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sábado, 19 de agosto de 2023
Vamos falar hoje do chamado Paradoxo de Fermi.
O paradoxo de Fermi surgiu quando Enrico Fermi e outros cientistas debatiam à mesa sobre a possibilidade de existir vida fora da Terra, então Fermi perguntou: onde está todo mundo? Se levarmos em conta que, somente em nossa galáxia, há bilhões de outros sóis e que, no Universo, existem bilhões de galáxias, a possibilidade de que exista vida em outros planetas é estatisticamente alta.
O paradoxo é nomeado em honra do físico Enrico Fermi, mas Fermi nunca fez tal afirmação. Em verdade, ele estava discutindo com colegas, Emil Konopinski, Edward Teller, e Herbert York, sobre uma caricatura no The New Yorker mostrando alegres extraterrestres emergindo de um disco voador transportando latas de lixo roubadas das ruas de Nova York, e Fermi perguntou "Onde está todo mundo?" Ele estava se referindo ao fato de que eles não tinham visto nenhuma nave alienígena, e a conversa se voltou para a viabilidade de viagens interestelares. Ele nunca questionou por que, se um grande número de civilizações extraterrestres avançadas existem na nossa galáxia, e não se veem evidências como espaçonaves ou sondas. Isto foi citado pelo senador William Proxmire como uma razão para matar o programa SETI da NASA em 1981.
SETI (sigla em inglês para Search for Extraterrestrial Intelligence, que significa Busca por Inteligência Extraterrestre) é um projeto que tem por objetivo a constante busca por vida inteligente no espaço.
Existem diversas tentativas de solução para o paradoxo de Fermi, ou seja, respostas sobre o motivo pelo qual nunca fomos capazes de nos comunicar com qualquer civilização alienígena ou, ainda, identificar sinais de vida em outros planetas. Vamos conferir uma delas:
O grande filtro:
Alguns cientistas utilizam a teoria do grande filtro para tentar explicar o motivo de nunca termos estabelecido contato com outros seres vivos fora da Terra. Essa teoria faz menção a todos os obstáculos que tornam a abiogênese improvável ou até mesmo impossível.
A abiogênese é a linha de pensamento que indica que a vida surgiu da matéria não viva, na forma de compostos orgânicos simples, ou da geração espontânea. Entretanto, para que a vida, em seu estágio mais simples, alcance o patamar necessário para estabelecer contato com outras civilizações, uma série de coisas altamente improváveis devem ocorrer, como:
A abiogênese deve ocorrer no sistema planetário certo, ou seja, em planetas potencialmente habitáveis.
Moléculas específicas devem surgir, como é o caso do RNA (ácido ribonucleico), que ajuda a coordenar os processos celulares.
Vidas unicelulares devem surgir.
Vidas unicelulares mais complexas devem surgir.
A reprodução sexuada precisa acontecer.
Animais inteligentes devem surgir e ser capazes de utilizar ferramentas.
Uma civilização deve avançar ao ponto de explorar o espaço.
A colonização do espaço precisa acontecer para que se estabeleça contato com outras formas de vida.
Como é possível perceber, segundo a teoria do grande filtro, o paradoxo de Fermi é explicado pelo fato de que as chances de que uma forma de vida surja no Universo são extremamente baixas, por isso não fomos capazes de estabelecer contato. Entretanto, críticos dessa ideia indicam que a vida poderia evoluir por meios diferentes dos quais estamos familiarizados.
Algumas hipóteses que buscam explicar o paradoxo de Fermi levam em conta o fato de que, apesar de as chances de ocorrer vida no Universo serem altas, a maioria dos planetas habitáveis, que apresentam características similares às da Terra, ainda não foi formada, ou seja, quando novas civilizações surgirem, pode ser que nem existamos.
Outras hipóteses sugerem que sequer há um paradoxo: só nós existimos. Além delas, existem as que alegam que outras civilizações já podem ter nos visitado, porém há milhões de anos. Considerando que nosso período como civilização inteligente é extremamente curto e que as viagens espaciais são extremamente longas, poderemos ser visitados novamente daqui a dezenas de milhões de anos, de modo que nossa existência sequer será notada.
De qualquer forma, se nos basearmos na equação de Drake (Dr. Frank Drake), onde se afirmava a quantidade de civilizações que poderiam existir em nossa galáxia, onde estão todos ? Ou as civilizações já desapareceram, ou ainda não nasceram, ou simplesmente não querem fazer contato com a nossa civilização.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
mundoeducacao.uol.com.br
guiadoestudante.abbril.com.br
brasilescola.uol.com.br
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Hoje mais uma vez vamos falar sobre uma aventura do escritor francês, inventor da ficção científica, Júlio Verne, "Da Terra à Lua ".
Publicada em 1865, Da Terra à Lua é uma das obras de ficção científica mais audaciosas de Júlio Verne (1828-1905), que antecipou em mais de cem anos a chegada do homem à Lua.
Após o fim da Guerra da Secessão, os membros do Gun Club (com sede na cidade americana de Baltimore), de pretensões militares e envolvidos principalmente com a indústria de canhões, anseiam por uma nova empreitada armamentista. O presidente do famigerado clube, Impey Barbicane, propõe construírem o maior projétil já visto e enviá-lo à Lua.
Verne situa na Flórida a base da qual será lançado o projétil, e faz uso de todo o seu humor para narrar as peripécias dos senhores envolvidos em um projeto assim tão arriscado. Será ou não possível fazê-lo chegar à Lua com seres humanos dentro?
Tal como suas outras obras de ficção científica, o autor tratou aqui de várias tecnologias de ponta no século XIX (como o alumínio), antecipou diversas outras e previu um feito considerado impossível: a chegada do homem à Lua, que só ocorreria em 1969. Eis um dos livros mais influentes do autor, que foi adaptado para ópera e games, além de ter inspirado, entre outros, o também inovador H.G. Wells, o clássico dos primórdios do cinema Viagem à Lua (1902), de George Méliès, e a série cinematográfica De volta para o futuro.
O livro foi publicado em 1865, portanto no século XIX, 104 anos antes da chegada do homem na Lua.
Existem relatos impressionantes no livro, como o local ideal para lançar o foguete.
"Em resumo: 1 – 0 canhão deverá ser instalado numa região
situada entre o equador e o grau 28? de latitude norte ou sul.
2 – Deverá ser apontado para o zênite do lugar.
3 – 0 projétil deverá ser animado de uma velocidade inicial de doze mil jardas por segundo.
4 – Deverá ser lançado no dia 1? de dezembro do próximo
ano, às dez horas e quarenta e seis minutos e quarenta segundos.
5 – 0 projétil chegará à Lua quatro dias após
a sua partida, precisamente à meia-noite do dia 4 de dezembro, no
momento em que o astro passa pelo zênite."
(Capítulo IV)
O local escolhido foi o Estado da Flórida nos EUA , onde no século XX foi instalada o Cabo Canaveral, onde os foguetes são lançados.
Doze mil jardas por segundo equivale à 39.502,08 km por hora. O Saturno V que lançou a Apolo 11 em órbita tinha uma velocidade média de 28.000 km/h.
Uma vez que já se esteja em órbita, chegar à Lua passa a ser relativamente simples, quando se considera apenas o gasto de energia. Basta impulsionar a pequena parte que restou do enorme foguete para que ela atinja uma velocidade próxima de 40 mil km/h. Isto foi feito facilmente pelo único motor do terceiro estágio, ligado mais uma vez, para tornar possível o grande salto. A Apollo 11, então, rompeu seus laços com a Terra e foi cumprir a sua missão pioneira.
A precisão como Verne chegou na velocidade necessária em pleno século XIX, quando uma locomotiva atingia no máximo 60 km/h foi incrível. ( 39502 - 40.000 km/h).
A Apolo 11 foi lançada da Flórida em 16/07/1969 e pousou na Lua em 20/07/1969, 4 dias depois.
Fontes:
imp.com.br
aventurasnahistoria.uol.com.br
portalsfrancisco.com.br
silvestre.eng.br
google.com
wikipedia.org
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
Vamos falar hoje de outra obra clássica de Júlio Verne, "Viagem ao centro da Terra".
Viagem ao Centro Da Terra (em língua francesa: Voyage au Centre de la Terre) é um livro de ficção científica, de autoria do escritor francês Júlio Verne, lançado em 1864 e considerado como um dos clássicos do gênero.
Em 1863, pleno século XIX, o renomado cientista e professor de geologia e mineralogia alemão, Otto Lidenbrock, após ter encontrado um manuscrito escrito em código único pelo antigo alquimista islandês do século XVI, Arne Saknussemm, e de o ter decifrado, ele descobre que, segundo o alquimista, quem desce a cratera do vulcão Sneffels, situado na Islândia, antes do início de julho, se chega ao centro da Terra; sendo que Saknussemm teria feito esse percurso.
Capítulo I
"A 24 de maio de 1863, um domingo, meu tio, o professor Lidenbrock, voltou precipitadamente para sua casinha no número 19 da Königstrasse, uma das ruas mais antigas do velho bairro de Hamburgo. A boa Marthe deve ter achado que estava muito atrasada, pois o jantar mal começara a chiar no fogão da cozinha. "Bem", pensei, "se estiver com fome, meu tio, que é o mais impaciente dos homens, vai dar gritos de aflição". - O senhor Lidenbrock já chegou! - exclamou Marthe, estupefata, entreabrindo a porta da sala de jantar. - Já, Marthe; mas o jantar tem o direito de não estar pronto, pois não são nem duas horas. Acabou de dar a meia hora em São Miguel".
Eufórico e meio aturdido com a descoberta do manuscrito de Saknnussemm, ele corre para casa para empreender a mais incrível aventura já realizada, a viagem ao centro da Terra.
Repousou cuidadosamente em sua mesa um pedaço de pergaminho de cinco polegadas de comprimento e três de largura, no qual se distribuíam em linhas transversais caracteres ilegíveis. Aqui está seu fac-símile exato. Faço questão de apresentar esses sinais estranhos, pois levaram o professor Lidenbrock e seu sobrinho à expedição mais estranha do século XIX:
öx.ö,l,ööh öhö,tntö ö,ör:rrlblö h dThh'YP ntö.Y.Ylö'F!ö ITbööö T! 1ö' I ötö t11öÞ YT öh ö Ibö ö1ö öTn öö ö, . I, h Y,ö r ö r r b ,öör I .r .r n T n r F ö,ö t,T n bTö Iö r kh.öI Bk YtbIlI
O professor considerou por alguns instantes a série de caracteres; depois disse, erguendo seus óculos: - É rúnico; esses tipos são idênticos aos do manuscrito de Snorre Turleson! Mas... o que será que tudo isso significa? Como eu acreditava ser o rúnico uma invenção dos cientistas para ludibriar o pobre mundo, não fiquei aborrecido com o fato de meu tio não entender nada. Pelo menos é o que parecia pelo movimento de seus dedos, que começavam a tremer muito. - Mas é islandês antigo! - murmurava entre os dentes.
Assim que consegue ler o pergaminho, o geólogo ordena que Axel prepare duas malas, uma para cada um. A travessia dura em torno de dez dias e, quando os dois chegam à Islândia, vão à procura de alguém que possa ajudá-los a encontrar a trilha.
Para tanto, tio e sobrinho contam com as contribuições de um guia local chamado Hans, que levará os dois à aldeia de Stapi, o caminho tão ansiado. O percurso será feito com quatro cavalos, uma série de instrumentos (termômetro, manômetro, bússolas) e terá início no dia 16 de junho.
O trabalho empreendido anos antes por Arne Saknusemm os ajuda a escolher o percurso correto. Quando avistam a cratera do Sneffels, sem saberem para onde ir, o tio identifica a pista de Arne:
"— Axel, venha correndo! — dizia num tom de espanto e alegria.
Corri para perto dele, que apontava para um rochedo colocado no centro da cratera. A evidência tomou conta de mim. Na face ocidental do bloco, em caracteres rúnicos semirroídos pelo tempo, estava escrito: Arne Saknussemm".
E usando lâmpadas portáteis - como os mineiros - que os três personagens ingressam no centro da Terra e sobrevivem a uma série de aventuras.
Os três, fascinados com as descobertas, atravessam florestas de cogumelos, poços, corredores estreitos e chegam a testemunhar monstros pré-históricos. Uma realidade inimaginável, de tirar o fôlego.
A aventura mágica infelizmente termina antes do esperado, quando um dos vulcões, situado em Stromboli (na Sicília, Itália), atira os três integrantes para fora da Terra. Surpreendentemente nem Lidenbrock, nem Axel, nem Hans sofrem qualquer ferimento.
Vulcão Stromboli - Itália
"Eis a conclusão de uma narrativa na qual as pessoas mais habituadas a não se surpreender com nada acreditarão. Mas armei-me antecipadamente contra a incredulidade humana. Fomos recebidos pelos pescadores de Stromboli com todas as atenções devidas aos náufragos. Deram-nos roupas e víveres. Após uma espera de quarenta e oito horas, a 31 de agosto, uma pequena speronare conduziu-nos a Messina, onde nos recuperamos com alguns dias de descanso. Na sexta-feira, 4 de setembro, embarcávamos no Volturne, um dos navios-correio das empresas de transportes imperiais da França, e, três dias depois, estávamos em Marselha, com uma única preocupação: a da maldita bússola. O fato inexplicável não parava de atormentar-me. A 9 de setembro à noite, chegávamos a Hamburgo. Renuncio a descrever o estupor de Marthe e a alegria de Grauben".
Trata-se, é claro, de um livro de ficção científica que graças a genialidade de Júlio Verne, mistura a realidade com a alegoria.
No livro "Viagem ao Centro da Terra", o escritor francês Júlio Verne narra a aventura do professor e geólogo alemão Otto Lidenbrock, que ao descer em um vulcão na Islândia chegou ao centro do nosso planeta. No mundo real, uma viagem do tipo seria bem diferente. No livro, Lidenbrock e seu grupo descobriram um mundo paralelo e fantástico, onde animais como os dinossauros ainda existiam. Acabaram emergindo da aventura em um outro vulcão, localizado na Itália.
Mas na realidade, é bem provável que a jornada durasse só poucos quilômetros. E só encontraríamos dinossauros se cruzássemos com alguma ossada desses habitantes terrestres do passado. Mal passamos da casca Até hoje, a maior profundidade já atingida por um ser humano foi de 10,9 km. A marca foi obtida em 23 de janeiro de 1960 por um submersível, uma pequena embarcação mais resistente à pressão do que um submarino convencional. Em seu interior estavam um oceanógrafo suíço, Jacques Piccard, e um tenente da Marinha dos Estados Unidos, Donald Walsh. A aventura aconteceu na Fossa das Marianas, o ponto mapeado mais profundo do oceano —próximo dos 11 km de profundidade.
Uma viagem dessas teria de levar em consideração outros fatores como pressão atmosférica e o calor. A pressão no centro do planeta poderia chegar a 3, 6 milhões de atm, ao nível do mar essa pressão é de 1 atm. Qualquer coisa submetida a essa pressão seria esmagada.
O calor é outro fator, calcula-se que a 670 km de profundidade o calor já beirasse a marca de 1.700 °C, ou seja seríamos cozinhados.
Cálculos feitos por cientistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) apontam que a temperatura do núcleo do planeta seja de cerca de 4.530 ºC —ainda que um estudo publicado em 2013 indique que essa temperatura pode chegar próxima dos 6.000 ºC.
Mesmo assim vale muito a pena ler o livro. Ele cativa por seu suspense, sua aventura que certamente os deixarão ligados a cada página. Desde que, como aconteceu comigo, uma amigo não venha estragar a leitura te contando o final. Mesmo assim já li o livro outras duas vezes.
A obra foi levada ao cinema em 1959, dirigido por Henry Levy e em 2008 com direção de Eric Brevig.
Viagem ao centro da Terra 1959 - com Pat Boone, James Mason, Arlene Dahl e Diane Baker
Viagem ao centro da Terra - 2008 - com Brendan Fraser, Josh Hutherson e Anita Briem
O sucesso do livro se manifestou num século em que as descobertas ampliaram o conhecimento e a valorização dos estudos da ciência, popularizando assim as obras deste novo estilo literário. No caso de Verne, as principais influências vieram da dramaticidade de Victor Hugo e das fantasias de Edgar Allan Poe, este último reconhecido como a maior fonte de inspiração.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
memoria.ebc.com.br
culturagenial.com
youtube.com
revisas.ufpr.com
uol.com.br
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
Hoje vamos falar do "Mito da Caverna" de Platão.
O mito da caverna faz parte do livro VI de "A República" de Platão, é uma metáfora que consiste na tentativa de explicar a condição de ignorância em que vivem os seres humanos e o que seria necessário para atingir o verdadeiro “mundo real”, baseado na razão acima dos sentidos.
Também conhecida como Alegoria da Caverna ou Parábola da Caverna, esta história está presente na obra “A República”, criada por Platão e que discute, essencialmente, a teoria do conhecimento, linguagem e educação para a construção de um Estado ideal.
O Mito da Caverna é um dos textos filosóficos mais debatidos e conhecidos pela humanidade, servindo de base para explicar o conceito do senso comum em oposição ao que seria a definição do senso crítico.
Segundo o pensamento platônico, que foi bastante influenciado pelos ensinamentos de Sócrates, o mundo sensível era aquele experimentado a partir dos sentidos, onde residia a falsa percepção da realidade; já o chamado mundo inteligível era atingido apenas através das ideias, ou seja, da razão.
O verdadeiro mundo só conseguiria ser atingido quando o indivíduo percebesse as coisas ao seu redor a partir do pensamento crítico e racional, dispensando apenas o uso dos sentidos básicos.
De acordo com a história formulada por Platão, existia um grupo de pessoas que viviam numa grande caverna, com seus braços, pernas e pescoços presos por correntes, forçando-os a fixarem-se unicamente para a parede que ficava no fundo da caverna.
Atrás dessas pessoas existia uma fogueira e outros indivíduos que transportavam ao redor da luz do fogo imagens de objetos e seres, que tinham as suas sombras projetadas na parede da caverna, onde os prisioneiros ficavam observando.
Como estavam presos, os prisioneiros podiam enxergar apenas as sombras das imagens, julgando serem aquelas projeções a realidade.
Certa vez, uma das pessoas presas nesta caverna conseguiu se libertar das correntes e saiu para o mundo exterior. A princípio, a luz do sol e a diversidade de cores e formas assustou o ex-prisioneiro, fazendo-o querer voltar para a caverna.
No entanto, com o tempo, ele acabou por se admirar com as inúmeras novidades e descobertas que fez. Assim, quis voltar para a caverna e compartilhar com os outros prisioneiros todas as informações e experiências que existiam no mundo exterior.
As pessoas que estavam na caverna, porém, não acreditaram naquilo que o ex-prisioneiro contava e chamaram-no de louco. Para evitar que suas ideias atraíssem outras pessoas para os “perigos da insanidade”, os prisioneiros mataram o fugitivo.
Para Platão, a caverna simbolizava o mundo onde todos os seres humanos vivem, enquanto que as correntes significam a ignorância que prendem os povos, que pode ser representada pelas crenças, culturas e outras informações de senso comum que são absorvidas ao longo da vida.
As pessoas ficam presas a estas ideias pré-estabelecidas e não buscam um sentido racional para determinadas coisas, evitando a “dificuldade” do pensar e refletir, preferindo contentar-se apenas com as informações que lhe foram oferecidas por outras pessoas.
O indivíduo que consegue se “libertar das correntes” e vivenciar o mundo exterior é aquele que vai além do pensamento comum, criticando e questionando a sua realidade.
É comum as pessoas acreditarem naquilo que lhes foi ensinado desde criança, sem nunca questionar as suas certezas e suas duvidas.
Como também é muito comum as pessoas fazerem da opinião e dos comentários dos outros a sua própria opinião.
Assim como aconteceu com seu mestre, Sócrates, que foi morto pelos atenienses devido aos seus pensamentos filosóficos que provocavam uma desestabilização no “pensamento comum”, o protagonista desta metáfora foi morto para evitar a disseminação de ideias “revolucionárias”.
O Mito da Caverna mantém-se muito contemporâneo nas diversas sociedades ao redor do mundo, que preferem permanecer alheios ao pensamento crítico (seja por preguiça ou falta de interesse) e aceitar as ideias e conceitos que são impostos por um grupo dominante, por exemplo.
A série, O Silo da Apple, tem a ver com o Mito da caverna. Dez mil pessoas ficam confinadas no interior da Terra onde veem o mundo externo pelas lentes de uma câmera.
A manipulação das pessoas sempre ofereceu o bom para àqueles que aceitam as coisas como lhes é transmitida e o mal para àqueles que discordam ou contradizem aquilo que lhes é contado.
Veja a lenda do paraíso e do inferno, ou do Olimpo e o Hades na mitologia grega.
O filme Matrix (1999) também aborda o Mito da caverna. Matrix é um mundo idealizado para as pessoas não saberem o que é o mundo real, suas mazelas e seus sofrimentos.