.com.br



sábado, 21 de novembro de 2020

No dia 21 de novembro de 1830, um assassinato traiçoeiro desestabilizou ainda mais o frágil governo do imperador Dom Pedro I. Em São Paulo, morria, vítima de um atentado, Giovanni Battista Libero Badaró, jornalista, político e médico italiano radicado no Brasil. 


Líbero Badaró



Nascido na Itália, na cidade de Laigueglia, em 1798, ele se mudou para os trópicos em 1826. Em solo brasileiro, tornou-se um liberal e viveu na cidade de São Paulo, onde atuava como médico e dava aulas gratuitas de matemática. Fundou o jornal O Observador Constitucional, em 1829, o que não era bem visto pelos absolutistas. Em São Paulo, alguns estudantes do Curso Jurídico fizeram uma campanha contra o governo monárquico. Os manifestantes tornaram-se criminosos para o ouvidor Cândido Ladislau Japiaçu e foram processados.


Rua Líbero Badaró



O Observador Constitucional fez campanha em favor dos acusados e atacou Japiaçu. Desafeto de Japiaçu, Libero Badaró sofreu um atentado no dia 20 de novembro, às 22h, quando voltava para a sua casa na rua São José (hoje rua Líbero Badaró). Suas última palavras antes de morrer foram "morre um Liberal, mas não morre a Liberdade". No dia seguinte, ele faleceu e sua frase virou símbolo da liberdade de imprensa. Sua morte ganhou grande repercussão, com milhares de pessoas no seu enterro e mais de 800 tochas acesas. O principal responsável pelo assassinato foi um alemão, chamado Stock, que se escondeu na casa de Japiaçu. O alemão foi preso, mas Japiaçu, apesar de processado, acabou absolvido. Segundo historiadores, a ordem para matar Badaró pode ter partido de Dom Pedro I. 

"(...) Terrível liberdade de imprensa, que clama a uns não matarás, a outros não prenderás, não substituirás o teu interesse ao dos mais; não te servirás de autoridade pública para satisfazer as tuas vinganças, não sacrificarás o teu dever ao poder! Incapazes de resistir à evidência dos argumentos positivos sobre que se apoia a necessidade de imprensa, os amigos das trevas se vestem da capa da moral e do sossego público, apontam os abusos desta liberdade, a calúnia, a difamação, as provocações diárias, os achincalhes continuados, que tornam a vida um suplício. É, meu Deus! Os abusos? E do que se não abusa neste mundo? Forte raciocínio! E porque se abusa de uma qualquer cousa, já, já suprima-se? E aonde iríamos com estas supressões? Um mau juiz abusa do seu ministério: suprima-se a magistratura; um mau sacerdote abusa da religião: suprima-se a religião; um mau marido abusa do matrimônio: suprima-se o matrimônio! Forte raciocínio, dizemos outra vez! Suprimam-se os abusos que será melhor. A lei contra os abusos existe; sirvam-se dela; e se não é boa, faça-se outra; e liberdade a todos de esclarecerem os legisladores, pela imprensa livre (...)"

Texto de autoria de Líbero Badaró, publicado no jornal Observatório Constitucional.

O fato complicou ainda mais a situação política do imperador, criticado por sua postura autoritária. No ano seguinte, no dia 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdicou do trono e mudou-se para Portugal, deixando a coroa para o seu filho, Dom Pedro II, de apenas 14 anos.




Fontes:
seuhistory.com
aventurasnahistoria.uol.com.br
google.com
gazetadopovo.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2020




O barco baleeiro Essex, que havia partido de Nantucket, Massachusetts, no EUA, foi afundado após o ataque de uma cachalote de 80 toneladas, quando estava a 3.700 quilômetros da costa ocidental da América do Sul, no Oceano Pacífico. O barco contava com uma tripulação de 20 homens, que caçavam baleias, em busca do óleo e ossos. Contudo, uma baleia enfurecida atacou o barco em um dia como este, em 1820, e a afundou. A tripulação escapou em três barcos abertos, mas apenas cinco dos homens sobreviveram à terrível jornada de 83 dias, até atingirem a costa da América do Sul, onde foram resgatados por outros navios.




Para sobreviver, os homens praticaram o canibalismo durante a longa viagem. Em um certo ponto, quando eles estavam à beira da morte, eles tiraram no "palitinho" para ver quem seria morto para servir de comida. Uma segunda rodada do palitinho decidiu quem daria o tiro. Três outros homens que tinham ficado em uma ilha deserta do Pacífico foram salvos depois, quando também estavam à beira da morte por conta da fome. Esta história, em parte, inspirou Herman Melville a escrever o clássico livro Moby Dick (1851).


Fontes:
wikipedia.org
google.com
seuhistory.com

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

"The story had held us, round the fire, sufficiently breathless, but except the obvious remark that it was gruesome, as, on Christmas Eve in an old house, a strange tale should essentially be, I remember no comment uttered till somebody happened to say that it was the only case he had met in which such a visitation had fallen on a child"

"A história nos mantivera em suspense em torno do fogo, mas à parte da óbvia reflexão de que era horrível, como essencialmente deve ser toda história estranha contada na véspera de Natal, numa velha casa, não me lembro que sobre ela se fizesse algum comentário, até que alguém lembrou que era o único caso assim sobre uma criança...."


Henry James


Assim começa "The turn of screw" em português"A outra volta do parafuso, do escritor americano Henry James. O título em si parece um pouco inexplicável, já no começo do livro o autor apresenta uma justificativa: " a child is menaced by some ghostly terror, a party guest suggests that the fact that the story's protagonist was a child is what gives a certain "turn of the screw" – that is, it tightens the dramatic tension".

Seria mais ou menos como quando ouvimos ou assistimos um conto ou uma cena de tensão, ou terror apertássemos algo com as mãos, um lençol, um travesseiro, a mão do/da acompanhante. Me lembro do filme "Um dia depois de amanhã onde o personagem no avião durante uma grande turbulência aperta a mão da garota ao seu lado.











Este clássico do terror conta a história de uma governanta que é contratada para cuidar de duas crianças em uma grande casa inglesa. Até que ela descobre que a casa é frequentada por fantasmas. O suspense aumenta: ela começa a desconfiar que as crianças, de uma beleza mais que terrena e bondade absolutamente incomum, não só enxergam esses espíritos, como também convivem com eles.





Na véspera de Natal, um narrador não identificado ouve Douglas, um amigo, ler um manuscrito escrito por uma antiga governanta a quem Douglas afirma ter conhecido e que agora está morta. O manuscrito conta a história de como a jovem preceptora fora contratada no passado por um homem que se tornara responsável por duas crianças, um sobrinho e uma sobrinha, depois da morte de seus pais, mas que não tivera interesse em criá-los, preferindo deixá-los a cargo de uma governanta. Ele vive em Londres, mas também tem uma casa de campo, Bly.






O menino, Miles, frequenta um colégio interno, enquanto sua jovem irmã, Flora, vive na casa de campo em Essex, aos cuidados da caseira, Mrs. Grose. O tio de Miles e Flora, o patrão da nova governanta, dá a ela o cuidado completo da educação das crianças, deixando-lhe ordens explícitas de não incomodá-lo com qualquer tipo de informação, em nenhuma circunstância, e a governanta então se muda para a casa de campo para iniciar seu trabalho.

Miles retorna para casa no verão, após a chegada de uma carta da direção da escola, informando que ele foi expulso. Miles jamais fala sobre tal acontecimento, e a governanta hesita em falar sobre a questão, pois teme que haja algum terrível segredo atrás dessa expulsão, e ao mesmo tempo sente-se cativada pelo adorável garoto, evitando pressioná-lo para descobrir mais. Começa, porém, a observar nos passeios na propriedade, a presença de um homem e de uma mulher que ela não conhece. Tais personagens vêm e vão sem serem notados por outros serviçais da casa, e são sentidos pela governanta como sobrenaturais. Ela descobre através de Mrs. Grose que a governanta sua predecessora, Miss Jessel, e um outro empregado, Peter Quint, tinham tido um relacionamento sexual, e percebe que, após suas mortes, Jessel e Quint costumam conviver com Flora e Miles, o que lhe convence do sinistro significado, de que as duas crianças estão secretamente conscientes da presença dos fantasmas.

Uma tarde, sem sua permissão, Flora deixa a casa enquanto Miles toca piano, e a governanta acompanhada de Mr. Grose a procura, indo encontrá-la à margem do lago, o que convence a governanta de que Flora foi falar com o fantasma da Miss Jessel, porém ao confrontar Flora, ela nega ter visto Miss Jessel. Por sugestão da governanta, Mrs. Grose leva Flora para seu tio, deixando a governanta com Miles, que naquela noite finalmente fala com ela sobre sua expulsão do colégio; o fantasma do Quint aparece para a governanta na janela. A governanta então protege Miles, que tenta ver o fantasma. A governanta percebe então que ele já não está controlado pelo espírito, mas morreu em seus braços, e o fantasma desapareceu.

No capítulo II o autor deixa muito claro a  displicência do tio das crianças que as deixou aos cuidados da governa e de outros criados sem nem mesmo querer saber noticias de ambos.




"The postbag, that evening—it came late—contained a letter for me, which, however, in the hand of my employer, I found to be composed but of a few words enclosing another, addressed to himself, with a seal still unbroken. “This, I recognize, is from the headmaster, and the headmaster’s an awful bore. Read him, please; deal with him; but mind you don’t report. Not a word. I’m off!” I broke the seal with a great effort—so great a one that I was a long time coming to it; took the unopened missive at last up to my room and only attacked it just before going to bed. I had better have let it wait till morning, for it gave me a second sleepless night. With no counsel to take, the next day, I was full of distress; and it finally got so the better of me that I determined to open myself at least to Mrs. Grose.

“What does it mean? The child’s dismissed his school.”


"O correio - que chegou com atraso - trouxe-me uma carta de meu patrão. Continha poucas  palavras e encerrava outras palavras que não tinha sido aberta, endereçada para ele próprio. Logo reconheci a letra do diretor do colégio. Dizia-me o meu patrão - ele é uma pessoa enfadonha, leia a  carta e entenda-se com ele. Mas não me diga nada, nem uma palavra, estou de viagem. Abri com dificuldade o envelope lacrado, não querendo lê-lo de imediato. Levei-o para o meu quarto e li antes de dormir, talvez fosse melhor ter deixado para lê-lo no dia seguinte. Passei mais uma noite em claro."

"O que significa isso ! A criança foi expulsa da escola ?"


O livro de Henry James se passa na era vitoriana, de costumes rígidos e pragmáticos. A governanta, pouco a pouco, vai descobrindo o mistério em torno das duas crianças que se relacionam com dois ex empregados da casa a Sra. Jessel e Peter Quint.

A casa com ares sombrios também ajudava a tornar o ambiente carregado e fantasmagórico.

O especialista em literatura inglesa Oliver Elton  escreveu em 1907 que “Há... dúvida, levantada e mantida em suspenso, se, afinal, os dois fantasmas que podem escolher para quais pessoas eles aparecerão, são fatos, ou delírios da jovem preceptora que narra a história”. Edmund Wilson foi outro que propôs o questionamento da sanidade da governanta, postulando a repressão sexual como a causa de suas experiências. Wilson eventualmente mudou sua opinião, após considerar a descrição pormenorizada de Quint do ponto de vista da governanta. John Silver, porém, salientou questões na história que levariam a creditar que a governanta poderia ter conhecimento prévio da aparência de Quint de forma não-sobrenatural. Isso induziu Wilson a retornar à sua opinião original, de que a governanta estava delirando e que os fantasmas existiam apenas na sua imaginação.

William Veeder vê a eventual morte de Miles como induzida pela governanta. Em uma complexa leitura psicanalítica, Veeder conclui que a governanta expressa a raiva reprimida por seu pai e pelo mestre de Bly sobre Miles.

Outros críticos, no entanto, têm defendido a governanta. Eles defendem que as cartas de James no prefácio da Edição de Nova Iorque, e o seu Notebooks of Henry James não contêm nenhuma evidência definitiva de que The Turn of the Screw tenha sido concebido como algo diferente de uma simples história de fantasmas, e James certamente escreveu outras histórias de fantasmas que não dependem da imaginação do narrador. Por exemplo, Owen Wingrave inclui um fantasma que causa a morte súbita de seu personagem-título, embora ninguém realmente possa vê-lo. James, em seus Notebooks indica que ele se inspirou originalmente em um conto que ouvira de Edward White Benson, o Arcebispo da Cantuária. Há indícios de que a história referida por James foi sobre um incidente ocorrido em Hinton Ampner, quando em 1771 uma mulher chamada Mary Rickettsse mudou de sua casa depois de ver as aparições de um homem e uma mulher, dia e noite, olhando através das janelas, curvando-se sobre as camas e fazendo-a sentir que seus filhos estavam em perigo.

Há vários filmes adaptados e baseados na novela. O criticamente aclamado The Innocents (1961), dirigido por Jack Clayton, e o filme de Michael Winner, The Nightcomers (1972) foram dois exemplos dessa adaptação ao cinema. 

Os inocentes - 1961 - trailer




Outras adaptações para o cinema foram The Turn of the Screw de Rusty Lemorande, em 1992; o filme em língua espanhola de Eloy de la Iglesia, Otra vuelta de tuerca (The Turn of the Screw, 1985); e ainda os filmes Presence of Mind (1999), dirigido por Atoni Aloy; In a Dark Place (2006), dirigido por Donato Rotunno e o filme em língua portuguesa de Walter Lima Jr. Através da Sombra (Through the Shadow, 2016). The Others (2001) não é uma adaptação, porém possui alguns elementos em comum com a obra de James. Em 2018, a diretora Floria Sigismondi filmou uma adaptação da novela, denominada The Turning, na Kilruddery House, na Irlanda.


Os Outros 2001




Fontes:

cafeinaliteraria.com.br
companhiadasletras.com.br
wikipedia.org
gutemberg.org
shmoop.com
queridoclassico.com
google.com
youtube.com

quarta-feira, 18 de novembro de 2020




Um dos heróis da Suíça, Guilherme Tell teria disparado uma flechada certeira em uma maçã, colocada na cabeça do seu filho, que estava amarrado a uma árvore, em um dia como este, no ano de 1307. Caso errasse a flechada, Guilherme Tell seria morto. Esta, pelo menos, é a versão contada por Aegidius Tschudi, um historiador católico conservador. Guilherme Tell e seu filho foram presos pelo tirano Hermann Gessler, pois eles haviam desrespeitado sua autoridade.

A lenda de Guilherme Tell foi transformada em ópera por Gioachio Rossini.



Guilherme Tell - abertura




Gessler, para testar a lealdade do povo, tinha ordenado que fosse pendurado um chapéu com as cores da Áustria em um poste numa praça de Altdorf. Todos que passassem por ali deveriam que fazer uma saudação respeitosa ao chapéu, que era vigiado por soldados. Guilherme Tell e seu filho não fizeram a saudação e, por isso, foram presos. Tell era conhecido por ser um homem forte, bom escalador e exímio atirador. Por conta destes atributos, o tirano resolver testar as qualidades de Tell em seu próprio filho. Tell teria feito o tiro certeiro com sua besta (ou balestra), uma arma do tipo arco e flecha, com gatilho.




Depois que Tell acertou a maçã, em meio a aplausos em praça pública, Gessler notou que o herói havia preparado duas flechas. Perguntado pelo tirano porque havia feito isso, Tell hesitou e depois confessou que, caso matasse o seu filho, a segunda flecha seria para assassinar Gessler. Indignado, o tirano cumpriu sua promessa em manter Tell vivo, mas, para isso, ficaria preso para sempre. Tell foi acorrentado em um barco, com destino ao castelo de Küsnacht. Gessler e seus soldados também subiram na embarcação. Contudo, no meio da viagem, houve uma tempestade, e Tell foi solto para ajudar no salvamento. Tell conduziu o barco com segurança para terra firme e, no final, conseguiu escapar. Pouco depois, encontrou o tirano e o matou com aquela mesma flecha já reservada. Segundo a lenda, este evento marcou o início de uma revolta, que ocorreu em 1º. de janeiro de 1308 e que levou ao nascimento da Federação Suíça. De acordo com Tschudi, Tell teria morrido afogado em 1354, ao tentar salvar uma criança do afogamento, no rio Schächenbach, em Uri, um estado da Suíça.



Em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, existe uma estátua em homenagem ao  herói


Na década de 60 foi exibida uma série que contava a história de Guilherme Tell.




A lenda de Guilherme Tell é uma lenda da libertação da Suíça, a história permanece,  onde Tell é uma   importante figura com quem os suíços se identificam e, de acordo com uma pesquisa recente, 60% da população acredita mesmo que ele tenha existido.


Fontes:
seuhistory.com
wikipedia.org
youtube.com
google.com

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Hoje mais uma vez vamos falar sobre uma aventura do escritor francês, inventor da ficção científica, Júlio Verne, "Da Terra à Lua ".




Publicada em 1865, Da Terra à Lua é uma das obras de ficção científica mais audaciosas de Júlio Verne (1828-1905), que ante­cipou em mais de cem anos a chegada do homem à Lua.

Após o fim da Guerra da Secessão, os membros do Gun Club (com sede na cidade americana de Baltimore), de pretensões mi­litares e envolvidos principalmente com a indústria de canhões, anseiam por uma nova empreitada armamentista. O presidente do famigerado clube, Impey Barbicane, propõe construírem o maior projétil já visto e enviá-lo à Lua.

Verne situa na Flórida a base da qual será lançado o projétil, e faz uso de todo o seu humor para narrar as peripécias dos senho­res envolvidos em um projeto assim tão arriscado. Será ou não possível fazê-lo chegar à Lua com seres humanos dentro?

Tal como suas outras obras de ficção científica, o autor tratou aqui de várias tecnologias de ponta no século XIX (como o alumí­nio), antecipou diversas outras e previu um feito considerado im­possível: a chegada do homem à Lua, que só ocorreria em 1969. Eis um dos livros mais influentes do autor, que foi adaptado para ópera e games, além de ter inspirado, entre outros, o também inovador H.G. Wells, o clássico dos primórdios do cinema Via­gem à Lua (1902), de George Méliès, e a série cinematográfica De volta para o futuro.

 

O livro foi publicado em 1865, portanto no século XIX, 104 anos antes da chegada do homem na Lua.


Existem relatos impressionantes no livro, como o local ideal para lançar o foguete.





"Em resumo: 1 – 0 canhão deverá ser instalado numa região
situada entre o equador e o grau 28? de latitude norte ou sul.

2 – Deverá ser apontado para o zênite do lugar.

 


3 – 0 projétil deverá ser animado de uma velocidade inicial de doze mil jardas por segundo.

4 – Deverá ser lançado no dia 1? de dezembro do próximo
ano, às dez horas e quarenta e seis minutos e quarenta segundos.

5 – 0 projétil chegará à Lua quatro dias após
a sua partida, precisamente à meia-noite do dia 4 de dezembro., no
momento em que o astro passa pelo zênite."

                                                                                                            (Capítulo IV) 


O local escolhido foi o Estado da Flórida nos EUA , onde no século XX foi instalada o Cabo Canaveral, onde os foguetes são lançados.


Doze mil jardas por segundo equivale à 39.502,08 km por hora. O Saturno V que lançou a Apolo 11 em órbita tinha uma velocidade média de 28.000 km/h.




Uma vez que já se esteja em órbita, chegar à Lua passa a ser relativamente simples, quando se considera apenas o gasto de energia. Basta impulsionar a pequena parte que restou do enorme foguete para que ela atinja uma velocidade próxima de 40 mil km/h. Isto foi feito facilmente pelo único motor do terceiro estágio, ligado mais uma vez, para tornar possível o grande salto. A Apollo 11, então, rompeu seus laços com a Terra e foi cumprir a sua missão pioneira.

A precisão como Verne chegou na velocidade necessária em pleno século XIX, quando uma locomotiva atingia no máximo 60 km/h foi incrível. ( 39502 - 40.000 km/h).

A Apolo 11 foi lançada da Flórida em 16/07/1969 e pousou na Lua em 20/07/1969, 4 dias depois.


Fontes:

imp.com.br
aventurasnahistoria.uol.com.br
portalsfrancisco.com.br
silvestre.eng.br
google.com
wikipedia.org


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