Esse é um blog sobre curiosidades de português, história e cultura de maneira geral.
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
domingo, 22 de novembro de 2020
Prefácio"Sou o médico de quem às vezes se fala neste romance com palavras pouco lisonjeiras. Quem entende de psicanálise sabe como interpretar a antipatia que o paciente me dedica. Não me ocuparei de psicanálise porque já se fala dela o suficiente neste livro. Devo escusar-me por haver induzido meu paciente a escrever sua autobiografia; os estudiosos de psicanálise torcerão o nariz a tamanha novidade. Mas ele era velho, e eu supunha que com tal evocação o seu passado reflorisse e que a autobiografia se mostrasse um bom prelúdio ao tratamento. Até hoje a ideia me parece boa, pois forneceu-me resultados inesperados, os quais teriam sido ainda melhores se o paciente, no momento crítico, não se tivesse subtraído à cura, furtando-me assim os frutos da longa e paciente análise destas memórias. Publico-as por vingança e espero que o autor se aborreça. Seja dito, porém, que estou pronto a dividir com ele os direitos autorais desta publicação, desde que ele reinicie o tratamento. Parecia tão curioso de si mesmo! Se soubesse quantas surpresas poderiam resultar do comentário de todas as verdades e mentiras que ele aqui acumulou!... "DOUTOR S
O FUMO
"O médico com quem falei a esse respeito disse-me que iniciasse meu trabalho com uma análise histórica da minha propensão ao fumo. — Escreva! Escreva! O que acontecerá, então, é que você vai se ver por inteiro. Acredito, inclusive, que a respeito do fumo posso escrever aqui mesmo, à minha mesa, sem necessidade de ir sonhar ali naquela poltrona. Não sei como começar e invoco a assistência de todos os cigarros, todos iguais àquele que tenho na mão."
"— Estou morrendo!E ergueu-se da cama. Por minha vez, surpreendido com o grito, relaxei a pressão dos dedos, o que lhe permitiu sentar-se à beira da cama, bem à minha frente. Creio que então sua ira aumentou ao ver-se — ainda que apenas por um instante — constrangido em seus movimentos; decerto pareceu-lhe que eu não só lhe tolhia o ar de que tanto precisava como também lhe roubava a luz, interpondo-me entre ele e a janela. Com um esforço supremo conseguiu ficar de pé, ergueu a mão o mais alto que pôde, como se soubesse que não conseguiria comunicar-lhe outra força senão a de seu próprio peso, e deixou-a cair contra a minha face. Depois tombou sobre o leito e dele para o chão. Estava morto! "
Para Zeno o último ato de seu pai para com ele foi um tapa na cara.
sábado, 21 de novembro de 2020
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
"The story had held us, round the fire, sufficiently breathless, but except the obvious remark that it was gruesome, as, on Christmas Eve in an old house, a strange tale should essentially be, I remember no comment uttered till somebody happened to say that it was the only case he had met in which such a visitation had fallen on a child"
"A história nos mantivera em suspense em torno do fogo, mas à parte da óbvia reflexão de que era horrível, como essencialmente deve ser toda história estranha contada na véspera de Natal, numa velha casa, não me lembro que sobre ela se fizesse algum comentário, até que alguém lembrou que era o único caso assim sobre uma criança...."
Assim começa "The turn of screw" em português"A outra volta do parafuso, do escritor americano Henry James. O título em si parece um pouco inexplicável, já no começo do livro o autor apresenta uma justificativa: " a child is menaced by some ghostly terror, a party guest suggests that the fact that the story's protagonist was a child is what gives a certain "turn of the screw" – that is, it tightens the dramatic tension".
Seria mais ou menos como quando ouvimos ou assistimos um conto ou uma cena de tensão, ou terror apertássemos algo com as mãos, um lençol, um travesseiro, a mão do/da acompanhante. Me lembro do filme "Um dia depois de amanhã onde o personagem no avião durante uma grande turbulência aperta a mão da garota ao seu lado.
"The postbag, that evening—it came late—contained a letter for me, which, however, in the hand of my employer, I found to be composed but of a few words enclosing another, addressed to himself, with a seal still unbroken. “This, I recognize, is from the headmaster, and the headmaster’s an awful bore. Read him, please; deal with him; but mind you don’t report. Not a word. I’m off!” I broke the seal with a great effort—so great a one that I was a long time coming to it; took the unopened missive at last up to my room and only attacked it just before going to bed. I had better have let it wait till morning, for it gave me a second sleepless night. With no counsel to take, the next day, I was full of distress; and it finally got so the better of me that I determined to open myself at least to Mrs. Grose.“What does it mean? The child’s dismissed his school.”
"O correio - que chegou com atraso - trouxe-me uma carta de meu patrão. Continha poucas palavras e encerrava outras palavras que não tinha sido aberta, endereçada para ele próprio. Logo reconheci a letra do diretor do colégio. Dizia-me o meu patrão - ele é uma pessoa enfadonha, leia a carta e entenda-se com ele. Mas não me diga nada, nem uma palavra, estou de viagem. Abri com dificuldade o envelope lacrado, não querendo lê-lo de imediato. Levei-o para o meu quarto e li antes de dormir, talvez fosse melhor ter deixado para lê-lo no dia seguinte. Passei mais uma noite em claro."
"O que significa isso ! A criança foi expulsa da escola ?"
O livro de Henry James se passa na era vitoriana, de costumes rígidos e pragmáticos. A governanta, pouco a pouco, vai descobrindo o mistério em torno das duas crianças que se relacionam com dois ex empregados da casa a Sra. Jessel e Peter Quint.
A casa com ares sombrios também ajudava a tornar o ambiente carregado e fantasmagórico.
Fontes:
cafeinaliteraria.com.brcompanhiadasletras.com.br
wikipedia.org
gutemberg.org
shmoop.com
queridoclassico.com
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Hoje mais uma vez vamos falar sobre uma aventura do escritor francês, inventor da ficção científica, Júlio Verne, "Da Terra à Lua ".
Publicada em 1865, Da Terra à Lua é uma das obras de ficção científica mais audaciosas de Júlio Verne (1828-1905), que antecipou em mais de cem anos a chegada do homem à Lua.Após o fim da Guerra da Secessão, os membros do Gun Club (com sede na cidade americana de Baltimore), de pretensões militares e envolvidos principalmente com a indústria de canhões, anseiam por uma nova empreitada armamentista. O presidente do famigerado clube, Impey Barbicane, propõe construírem o maior projétil já visto e enviá-lo à Lua.Verne situa na Flórida a base da qual será lançado o projétil, e faz uso de todo o seu humor para narrar as peripécias dos senhores envolvidos em um projeto assim tão arriscado. Será ou não possível fazê-lo chegar à Lua com seres humanos dentro?Tal como suas outras obras de ficção científica, o autor tratou aqui de várias tecnologias de ponta no século XIX (como o alumínio), antecipou diversas outras e previu um feito considerado impossível: a chegada do homem à Lua, que só ocorreria em 1969. Eis um dos livros mais influentes do autor, que foi adaptado para ópera e games, além de ter inspirado, entre outros, o também inovador H.G. Wells, o clássico dos primórdios do cinema Viagem à Lua (1902), de George Méliès, e a série cinematográfica De volta para o futuro.
O livro foi publicado em 1865, portanto no século XIX, 104 anos antes da chegada do homem na Lua.
Existem relatos impressionantes no livro, como o local ideal para lançar o foguete.
"Em resumo: 1 – 0 canhão deverá ser instalado numa regiãosituada entre o equador e o grau 28? de latitude norte ou sul.2 – Deverá ser apontado para o zênite do lugar.
3 – 0 projétil deverá ser animado de uma velocidade inicial de doze mil jardas por segundo.4 – Deverá ser lançado no dia 1? de dezembro do próximoano, às dez horas e quarenta e seis minutos e quarenta segundos.5 – 0 projétil chegará à Lua quatro dias apósa sua partida, precisamente à meia-noite do dia 4 de dezembro., nomomento em que o astro passa pelo zênite."
(Capítulo IV)
O local escolhido foi o Estado da Flórida nos EUA , onde no século XX foi instalada o Cabo Canaveral, onde os foguetes são lançados.
Doze mil jardas por segundo equivale à 39.502,08 km por hora. O Saturno V que lançou a Apolo 11 em órbita tinha uma velocidade média de 28.000 km/h.
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