As bodas de Figaro
Le Nozze di Figaro, o nome em italiano, é a continuação d’O Barbeiro de Sevilha e se passa alguns anos mais tarde, quando um “dia de loucura” (a continuação do título é “ossia la folle giornata”) acomete o palácio do Conde Almaviva, perto de Sevilha, na Espanha.
Agora, Rosina, a jovem com quem o Conde se casa no final d’O Barbeiro, é a Condessa; o médico e advogado que era apaixonado por Rosina, Dr. Bartolo, quer se vingar de Fígaro (foi Fígaro que ajudou o romance entre o Conde e Rosina) e se aproveita da dívida que Fígaro tem com sua empregada, Marcellina; e o Conde Almaviva deixou de ser o jovem, romântico e apaixonado por Rosina e se transforma no vil e recalcado barítono, que, depois de dar a Fígaro o cargo de chefe de todos os criados, quer sua mulher de qualquer jeito; e vai utilizar todo o seu poder para atrapalhar o casamento de seus dois servos, que está programado para esse mesmo dia, quando as bodas acontecem.
Apesar de qualquer estranhamento entre eles (a ária da Condessa com sua criada e noiva de
Fígaro Susanna em que trocam insultos de forma sarcástica é ótima, Via resti servita, madama brillante), Fígaro, Susanna e a Condessa Rosina, com suas felicidades ameaçadas pelo Conde, se juntam para fazer com que ele seja exposto e envergonhado por seus planos; que aceite o casamento dos dois para que a Condessa volte a ter seu marido, um homem que já fora romântico.
E essa era a polêmica envolvendo a história das Bodas. Na corte vienense, 3600 nobres moravam no palácio e eram assistidos por quase 60 mil servos, que moravam para fora “dos portões”. Colocar servos e nobres em posição de igualdade, ainda mais um conde, o mais alto grau da nobreza europeia, sendo exposto em suas questões morais por um casal de servos, ali no palco para todo mundo ver; bastante desafiador para a época.
Um parêntese para entender melhor a história: na Idade Média, existia uma lei — le droit du seigneur (“o direito do senhor”) — que dava ao senhor feudal o direito de tirar a virgindade da noiva na sua noite de núpcias (!) antes mesmo de ela se deitar com seu marido (!!). O Conde havia abolido esse direito quando do seu casamento com a Condessa Rosina, mas agora, com o seu interesse por Susanna, ele quer restaurá-lo.
Cherubino, personagem masculino interpretado por uma soprano (“en travesti” como se diz na dramaturgia, ou “breechers role” no vocabulário operístico), é o jovem galanteador da ópera e responsável por uma das árias mais famosas (e mais lindas): Voi che sapete che cosa è amor. Fica em apuros quando o Conde descobre o seu casinho com Barbarina, e sua situação no palácio fica ainda pior quando o Conde descobre sobre sua atração pela Condessa (sem contar que ele é sempre super amoroso com Susanna). Mas quando Cherubino descobre das investidas do Conde sobre Susanna, e para que a Condessa não saiba de nada, o nada-santo-Conde decide “perdoar” Cherubino dando-lhe um cargo num lugar bem longe do palácio. Cherubino terá de partir.
Mas todos os planos do Conde dão errado. Sua última cartada é obrigar Fígaro a se casar com uma mulher (a quem Fígaro deve dinheiro) que teria idade para ser sua mãe. Mas, surpresa: a dita cuja, a Marcellina, é a mãe de Fígaro. Assim, com a descoberta do fato surpreendente, os únicos inimigos de Fígaro, Marcellina-a-recalcada-que-queria-se-casar-com-ele e Dr. Bartolo-o-recalcado-que-queria-se-vingar-de-Fígaro-e-que-surprise–surprise–é-seu-pai, se transformam nos mais novos aliados de Fígaro. Apesar de suas falcatruas, Fígaro é um cara de sorte.
E como em outras óperas cômicas — seriam elas a versão dos filmes românticos de Hollywood? — o final é feliz: o Conde tem seu amor pela Condessa restabelecido, Susanna e Fígaro conseguem se casar com a benção do Conde (e ela segue pura, olha só) e todos os outros personagens participam da grande festa que são As Bodas de Fígaro.
Fontes:
wikipedia.org
google.com
simonde.com.br
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