José de Anchieta
José de Anchieta foi um padre e missionário da Companhia de Jesus. Teve papel relevante na catequização dos povos indígenas em terras brasileiras, tendo por isso recebido o título de “apóstolo do Brasil”. O Padre Anchieta foi beatificado em 1980 e canonizado em 2014.
José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, em Tenerife, Arquipélago das Canárias, na Espanha. Filho de João López de Anchieta com Mência Diaz de Clavijo y Llarena, sua família paterna tinha parentesco com o fundador da Companhia de Jesus, Inácio de Loyola.
Aos catorze anos foi enviado a Portugal para estudar no Real Colégio das Artes e Humanidades de Coimbra.
Ainda noviço, com apenas 19 anos, foi enviado para o Brasil em 1553, junto a outros seis missionários jesuítas. A viagem atendia à solicitação do Padre Manuel da Nóbrega, que pedia à Ordem Jesuíta mais missionários para a catequização dos indígenas.

José de Anchieta partiu para o Brasil, no dia 8 de maio de 1553, na frota que trouxe o segundo Governador Geral Duarte da Costa, com o objetivo de ajudar na doutrinação dos índios. Mesmo sofrendo com fortes dores na coluna, Anchieta juntou-se a um grupo de religiosos e enfrentou 65 dias de viagem, chefiados pelo Padre Luís de Grã.
A esquadra chegou a Salvador no dia 13 de julho e, ao descer, Anchieta teve seu primeiro contato com os índios. Depois de três meses, junto com outros religiosos, Anchieta seguiu para o sul quando dois navios seguiram em direção à capitania de São Vicente com o objetivo de catequizar os índios carijós.
Quando navegavam próximo ao rio Caravelas, no sul da Bahia, uma forte tempestade desgovernou os barcos. Só no dia seguinte conseguiram chegar em terra. Durante dez dias permaneceram entre os índios alimentando-se de abóbora, farinha e frutas da região.
Depois de repararem um navio, seguiram para São Vicente, onde chegaram às vésperas do natal. Nessa época, a ação dos jesuítas na catequese dos índios já se estendia de São Vicente aos Campos de Piratininga, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega.
Fundação de São Paulo
José de Anchieta e outros religiosos subiram a Serra do Mar rumo ao Planalto, onde se instalaram. A inauguração do barracão do planalto deu-se junto a uma aldeia de índios no dia 24 de janeiro de 1554, dia da conversão do Apóstolo São Paulo. No local, Nóbrega, com a ajuda de Anchieta, celebrou uma missa, em homenagem ao Santo“ Era o início da fundação da cidade de São Paulo.”

Ao redor do colégio se formou um pequeno povoado. Durante esses anos, José de Anchieta aprendeu a língua tupi e posteriormente escreveu uma gramática que foi de grande ajuda em todas as missões dos jesuítas.
Os líderes indígenas dos Tamoios, inimigos dos Tupis, do litoral norte de São Paulo e do sul do Rio de Janeiro organizaram um movimento de resistência, em 1554, que ficou conhecido como Confederação dos Tamoios, contra os colonos portugueses que além de explorar o território, buscavam escravizar a mão de obra indígena.
Ameaça dos franceses e a missão de paz
Rio de Janeiro foi invadido pelos franceses, em 1555, sob o comando do almirante Nicolau Durand Villegaignon, que fizeram uma aliança com os tamoios e se instalam na Baía da Guanabara. O Governador Geral, Mem de Sá obteve uma vitória frente aos franceses, mas não conseguiu expulsá-los do solo brasileiro.
Em 10 de julho de 1562, os índios tamoios, estimulados pelos franceses, atacaram a vila de São Paulo. As lutas foram terríveis, com mortos e feridos de ambos os lados, mas os atacantes não conseguiram tomar a vila e se retiraram. Nessa mesma época, atacaram mais uma vez a Baía da Guanabara.
Além da presença dos franceses, aliada aos saques que os colonos faziam às aldeias indígenas, gerava um constante clima de tensão em toda a região.
Anchieta e Nóbrega, em missão pacificadora, partiram de São Vicente em 21 de abril de 1563, em um navio de um genovês que morava na vila e rumaram para Iperoig (atual Ubatuba). Ao chegarem na praia foram cercados pelos Tamoios que se mostram hostis.
Anchieta, no mais puro tupi, os saúda com promessas de paz e amizade. Convencidos, os índios os levaram até suas cabanas. Ariscando suas vidas os religiosos permaneceram na aldeia e o navio retornou para São Vicente.
Foram sete meses de negociações, entre ameaças de morte, zombarias, catequese, missas e a tentativa de fuga de Nóbrega e Anchieta.
A paz com os Tamoios durou pouco. Em 1564 uma esquadra comandada por Estácio de Sá, sobrinho do Governador Geral, tentou aportar na Baía de Guanabara, mas foi repelida pelos tamoios, e seguiu para a vila de Santos. Na capitania de São Vicente desejava obter reforços.
Anchieta e Nóbrega, influentes na região, conseguiram recrutar muita gente para reforçar a armada de Estácio de Sá. No dia 20 de janeiro de 1565, partiram para o Rio, onde chegam em março.
As batalhas se sucederam durante meses, mas finalmente os portugueses saíram vitoriosos. Anchieta foi o enfermeiro da campanha. Em 1566, Anchieta partiu para Salvador com o objetivo de se ordenar sacerdote. Em agosto, foi finalmente ordenado e ali na Bahia pode rezar sua primeira missa.
Três meses depois, o Padre José de Anchieta seguiu para o Rio na esquadra de Mem de Sá para auxiliar seu sobrinho na conquista definitiva do Rio de Janeiro. Chegaram em 18 de janeiro de 1567 e depois de vários combates os tamoios foram subjugados e os franceses expulsos.
Nessa época, começou a implantação de um núcleo de povoamento bem fortificado: ao qual deram o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro. Era o começo da fundação do Rio de Janeiro.
Anchieta escreveu cartas, informações, fragmentos históricos e sermões, publicados pela Academia Brasileira de Letras em 1933. Também foi autor de peças teatrais (autos) e poemas, sempre de caráter religioso.
Dentre suas obras mais conhecidas se distinguem o Poema à Virgem, escrito durante o tempo em que se fez refém dos indígenas durante a Confederação dos Tamoios, e Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil, gramática sobre a língua tupi utilizada na missão jesuíta.
O Poema à Virgem é composto por mais de cinco mil versos. José de Anchieta teria decorado todos os versos, escritos na areia da praia de Ubatuba e, somente meses mais tarde, transcreveu-os para o papel em São Vicente, primeira vila do Brasil.
O conjunto de sua obra faz com que José de Anchieta seja considerado um dos fundadores da literatura brasileira.
O padre José de Anchieta, já doente, em 1597, foi para Reritiba, aldeia que fundou no Espírito Santo, onde passou seus últimos dias, falecendo no dia 9 de junho do mesmo ano.
Hoje Reritiba tem o nome de Anchieta, em homenagem ao padre. Em São Paulo, existe a rodovia Anchieta, que liga a capital paulista ao litoral Sul (Santos, Guarujá, Praia Grande, São Vicente)
Fontes:
wikipedia.org
google.com
ebiografia.com
toamateria.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário